domingo, 22 de maio de 2011

Proibição da distribuição gratuita ou venda de sacolas plásticas a consumidores em todos os estabelecimentos comerciais do Município de São Paulo

LEI Nº 15.374, DE 18 DE MAIO DE 2011




fonte: http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=19052011L 153740000            &secr=5&depto=0&descr_tipo=LEI


Dispõe sobre a proibição da distribuição gratuita ou venda de sacolas plásticas a consumidores em todos os estabelecimentos comerciais do Município de São Paulo, e dá outras providências.

GILBERTO KASSAB, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 17 de maio de 2011, decretou e eu promulgo a seguinte lei:

Art. 1º Fica proibida a distribuição gratuita ou a venda de sacolas plásticas para os consumidores para o acondicionamento e transporte de mercadorias adquiridas em estabelecimentos comerciais no Município de São Paulo.

Parágrafo único. Os estabelecimentos comerciais devem estimular o uso de sacolas reutilizáveis, assim consideradas aquelas que sejam confeccionadas com material resistente e que suportem o acondicionamento e transporte de produtos e mercadorias em geral.

Art. 2º Os estabelecimentos comerciais de que trata o art. 1º ficam obrigados a afixar placas informativas, com as dimensões de 40 cm x 40 cm, junto aos locais de embalagem de produtos e caixas registradoras, com o seguinte teor:

"POUPE RECURSOS NATURAIS! USE SACOLAS REUTILIZÁVEIS".

Art. 3º O disposto nos arts. 1º e 2º desta lei deverá ser implementado até 31 de dezembro de 2011.

Art. 4º O disposto nesta lei não se aplica:

I - às embalagens originais das mercadorias;
II - às embalagens de produtos alimentícios vendidos a granel; e
III - às embalagens de produtos alimentícios que vertam água.

Art. 5º Os fabricantes, distribuidores e estabelecimentos comerciais ficam proibidos de inserir em sacolas plásticas para o acondicionamento e transporte de mercadorias a rotulagem degradáveis, assim como as terminologias oxidegradáveis, oxibiodegradáveis, fotodegradáveis e biodegradáveis, e mensagens que indiquem suposta vantagem ecológica de tais produtos.

Art. 6º O descumprimento das disposições contidas nesta lei sujeitará o infrator às penalidades previstas na Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.

Art. 7º A fiscalização da aplicação desta lei será realizada pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. 

Para reflexão: Quatro mentiras sobre o ambiente

Eduardo Galeano aponta quatro mentiras sobre o ambiente


 


 A civilização que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o desenvolvimento, e o grandalhão com a grandeza, também confunde a natureza com a paisagem


Quatro frases que aumentam o nariz do Pinóquio:

1- Somos todos culpados pela ruína do planeta.
A saúde do mundo está feito um caco. “Somos todos responsáveis”, clamam as vozes do alarme universal, e a generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de natalidade do mundo: os experts geram experts e mais experts que se ocupam de envolver o tema com o papel celofane da ambiguidade.

Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações ao “sacrifício de todos” nas declarações dos governos e nos solenes acordos internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de palavras – inundação que ameaça se converter em uma catástrofe ecológica comparável ao buraco na camada de ozônio – não se desencadeiam gratuitamente. A linguagem oficial asfixia a realidade para outorgar impunidade à sociedade de consumo, que é imposta como modelo em nome do desenvolvimento, e às grandes empresas que tiram proveito dele. Mas, as estatísticas confessam. 
Os dados ocultos sob o palavreado revelam que 20% da humanidade comete 80% das agressões contra a natureza, crime que os assassinos chamam de suicídio, e é a humanidade inteira que paga as consequências da degradação da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da água, do enlouquecimento do clima e da dilapidação dos recursos naturais não-renováveis. A senhora Harlem Bruntland, que encabeça o governo da Noruega, comprovou recentemente que, se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem o mesmo que os países desenvolvidos do Ocidente, “faltariam 10 planetas como o nosso para satisfazerem todas as suas necessidades”. Uma experiência impossível.

Mas, os governantes dos países do Sul que prometem o ingresso no Primeiro Mundo, mágico passaporte que nos fará, a todos, ricos e felizes, não deveriam ser só processados por calote. Não estão só pegando em nosso pé, não: esses governantes estão, além disso, cometendo o delito de apologia do crime. Porque este sistema de vida que se oferece como paraíso, fundado na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, é o que está fazendo adoecer nosso corpo, está envenenando nossa alma e está deixando-nos sem mundo.

2- É verde aquilo que se pinta de verde.
Agora, os gigantes da indústria química fazem sua publicidade na cor verde, e o Banco Mundial lava sua imagem, repetindo a palavra ecologia em cada página de seus informes e tingindo de verde seus empréstimos. “Nas condições de nossos empréstimos há normas ambientais estritas”, esclarece o presidente da suprema instituição bancária do mundo. Somos todos ecologistas, até que alguma medida concreta limite a liberdade de contaminação.
Quando se aprovou, no Parlamento do Uruguai, uma tímida lei de defesa do meio-ambiente, as empresas que lançam veneno no ar e poluem as águas sacaram, subitamente, da recém-comprada máscara verde e gritaram sua verdade em termos que poderiam ser resumidos assim: “os defensores da natureza são advogados da pobreza, dedicados a sabotarem o desenvolvimento econômico e a espantarem o investimento estrangeiro.”
O Banco Mundial, ao contrário, é o principal promotor da riqueza, do desenvolvimento e do investimento estrangeiro. Talvez, por reunir tantas virtudes, o Banco manipulará, junto à ONU, o recém-criado Fundo para o Meio-Ambiente Mundial. Este imposto à má consciência vai dispor de pouco dinheiro, 100 vezes menos do que haviam pedido os ecologistas, para financiar projetos que não destruam a natureza. Intenção inatacável, conclusão inevitável: se esses projetos requerem um fundo especial, o Banco Mundial está admitindo, de fato, que todos os seus demais projetos fazem um fraco favor ao meio-ambiente.
O Banco se chama Mundial, da mesma forma que o Fundo Monetário se chama Internacional, mas estes irmãos gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington. Quem paga, manda, e a numerosa tecnocracia jamais cospe no prato em que come. Sendo, como é, o principal credor do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial governa nossos escravizados países que, a título de serviço da dívida, pagam a seus credores externos 250 mil dólares por minuto, e lhes impõe sua política econômica, em função do dinheiro que concede ou promete.
A divinização do mercado, que compra cada vez menos e paga cada vez pior, permite abarrotar de mágicas bugigangas as grandes cidades do sul do mundo, drogadas pela religião do consumo, enquanto os campos se esgotam, poluem-se as águas que os alimentam, e uma crosta seca cobre os desertos que antes foram bosques.

3- Entre o capital e o trabalho, a ecologia é neutra.
Poder-se-á dizer qualquer coisa de Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o bondoso Al sempre enviava flores aos velórios de suas vítimas… As empresas gigantes da indústria química, petroleira e automobilística pagaram boa parte dos gastos da Eco-92: a conferência internacional que se ocupou, no Rio de Janeiro, da agonia do planeta. E essa conferência, chamada de Reunião de Cúpula da Terra, não condenou as transnacionais que produzem contaminação e vivem dela, e nem sequer pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que torna possível a venda de veneno.
No grande baile de máscaras do fim do milênio, até a indústria química se veste de verde. A angústia ecológica perturba o sono dos maiores laboratórios do mundo que, para ajudarem a natureza, estão inventando novos cultivos biotecnológicos. Mas, esses desvelos científicos não se propõem encontrar plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química, mas sim buscam novas plantas capazes de resistir aos praguicidas e herbicidas que esses mesmos laboratórios produzem. Das 10 maiores empresas do mundo produtoras de sementes, seis fabricam pesticidas (Sandoz-Ciba-Geigy, Dekalb, Pfizer, Upjohn, Shell, ICI). A indústria química não tem tendências masoquistas.
A recuperação do planeta ou daquilo que nos sobre dele implica na denúncia da impunidade do dinheiro e da liberdade humana. A ecologia neutra, que mais se parece com a jardinagem, torna-se cúmplice da injustiça de um mundo, onde a comida sadia, a água limpa, o ar puro e o silêncio não são direitos de todos, mas sim privilégios dos poucos que podem pagar por eles. Chico Mendes, trabalhador da borracha, tombou assassinado em fins de 1988, na Amazônia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a militância ecológica não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que a floresta amazônica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no Brasil.
Cinco anos depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram que mais de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados, a cada ano, na luta pela terra, e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão às cidades deixando as plantações do interior. Adaptando as cifras de cada país, a declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades latino-americanas, inchadas até arrebentarem pela incessante invasão de exilados do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender nem alterar dentro dos limites da ecologia, surda ante o clamor social e cega ante o compromisso político.

4- A natureza está fora de nós.
Em seus 10 mandamentos, Deus esqueceu-se de mencionar a natureza. Entre as ordens que nos enviou do Monte Sinai, o Senhor poderia ter acrescentado, por exemplo: “Honrarás a natureza, da qual tu és parte.” Mas, isso não lhe ocorreu. Há cinco séculos, quando a América foi aprisionada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu ecologia com idolatria. A comunhão com a natureza era pecado. E merecia castigo.
Segundo as crônicas da Conquista, os índios nômades que usavam cascas para se vestirem jamais esfolavam o tronco inteiro, para não aniquilarem a árvore, e os índios sedentários plantavam cultivos diversos e com períodos de descanso, para não cansarem a terra. A civilização, que vinha impor os devastadores monocultivos de exportação, não podia entender as culturas integradas à natureza, e as confundiu com a vocação demoníaca ou com a ignorância. Para a civilização que diz ser ocidental e cristã, a natureza era uma besta feroz que tinha que ser domada e castigada para que funcionasse como uma máquina, posta a nosso serviço desde sempre e para sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão.
Muito recentemente, inteiramo-nos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e sabemos que, tal como nós, pode morrer.

Eduardo Hughes Galeano, jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História. Sua obra mais famosa é o livro “Veias Abertas da América Latina”.

Que cachorrada: Interior vive onda de matança de animais

22/05/2011 - 08h21

Interior vive onda de matança de animais



Autoria: ANA SOUSA
DE RIBEIRÃO PRETO


A vira-lata Cindy foi encontrada morta após ser espancada em Sales Oliveira (363 km de São Paulo) há menos de um mês. O caso faz parte de uma série de mortes criminosas de animais registradas no interior paulista.
Segundo representantes de ONGs de proteção animal e delegados ouvidos pela Folha, ao menos outros 80 animais foram encontrados mortos em Sertãozinho, Ribeirão Preto, Sales Oliveira e Campinas em dois meses.
Na maioria dos casos, há sinais de envenenamento.
Em Sales, além de Cindy, outros 15 animais morreram desde abril. Eles eram de um grupo de 20 abrigados de maneira improvisada num recinto de exposições.
O delegado Clodoaldo Vieira diz que ainda não há suspeitos, mas admite a possibilidade de as mortes deste ano estarem relacionadas com as 50 mortes por envenenamento do ano passado.
Em Ribeirão, 46 animais (gatos, gambás e uma cadela) foram envenenados na segunda "chacina" do ano -na primeira, em março, foram dez os mortos.
Em Campinas, pelo menos um animal é morto em média por mês, segundo a delegada Rosana Mortari, além de casos em rituais de magia negra. Em Sertãozinho, voluntários dizem ter encontrado 15 gatos mortos.
Para o presidente da ONG Arca Brasil, Marco Ciampi, a superpopulação de animais de rua cresce proporcionalmente ao desenvolvimento do segmento pet.
Para ele, é preciso difundir o conceito de posse responsável e investir em políticas públicas -como a castração- para reduzir a população animal e evitar crimes.
ABRIGOS LOTADOS
Os abrigos para animais de rua estão no limite ou além da capacidade em várias cidades. A lotação está relacionada, em parte, à lei estadual de 2008, que proibiu o sacrifício de animais capturados.
O "inchaço" também pode ser explicado pelas baixas taxas de castração e adoção e altos índices de abandono.
Em Ribeirão Preto, cerca de 50 animais chegam ao canil do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) por semana contra 40 doados por mês.
Sem canis próprios, alguns municípios fazem parcerias com a iniciativa privada ou improvisam abrigos.
Esse é o caso de Serrana (313 km de SP). Um canil provisório foi montado em um antigo drive-in. De acordo com a prefeitura, o projeto de um novo abrigo está sendo desenvolvido.
Edson Silva - 21.mai.11/Folhapress
Cães em canil provisório que foi montado no município de Serrana. Quatro cidades do interior de São Paulo tiveram ao menos 80 casos de mortes de animais.
Cães em canil provisório no município de Serrana. Quatro cidades do interior de SP tiveram 80 casos de mortes.




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Anda e para do trânsito aumenta consumo de combustível em 39%

22/05/2011 - 07h26

Anda e para do trânsito aumenta consumo de combustível em 39%



Autoria: FELIPE NÓBREGA

Se não bastasse uma frota de 7 milhões de veículos, a capital paulista ainda emplaca mil novos carros por dia. O resultado? Ruas entupidas e trânsito cada vez mais lento.
O pior cenário ocorre no pico da tarde, quando o anda e para dos carros faz a velocidade média cair pela metade: 15 km/h, calcula a CET.
Além do cansaço físico causado pelas manobras, o motorista "engarrafado" ainda arca com um aumento considerável no consumo de combustível do carro.
Marcelo Justo/Folhapress
Avenida 23 de Maio, no horário de pico
Av. 23 de Maio, Zona Sul de São Paulo, no horário de pico
À pedido da Folha, o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) mediu a variação do gasto de gasolina de um modelo "popular" em trajeto de trânsito normal e intenso.
Com pista livre, o Uno (1.0) cedido para o teste percorreu 14 km/l. No rush, o consumo cresceu 39%: 10,1 km/l. Pelos testes, nem transitar com o ar ligado ou com o carro carregado provoca tanta variação (veja índices ao lado).
O assistente técnico da Fiat, Ricardo Dilser, explica que o momento de por o carro em movimento é quando o motor realiza mais esforço. "Já automáticos, pela mecânica, gastam até 8% mais."
Uma teoria curiosa sobre a causa do anda e para nos engarrafamentos é a da onda invisível -quando não há motivo lógico para a inconstância. Ocorre quando o carro da frente diminui a velocidade, levando o de trás a reduzir ainda mais o ritmo. Nesse efeito cascata, chega o ponto em que alguém, lá no fundo, para por completo.
AUTOMÁTICO
Donos de carro automático certamente optam por esse sistema pois não gostam de ficar trocando as marchas. Mas, em caso de paradas mais longas, como as provocadas por engarrafamentos, o ideal é que a alavanca seja posicionada em "N" (neutro).
Assim, além de o condutor não ter de ficar segurando o carro com o freio, ele sentirá uma redução no nível de vibração e no gasto com combustível.
O consumo de gasolina de um Ford Focus 2.0 parado, por exemplo, é de aproximadamente dois litros por hora, isso com o câmbio em "D" (drive). Em "N", o gasto é 45% menor.
O motorista só deve tomar o cuidado de não acelerar enquanto faz essa troca de posição da alavanca, para não danificar a transmissão, afirma Klaus Mello, gerente de engenharia da Ford.


VILÕES DO CONSUMO:



Trânsito intenso: 39%
Ar-condicionado: 31%
Veículo carregado: 27%
Pneu murcho: 18%
Bagageiro no teto: 14%


Fontes: CET e IMT (Instituto Mauá de Tecnologia)

SBTUR inicia o projeto Lixo Zero

SBTUR inicia o projeto Lixo Zero


21/05/2011
Autoria e fonte: http://www.brasilturis.com.br/diretodaredacao_materia.neo?Materia=22991


O Sistema Brasileiro de Turismo (SBTUR) em parceria com a Novo Ciclo, inicia o projeto Lixo Zero, que prevê que materiais sejam encaminhados para usinas e fábricas que os utilizam como matéria-prima.

O Lixo Zero necessita de uma revisão de conceitos e condições para que cada pessoa possa agir e assim diminua seu impacto sobre o planeta.

“A sustentabilidade está no centro da nossa estratégia, por isso o SBTUR se empenha em estabelecer uma relação correta com a sociedade e o meio ambiente. O Lixo Zero é um grande passo que damos, assumindo assim nossa parcela de responsabilidade”, comenta o diretor de operações do SBTUR, Cristóvão Loureiro.

De acordo com o diretor, a empresa recebeu treinamento e instalação de novos equipamentos que auxiliarão na elaboração do trabalho. "O primeiro passo do SBTUR é eliminar o lixo. O próximo é implantar também o projeto Carbon Free. E esse tipo de projeto não é nada menos que uma obrigação nossa para com o mundo", diz o presidente do sistema, Milton Zuanazzi.

Somente no município de Florianópolis são gastos cerca de R$ 3,5 milhões para enviar lixo produzido na cidade ao aterro sanitário no município vizinho, Biguaçu. Por estes prejuízos financeiros, e além dos resíduos trazerem problemas ambientais, a implantação do Lixo Zero é uma vantagem para as empresas e cidades.

SIGA A CAÇAMBA: Usina fará reciclagem de entulho

21.mai.2011     Redação

Usina fará reciclagem de entulho




Fonte: http://odiariodemogi.inf.br/cidades/noticia_view.asp?mat=29655&edit=6


Autoria: JÚLIA GUIMARÃES
Especial para O Diário

A urgente necessidade de implantação de novas tecnologias de reciclagem no Município já chama a atenção da iniciativa privada em Mogi das Cruzes. Interessados em um promissor mercado, que pode aliar sustentabilidade ambiental ao crescente segmento da construção civil, empresários mogianos começam a desenvolver projetos na área para oferecer alternativas de reaproveitamento dos resíduos produzidos pelas obras da Cidade. A proposta mais adiantada é a de construção de uma usina de beneficiamento de entulho, que está sendo erguida na região da Volta Fria e deve ficar pronta nos próximos três meses.
A família do empresário Luiz Fernando Bós Vidal iniciou o processo de licenciamento do projeto há um ano. Com toda a documentação aprovada, os empresários adquiriram o maquinário para instalação de uma usina de beneficiamento dos resíduos da construção civil. O equipamento exigiu um investimento de R$ 1,2 milhão e terá capacidade para processar 75 toneladas de entulho por hora. A obra de 50 mil metros quadrados se encontra e em fase de fundação e a expectativa é de que, em três meses, a máquina comece a operar. "O processo foi muito rápido. Não tivemos dificuldades com a licença ambiental porque se trata de um projeto de interesse público", afirmou Luiz Vidal.
O empresário explica que a usina não receberá material recolhido pelas caçambas da Cidade porque, comumente, elas possuem produtos impróprios ao beneficiamento. A intenção é trabalhar apenas com o entulho retirado de dentro de indústrias para garantir a qualidade da reciclagem. Vidal conta que já possui um amplo estoque, que será suficiente para suprir seis meses de funcionamento da usina. "Todo este material foi retirado de dentro das indústrias onde prestamos serviços de terraplanagem e demolição. O entulho será reciclado e transformado em matéria prima para obras não estruturais, como piso e calçadas", detalhou.
Um projeto semelhante poderá ser implantado no Distrito do Taboão. Pedindo para não ser identificado, outro empresário do ramo da construção civil afirmou que também tem a intenção de instalar uma usina no Município. O empreendedor disse que o projeto está em fase embrionária e que, no momento, prefere não fornecer detalhes. O secretário municipal de Desenvolvimento, Marcos Damásio, confirmou que recebeu, há 20 dias, a visita de três empresários que lhe apresentaram essa proposta. Segundo ele, os empreendedores já teriam todo o equipamento necessário e estão interessados em erguer a unidade em parceria com a Prefeitura. O secretário pediu que eles façam a entrega de um projeto técnico e, agora, aguarda a apresentação do documento.
O empresário Vinícius Peretti Guimarães, dono de uma das construtoras mogianas, também informou que possui planos de beneficiar os resíduos das obras. Ele explicou, no entanto, que sua intenção não é comercializar o material, mas apenas usá-lo para as necessidades da própria empresa. O construtor afirmou que fez pesquisas sobre o funcionamento de máquinas pequenas, que custam entre R$ 50 mil e R$ 80 mil, mas ainda não tem previsão de aquisição do equipamento. "Este seria um investimento apenas para uso interno. Uma das principais vantagens do beneficiamento é a economia, já que, com a reciclagem, haverá menos aquisição de matéria prima e custos reduzidos com descarte de entulho", disse.

sábado, 21 de maio de 2011

Saiba como evitar o desperdício de alimentos

Saiba como evitar o desperdício de alimentos


Postado em 20/05/2011 às 15h17

autoria e fonte: http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/2583


64% de tudo o que é plantado no Brasil vai parar no lixo(imagem: compostagemurbana.blogspot.com)



Uma alimentação consciente é influenciada pela escolha dos alimentos, mas também está diretamente ligada com o desperdício de comida. No Brasil, segundo o IBGE, 64% de tudo o que é plantado acaba indo para o lixo. Portanto é essencial mudar de atitudes para que esse cenário seja transformado.
Enquanto muitos jogam comida fora, 13,9 milhões de brasileiros passam fome. Além disso, desperdiçar comida está diretamente ligado aos gastos desnecessário de água e energia. Esses números levaram a jornalista Lydia Cintra, da revista Superinteressante, a preparar seis dicas de como evitar os desperdícios de alimentos.
A primeira delas é fazer uma lista de compras antes de chegar aos supermercados. Essa rotina faz com que o consumidor opte por coisas realmente necessárias. O cuidado com a quantidade deve ser ainda maior quando se trata de alimentos frescos, que estragam mais rapidamente.
Escolher os itens em um supermercado pode ser uma aventura, e como em todas as atividades que apresentam um pouco de risco, as compras também exigem atenção redobrada. É preciso sempre estar atento aos rótulos, para saber a procedência, composição e mais importante, a data de validade. Assim é possível evitar a compra de produtos que certamente não serão consumidos antes do vencimento e terão como destino o lixo.
Colocar no prato somente aquilo que vai comer é outro passo importante. Os pais costumam dar esse recado aos filhos, mas o cuidado deve existir em todas as faixas etárias. Em alguns restaurantes os clientes que desperdiçam comida são obrigados a pagar multas, portanto é melhor repetir, do que jogar fora.
Esse mesmo cuidado tido na hora de montar o prato deve ser considerado no momento de preparar a comida. Lydia, indica o preparo alimentar sob medida. As famílias pequenas ou pessoas que moram sozinhas deve levar esse requisito a sério na hora de entrar na cozinha. Segundo ela, “a tática é boa para evitar que você coloque na panela mais do que vai no prato”.
A técnica do reaproveitamento de alimentos é essencial para ter uma alimentação consciente. Utilizar o alimento em sua totalidade evita que partes cheias de nutrientes sejam desperdiçadas. Isso pode ser aplicado a cascas de frutas e legumes, talos de vegetais, entre outras coisas que podem ser usadas em novas receitas.
Por fim, a jornalista indica a multiplicação da prática, com cada uma das pessoas transmitindo esses ideais ao próximo, para que a conscientização seja passada para o maior número possível de pessoas e os números do desperdício sejam reduzidos.
Redação CicloVivo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CICLO DE PALESTRAS GRATUITAS NO SENAC



http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?tab=00002&newsID=a18616.htm&subTab=00000&uf=&local=&testeira=453&l=&template=&unit

VIVA A MATA NO PARQUE IBIRAPUERA



Fonte:http://pensareco.blogspot.com/2011/05/viva-mata-2011-nesse-fds.html
Autoria:  Érica Sena



Confira a Programação do Viva a Mata 2011!

Palco do caminhão
Sexta-feira
11h – Roda de conversa: A Mata Atlântica é aqui
12h – Papo de almoço: alimentação saudável
13h – CineMata: “A carne é fraca”
14h – Roda de conversa: A Mata Atlântica nas escolas
15h30 – Demonstração: Compostagem urbana
17h – Bate-papo Planeta Eldorado



Sábado

9h – Avistar: observação de aves no Parque
10h – Debate: A Mata Atlântica menos conhecida
11h – Roda de Conversa: Surf, sustentabilidade e gestão costeira
12h30 – TEDxMataAtlântica – transmissão online
15h30 – Teatro: Pinóquio em uma aventura ecológica
17h – Bate-papo Planeta Eldorado

Domingo

10h às 12h – Mobilização
10h às 12h – Jogos
12h às 13h30 – Papo de almoço: vegetarianismo
13h30 às 15h – Oficina: Consumo Crítico Sustentável
15h – Teatro: Água – Cia Bicicletas Voadoras
17h – Bate-papo Planeta Eldorado
18h – Orquestra de Sucata

Auditório




Sexta-feira


9h – Painel de abertura: 25 anos de olho na Mata Atlântica
10h30 – Painel: Mosaicos de conservação
12h – Painel: Incentivos econômicos para quem protege a natureza
13h – Painel: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica
14h – Palestra: Estudos e Pesquisas nos esforços de restauração
15h – Palestra: Comércio ilegal de animais silvestres
16h30 – Painel: Turismo comunitário na Mata Atlântica



Sábado

9h – Debate: O Código Florestal e a vida nas cidades
10h30 – Debate: Planos Municipais de Mata Atlântica
12h – Debate: Acessibilidade em áreas verdes
13h30 – Debate: O que vem com os portos na Mata Atlântica?
15h – Debate: Quem está invadindo a sua praia?
16h30 – Roda de conversa: Mobilização – espaço de articulação e cidadania



Domingo

9h – Debate: Tragédias naturais e Mata Atlântica
10h às 12h – Mobilização
12h – Debate: Saúde e Meio Ambiente
13h30 – Debate: Gestão da água na legislação ambiental
15h – Palestra: Emissões de CO2, como medir e compensar


FEIRA DE TROCAS SOLIDÁRIAS DO CENTRO DE SÃO PAULO

EDUCAÇÃO AMBIENTAL X FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL

Homem é autuado por retirar madeira de área verde em Manaus

Fonte: http://www.d24am.com/amazonia/meio-ambiente/homem-e-autuado-por-retirar-madeira-de-area-verde-em-manaus/24087

Genival Costa da Silva, de 32 anos, é catador de ferro velho e afirma que retirou a madeira para usar como pau de escora, na construção de uma casa.
[ i ] Genival Costa da Silva disse aos agentes que não sabia que era proibida a extração. Foto: Divulgação Genival Costa da Silva disse aos agentes que não sabia que era proibida a extração.

Manaus - Um homem foi autuado na tarde desta quarta feira,18, por agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), transportando 80 troncos de árvores retiradas ilegalmente de uma área verde localizada no Ramal da Conceição, após a Ponte da Bolívia, na zona norte de Manaus.
Genival Costa da Silva, de 32 anos, é catador de ferro velho e afirma que retirou a madeira para usar como pau de escora, na construção de uma casa. Ele disse aos agentes que não sabia que era proibida a extração e que outras pessoas também costumavam retirar madeira da área.
Os agentes chegaram até Genival após denúncias feitas por moradores e o autuaram em flagrante, transportando a carga em um caminhão. A guarda municipal também foi acionada. O infrator foi autuado em 80 UFMs, o equivalente a R$ 5323,20, além da apreensão da carga.
Segundo o gerente de segurança comunitária da Guarda Municipal, Ten. Ribeiro, o órgão deve intensificar a fiscalização no local. “Como a área é cheia de ramais, facilita a prática criminosa. Então nós estaremos realizando rondas constantes e contamos com a denúncia dos moradores, que sempre colaboram com o nosso trabalho”, afirmou.
Para denunciar crimes ambientais, a Linha Verde da SEMMAS é o 08000 92 2000.

O CAFÉ E A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL AGRÍCOLA

O CAFÉ E A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL AGRÍCOLA

O agronegócio é a principal alavanca do desenvolvimento da economia brasileira. Pode também contribuir com a preservaçãoa ambiental.


Caso as cidades forem destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão, mas se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobreviverão.
Benjamin Franklin


A água é um recurso natural essencial à vida. O corpo humano detém em seu organismo a mesma proporção existente no planeta azul: cerca de 78 %. Diversos estudos apontam que a falta de água doce e limpa será o grande problema do século XIX. Apesar de ser um recurso renovável, do total de águas terrestres somente 3% é água doce, percentual que permanece constante ao longo do tempo, enquanto a população humana cresce exponencialmente. O maior problema que envolve a água é na verdade o acesso ao produto e não ainda sua falta, já que do total de água doce, 97 % estão nas geleiras e somente os restantes 3 % estão espalhados de forma disformes por rios, lagos , nascentes e lençóis.

A partir de 1860 iniciou-se o ciclo do café brasileiro. Muitos italianos deixaram seu país devido à guerra e vieram ao Brasil desbravar pedaços de terra, constituindo colônias, especialmente no interior paulista. Períodos de crises e euforia se sucederam ao longo da história da cultura cafeeira. Mas a crise dos últimos anos teve forte impacto negativo na vida econômica e social da imensa maioria dos produtores e trabalhadores, contribuindo para a degradação ambiental e a baixa qualidade do produto.
Várias iniciativas voltadas à implementação e viabilização da cafeicultura sustentável surgem após 2002, com atuação prioritária na redução dos custos do sistema de produção, na agregação de valor por meio de melhoria da qualidade do produto, e na gestão da comercialização e dos benefícios ambientais e sociais. Após anos de desenvolvimento, a agricultura cafeeira chega ao novo século com pujança econômica e avanços tecnológicos e científicos incontestáveis.
A agricultura é o setor que utiliza o maior volume de gastos com água retirada da natureza, em seu processo produtivo: estonteantes 69 %, ante 21 % da indústria. É uma atividade que está intrinsecamente relacionada com o meio ambiente, com incidências negativas e positivas. Como impactos negativos destacam-se: erosão física, química e biológica dos solos; perda da capacidade de retenção de água no solo; contaminação de solos, águas, ar e alimentos; produção de resíduos; consumo de água para a irrigação, com sistemas geralmente muito ineficientes; alterações de ecossistemas que afetam a flora e fauna locais.
A lavoura cafeeira também utiliza água em abundância no processamento do café por via úmida. Segundo estudos da Universidade Federal de Lavras (MG), para cada litro de fruto processado consome-se de 3 a 5 litros de água limpa na lavagem e separação dos frutos. Além de consumir muita água, o processamento do café por via úmida cria outro problema ambiental: a água residuária é altamente poluente, porque acumula matéria orgânica e nutrientes como nitrogênio, potássio e fósforo. O conceito de boas práticas agrícolas prega que se aplique o vasto conhecimento disponível no uso sustentável dos recursos naturais básicos para a produção agrícola, com foco na viabilidade econômica e social e na geração de produtos saudáveis e isentos de contaminação.
O lançamento dos efluentes da água utilizada no processamento do café por via úmida em corpos hídricos, sem tratamento adequado, é proibido pela legislação brasileira. Devem sofrer processo de limpeza para retornar limpos à natureza.
O ser humano inventivo e criativo já tem solução para minimizar o impacto do uso excessivo de água, por meio de uma técnica de manejo desenvolvida por pesquisadores da Embrapa que permite diminuir em muito o consumo de água limpa nesse processo. Trata-se de um sistema pesquisado já faz cinco anos, que baseia-se em caixas d'água, peneiras e tubos de PVC, que permite o reúso da água empregada na unidade de processamento por três vezes e não apenas uma, como ocorre atualmente.
O funcionamento é relativamente simples, custa de R$ 8 a R$ 20 mil e proporciona economia de 50 % a 75 % no consumo de água. Como a maioria das unidades pertence a pequenos e médios produtores, esse custo torna-se acessível e permite retorno em curto prazo. A implantação do sistema de reúso de águas tem outras vantagens. Após seu uso por três ciclos de lavagem, a água residuária pode ser utilizada na irrigação dos cafezais. O produto final é rico em nutrientes e, portanto, podem retornar à lavoura via fertiirrigação, proporcionando economia em adubação química.
O agronegócio é e será o grande responsável pela segurança alimentar mundial. 


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Embrapa Café participa da Agrobrasília 2011

  
Qua, 18 de Maio de 2011 10:57

fonte: http://www.sapc.embrapa.br/index.php/principal/embrapa-cafe-participa-da-agrobrasilia-2011

A Embrapa Café participar da Agrobrasília 2011, evento que apresenta as inovações tecnológicas utilizadas nas lavouras do cerrado brasileiro e abre oportunidades de negócios na área. A unidade apresenta a tecnologia “Sistema para Limpeza de Águas Residuárias – SLAR”, desenvolvida pelo pesquisador da Embrapa Café, Sammy Fernandes Soares, com recursos do Consórcio Pesquisa Café, cujo Programa de Pesquisa em Café é coordenado pela Embrapa Café.

A inovação consiste em um sistema de limpeza das águas residuárias resultantes do processamento, por via úmida, de frutos do cafeeiro. A água proveniente do processamento contém resíduos sólidos e alta carga orgânica com potencial de poluir o meio ambiente. O sistema remove esses resíduos da água e permite que ela seja reutilizada em novo processamento de frutos ou direcionada à fertirrigação da cultura. Além disso, os resíduos sólidos retirados podem ser empregados na produção de adubos orgânicos.
O benefício direto da tecnologia para o produtor é a redução dos gastos com água na pós-colheita, que pode chegar a uma economia de 90% do consumo. A inovação também promove a preservação ambiental, dando um destino ambientalmente correto para as águas carregadas de resíduos orgânicos. Com baixo custo de instalação e manutenção, o SLAR pode ser utilizado por produtores de pequeno, médio e grande porte.
O pesquisador da Embrapa Café, Anísio José Diniz, apresentará a tecnologia para um público esperado de 50 mil visitantes na quarta edição da Agrobrasília. Diniz ressalta que “oportunidades de divulgação como essa são importantes para a transferência da tecnologia que beneficiará a cafeicultura do cerrado”. O pesquisador destaca ainda que o caráter inovador das tecnologias é fundamental para a consolidação de sua adoção pelos produtores.
Quem for à Agrobrasília 2011 poderá conhecer melhor esta inovação tecnológica visitando o espaço da Embrapa na feira, localizado no estande do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e aprender sobre o funcionamento do SLAR e sua aplicação no cerrado.


Área de Comunicação & Negócios da Embrapa Café
Texto: Cristiane Vasconcelos (MTb 1639/CE)
Fone: (61) 3448-4566
Serviço de Atendimento ao Cidadão: http://sac.sapc.embrapa.br






http://www.sapc.embrapa.br/index.php/em-destaque/uso-de-boas-praticas-agricolas




Discussão sobre pecuária sustentável deve ter embasamento científico

Discussão sobre pecuária sustentável deve ter embasamento científico, diz CNA


18 de maio de 2011 - 15:17h

Fonte: http://www.sonoticias.com.br/agronoticias/mostra.php?id=43305

Autor: CNA



O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, defendeu, nesta terça-feira (17-5), à noite, que as discussões sobre a sustentabilidade na pecuária, que conciliem produção e preservação ambiental, sejam feitas sempre com embasamento técnico-científico. “Esta é uma das premissas da CNA. Aceitamos discutir qualquer assunto, mas sempre com base na ciência e para isso temos buscado parcerias com diversas entidades de pesquisa”, enfatizou. Nogueira participou da abertura da Primeira Reunião Global sobre Pecuária Sustentável, que acontece até a próxima sexta-feira (20/5), na sede da CNA, em Brasília. O evento é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e Banco Mundial, com o objetivo de discutir uma agenda sustentável para a pecuária.

Nogueira destacou que o produtor rural tem feito sua parte para contribuir com a mitigação dos impactos das mudanças climáticas na atividade. Segundo ele, isso foi feito a partir da adoção de boas práticas na pecuária por meio de ações como a integração lavoura-pecuária-floresta, o manejo de pastagens, recuperação de pastagens degradadas, além do uso de tecnologias que gerem aumento de produtividade sem ampliar áreas para pastagens, proporcionando maior eficiência na produção. “Muitos trabalhos científicos comprovam que a pecuária tem causado menos impacto ambiental do que os ambientalistas afirmam”, ressaltou. “O lado ambiental é uma das nossas preocupações, diante do fantástico desenvolvimento do setor produtivo nos últimos anos. Mas estamos aptos a essas exigências, com o uso de novas tecnologias, que vão agregar valor e gerar mais renda para o pecuarista para que nossa posição seja respeitada lá fora”, afirmou.

Para o diretor de Produção e Saúde Animal da FAO, Samuel Jutzi, a pecuária deve se basear em três pilares. Além da sustentabilidade, devem ser levados em conta o desenvolvimento econômico e a saúde pública. Com o aumento do consumo de carne no mundo, reflexo da melhoria de renda da população, principalmente da parcela mais pobre, o setor produtivo deve estar preparado para garantir segurança alimentar. “O amplo crescimento da pecuária requer mais investimentos em pesquisas e outras ações que devem ser acompanhadas de perto”, destacou. Já o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Mapa, Erick Chandoha, que representou o ministro Wagner Rossi, destacou o aumento de 151% da produtividade da pecuária em 40 anos, e uma economia de área de mais de 70 milhões de hectares, se for levado em conta que a quantidade de animais por hectare, no mesmo período, passou de menos de 0,5 cabeça/hectare para 1,2 cabeça/hectare.

Também participaram da solenidade de abertura da reunião a diretora do Ministério de Assuntos Econômicos, Inovação e Agricultura da Holanda, Alida Oppers, o diretor executivo de Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Waldyr Stumpf, o representante do Banco Mundial, Jimmy Smith, e o representante da FAO no Brasil, Hélder Mutéia.

Aumento da população e melhoria de renda exigirão maior demanda por alimentos

Duas palestras antecederam a abertura do evento na CNA. A primeira exposição foi feita pelo chefe da Análise do Setor Pecuário e Ramificação Política da FAO, Henning Steinfield. Segundo ele, até 2050, a população mundial deve chegar a 9,3 bilhões de habitantes. Este crescimento virá acompanhado de maior ascensão social e econômica, o que ampliará a demanda por alimentos em 70%, principalmente por proteína animal. Um dos desafios para responder a esta demanda, acrescentou Steinfield, é aumentar a eficiência tecnológica na produção para evitar impactos ambientais. “Serão necessários incentivos para o sucesso ambiental e para novas práticas pelo produtor”, afirmou.

O outro palestrante foi o economista Mauro Lopes, do Centro de Economia Agrícola da Fundação Getúlio Vargas (CEA/FGV), que destacou a expansão do setor agropecuário de 3,5% ao ano na última década, devido ao aumento de competitividade. Dados apresentados por ele na exposição apontam também um aumento de 116% na renda da população brasileira desde o início do Plano Real, com destaque para a classe C, representada por 96 milhões de pessoas e que hoje detém 46% do poder de compra dos brasileiros. “Esta parcela da população está comprando cada vez mais carne e exige cada vez mais um produto de maior qualidade”, disse o economista. Desta forma, ressaltou, a pesquisa será fundamental para que a pecuária assegure a qualidade que tanto o mercado interno quanto os países compradores dos produtores brasileiros de origem animal passarão a querer nos próximos anos. “A bola agora está no campo da ciência”, concluiu. 


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Embrapa inicia pesquisa em rede para conhecer impactos da pecuária no efeito estufa


Fonte: http://www.cppse.embrapa.br/embrapa-inicia-pesquisa-em-rede-para-conhecer-impactos-da-pecu%C3%A1ria-no-efeito-estufa

A Embrapa está iniciando uma pesquisa em rede –denominada Pecus– para conhecer os impactos da pecuária sobre o efeito estufa nos diferentes biomas brasileiros. O aumento das emissões de gases de efeito estufa, os chamados GEEs, na atmosfera é apontado como uma das principais causas das mudanças climáticas e do aquecimento global. No ano passado, em Copenhage, o Brasil firmou compromisso internacional de reduzir esses gases emitidos pela agropecuária até o ano 2020.
 
A pesquisa é extremamente relevante para o país, considerando que o agronegócio nacional responde por 25,4% do PIB brasileiro e somente a pecuária equivale a 7,5% do PIB, de acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) de 2008.
A produção pecuária brasileira, além de atender ao mercado interno, contribui para a estabilização econômica e social do país. O Brasil se consolidou nas últimas décadas como o detentor do maior rebanho comercial do mundo e se destaca no cenário mundial com as exportações de carne. A Embrapa está investindo cerca de R$ 6 milhões nesta pesquisa, mas há previsão de mais captações externas.
 
“A partir da adoção de sistemas integrados e melhores técnicas de manejo, é possível reduzir a emissão desses gases”, explica Patrícia Perondi Anchão Oliveira, líder do projeto. Para que essas técnicas façam parte das políticas governamentais voltadas ao setor, é preciso determinar o nível das emissões dos sistemas tradicionais e o potencial de mitigação (redução de emissões e remoção de GEE da atmosfera) dos sistemas bem manejados, em âmbito nacional.
A Rede Pecus está estudando a dinâmica desses gases em sistemas de produção, em busca de uma pecuária sustentável, pautada pelos aspectos econômico, social e ambiental.
A rede é composta por várias unidades da Embrapa, universidades e outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais, com apoio de agências de fomento à pesquisa e da iniciativa privada. A liderança do projeto está sob a responsabilidade da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Os projetos de pesquisa da Rede Pecus avaliam o balanço entre as emissões de GEE e os sumidouros (“sequestro”) de carbono dos vários sistemas de produção da pecuária, inseridos nos principais biomas brasileiros.
Segundo Patrícia, os resultados do projeto devem atender à demanda atual de várias redes de pesquisa e dos Inventários de Emissão e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa em diversas escalas de abordagem. Os principais resultados esperados pela rede de pesquisa são estimar a contribuição dos diferentes sistemas de produção brasileiros na dinâmica dos GEE e indicar sistemas de produção mais competitivos e sustentáveis.

 
Ana Maio
Jornalista - Mtb 21.928 

Que haja luz

Que haja luz

19/05/2011


Pesquisadores brasileiros descobrem um dos “interruptores” que pode fazer com que algumas enzimas de interesse biomédico e biotecnológico se tornem luminescentes (reprodução)

Fonte: http://agencia.fapesp.br/13901

autoria: Por Elton Alisson


Agência FAPESP – Os pesquisadores do grupo de Bioluminescência e Biofotônica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Sorocaba, deram um importante passo para, em um futuro próximo, possibilitar que algumas enzimas de interesse biomédico, biotecnológico e ambiental emitam luz.
A propriedade é importante para estudar doenças como o câncer ou infecções bacterianas, por exemplo. Os cientistas descobriram um dos principais “disjuntores” presentes na “caixa de força” de enzimas com baixa capacidade de luminescência da mesma classe das luciferases – responsáveis pela emissão de luz fria e visível em vagalumes –, que pode ser modificado para aumentar a intensidade de sua luz.
A descoberta do estudo, resultado de projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP por meio de um Auxílio à Pesquisa – Regular, será publicada no fim deste mês na revista Photochemical and Photobiological Sciences.
Em 2009, o mesmo grupo clonou e isolou da larva de um inseto não luminescente (besouro) uma enzima da mesma família das luciferases (a AMP-CoA-ligases), fracamente luminescente e conhecida como protoluciferase, para estudar como as luciferases de vagalumes desenvolveram durante a evolução a capacidade de catalisar a reação de oxidação da luciferina – o composto responsável pela bioluminescência de insetos – e produzir intensa luz visível.
Nos últimos anos, ao comparar as sequências de aminoácidos da protoluciferase com a luciferase, os pesquisadore da UFSCar começaram a identificar partes da estrutura delas que poderiam estar envolvidas com a determinação da atividade de produzir luz.
Por meio de técnicas de engenharia genética, a estudante de doutorado Rogilene Prado e o pesquisador Vadim Viviani, coordenador do projeto, realizaram mutações de aminoácidos da protoluciferase. Agora, o grupo identificou que a mutação de um desses aminoácidos aumenta bastante a atividade luminescente da enzima, tornando-a muito semelhante à de uma luciferase.
“É como se a enzima protoluciferase fosse um circuito eletrônico, que tem uma bateria, representada pelo oxigênio, e uma lâmpada, que é a luciferina. Descobrimos agora um dos principais interruptores presentes na estrutura delas, que é responsável por ligar a bateria à lâmpada. Ou seja, fazer com que a reação da luciferina e do oxigênio ocorra, acendendo a luz”, disse Viviani à Agência FAPESP.
Segundo ele, a descoberta abre a possibilidade de tornar outras enzimas da família AMP-CoA-ligases de interesse biomédico, biotecnológico e ambiental que não produzem luz em luminescentes.
Presente em todos os organismos, incluindo bactérias e o homem, as AMP-CoA-ligases desempenham as mais variadas funções metabólicas, como a biossíntese de pigmentos (em plantas), metabolismo de lipídeos, síntese de antibióticos e eliminação de substâncias tóxicas e compostos químicos estranhos a um organismo ou sistema biológico (xenobióticos).
Em comum, a primeira reação que elas catalisam é a ativação de ácidos orgânicos, como os aminoácidos, ácidos graxos e a própria luciferina do vagalume, que é oxidada pelas luciferases, produzindo luz. Em função disso, os pesquisadores pretendem utilizá-las como indicadores de determinados ácidos orgânicos de interesse biomédico, como os ácidos tóxicos, e biotecnológicos.
“A capacidade de servir como um indicador para selecionar determinados ácidos orgânicos de interesse farmacêutico e biotecnológico talvez represente o maior potencial de aplicações dessas enzimas”, disse Viviani.
Evolução em laboratório
Segundo o coordenador do projeto, algumas poucas luciferases de vagalumes norte-americanos, europeus e japoneses são utilizadas como reagentes analíticos. São usadas para detectar o estado metabólico de uma amostra biológica e biomarcadores de expressão gênica, ou para marcar células de câncer em estudos biofotônicos, por exemplo.
Por meio das pesquisas com o protótipo da enzima luciferase que clonaram e aumentaram a luminescência, os pesquisadores brasileiros pretendem criar por engenharia genética uma nova enzima luciferase que tenha a propriedade de emitir luz comparável às luciferases empregadas atualmente no mercado.
“Com as condições ideais de evolução, essa protoluciferase poderá se transformar em uma luciferase. Estamos simulando a evolução dela em laboratório”, disse Vanini.
O grupo de pesquisa da UFSCar é um dos únicos dedicados ao estudo de enzimas luciferases no Brasil. No Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) há um outro grupo, coordenado pelo professor Cassius Stevani, com o qual eles colaboram, que estuda fungos luminescentes.
Já no mundo, os grupos de pesquisa na área estão estabelecidos nos Estados Unidos, Europa e Japão – esse último colabora com os pesquisadores brasileiros. E, segundo Viviani, nenhum deles ainda conseguiu clonar uma enzima protoluminescente com a capacidade de emitir luz semelhante à do grupo brasileiro.

O resumo do estudo Structural evolution of luciferase activity in Zophobas mealworm AMP/CoA-ligase (protoluciferase) through site-directed mutagenesis of the luciferin binding site”, de autoria do professor Vivini e de outros pesquisadores, pode ser lido em pubs.rsc.org/en/Content/ArticleLanding/2011/PP/c0pp00392a. 
 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Energias mais renováveis que as outras



Eric Camara | 17:25, segunda-feira, 9 maio de 2011

 http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/planeta_clima/



O Painel Intergovernamental para Mudança Climática, o IPCC, na sigla em inglês, divulgou nesta segunda-feira um relatório sobre o uso de energias renováveis no mundo. A fatia fica em torno dos 13% do total usado no planeta.
Parece muito, mas retiradas da equação biomassa e hidrelétrica, o percentual cai para minúsculos 0,5%. No país da polêmica usina de Belo Monte, todos conhecem os benefícios e também os potenciais problemas da expansão hidrelétrica.
Já a biomassa, o próprio IPCC admite que em vários países pobres e em desenvolvimento não passa da velha e boa lenha usada no fogão e no aquecimento. Difícil argumentar que em comunidades em que faltam serviços básicos possa haver grande preocupação em repor as árvores usadas, como seria pré-requisito para uma energia veramente renovável.
Isso sem contar com a eficiência dessa queima de biomassa, baixíssima e ainda poluente.



Crescimento acelerado

Em outras palavras, a fatia correspondente às energias mais frequentemente associadas à redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa - solar, eólica e geotérmica - ainda é ínfima. Mas ela vem crescendo, e muito.
O documento diz que nos últimos dois anos, a geração de energia solar e dos ventos cresceu entre 30% e 50% por ano. E que em 2009, renováveis, principalmente vento e solar, responderam por quase metade do crescimento na produção de energia global.
Na superindustrializada Alemanha, segundo maior exportador do mundo e que recentemente bateu recorde, as energias renováveis já são 17% do total, graças a incentivos cada vez maiores do governo.
A China é um dos principais responsáveis pelo crescimento da produção de energia renovável nos últimos anos, mais do que duplicando a sua capacidade eólica desde 2008, também na esteira de investimentos do governo.
Em tempos de discussão sobre os prós e contras de uma retomada da expansão da energia nuclear, o relatório do IPCC diz ainda que na maioria dos mais de 160 cenários científicos estudados, energias renováveis serão mais eficientes do que a nuclear para reduzir emissões até 2050.
A conclusão é que todas são energias de baixo carbono, mas algumas são mais renováveis que as outras.

Passeio ao zoológico: sob outra ótica, sob outra ética

Passeio ao zoológico: sob outra ótica, sob outra ética

08 de março de 2011

fonte: http://www.anda.jor.br/2011/03/08/passeio-ao-zoologico-sob-outra-etica/

“Quando se trata de como os humanos exploram os animais, o reconhecimento de seus direitos requer abolição, não reforma (…)
verdade dos direitos animais requer jaulas vazias, não mais espaçosas”.
(Tom Regan, Jaulas Vazias)




Como bióloga e educadora, sempre acreditei nos zoológicos como ferramenta deseducativa.
Meu repúdio a esse tipo de atividade fez com que eu me afastasse, durante anos, de uma visita a esses verdadeiros redutos de infelicidade animal. Tive a oportunidade de fazer uma visita técnica a alguns desses redutos recentemente (há menos de uma semana, para ser mais exata). Assim como a aquários, oceanários, serpentários e afins. Foi um tour dos horrores, considerando toda minha aversão a qualquer forma de confinamento animal para a satisfação de egos humanos.
Mas, com o passar do tempo, minha aversão, que antes era representada pela negação, foi substituída pela coragem de encarar os fatos como eles são: os animais sofrem. Ao nosso lado. Todos os dias. E nos fazem, a todo o tempo, um apelo silencioso. Não é possível ignorar essa realidade pelos melindres de não querer sofrer, de não querer olhar.  O sofrimento deles é infinitamente maior.
Nessa visita técnica, foram incluídos locais aos quais os visitantes “comuns” não têm acesso, como cozinhas, biotérios, áreas de cuidados veterinários etc. Fui convidada por uma colega de trabalho a conduzir com ela (que também não é fã de zoológicos) a visita (sou professora universitária) e temos uma turma em comum, a qual nos acompanhou. A curiosidade de saber a quantas anda a exploração legitimada dos animais que tiveram sua liberdade sequestrada, na prática foi um dos fatores que me levou a decidir ir.
Outro fator importante foi a certeza de ter minhas concepções biocêntricas renovadas. Mesmo à custa do meu sofrimento. Banal, como já mencionei, perto do sofrimento de inúmeros animais que lá encontrei.  Antes de “ver” os animais e durante as “visitas”, em todos os locais, há uma explanação teórica/logística por parte dos monitores. Parece que são treinados todos no mesmo lugar, pois as frases feitas a respeito do bem-estarismo animal são quase idênticas. Tais explanações me remetiam inevitavelmente ao Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. Pensava: as pessoas estão mesmo acreditando nisso? (Acho que vou escrever um Ensaio sobre a surdez). Outro pensamento recorrente: na ocasião de uma palestra do Seminário da Agenda 21, no Paraná, em 2009, a filósofa Sônia Felipe mencionou a seguinte frase: “bicho não é vitrine de shopping”. Considerei extremamente relevante. Me fez pensar além.
Zoológicos com objetivos de recuperação e reintrodução de espécies no meio, sem exposição ao público, que respeitam o que o animal nasceu, de fato, para ser, merecem nosso reconhecimento. Não são, infelizmente a maioria deles. A maioria ainda se baseia em concepções especistas e antropocêntricas para justificar sua existência e consequente sofrimento animal. Algumas falácias são facilmente identificadas no discurso daqueles que defendem o zoológico “vitrine” como “ferramenta educativa”. Aliás, podemos, sim, fazer dos zoológicos, ferramentas extremamente educativas se mudarmos a análise e a perspectiva. Analisando sob a ótica da ética biocêntrica, podemos enumerar algumas falácias que são repetidas como mantras a respeito dos animais confinados. Vamos a algumas delas:
- “O Zoológico é importante porque nós devemos conhecer as espécies para preservar/respeitar”.
Essa concepção traz embutida a desculpa de que só é possível preservar uma espécie a partir do momento em que a conhecemos. Se a concepção biocêntrica predomina, o simples fato de o animal existir já é um pressuposto que justificaria o respeito por ele. E só. Eu não conheço nenhum africano, por exemplo, mas não preciso fazê-lo para só depois respeitá-lo. Nunca conheci um urso-polar, um tigre de bengala, uma perereca amazônica ou uma orca. Mas o fato de não vê-los ao vivo não me impede de respeitá-los pela sua essência.
- “O Zoológico é imprescindível para estudarmos o comportamento dos animais”.
Só se for para estudar neuroses de cativeiro. Qualquer pessoa com noções básicas de biologia sabe que o comportamento de animais em cativeiro não é o mesmo que o animal apresentaria no seu meio natural. Tenho muito respeito por estudos comportamentais. Mas por aqueles que são feitos no habitat natural do animal. Esse argumento não sustenta a existência desse tipo de zoológico.
- “O Zoológico é importante para a reprodução e para salvar as espécies”.
Primeiro: a maioria dos animais reproduzidos em cativeiro é reproduzida para esse fim: permanecer em cativeiro. Não para ter devolvido o que lhe foi negado desde as gerações anteriores: sua liberdade. Há, entre os zoológicos, uma espécie de escambo de espécies, onde os animais são intercambiados. Faltou uma girafa no zoológico “x”? Já está nascendo uma no Zoológico “y”. Será separada de sua mãe e destinada ao zoológico “x” como animal de exposição. Segundo: privado da convivência com seus iguais e de todas as interações que lhe são possíveis em seu meio natural, ele não é mais do que a sombra dos seus ancestrais.
- “Mas os animais que nasceram no zoo não sofrem porque não conhecem outra vida”.
Será que o fato de esse animal ter nascido em cativeiro nos dá o direito de usurpar sua liberdade mais uma vez e condená-lo a uma vida miserável, privando-o da sua verdadeira liberdade?
Se houver uma “visita ao zoológico”, com propósitos educativos, que sejam feitas pelo menos as seguintes perguntas e investigações com os alunos: qual o habitat natural desses animais? Quais os hábitos desses animais em seu meio natural? Geralmente são: nadar, correr, voar quilômetros por dia, procurar comida, defender seu território, interagir com outras espécies e com seus iguais. E em cativeiro? Quais as mudanças percebidas? Quais os impactos nefastos nos seus hábitos? Quais as consequências? Um pequeníssimo exemplo, entre tantos que presenciei: um leão-marinho em seu habitat natural viaja centenas de quilômetros por dia. Em cativeiro, é condenado a viver em um pequeno tanque, onde passa o dia circunscrevendo voltas como que para escapar da escravidão sem fim. Sem falar na obesidade e outros transtornos de comportamento como as já mencionadas neuroses de cativeiro. Isso nos reporta à falácia seguinte:
- “Aqui no zoológico fazemos o enriquecimento ambiental”.
Esse novo modismo nos zoos (proveniente de um modelo americano) traz em sua proposta a introdução de diferentes estímulos no cativeiro para que animais não desenvolvam comportamentos repetitivos e neuróticos como automutilação, coprofagia etc. Certamente, estímulos são melhores que a estagnação a que esses animais são condenados. Mas deve-se sempre questionar: a reabilitação e a devolução da liberdade que lhes foi negada não seria infinitamente melhor? O tão prestigiado enriquecimento ambiental não seria mais um engodo para justificar a perpetuação do cativeiro e de interesses escusos?
- “Hoje não existem mais jaulas nos zoológicos”.
Ouvi diversas vezes essa frase dos monitores que nos acompanharam. Em vários lugares. Basta uma breve visita para, novamente, a perplexidade ao comparar o dito e o constatado ser inevitável. O ápice do menosprezo à inteligência dos presentes. Percebe-se, claramente a existência de cercados mínimos de aço, alumínio, terrários, aquários e paredes de vidro fazendo as vezes de jaulas. Mas pergunto: não seria infinitamente melhor que jaulas, aquários, terrários e afins estejam para sempre, vazios?
- “A alimentação é balanceada”.
Isso pode soar muito bem aos ouvidos antropo e ecocêntricos. Mas nos ouvidos biocêntricos e abolicionistas dói. Até fisicamente. Uma frase que ouvi da monitora: “Os zootecnistas que trabalham no zoo e cuidam da alimentação dos animais acham que os psitacídeos silvestres são uns chatos porque são muito exigentes, não comem qualquer coisa”. Ora, o que diriam os psitacídeos se falassem? “Chato” seria um adjetivo no mínimo elegante para qualificar quem os trancafia em um viveiro, obrigando-os a uma “loteria gastronômica”, forçada e diferente de sua alimentação natural.
E nem tecerei aqui comentários a respeito do estresse gerado para o animal decorrente das barulhentas “visitas”. É desnecessário.
Os animais em zoológicos são a ponta do iceberg dessa empresa. Por trás há inúmeros fatores que formam uma cadeia de horrores para outras espécies também. Uma delas é a existência de biotérios, terceirizados ou dentro dos próprios zoos, que são lugares específicos onde são criados animais vivos para alimentar os animais cativos. No Brasil são criados, para esse fim, ratos, porquinhos-da-índia, gansos, pintinhos etc.
Esses seres vivos, considerados “alimento” no contexto, são manipulados, criados e administrados com a naturalidade de quem dá uma banana a um macaco. São “coisas” como regem os preceitos do antropocentrismo e do especismo. Os ecocêntricos dirão que é muito boa essa preocupação com a alimentação dos animais. E que não há dilemas morais, pois na natureza existe a relação predador/presa. Sim. NA NATUREZA. Mas, novamente a pergunta que se deve fazer é: Não existir animais enjaulados não seria infinitamente melhor?
Outro fenômeno que ocorre na maioria dos zoológicos e, confesso, para mim é novidade: a distinção entre “animais em exposição” e “animais excedentes”. Os animais em exposição (no contexto, como se fossem agora, peças de uma galeria de arte) são aqueles que o público enxerga. Aliás, a maioria deles é recolhida à noite, gerando mais estresse. Os “animais em exposição” ficam nas partes divulgáveis do zoo.
Nas áreas que estão longe dos olhos do público, existem pequenas jaulas com os “animais excedentes”, ou seja, os que sobraram da reprodução em cativeiro, ou de trocas com outros zoológicos. Ou até mesmo os animais doentes ou que desenvolveram a (novamente ela) neurose de cativeiro. Claro que não é conveniente que o público tenha contato com comportamentos como automutilações, coprofagia, canibalismo e outros desenvolvidos em animais privados de sua liberdade. A visão desses comportamentos pode começar a atenuar a “cegueira conveniente” do grande público. Não é recomendável.
Nessas áreas, até são permitidas visitas técnicas. Mas são terminantemente proibidas fotos e filmagens, por razões óbvias aos olhos da ética biocêntrica. Uma das monitoras, quando questionada sobre o porquê de as fotos serem proibidas, disse não saber. Fiquei me questionando se a resposta foi estratégica, se foi repetida como mantra, se ela simplesmente não se importa, ou se a cegueira a acomete também. Nas áreas dos “animais excedentes”, foi possível observar em vários zoológicos que o espaço em que os animais estão confinados é bem menor que o dos animais “em exposição”. Logo nos perguntamos: o que dizer da preocupação com o “bem-estar animal”, ou com “enriquecimento ambiental” para os animais dessas áreas? Também não obtive respostas convincentes. Só evasivas. Não insisti mais porque as respostas ficaram óbvias demais.
Na esteira dos zoológicos, seguem aquários, serpentários, oceanários, circos, projetos de “preservação” etc. que, pela tradição antropocêntrica, possuem um propósito educativo “inquestionável”. Mas basta um breve passeio, com esse olhar biocêntrico, diferente do que nos foi imposto a acreditar a vida toda, para que o apelo silencioso e profundo de cada animal se faça presente e toque fundo nossa alma toda vez que visitarmos um zoológico ou algo semelhante. Essas mudanças de perspectiva, segundo Arthur Conan Doyle, equivalem a uma conversão religiosa: nada mais será visto da mesma maneira que era antes.
Mesmo com todas essas “justificativas”, que sob minha perspectiva não passam de falácias, ainda acredito que o “simples” fato de um animal ter sua liberdade restringida, impedida, sequestrada para a concepção medieval de satisfazer as curiosidades e prazeres humanos, é a base do meu repúdio a esse tipo de exploração, sem mais considerações.
Mas a esperança se renovou quando vi a reação da maioria dos meus alunos, acadêmicos de Licenciatura em Ciências Biológicas, durante a visita. Quando ouvi, em cada comentário, a indignação, a revolta e a preocupação de fazer uma abordagem ambiental realmente crítica na escola. Quando vi em cada rosto a angústia pelos animais e a cegueira se dissipando, pensei: é um trabalho que vale a pena. Pois não deixo de mencionar em minhas aulas a importância de se olhar o outro lado. Por isso acredito na chamada Educação Ambiental Biocêntrica. E libertária. Com as pessoas livres para optar pelo modelo de ética que pautará sua passagem pela Terra. E essa escolhameus alunos fizeram por si. Não foi imposta. Em sua formatura, não farão de seu juramento outra falácia:
“Juro, pela minha fé e pela minha honra e de acordo com os princípios éticos do biólogo, exercer as minhas atividades profissionais com honestidade, em defesa da vida, estimulando o desenvolvimento científico, tecnológico e humanístico com justiça e paz”. (enunciado regulamentado pelo Conselho Federal de Biologia – Decreto nº 88.438, de 28 de junho de 1983). “Defesa da vida” e “justiça e paz”, entende-se, para todas as espécies.
Enquanto houver zoológicos, aquários, serpentários do tipo “vitrine”, espero que existam educadores como meus alunos (que ainda não se formaram, mas já são biólogos de coração), capazes de fazerem com seus alunos excursões a esses verdadeiros infernos (para os animais), capazes de realizar essas visitas com vistas à ação.  Capazes de conduzir uma discussão sob outra ótica, sob outra ética.
Marcela Teixeira Godoy – Bióloga e Professora Universitária.