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sábado, 24 de janeiro de 2015

Lixo da indústria de alimentos pode virar energia limpa

http://agencia.fapesp.br/lixo_da_industria_de_alimentos_pode_virar_energia_limpa/20513/

14 de janeiro de 2015

Por Karina Toledo


Pesquisadores do Cempeqc/Unesp desenvolvem metodologia para produzir hidrogênio a partir de águas residuárias do beneficiamento da laranja (fotos: divulgação e Wikimedia)


Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara (SP) estudam a viabilidade de usar a água residuária da indústria de suco de laranja para produzir hidrogênio – uma fonte de energia renovável, inesgotável e não poluente.
A pesquisa, apoiada pela FAPESP, está em andamento no Centro de Monitoramento e Pesquisa da Qualidade de Combustíveis, Biocombustíveis, Petróleo e Derivados (Cempeqc) do Instituto de Química da Unesp.
“A vantagem de produzir hidrogênio a partir de águas residuárias é aproveitar, de maneira sustentável, uma fonte de carbono que hoje está sendo descartada”, argumentou Sandra Imaculada Maintinguer, pesquisadora do Cempeqc.
De acordo com a pesquisadora, a proposta é reaproveitar a energia gerada localmente, na própria indústria, para abastecer as bombas dos sistemas de tratamento biológico, por exemplo.
“O método poderia beneficiar não apenas o setor citrícola, como o sucroalcoleiro, indústrias de refrigerantes, cervejas e de outros alimentos”, afirmou Maintinguer.
O hidrogênio, explicou a pesquisadora, é quase três vezes mais energético que os hidrocarbonetos e que o metano e quatro vezes mais que o etanol. No entanto, em razão do custo ainda elevado de armazenamento e transporte, seria inviável usar o gás, por exemplo, para substituir a energia hidrelétrica – ainda muito barata no Brasil.
O grupo de pesquisadores do Cempeqc está estudando três diferentes resíduos do beneficiamento da laranja cedidos por uma empresa situada em Matão (SP): o melaço, a vinhaça e a água residuária.
Embora o melaço e a vinhaça apresentem concentrações mais elevadas de açúcares (40 a 150 g glicose/L), testes preliminares sugerem que a água residuária (12g glicose/L) é a mais indicada para a produção biológica de hidrogênio.
“Quando a concentração de substrato é muito elevada, pode ocorrer a inibição do crescimento dos microrganismos que quebram os açúcares em moléculas menores, como ácidos orgânicos e hidrogênio. Existe uma faixa ideal, que parece ser a da água residuária”, disse Maintinguer.
Além da glicose, os pesquisadores também encontraram outras fontes de carbono na água residuária, como frutose e ácidos orgânicos, além de impurezas como óleos e detergentes usados no processo industrial.
“Fizemos os testes usando a água residuária com todas as impurezas e, mesmo assim, os resultados foram muito promissores. Conseguimos transformar cerca de 65% desse resíduo em hidrogênio. Como os microrganismos usam os nutrientes para crescer e se multiplicar em primeiro lugar, a produção nunca chega a 100%”, explicou a pesquisadora.
Arqueas metanogênicas
Os ensaios, em escala de bancada, foram feitos em reatores anaeróbios (frascos de vidro hermeticamente fechados), para evitar que o contato com o oxigênio inibisse a produção da enzima hidrogenase, extremamente importante na produção biológica de hidrogênio.
Na água residuária foi inoculado um conjunto de microrganismos de diferentes classes coletado em sistemas de tratamento biológico de esgotos sanitários. De acordo com a pesquisadora, o inóculo também pode ser obtido a partir do próprio lodo formado nos sistemas biológicos de tratamento industrial.
Porém, é necessário um pré-tratamento para eliminar as chamadas arqueas metanogênicas, um tipo de microrganismo capaz de consumir o hidrogênio produzido para formar metano, algo indesejável nesse caso.
“O processo biológico anaeróbio tem várias etapas e, em cada uma delas, atua uma classe diferente de microrganismo. Os carboidratos são quebrados em açúcares, ácidos orgânicos, acetato, hidrogênio e, se o processo não for interrompido, em metano”, disse a pesquisadora.
Para evitar que isso aconteça, o inóculo é submetido a um choque térmico e o pH do meio é reduzido para 5,5. O pré-tratamento causa a eliminação das arquéias metanogênicas, enquanto as bactérias úteis para o processo apenas entram em estado vegetativo, voltando a se multiplicar quando as condições se tornam favoráveis.
“É um método fácil e barato e só é necessário fazê-lo uma vez. Depois posso reaplicar o inóculo em outra amostra quando acabar o substrato no reator. Por enquanto, estamos usando apenas a configuração de reator em batelada (frascos com quantidades limitadas onde a reação ocorre até o substrato acabar e depois é preciso reabastecer). O próximo passo é testar em um reator de fluxo contínuo”, disse Maintinguer.
Além do hidrogênio, resultam do processo alguns ácidos graxos voláteis – como o ácido butírico e o ácido acético – também passíveis de serem transformados em hidrogênio por bactérias fotoheterotróficas.
“Elas consomem esses ácidos na presença da luz e liberam mais hidrogênio, elevando assim o rendimento”, explicou a pesquisadora.
Na avaliação de Maintinguer, o Brasil tem um grande potencial para ser referência em tecnologia do hidrogênio e é beneficiado pelo fato de ser um país tropical, com temperaturas médias anuais em torno de 25ºC – favorável ao desenvolvimento de bactérias.
“Em países como Holanda e Alemanha é preciso aquecer os reatores para que o processo seja bem sucedido”, comentou.
O Ministério de Minas e Energia tem planos para introduzir o hidrogênio na matriz energética do país até 2025, inclusive como combustível automotivo. Uma das metas do governo brasileiro é que, após 2020, toda a produção do gás seja obtida a partir de fontes renováveis.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pesquisa sobre sustentabilidade da cana quebra paradigmas

Pesquisa sobre sustentabilidade da cana quebra paradigmas

“Dependendo do tipo de manejo, a introdução da cana em áreas de pastagem pode compensar ou até mesmo aumentar o estoque de carbono inicial do solo”
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luke@lukefoto.com.br
Apesar do etanol de cana, ser uma fonte de energia muito defendida por ser ecologicamente correta, alguns pesquisadores, sobretudo da Europa e dos Estados Unidos, questionam a viabilidade ecológica do etanol brasileiro. Eles alegam que não é um combustível renovável tão limpo quanto o se propagava, por causa da perda de carbono do solo devido ao cultivo da cana. Porém a sua sustentabilidade já foi comprovada por um grupo de pesquisadores brasileiros, estadunidenses e franceses. O resultado da tese de Francisco Mello (doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo), foi elaborado em cooperação com mais sete pesquisadores, entre eles, o professor do Câmpus Murici do Instituto Federal de Alagoas – Ifal, Stoécio Maia, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e Carlos Cerri, pesquisador do Cena. O artigo foi publicado recentemente na revista Nature Climate Change, uma das mais respeitadas da área.

Segundo o trabalho, a perda de carbono do solo que ocorre em consequência do plantio da cana pode ser recuperada em até três anos. Carlos Cerri, coordenador do projeto, afirma que o balanço de carbono do solo de áreas de pastagem convertidas para o cultivo da cana-de-açúcar não é tão negativo quanto se estimava. “Com o passar dos anos, o solo de uma área de pastagem tem um estoque de carbono cujo volume não varia muito. Mas o preparo desse tipo de solo para cultivo de cana, faz com que parte do carbono estocado seja emitida para a atmosfera na forma de dióxido de carbono (CO2).Entretanto, dependendo do tipo de manejo, a introdução da cana em áreas de pastagem pode compensar ou até mesmo aumentar o estoque de carbono inicial do solo quando a matéria orgânica e os resíduos da planta penetram na terra”, lembra.
O etanol da cana acaba compensando, com o passar dos anos, as emissões de CO2 ocorridas na conversão de áreas de pastagem em plantações canavieiras. “Isso porque o biocombustível contribui para a redução da queima de combustível fóssil”, avalia Cerri.
Em tempos de procura, tanto por gestores públicos, empresários e sociedade, por fontes de energia sustentáveis, os dados apresentados trazem grandes perspectivas para o Brasil. “Essa comprovação é importante pois em mais uma área, cientificamente, o etanol de cana produzido no país se mostrou ser uma fonte limpa. Consequentemente, isso pode representar uma vantagem comercial para quem produz”, analisa o professor Stoécio Maia.
O estudo foi realizado por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/Usp) em conjunto com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Usp). O trabalho contou ainda com pesquisadores do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), do Institut de Recherche pour le Développement, na França, e da Harvard University, da Colorado State University e do Shell Technology Centre Houston, nos Estados Unidos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Hidrogênio e CO2 viram combustível líquido

Hidrogênio e CO2 viram combustível líquido

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/07/2014
SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Hidrogênio e CO2 viram combustível líquido. 29/07/2014. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=hidrogenio-co2-combustivel-liquido. Capturado em 06/08/2014. 

Hidrogênio liquefeito
Cientistas suíços afirmam ter fechado o circuito que permite transformar o hidrogênio em um combustível líquido menos inflamável, pronto para ser armazenado e transportado de forma segura.
O hidrogênio é um gás altamente explosivo e, como suas moléculas são muito pequenas, ele deve ser armazenado sob pressão em recipientes muito especiais e caros.
Assim, largamente defendido como o combustível do futuro, tem sido difícil convertê-lo no combustível do presente.
Uma solução pode estar na pesquisa feita por cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne, que desenvolveram um sistema simples baseado em duas reações químicas.
A primeira reação transforma o hidrogênio em ácido fórmico, um líquido que é fácil de armazenar e menos inflamável do que a gasolina.
A segunda reação faz o inverso, restaurando o hidrogênio para que ele possa ser queimado ou usado em células a combustível para produzir eletricidade.
Ciclo do hidrogênio
A equipe do professor Gabor Laurenczy já havia desenvolvido um processo para transformar o ácido fórmico em hidrogênio, uma tecnologia que já está em fase de desenvolvimento industrial.
Agora eles fecharam o ciclo, transformando o hidrogênio em ácido fórmico, criando um sistema completo, abrindo o caminho para uma nova fonte de energia totalmente sustentável.
Os pesquisadores sintetizaram o ácido fórmico em um único passo, partindo do gás hidrogênio e do CO2 atmosférico - as técnicas já existentes para fazer isso envolvem várias etapas, que geram subprodutos químicos indesejáveis.
Hidrogênio vira combustível líquido usando CO2
Outro conceito correlato ao agora desenvolvido pelos pesquisadores suíços é o das folhas artificiais. [Imagem: Ross Lovegrove]
As duas reações químicas - hidrogênio para ácido fórmico e de volta para o hidrogênio - são catalíticas: a vantagem é que não se perde nada na transformação, e, portanto, o processo pode ser utilizado na construção de usinas sustentáveis.
Mais do que isso, a equipe afirma que o processo funciona em virtualmente qualquer escala, não exigindo plantas industriais de grande porte.
"Nosso procedimento é simples o suficiente para ser implementado em nível doméstico," garante o professor Laurenczy.
Democratização da energia
O pesquisador afirma vislumbrar pequenas unidades de armazenamento de energia nas quais painéis solares fotovoltaicos produzem hidrogênio por eletrólise - as chamadas biorrefinarias fotossintéticas.
Esse hidrogênio é então transformado e armazenado na forma de ácido fórmico e, finalmente, transformado novamente em hidrogênio para ser utilizado - produzindo energia elétrica à noite, por exemplo.
A tecnologia ainda tem outra possível aplicação: a tão sonhada utilização do CO2 atmosférico (dióxido de carbono) para sintetizar diversos produtos químicosúteis, inclusive combustíveis.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Bateria que respira promete dar fôlego aos carros elétricos

Bateria que respira promete dar fôlego aos carros elétricos


SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Bateria que respira promete dar fôlego aos carros elétricos. 24/03/2014. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bateria-que-respira-ar-litio. Capturado em 27/03/2014. 
Redação do Site Inovação Tecnológica - 24/03/2014
Autonomia elétrica
Desde que se descobriu a possibilidade técnica de construir baterias de lítio-ar que inúmeros grupos de pesquisas ao redor do mundo vêm tentando fabricar essa bateria que respira.
Os cálculos indicam que uma bateria de ar-lítio pode armazenar 10 vezes ou mais energia do que as melhores baterias de íons de lítio disponíveis no mercado atualmente.
A principal diferença entre as baterias de íons de lítio e a bateria de lítio-ar é que esta substitui o catodo tradicional - um componente-chave da bateria envolvido no fluxo da corrente elétrica - pelo ar atmosférico.
Isso torna a bateria recarregável mais leve e com maior densidade de energia.
O problema é que tem sido difícil construir essas baterias de forma que elas consigam respirar por longos períodos sem se degradar.
Os melhores resultados foram relatados agora pela equipe do professor Nobuyuki Imanishi, da Universidade Mie, no Japão.
"A densidade prática de energia do nosso sistema é de mais de 300 Wh/kg [watts-hora por quilograma], em comparação com a densidade de energia de uma bateria de íons de lítio comercial, que é de 150 Wh/kg," disse Imanishi.
Isso seria suficiente para dar aos carros elétricos a mesma autonomia que um carro a gasolina tem hoje com um tanque cheio.
Bateria que respira promete dar fôlego aos carros elétricos
A bateria ar-lítio - a barra inferior, identificada como lítio-oxigênio - tem uma densidade de energia muito superior às baterias mais modernas. [Imagem: Cortesia Winfried Wilcke/IBM]
Bateria de ar-lítio
A receita do professor Imanishi para fazer uma bateria lítio-ar prática parece bem simples: adicionar água ao eletrólito, o material que conduz os elétrons entre os eletrodos.
Esse design "aquoso" impede que o lítio reaja com os gases da atmosfera, além de permitir reações mais rápidas no eletrodo "aéreo".
Para evitar que a água danifique o lítio, os pesquisadores fizeram um sanduíche de polímero com alta condutividade e um eletrólito sólido entre o eletrodo de lítio e a solução aquosa.
O resultado foi uma bateria com capacidade para reter o dobro da energia de uma bateria de íons de lítio convencional.
A tarefa agora é aumentar a vida útil da bateria que respira, que sobreviveu a 100 ciclos de inspiração e expiração (recarga e descarga), o que significa que ela ainda precisa ganhar algum fôlego.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Bateria doce deixa aparelhos cheios de energia

Bateria de açúcar deixa aparelhos cheios de energia

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/01/2014
Bateria de açúcar deixa aparelhos cheios de energia
Os pesquisadores estimam que a bateria de açúcar poderá estar no mercado em três anos. [Imagem: Virginia Tech]
Bateria de açúcar
Na natureza - nas plantas e no seu corpo - os açúcares são perfeitos para armazenar energia.
"Então, é muito lógico que nós tentemos domar essa capacidade natural para criar uma forma ambientalmente amigável de fabricar uma bateria," disse o professor Percival Zhang, da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos.
O projeto parece estar dando certo.
O primeiro protótipo da bateria de açúcar da equipe apresentou uma densidade de energia sem precedentes.
Já existem vários experimentos com baterias de açúcar, inclusive um feito pela Sony, mas nenhuma delas atingiu a capacidade de armazenamento alcançada agora - o protótipo superou suas antecessoras em mais de 10 vezes.
Melhor do que isso, para recarregar a bateria de açúcar, basta adicionar mais açúcar.
Essa conjugação de alta densidade de energia e facilidade de recarregamento levou os pesquisadores a estimar que sua nova bateria poderá estar no mercado nos próximos três anos.
Célula a combustível enzimática
O avanço foi obtido na sequência de um trabalho divulgado no ano passado, quando a combinação criativa de enzimas permitiu desenvolver um processo para produzir hidrogênio a partir de qualquer planta.
Essa rota enzimática sintética foi agora usada para capturar todos os potenciais de carga das moléculas de açúcar, usando-os para produzir uma corrente elétrica - tecnicamente não se trata de uma bateria, mas de uma célula a combustível enzimática.
Como todas as células de combustível, a "bateria de açúcar" combina o combustível - neste caso, a maltodextrina, um polissacarídeo resultante da hidrólise parcial do amido - com o ar atmosférico para gerar eletricidade e água.
"Nós estamos liberando todas as cargas de elétrons armazenadas na solução de açúcar lentamente, passo a passo, usando uma cascata de enzimas," disse Zhang.
São liberados 24 elétrons por unidade de maltodextrina, usando uma rota sintética formada por 13 enzimas. Isso resulta em uma potência máxima de 0,8 mW cm-2 e uma densidade máxima de corrente de 6 mA cm-2.
Bibliografia:

A high-energy-density sugar biobattery based on a synthetic enzymatic pathway
Zhiguang Zhu, Tsz Kin Tam, Fangfang Sun, Chun You, Y. -H. Percival Zhang
Nature Communications
Vol.: 5, Article number: 3026
DOI: 10.1038/ncomms4026

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Gerador é feito com material piezoelétrico produzido por vírus

Gerador é feito com material piezoelétrico produzido por vírus

Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/01/2014
Gerador é feito com material piezoelétrico produzir por vírus
O nanogerador biofabricado foi usado para alimentar uma bateria de LEDs (embaixo, à direita). [Imagem: Chang Kyu Jeong et al./ACS Nano]
Biofabricação
Os nanogeradores são a forma mais promissora para a colheita de energia, que consiste no aproveitamento de vibrações e outros fenômenos naturais para gerar eletricidade para pequenos aparelhos eletrônicos.
A equipe do Prof. Keon Jae Lee, do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia do Sul, já havia demonstrado que osnanogeradores podem ser biocompatíveis, o que facilitará seu uso em implantes médicos para aproveitar o próprio movimento do paciente para alimentar marca-passos e outros aparelhos.
Agora a equipe levou o aspecto "bio" ao extremo, e usou uma abordagem biotecnológica para fabricar o nanogerador.
Eles modificaram geneticamente um vírus M13, que é inofensivo para a saúde humana e amplamente existente na natureza, para tirar proveito da sua notável capacidade de sintetizar um material inorgânico altamente piezoelétrico, o titanato de bário (BaTiO3).
Os materiais piezoelétricos são os principais componentes dos nanogeradores, que geram eletricidade diretamente a partir de movimentos mecânicos - como a respiração, o batimento cardíaco ou o andar, entre muitas outras possibilidades.
Usando esse material piezoelétrico biofabricado, a equipe construiu um nanogerador flexível e com uma potência muito alta em relação aos seus antecessores.
"Esta é a primeira vez que se introduz um material piezoelétrico inorgânico biomodelado em um sistema de captação de energia autoalimentado, o que pode ser feito por meio de uma síntese eficiente e ambientalmente correta," disse o professor Lee.
vírus M13 tem um longo histórico de auxílio nas pesquisas de geração de energia:
Bibliografia:

Virus-Directed Design of a Flexible BaTiO3 Nanogenerator
Chang Kyu Jeong, Insu Kim, Kwi-Il Park, Mi Hwa Oh, Haemin Paik, Geon-Tae Hwang, Kwangsoo No, Yoon Sung Nam, Keon Jae Lee
ACS Nano
Vol.: 7 (12), pp 11016-11025
DOI: 10.1021/nn404659d

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Busca por energia limpa requer desvios

02/07/2013 - 03h00

Busca por energia limpa requer desvios


The New York Times
Jonathan Wolfson e Harrison Dillon começaram daquele jeito mítico do Vale do Silício. Há uma década, os dois amigos de faculdade se puseram a trabalhar na garagem de Dillon, cultivando algas em tubos de ensaio, na esperança de usarem a biotecnologia para criar energia renovável. Aí encontraram um pequeno grupo de investidores.

Agora, eles lançaram seu primeiro óleo derivado de algas em escala comercial: pálido, inodoro e fornecido em um frasquinho dourado, ele não é voltado para tanques de combustível, mas para o rosto de mulheres preocupadas com o envelhecimento cutâneo.
Cada frasco de 30 ml custa US$ 79, e, talvez graças a ele, a empresa da dupla, a Solazyme, consiga ir além do ponto onde tantas outras companhias de tecnologia limpa perderam o gás: a passagem para a produção em escala comercial.
Jim Wilson/The New York Times
Vista em microscópio das células de alga contendo óleo, as com verde mais brilhante são as que mais têm óleo
Vista em microscópio das células de alga contendo óleo, as com verde mais brilhante são as que mais têm óleo
A esperança da Solazyme é se manter à tona fabricando óleos que sirvam a diversas funções -como hidratar a pele ou substituir a manteiga e os ovos em receitas de forno. O passo seguinte é fabricar enormes quantidades de produtos de energia renovável a um preço capaz de concorrer com os combustíveis fósseis.
Há anos, gestores públicos, ambientalistas e empreendedores alardeiam a promessa de domar a energia do sol, do vento, das ondas, dos resíduos sólidos urbanos ou, agora, das algas. Desde 2007, o consumo de energia oriunda de fontes renováveis nos EUA cresceu quase 35%. Hoje, ele representa cerca de 9% do total, segundo a Administração de Informação Energética.
Mas houve fracassos proeminentes. Empreendimentos de energia limpa outrora promissores, que haviam atraído milhões de dólares em apoio do governo americano -como a fábrica de painéis solares Solyndra, a usina de etanol celulósico Range Fuels e o fornecedor de baterias A123 Systems-, faliram. A próxima geração de biocombustíveis, baseada em plantas não alimentícias, ainda luta para conseguir decolar.
O capital de risco se desacelerou, e novas empresas dessa área precisam queimar grandes volumes de capital em muitos anos de pesquisa e em equipamentos antes de comprovarem suas promessas. Em nível global, o capital de risco investido em tecnologias limpas diminuiu de US$ 9,61 bilhões em 2011 para US$ 7,4 bilhões em 2012, uma queda de quase um quarto, segundo o banco de dados i3 Platform, do Cleantech Group.
Por isso, as empresas de energia limpa não podem se apoiar na clássica abordagem em que os investidores recebem dividendos rápidos e polpudos. Elas precisam de uma combinação de verbas governamentais, parcerias setoriais e uma disposição para buscar linhas de produtos com maior valor agregado, como parte da rota que leva a mercados maiores, mas com margens mais reduzidas.
A história da Solazyme mostra como pode ser sinuoso o caminho que leva até tecnologias energéticas lucrativas. Quando começaram, Dillon e Wolfson cogitaram priorizar o uso de algas para produzir hidrogênio, mas os veículos movidos a hidrogênio nunca decolaram.
Os sócios da Solazyme perceberam que precisavam criar um produto que pudesse usar equipamentos e infraestrutura existentes, e o óleo combustível parecia a melhor aposta.
O problema em produzi-lo é que o volume é quem manda. Fazer um produto incrível não era o importante -se a Solazyme não conseguisse fazê-lo em quantidade suficiente, o negócio nunca teria sucesso.
O combustível celulósico pode em breve alcançar uma escala real: o Departamento de Energia dos EUA prevê que haverá 303 milhões de litros em produção comercial até 2015. Mas o uso de algas pelas empresas irá demorar até 2022, preveem as autoridades.
Na Solazyme, os sócios aceleraram os testes preliminares, tentando fazer algo que imitasse o óleo combustível existente. Eles também reprogramaram os micro-organismos para ver o que mais poderia resultar.
"A intenção era uma linha reta até os combustíveis, mas começou a ficar claro o quanto isso iria demorar", disse Wolfson, comentando a evolução da empresa até desenvolver múltiplas linhas de produtos.
A grande descoberta foi que as algas podem produzir óleos que, do ponto de vista bioquímico, se parecem muito com outros encontrados na natureza ou já em uso no mercado. Mas os sócios haviam vendido aos investidores uma empresa de energia, não uma fábrica de cosméticos, suplementos nutricionais e sabão.
Eles também haviam dito ao seu conselho que conseguiriam produzir combustível por meio da fotossíntese, mas o cultivo de algas onde houvesse luz solar suficiente exigiria enormes lagos e ameaçaria causar uma perda de vegetação.
Após procurar às pressas uma alternativa, Wolfson e Dillon informaram ao seu conselho que cultivariam as algas em tanques para produzir óleos especiais para mercados secundários, usando o faturamento dessas vendas para amparar o negócio de combustíveis durante o seu desenvolvimento. Seus principais patrocinadores, que já haviam investido juntos cerca de US$ 1,3 milhão, concordaram em financiar novos testes para essa ideia.
Vários conselheiros acabaram saindo, e vários investidores de risco que haviam demonstrado interesse nas rodadas preliminares de financiamento se retiraram pelo fato de os criadores insistirem em perseguir múltiplos mercados, segundo Wolfson.
"É bem verdade que, se você tenta fazer coisas demais e não tem um enfoque enquanto companhia, você vai fracassar -o enfoque realmente importa", disse ele. "O que eles realmente não entenderam é que a nossa plataforma é uma plataforma que está focada na produção óleos."
A empresa tem um acordo de vários anos com o conglomerado japonês Mitsui para desenvolver óleos específicos para os mercados químico e industrial. Em parceria com a Solazyme, a Bunge, multinacional gigante do setor agroalimentar, está construindo uma fábrica ao lado da sua usina de etanol de cana no centro-sul do Brasil. Ela vai usar o açúcar para alimentar as algas e espera produzir até 114 milhões de litros de óleo por ano para produzir sabão e outros produtos.
"Quanto maiores os dividendos que pudermos demonstrar de cada fábrica no começo, mais rápido conseguiremos financiar e construir fábricas", disse Wolfson. A empresa espera vender os óleos cosméticos a um preço 60% superior ao valor de custo, frente a 30% de lucro para os combustíveis e produtos químicos e 40% para os produtos nutricionais.
Uma tentativa de diversificação caiu por terra em 24 de junho, quando a Solazyme dissolveu uma parceria com a beneficiadora de amidos Roquette Frères.
As empresas estavam usando algas para produzir gorduras com baixo teor de saturação e óleos sem gorduras trans, além de um suplemento em pó, o Almagine, que deveria substituir ovos e gorduras saturadas. Mas as empresas disseram não ter chegado a um acordo sobre a estratégia de marketing.
Analistas dizem que as cifras operacionais da empresa sugerem que, por enquanto, ela é mais promessa do que realidade.
No ano passado, a Solazyme teve um prejuízo líquido de US$ 83 milhões sobre um faturamento de US$ 44 milhões. Ela também assumiu uma dívida de cerca de US$ 185 milhões no começo deste ano.
Mesmo assim, os analistas estão otimistas com as perspectivas da empresa, embora alguns manifestem ceticismo quanto à possibilidade de a Solazyme algum dia desenvolver combustíveis.
"Os combustíveis ainda são uma oportunidade para eles", disse Rob Stone, analista de pesquisas que monitora tecnologias limpas. Mas ele acrescentou que a nova capacidade produtiva em escala comercial poderia ser usada inteiramente para satisfazer à demanda nos mercados de maior valor agregado, então talvez não faça mais sentido para a Solazyme esgotar seu espaço produtivo fabricando combustíveis com margem de lucro menor.
"Acho que eles podem fazer uma companhia enorme sem jamais fazer praticamente nada no negócio dos combustíveis."

terça-feira, 2 de julho de 2013

Australianos tornam mais eficiente a transformação da água do mar em combustível

Australianos tornam mais eficiente a transformação da água do mar em combustível
13 de Junho de 2013 • Atualizado às 11h02




Cientistas australianos desenvolveram uma nova maneira de transformar a água do mar em hidrogênio. A opção é eficiente, reduz os impactos ambientais e é considerada uma fonte energética totalmente limpa.
A descoberta foi publicada na última quarta-feira (12) no site Science Alert. Os responsáveis pelo projeto são os pesquisadores do Australian Research Council Centre of Excellence for Electromaterials Science (ACES). Apesar de não ser nova a utilização da água do mar para este fim, o diferencial do projeto é a criação de um catalisador luminoso, que gasta menos energia para ativar a oxidação da água. Este é o primeiro passo para a separação do hidrogênio, usado como combustível.
Nos processos feitos antes desta tecnologia, o consumo energético era tão alto, que impossibilitava o uso da água do mar. No entanto, a equipe australiana conseguiu introduzir uma clorofila artificial em um filme plástico condutor. Essa alternativa facilita a separação da água, tornando o processo mais eficiente.
De acordo com os cientistas, a novidade deve facilitar muitos outros processos, já que o polímero flexível tem uma ampla gama de aplicações e é fabricado de forma mais simples que os semicondutores feitos em metal.
O método australiano é altamente eficiente. Os pesquisadores acreditam que, com cinco litros de água do mar, seja possível produzir energia suficiente para abastecer uma casa de tamanho médio e um carro elétrico por dia.
Redação CicloVivo

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Em busca do milagre energético


15/04/2013 - 03h00

Em busca do milagre energético


The New York Times
A Lockheed Martin tem um plano para transformar o sistema energético mundial: um tipo viável de fusão nuclear. Bill Gates e outro veterano da Microsoft, Nathan Myhrvold, já despejaram milhões de dólares em um reator de fissão que poderia funcionar à base de resíduos nucleares. A China aproveitou uma pesquisa descartada nos EUA para tentar desenvolver um reator mais seguro, baseado num elemento abundante chamado tório.

Muita gente inteligente está chegando à conclusão de que o problema energético será o maior desafio do século 21. Temos de fornecer energia e transporte a uma população que chegará a 10 bilhões de indivíduos, mas também precisamos limitar as emissões de dióxido de carbono (CO2) que ameaçam nosso futuro.
Muitos ambientalistas creem que as energias eólica e solar poderão ser ampliadas para atender à crescente demanda. Mas diversos analistas afirmam que as energias renováveis não poderão nos levar nem até a metade desse caminho.
Jovens brilhantes estão trabalhando para melhorar o armazenamento de eletricidade. Também já começaram a ser desenvolvidas tecnologias futuristas que possam retirar o CO2 da atmosfera de forma barata.
Mas, diante da premente necessidade de milhares de usinas geradoras de energia que funcionem noite e dia sem emitir CO2, muitos tecnólogos continuam revisitando as possibilidades de aperfeiçoamento da energia nuclear.
"Precisamos de milagres energéticos", declarou Gates três anos atrás, ao lançar sua iniciativa. Gates e Myhrvold planejam construir o chamado "reator de onda viajante". Em princípio, ele poderia operar de forma segura por meio século (ou mais) sem ser reabastecido e seria alimentado com resíduos perigosos das atuais usinas.
Esse método, como os dos reatores existentes, baseia-se na fissão, ou seja, na quebra de átomos pesados, usando a energia resultante para acionar turbinas elétricas.
A abordagem da Lockheed Martin envolve a fusão de variantes do hidrogênio em elementos mais pesados, uma reação semelhante àquela que mantém o Sol "aceso".
Em discurso neste ano, um dos líderes desse programa, Charles Chase, sugeriu que a meta é desenvolver reatores de fusão pequenos e modulares que possam ser montados em fábricas.
Entre as novas abordagens nucleares, os reatores de fissão à base de tório oferecem vantagens em termos de segurança. Os conceitos básicos foram provados em pesquisas da década de 1960 nos EUA, mas a ideia acabou abandonada.
Um engenheiro do Alabama, Kirk Sorensen, ajudou a resgatar esse trabalho e fundou uma empresa, a Flibe Energy, para levar isso adiante. Mas a China está à frente dos EUA nesse campo, com centenas de engenheiros desenvolvendo reatores de tório.
"Eles estão dando voltas na pista, e nós nem decidimos se vamos amarrar nosso tênis", afirmou Sorensen.
No entanto, mesmo que essas tecnologias funcionem, é possível que elas só sejam amplamente instaladas nas décadas de 2030 e 2040. Os climatologistas nos dizem que seria tolice esperar tanto tempo para começar a confrontar o problema das emissões.
As duas abordagens para a questão -gastar dinheiro na tecnologia atual ou investir em avanços futuros- são às vezes apresentadas como conflitantes. Mas os especialistas mais inteligentes dizem que temos de perseguir ambas, agressivamente.
Uma política climática ambiciosa por parte dos EUA, ancorada por um preço elevado sobre as emissões de CO2, atenderia simultaneamente aos dois objetivos, acelerando a tendência de substituição das usinas termoelétricas a carvão por usinas a gás natural e direcionando investimentos para as atuais tecnologias de baixa emissão de carbono, como a eólica e a solar.
Também haveria maior recompensa econômica para o desenvolvimento de novas tecnologias -reatores nucleares de nova geração, células solares melhoradas ou alguma coisa inteiramente imprevista.
Na prática, a política dos EUA é esperar por milagres energéticos, sem muito esforço para que eles aconteçam. Mas, certamente, nos sentiríamos bem melhor em relação ao futuro se o pleno poder criativo do capitalismo americano fosse liberado para o problema climático.