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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Mais manutenção, mais engenharia

Fonte: http://www.seesp.org.br/site/index.php/jornal-do-engenheiro/item/17921-opiniao-mais-manutencao-mais-engenharia

Publicado em JE 523 – Janeiro 2019

http://www.seesp.org.br/site/index.php/jornal-do-engenheiro/itemlist/category/1092-je-523-janeiro-2019

Carlos Eduardo de Lacerda e Silva e Frederico Jun Okabayashi

A ruptura do apoio do tabuleiro do viaduto na Marginal Pinheiros é bastante emblemática no que tange à falta de uma devida avaliação e manutenção das estruturas públicas na cidade de São Paulo. Após o incidente, a população toma conhecimento de que dezenas de outras pontes e estruturas, utilizadas por milhões de pessoas diariamente, encontram-se de alguma forma comprometidas e colocando sob risco os seus usuários, o que demanda urgência do poder público e custos maiores ao cofre municipal.

A responsabilidade pela manutenção municipal, todavia, abrange ainda muitos outros setores, como edificações, pavimentos, equipamentos públicos, redes de drenagem, áreas de risco, monitoramento de árvores. É certo que no período de chuvas, como se repete ano após ano, a cidade enfrentará o caos com alagamentos e queda de árvores, causando grandes transtornos à população, com vítimas, inclusive fatais, e danos materiais de grande monta. Ou seja, se os fatos decorrentes de fenômenos climáticos são devidamente previsíveis do ponto de vista técnico, sobretudo do pleno conhecimento de onde se dão essas ocorrências, não se justifica a ausência de uma política de manutenção que proporcione a devida segurança e qualidade de vida à população.

Tendo em vista acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelos engenheiros da Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), o SEESP sente-se no imperioso papel de alertar as autoridades sobre a necessidade de se investir na engenharia municipal.

Por que não se aplica a necessária prática de uma política de manutenção preventiva e corretiva?

A PMSP, em todas as suas instituições, dispõe de um corpo de engenheiros altamente capacitado, que conhece profundamente a cidade e seus problemas, não obstante aquém do contingente necessário. São servidores profissionais aptos a diagnosticar possíveis riscos, apontando e priorizando os serviços de manutenção preventiva e corretiva onde sejam necessários.

Um adequado programa de manutenção preventiva representará, sem dúvida, uma grande economia de recursos para a municipalidade e bem-estar e segurança para os munícipes.
Uma metrópole como São Paulo, com 12 milhões de habitantes e problemas complexos carentes de solução, demandará sempre mais investimentos em engenharia pública. Infelizmente, temos uma cultura política que busca priorizar os investimentos em obras novas e serviços que dão visibilidade aos seus gestores, relegando para um segundo plano a manutenção e modernização dos equipamentos públicos já existentes, muitos dos quais não visíveis, embora vitais. A necessidade está nos apontando um novo caminho a ser seguido.


Engenheiros Carlos Eduardo de Lacerda e Silva e Frederico Jun Okabayashi, diretores do SEESP e servidores municipais

sábado, 31 de janeiro de 2015

Síndico: Agora é a sua vez!

Tecnologias e soluções de projeto podem ajudar a reduzir o consumo de água em edifícios novos e existentes

Controle de pressão na rede, uso de dispositivos economizadores e programa de manutenção predial são as armas da engenharia contra o desperdício


Por Juliana Nakamura e Maryana Giribola
Edição 212 - Novembro/2014

Andrey_Kuzmin/Shutterstock
Controle de pressão na rede, uso de dispositivos economizadores e programas de manutenção predial são as armas da engenharia contra o desperdício
Foto: Marcelo Scandaroli
Teste de estanqueidade, feito após a execução das instalações hidráulicas, permite detectar eventuais vazamentos na rede
Foto: Marcelo Scandaroli
Manutenção das instalações hidráulicas prediais é facilitada se o projeto de arquitetura prevê shafts de acesso ou tubulações não embutidas nas paredes
Os baixos índices pluviométricos registrados desde meados de 2013 vêm provocando a redução do volume de reservatórios e da vazão dos rios que abastecem diversos municípios da região Sudeste. Há pouco mais de seis meses, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) começou a captar água da reserva técnica do Sistema Cantareira, conjunto de reservatórios que abastecem parte da Grande São Paulo e algumas cidades do interior do Estado. No Triângulo Mineiro, Uberaba, Uberlândia e outras cidades do entorno enfrentam episódios de falta d'água devido à redução da vazão dos rios da região. O mesmo ocorre com o Rio São Francisco, no centro de Minas Gerais, e o Rio Paraíba do Sul, que atende o Rio de Janeiro.
Aos poucos, o racionamento de água se torna uma realidade para uma parcela cada vez maior da população. Em algumas regiões, a situação pode continuar crítica mesmo depois da temporada de chuvas, que termina em março de 2015, caso as precipitações não recomponham as fontes hídricas. Nesse contexto, soluções técnicas para estoque de água e redução do consumo passam a ser mais valorizadas pelo mercado imobiliário.
A cadeia da construção civil já trabalhou em documentos e programas que incentivam o uso racional da água em edificações, como o Manual de Conservação e Reúso de Água em Edificações. A publicação, de 2005, foi elaborada por meio de uma parceria entre a Agência Nacional de Águas (ANA), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). Mas, segundo o engenheiro Mario Augusto Baggio, sócio-gerente da Hoperações Consultoria, o setor ainda carece de iniciativas nesse sentido. "São esforços isolados que não têm continuidade", acredita.
O que já existe
Nas edificações existentes, as possibilidades de intervenção são mais restritas, já que há pouca flexibilidade técnica para a reestruturação dos sistemas hidráulicos. Nesse caso, como aponta Carlos Barbara, diretor da Barbara Engenharia e Construtora, a recomendação para os administradores de condomínios é seguir as prescrições da NBR 5.674:2012 - Manutenção de Edifícios - Requisitos para o Sistema de Gestão de Manutenção, dedicando especial atenção à identificação de vazamentos nas tubulações. Essas patologias, que podem ser visíveis ou não, geralmente acontecem nas caixas ou válvulas de descargas; nas válvulas de admissão de ar das descargas e reservatórios; ou nas tubulações do sistema hidráulico.
O excesso de pressão nas redes de distribuição também é um ponto crítico e pode contribuir para um consumo maior do que o necessário no desempenho da atividade, causando desperdício de água. A pressão hidráulica estática do sistema não pode ultrapassar o valor recomendado pela NBR 5.626: 1998 - Instalação Predial de Água Fria, que é de 400 kPa (40 m de coluna d'água - mca).
Divulgação: Companhia do vazamento
Método não destrutivo permite investigar vazamentos por meio da análise do som emitido pela rede
Desde a concepção
Nos empreendimentos novos, soluções simples ajudam a minimizar o consumo e evitar o desperdício de água. O dimensionamento correto dos sistemas, a concepção de sistemas de medição individualizada, o uso de componentes e sistemas em conformidade com as normas técnicas e alternativas que garantam uma fácil manutenção da rede, como a criação de shafts, são cuidados básicos que podem ser adotados ainda na fase de projeto.
"Nessa fase, é importante que o projetista de instalações esteja apto a interagir com os demais profissionais envolvidos para definir as necessidades para implantação desses tipos de sistema", diz Júlio Fonseca, diretor da GreenGold Engenharia Multidisciplinar. Como exemplo, ele cita as dimensões das áreas técnicas a serem determinadas no projeto de arquitetura para garantir espaço para a instalação dos equipamentos. "Comparando um projeto de instalação sem reaproveitamento de águas com um projeto com reaproveitamento, há algumas mudanças. São necessárias prumadas de esgoto, prumadas de água tratada e novos reservatórios de armazenamento de esgoto, tratamento e armazenamento da água tratada", acrescenta o gestor de obras do Grupo EPO, Marcus Vinícius Viana de Gouvêa.
Escolha certa
A concepção da rede e a especificação dos seus componentes também são decisivas para obter bons resultados de eficiência hídrica. Basta lembrar que um empreendimento pode utilizar uma gama enorme de duchas com vazões diferentes, desde equipamentos com vazão de 8 l/min aos que gastam 30 l/min. "Existem no mercado duchas e chuveiros que têm uma curva de consumo de vazão x pressão de rede que podem chegar a valores cinco vezes maiores do que o estabelecido por norma. A compra deste tipo de aparelho deve ser desestimulada", alerta Barbara.
Também é possível a especificação de louças, metais sanitários e outros equipamentos mais ou menos economizadores. "Soluções não faltam. O importante é que os produtos e dispositivos sejam especificados adequadamente, em função do uso a que se destinam. Eles também devem ser produzidos e instalados atendendo aos requisitos das normas técnicas vigentes", destaca o engenheiro Plínio Tomaz, especializado em projetos de hidráulica. Visando à maior sustentabilidade e eficiência, também deve ser dada preferência à escolha de equipamentos cujos componentes apresentem maior durabilidade e menor custo de manutenção.
Boas práticas
Veja dicas de projeto, execução e manutenção dos componentes de instalações hidráulicas prediais
Prumadas
As prumadas de um sistema de água fria sofrem vibrações durante seu funcionamento. Para evitar que essas solicitações mecânicas provoquem fadiga e, consequentemente, vazamentos nas tubulações, essas prumadas devem ser bem instaladas e soldadas, prevendo ainda um espaço para que possam vibrar sem interferências.
Bombas de recalque
Para evitar que as tubulações de recalque, que ligam a bomba ao reservatório superior, também se rompam por fadiga, é recomendado que entre a bomba e a tubulação seja inserido um mangote de borracha, capaz de absorver as vibrações do equipamento.
Veda-rosca
A fita veda-rosca, indicada para tubos roscáveis e conexões com rosca, deve ser aplicada na ponta dos canos limpos, para não prejudicar a aderência. Em bitolas de 1/2" ou 3/4", o recomendado é que sejam dadas de quatro a seis voltas de fita seguindo o sentido da rosca, para evitar que a fita solte quando a tubulação for rosqueada.
Válvulas de descarga
Nas edificações mais antigas, as válvulas de descarga são as maiores responsáveis pelos desperdícios de água. Para evitar consumo excessivo, é preciso realizar as trocas das peças ao notar qualquer tipo de vazamento. Deve-se regular a pressão de acionamento da descarga e testá-la antes de fechar a tampa.
Juntas soldáveis
Antes de executar as juntas em tubulações de PVC, as superfícies a serem soldadas precisam ser lixadas para garantir a aderência do adesivo no material. Deve-se aguardar cerca de uma hora antes de preencher a tubulação com água e 12 horas para realizar o teste de estanqueidade.
Termofusão
Antes de iniciar o serviço, é fundamental realizar a limpeza dos bocais da termofusora com um pano embebido em álcool e verificar o seu correto ajuste sobre a placa do equipamento. Os tubos devem ser recortados com tesoura específica para evitar rebarbas e, antes do processo de soldagem, a ponta do tubo e o interior do bocal devem estar limpos. É importante lembrar que cada produto possui uma ficha técnica com as recomendações acerca das medidas e do tempo mínimo determinado para a fusão.
Menos conexões
As conexões são pontos vulneráveis das instalações hidráulicas prediais e podem dar origem a vazamentos, se mal-executadas. Por isso, o projeto deve prever o menor número possível de conexões. Além disso, quanto menos conexões, mais fácil é o trabalho de instalação hidráulica de água fria.
Teste de estanqueidade
Realizam-se testes de estanqueidade dos sistemas in loco para qualquer tipo de instalação hidráulica. Os testes de pressão interna dos tubos devem ser realizados de acordo com a especificação de cada tipo de sistema. O ideal é que sejam feitos antes da execução dos revestimentos.
Tubulações aparentes
A manutenção preventiva e corretiva é um ponto crítico das redes de distribuição de água de um edifício. Apesar da cultura de embutir todas as instalações nas paredes, a criação de shafts tem sido uma boa alternativa de projeto para garantir o acesso às instalações e a fácil manutenção das redes de distribuição hidráulicas. Esses acessos devem ser previstos ainda na fase de projeto.
Vazamentos não visíveis
Para detectar vazamentos não visíveis em tubulações, há algumas tecnologias disponíveis no mercado, como a geofonia eletrônica, a haste de escuta e a correlação de ruídos. O geofone, por exemplo, é utilizado quando não há nenhuma possibilidade de contato com a tubulação. Com o dispositivo, que possui fones de ouvido, é possível identificar a frequência de passagem de água na tubulação e identificar o ponto de vazamento.

Medição individualizada
Divulgação: Tesis
A medição individual do consumo de água em apartamentos é uma das soluções de maior impacto em planos de racionalização do uso desse insumo, a ponto de ser defendida pelo Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água, promovido pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Muitos Estados e municípios já têm regulamentada a exigência de instalação de hidrômetros em apartamentos em construção, como é o caso de cidades como Olinda (PE), São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Vitória. "Implantar esse tipo de sistema em empreendimentos novos é bastante simples e proporciona uma redução de 15% a 30% do consumo de água porque induz e motiva o usuário a economizar", comenta o engenheiro civil Plínio Tomaz. Ele explica que esse segmento evoluiu bastante nos últimos anos com o desenvolvimento de equipamentos mais precisos e que fazem a leitura dos dados à distância, por exemplo.
O ideal é que o projeto preveja locais adequados para a instalação dos hidrômetros, preferencialmente no hall dos andares. Cabe ao projetista escolher o modelo mais adequado de individualização.
Algumas opções são a alimentação direta à caixa inferior e a distribuição feita por reservatório superior único, a alimentação feita diretamente à caixa elevada com distribuição feita por único reservatório e a alimentação feita por único ramal ao edifício, com bateria de medidores no térreo. O desafio, segundo Plínio, é introduzir a medição individualizada em edifícios já construídos e não concebidos para isso. Isso porque o sistema predial de água é usualmente concebido de forma verticalizada, com colunas de distribuição abastecendo pontos de consumo em ambientes similares sobrepostos, estando as tubulações quase sempre embutidas nas paredes. Há basicamente duas formas de instalação nos apartamentos já construídos. Uma delas consiste em isolar as várias colunas de alimentação do apartamento modificando a rede de forma que a alimentação seja feita por um único ponto onde é instalado o medidor. Outra alternativa mais usual, conhecida como método alemão, é instalar em cada coluna um medidor, sendo o consumo do apartamento obtido pelo somatório dos medidores.

Pressão alta
O controle da pressão no sistema hidráulico é um dos pontos que podem ser trabalhados pelo projetista visando a racionalizar o consumo de água. Redes com pressão elevada podem contribuir para perdas no sistema hidráulico por conta de rupturas mais frequentes, do golpe de aríete ou mesmo do fornecimento de água em quantidade superior à necessária numa torneira. Estima-se que uma redução de pressão de 30 mca para 17 mca possa resultar em economia de aproximadamente 30% do consumo de água em um imóvel, conforme cálculos do engenheiro Orestes Marracini Gonçalves, professor titular do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP e sócio-diretor da Tesis Engenharia. O projeto também pode trabalhar o traçado das tubulações de modo a reduzir o número de juntas e conexões que são causa frequente de perdas hídricas.
Fonte: Equipe de Obra nº 35 - reportagem Instalações Hidráulicas: Válvulas Redutoras de Pressão (pág. 44)
Macrofluxo para concepção e execução dos sistemas hidráulicos de uma edificação
Fonte: Adaptado de professor Orestes Marracini Gonçalves

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A tecnologia aliada a sustentabilidade

Por Alexandre Siqueira*

sustentabilidade

A definição técnica da gestão de facilities descreve a atividade como um conjunto de ações medidas para assegurar a funcionalidade de um ambiente construído, por meio da integração de pessoas, locais, processos e tecnologia. Um plano básico para a gestão de facilities deve contemplar custos sob controle, satisfação dos clientes e funcionários, capacitação da equipe e prestação de serviços com agilidade e qualidade. No entanto, outro aspecto está ganhando cada vez mais destaque na área: a gestão sustentável dos recursos. 
A responsabilidade socioambiental já está incluída na política de diversas empresas e a gestão de empreendimentos sustentáveis se torna cada vez mais necessária, não apenas visando construir empreendimentos verdes, mas também implantar mudanças em construções já existentes. 
Há uma série de processos que podem proporcionar maior eficiência da operação, garantindo a sustentabilidade e redução de custos como a modernização das estruturas, economia de energia e de água, tratamento de resíduos, coleta seletiva de lixo, descarte consciente e a correta manutenção técnica das instalações. 
O uso eficiente dos recursos irá minimizar os impactos sobre o meio ambiente e principalmente gerar economia para empreendimentos como shoppings, hospitais, hotéis, condomínios comerciais, etc. Adaptações na infraestrutura e a manutenção adequada de equipamentos são atividades que devem ser tomadas como prioridade para o gestor de facilities. 
O consumo de energia elétrica é um dos principais gastos de shoppings e prédios comerciais, sendo que apenas os sistemas de ar condicionado podem corresponder até 60% dos custos.  Mudanças simples como a utilização de sistemas elétricos que evitam o desperdício de energia e o favorecimento da iluminação natural durante o dia podem reduzir em até 30% o consumo de eletricidade. É possível ainda realizar alterações nos equipamentos para o consumo inteligente de água como torneiras com moderador de gasto e descargas a vácuo. 
Prezar pela manutenção preventiva dos sistemas elétricos, hidráulicos e de ar-condicionado também tem tudo a ver com a sustentabilidade, pois um plano de manutenção bem executado mantém os aparelhos regulados, reduz gastos e ainda aumenta a vida útil dos equipamentos. 
Para gerenciar todos esses serviços, os gestores podem contar com Softwares Especialistas focados em Gestão de Facilities. A tecnologia permite ainda gestão mais eficiente das equipes de manutenção, controle de serviços terceirizados e redução de custos por meio de planejamento de orçamento mais confiável, compras mais assertivas e desenvolvimento de indicadores para criar metas de economia de recursos. 
Cabe ao gestor pesquisar e testar tecnologias que facilitem os processos, e neste momento é importante investir em equipamentos que prezem pela melhor organização e domínio das operações, possibilitando assim a criação de estudos e análises para garantir a tomada de decisões de forma rápida e segura.
*Alexandre Siqueira é diretor comercial da Astrein




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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Parques nacionais no Brasil sofrem com falta de recursos...nada é de graça!

06 de maio de 2014 • 12h41
Falta dinheiro para infraestrutura básica, manutenção e pagamento de funcionários. Segundo ONU, visitantes poderiam render 1,8 bilhão de reais em turismo para regiões, mas só 18 dos 69 parques do país controlam entrada.
No início do ano, a fundação que administra o Parque Nacional Serra da Capivara anunciou a de demissão quase todos os seus cem funcionários. Desde então, eles trabalham sob aviso prévio. Se o dinheiro for liberado pelo estado do Piauí e pelo governo federal, eles terão o emprego garantido. Se não, uma área de 100 mil hectares, maior concentração de sítios pré-históricos das Américas e Patrimônio Cultural da Humanidade, vai ficar sem qualquer proteção.
A situação não é exclusiva da Serra da Capivara – ela se repete em todos os outros 68 parques nacionais brasileiros. Um estudo de 2008, feito pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, mostrou que os parques nacionais precisariam de um investimento de cerca de 189 milhões de reais em infraestrutura.
O estudo também projetou um valor que seria necessário somente para a manutenção anual dos parques: cerca de 49,6 milhões de reais, sem a despesa com funcionários. Segundo Rosa Trakalo, coordenadora de projetos da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), que administra a Serra da Capivara, não há verba para o pagamento dos salários e para manter as estruturas funcionando.
Ela explica que o orçamento, em parte público, era completado com patrocínio de empresas privadas e outras instituições. Mas os recursos foram sendo reduzidos, e agora a fundação tenta firmar novas parcerias.
"É difícil conseguir patrocínio de empresas privadas, pois elas alegam que o parque não tem visibilidade", conta Trakalo. De acordo com ela, a visibilidade é medida pelo número de visitantes, mas devido às dificuldades para o acesso ao parque, que fica no interior do estado do Piauí, as visitas não passam de 20 mil por ano.
Potencial bilionário
Mas um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mostrou que os parques nacionais têm potencial para gerar anualmente entre 1,6 e 1,8 bilhão de reais em turismo para as regiões, considerando as estimativas de fluxo de turistas projetadas para o país até 2016.
"Nem todos os parques terão a mesma demanda ou potencial de visitação, dada as condições de acesso e atrativos, mas esse potencial precisa ser identificado e desenvolvido para que essas áreas também cumpram a sua função de possibilitar maior integração entre as pessoas e a natureza", diz a especialista em políticas públicas do WWF-Brasil Mariana Napolitano e Ferreira.
Segundo ela, apenas 26 dos parques brasileiros estão abertos a visitação e somente 18 possuem um infraestrutura satisfatória, com controle de fluxo de visitantes e cobrança de ingressos.
Em parques onde houve investimentos para facilitar as condições de acesso e a região possuiu uma estrutura turística mais consolidada, o número de visitantes é maior. Em 2012, mais de três milhões de visitantes foram registrados somente nos Parques Nacionais da Tijuca, no Rio de Janeiro, e do Iguaçu, no Paraná.
Tanto os estudos do Pnuma e do Funbio como especialistas afirmam que uma parte do valor para a manutenção dos parques poderia vir da receita gerada pela cobrança de ingressos. Mas, para isso, os locais precisam ter uma infraestrutura básica, com centro de visitantes, banheiros, mapas, lanchonetes e trilhas sinalizadas.
"Sabemos que as Unidades de Conservação ainda não recebem recursos suficientes para arcar com todos os custos de manutenção", diz o estudo do Funbio.
Cortes no orçamento
O orçamento do ICMBio sofreu dois cortes em 2013. E ficou em torno de 516 milhões de reais. Do total, mais da metade é destinada para despesas fixas, como folha de pagamento dos servidores. Com o restante, o órgão tem que fazer malabarismo para pagar despesas básicas de todas as unidades de conservação do país, inclusive os parques.
"O Parque Nacional da Serra da Capivara não é exceção, é a regra. Eles estão mal, porque nunca foram prioridade política e a população, em geral, também não sabe bem o que é um parque nacional e seus importantes objetivos, em especial, na proteção da biodiversidade", opina Maria Tereza Jorge Pádua, membro da comissão mundial de Parques Nacionais da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).
Além da falta de recursos, na maioria dos parques nacionais há um déficit de funcionários. "Existe um funcionário para 150 mil hectares e menos de um dólar por hectare. Parece brincadeira, mas é a situação. O que mais revolta é que o país gasta bilhões em estádios de futebol ou em uma hidrelétrica e não aplica recursos para a implantação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação", afirma Pádua.
Outro problema é a regularização fundiária. Mais da metade dos parques estão em situação irregular. Segundo Ferreira, a criação das unidades de conservação é um fenômeno recente no Brasil, surgida, em grande parte, nos últimos 30 anos.
"A criação destas novas unidades não foi acompanhada pelos investimentos na escala necessária a sua efetiva implantação. Nem mesmo a regularização fundiária, prioridade para implantar uma área, foi realizada em muitas unidades", afirma a especialista do WWF-Brasil.
Mas, apesar dos problemas, especialistas reforçam que a criação dessas áreas são fundamentais para a preservação dessas regiões. "Apesar de todas as dificuldades, uma vez criada essas unidades, oficializadas e reconhecidas, elas já cumprem um papel importantíssimo de frear as intervenções e perturbações no ambiente natural", reforça Luiz Paulo de Souza Pinto, diretor de biomas da ONG Conservação Internacional.
Procurado pela reportagem, o ICMBio não se manifestou até o fechamento da matéria.
Deutsche WelleDeutsche Welle

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

XANTERRA ASSUME OPERAÇÃO NO GLACIER NATIONAL PARK (EUA)



XANTERRA ASSUME OPERAÇÃO NO GLACIER NATIONAL PARK (EUA)


http://hoteliernews.com.br/2014/01/xanterra-assume-operacao-glacier-national-park-eua/


MERCADO · Por Redação · Sexta-feira, 17 de janeiro de 2014 14h33 · 0 Comentários


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Red BusOs famosos Red Buses que fazem os passeios no Glacier National Park, nos EUA
(foto: istock.com / XCarDoc)
A Xanterra Parks & Resorts, rede que opera cruzeiros, trens e passeios especializados de bicicleta e caminhadas, além de lojas, restaurantes e demais atividades relacionadas ao turismo em vários parques norte-americanos como Yellowstone, Grand Canyon e Rocky Mountain, anuncia o início da gestão no Glacier National Park, situado no Estado de Montana.
O contrato, com duração de 16 anos, inclui a operação dos meios de hospedagem Many Glacier, Lake McDonald, Apgar Village Inn, Rising Sun Motor e Swiftcurrent Inn, que somam cerca 500 unidades habitacionais, além de quatro restaurantes, com mais de 500 lugares, e cinco lojas.
A Xanterra também assume a gestão na visitação no parque por meio de 33 ônibus históricos e conhecidos Red Buses.
Serviço

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Obras em três parques de Joinville devem ser inauguradas em março

Lazer13/01/2014 | 11h12

Obras em três parques de Joinville devem ser inauguradas em março



Zoobotânico e Caieira passam por revitalização, enquanto Parque Porta do Mar será um novo espaço

Obras em três parques de Joinville devem ser inauguradas em março Phelippe José/Secom,Divulgação
Estaqueamento do trapiche fixo já foi concluído no parque Porta do MarFoto: Phelippe José / Secom,Divulgação
As obras de reforma e revitalização dos parques Zoobotânico, no bairro Saguaçu, e da Caieira, no bairro Adhemar Garcia, entram na reta final, assim como as obras de implantação do Parque Porta do Mar, no bairro Espinheiros.
O objetivo é entregar os três espaços de lazer e turismo em março, mês de aniversário de Joinville. As obras dos parques são vinculadas ao Programa Linha Verde, de implantação do Eixo Ecológico Leste e nove parques interligados por ciclovias, com recursos do Fundo Financeiro de Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata).
No Zoobotânico, já foram concluídas as construções da clínica veterinária, da ala administrativa, nova guarita de acesso e reforço na encosta do lago. Estão em execução os passeios de circulação interna e o tratamento em pó de brita para os veículos de serviço. Resta a construção da praça de alimentação e das duas pontes de madeira nas trilhas rústicas, instalação de guarda corpo em diversos pontos do parque, paisagismo e instalação do mobiliário, como lixeiras e bancos.
A rua que dá acesso ao Zoobotânico, Pastor Guilherme Rau, terá melhorias, como a construção de um calçadão entre a rua Saguaçu (em frente à Ajao) e o parque, recape da pavimentação em lajota e reforço do passeio para evitar erosão.
No Parque da Caieira, estão sendo feitos os últimos retoques, como lixamento das madeiras e colocação de pó de brita nos passeios e na rua que fica dentro do parque. Estão sendo investidos R$ 236 mil em espaço para lazer, academia de ginástica da melhor idade, quiosques, parque infantil, paisagismo, reforma com acessibilidade aos sanitários da área do prédio administrativo e receptivo do parque e construção de passeio em deck de madeira para visitação às oficinas líticas.
No Parque Porta do Mar, o estaqueamento do trapiche fixo, que terá 109 metros, foi concluído. A fase atual da obra contempla a montagem das peças pré-moldadas, como vigas e lajes. O trapiche flutuante, com 17 metros e deck de madeira especial, está sendo construído em separado e será transportado para o local.
Já foram concluídas a construção o alargamento dos passeios na rua Antônio Gonçalves e a nova iluminação. A praça com o monumento Porta do Mar vai ganhar guarda corpo e está sendo finalizada a construção de praça com academia da melhor idade. Até a inauguração da obra, será feito o recape do pavimento, sinalização viária e paisagismo.
Já as obras do Mirante do Morro do Boa Vista, que começaram em novembro, estão dentro do cronograma. O estaqueamento já foi concluído. Agora está sendo feita a montagem do bloco de fundação.