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segunda-feira, 23 de março de 2015

Sem fiação elétrica para atrapalhar as árvores...mas...

Prefeitura de SP planta árvores no asfalto e levanta polêmica
http://ciclovivo.com.br/noticia/prefeitura-de-sp-planta-arvores-no-asfalto-e-levanta-polemica
12 de Março de 2015 • Atualizado às 10h45


Nesta semana, a prefeitura de São Paulo iniciou testes para buscar novas alternativas que ampliem o plantio de árvores na capital. Um projeto piloto, batizado de “Árvore no Asfalto”, em Cidade Patriarca, bairro localizado na zona leste, já plantou 70 mudas no asfalto, entre as duas mãos de circulação de veículos e em ilhas, no cruzamento das vias.
“Nós estamos desenvolvendo novas metodologias de plantio, levando em consideração as características da cidade: as calçadas são estreitas, então a árvore ocupa um espaço precioso na calçada, necessário para o cadeirante ou para a pessoa com deficiência, e a fiação, com o que as árvores convivem mal”, afirmou Haddad. Segundo o prefeito, os testes são supervisionados por agrônomos e engenheiros da CET.
Novas alternativas serão testadas ainda neste primeiro semestre de 2015. O objetivo é ampliar a quantidade de verde na cidade, que conta com menos de um milhão árvores em vias públicas. As árvores no ambiente urbano oferecem mais qualidade de vida à população, pois reduzem as ilhas de calor, atenuam a poluição atmosférica e sonora e oferecem mais conforto para os pedestres.

Foto: Fabio Arantes/SECOM
De acordo com levantamentos realizados pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a região leste é a que apresenta maior déficit de árvores por habitante.
“A árvore na cidade tem adversidades: tem o solo, a qualidade do ar, a fiação. Ao longo da história o planejamento urbano não contemplou o pedestre, então tem muitos lugares onde ou tem espaço para o pedestre ou para a árvore. Então o plantio no asfalto é uma alternativa para deixar a cidade mais verde. Na Europa e no Canadá há projetos de plantio muito semelhantes”, explicou o secretário Wanderley Meira do Nascimento (Verde e Meio Ambiente).

Foto: Fabio Arantes/SECOM
Nesta primeira etapa do projeto, sete espécies de árvores foram escolhidas, entre eles ipê, caroba, carobinha e cássia. As espécies plantadas são de médio e grande porte, com raiz pivotante, que não se espalha lateralmente. A medida visa justamente evitar a deformação do pavimento no futuro. No plantio, são também utilizados anéis de concreto que direcionam as raízes para camadas mais profundas do solo.
Outros cuidados foram de verificar se no local de plantio existem redes subterrâneas de concessionárias, como água, esgoto ou gás, ou fiação elétrica. Em seis meses, os ipês plantados começarão a ter flores.

Foto: Fabio Arantes/SECOM
Critérios técnicos
O projeto piloto estabelece que as árvores podem ser plantadas em vias pavimentadas que apresentam um volume diário médio de tráfego abaixo de 2.500 veículos, leito carroçável com 12 metros ou mais de largura, e que não sejam corredores de carga ou de ônibus.
O plantio sobre o asfalto possui baixo custo de implantação e uma única equipe consegue plantar cerca de 30 árvores por dia. Para delimitar a faixa de plantio, a CET implementou sinalização horizontal, com duas faixas contínuas e zebradas. Além disso, o plantio é interrompido com pelo menos sete metros de distância das esquinas transversais, de modo a garantir a visibilidade de motoristas e pedestres.

Foto: Fabio Arantes/SECOM
Iniciativa divide opiniões
Apesar da boa intenção, as árvores não estão sendo bem vistas por todos os olhos. O projeto acendeu um debate nas redes sociais aos favoráveis e contrários à decisão.
“É um protótipo para corrigir imperfeições, erros, estudos. No fundo, percebemos que todos são favoráveis e querem mudanças simples. Prototipar é isso mesmo tem que testar, ouvir, estudar, pesquisar e aprimorar”, afirma o especialista em mobilidade urbana Lincoln Paiva. Ele que assessora os projetos de ocupação urbana da prefeitura de São Paulo está entusiasmado com a quantidade de pessoas debatendo - seja  contra ou a favor do projeto.
Já para a jornalista e agricultora urbana Claudia Visoni, é importante dar mais espaço para planta se desenvolver. “Sou a favor e acho importantíssimo trazer mais verde e sombra para as ruas. É preciso, no entanto, aumentar a caixa para não sufocar as árvores (tornar maior o buraco no cimento, o manual de arborização da prefeitura tem as medidas necessárias). Acho que seria legal colocar árvores também próximas à calçada, no local de estacionamento de carros. Perde-se uma vaga (ou menos), mas ganha-se sombra”, defende.
Outra questão que tem rendido bastante discussão é a ausência de canteiro central, que para uns pode causar acidentes ou, pelo contrário, obrigar os condutores a dirigirem com mais atenção, reduzindo a velocidade nas avenidas. Ainda em fase de testes, a prefeitura afirma que os resultados serão avaliados junto com a população para definir a possibilidade de expansão do projeto.

Foto: Fabio Arantes/SECOM

domingo, 8 de março de 2015

Estudo realizado em diversas florestas tropicais pelo mundo identificou que o excesso de CO2 na atmosfera não aumenta o crescimento das árvores, como era suposto

http://www.ecycle.com.br/component/content/article/38-no-mundo/3015-estudo-aponta-que-excesso-de-co2-nao-promove-maior-crescimento-das-arvores-como-se-pensava.html

Estudo realizado em diversas florestas tropicais pelo mundo identificou que o excesso de CO2 na atmosfera não aumenta o crescimento das árvores, como era suposto

A quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera cresceu muito nos últimos séculos. Nos últimos 150 anos houve um aumento de 35% de sua concentração na nossa atmosfera. Com isso, era esperado que as árvores que utilizam o CO2 como fonte de energia, removendo-o da atmosfera, tivessem um aumento em seu crescimento por terem maior quantidade disponível desse nutriente. Porém, o aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera não faz as árvores das florestas tropicais crescerem mais rápido, pelo menos é o que dizem pesquisadores em um recente estudo publicado na Nature Geoscience, em que foram analisadas quase 1,1 mil árvores em países como Bolívia, Tailândia e Camarões.
Os resultados contradizem estudos anteriores que investigaram árvores presentes em regiões de florestas tropicais. De acordo com o levantamento, o que pode acontecer é um aumento da densidade das florestas, ou seja, não ocorre um crescimento mais rápido nas árvores, e sim um aumento de seu número.
Para o pesquisador Peter van der Sleen da Wageningen University, o resultado foi bastante surpreendente. Após estudar 1109 árvores de 12 espécies e não encontrar evidências de um aumento de seu crescimento, gerou-se a questão: será que as florestas tropicais realmente retiram o dióxido de carbono da atmosfera?
No estudo foi identificado, com a ajuda de uma rede de torres com 50 metros de altura que mediam as concentrações de CO2 na atmosfera acima das árvores, que o dióxido de carbono era retirado do ar pelas florestas, gerando a dúvida de onde ele ia parar. Alguns estudos conhecidos como inventários de florestas podem ter as respostas para essa questão. Também foi identificado que, nas últimas décadas, a densidade de árvores aumentou, ou seja, surgiram mais árvores no mesmo local, aumentando o consumo de CO2 na floresta.
Ainda resta a dúvida de por que as árvores mais velhas não têm um aumento em suas taxas de crescimento. Novos experimentos estão previstos para serem realizados no Brasil e investigarão o que realmente ocorre no consumo de CO2 nas florestas.
Veja também:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Arborização urbana: ‘Mais importante do que plantar, é preservar o que existe’

Arborização urbana: ‘Mais importante do que plantar, é preservar o que existe’. Entrevista com Maria do Carmo Sanchotene

Publicado em fevereiro 13, 2015 por 
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“Não se pode primeiro fazer um plano de arborização e quando ele estiver pronto, implantá-lo. Não tem como trabalhar dessa maneira. O plano de arborização tem de ‘correr junto’ com os demais serviços urbanos”, diz a bióloga.
Foto: http://www.cpt.com.br/

“Costumo dizer que não basta plantar; é preciso equilibrar o meio ambiente”, enfatiza Maria do Carmo Sanchotene ao comentar a relevância dos planos de arborização para garantir asustentabilidade urbana. A discussão acerca de como tem sido feita a arborização das cidades voltou à tona nos últimos dias, após a queda de árvores por conta das enxurradas de verão. A bióloga explica que a queda das árvores está associada a um conjunto de fatores, “especialmente se elas não foram cuidadas desde o plantio e, inclusive, durante a vida adulta”. E acrescenta: “Não é uma tarefa simples plantar, preservar e manter a arborização nas cidades, porque as adversidades que elas enfrentam são muitas. As plantas nas cidades vivem um estresse que não vivem em zonas rurais. Mas de todo modo, precisamos preservar a biodiversidade e, para isso, estruturar a malha verde de uma maneira não muito ‘divorciada’ da sua estrutura nas áreas mais protegidas das cidades”, reitera.
Os planos de arborização são relativamente recentes nas cidades brasileiras, e o primeiro foi desenvolvido apenas em 2000, em Porto Alegre. “São poucas as capitais e cidades brasileiras que têm um plano bem estruturado. A elaboração desses planos é uma necessidade premente, porque eles reúnem todas as diretrizes e métodos que devem ser adotados para a preservação e expansão das árvores no meio urbano de acordo com as características físicas e geográficas do município que está sendo estudado”, pontua.
Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Maria do Carmo relaciona o serviço de arborização das cidades brasileiras com a relevância que as prefeituras municipais dão ao setor, e questiona: “Qual é o patamar político-administrativo do serviço de arborização dos municípios? Ele é só um setor, é um departamento, uma secretaria de meio ambiente? Isso varia muito dentro dos organogramas das prefeituras municipais e é necessário que a arborização ganhe mais destaque nos programas das prefeituras para que se evite problemas como esses. Mais do que nunca precisamos da vegetação urbana. Estamos enfrentando escassez de água em muitos municípios e, somente por essa razão, a vegetação urbana necessitaria de muita atenção, porque ela tem uma grande parcela de contribuição na preservação da água que consumimos”.
Maria do Carmo Sanchotene é bióloga, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, e mestre em Botânica Sistemática pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi diretora da Divisão de Proteção à Flora e Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em Porto Alegre, e gerente técnica da Supervisão de Parques, Praças e Jardins. Participou da comissão que elaborou os estatutos de fundação daSociedade Brasileira de Arborização Urbana – SBAU e da Associação Riograndense de Floricultura. Atualmente, é Diretora Técnica da Empresa Embaúba Arquitetura e Paisagismo Ltda. Representa a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana no Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia de Porto Alegre.
Confira a entrevista.
       Foto: http://www.pmcg.ms.gov.br/
IHU On-Line – A queda de árvores em função das chuvas, no mês passado, recolocou em discussão a questão da arborização urbana nas metrópoles brasileiras. Pode nos explicar como tem sido feito os planos de arborização urbana no Brasil e como tem se dado a sua manutenção?
Maria do Carmo Sanchotene – A questão dos planos de arborização é relativamente recente. Porto Alegre, por exemplo, fez seu plano de arborização de vias públicas no ano 2000. São poucas as capitais e cidades brasileiras que têm um plano bem estruturado. A elaboração desses planos é uma necessidade premente, porque eles reúnem todas as diretrizes e métodos que devem ser adotados para a preservação e expansão das árvores no meio urbano de acordo com as características físicas e geográficas do município que está sendo estudado. Nesses planos são elaborados desde as diretrizes de planejamento e implantação da arborização, até a parte de produção de mudas, conservação e gestão da arborização, além de projetos de conscientização ambiental ligados à educação ambiental e comunitária, que devem “correr junto” com os planos.
Queda de árvores
Com relação à queda das árvores, tem um conjunto de fatores que podem estar determinando isso. Temos tido muitos episódios de enxurradas, ventos, e esses efeitos favorecem a queda de árvores, especialmente se elas não foram cuidadas desde o plantio e, inclusive, durante a vida adulta. Costumo dizer que a conservação da arborização é tecnologia de ponta, porque infelizmente a conservação deixa muito a desejar. Em muitos casos, só se dá atenção às árvores por conta do serviço urbano, esquecendo que elas também são seres vivos. Ou seja, elas se modificam com o clima, adoecem, envelhecem. Por isso, precisamos monitorá-las com frequência e prestar o serviço que elas necessitam.
Serviço de arborização
Além disso, tem uma série de fatores que estão relacionados ao patamar do serviço de arborização dos municípios. Costumo perguntar: Qual é o patamar político-administrativo do serviço de arborização dos municípios? Ele é só um setor, é um departamento, uma secretaria de meio ambiente? Isso varia muito dentro dos organogramas das prefeituras municipais e é necessário que a arborização ganhe mais destaque nos programas das prefeituras para que se evite problemas como esses. Mais do que nunca precisamos da vegetação urbana. Estamos enfrentando escassez de águaem muitos municípios e, somente por essa razão, a vegetação urbana necessitaria de muita atenção, porque ela tem uma grande parcela de contribuição na preservação da água que consumimos.

“Costumo dizer que a conservação da arborização é tecnologia de ponta, porque infelizmente a conservação deixa muito a desejar”

IHU On-Line – Por que a elaboração desses planos é tão recente no país?
Maria do Carmo Sanchotene – Em 1985 a prefeitura de Porto Alegre organizou o primeiro Fórum Brasileiro sobre Arborização Urbana. Desde essa data começaram a surgir trabalhos sobre o tema, ou seja, o conhecimento sobre arborização começou a ser sistematizado somente a partir dessa data. Mas na verdade, foi mais intensamente sistematizado a partir de 1992, com a criação da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana.
IHU On-Line – De modo geral, as cidades brasileiras crescem e se expandem sem um planejamento urbano a longo prazo. Nesse contexto, como deve ser feita a arborização urbana?
Maria do Carmo Sanchotene – A questão do planejamento é fundamental; é preciso definir as áreas das cidades que estão mais carentes de arborização, definir as espécies adequadas e fazer um plantio correto, que é uma das maiores dificuldades. As pessoas pensam que o plantio é uma atividade simples, mas não é; a parte mais importante da arborização é o plantio, porque temos de plantar a espécie de árvore certa, no espaço adequado para que ela tenha condições de se desenvolver no espaço urbano. Ou seja, o plantio tem de ser muito bem feito para evitarmos problemas posteriores.
IHU On-Line – Como tem sido feita e como deve ser feita a manutenção, controle e ações preventivas em árvores mais antigas, visando evitar quedas e acidentes?
Maria do Carmo Sanchotene – Essa é uma questão complexa. A Sociedade Brasileira de Arborização Urbana tem procurado “interiorizar” a arborização urbana, ou seja, levar esse conhecimento para os municípios através de cursos, treinamento, palestras, seminários. Mas realmente é necessário preparar mais os municípios, lotando-os de estrutura, aumentando o orçamento nessa área, porque de modo geral o orçamento para manutenção de parques, praças e jardins é muito pequeno.
Sociedade Brasileira de Arborização Urbana está desenvolvendo um programa de certificação de prefeituras municipais, estabelecendo um mínimo de itens e estabelecendo notas para cada um deles, para poder caracterizar determinada prefeitura como preparada para preservar diferentes níveis de problemas que podem advir do manejo não adequado da arborização. Esse é um trabalho recente, que está sendo estruturado.
IHU On-Line – Hoje, especialmente em função das discussões sobre sustentabilidade, fala-se muito na necessidade de arborizar as cidades. Acerca deste aspecto, que tipo de árvores e plantas devem ser plantadas considerando a arborização urbana das cidades?
Maria do Carmo Sanchotene – Costumo dizer que não basta plantar; é preciso equilibrar o meio ambiente quando se faz esse tipo de plantio. Não é uma tarefa simples plantar, preservar e manter a arborização nas cidades, porque as adversidades que elas enfrentam são muitas. As plantas nas cidades vivem um estresse que não vivem em zonas rurais. Mas de todo modo, precisamos preservar a biodiversidade e, para isso, estruturar a malha verde de uma maneira não muito “divorciada” da sua estrutura nas áreas mais protegidas das cidades.
Desde 1985, em Porto Alegre, tem se discutido e investido na utilização de espécies nativas locais. Isso deveria ser uma tônica para os municípios, porque existe uma tendência, de muitos anos, de tentar utilizar espécies exóticas nas cidades, porque como se tinha espécies nativas em abundância nos municípios, passou-se a plantar espécies de fora. Isso acabou se tornando uma prática na maioria dos municípios. Então, a maioria das espécies utilizadas nos municípios brasileiros, mais de 50%, é exótica. Para mudar esse quadro, existe um trabalho muito grande que a prefeitura de Porto Alegre e a Sociedade encamparam no sentido de incentivar a produção e o cultivo de espécies nativas no uso do espaço público, porque se nós conseguirmos compor uma paisagem mais natural possível, melhor.
Arborização urbana não é para leigos
Temos de estudar bastante uma espécie antes de colocá-la na rua; ela tem de estar de acordo com a região da cidade que está sendo arborizada etc. Por isso costumo dizer que arborização urbana não é para leigos; é para técnicos. É preciso fazer um grande trabalho de estudo da vegetação local, temos de conhecer muito bem a mata próxima da cidade para saber o que deve ser usado dentro do município e de que forma as espécies devem ser associadas. Além disso, tem de se levar em conta o padrão das mudas. Na cidade não se pode usar mudas muito frágeis; elas devem estar bem desenvolvidas, com boa estruturação de caules, copas, ramos e isso exige uma produção em viveiro bem detalhada e estudada.
Com relação às espécies, cada região tem suas características e cada parte da cidade demanda as espécies que precisa, considerando também a largura dos passeios públicos, a estrutura da rede elétrica, a largura da pista de rolamento e uma série de obstáculos e serviços urbanos.

“As pessoas pensam que o plantio é uma atividade simples, mas não é; a parte mais importante da arborização é o plantio, porque temos de plantar a espécie de árvore certa, no espaço adequado para que ela tenha condições de se desenvolver no espaço urbano”


 IHU On-Line – Que outros serviços urbanos devem ser implantados nas cidades juntamente com o plano de arborização urbana?
Maria do Carmo Sanchotene – Não se pode primeiro fazer um plano de arborização e quando ele estiver pronto, implantá-lo. Não tem como trabalhar dessa maneira. O plano de arborização tem de “correr junto” com os demais serviços urbanos, como abastecimento d’água, saneamento, distribuição de redes de energia elétrica nas cidades etc. Do contrário, de nada adianta ter um plano de arborização. Tem de ficar claro que esse é um tipo de  serviço que vai se alterando. Essa é a diferença desse serviço para os demais serviços urbanos. Então, o plano diretor de um município, desde o início, tem de acontecer de forma coordenada com os serviços urbanos; do contrário ele é só um papel.
IHU On-Line – E isso tem sido feito em Porto Alegre? Como está sendo desenvolvido o Plano de Arborização Urbana da cidade?
Maria do Carmo Sanchotene – Trabalhei no plano diretor de Porto Alegre até 2003, mas a cidade é uma referência em arborização urbana no Brasil e a Secretaria do Meio Ambiente sempre leva trabalhos importantes para o avanço do tratamento da arborização no país.
O fundamental para que ações de arborização deem certo é que haja integração entre os diferentes órgãos das prefeituras municipais, as prefeituras e os estados, as prefeituras, os estados e a União e ainda uma parceria com a inciativa privada e as universidades. Esse conjunto pode funcionar.
Não são muitas as universidades que se dedicam à pesquisa em arborização urbana. Então, essa questão tem ficado a cargo das prefeituras – que não são órgãos de pesquisa, mas órgãos executores -, e das concessionarias de energia, que por conta da necessidade, precisam se associar com órgãos estaduais ou federais para desenvolver trabalhos nesse sentido. Então, precisamos muito da participação da universidade para desenvolver trabalhos científicos que são necessários. Temos diversas sugestões de trabalhos que estão sendo desenvolvidos. Algumas universidades já contribuíram bastante, mas outras ainda não contemplam a urbanização nos seus currículos e, na pesquisa, menos ainda.
IHU On-Line – A participação das universidades nesse sentido traria uma contribuição prática para discussão da sustentabilidade?
Maria do Carmo Sanchotene – Exatamente. O que é ser sustentável de fato? Precisamos dessa união de forças para ter um resultado satisfatório. Além disso, é preciso estar sempre se replanejando, porque a estrutura se altera muito rapidamente e a expansão urbana cresce numa velocidade que os serviços de administração não conseguem acompanhar. Por isso a união de forças é melhor, porque aí os resultados serão melhores.

“Arborização urbana não é para leigos; é para técnicos”

IHU On-Line – Depois da queda de um eucalipto no Parque da Redenção em Porto Alegre (onde houve a morte de uma pessoa), a prefeitura iniciou um processo de avaliação e exames das árvores da cidade. Tem acompanhado esse processo?
Maria do Carmo Sanchotene – A prefeitura fez um treinamento com os funcionários para a identificação desses riscos, porque as árvores, às vezes, estão aparentemente saudáveis e, quando se percebe, elas tinham algum problema que não se conseguiu detectar. Os eucaliptos são mais suscetíveis a quedas, então é preciso redobrar o cuidado com eles.
Sei que a prefeitura está desenvolvendo uma série de treinamento com os funcionários, inclusive contratou o Instituto de Pesquisa Tecnológicas de São Paulo para fazer esse treinamento em Porto Alegre. A Sociedade Brasileira de Arborização Urbana estará promovendo, em Porto Alegre, nos dias 23, 24 e 25 de março deste ano, um fórum internacional sobre árvores de risco. Participarão autoridades de diversos países, trazendo muitas contribuições.
IHU On-Line – Além de Porto Alegre, que outras cidades são referência de arborização no país?
Maria do Carmo Sanchotene – Curitiba faz um trabalho interessante e sei que Goiânia também desenvolveu seu plano de arborização. Outras cidades como Belém concluiu seu plano recentemente, e São Paulo e Rio de Janeiro estão trabalhando nisso. Mas as cidades que têm mais tempo de plano em andamento são Porto Alegre e Curitiba. À medida que os planos avançam, vamos identificando problemas e reelaborando os rumos; isso é trabalhar com arborização urbana, com elemento vivo.
IHU On-Line – Como os órgãos responsáveis pela arborização das cidades devem lidar em casos polêmicos, por exemplo, quando um novo empreendimento exige o corte de uma árvore antiga ou o corte de várias árvores numa determinada área, como já aconteceu em Porto Alegre? Transplantar algumas árvores em outros locais ou até mesmo plantar uma quantidade maior de árvores em outras áreas da cidade como forma de compensação pode ser uma solução?
Maria do Carmo Sanchotene – Mais importante do que plantar, é preservar o que existe. Sabemos que as obras são importantes e necessárias, mas sempre deve haver um debate com a comunidade sobre a necessidade das obras, e avaliar tecnicamente o impacto dessas obras sobre a vegetação existente na cidade. Uma vez que se avalia a repercussão da obra, umas árvores são removidas, outras serão transplantadas, outras sofrerão algum tipo de manejo, como poda, mas obviamente que as árvores removidas precisarão ser compensadas de maneira eficaz.
Bancos de projetos
Particularmente acho de pouco valor quando dizem que vão plantar duas mil, três mil árvores em substituição das que foram removidas; temos de plantar árvores adequadas, temos de ter um banco de projetos nas cidades para poder resolver essas questões, porque se forem removidas árvores em determinadas regiões, é claro que se for possível compensar naquela região, melhor, mas às vezes não há condições. Por isso é preciso que as prefeituras tenham bancos de projetos à disposição para quando for necessário fazer uma remoção por conta de uma obra e para que as compensações sejam de fato efetivas, porque do contrário elas são apenas um número.

“O plano diretor de um município, desde o início, tem de acontecer de forma coordenada com os serviços urbanos; do contrário ele é só um papel”

As intervenções nas quais árvores de bastante porte são removidas, vão demandar paisagismos de impacto, e o que noto é que não existe preparo na maioria das cidades para fazer esse paisagismo de impacto, que são mudas de porte avantajado e de espécies adequadas para ocupar esses lugares. Essa é outra questão que deve ser pensada. Quando for se idealizar uma nova obra, junto deve ser pensado um grande projeto paisagístico para compensar ou para minimizar as perdas. Para isso é preciso viveiros públicos e particulares bem estruturados para suprir as necessidades que vão surgindo.
IHU On-Line – Existem trabalhos de conscientização para que a população das grandes cidades não enxergue as árvores como incômodo ou entrave para o progresso?
Maria do Carmo Sanchotene – Vários municípios desenvolvem trabalhos de conscientização ambiental e comunitária. No caso desses grandes empreendimentos, eles têm de ser restringidos a audiências públicas, mas isso deve variar com as características de cada município. Um exemplo que cito são as obras no Norte do país, em Belém do Pará, onde as Mangueiras são famosas. Às vezes, quando elas são removidas, existe um grande interesse da comunidade na proteção dessas árvores. Então, cada local tem um nível de conscientização com a vegetação. No caso de Belém, por exemplo, as Mangueiras estão em locais inadequados e causam uma série de transtornos, mas a população acha importante a presença das árvores e se empenha em preservá-las. Arborização é um patrimônio cultural e ambiental da cidade e cada município enxerga a vegetação de uma maneira.
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Maria do Carmo Sanchotene – Gostaria de deixar uma mensagem para as administrações municipais, para que seus planos de arborização sejam feitos e que exista mais preocupação com o treinamento das equipes, porque vemos muitas intervenções inadequadas, por exemplo, de árvores que estavam em perfeitas condições e acabaram perdendo as condições de enfrentamento das adversidades urbanas e isso acaba resultando na morte dos vegetais. Portanto, equipes bem treinadas são fundamentais para a intervenção na vegetação urbana estabelecida, porque do contrário o prejuízo será muito grande.
(Por Patricia Fachin)
(EcoDebate, 13/02/2015) publicado pela IHU On-line, parceira editorial do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Em artigo, geólogo fala das causas da queda de árvores e enchentes em São Paulo

Em artigo, geólogo fala das causas da queda de árvores e enchentes em São Paulo

Veja, na íntegra, texto de Álvaro Rodrigues dos Santos

9/Janeiro/2015
Divulgação: Prefeitura de São Paulo
São Paulo, suas árvores e suas enchentes
Todo santo final/início de ano repete-se a lúgubre novela: enchentes e quedas de árvores trazendo incômodos e tragédias para a população da metrópole paulistana. Dois fenômenos pelos quais o homem, por seus erros, é o principal responsável. Com especial destaque para o direto envolvimento das administrações municipais da metrópole.
No caso das árvores, por proceder ou permitir o plantio de espécies arbóreas inteiramente inadequadas, por suas características, para os locais em que são plantadas. Em cidades como as nossas, de fiação aérea, tubulações enterradas sob a calçada e sarjetas e intenso trânsito de veículos e pedestres, nunca se poderia adotar árvores de grande porte e fraca resistência a ventos e ao ataque de fungos e insetos. Nossas conhecidas leguminosas, como a Tipuana (Tipuana tipu) e a Sibipiruna (Caesalpinia pluviosa), dominantes na cena arbórea paulistana, cuja descontinuidade de uso e progressiva substituição já eliminariam algo talvez como 80% dos problemas, são o exemplo clássico e crítico dessa incompatibilidade. Essas espécies foram generosamente espalhadas por nossas calçadas e parques, talvez por suas características de fácil reprodução, rápido crescimento e segura pega. Não se prestam às ruas das cidades, madeira fraca, baixíssima resistência a pragas e doenças, a Tipuana em especial, enraizamento pouco profundo e destrutivo, elevado porte, extremamente vulneráveis a ventos mais intensos, comuns promotoras de vítimas, muitas fatais, na quebra de seus galhos ou em seu tombamento total.
De sua parte, e aí as questões se cruzam, as enchentes urbanas têm sua principal causa na progressiva incapacidade das cidades reterem parte razoável de suas águas de chuva, lançando-as, por sua impermeabilização, em brutais e crescentes volumes, e em tempos a cada dia mais reduzidos, sobre um sistema de drenagem que não mais consegue lhes dar vazão. Pois bem, ao contrário da cidade impermeabilizada que descarta mais de 85% das águas de chuva, as áreas vegetadas, e entre elas, especialmente as áreas florestadas, têm um resultado hidrológico virtuosamente inverso, retêm mais de 80% de chuvas intensas, descartando sobre a cidade apenas perto de 20% das chuvas que recebem. Ou seja, para um eficaz combate às enchentes uma das medidas de maior efeito é a máxima arborização possível da cidade, em especial na modalidade bosques florestados.
Incrível, pois, que por consequência de erros sobre erros, cheguemos hoje a um paradoxo em que a população é levada a temer e a se antipatizar com as árvores urbanas. Como exclamaria um nosso afamado locutor esportivo, "pelo amor de meus filhinhos", plantemos muitas árvores, milhões e milhões de árvores em nossa metrópole, elas nos são absolutamente necessárias, apenas tomemos o inteligente cuidado de plantar as espécies arbóreas certas nos lugares que lhes são decididamente adequados.
Álvaro Rodrigues dos Santos é ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT, autor dos livros "Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática", "A Grande Barreira da Serra do Mar", "Cubatão", "Diálogos Geológicos", "Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções" e "Manual Básico para Elaboração e Uso da Carta Geotécnica", além de consultor de Geologia de Engenharia e Geotecnia.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Temporal na madrugada derruba cerca de 200 árvores em São Paulo

29/12/2014 07h48 - Atualizado em 29/12/2014 13h10

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/12/chuva-forte-na-madrugada-derruba-quase-100-arvores-em-sao-paulo.html

Quedas de árvores impediram a abertura do Parque Ibirapuera.
Ventos chegaram a 96 km/h no Aeroporto de Congonhas.

Do G1 São Paulo
A chuva e o forte vento que atingiram São Paulo no início da madrugada desta segunda-feira (29) derrubaram 198 árvores em vários pontos da cidade, segundo registros feitos pela Secretaria de Coordenação das Subprefeituras.
No início da manhã, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) divulgou uma lista com 122 pontos com árvores caídas. Às 12h10, o número estava em 170, sete apenas na Avenida República do Líbano, na Zona Sul.
Bem perto dali, o Parque Ibirapuera não abriu nesta segunda depois de árvores atingirem a lanchonete, a administração e trilhas ficarem interditadas. É a primeira vez  que o parque é fechado por esse motivo, informa a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. A pasta afirmou em nota que as árvores estão sendo removidas e que os estragos estão sendo contabilizados.
O temporal que atingiu toda a cidade começou por volta de 0h20 e durou cerca de 10 minutos. As rajadas de vento atingiram 96 km/h no Aeroporto de Congonhas, local de medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE).
Os bairros mais atingidos pela chuva foram Vila Mariana, Ipiranga, Campo Belo e Jabaquara.
Além de derrubar dezenas de árvores, as chuvas também provocaram sete pontos de alagamento durante a madrugada e causaram a interrupção da energia em vários lugares. A CET registrou até o final da madrugada 51 semáforos inoperantes na capital: 34 em manutenção e 17 por falta de energia elétrica.
No Corredor Norte-Sul, os motoristas enfrentaram congestionamento em plena madrugada depois que três árvores de grande porte caíram na pista. No começo da manhã, não havia mais nenhum ponto de alagamento e os semáforos tinham voltado a funcionar, de acordo com a CET.
Segundo o CGE, a chuva que atingiu a cidade não foi muito intensa. Os estragos foram provocados pelo vento. “Choveu pouco ontem, foi 4,3 milímetros a média na cidade. Na verdade não foi esse o diferencial da chuva. O problema foi o vento, que foi muito forte e derrubou as árvores”, disse o meteorologista Adilson Nazário.
Previsão para esta segunda
O CGE prevê chuva forte e rajadas fortes de vento ainda nesta segunda-feira (29) em São Paulo. “Temos previsão pra chuva típica de verão pra esta segunda, entre a tarde e a noite. Chuva forte mesmo, pode ter queda rajadas de vento de novo, queda de granizo. Não dá pra saber por onde vai começar ainda. A gente espera a formação de nuvem pra ver o direcionamento dela”, afirma o meteorologista Adilson Nazário.

Falta de Luz
A Eletropaulo afirmou que mais de três mil raios atingiram a área de concessão da empresa na hora da tempestade, principalmente nas zonas Sul e Norte da capital paulista e nas cidades do ABC.

Desde a madrugada, dois mil eletricistas estão nas ruas trabalhando para o restabelecimento do fornecimento da energia, mas companhia não deu um horário para que a luz volte em todas as casas. Consultada pelo G1, ela não informou quantos clientes foram afetados até por volta de 12h30.
Mulher passa sob árvore caída na Avenida República do Líbano, Zona Sul de São Paulo, após forte chuva na noite de domingo (28). Nessa mesma via, que tangencia o Parque do Ibirapuera, foram contabilizadas ao menos sete árvores caídas (Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura Press/Estadão Conteúdo)Mulher passa sob árvore caída na Avenida República do Líbano, Zona Sul de São Paulo (Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Uma árvore de grande porte é vista caída nas esquinas da rua Eça de Queiroz e Cubatão, no bairro de Vl. Mariana, durante a manhã desta segunda feira, após a região ser atingida por uma forte ventania durante chuva na última noite (Foto: Nelson Antoine/ Estadão Conteúdo)Uma árvore caída na esquina das ruas Eça de Queiroz e Cubatão, na Vila Mariana (Foto: Nelson Antoine/ Estadão Conteúdo)
Árvore caída nas ruas Luisiana e Guaraiúva, no Brooklin, zona sul de São Paulo. (Foto: Shin Suzuki/G1)Árvore caída entre as ruas Luisiana e Guaraiúva, no Brooklin, zona sul de São Paulo. (Foto: Shin Suzuki/G1)
Veja os locais onde houve queda de árvores, segundo lista divulgada no site da CET às 12h10:
Rua Parau
Av. das Nações Unidas com Rua Flórida
Av. Miruna, 904
Av. Acoce, 296
Av. Brigadeiro Luis Antonio, 5000
Rua Engenheiro Oscar Americano, 1126
Av. Rubem Berta com Vd Republica Arabe Siria
Rua Sapetuba com a Rua Camargo
Rua Irauna, 369
Av. Brigadeiro Faria Lima, 3700
Av. Juriti, 530
Rua Jesuíno Arruda, 202
Rua Confiteor, 51
Av. Vereador José Diniz, 3832
Rua Geraldo Rodrigues, 8
Rua Domingos Lopes, 95
Rua Gabriele D’ Annunzio, 861
Av. República do Líbano com Rua Colatino Marques
Rua Gaspar Moreira com Av. Afrânio Peixoto
Rua Camanducaia, 171
Avenida Horácio Lafer, 61
Rua Giestas (V Prudente), 350
Rua Colatino Marques, 50
Av. República do Líbano, 480
Av. Republica Do Líbano, 200
Rua Eçaa De Queiroz com Rua Cubatão
Rua Capitão Macedo, 333
Rua Engenheiro Oscar Americano com Túnel Jânio Quadros
Rua Dr. Eduardo De Souza Aranha, 191
Rua João Cachoeira, 1516
Rua Nova Cidade, 583
Av. Odila, 861
Alameda Jauaperi, 1664
Av. República do Líbano com Rua Diogo Jacome
Av. Rubem Berta com Vd. República Árabe Síria
Alameda dos Anapurus, 441
Rua Paula Ney, 323
Av. Rubem Berta com Av. Piassanguaba
Rua Estado De Israel, 776
Av. Piassanguaba com Alameda dos Guaicanas
R Guararapes (It Bibi), 1507
Av. República do Líbano, 900
Rua M.M.D.C.,  73
Rua Antônio Carlos da Fonseca, 50
Rua Constantino De Sousa, 671
Av. Engenheiro Luiz Carlos Berrini com a Rua Kansas
Rua Professor Alexandre Albuquerque, 80
Rua Sampaio Viana com a Rua Tutoia
Rua Indiana, 1416
Rua M.M.D.C. com Av. Prof Francisco Morato
Rua Joao Carlos Mallet, 69
Av. Vital Brasil com Rua Alvarenga
Rua Aragarcas, 42
Av. Jamaris com Av. Moreira Guimaraes
Rua Campante, 751
Av. Ibirapuera, 810
Al dos Arapanes, 515
Av. Rubem Berta com Viaduto Onze De Junho
Rua Texas com Rua Ribeiro Do Vale
Rua Leopoldo Couto Magalhaes Jr. 890
Rua Texas com Rua Califórnia
Rua Baetinga com Rua Texas
Rua  Cd. de Porto Alegre, 1736
Rua Moncorvo Filho, 394
Rua Zacarias De Gois, 1577
Rua Francisco Hurtado com Rua Chebl Massud
Rua Antônio De Macedo Soares, 1603
Rua República do Iraque, 1720
R Brig Haroldo Veloso/R Jacurici
R Antonio De Macedo Soares, 1096
R Baia Grande/Av Dr Francisco Mesquita
Av. República do Líbano, 990
Av. República Do Líbano, 1100
Rua João Alvares Soares com Rua Pascal
Av. Republica Do Líbano com Av. IV Centenário
Rua Quelizita, 83
Av. Brig Faria Lima, 2099
Alameda dos Arapanes com Av. Juriti
Av. Indianópolis, 584
Rua Alvarenga, 184
Rua das Heras, 672
Av. dos Bandeirantes (Moema) com Ponte Engenheiro Ary Torres
Av. Moema, 509
Rua Colatino Marques, 91
Av. Professor Ascendino Reis, 22
Rua Jean Sibelius com Rua Prof. Artur Ramos
Rua Loefgreen com Rua Leandro Dupre
Av. República Do Líbano com Rua João Lourenço
Rua Martins (Butantã), 650
Rua Dias Moreia com Avenida dos Sertanistas
Av. Brasil (J Paulista), 102
Rua Murtinho Nobre, 261
Rua Tabapuã, 1499
Av. IV Centenário, 903
Av. Vital Brasil com Rua Raul Saddi
Rua do Rocio, 420
Rua Pero Correia, 33
Rua Pero Correia, 55
Av. Doutor Altino Arantes, 865
Rua Antônio Marcondes, 678
Av. Miguel Estefano, 2659
Rua João Cachoeira, 1523
Rua Loefgreen, 1448
Rua Araxás, 118
Rua Pirajussara (Butantã) com Rua M.M.D.C.
Av. Doutor Francisco Mesquita com Av. Do Estado
Av. Lineu De Paula Machado, 408
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1703
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1852
Av. Lineu De Paula Machado, 974
Rua Artia, 211
Av. Prof. Frederico Herman Junior, 150
R. Álvaro Fragoso, 201
Av. Jacutinga, 579
Rua Justiniano, 157
Rua Padre Viegas De Menezes/R Itagimirim
Av. Oliveira Freire, 1500
Rua José Ferreira Pinto com Rua Dra. Neyde Apparecida Sollitto
Rua Agostinho Rodrigues Filho com Rua Leandro Dupre
Rua Auriverde, 1858
Praça Cel. Pires De Andrade, 122
Av. Santo Amaro/R Balthazar Da Veiga
Av. Prof. Frederico Herman Junior, 318
Rua Joaquim Távora com Rua Gregório Serrão
Rua Dra. Neyde Apparecida Sollitto, 599
Praça Do Centenário, 80
Av. Br..De Vallim, 60
Estrada De Itapecerica, 1661
Rua Dias Moreia, 10
Rua Vemag (Ipiranga), 80
Rua Catuaba, 401
Av. Afrânio Peixoto, 250
Rua Joaquim Távora com Rua Aurea (V Mariana)
Rua Dr. Luiz Falgetano Sobrinho, 89
Rua República Do Iraque, 1668
Rua Agostinho Gomes, 2797
Rua Araxas, 168
Av. Brigadeiro Faria Lima com Av. Horácio Lafer
Rua Quisisana, 168
Rua Gaspar Moreira, 31
Rua Coronoel Palimercio De Resende, 270
Av. Piassanguaba, 1336
Alameda Dos Tacaunas com Av Piassanguaba
Rua Coronel Lisboa (V Mariana), 849
Rua Loefgreen, 1654
Rua Franca Pinto, 1122
Av. Ibirapuera com Rua Tangara (V Mariana)
Rua Aurea (V Mariana), 448
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 119
Rua Xavier De Almeida, 453
Alameda Dos Uapes, 158
Alameda Dos Guainumbis, 426
Rua Morgado De Mateus, 147
Rua Frei Rolim, 615
Rua Nova Pátria, 315
Rua Br. De Jaceguai (Campo Belo), 1899
Rua Afonso Braz com Av. Santo Amaro
Rua Padre José Griecco, 28
Alameda Dos Uapes, 158
Rua Gumercindo Saraiva com Av. Brigadeiro Faria Lima
Rua Prof. Atílio Innocenti com Av. Pres. Juscelino Kubitschek
Alameda Dos Guaicanas com Av. Itacira
Rua Indiana, 524
Rua João Elias Saada, 156
Rua Paula Ney, 212
Rua Baetinga, 39
Alameda Dos Piratinins, 390
Praça Das Guianas com Av. Nove De Julho
Rua Cel. Lisboa (V Mariana), 849
Rua Mirassol, 227
Rua Aquiles De Almeida, 18Rua Juvenal Galeno, 720
Rua Avaré, 120
Rua Inácio Manuel Alvares, 314
Rua Protocolo, 92
Rua Tabapuã com Rua Clodomiro Amazonas
Rua Estevão Lopes, 206
Rua Drausio, 26
Rua Carla, 62