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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Licença falha permite madeira ilegal

Licença falha permite madeira ilegal

Documento que regula troca da mercadoria é vulnerável a fraudes por ser autodeclaratório, segundo policiais ambientais e especialistas



29 de setembro de 2013 | 2h 05

EDISON VEIGA - O Estado de S.Paulo
São muitos os caminhos - entremeados por fraudes e ilegalidades - que fazem a Amazônia acabar na sala de sua casa. Ambientalistas, acadêmicos e policiais concordam em um ponto: para coibir crimes e acabar com as madeireiras fora da lei, o primeiro passo é melhorar o Documento de Origem Florestal (DOF).
Instituído em 2006 sob responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o DOF é, na teoria, uma bela ferramenta para coibir crimes ambientais, pois no sistema devem ser registrados todos os passos no manejo da madeira. Entretanto, são muitas as falhas que tornam o mecanismo sujeito a fraudes. Ao longo da semana, a PM Ambiental fez uma blitz em 32 madeireiras do Estado para apurar desvios. A ação teve como resultado quase R$ 2 milhões em multas, conforme balanço obtido anteontem.
"O problema é que se trata de um sistema autodeclaratório", afirma o coronel Milton Sussumu Nomura, comandante da Polícia Militar Ambiental. "Se fosse perfeito, ia garantir que toda a madeira utilizada no País seria legal."
A opinião é endossada por ambientalistas. "Existem diversas formas de burlar o DOF", afirma Márcio Astrini, coordenador da Campanha da Amazônia Greenpeace. "Existem planos de manejo aprovados em áreas que não têm madeira e onde a madeira já foi extraída, além de muitos outros absurdos." De acordo com o Greenpeace, de 40% a 60% da madeira oriunda da Amazônia hoje tem ao menos algum elemento de ilegalidade. "O sistema é muito permeável a fraudes e precisa ser revisto", diz Astrini. Procurado pelo Estado, o Ibama não se posicionou sobre os problemas.
Mercado. Na quarta-feira, esse foi um dos temas discutidos em seminário promovido pela Rede Amigos da Amazônia (RAA), ligada ao Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Belém. "Acreditamos que o próprio mercado pode melhorar o sistema DOF", diz Thais Megid, coordenadora-geral da Rede Amigos da Amazônia. Por isso, a expressão que ela gosta de utilizar é "madeira sustentável", em vez de "madeira legal".
Ao menos na teoria, a premissa parece simples. Se a Amazônia é a maior fornecedora de madeira do País e o Estado de São Paulo, o maior consumidor, entre essas duas pontas estão as grandes indústrias. Fábricas de móveis e construtoras são as grandes compradoras da madeira bruta. "E essas empresas, muitas delas marcas fortíssimas, não querem ter os nomes vinculados a atividades ilegais. Assim, precisamos ter uma maneira para que as madeireiras que trabalham na completa legalidade consigam deixar isso claro, além do sistema DOF", explica Thais. "Isso dará a elas uma vantagem em relação às outras na hora de colocar o produto no mercado."

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Projeto Acácia: Economia verde?


Madeira brasileira atrai estrangeiros

Para captar investidores em países ricos, fundos anunciam que o produto, de tão rentável, traria mais dinheiro que aplicações em ouro

13 de janeiro de 2013 | 2h 06


JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE/ GENEBRA - O Estado de S.Paulo
Investir em madeira brasileira pode render mais que uma aplicação em ouro e ser mais interessante que os papéis do Tesouro americano. O anúncio parece exagerado. Mas é a mensagem que dezenas de fundos de investimento estão lançando em países ricos, em busca de pessoas interessadas em aplicar seu dinheiro. Com o setor imobiliário implodido nos países ricos e dúvidas em relação a aplicações tradicionais, empresas apresentam segmentos alternativos, caso da madeira brasileira, como opção.
Uma dessas empresas é a Greenwood, que criou o que chama de "Projeto Acácia". A companhia estrangeira comprou cinco áreas em um total de 2,3 mil hectares para plantar de forma sustentável as árvores. Uma dessas áreas fica no Estado da Bahia.
O interessado aplica seu dinheiro, compra simbolicamente áreas nessas terras da empresa e será a venda dessa madeira para o mercado doméstico brasileiro e eventual exportação que garantirá o retorno do investimento. Os dividendos, segundo a empresa, começarão a aparecer dentro de três anos. Por meio hectare adquirido, o investidor paga 6,2 mil euros. Os pacotes podem chegar a 505 mil euros.
"O fato é que esse é o melhor momento para que as pessoas se envolvam nesse investimento, já que ele está fora da zona do euro, em crise", escreveu ao Estado Liam Fleming, um dos administradores do projeto. "O Brasil é um mercado em expansão e que só pode ficar melhor com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos", indicou. "Nesse momento, muitos investidores estão saindo da Europa e indo ao Brasil na preparação desses eventos e o governo está gastando bilhões em infraestrutura", disse Fleming. "Adoramos a notícia, já que significa que a demanda por madeira vai aumentar", completou.
Casas populares. Outro fator que está impulsionando esses fundos é a decisão do governo de lançar a construção de casas populares, que também exigiriam o fornecimento de madeira.
De fato, segundo a Wood Resource Quarterly, empresa que mantém um monitoramento dos preços de madeira pelo mundo, o custo do produto no Brasil bateu um recorde em 2011, diante da demanda aquecida. De acordo com o levantamento, o recorde não se refere apenas aos preços no Brasil nos últimos anos, mas também em comparação com regiões como Europa, Austrália, Chile e Rússia. A demanda externa também ajudou a elevar os preços, algo positivo para os investidores. Em 2011, as exportações aumentaram 6%, principalmente para China, México, Marrocos e Arábia Saudita.
A indefinição sobre o Código Florestal no Brasil e obstáculos legais chegaram a causar uma fuga de investimentos no setor, com cálculos que apontam que até US$ 6 bilhões teriam deixado de ser investidos no País nos últimos anos.
Ainda assim, diante das perspectivas, empresas estrangeiras da Suécia, EUA e vários outros países prometem a seus clientes no exterior um retorno de 5% a 14% para quem investir em eucalipto, acácia ou outras madeiras no Brasil, sempre com a promessa de que a gestão do produto será feita de acordo com as leis ambientais locais.
Atrativos. Em Londres, a Global Forestry Investments atrai seus clientes apontando simplesmente que, entre os anos 1987 e 2006, a madeira rendeu mais às aplicações que a bolsa de Nova York, o mercado imobiliário inglês ou emissões do Tesouro americano.
Já a Big Lands Brazil, com escritórios no País e no exterior, aponta que já tem 83 propriedades pelo Brasil, onde investe em madeira em mais de 1,6 milhão de hectares. Uma de suas funções em 2011 foi a de dar consultoria para um fundo de investidores interessados em madeira e com base em Guernsey - um paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha.
Não é apenas a extensão do território brasileiro que é vendida aos investidores como algo atrativo. A consultoria australiana New Forest ainda aponta para as inovações genéticas e de manejo florestal no Brasil, permitindo taxas de crescimento das árvores acima da média. "O Brasil tem desenvolvido regimes de manejo que permitem que espécies de eucalipto possam crescer a taxas de quase 50 metros cúbicos por hectare por ano", indicou.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Estudo avalia conhecimento de engenheiros civis sobre madeira

09/01/12 - 00:00 > ENGENHARIA

http://www.dci.com.br/Estudo-avalia-conhecimento-de-engenheiros-civis-sobre-madeira-8-405196.html


São Paulo - O curso de Engenharia Florestal, da Escola Superior de Agricultura "Luiz Queiroz" (USP/Esalq), realizou um estudo para avaliar o conhecimento que os profissionais da área tem sobre a madeira - matéria-prima que vem sendo cada vez mais utilizada no setor de construção civil. De acordo com a pesquisa, o conhecimento que os profissionais da área apresentam sobre o produto, proveniente de florestas, parece ser insuficiente quando se trata de questões relacionadas à sustentabilidade. - 




A hipótese, levantada no recente estudo, é de que há deficiência em conteúdos técnicos, legais e ambientais. "A confirmação da hipótese contribui para a indicação de espécies inadequadas, para a compra de madeira ilegal e para a insustentabilidade nas cadeias produtivas florestais e da construção civil", sinaliza Adriana Maria Nolasco, professora do Departamento de Ciências Florestais (LCF).







Com o auxílio de Giovana Indiani e Mayra Bonfim, futuras engenheiras florestais, o trabalho avaliou o conteúdo sobre madeira nos cursos de graduação em Engenharia Civil no Estado de São Paulo. Foram identificadas todas as instituições públicas e particulares, que oferecem o curso no estado. Os dados foram coletados a partir da matriz curricular dos cursos e do programa/ementa das disciplinas oferecidas que tratam do tema. Foram realizadas, também, diversas entrevistas com roteiro semi-estruturado, via telefone e Internet. 







De acordo com o levantamento, o curso de graduação em Engenharia Civil é oferecido por 53 instituições de ensino, sendo 8 públicas e as demais privadas. A análise dos dados mostrou que o tema madeira é tratado em todos os cursos. No entanto, temas da área técnica são mais abordados que os relacionados à sustentabilidade e legalidade. 






Os conteúdos referentes às propriedades, características, anatomia e estrutura da madeira são abordados em 100% dos cursos, com variação na carga horária destinada ao assunto. Na maioria deles, o conteúdo aparece como parte da disciplina Materiais de Construção, com carga horária de até 12 horas. Isso é suficiente, somente, para que o graduando tenha uma noção geral sobre o material, mas não permite que ele adquira conhecimento sobre suas propriedades e espécies de forma a fazer uma correta seleção e especificação de materiais para os diferentes usos. Apenas 40% dos futuros engenheiros civis formados em São Paulo têm contato com disciplinas que abordam certificação florestal e acabamento e preservação da madeira. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A madeira em tempos de sustentabilidade


A madeira em tempos de sustentabilidade-IV

A madeira em tempos de sustentabilidade-IV
Silvio Colin

Quando o tema da sustentabilidade entrou na pauta dos arquitetos mais conscientes, a utilização da madeira na arquitetura passou a ser encarada com certa desconfiança. Afinal de contas, poderíamos estar indiretamente contribuindo para o desmatamento de nossas reservas, indo enfim de encontro às agendas progressistas relacionadas com o nosso ecossistema.
File:Tjibaou cultural center.jpg
Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou. Nova caledônia. 1991-98. Arquiteto Renzo Piano.
Uma das mais inspiradas utilizações da madeira na grande arquitetura.
Esta desconfiança, entretanto, é absolutamente injustificável. A madeira possui excelentes qualidades ambientais. Tem baixa energia incorporada[1], se comparada com o aço, alumínio e concreto. È, ainda, dentre os materiais utilizados na construção, o único renovável. Isto quer dizer, com a utilização do manejo florestal sustentável, a floresta de origem continuará oferecendo suas riquezas para as gerações futuras. O mesmo não se poderá dizer do concreto, pois seus componentes agregados, a areia e a pedra britada, são retirados da natureza e transformados de tal maneira que a ela não poderão voltar. Isto sem falar do cimento, grande consumidor de combustíveis fósseis, responsável por grande parcela das emissões de gás carbônico. Isto quer dizer, altíssima energia incorporada.
Casa Helio Olga
Casa Helio Olga, São Paulo, 1990. Arquiteto Marcos Acayaba.
Entretanto, talvez seja o fantasma do desmatamento de nossas reservas florestais, da exploração irracional, predatória e ilegal que assusta aqueles que desejam especificar a madeira em seus projetos. Afinal, o desmatamento é um dos grandes inimigos da sustentabilidade. Tem graves conseqüências além da perda direta dos recursos naturais, como a alteração climática, a extinção da biodiversidade, degradação do solo, influência nas águas, alterando o regime das enchentes, secas e erosões, provocando o deslocamento das culturais locais.
Afinal de contas, historicamente, o Brasil tem o próprio nome ligado à extração predatória da madeira. Lembremos que ainda no primeiro século de vida, o país viu serem extintas as suas reservas de pau brasil, na Mata Atlântica, para fornecer corante para tecidos na Europa.
Casa ConverseyCasa Conversey. Grachaux, França. Arquitetos B. Quirot e O. Vichard.
Um primeiro controle nos vem dos tempos do Império. A conhecida expressão “madeira de lei”, que em sentido amplo designa madeiras que, por sua qualidade e resistência, principalmente ao ataque de insetos e umidade, são empregadas em construção civil, naval, confecção de móveis de luxo, instrumentos musicais e artigos de decoração[2], tem origem remota, em uma lei imperial que, apesar de muito conhecida, não tem definição técnica. A Carta de Lei de 15 de outubro de 1827, incumbia aos juizes de paz das províncias a fiscalização das matas e zelar pela interdição do corte das madeiras de construção em geral, por isso chamadas madeiras de lei. A circular de 5 de fevereiro de 1858 designa as madeiras cujo corte era reservado, mesmo em terras particulares. Portanto, o corte de madeiras de construção, comumente denominadas madeiras de lei, estava interditado quer em terras particulares, quer em terras devolutas.[3] A expressão madeira de lei chegou até nossos dias ainda como sinônimo de madeira de construção, civil e naval, ou seja, conforme o dicionário Aurélio: “madeira dura ou rija, própria para construções e trabalhos expostos às intempéries”. Madeira de lei pode, ainda, se referir àquelas madeiras de alto valor no mercado.
Casa Bandeira de Mello, Itu SP, 2003. Arquiteto Mauro Munhoz.
Casa Bandeira de Mello, Itu SP, 2003. Arquiteto Mauro Munhoz.
Há que considerar, porém, que a madeira utilizada para construção, seu uso mais nobre, é apenas uma parte das árvores abatidas nas nossas florestas, aproximadamente 30% do total de toras. 37% são consumidas como carvão vegetal e 17 % como lenha industrial, o uso mais servil. Lâminas e compensados são responsáveis por 7%.[4]
Pode entretanto o arquiteto se precaver contra a utilização de madeira ilegal especificando, recomendando, exigindo, dependendo da etapa do empreendimento, madeira certificada, isto é, oriunda de processos sustentáveis de extração.
madeira 20004
Casa Loblolly. Ilha Taylors, Maryland. Arquiteto Kieran Timberlake.
Mas o que é madeira certificada? É a madeira que possui um atestado de um órgão reconhecido que garante ser oriunda de um processo produtivo manejado de forma correta. A certificação serve também para orientar o consumidor ou empresário a escolher um produto diferenciado e com grande valor agregado, que contribui para o desenvolvimento social e econômico das comunidades florestais.
Dentre os vários sistemas de certificação, o FSC (Forest Stewardship Council- Conselho de Manejo Florestal) é hoje o selo verde mais conhecido e aceito em mais de 75 países de todos os continentes. Este conselho foi criado como resultado de uma iniciativa para a conservação ambiental e desenvolvimento sustentável das florestas do mundo inteiro. Seu objetivo é difundir o uso racional da floresta, garantindo sua existência no longo prazo e certificar que o produto foi resultado de um manejo florestal sustentável.
Casa na Praia Brava, Ubatuba SP, 2007. Dal Pian Arquitetos.
Casa na Praia Brava, Ubatuba SP, 2007. Dal Pian Arquitetos.
Por sia vez, “manejo florestal sustentável” consiste em um controle rigoroso do processo extrativo da madeira. Começa com a seleção árvores a explorar: somente as árvores sadias, de diâmetro igual ou superior a 45 cm podem ser abatidas. As árvores remanescentes são reservadas para o ciclo de corte seguinte. Durante o corte, a queda da árvore é ajustada de maneira a evitar que ela venha a danificar outras. Estabelece-se também os ramais de arraste para levar as árvores extraídas até o pátio.
madeira 20001 - Cópia - Cópiamadeira 20001 - Cópia
Casa Península Vitória. Austrália. Arquiteto Sean Godsell.
O tratamento pós-exploratório consiste nos cuidados com a área de onde foi retirada a árvore. São chamados tratamentos silviculturais. Consistem em limpeza, desbaste de árvores não comerciais, plantio de enriquecimento com espécies comerciais. Estes tratamentos podem aumentar significativamente o crescimento e valor das árvores, podendo mesmo até ser o crescimento duplicado. È avaliado também o impacto sobre a floresta remanescente e sobre o solo, o desperdício, e aplicadas medidas de proteção florestal, proibindo a caça, pesca e qualquer atividade extrativa. Incluem também o controle de incêndios e invasões. A infra estrutura estabelecida para o manejo, pátios, estradas primárias e secundárias, bueiros, pontes etc. fica como um acervo da região.
Parafraseando a anedota pecuária, que diz que do boi somente se perde o berro, da madeira não se perde nada. É um excelente material estrutural, que durante séculos foi o único que admitia o serviço de flexão, versatil e resistente material para acabamentos externo, utilizável em toras, tábuas, “shingles” e réguas; pode ser utilizado como material de cobertura, e é ainda é o mais belo e utilizado material de revestimento interno, em lambris de réguas e folheados. Com os devidos cuidados, pode o arquiteto desfrutar deste material, de sua beleza, de suas propriedades estáticas e de sua versatilidade, sem nenhuma culpa.


A madeira em tempos de sustentabilidade – III


Madeira transformada

A indústria de transformação da madeira produz diversos tipos de produto, dos quais citamos a seguir os principais.
Madeira compensada – Pode ser laminada ou sarrafeada. No primeiro caso, as lâminas são retiradas do lenho das árvores em um torno desenrolador depois de amolecido com água ou vapor. Estas folhas são coladas cm resinas sintéticas, alternando o sentido das fibras. No segundo caso, o miolo da chapa é composto de sarrafos, e não de folhas. A madeira compensada é utilizada para, mobiliário, revestimento de tetos e paredes, esquadrias e divisórias, formas de concreto.
Compensado sarrafeado e compensado laminado. Imagens e
Madeira reconstituída - O tecido lenhoso é primeiramente reduzido a fitas, lascas ou flocos depois reconstituído por pressão usando como ligante a uréia, a caseína ou resinas sintéticas ou mesmo sem ligante, contando apenas com a lignina, própria das fibras. Estes produtos têm suas propriedades químicas e físicas controladas, podendo ser mais ou menos densas, mais ou menos resistentes a ataque de agentes químicos ou biológicos, e tendo em vista a aplicação a que se destina. Atualmente é grande a diversidade de produtos de madeira transformada, sobretudo na forma de painéis para uso na construção civil e indústria moveleira, resultado sobretudo da necessidade de preservação das reservas florestais nativas e imposição legal da obrigatoriedade de reflorestamento para a comercialização da madeira.
Diversas são as classificações adotadas para as madeiras transformadas, que variam quanto ao processo de fabricação, propriedades físicas e químicas e destinação. Damos a seguir uma descrição dos produtos mais importantes.
1 – Madeira compensada
Durante muitos anos o compensado foi o painel de madeira mais importante produzido e consumido no Brasil. Com instalação inicial no Sul do país por volta dos anos 40, a indústria deste setor baseava-se nas florestas naturais de Araucária, embora tenha atingido níveis significativos de produção apenas na década de 70. Os compensados surgiram em escala industrial após o desenvolvimento de um sistema capaz de laminar, ou folhear, a madeira.

Moveis de compensado
O painel compensado tradicional é composto por três ou mais lâminas torneadas, unidas uma perpendicularmente à outra com adesivo ou cola, sempre em número ímpar, de tal forma que algumas propriedades físicas e mecânicas se tornem superiores às de madeira original (a contração, por exemplo, é quase totalmente eliminada).
Quanto à matéria-prima utilizada, estima-se que 60% do compensado nacional seja produzido com madeira tropical, enquanto que os outros 40% seja produzido com madeira de florestas plantadas nas regiões Sul e Sudeste (particularmente o Pinus), incluindo o tipo “combi” (face em madeira tropical e miolo em madeira de Pinus).
Criação original utilizando compensado. Imagem
Os maiores consumidores de compensados são os fabricantes de móveis e os construtores civis. O valor desse produto varia de acordo com as espécies e a cola utilizada, com a qualidade das faces e com o número de lâminas que o compõe. Há compensados tanto para uso interno, com colagem a base de resina uréia-formol, utilizados pela indústria moveleira, quanto externo, com colagem à base de fenol-formol, utilizados normalmente na construção civil. Chapas finas de compensado apresentam algumas vantagens sobre as demais madeiras industrializadas, pois são maleáveis e podem se curvar. Na indústria moveleira são empregados principalmente na produção de armários, roupeiros, tampos de mesa, laterais de móveis, braços de sofá, fundos de armários e de gavetas, prateleiras, pisos e portas residenciais internas.
Os painéis compensados apresentaram um acentuado declínio em seu consumo, no ano 2000, provocado pela perda de mercado para o MDF e para o aglomerado. O crescimento da produção foi absorvido pelas exportações, uma vez que o produto brasileiro tem expressiva participação no mercado mundial.
No Brasil, os compensados são tradicionalmente divididos conforme sua fabricação em dois tipos[1]: multilaminados (plywood), formado por lâminas de madeira). e sarrafeados (blockboard), formado por duas lâminas de madeira externas e miolo sarrafeado.
Segundo as normas brasileiras, conforme o local de utilização, as chapas de compensado podem ser classificadas em: IR (interior), IM (intermediário) e EX (exterior). Além desta classificação, há uma outra que atende às normas e que também é utilizada pelo mercado em geral. Nessa classificação, os compensados são subdivididos quanto ao seu uso, conforme apresentado a seguir:
Compensados de uso geral – São chapas de madeira compensada, multilaminada ou sarrafeada, e cujo adesivo empregado na sua fabricação a restringe ao uso interno, utilizando o adesivo uréia-formaldeído. Este tipo de chapa tem grande aplicação na indústria moveleira. Os painéis tem espessura mais comuns variando entre 3mm e 25mm, podendo chegar até 35mm. As dimensões usuais são: 2,20m x 1,60m.

Compensado para formas de concreto. Imagem
Forma de concreto – São chapas de madeira compensada, multilaminada, e cuja colagem é à prova d’água, à base de adesivo fenol-formaldeído admitindo-se portanto o uso exterior. Este produto é largamente empregado na construção civil. São fabricados com acabamentos distintos relacionados com sua destinação e uso. São fabricados nas seguintes dimensões: 1,10 x 2,20 m, espessuras 6, 10, 12, 14, 17 e 20 mm. 1,22 x 2,44 m, espessuras – 6, 10, 12, 15, 18, 21 mm. Podem ser: Plastificados, permitindo uma maior reutilização (cerca de sete vezes); Resinados, permitindo cerca de duas reutilizações.
Formas para concreto de compensado. Imagem
Decorativo (compensado laminado) – Estas chapas recebem na sua superfície uma lâmina de madeira considerada como decorativa, e a colagem deve ser do tipo intermediária, ou seja, podem ser utilizadas em locais de alta umidade relativa, e eventualmente entrar em contato com a água. O uso final deste produto é principalmente na fabricação de móveis.

Compensado decorativo. Imagem < woodenconcepts.net>
Industrial – A chapa do tipo industrial é aquela que possui a menor restrição em termos de aparência da superfície, mas é exigida boa resistência mecânica e o adesivo utilizado deve ser do tipo à prova d’água. A utilização do produto é muito ampla, destacando-se a embalagem.
Naval – São chapas classificadas genericamente como de uso exterior, colagem é à base de adesivo fenol-formaldeído (cola à prova d’água), com alta resistência mecânica e montagem perfeita. Destinam-se normalmente ao uso em aplicações que exigem o contato direto com a água.
Painel estrutural – Utilizado em construção civil, na chamada “construção seca”, para paredes divisórias externas e internas e mesmo lajes de mezaninos. É composto de miolo de madeira maciça, laminada ou sarrafeada, contraplacado em ambas as faces por lâminas de madeira e externamente por placas cimentícias em CRFS (Cimento Reforçado com Fio Sintético) prensadas. O processo de industrialização dos painéis constitui-se da prensagem especial dos componentes a alta temperatura, resultando em um produto de características técnicas de comprovada qualidade. A principal vantagem do painel estrutural é a maior resistência do painel à flexão estática no sentido paralelo ao seu comprimento. Dimensões 2,50 x 1,20 m, cm espessura de 40 mm.
Painel estrutural
Piso de mezanino feito com compensado estrutural. Imagem
2 – Madeira reconstituída

Aglomerado. Imagem
Aglomerado (Particleboard – Painel de partículas) – São painéis compostos de partículas de madeira ligadas entre si por resinas sintéticas (geralmente uréia-formaldeído). Sob ação de pressão e temperatura, a resina polimeriza, garantindo a coesão do conjunto. As partículas mais finas são depositadas na superfície, enquanto que aquelas de maiores dimensões são depositadas nas camadas internas. No Brasil, é utilizada principalmente a madeira de Pinus na fabricação do aglomerado, embora em princípio não haja restrições quanto ao uso de outras espécies. Dimensões mais comuns 1,83 x 2,75 m e 2,10 x 2,75 m, com espessuras variando de 9 a 25 mm.
MDF. Imagem Wikipedia
MDF (Medium Density Fiberboard) – painel de fibras de média densidade) – São painéis reconstituídos formados a partir da redução de madeira a dimensões básicas (fibras). Essa redução ocorre através de processo termo-mecânico, procedendo-se, posteriormente, ao reagrupamento dessas fibras através da adição de adesivo (resinas sintéticas), para então, através da prensagem, serem formados os painéis. Semelhante ao aglomerado, o MDF produzido no Brasil utiliza-se basicamente de madeira de florestas de Pinus. Dimensões mais comuns 1,83 x 2,75 e 2,10 x 2,75 com espessuras variando de 3 a 35 mm.
OSB
OSB (Oriented Strand Board – painel de flocos orientados) – São painéis produzidos a partir de flocos (ou lascas) de madeira relativamente finos,aproximadamente 1 mm, com larguras e comprimentos variando entre 10 e 50 mm. As chapas são formadas geralmente de várias camadas, sendo que nas camadas externas, os flocos apresentam o mesmo sentido, enquanto que na camada interna a orientação dos flocos é perpendicular às camadas da superfície ou aleatória. No Brasil, o OSB é produzido também em madeira de Pinus. Dimensões 2,40 x 1,20 m e 2,50 x 1,25, com espessuras de 9,12, 15, 18 e 25 mm.

Chapa de Fibra (Hardboard) – As chapas duras ou chapas de fibra são painéis de alta densidade produzidos por processo úmido utilizando-se calor e pressão sem a adição de resina. Dentre os painéis de madeira reconstituída é o menos consumido mundialmente e sua tecnologia de fabricação é considerada poluente e obsoleta. São utilizados pelas indústrias moveleiras, de construção civil e automobilística. No Brasil a madeira utilizada para a fabricação desse painel é o eucalipto, proveniente de florestas plantadas. O processo produtivo das chapas de fibra envolve um elevado volume de água que é adicionado à fibra de madeira de eucalipto e, depois, retirado com a ação de calor e pressão, fazendo com que as fibras do eucalipto fiquem consolidadas em chapas de madeira. É um processo termomecânico, sem a adição de resinas que não a lignina, resina natural do eucalipto. As chapas de fibra fabricadas têm espessura que varia de 2,0 a 6,0 mm, e as dimensões das placas são 1,85 x 2,44 m, 1,85 x 2,75 m ou 1,85 x 3,05. Podem ser apresentadas lisas, perfuradas, com pintura a base de água em uma das faces ou com pintura melamínica.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Madeira ilegal...


21/08/2011 - 18h45

Bandidos "depenam" casas para roubar madeira no PR



ESTELITA HASS CARAZZAI
ENVIADA ESPECIAL A CAMBIRA E SABÁUDIA (PR)




A porta de entrada é mera formalidade na capela de São Jorge, na zona rural de Cambira (região norte do Paraná). É mais fácil entrar pelas laterais depois que as paredes da igreja, feitas de tábuas de peroba, foram roubadas por ladrões.
"Aquilo foi uma coisa incrível", conta o padre Francisco Adami, 72. Além da porta de entrada, só sobraram o telhado, as janelas e algumas paredes secundárias, com tábuas pequenas.

Danilo Verpa/Folhapress
O padre Francisco Adami, 72, visita a Capela São Jorge, na regiao rural de Cambira
O padre Francisco Adami, 72, visita a Capela São Jorge, na regiao rural de Cambira

Até então, Adami não sabia que o material das paredes da capela é precioso e que seu valor pode chegar a R$ 25 cada tábua.
Árvore de madeira nobre e ameaçada de extinção, a peroba é muito cobiçada por indústrias moveleiras de Minas Gerais e São Paulo que fazem móveis rústicos.
A indústria vem alimentando uma "caça ilegal" no norte do Paraná: bandidos têm demolido casas inteiras em propriedades rurais atrás das tábuas de peroba, que era abundante na região há cerca de 50 anos, quando a capela foi construída.
Além da igreja de Cambira, pelo menos outras sete construções foram depenadas por ladrões nos últimos 12 meses. Os ladrões esperam o imóvel estar vazio para atacar.
Na pequena Sabáudia, cidade vizinha, há casas em que as paredes foram todas levadas e só restou o piso.
A polícia diz que os crimes se intensificaram nos últimos dois anos. "Esse negócio de móveis rústicos é o que está acelerando os furtos", diz o escrivão Clodoaldo de Souza, de Sabáudia.
BRECHA LEGAL
O furto de madeira nobre, mesmo que de espécies ameaçadas de extinção, não é considerado crime ambiental. E, como tem pequeno potencial ofensivo, a maioria dos bandidos, presos em flagrante, são liberados.

Danilo Verpa/Folhapress
Casa na região rural de Cambira, que teve tábuas de peroba furtadas
Casa na região rural de Cambira, que teve tábuas de peroba furtadas

Foi o que ocorreu com sete deles em Sabáudia. Os criminosos foram indiciados e respondem a processos por furto, mas estão soltos.
"Isso incentiva os criminosos. Se forem pegos, eles apostam que a polícia não vai conseguir provar o crime. E aí, se eventualmente forem condenados, a pena é mínima", explica o delegado Valdir Abraão da Silva, da regional de Apucarana, que também investiga o caso.
Para a polícia, vários grupos atuam na região. Em Sabáudia, a delegacia local pretende encaminhar nesta semana um inquérito ao Ministério Público, para que o órgão entre na investigação.
Aos frequentadores da capela de São Jorge, em Cambira, só resta a opção de frequentar as missas em um sítio próximo, para onde elas foram transferidas.
Já o padre Adami quer reconstruir a igreja, mas teme que o crime se repita. "Quem é que vai cuidar para que não venham mais ladrões?"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Inédito: PLANO MUNICIPAL DE ESTRATÉGIAS E AÇÕES LOCAIS PELA BIODIVERSIDADE


PLANO MUNICIPAL DE ESTRATÉGIAS E AÇÕES LOCAIS
PELA BIODIVERSIDADE





Portaria nº 91/SVMA-G/2011 

Publicado no DOC em 26/07/2011 página 19

Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, Secretário Municipal
do Verde e do Meio Ambiente, autoridade municipal
do Sistema Nacional do Meio Ambiente, no uso de suas atribuições
legais e de acordo com a Lei Orgânica do Município e Lei
no 14.887/2009.
Considerando a necessidade de implementar, em nível local, as
atividades que refletem os três objetivos da Convenção sobre
Diversidade Biológica, utilizando mecanismos como as Estratégias
e Planos de Ações Locais pela Biodiversidade, em conformidade
com os princípios e diretrizes para a implementação da
Política Nacional da Biodiversidade;
Considerando que a Decisão IX/287 da Conferência das Partes -
COP 09, da Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB viabilizou
a aprovação, na COP 10 em Nagoya, do Plano Estratégico
de Ação pela Biodiversidade para Autoridades Locais;
Considerando o Compromisso de Durban, assinado pelo Chefe
do Executivo Municipal, sobre a participação da Cidade de
São Paulo no Projeto LAB (Local Action for Biodiversity), uma
iniciativa do ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade),
apoiada pela IUCN (União Internacional para a Conservação
da Natureza);
Considerando que a Cidade de São Paulo faz parte da Reserva
da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, Programa da
UNESCO, e por isso, considerada área prioritária em nível mundial
para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento
sustentável;
Considerando as Diretrizes para o Plano de Ação da Cidade de
São Paulo para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas,
que reconhece que as mudanças climáticas também são decorrentes
e diretamente relacionadas à perda de áreas verdes e
seus elementos, responsáveis pela regulação do clima;
Considerando a importância da biodiversidade para a proteção
da qualidade de vida e saúde humana;
Considerando a competência da Secretaria Municipal do Verde
e do Meio Ambiente para estabelecer instrumentos legais, diretrizes
e normas de procedimentos para a gestão e o manejo da
biodiversidade paulistana;
Considerando a Portaria nº 057/SVMA-G/2009, que criou o
Grupo de Trabalho sobre Biodiversidade (GTB) e lhe conferiu a
atribuição de propor e implementar ações voltadas à conservação
da biodiversidade na Cidade de São Paulo.
Resolve:
Art. 1º Promover a implantação do Plano Municipal de Estratégias
e Ações Locais pela Biodiversidade.
PLANO MUNICIPAL DE ESTRATÉGIAS E AÇÕES LOCAIS
PELA BIODIVERSIDADE
OBJETIVOS - ESTRATÉGIAS - AÇÕES
OBJETIVO 1. CONHECIMENTO DA BIODIVERSIDADE PAULISTANA
1.1 Mapear fisionomias vegetais do Município.
1.2 Ampliar e incentivar projetos de inventários florístico e
faunístico.
1.3 Publicar as listas das espécies que ocorrem no Município.
1.4 Identificar, caracterizar e mapear áreas prioritárias para
a preservação, conservação e recuperação da biodiversidade,
especialmente aquelas em que ocorram espécies ameaçadas de
extinção ou endêmicas.
1.5 Resgatar registros históricos da biodiversidade paulistana.
1.6 Construir banco de dados com séries históricas georreferenciadas
sobre a biodiversidade paulistana.
1.7 Incentivar estudos biogeográficos com predições de ocorrência
e incremento de espécies associadas às mudanças climáticas.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SMSP, SMS
OBJETIVO 2. PRESERVAÇÃO, CONSERVAÇÃO, RECUPERAÇÃO
E PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE
2.1 Aumentar a área de cobertura vegetal biodiversa no Município.
2.2 Proteger as fisionomias vegetais naturais e as áreas prioritárias
para preservação, conservação e recuperação da biodiversidade.
2.3 Ampliar o programa de criação e implementação de Unidades
de Conservação (UCs), parques, praças, corredores verdes.
2.4 Criar e implantar zonas de amortecimento das UCs e áreas
envoltórias dos Parques Urbanos.
2.5 Interligar as áreas protegidas por UCs, APPs, parques,
praças, arborização urbana para formarem corredores para a
biodiversidade.
2.6 Pesquisar as espécies vegetais nativas com potencial ornamental,
e as suas relações interespécies, para plantio na cidade.
2.7 Realizar pesquisas para a produção e utilização de espécies
nativas ornamentais.
2.8 Incentivar e promover plantios de espécies vegetais nativas
do Município em parques municipais e demais áreas verdes.
2.9 Recuperar espécies vegetais que ocorram no Município e
que apresentem algum grau de ameaça.
2.10 Estimular a implantação de jardins, paredes, telhados e
calçadas verdes com espécies nativas.
2.11 Incentivar e promover projetos voltados à recuperação
da biodiversidade em ecossistemas aquáticos.
2.12 Elaborar plano de manejo específico para ambientes aquáticos
em parques que possuam corpos d’água.
2.13 Incentivar pesquisas que busquem meios de controle da
disseminação de espécies consideradas invasoras em áreas
prioritárias para conservação do Município.
2.14 Implantar Planos de Ação para Espécies da Fauna Ameaçadas
de Extinção, de ocorrência no Município, como a onçaparda
(Puma concolor capricornensis) e o muriqui-do-sul (Brachyteles
arachnoides).
2.15 Incentivar e promover projetos voltados à recuperação da
fauna nativa.
2.16 Realizar pesquisas sobre a ocorrência e distribuição de
doenças e zoonoses presentes na fauna silvestre para fins de
controle.
2.17 Ampliar as ações voltadas à vigilância epidemiológica de
doenças e zoonoses relacionados à fauna silvestre propiciadas
pelos eventos climáticos extremos e as mudanças climáticas.
2.18 Incentivar e promover pesquisas e projetos que insiram as
questões relativas à biodiversidade na área de saúde.
2.19 Promover ações que integrem a proteção da biodiversidade
com a proteção dos demais recursos naturais e agricultura.
2.20 Incentivar práticas de agroecologia e permacultura.
2.21 Ampliar a fiscalização do emprego de madeira legalizada
e certificada.
2.22 Incentivar e promover pesquisas que relacionem a proteção
da biodiversidade como instrumento de enfrentamento às
mudanças climáticas e ilhas de calor.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SMDU, SEMPLA, SMSP,
SGM, SMS
OBJETIVO 3. MONITORAMENTO, AVALIAÇÃO, PREVENÇÃO
E MITIGAÇÃO DE IMPACTOS SOBRE A BIODIVERSIDADE
3.1 Reduzir o desmatamento irregular por meio de fiscalização
integrada e ações educativas.
3.2 Promover o monitoramento da qualidade da água e da
diversidade florística e faunística do meio aquático.
3.3 Evitar a consangüinidade da fauna por meio da criação e
implantação de instrumentos de conectividade da vegetação.
3.4 Promover a diversidade genética em áreas verdes por meio
da criação de um banco de sementes e coleção viva de espécies
vegetais nativas do Município.
3.5 Monitorar o desenvolvimento das espécies nativas plantadas.
3.6 Monitorar e controlar as espécies da fauna e flora consideradas
exóticas invasoras em áreas públicas e desestimular a sua
multiplicação e reprodução em viveiros particulares.
3.7 Regulamentar a produção e o comércio de espécies vegetais
exóticas consideradas invasoras.
3.8 Intensificar ações fiscalizatórias contra crimes envolvendo a
captura e o comércio ilegal de animais silvestres.
3.9 Reduzir as ilhas de calor existentes do Município por meio
de plantio.
3.10 Reduzir a perda de habitat da biodiversidade por meio da
preservação dos ecossistemas e recuperação de áreas degradadas,
cursos d’água, nascentes e mananciais.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SMSU, SME
OBJETIVO 4. INDICADORES, ÍNDICES, DADOS
4.1 Atualizar e aprimorar os Indicadores e Sub-Indicadores
relacionados à Biodiversidade descritos no GEO Cidade de São
Paulo - 2004.
4.2 Promover a criação de indicadores relacionados à proteção
da biodiversidade com a saúde ambiental.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SMS
OBJETIVO 5. SISTEMA DE INFORMAÇÕES AMBIENTAIS
5.1 Atualizar e disponibilizar os dados georreferenciados de biodiversidade
no Portal da Biodiversidade de São Paulo.
5.2 Implantar o SISHERB (Sistema de Informações do Herbário).
5.3 Ampliar o SISFAUNA (Sistema de Informações da Fauna)
com as informações e dados dos prontuários dos animais
atendidos.
5.4 Integrar os sistemas da SVMA, especialmente os que gerenciam
informações e dados sobre biodiversidade, e estes com os
sistemas utilizados pela SMS.
5.5 Criar um sistema para cadastramento do setor de produção
e comércio de produtos e sub-produtos da flora e da fauna no
Município.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SMDU, SMS
OBJETIVO 6. PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS
6.1 Promover e participar do desenvolvimento da metodologia
para valorar a biodiversidade do Município.
6.2 Promover a remuneração pelos serviços ambientais proporcionados
pela natureza à sociedade.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SMSP, SF, SGM
OBJETIVO 7. EDUCAÇÃO, SENSIBILIZAÇÃO PÚBLICA, INFORMAÇÃO
E DIVULGAÇÃO SOBRE BIODIVERSIDADE
7.1 Promover cursos sobre a temática biodiversidade para todos
os tipos de público.
7.2 Promover cursos de atualização para professores da rede
pública municipal, estadual e privada sobre biodiversidade,
incluindo os aspectos legais envolvidos.
7.3 Estimular a inserção da temática biodiversidade nas escolas
da rede pública municipal.
7.4 Promover a publicação de materiais educativos e informativos
relativos à biodiversidade e sua relação estreita com a
qualidade de vida e saúde das pessoas.
7.5 Divulgar os resultados dos estudos e pesquisas sobre biodiversidade
realizados no âmbito do Município.
7.6 Divulgar o arcabouço legal sobre biodiversidade no Portal
da Biodiversidade da SVMA e junto aos diversos equipamentos
da SMS e SME.
7.7 Dar continuidade na participação do Projeto LAB (Local Action
for Biodiversity) coordenado pelo ICLEI África do Sul.
7.8 Sediar e promover eventos relacionados à biodiversidade.
7.9 Estimular a divulgação da temática biodiversidade e das
ações realizadas pelo Município nos meios de comunicação.
7.10 Publicar, a cada biênio, os resultados da implementação
do Plano Municipal de Estratégias e Ações Locais pela Biodiversidade.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SME, SMS, SGM, SMRI
OBJETIVO 8. GOVERNANÇA, POLÍTICAS PÚBLICAS, FORTALECIMENTO
JURÍDICO E INSTITUCIONAL PARA A GESTÃO
DA BIODIVERSIDADE
8.1 Revisar a legislação municipal sobre biodiversidade e sugerir
adaptações relativas aos objetivos do Plano Municipal de
Estratégias e Ações Locais pela Biodiversidade.
8.2 Criar um Plano Diretor de Áreas Verdes e Arborização
Urbana.
8.3 Estimular e facilitar a criação de Reservas Particulares do
Patrimônio Natural (RPPNs) Municipais.
8.4 Implementar os Planos de Gestão e Planos de Manejo das
Áreas Verdes do Município.
8.5 Propor instrumentos legais e estabelecer diretrizes e normas
de procedimentos para a gestão e o manejo da flora e fauna.
8.6 Elaborar instrumento legal e criar incentivos para o pagamento
por serviços ambientais proporcionados pela natureza.
8.7 Incentivar a criação de alternativas econômicas para as
populações que residam no entorno de Unidades de Conservação,
visando evitar a extração e o comércio ilegal da flora e
da fauna e melhorar a qualidade de vida dos moradores locais.
8.8 Elaborar instrumentos legais para normatizar a produção,
transporte, armazenamento, venda e plantio de espécies vegetais
consideradas invasoras.
8.9 Promover projetos voltados à implementação do Plano
Municipal de Estratégias e Ações Locais pela Biodiversidade em
todos os editais do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável (FEMA).
8.10 Buscar recursos públicos ou privados para a implementação
das ações relacionadas no Plano Municipal de Estratégias
e Ações Locais pela Biodiversidade.
8.11 Firmar convênios com entidades públicas, privadas e
organizações não governamentais, nas esferas nacional e internacional,
para a execução das ações relacionadas no Plano
Municipal de Estratégias e Ações Locais pela Biodiversidade.
8.12 Adequar a legislação municipal para que o percentual
previsto de área permeável em edificações seja sobre o solo
natural, sem barreiras físicas, com a finalidade de arborização.
8.13 Elaborar instrumento legal de obrigatoriedade de implantação
de áreas verdes funcionais para a biodiversidade, em
empreendimentos imobiliários, como medida de compensação
ambiental ou em termos de ajustamento de conduta.
8.14 Inserir no Termo de Referência Ambiental a mitigação ou
compensação para a fauna silvestre na avaliação do impacto
sobre a biodiversidade, causado pela instalação de empreendimentos
sujeitos ao licenciamento ambiental, Termo de
Compensação Ambiental (TCA) ou Termo de Ajustamento de
Conduta (TAC).
8.15 Agregar valores relativos à perda da biodiversidade faunística
nos processos de licenciamento ambiental, Termos de Referência
Ambiental, TCA e TAC e direcionar a compensação para
projetos ou ações voltados à conservação da fauna ou proteção
de espécimes silvestres.
8.16 Ampliar a obrigatoriedade no emprego de madeira certificada
e da certificada no âmbito do Município.
8.17 Equipar e ampliar a capacitação da Guarda Civil Municipal
Ambiental para atuar no combate à coleta, captura e comércio
ilegal da flora e da fauna.
8.18 Promover a articulação inter-institucional para a inserção
de questões relativas à proteção da biodiversidade na temática
da mudança climática, por meio do Comitê Municipal de Mudança
do Clima e Ecoeconomia.
8.19 Criar um Programa de Preservação e Proteção da Biodiversidade
Paulistana para a implementação do Plano Municipal de
Estratégias e Ações Locais pela Biodiversidade e definição de
metas para 2015 e 2020.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SNJ, SGM, SMDU, SMSU,
SEMPLA, SMRI
OBJETIVO 9. UTILIZAÇÃO SUSTENTÁVEL DOS COMPONENTES
DA BIODIVERSIDADE
9.1 Estimular e capacitar agricultores e viveiristas para a coleta
e comercialização de sementes, e para a produção comercial de
espécies nativas.
9.2 Criar incentivos para pesquisas visando à utilização sustentável
de componentes da flora paulistana.
9.3 Estimular a produção de madeira certificada no âmbito do
Município.
Órgãos Executores da PMSP: SVMA, SMSP, SEMDET
Art. 2º Cabe ao GTB, com o apoio das Unidades da SVMA e
demais Secretarias indicadas como parceiros na execução do
Plano Municipal de Estratégias e Ações Locais pela Biodiversidade,
propor as metas e o cronograma para a sua implementação.
Art. 3º O GTB deverá manter contato com instituições afins e
organizações não governamentais, visando à implementação
do Plano.
Art. 4º Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.
Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho
Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo