Heraldo Guiaro: o engenheiro agrônomo é responsável pelo
Ibirapuera desde 2009
Antonio Milena
São 9 da manhã de domingo e o engenheiro agrônomo Heraldo Guiaro tenta se
concentrar em um mapa que aponta as últimas reformas do
Parque
do Ibirapuera, administrado por ele desde 2009. Batidas à sua porta
interrompem a tarefa. “Tem gente tocando violão na grama. Pode?”, pergunta uma
assistente. “Só se o instrumento não estiver ligado em caixa de som”, ele
responde. Novos avisos chegam a cada cinco minutos, muitos deles trazendo
questões bem mais cabeludas.
Com 120.000 visitantes nos dias de pico, ou seja, um público maior do que a
população de cidades como Barretos e Ribeirão Pires, no interior do estado, o
Ibirapuera tem problemas à altura de sua frequência. Eles variam de adolescentes
que camuflam vodca em garrafas de refrigerante e são socorridos em coma
alcoólico pelas duas ambulâncias de plantão a camisinhas encontradas nas áreas
de mata fechada, passando por situações como a descoberta de um cadáver boiando
no lago, ocorrida em janeiro, com sinais de afogamento. “Comandar isso aqui é
como estar à frente de uma prefeitura”, diz Guiaro, que chefia 375 funcionários
e gerencia um orçamento anual de 40 milhões de reais.
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Confira
algumas das peculiaridades dos 93 parques municipais e estaduais
Quem é convidado e aceita pilotar um desses espaços públicos logo entende
que, à parte a beleza do cenário, a rotina não será feita de brisa. Cuidar das
espécies de flora e fauna, combater o vandalismo e conciliar as reivindicações
de grupos diversos está entre os desafios diários. Na metrópole, há praticamente
um gestor em cada um dos 93 parques, a maioria deles (83) na esfera municipal.
Em 2005, a capital aprovou uma lei que passou a exigir do ocupante do cargo
curso superior e experiência ambiental. “Os postos deixaram de servir de abrigo
para indicações políticas”, afirma Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde
e Meio Ambiente.
O emprego pressupõe estar presente quase todos os
domingos e receber um salário que varia de 2.900 a 3.500 reais. O engenheiro
Guiaro, por estar à frente do campeão de frequência, recebe um pouco acima da
média (4.200 reais). Formado pela USP, o agrônomo de 53 anos ocupou funções
técnicas em órgãos diversos desde 1998, até chegar à posição atual. Antes,
trabalhou como consultor de pesca e tentou a carreira de ator — protagonizou de
peças infantis ecológicas a um comercial de cerveja, no papel de um marido que
enrola a mulher para ir ao boteco. Curiosamente, na hora de cuidar do corpo,
prefere frequentar outra área verde. Morador do Ipiranga, é no
Parque
da Independência que ele faz as caminhadas que o ajudaram, em 2011,
a perder 20 dos 92 quilos que pesava. “Praticar exercício no Ibirapuera não dá,
porque fico vendo o que precisa ser consertado e a coisa vira trabalho.”
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Roteiro
turístico leva cães para passeio no Ibirapuera
Das dificuldades citadas pelos administradores, a mais desanimadora é
combater a falta de educação de parte dos frequentadores. “Aqui, é comum o
sumiço de peças metálicas dos banheiros”, lamenta Eliana de Andrade, responsável
pelo
Parque
Buenos Aires, em Higienópolis. O
Villa-Lobos,
na Zona Oeste, com 30.000 visitantes aos domingos e 732.000 metros quadrados de
área, passa pelo mesmo problema. Ali, quem está no comando é o agrônomo Roberto
Rosa, cuja principal missão consiste em acelerar o crescimento da vegetação do
espaço, criado sobre um antigo depósito de entulho.
A demanda, diz, é
fácil perto do trabalho que o público lhe dá. Um exemplo: em 2011, foram
instaladas doze redes feitas de tecido usado em paraquedas, ao custo de 80 reais
cada uma. “Em três semanas, os usuários destruíram tudo”, lembra Rosa, que
recebe do governo estadual um salário de 7.000 reais, bem melhor que o dos pares
municipais. No
Parque do
Povo, na zona oeste, há apenas seis meses, a socióloga Maria
Fernanda Ferreira, cansada de ver canteiros esmagados por bicicletas e cães,
está instalando placas com regras de conduta. Ao fazer valer o veto aos skates,
que, para evitar atropelamentos, só podem ser usados em uma área específica,
viu-se cercada em sua sala por vinte praticantes revoltados. “Outra vez, uma
patinadora, contrariada com a restrição, rasgou o estatuto do parque na minha
frente”, conta ela, paulistana da Vila Olímpia, que já chefiou o
Alfredo
Volpi, no Morumbi, e deu aulas de tênis, esporte pelo qual foi
bicampeã sul-americana.
Se nos bairros nobres a população é bem consciente dos próprios direitos, às
vezes com exageros, o mesmo não é observado por alguns dos prefeitos de parques
de regiões mais carentes. O engenheiro ambiental Rafael Quintino da Silva, hoje
à frente do Independência, comandava havia um ano o Guaratiba, em Guaianases, na
Zona Leste. Segundo ele, a inauguração do parque passou quase despercebida pela
vizinhança. “Tivemos de promover uma série de eventos para que as pessoas
aprendessem a aproveitá-lo”, afirma. “Até a prática da caminhada precisou ser
incentivada, porque poucos vinham.”
No
Juventude,
dotado de estrutura que inclui biblioteca com 30.000 títulos e dez quadras
esportivas, o administrador Paulo Pavan teve percepção semelhante. Ele
encomendou uma pesquisa e descobriu que metade dos moradores da Zona Norte, onde
o parque fica situado, em terreno antes ocupado por pavilhões do Carandiru,
desconhecia o local. A saída foi articular divulgação intensiva da programação
pela internet, com um informativo semanal que chega a redes sociais, blog e
40.000 endereços de e-mail. Entre 2006, ano anterior ao início das ações, e
2011, o número anual de visitantes aumentou de 860.000 para 2,5 milhões.
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Cinco
lugares para andar de skate em São Paulo
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O
ranking dos dejetos caninos nos parques paulistanos
Alastrar as áreas verdes na cidade é uma das bandeiras do prefeito Gilberto
Kassab. De 2005 para cá, o número delas quase triplicou, alcançando o total de
83. A promessa é atingir 100 unidades até o fim do ano. Essa rápida expansão, no
entanto, vem sendo alvo de algumas críticas. “Se o projeto fosse sério, nós
aplaudiríamos”, diz José Eduardo Ismael Lutti, primeiro promotor de Meio
Ambiente da capital. Para ele, no afã de obter resultados quantitativos, a
prefeitura criou projetos mal executados. Um deles, na sua visão, seria o Nove
de Julho, situado na orla da Represa Guarapiranga. A Promotoria entrou com uma
ação para embargar a construção de equipamentos de lazer, como a pista de
caminhada em solo que passa parte do ano alagado, por entender que ela
representaria “dano ambiental”. Carlos Fortner, chefe de gabinete do secretário
Eduardo Jorge, defende a realização. “A reforma ajuda a impedir novas invasões
de sem-teto”, argumenta.
Outros questionam a prioridade dada à multiplicação dos parques, enquanto a
prefeitura encontra dificuldades em fazer a manutenção dos já existentes. “Ao
lado do Parque do Ibirapuera, a Vila Mariana tem diversas áreas verdes que
atraem pouca gente por estar malcuidadas”, afirma Oswaldo Baccan, presidente da
associação de moradores do bairro. Ele cita a Praça Comunitária, na esquina da
Avenida Lins de Vasconcelos com a Rua Vergueiro, que virou abrigo de drogados.
Uma boa política executada no exterior para resolver esse tipo de problema vem
de Nova York. Lá, os gestores do Central Park, que tem superconcentração de
visitantes, passaram a se empenhar na recuperação de parques menores nos
arredores para que estes possam servir de opção.
Para os milhares de paulistanos que frequentam os parques da cidade, em busca
de lazer, tranquilidade e contato com a natureza, uma boa notícia: seus
administradores anunciam uma série de melhorias para este ano. O
Parque do
Carmo, por exemplo, está fazendo o plantio de árvores nativas como
araticum e cedro em terras recém-anexadas, que elevarão sua área de 1,5 milhão
para 2,4 milhões de metros quadrados. “Resultado: a variedade de espécies
animais aumentará”, afirma o administrador Fabio Pallaes.
Também com área
ampliada, o Independência ganha no segundo semestre equipamentos de ginástica
voltados à terceira idade e, no futuro, terá pistas específicas para skate. No
Trianon,
a programação cultural ao ar livre vai crescer. “O primeiro passo é passar de um
para dois o horário das apresentações musicais aos domingos”, diz a socióloga
Rita Nakamura, responsável pela área.
O
Aclimação,
que perdeu grande parte de sua fauna após o lago ir literalmente pelo ralo
durante um temporal em 2009, dará um passo simbólico importante em sua
recuperação. Dentro de um ou dois meses, antes mesmo da conclusão das obras de
drenagem do entorno, como um pequeno piscinão, voltará para lá um antigo casal
de moradores. São os cisnes negros resgatados na chuvarada. Eles habitavam
provisoriamente as águas do Ibirapuera e agora se preparam para estar em casa
novamente.
MAPA DOS OÁSIS VERDES
Visualizar Parques
de São Paulo: oásis verdes em um mapa maior
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Administrador: Heraldo Guiaro, 53 anos Formação: engenharia agronômica
Público aos domingos: 120.000 pessoas Últimas realizações: troca da iluminação
por luzes de LED, aterramento dos fios de eletricidade, recapeamento do anel
principal de circulação e reforma da ciclovia. O que vem por aí: a restauração
da marquise, que estava bastante deteriorada, será concluída até o fim do
semestre. Fale com ele: svma@prefeitura.sp.gov.br, tel.: 5574 5177
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Administrador: Roberto Lima Ferraz Rosa, 41 anos Formação: engenharia
agronômica Público aos domingos: 30.000 pessoas Últimas realizações: plantio de
11.000 árvores, novos canteiros ornamentais e mudança nos adubos para acelerar o
crescimento das plantas. O que vem por aí: em junho deverá ficar pronto o Centro
de Referência em Educação Ambiental, com biblioteca, sala multimídia e espaço
para palestras. Fale com ele: pvl@ambiente.sp.gov.br, tel.: 3023-0316
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Administradora: Maria Fernanda de Souza Ferreira, 54 anos Formação:
ciências sociais, com especialização em gestão ambiental Público aos domingos:
10.000 pessoas Últimas realizações: organização de espaços específicos para
ciclistas e skatistas. O que vem por aí: placas estão sendo instaladas para que
os frequentadores controlem seus cachorros e não estraguem os canteiros. O
Jardim Sensitivo, voltado aos deficientes visuais, ganha novas plantas de
diferentes aromas e texturas, como pimenta-de-cheiro, hortelã e alcachofra.
Fale...
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Administrador: Paulo Pavan, 49 anos Formação: administração de empresas,
com pós-graduação em marketing e gestão pública Público aos domingos: 18.000
pessoas Últimas realizações: instalação de novos postes de iluminação, reforma
da pista de skate, criação de aparelhos de exercício físico para cadeirantes e
aumento do corpo de segurança (de 22 para 36 funcionários). O que vem por aí:
até novembro, a segurança será reforçada com a instalação de 32 câmeras. Em
maio, a equipe de...
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Administradora: Eliana de Andrade, 47 anos Formação: engenharia agronômica,
com especialização em saúde pública Público aos domingos: 5.000 pessoas Últimas
realizações: implantação de coleta seletiva e definição de espaços específicos
para cachorros O que vem por aí: a partir do dia 20, haverá aulas de educação
ambiental para crianças. Estão sendo firmadas parcerias para remodelar a
iluminação noturna, hoje insuficiente Fale com ela:
parquebuenosaires@hotmail.com, tel.: 3666-8032
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Administrador: Rafael Quintino da Silva, 29 anos Formação: engenharia
ambiental, com pós-graduação em gestão pública Público aos domingos: 7.000
pessoas Últimas realizações: novo playground e início das obras de banheiros na
porção média do parque (hoje, só há na superior, acima do museu). O que vem por
aí: até o fim do ano, uma nova área será inaugurada, com equipamentos de
ginástica para a terceira idade, e, em 2013, uma área exclusiva para
skatistas....
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Administradora: Rita Ferreira Nakamura, 52 anos Formação: ciências sociais,
com especialização em gestão ambiental Público aos domingos: 8.000 pessoas.
Últimas realizações: ações para a preservação da mata nativa O que vem por aí:
apresentações musicais no fim da tarde Fale com ela:
parquetrianon@prefeitura.sp.gov.br, tel.: 3289-2160
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Saiba qual é o maior, o mais frequentados pelos esportistas, o mais antigo
e outras informações curiosas sobre endereços paulistanos na galeria de fotos.
Abaixo, um pequeno manual sobre os diferentes tipos de áreas verdes. TIPOS DE
PARQUE Principais categorias Urbanos — Conciliam o verde com equipamentos de
recreação. Exemplo: Aclimação Lineares — Margeiam porções de água, com foco na
conservação. Exemplo: Várzeas do Tietê Naturais — Priorizam a...
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Curiosidades sobre os espaços verdes da capital
Confira algumas das peculiaridades de parques municipais
e estaduais
Daniel Bergamasco (com reportagem de Mariana Barros e Flora
Monteiro) | 21/03/2012
O maior: Anhanguera, com 9,5 quilômetros quadrados de área
Divulgação
Saiba qual é o maior, o mais frequentados pelos esportistas, o mais antigo e
outras informações curiosas sobre endereços paulistanos na
galeria
de fotos. Abaixo, um pequeno manual sobre os diferentes tipos de áreas
verdes.
TIPOS DE
PARQUE
Principais
categorias
Urbanos — Conciliam
o verde com equipamentos de recreação.
Exemplo:
Aclimação
Lineares — Margeiam porções de água, com foco
na conservação.
Exemplo: Várzeas do
Tietê
Naturais — Priorizam a
preservação, recebendo um público restrito.
Exemplo: a nova
porção do Carmo