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domingo, 22 de março de 2015

Próxima estação: Hortas Urbanas!

Tóquio tem hortas urbanas nas estações de metrô

12 de Março de 2015 • Atualizado às 08h52


As hortas urbanas estão cada vez mais populares em todo o mundo. No Japão, o projeto Soradofarm, incentiva a criação de jardins e hortas nos telhados das estações de trem e metrô. A alternativa também funciona como uma válvula de escape para a correria do dia-a-dia.
O aproveitamento de espaços públicos ou telhados para o plantio é uma das poucas alternativas que os moradores de grandes cidades têm para driblar a falta de espaço livre. Tóquio está entre as cidades que sofrem com este problema, por isso a ideia de aproveitar as estações se torna tão importante e genial.

Foto: Divulgação
O projeto conta com o apoio da companhia local de metrô e da Ekipara, uma companhia responsável pelo entretenimento e comércio dentro das estações. O funcionamento é simples, mas ao contrário das hortas comunitárias em que tudo é de todos, no Japão os usuários de tornam “proprietários” de um pedaço específico de terra.

Foto: Divulgação
Cada um dos participantes detém três metros de área verde onde podem ser plantados vegetais ou outras culturas, de acordo com sua própria vontade. Por terem que pagar uma tarifa simbólica anual, os “fazendeiros urbanos” contam com o apoio de especialistas e de todas as ferramentas necessárias para o manuseio da terra.

Foto: Divulgação
Para participar não é necessário ter conhecimento em jardinagem ou agricultura. Além de contar com vegetais frescos, esta também é uma possibilidade de interação entre a comunidade.

Foto: Divulgação
O Soradofarm já possui cinco hortas e jardins em Tóquio, mas a intenção é expandir para que ela esteja presente em todas as estações da cidade.
Redação CicloVivo

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Alimentos em época de mudanças climáticas

É preciso adaptar os sistemas de produção de alimentos às mudanças climáticas

A emissão de gases de efeito estufa, o aquecimento global e os extremos climáticos geram impactos diretos nos biomas brasileiros e põem em risco a produção de alimentos

*EDUARDO DELGADO ASSAD
04/02/2015 07h00 - Atualizado em 04/02/2015 16h32
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Eduardo Assad é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) (Foto: Neide Makiko Furukawa)
Como o aquecimento global impacta a produção de alimentos? As mudanças climáticas colocam a oferta de água e a produção de hidroenergia diante de possíveis colapsos, o que pode afetar o fornecimento de alimentos. No Brasil, as populações da região amazônica e do semiárido, por exemplo, poderão ser duramente atingidas pelos extremos climáticos, colocando em risco o acesso aos alimentos e, por consequência, a segurança alimentar e nutricional daqueles que vivem nesses locais. O padrão de produção adotado no país é altamente dependente de nitrogênio, presente nas adubações químicas ou orgânicas, e promove emissões de óxido nitroso, um dos principais gases de efeito estufa.
Até o ano de 2050, no Brasil é possível atingir a produção de 350 milhões de toneladas de grãos. Porém, se forem mantidos os padrões de produção agrícola adotados pelo país desde os anos 1970, haverá um forte impacto nas emissões de gases de efeito estufa. Portanto, é preciso encontrar soluções que garantam sustentabilidade à produção agrícola com menor emissão de gases. Uma das possibilidades é adotar práticas que permitam a fixação biológica de nitrogênio, isto é, transformar o nitrogênio do ar atmosférico em formas absorvíveis para plantas e animais. Também é preciso identificar sistemas de produção equilibrados que garantam o aumento da produção, porém com baixa emissão desses gases.


Novas estratégias, como a produção de alimentos em áreas já desmatadas na Amazônia, podem ser alternativas viáveis. São 11 milhões de hectares de pastos degradados somente na Amazônia. A pergunta é: o que fazer para produzir alimentos com sustentabilidade nessas áreas? Os novos sistemas agroflorestais adaptados ao Bioma Amazônico poderão suprir a necessidade de alimentos e oferecer opções nutricionais diferentes das tradicionais, com espécies florestais e alimentares da região, além daquelas que fazem parte da cesta básica dos brasileiros (arroz, feijão, milho, soja, trigo, mandioca etc). O mesmo quadro se apresenta para a Caatinga, onde a vulnerabilidade na produção de alimentos exóticos (espécies introduzidas no ecossistema) é muito grande.



A combinação de sistemas produtivos que incorporem espécies nativas, naturalmente adaptadas aos eventos climáticos extremos, como secas e temporais, é uma das opções mais recomendadas para garantir a segurança alimentar. É preciso incentivar a pesquisa sobre a qualidade de alimentos nativos e sua composição bioquímica e nutricional. Só assim poderemos incorporar definitivamente os alimentos que têm origem na biodiversidade brasileira à dieta das populações que serão, num futuro não muito remoto, as mais atingidas pelos impactos do aquecimento global.



Com menor intensidade, o mesmo quadro se repete no bioma Cerrado que, com 12 mil espécies em sua biodiversidade, oferece várias opções de produtos naturais que podem se tornar parte da alimentação da região desde que produzidos de forma sustentável e não apenas extrativista. A identificação, análise, distribuição e aproveitamento dessa imensa biodiversidade na alimentação humana fazem parte dos desafios propostos pelo Prêmio Jovem Cientista deste ano, que aborda o tema “Segurança Alimentar e Nutricional”.

Colheita da castanha-do-brasil na Amazônia (Foto: Haroldo Castro )
Os desafios dos efeitos das mudanças climáticas sobre a garantia da segurança alimentar são globais, mas as soluções começam localmente. A utilização de novas práticas de manejo agrícola adaptadas aos biomas pode contribuir para a superação de problemas provocados por extremos climáticos, principalmente a deficiência hídrica, garantindo o aumento da oferta de alimentos e atingindo as metas previstas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) de atendimento da demanda mundial com baixas taxas de aumento de área plantada.
Para que os sistemas produtivos indicados para cada bioma possam se tornar realidade, eles não devem ser apenas social e ambientalmente sustentáveis. É imprescindível que também sejam economicamente viáveis, mesmo que para isso tenham que recorrer ao suporte dos recursos públicos. A análise econômica avalia as condições de oferta (custos de produção, produtividade, escala mínima, riscos associados à atividade, etc.) e de demanda (preço recebido pelo produtor). É possível, e mesmo provável, que parte desses sistemas tornem-se financeiramente viáveis somente com apoio público, garantindo renda aos produtores e acesso aos alimentos pelas populações mais carentes. É uma ação de Estado e não somente de governo.


São grandes os desafios nessa área: ter um conjunto de indicadores para a formulação de políticas públicas que possam garantir a segurança alimentar sem competir com a demanda de água para abastecimento humano e geração de energia; identificar, analisar e qualificar os sistema produtivos para os diversos biomas brasileiros, especialmente a Amazônia, a Caatinga  e o Cerrado, que possam suprir a necessidade regional de alimentos com baixa emissão de carbono, incorporando espécies florestais e alimentares das regiões adaptadas aos eventos climáticos extremos; e analisar a viabilidade econômica dos sistemas identificados para os diferentes biomas. Com esses passos simples, porém de gigantesca abrangência geográfica, social e científica, o Brasil poderá garantir a segurança alimentar e nutricional de sua população.

* Eduardo Assad é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Consórcio Pesquisa Café desenvolve tecnologias de pós-colheita inovadoras e sustentáveis com foco no pequeno cafeicultor

Pautas | Embrapa Café | 30/07/2014 09:47:26 | 43 Acessos
Consórcio Pesquisa Café desenvolve tecnologias de pós-colheita inovadoras e sustentáveis com foco no pequeno cafeicultor
http://www.maxpressnet.com.br/Conteudo/1,690617,Consorcio_Pesquisa_Cafe_desenvolve_tecnologias_de_pos-colheita_inovadoras_e_sustentaveis_com_foco_no_pequeno_cafeicultor,690617,4.htm
O cuidado durante a fase de pós-colheita do café é um dos grandes diferenciais para a obtenção de um produto de qualidade
Um conjunto de tecnologias de colheita e pós-colheita, voltado para a agricultura familiar, foi desenvolvido no âmbito do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, e constitui infraestrutura mínima para produção de café com qualidade e sustentabilidade econômica, social e ambiental. Essas alternativas tecnológicas permitem ao cafeicultor investir na construção de equipamentos adequados para produção de café com qualidade, pois funcionam de maneira simples, eficiente e a um baixo custo operacional e ainda podem ser construídas com matéria-prima e mão de obra regional. Do ponto de vista da sustentabilidade, essas tecnologias viabilizam também a adoção dos princípios de Boas Práticas Agrícolas, rastreabilidade e competitividade.
Para falar sobre essas tecnologias, a Embrapa Café entrevistou um dos pesquisadores responsáveis por esses estudos e inventos, Juarez de Sousa e Silva, professor aposentado da Universidade Federal de Viçosa – UFV, instituição participante do Consórcio Pesquisa Café. Hoje Juarez é bolsista do Consórcio Pesquisa Café na UFV, onde dá continuidade ao seu trabalho de pesquisa em conjunto com parceiros do Consórcio.
Para ler a matéria na íntegra, acesse os sites da Embrapa Café e do Consórcio Pesquisa Café.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Fertilizante de zeólitas reduz poluição e aumenta produtividade

Fertilizante de zeólitas reduz poluição e aumenta produtividade

Com informações do CETEM e Agência Brasil - 29/04/2014
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um composto mineral que, usado como fertilizante, aumenta a produtividade agrícola e, ao mesmo tempo, reduz o impacto ao meio ambiente.
uso de fertilizantes é uma das maiores preocupações atuais dos ambientalistas - o chamado "paradoxo dos fertilizantes" indica que, onde não há falta, há excesso do produto.
O novo fertilizante é feito de concentrados zeolíticos - zeólitas representam um grupo numeroso de minerais que têm uma estrutura porosa - sem adição de produtos químicos.
Os pesquisadores brasileiros fizeram modificações nas propriedades superficiais das partículas de zeólitas para que elas pudessem fazer a troca de nutrientes, o que é grandemente otimizado pela característica porosa do material.
Como o composto zeolítico faz a troca de nutrientes, ele capta o excesso e libera os nutrientes de forma lenta. "É como na alimentação infantil. Não adianta querer dar tudo de uma vez. Tem que dar aos poucos. A mesma coisa [se aplica] à planta, para ela crescer," explicou a pesquisadora Marisa Monte, do Cetem (Centro de Tecnologia Mineral).
Zeólita brasileira
No processo, foi utilizada uma zeólita encontrada no Maranhão, que não é tão pura quanto as zeólitas de Cuba, por exemplo, mas cujas impurezas se transformaram em vantagem no caso do uso do material como fertilizante.
"A mistura da argila promove uma boa capacidade de troca e faz com que [a zeólita] consiga usar esses nutrientes na agricultura," disse Marisa.
Outra vantagem desse material poroso é na irrigação. "Ele reduz em 50% a necessidade do ciclo de irrigação," disse a pesquisadora.
Nos testes agronômicos, o uso do concentrado zeolítico apresentou uma produtividade até 40% superior àquela obtida pelo uso de métodos convencionais de fertilização.
Os concentrados zeolíticos, enriquecidos com nutrientes, foram testados como fertilizantes no cultivo de alface, tomate e mudas de frutas cítricas.
Patente
O INPI já deferiu o pedido da patente da "Composição mineral zeolítica", descrita como um fertilizante de liberação lenta, produzido a partir de concentrados zeolíticos.
De posse da patente, os pesquisadores têm intenção agora de comercializar o produto. Marisa informou que algumas empresas, entre as quais a Petrobras, já manifestaram interesse.
Segundo ela, o novo fertilizante terá um apelo especial para a agricultura orgânica, por não utilizar produtos químicos.
O trabalho contou com a colaboração de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2014 é o ano Internacional da Agricultura Familiar

Quinta, 19 de Dezembro de 2013 às 06:12

2014 é o ano Internacional da Agricultura Familiar


Foto: do site Racismo ambiental

2014 é o ano Internacional da Agricultura Familiar
A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) na área recebeu recentemente a certificação de Tecnologia Social, da Fundação Banco do Brasil. O projeto, intitulado Sistemas de Irrigação Alternativos de Baixo Custo, foi desenvolvido pelo professor Edmar José Scaloppi, do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, Câmpus de Botucatu.
Uma tecnologia social, na definição da Fundação, compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social. É um conceito que remete para uma proposta inovadora de desenvolvimento, considerando a participação coletiva no processo de organização, desenvolvimento e implementação. Está baseado na disseminação de soluções para problemas voltados a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outras.
O projeto desenvolvido pelo professor Scaloppi utiliza materiais como garrafas pet e tubulações de esgoto na montagem do sistema de irrigação. Ele possibilita a inserção de agricultores descapitalizados aos reconhecidos benefícios da agricultura irrigada, propondo sistemas tecnicamente eficientes, ambientalmente adequados e de baixo custo. Implantados, podem tornar uma determinada produção agrícola mais segura e economicamente viável, contribuindo para melhorar a qualidade de vida do homem do campo.
A área da Fazenda Experimental Lageado onde os sistemas de irrigação de baixo custo estão instalados para demonstração tem atraído muitos visitantes, incluindo estudantes, agricultores e órgãos de imprensa. As tecnologias já foram apresentadas em diversos eventos, dentre eles o Workshop Internacional de Inovações Tecnológicas na Irrigação, realizados em Piracicaba, SP, em junho de 2011, e Fortaleza, CE, em maio de 2012.
O trabalho do professor Scaloppi também deu origem a um Boletim Técnico, editado pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais, que foi um sucesso de vendas entre produtores rurais de várias regiões do Brasil.
Com a certificação, o projeto passa a estar disponibilizado no Banco de Tecnologias Sociais do Banco do Brasil, podendo ser acessado livremente por qualquer interessado. No Banco, as tecnologias sociais podem ser consultadas por tema, entidade executora, público-alvo, região, UF, etc. As informações abrangem o problema solucionado, a solução adotada, os recursos necessários para implementação e os contatos dos responsáveis, possibilitando que instituições interessadas em reaplicar ou conhecer detalhes sobre o processo possam entrar em contato direto com os desenvolvedores das tecnologias sociais.
O autor do projeto lembrou que os benefícios da irrigação são evidentes, mas muitos agricultores ainda não conseguem utilizar essa ferramenta por causa do elevado custo dos sistemas comerciais. ?O que apresentamos é um conjunto de métodos, procedimentos e componentes que possibilitam que o produtor tenha uma atividade produtiva ininterrupta. É um conceito diferenciado de irrigação onde os critérios técnicos foram ajustados às exigências econômicas, contribuindo para a adoção dessas tecnologias em condições de recursos financeiros limitados. O investimento é da ordem de 300 reais por hectare?

Fonte: Agência Unesp de Notícias

terça-feira, 25 de junho de 2013

Embrapa desenvolve técnica para produção de tomate ecológico

Embrapa desenvolve técnica para produção de tomate ecológico
03 de Junho de 2013 • Atualizado às 09h16




Uma pesquisa recente da Embrapa Solos está ganhando evidência este ano, quando se comemoram os 40 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Trata-se do tomate ecológico.
Os pesquisadores desenvolveram um modo de plantar o tomate, envolvendo diversas técnicas que diminuem o impacto do uso de pesticidas. “E nós controlamos a quantidade do fruto, por análise de laboratório, com apoio da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), com relação ao teor desses pesticidas no tomate”, disse à Agência Brasil o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Solos, Daniel Perez.
Essa técnica já vem sendo divulgada e transferida aos produtores do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, de Minas Gerais, São Paulo, Goiás. “Porque é um diferencial tecnológico que dá um preço melhor para o produtor do tomate. Você tem um tomate com uma característica de segurança alimentar muito maior”.
A Embrapa Solos está em processo de certificação da qualidade desse material a fim de que o produtor que trabalhe com a técnica possa ter um diferencial de mercado.
Outro trabalho de destaque da unidade da Embrapa Solos baseada no Rio de Janeiro está relacionada a serviços ambientais. Um grupo da empresa está trabalhando nos municípios de Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim e Bom Jardim, localizados respectivamente na região metropolitana, na região das baixadas e no centro do estado, buscando indicadores que permitam valorar a terra no sentido da conservação da água e do solo.
“Isso visa a dar suporte às prefeituras, principalmente na identificação daqueles produtores que protegem o meio ambiente, como uma forma também de incentivá-los a continuar fazendo isso”, comentou Perez.
Ele salientou que embora esteja baseada no Rio de Janeiro, a Embrapa Solos desenvolve pesquisas que são voltadas para todo o país. Um dos projetos que tem impacto nacional elevado está ligado à questão dos insumos alternativos. O pesquisador destacou que a partir de 2007, ocorreu uma crise na área de fertilizantes no Brasil, devido ao alto custo que apresentam. Boa parte dos fertilizantes usados no território é importada. “Nós não temos capacidade de produção. Um exemplo clássico é o potássio. O Brasil importa praticamente 95% do potássio que consome. E as fontes naturais estão acabando”.
Por isso, a empresa está buscando alternativas que sejam fontes desses nutrientes, mas que permitam também mudar a forma como o fertilizante libera esse nutriente para a planta, que hoje ocorre de maneira imediata, como a maioria dos fertilizantes convencionais. Daniel Perez explicou que a Embrapa Solos trabalha em pesquisas que envolvem, inclusive, nanotecnologia, para que o fertilizante tenha capacidade de liberar os nutrientes ao longo do tempo. Isso beneficia o meio ambiente e melhora também a eficiência do próprio elemento para a nutrição da planta.

domingo, 16 de junho de 2013

Alimentos orgânicos...somente na xêpa!

05/06/2013 - 03h04

Vendas de orgânicos crescem, mas preço alto ainda é barreira para o consumidor

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/06/1289625-vendas-de-organicos-crescem-mas-preco-alto-ainda-e-barreira-para-o-consumidor.shtml

CLAUDIA ROLLI
TONI SCIARETTA
DE SÃO PAULO

A venda de alimentos orgânicos no Brasil cresce em ritmo três vezes mais acelerado que a de todo o resto de itens oferecidos em supermercados. Natural.
Primeiro, por ser esse um nicho minúsculo aqui, com alto potencial de expansão e contínua oferta de novidades.

Segundo, porque desde sua regulamentação, em 2011, vem atraindo mais investimentos. E em terceiro lugar --mas não em último-- porque o apelo "saudável" já fisga sete em dez brasileiros, segundo pesquisa de hábitos de compra feito pela Nielsen.
O que não é natural é um consumidor pagar 45% mais pelo quilo de banana sem agrotóxico e três vezes mais por um suco, em comparação com não orgânicos.
A cada R$ 100 gastos ao mês por famílias com frutas, verduras, legumes e ovos, só R$ 4 foram com orgânicos em 2012, segundo pesquisa da Kantar Worldpanel. Em compensação, esse luxo já chegou a 10 milhões dos 47 milhões de lares pesquisados.


NAS PRATELEIRAS
De olho nessa gente, os supermercados ampliam a variedade de produtos orgânicos nas prateleiras e dizem conseguir, nas compras em larga escala, reduzir os preços de alguns itens.
As redes fecham contratos de longo prazo com fornecedores regionais e entram com a logística, diluindo o custo do transporte dos produtos.
No Pão de Açúcar, o preço de folhas orgânicas já é igual ao das tradicionais. "Em alguns casos, são até mais baratas", diz Sandra Sabóia, gerente da área no grupo.

Dez anos atrás, no Walmart, os itens orgânicos custavam até três vez mais do que os similares convencionais. Hoje, a diferença média é de 50%, segundo a rede.
Já um produtor de hortaliças de São Paulo diz que os preços não cedem em razão da lógica dos supermercados: "Varejistas vendem orgânico como produto da moda. Como tem quem pague, continuam praticando preço alto".
Ming Liu, coordenador do Projeto Organics Brazil, que reúne produtores, afirma que a venda cresce mais entre os alimentos "in natura". Mas o consumidor já começa a colocar em seu carrinho açúcar, café, sucos e geleias.
"Com o aumento da oferta e de pontos de venda, observamos uma leve redução das margens que o varejo transfere ao preço final. Mas não há indicação de que haverá quedas de preços significativas, já que a demanda é maior do que a oferta", afirma Liu.
Com ele concorda Marcio Stanziani, secretário da AAO (Associação de Agricultura Orgânica). Para diminuir o descompasso entre produção e procura, seria necessário suporte oficial ao setor, com financiamento específico e assistência técnica, diz Stanziani: "O preço só cairá se o governo der ao produtor de orgânico o mesmo apoio que dá ao convencional".

QUEM COMPRA MAIS
Consumidores de orgânicos do Brasil são homens e mulheres com renda alta, informados e mais preocupados com qualidade do que com marcas. A maioria das mulheres tem de 25 a 55 anos, marido e filhos. Entre os homens, a maior parte tem mais de 40 anos.
"De todos os gastos feitos por famílias das classes A e B, 30% são com orgânicos", diz Manuela Bastian, diretora da Kantar.
O varejo nota o flerte da nova classe média com esse mundo. "O consumidor compra o suco em pó, depois migra para o concentrado. Em seguida parte para o de caixinha e o de soja. O orgânico é o passo seguinte", diz Rodrigo Mariano, gerente de economia da Associação Paulista dos Supermercados.
Além de alguns preços mais baixos que os do grande varejo, feiras de orgânicos e empresas que entregam cestas oferecem informação ao consumidor. "Nosso público quer saber de onde veio a fruta, a história do produtor", diz Daniel Pascalichio, sócio do Apanã, único supermercado orgânico de São Paulo.
Já Carmen Mentone, da empresa de delivery Via Orgânica, diz perceber dois tipos principais de novos consumidores das suas cestas. "É a família que começa a fazer a papinha do bebê e a pessoa que enfrenta uma doença grave e passa a se preocupar mais com a alimentação."

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Passageiro clandestino...


23/05/2013 - 19h24

Novas pragas de países vizinhos ameaçam lavouras brasileiras


DA REUTERS

Pesquisadores brasileiros estão empenhados em detectar as pragas potenciais que podem atacar lavouras brasileiras nas próximas safras após um recente prejuízo bilionário provocado por um ataque inédito de um tipo de lagarta na última temporada.
A abertura de novas rotas rodoviárias para países vizinhos da América do Sul e o maior fluxo de turistas no Brasil em eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos podem elevar as chances de entradas de pragas exóticas, dizem especialistas.
"Estamos totalmente desorganizados contra as ameaças para o agronegócio e para a agricultura familiar. Nós somos muito vulneráveis. A partir do momento que entra uma praga, é um desarranjo total", disse o presidente da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), Evaldo Vilela, no intervalo de um evento em São Paulo.
O pesquisador lembrou que, na mais recente safra de verão, lavouras de soja e algodão do oeste da Bahia sofreram com um inesperado ataque da lagarta helicoverpa, causando prejuízos estimados em R$ 2 bilhões, segundo estimativa do Ministério da Agricultura.
A helicoverpa é uma lagarta que historicamente atacava lavouras de milho, mas recentemente passou a ser encontrada em outras culturas.
Em março e abril, já no fim da safra, as autoridades federais autorizaram emergencialmente a comercialização de tipos adicionais de agrotóxicos para combater a praga.
Um estudo ainda inédito a que a Reuters teve acesso mostra que há 44 espécies de insetos e ácaros quarentenários ausentes no Brasil, mas presentes em pelo menos um país da América do Sul ou em Trinidade e Tobago.
O levantamento dos cientistas aponta que o recente aumento de trânsito de pessoas entre o Brasil e países vizinhos, inclusive devido a obras do governo federal para abrir melhores acessos rodoviários a países como o Peru, torna Estados como Acre e Roraima como os mais vulneráveis a novas pragas.
Das espécies que ocorrem atualmente apenas em países vizinhos, sete podem afetar a cadeia de citrus, cinco a cadeia da soja e do milho, três espécies podem atacar o algodão, uma espécie a cana e uma espécie o café.
"Mais trânsito de pessoas, mais entrada de pragas", disse a cientista Regina Suhayama, da consultoria Agropec, responsável pelo mapeamento.
Os pesquisadores afirmam que não há estudos sobre o impacto econômico causado pelas atuais infestações e nem sobre o prejuízo potencial do ataque de pragas ainda inexistentes no Brasil.
"Nem isso nós temos", afirmou Vilela, da SBDA.
Por outro lado, os especialistas são enfáticos em salientar que um controle antecipado é muito mais barato para o governo e para o setor privado do que combater quando o problema está instalado.
"Cada real investido na prevenção e no monitoramento se multiplica na casa das centenas", ressaltou a pesquisadora da Esalq/USP Silvia de Miranda, especializada em avaliar potenciais repercussões financeiras do ataque de pragas.
Os especialistas estiveram reunidos em um seminário técnico nesta quinta-feira, em São Paulo.

INDÚSTRIA
As indústrias de defensivos se preparam para um ano de maior demanda e também valores mais elevados em 2013, mas afirmam que este aumento é motivado principalmente por questões de mercado, com produtores se preparando para plantar mais uma grande safra de grãos, em meio a preços elevados no mercado internacional.
"O produtor capitalizado está fazendo um hedge (proteção) comprando defensivos, fertilizantes e sementes antecipadamente. Há uma predisposição ainda em 2013 para tentar obter uma produtividade maior", disse o diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher.
O crescimento de vendas no setor de defensivos agrícolas deve ser de 7 a 8 por cento este ano, projetou Daher.
A demanda adicional em função de eventuais novas pragas não pode ser dimensionada, ressaltou o executivo.
Ao longo do desenvolvimento das lavouras em 2012/13 houve reclamação de produtores de falta de defensivos para combater ataques inesperados de pragas. Daher acredita que tenham sido "casos isolados" e garante que a indústria "está preparada" para ofertar maiores volumes.
A Bayer, importante indústria de agroquímicos do país, é um exemplo de empresa que se preparando para uma demanda crescente este ano, com ênfase no segundo semestre, ao otimizar a produção de sua unidade no Rio de Janeiro.
"Nós temos capacidade ociosa no comércio do ano e falta capacidade na segunda metade. Estamos tentando administrar isso da melhor forma possível", disse o presidente da empresa no Brasil, Theo van der Loo, em uma conversa com jornalistas na quarta-feira.

PREOCUPAÇÃO COM APROVAÇÕES
Além da capacidade industrial, as fabricantes do setor de defensivos se preocupam com a lentidão na aprovação de novos produtos pelas autoridades brasileiras para fazer frente a novas pragas.
"Você acha que a lagarta helicoverpa sabe qual é o calendário de reuniões do Ministério da Agricultura? O Brasil criou um marco regulatório federal e está hoje enroscado nele. A lagarta ganha da burocracia", disse Eduardo Daher.
"O que acontece hoje é que passa pelo Ministério da Agricultura, Ibama e Anvisa. Atualmente a Anvisa demora mais de 4 anos para analisar um processo, no caso dos agroquímicos", ressaltou van der Loo, da Bayer.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo


20/05/2013 - 02h00

Agricultura moderna e urbanização levam à perda da biodiversidade do solo


JIM ROBBINS
DO "NEW YORK TIMES"


The New York Times
Poucas coisas são mais vitais do que a saúde da terra. Nosso abastecimento alimentar começa lá. As plantas selvagens precisam de solo saudável para crescer bem. Os herbívoros, para que possam comer as folhas, sementes e frutos das plantas. Por fim, os predadores, para que possam comer os bichos que comem as plantas.

Um solo saudável evita doenças humanas e também contém a cura para outras enfermidades. A maioria dos antibióticos vem de lá. Os cientistas agora procuram na terra uma nova classe de remédios para enfrentar doenças resistentes a antibióticos.
Jon Hrusa/Epa
Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África
Lavoura em Moçambique; más práticas agrícolas arruinaram cerca de metade do solo superficial na África
O solo supostamente desempenha um papel importante, mas pouco compreendido, na difusão do cólera, da meningite fúngica e de outros agentes infecciosos que passam parte do seu ciclo de vida na terra.
Novas tecnologias garantiram saltos na nossa compreensão sobre a ecologia dos solos, ao permitir que os cientistas estudem os genes de micróbios da terra e acompanhem minúsculas quantidades de carbono e nitrogênio em sua passagem por esse ecossistema.
Mas, à medida que os cientistas aprendem mais, eles percebem como sabem pouco.
Na última década, os cientistas descobriram que o "oceano de terra" do planeta é um dos quatro maiores reservatórios de biodiversidade. Ele contém quase um terço de todos os organismos vivos, segundo o Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia, mas apenas cerca de 1% dos seus micro-organismos já foi identificado. As relações entre essa miríade de espécies ainda é mal compreendida.
Cientistas criaram recentemente a Iniciativa Global de Biodiversidade do Solo para avaliar o que se sabe sobre a vida subterrânea, para identificar onde ela está em perigo e para determinar a saúde dos serviços ecossistêmicos essenciais que o solo fornece.
Uma colherada de terra pode conter bilhões de micróbios (divididos entre 5.000 tipos diferentes), assim como milhares de espécies de fungos e protozoários, além de nematódeos, ácaros e algumas espécies de cupim.
"Há uma pululante organização embaixo do chão, uma fábrica com terra, animais e micróbios, cada um com seu próprio papel", disse a bióloga Diana Wall, da Universidade Estadual do Colorado, a presidente científica da iniciativa.
O ecossistema do solo é altamente evoluído e sofisticado. Ele processa o lixo orgânico, transformando-o em terra. Filtra e limpa grande parte da água que bebemos e do ar que respiramos, ao reter poeiras e agentes patogênicos. Desempenha importante papel na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, pois, com toda a sua matéria orgânica, é o segundo maior depósito de carbono do planeta, só atrás dos oceanos.
O uso de arados, a erosão e outros fatores liberam carbono na forma de CO2, exacerbando a mudança climática.
Um estudo de 2003 na revista "Ecosystems" estimou que a biodiversidade de quase 5% do solo dos EUA estava "sob risco de perda substancial ou completa extinção devido à agricultura e à urbanização". Essa foi provavelmente uma estimativa conservadora, já que o solo do planeta era na época mais inexplorado do que hoje e as técnicas do estudo eram bem menos desenvolvidas.
Há numerosas ameaças à vida no solo. A agricultura moderna é uma das maiores, pois priva a terra da matéria orgânica que a alimenta, resseca o chão e o contamina com pesticidas, herbicidas e nitrogênio sintético.
A impermeabilização em áreas urbanas também destrói a vida da terra, assim como a poluição e as máquinas pesadas. Uma ameaça já antiga, como a chuva ácida, continua afetando a vida subterrânea, pois deixa o solo mais ácido.
O problema é global. Em quase metade da África, por exemplo, o uso intensivo para lavouras e pastagens destruiu a camada superior do solo e causou desertificação.
O aquecimento global irá contribuir para as ameaças à biodiversidade do solo. A segurança alimentar é uma grande preocupação. O que irá acontecer com as lavouras à medida que o planeta se aquecer? Ligeiras alterações de temperatura e umidade podem ter impactos profundos, mudando a composição da vida no solo e os tipos de plantas que poderão crescer.
Algumas plantas devem gradualmente migrar para climas mais frios, mas outras podem não ser capazes de se adaptar em novos solos. "O mundo acima do chão e o mundo abaixo dele estão muito estreitamente ligados", disse Wall.
Os cientistas também estão descobrindo que um ecossistema saudável no solo pode ajudar a sustentar as plantas naturalmente, sem insumos químicos. "Quanto maior é a diversidade do solo, menos doenças surgem nas plantas", disse Eric Nelson, que estuda a ecologia do solo e das doenças na Universidade Cornell, no Estado de Nova York. Os insetos também são refreados por plantas que crescem em terra saudável, segundo ele.
O que agricultores e jardineiros podem fazer para proteger seus solos? Wall sugere não lavrar a terra, deixando que a vegetação morta se decomponha, em vez de revolver o solo com o arado a cada ano. Evitar produtos químicos sintéticos é importante. Agregar adubo, especialmente adubo de minhoca, pode contribuir para fortalecer os ecossistemas da terra.
O tema está começando a atrair a atenção merecida. Wall acaba de receber o Prêmio Tyler de Realização Ambiental, com uma dotação de US$ 200 mil, que ela diz pretender usar em pesquisas. "É a hora do show para a biodiversidade do solo", disse ela.