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domingo, 11 de maio de 2014

O custo do remédio vai aumentar...


09 de maio de 2014 • 19h25 • atualizado às 19h26

Ex-funcionários alegam problemas de saúde após contaminação por metais pesados

As fabricantes de medicamentos Eli Lilly do Brasil e Antibióticos do Brasil foram condenadas a pagar R$ 1 bilhão em indenizações por contaminar os funcionários com metais pesados como chumbo e mercúrio, em Cosmópolis (SP), segundo informações do Ministério Público do Trabalho (MPT). 
Conforme o MPT, 80 ex-funcionários se submeteram a exames de sangue e apenas três não apresentaram contaminação. Segundo relato de trabalhadores, a empresa incinerava resíduos de terceiros no local para aproveitar a capacidade ociosa da instalação. 
Em nota, a Eli Lilly, que operou a unidade de 1970 a 2000, afirma que recorrerá da sentença. Ela admite que houve contaminação do solo devido a “subprodutos do processo produtivo”, mas nega a presença de metais pesados que teriam provocado problemas de saúde em funcionários.
“Há laudos de especialistas atestando não haver nenhuma base científica que comprove que as substâncias encontradas causem as doenças alegadas e muito menos que provoquem danos irreparáveis aos ex-funcionários ou terceiros”, afirma a empresa em nota.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Relação de 160 terrenos do Rio contaminados por substâncias químicas



Inea divulga relação de 160 terrenos do Rio contaminados por substâncias químicas
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2013/06/26/interna_brasil,447225/inea-divulga-relacao-de-160-terrenos-do-rio-contaminados-por-substancias-quimicas.shtml

Publicação: 26/06/2013 15:04 Atualização:


O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) divulgou pela primeira vez hoje (26), em documento publicado no site, os terrenos no estado do Rio que estão contaminados por substâncias químicas. Dos 160 terrenos identificados pelo órgão, 53% estão contaminados com resíduos da atividade de postos de gasolina e 41% de indústrias.


As atividades viação e aterros de resíduos sólidos são responsáveis por 3% das contaminações, cada uma. A maior parte está concentrada no entorno na Baía de Guanabara e na Baixada Fluminense. Dessas áreas, 67 ainda estão sob investigação e 64 estão sob intervenção, porque foi constatado risco à saúde humana. O restante está sendo monitorado para ser reabilitado (14%) ou foi reabilitado (4%), após o perigo ter sido eliminado e o local aprovado pelo Inea para reutilização.



De acordo com a presidenta do Inea, Marilene Ramos, a Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é a região contaminada mais preocupante, onde moram cerca de 2 mil pessoas em contato com o pesticida BHC, conhecido como pó de broca. A previsão anunciada no mês passado pela prefeitura é que os moradores serão transferidos até 15 de julho para apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida.



“Grande parte do material contaminado foi retirado, mas o local continua contaminado e depende do Ministério da Saúde se ter uma solução para aquela área. Ali havia uma fábrica de inseticida de propriedade do ministério que foi fechada e os resíduos abandonados ali”, informou a presidenta do Inea.



A fábrica foi desativada em 1954 e o pó acabou sendo utilizado para pavimentar ruas e na agricultura. A exposição ao pesticida pode causar doenças endócrinas, má-formação congênita, abortamento espontâneo, doenças neurológicas e câncer.



As tabelas do documento Gerenciamento de Áreas Contaminadas do Estado do Rio de Janeiro, uma para postos de combustíveis e outra para indústrias, identificam o uso atual do solo contaminado, localização, meio impactado (solo e água subterrânea), tipo de poluente, entre outros detalhes.



A relação de terrenos afetados, entretanto, não reflete a quantidade real de áreas contaminadas no Rio. A presidenta do Inea explicou que existem muitas propriedades abandonadas ou subutilizadas, cuja reutilização é dificultada pela presença real ou potencial de substâncias perigosas, poluentes ou contaminantes.



“O cadastro será constantemente atualizado à medida que os dados forem levantados e as informações estiverem consistentes para serem publicadas no site”, informou ela.



A divulgação é uma exigência do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que publicou em 2009 a Resolução 420 que obriga os órgãos ambientais competentes a darem publicidade às informações sobre áreas contaminadas e principais características.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Risco tóxico e dano ambiental podem parar descontaminação de Deodoro


Risco tóxico e dano ambiental podem parar descontaminação de Deodoro
http://esporte.surgiu.com.br/noticia/83638/risco-toxico-e-dano-ambiental-podem-parar-descontaminacao-de-deodoro.html
MP exige cumprimento de liminar que impede intervenção antes de estudo de impacto ambiental e denuncia corte de árvores sem autorização por exército
Foto: ReproduçãoFonte: globoesportePostador: Victor Hugo
Postada em: 03/05/2013 ás 15:56:54
O projeto de construção de um autódromo em Deodoro, para substituir o circuito de Jacarepaguá, demolido no início do ano, parece cada vez mais difícil de sair do papel. O Ministério Público do Estádio do Rio de Janeiro, através do Gaema (Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente) recorreu à justiça para que o Exército interrompa o processo de descontaminação do terreno localizado na Zona Oeste. Desde o início deste ano, o Comando Militar do Leste tem realizado varreduras e destruição de artefatos militares no local.

O MP exige o cumprimento de uma liminar que impede qualquer intervenção na área antes da apresentação do estudo de impacto ambiental e da expedição de uma licença de instalação que observe todos os requisitos legais. Segundo o documento, ao ser questionado sobre as intervenções, o Exército argumentou que foram realizadas apenas pequenas intervenções de limpeza de vegetação rasteira para utilização de detectores de metais. Além de garantir que não houve exposição excessiva do solo e retirada de árvores. No entanto, em vistoria realizada em abril, o Gaema constatou que durante o processo de descontaminação, espécies vegetais foram extraídas sem autorização ambiental.

- O Grupo de Apoio Técnico (...)  verificou que ao menos em alguns trechos, as intervenções não se coadunam com uma ação de mera limpeza , especialmente por se  atingir, além da vegetação sub-arbustiva e rasteira do extrato inferior da floresta (sub-bosque), espécies de maior porte. Além disso, essa supressão  para a qual o Exército reconhece não ter autorização ambiental- vem sendo executada sem o devido planejamento ou acompanhamento pelos órgãos de proteção ao meio ambiente – explica o documento.

Risco tóxico e possibilidade de ameça a espécie em extinção

O Gaema também alertou para o risco de contaminação do solo e lençol freático da área pelos explosivos.

- Resíduos de explosivos são um problema para o meio ambiente por serem persistentes e tóxicos, mesmo a baixas concentrações. No caso de destruição parcial dos explosivos ou até mesmo vazamentos, a área poderá apresentar contaminação por compostos orgânicos
como nitroaromáticos e nitraminas. No caso de explosivos não detonados, a contaminação também poderá ocorrer devido à degradação dos materiais metálicos das munições. As medidas para afastar esses riscos ao meio ambiente e à saúde dos militares que lá ainda permanecem (..) seguramente passam pela realização de avaliações e relatórios ambientais prévios à qualquer intervenção na área – diz o documento.

Além disso, o relatório aponta a presença de um ecossistema brejoso em uma parte onde, segundo o atual projeto, seria construído parte da pista. Segundo o documento, neste local há a possibilidade da presença da espécie de peixes Rivulidade, ameaçada de extinção.

A área de mais de 2 milhões de metros quadrados foi usada durante mais de seis décadas pelo exército para treinamento militar e como depósito de munição. O terreno pertencia ao Comando Militar do Leste e foi cedido pelo Ministério da Defesa ao Ministério do Esporte para a construção da nova pista. A área é classificada por militares como zona vermelha, de risco máximo de explosão.

A presença de material explosivo no local foi denunciada pelo jornal "O Globo" em agosto de 2012, pouco depois de um militar da Escola de Sargentos de Logística morrer e outros dez ficarem feridos em uma explosão ao acenderem uma fogueira em um acampamento na região. Os explosivos estariam espalhados no terreno depois que 13 paióis explodiram e provocaram um grande incêndio em 1958. O procedimento de descontaminação começou no início do ano. Nesta quarta-feira, uma reportagem especial da rádio CBN expôs que mais de 1800 artefatos já foram retirados do terreno, dentre eles: minas terrestres, petardos, detonadores com carga e granadas e capazes de lançar estilhaços a um quilômetro de distância.

Segundo a matéria, há a possibilidade da existência de artefatos enterrados fora do alcance dos detectores usados pelas equipes de contaminação, que rastreariam objetos a no máximo 30 cm de profundidade. A Associação Nacional dos Reservistas estima que seriam necessários 18 anos para a varredura total do terreno e especialistas desaconselham qualquer tipo de construção.

Autódromo devia estar pronto antes de demolição de pista de Jacarepaguá

A construção de um novo circuito na cidade é um compromisso da União e da Prefeitura do Rio de Janeiro com a CBA e o Comitê Olímpico Internacional, em razão da demolição do Autódromo de Jacarepaguá para dar lugar ao Parque Olímpico para os Jogos de 2016. A pista antiga sediou dez GPs de Fórmula 1 e recebeu outras grandes categorias do esporte a motor como MotoGP e Indy, além dos principais campeonatos nacionais, como a Stock Car.

O acordo inicial previa que o circuito de Jacarepaguá, que foi cedido pela Prefeitura do Rio à União, só seria desativado quando um novo autódromo, no bairro de Deodoro, fosse entregue. Mas, em razão de diversos impasses, a antiga pista já foi totalmente demolida e as obras no novo local sequer foram iniciadas.

Em novembro de 2012, um segundo acordo foi delineado. O terreno em Deodoro foi doado pelas Forças Armadas ao Ministério do Esporte, e o Comando Militar ficou com a responsabilidade de descontaminar o local. De acordo com o compromisso atual, o circuito de Jacarepaguá só seria desativado quando a nova pista começasse a ser construída. Porém, o autódromo antigo já foi totalmente demolido e as obras no novo local seguem na estaca zero.

De acordo com o compromisso atual, a União financiará a construção do novo autódromo. As obras serão de responsabilidade do Governo do Estado e a administração do local ficará por conta do município do Rio de Janeiro. Após a série de atrasos, a licitação para a construção do novo autódromo está prevista para o início do segundo semestre, e as obras, para o fim do ano ou começo de 2014. A previsão é que o local possa receber algumas competições ainda em 2014, mas que fique completamente pronto apenas no início de 2015. Enquanto o estado não possui uma pista, a Federação de Automobilismo do Rio de Janeiro transferiu as competições para o Megaspace, em Minas Gerais, na cidade de Santa Luzia, a 500 km da capital fluminense.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Autoridades ambientais do Rio multam CSN em R$ 35 milhões


Autoridades ambientais do Rio multam CSN em R$ 35 milhões

Companhia Siderúrgica Nacional foi punida por contaminação de terreno em Volta Redonda, no interior do Estado; no local, moram 2,2 mil pessoas

08 de abril de 2013 | 14h 36


RIO - Órgãos ambientais do Rio de Janeiro decidiram multar a Companhia Siderúrgica Nacional em R$ 35 milhões por conta da contaminação de um terreno em Volta Redonda, no interior do Estado, onde moram mais de 2,2 mil pessoas, informou a Secretaria de Estado do Ambiente, nesta segunda-feira, 8.
A penalidade foi analisada e aprovada pelo conselho diretor do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A multa administrativa poderia chegar até R$ 50 milhões com base na lei ambiental do Estado.
Além da multa administrativa de R$ 35 milhões, o Inea determinou que a empresa apresente em até 15 dias um programa para realocação de 750 pessoas e, em até uma semana, um cronograma para avaliar a saúde dos moradores do bairro Volta Grande IV, onde vivem 2,2 mil pessoas. A CSN também deverá apresentar em até 30 dias um plano para remoção dos resíduos tóxicos encontrados no terreno.
Outras punições poderão ser aplicadas contra a companhia na esfera judicial, disse a secretaria, afirmando que o Ministério Público do Estado está movendo ações contra a empresa.
Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o custo para descontaminação do solo e do lençol freático na região pode chegar a R$ 60 milhões. As infrações administrativas anunciadas nesta segunda-feira não incluem eventuais indenizações e outras punições que ainda podem ser determinadas pela Justiça. Minc afirmou que a multa poderá atingir o valor máximo de R$ 50 milhões, previsto na legislação estadual, caso seja confirmado algum caso de doença provocada pela contaminação a que a população está exposta no local.
Representantes da CSN não comentaram o assunto de imediato.
Entenda o caso
Um terreno cedido pela CSN na década de 1990 para a construção de casas para funcionários, em Volta Redonda, está contaminado com substâncias tóxicas potencialmente cancerígenas que expõem a população local a "níveis intoleráveis de risco à saúde", aponta laudo divulgado na semana passada pelo secretário Carlos Minc. De acordo com o secretário, foi confirmada a contaminação do terreno por elementos tóxicos, como o ascarel, que apresenta nível de concentração até 90 vezes acima do máximo tolerável. Segundo ele, 750 dos 2.257 moradores do condomínio Volta Grande IV precisam deixar o local "imediatamente".
Na ocasião, a empresa divulgou nota alegando não ter conhecimento do laudo, na qual afirma que "nada foi apontado em mais de cinco amplos estudos realizados nos últimos 13 anos" no local. O caso já havia sido denunciado pelo Ministério Público.
Em 2010, depois da constatação de uma série de irregularidades ambientais na usina siderúrgica da empresa em Volta Redonda, a CSN firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no valor de R$ 500 milhões com autoridades do Estado. No ano passado, a CSN foi multada em mais quase R$ 12 milhões por não cumprir alguns dos itens firmados no TAC de 2010.
(Com agências Reuters e Agência Estado)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Terreno cedido pela CSN está contaminado com substâncias cancerígenas no Rio


04/04/2013 - 14h57

Terreno cedido pela CSN está contaminado com substâncias cancerígenas no Rio


DIANA BRITO
DO RIO

Atualizado às 17h15.
Um terreno cedido pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) para a construção de casas de funcionários, em Volta Redonda, está contaminado com substâncias cancerígenas, de acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.
O local fica na região sul-fluminense do Rio, a cerca de 200 metros do rio Paraiba do Sul. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (4) pela secretaria após obter resultado de análise do solo feita pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente).
De acordo com o Inea, ficou comprovado, por meio da análise do solo, que cerca de 750 pessoas que moram em 200 casas na região estão expostas a substâncias perigosas ao organismo, como metais pesados (cádmio e cromo total) e ascarel, substância cancerígena.

Gráfico da área contaminada por material tóxico em Volta Redonda (RJ)

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Reprodução Inea
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Gráfico da área contaminada por material tóxico em Volta Redonda (RJ)
O número de moradores que tem contato com essas substâncias pode ser ainda maior porque há 2.257 moradores no condomínio Volta Grande 4, que fica junto ao terreno cedido pela CSN.
Segundo a secretaria, Volta Grande 4 tem 255 mil m², enquanto a área onde foi identificado o maior grau de infectação tem 10 mil m², o que equivale a um hectare.
O secretário de Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que as análises do Inea mostram que o terreno apresenta contaminação em nível intolerável à saúde das pessoas que moram ali. Ele disse ainda que a CSN pode ser multada em até R$ 50 milhões, mas que esse valor será confirmado apenas na segunda-feira (8), após uma reunião com diretores do Inea.
Segundo a CSN, a empresa já realizou, sob supervisão dos órgãos ambientais, "mais de cinco amplos estudos nos últimos 13 anos a respeito do Bairro Volta Grande IV e nenhum deles apontou perigo ou risco iminente à saúde dos moradores."
A siderúrgica disse ainda desconhecer o conteúdo do laudo divulgado hoje pela Secretaria do Meio Ambiente do Rio e não fez comentários sobre a possível multa.
COQUETEL DE LIXO QUÍMICO
"Talvez seja o assunto mais espinhoso dos últimos anos. Tem um monte de gente morando em cima de um coquetel de lixo químico. A gente não tem certeza se eles [moradores da região] estão doentes ou não", disse Minc.
A secretaria divulgou que já notificou o Ministério Público Estadual e a 3ª Vara Cível da Comarca de Volta Redonda sobre a situação. O secretário disse que também cobrou da CSN a remoção do lixo siderúrgico enterrado irregularmente no local, a indenização e a análise clínica dos moradores.
As investigações sobre a contaminação do solo na área surgiu após uma denúncia do Ministério Público Estadual há cerca de um ano. A CSN contratou uma empresa particular, a Nickol do Brasil, para fazer uma análise do solo. O estudo, que ficou pronto em outubro do ano passado, "amenizava" os riscos de contaminação, segundo Minc.
Entretanto, a primeira parte da análise feita pelo Inea revelou que substâncias enterradas sem proteção trazem um "risco alto" para os moradores da região.
A Secretaria do Meio Ambiente disse ter informado ontem (3) o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e a Secretaria de Estado da Saúde para fazer exames e para saber se as pessoas que moram na área estão de fato contaminadas.
As pessoas podem se contaminar com os materiais tóxicos por meio da água, frutas e outros alimentos ingeridos. O secretário do Meio Ambiente informou que há plantações de acerola, laranja e coco para consumo dos moradores no terreno contaminado.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, a CSN foi privatizada em 1993. Em 1998, a empresa doou para o Sindicato dos Metalúrgicos o terreno contaminado. "Doação exclusiva para a construção de casas", afirmou Minc.
O Estado não soube informar, no entanto, quando o material irregular foi depositado no local. "A gente acredita que foi entre 93 e 98 ou antes de 93", disse o secretário.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Brasil debate acordo para banir mercúrio na próxima década


Brasil debate acordo para banir mercúrio na próxima década

País defende prazo maior para a proibição do uso do químico na mineração e na indústria; ricos não querem pagar a conta

12 de janeiro de 2013 | 2h 06


JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo
O governo brasileiro vai impor condições para aceitar um acordo internacional para banir o uso do mercúrio no garimpo e quer garantias de que prazos sejam criados para o estabelecimento de programas e financiamento para que pequenos mineradores possam abandonar o produto.
O tema começa a ser debatido amanhã, em Genebra, na última rodada de negociações na Organização das Nações Unidas (ONU) para a criação de um tratado que controle o uso do mercúrio, seja na mineração ou na indústria. O assunto volta a abrir um confronto diplomático entre países ricos e emergentes. O Brasil defenderá um período de transição, entre 2020 e 2025, até que o químico seja banido, enquanto países ricos insistem que sua proibição deve ocorrer já em 2020.
Há um consenso de que as emissões geradas pelo mercúrio precisam ser limitadas. Para a ONU, o mercúrio está entre os dez químicos mais ameaçadores para a saúde humana e o ambiente. Alguns dos animais no Ártico teriam quantidade de mercúrio no sangue 12 vezes superior ao normal no período pré-industrial.
Debate. Governos ainda não se entendem sobre como reduzir as emissões de mercúrio. Parte do problema seria a mineração. Entre os séculos 18 e 19, estima-se que a humanidade jogou 350 mil toneladas de mercúrio nos solos, em busca do ouro, principalmente nos EUA. Hoje, são os pequenos mineradores da América Latina, da Ásia e da África que mais usam o produto.
O mercúrio permite que o ouro seja identificado mais facilmente. O processo seguinte é o de esquentar o amálgama formado. O mercúrio é liberado para a atmosfera, enquanto o ouro pode ser usado. Novas tecnologias já existem, mas sua implementação custaria dinheiro, ações concretas e prazos para banir gradualmente o elemento químico.
A avaliação do governo brasileiro é de que só banir o produto não funcionaria, pois criaria um mercado clandestino. Outro argumento é de que, em muitos países em desenvolvimento, o mercúrio que acaba nos garimpos vem de exportações de países ricos. Na Europa, o produto é proibido - mas não sua exportação.
Para os emergentes, banir o mercúrio dos garimpos exige ação dos países ricos, além de um financiamento para pagar por uma transição.
Outro obstáculo para um acordo é o uso industrial do produto, principalmente nos países que usam carvão como fonte de energia. "O maior confronto é sobre quem vai pagar pela conta de uma transformação no modelo", declarou Ludovic Bernaudat, especialista da ONU.
Uma das metas do acordo era pôr um teto na emissão do mercúrio. Mas China e Índia, os dois maiores usuários hoje, rejeitaram o plano caso o acordo não venha acompanhado de um mecanismo para financiar a transformação tecnológica dessas países ou simplesmente transferir tecnologia já existente. Os países ricos não querem financiar sozinhos esse plano. Uma alternativa poderá ser o estabelecimento de metas nacionais, com datas diferenciadas para cada governo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

E o princípio da prevenção?

18/12/2012 - 05h30

Estudo diz que porto de Eike salgou região no Rio

ITALO NOGUEIRAENVIADO ESPECIAL A SÃO JOÃO DA BARRA (RJ)
 


A construção do porto do Açu, da empresa LLX, de Eike Batista, provocou a salinização da água doce usada no trabalho de agricultores e de pescadores de São João da Barra (RJ), de acordo com estudo da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense).
A principal suspeita é de que a areia dragada do mar e depositada às margens da lagoa de Iquiparí tenha provocado o aumento da salinização das águas.
Segundo pesquisadores da universidade, se nada for feito, um processo de desertificação da região poderá ser iniciado.
Essa é a primeira consequência ambiental direta detectada após o início das obras no empreendimento. Os Ministérios Públicos federal e estadual instauraram inquérito para apurar o caso.
A dragagem é feita para aumentar a profundidade do mar e do canal aberto pela empresa, a fim de permitir o acesso de grandes navios. A licença ambiental emitida permite a retirada de 65,2 bilhões de litros de areia do mar -31 bilhões de litros já foram depositados em solo.
O problema, apontam pesquisadores da Uenf, é que o material retirado traz consigo grande volume de água do mar. Depositado próximo à água doce usada por agricultores, a salinização foi a consequência.

Porto de Eike salgou região no Rio

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Daniel Marenco/Folhapress
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Agricultor mostra abacaxis danificados de sua plantação; eles acusam a obra de porto de Eike Batista de causar o processo de sanilização
"A areia vem misturada com água. E ela escorre para algum lugar. A gravidade faz com que ela encontre outras regiões", disse o biólogo Carlos Rezende.
A LLX afirma que tem um sistema de drenagem que faz com que a água salgada retorne para o mar e não se misture à água da lagoa. Mas afirmou estar aberta a analisar os dados da Uenf. O Inea (Instituto Estadual do Ambiente) não se posicionou até a conclusão desta edição.
 
SINAIS
Os primeiros sinais do problema foram identificados no fim de outubro, quando o agricultor João Roberto de Almeida, 50, o Pinduca, viu parte de sua plantação de abacaxi nascer queimada.
"Sempre usei essa água e nunca tive problemas. Não sou contra o desenvolvimento. Mas o que está acontecendo é desrespeito."
Parte dos abacaxis de Pinduca está com as folhagem torrada. Na região é possível ver também pastos queimados inundados de água com uma espuma branca. Onde está seco, um pó branco, como sal, brilha.
A principal fonte de abastecimento dos agricultores é o canal Quitingute. Caracterizado como de água doce pelo estudo de impacto ambiental, tem atualmente 2,1 de salinidade -o adequado para irrigação é, no máximo, 0,14.
"A própria LLX descreve o canal como de água doce. Mas, com esse índice, ele não é mais", afirmou a pesquisadora Marina Suzuki.
 
SALINIDADE É HISTÓRICA NA REGIÃO, DIZ LLX
O diretor de sustentabilidade da LLX, Paulo Monteiro, afirmou que a salinização das águas da região próxima ao porto do Açu, em São João da Barra, antecede as obras no local.
Mas afirmou estar aberto a receber informações sobre eventuais problemas causados pela intervenção.
Segundo ele, a construção do porto tem sistema de drenagem que impede o vazamento de água do mar para o exterior do empreendimento.
Pesquisadores apontaram que a obra causou a salinização de pontos de água doce de um distrito da cidade, prejudicando produtores rurais.
"A água com areia retorna ao mar por canais de drenagem. Não vai para o lado do [canal do] Quitingute. Tudo foi calculado para jogar a água para o canal interligado com o mar", diz Monteiro.
O diretor da LLX disse que um dos indícios de que a salinidade da água do local sempre foi alta é o número de pessoas hipertensas na região, que é "muito forte". "A água superficial sempre foi salobra. Tem que ir mais fundo para buscar água potável."
Os pesquisadores da Uenf apontam que já havia salinidade em alguns pontos, mas que ela subiu consideravelmente após as obras. Afirmam ainda que a região contava também com água doce, como o canal do Quitingute.
Monteiro diz que qualquer agricultor pode procurar a LLX para receber assistência técnica ou ser ressarcido, caso seja esse o caso. Ele negou que haja a possibilidade de desertificação na região.
Editoria de Arte/Folhapress


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Passivo ambiental...


21/08/2012-05h30

Justiça manda indenizar comprador de imóvel em terreno contaminado



EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

A Justiça de São Paulo condenou uma construtora a pagar R$ 120 mil de indenização ao comprador de um de seus apartamentos por não tê-lo informado de que o prédio foi feito em área contaminada.
Para o juiz Tom Alexandre Brandão, da 12ª Vara Cível da capital, houve "dolosa [intencional] omissão" por parte da Helbor ao vender o Condominium Parque Clube, em Guarulhos (Grande São Paulo).
A Helbor diz que não houve má-fé, que informou que estava fazendo a descontaminação e que vai recorrer da decisão.
Advogados ouvidos pela Folha dizem que, provavelmente, esse é o primeiro caso em que a Justiça atrela de forma direta uma ação por danos morais ao problema de contaminação de um terreno.
Com a expansão imobiliária dos últimos anos e a falta de terrenos disponíveis, se tornou comum o aproveitamento de áreas com algum passivo de contaminação.
Carlos Cecconello/Folhapress
Condomínio em Guarulhos construído em terreno contaminado; morador deverá ser indenizado em R$ 120 mil
Condomínio em Guarulhos construído em terreno contaminado; morador deverá ser indenizado em R$ 120 mil
Só na cidade de São Paulo, há 40 terrenos desse tipo nas mãos de construtoras, sendo que 15 já têm prédios prontos ou lançados -a maioria em antigas áreas industriais, como Mooca e Vila Leopoldina.
Segundo a advogada Cristiane Varela, do escritório Salgado Associados, seu cliente, Gilberto Romera, comprou o apartamento em 2009, mas ficou sabendo do problema da contaminação só em abril de 2011, dias antes da formação oficial do condomínio.
O problema da contaminação, entendeu o juiz, foi decisivo para o atraso na entrega das chaves, prevista para fevereiro de 2011, mas que só ocorreu cinco meses depois.
"Havia a determinação da Cetesb [agência ambiental paulista] de que os donos do terreno não poderiam construir, nem comercializar, nem habitar a área, antes de a descontaminação ser feita", diz Cristiane, que além de ser moradora do condomínio, representa outros 14 clientes.
"Se dúvida existia, jamais deveriam levar o processo adiante (...). Mas a ganância levou a lançar o empreendimento, omitindo todo o problema dos compradores", diz o juiz, que aponta "flagrante violação ao dever de informação que permeia o Código de Defesa do Consumidor".
O Parque Clube está sobre uma antiga área industrial. Entre 2006 e 2007, a Helbor sabia da provável contaminação do solo e da água subterrânea, segundo a Justiça. Na lista mais recente da Cetesb, de dezembro de 2011, o empreendimento ainda aparecia como construído sobre uma área contaminada.
Investigações detectaram, no solo e na água subterrânea, solventes halogenados- compostos químicos tóxicos que podem, a longo prazo, afetar a saúde.
Editoria de arte/Folhapress

OUTRO LADO
A construtora Helbor, por meio de nota, afirma que vai recorrer para demonstrar que não houve má-fé na relação com os clientes na venda do Condominium Parque Clube.
Ela diz ter informado compradores de que providenciava a remediação do solo contaminado e que ofereceu a opção de devolução dos valores pagos, corrigidos por índice previsto em contrato.
Tanto a informação sobre a contaminação quanto a proposta de devolução foram dadas em abril de 2011, segundo moradores, já com os imóveis prontos e vendidos.
Segundo a Cetesb, o fato de os prédios terem Habite-se (documento da prefeitura que autoriza a ocupação do imóvel) significa que a questão da descontaminação do solo está praticamente equacionada e não há risco nenhum à saúde das pessoas.
O que está em curso em parte do terreno atualmente é o chamado "monitoramento para encerramento", a última etapa do processo. Ou seja, se as análises periódicas mostrarem que realmente as técnicas empregadas para descontaminação cumpriram o seu papel, o empreendimento vai sair da lista de áreas contaminadas.