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sábado, 10 de maio de 2014

Se ainda restar a mata...

Desmatamento eleva em 100 vezes custo do tratamento da água


Com informações da Agência Fapesp - 07/05/2014
O desmate da vegetação próxima aos recursos hídricos disponíveis para o abastecimento humano tem forte impacto sobre a qualidade da água, encarecendo em cerca de 100 vezes o tratamento necessário para torná-la potável.
Todo o serviço de filtragem prestado pela floresta precisa ser substituído por um sistema artificial e o custo passa de R$ 2 a R$ 3 a cada mil metros cúbicos para R$ 200 a R$ 300, afirma o pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE).
"Em áreas com floresta ripária [contígua a cursos d'água] bem protegida, basta colocar algumas gotas de cloro por litro e obtemos água de boa qualidade para consumo. Já em locais com vegetação degradada, como o sistema Baixo Cotia [bacia hidrográfica do rio Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo], é preciso usar coagulantes, corretores de pH, flúor, oxidantes, desinfetantes, algicidas e substâncias para remover o gosto e o odor," detalhou Tundisi.
Isso sem contar que passa a ser necessário preocupar-se com a destinação dos resíduos gerados pelo próprio tratamento da água.
Quando a cobertura vegetal na bacia hidrográfica é adequada - e isso inclui não apenas as florestas ripárias, como também matas de áreas alagadas e demais mosaicos de vegetação nativa -, a taxa de evapotranspiração é mais alta, ou seja, uma quantidade maior de água retorna para a atmosfera e favorece a precipitação.
Um estudo recente, realizado na USP, mostrou que é possível tratar esgoto com técnicas naturais utilizando banhados naturais.
Além disso, explicou Tundisi, o escoamento da água das chuvas ocorre mais lentamente, diminuindo o processo erosivo. Parte da água se infiltra no solo por meio dos troncos e raízes, que funcionam como biofiltros, recarrega os aquíferos e garante a sustentabilidade dos mananciais.
"Em solos desnudos, o processo de drenagem da água da chuva ocorre de forma muito mais rápida e há uma perda considerável da superfície do solo, que tem como destino os corpos d'água. Essa matéria orgânica em suspensão altera completamente as características químicas da água, tanto a de superfície como a subterrânea", explicou Tundisi.
De acordo com o pesquisador, a mudança na composição química da água é ainda mais acentuada quando há criação de gado ou uso de fertilizantes e pesticidas nas margens dos rios. Ocorre aumento na turbidez e na concentração de nitrogênio, fósforo, metais pesados e outros contaminantes - impactando fortemente a biota aquática.
Tundisi lembrou que, além de garantir água para o abastecimento humano, os ecossistemas aquáticos oferecem uma série de outros serviços de grande relevância econômica, como geração de hidroeletricidade, irrigação, transporte (hidrovia), turismo, recreação e pesca.

sábado, 15 de junho de 2013

Projeto reforça preservação da Mata Atlântica no Rio



Iniciativa | 12/06/2013 14:59

Projeto reforça preservação da Mata Atlântica no Rio


A ação, inédita prevê o fortalecimento da biodiversidade através de ações sociais e a gestão integrada de áreas de proteção ambiental no Rio

Roberto Loffel/Veja SP
Reserva de Mata Atlântica
Reserva de Mata Atlântica: a primeira etapa do projeto visa reestruturar os conselhos comunitários dos mosaicos Carioca e Central Fluminense, situados na capital.
Rio de Janeiro – Com o objetivo de estimular a preservação da Mata Atlântica no território fluminense, foi lançado hoje (12) no centro do Rio, o projeto Mosaicos da Mata Atlântica. A ação, inédita prevê o fortalecimento da biodiversidade através de ações sociais e a gestão integrada de áreas de proteção ambiental no Rio por parte dos governos federal, estadual e municipal, durante os próximos quinze meses.
A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) que estimam que 575 mil pessoas sejam beneficiadas ao final da ação.
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, explicou que a conscientização será o primeiro passo do projeto para que ocorram, posteriormente, ações operacionais como reflorestamento e reprodução de espécies ameaçadas de extinção nessas áreas.
"Inicialmente nós temos que integrar os governos e a população nessa ideia. Temos que ir nas escolas para estimular esse modo de vida nas crianças. Quando a população ver que a preservação desses mosaicos traz melhoria nas temperaturas, preserva fauna e flora local e gera emprego e renda para quem vive e depende dos recursos naturais, ela [a população] verá que protegendo o meio ambiente, protege a si mesma", explicou Minc.
De acordo com a SEA, a cidade do Rio possui cinco grandes mosaicos verdes, que são unidades integradas de preservação ambiental localizadas na região metropolitana e no interior do estado. A primeira etapa do projeto visa reestruturar os conselhos comunitários dos mosaicos Carioca e Central Fluminense, situados na capital.
O diretor-geral do Ibase, Cândido Grzybowski, disse que o projeto é uma convocação para que a população reflita sobre como as questões ambientais podem afetar o cotidiano. "Precisamos trazer esse debate para o público. Sustentabilidade não é preservar por preservar. É o modo como a população vai tirar proveito dos recursos ambientais de maneira responsável. Temos que entender que através da preservação nós podemos ter mais qualidade de vida e deixar um legado para as futuras gerações”, disse Grzybowski.
Segundo o Ibase, o Rio de Janeiro tem a maior concentração de áreas protegidas do bioma Mata Atlântica e ecossistemas associados do país e, nos últimos anos, se tornou o estado brasileiro que menos desmata a Mata Atlântica, mantendo 13% de sua cobertura original. O projeto Mosaicos da Mata Atlântica está orçado em cerca de R$ 950 mil.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Made in Rio


Haddad quer cercar Cantareira para reduzir impacto do Rodoanel Norte

18 de maio de 2013 | 2h 04


CAIO DO VALLE - O Estado de S.Paulo
Para reduzir os impactos do Trecho Norte do Rodoanel, em construção desde março, a Prefeitura de São Paulo quer muros ou grades no entorno do Parque Estadual da Cantareira, criado em 1963 entre a zona norte da capital e outros municípios. A ideia para evitar ocupações irregulares foi anunciada ontem pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e recebeu a aprovação do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
A intenção de Haddad é que a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), empresa estadual responsável pela construção do Rodoanel, possa cercar o perímetro de quase 40 quilômetros da área verde, uma das principais reservas de Mata Atlântica remanescentes em São Paulo. Segundo o petista, seria uma contrapartida da obra rodoviária, polêmica entre ambientalistas e defensores da floresta.
"É um investimento que, na minha opinião, seria de grande valia para a cidade de São Paulo e para a Região Metropolitana, em função do fato de que se trata de um patrimônio da humanidade", declarou ontem Haddad, ao lado de Alckmin, em um evento na sede da Prefeitura, onde foi confirmada a data para aumento das tarifas de ônibus, metrô e trens (leia mais na página A26).
Em seguida, o governador disse que "anotou" o objetivo do governo municipal e avaliará o gasto necessário para a implementação. "Anotei aqui porque acho que essa é uma boa proposta. Vamos avaliar o custo e verificar, mas acho que é a lógica da compensação ambiental: você sempre trazer um benefício a mais para a população."
Não ficou claro se a medida trará despesas extras à obra do Trecho Norte, que, de acordo com a Dersa, custará R$ 5,6 bilhões, entre construção, compensações ambientais, desapropriações e ações complementares. O percurso desse ramal do Rodoanel será de 44 km, com conclusão prevista para 2016.
Por enquanto, as compensações ambientais desse empreendimento giram em torno de ações como o plantio de 1,7 milhões de mudas de espécies nativas e o pagamento de R$ 24,3 milhões pela Lei do Sistema Nacional de Unidade de Conservação. A Dersa informou que o Trecho Norte "passará ao sul da Serra da Cantareira e não cortará o Parque Estadual" e "as interseções com o parque serão feitas em dois túneis que somam 2,8 km".
Haddad disse que quer deixar o Parque da Cantareira cercado como os Parques Anhanguera, que é municipal e fica na zona norte, e o estadual Fontes do Ipiranga, na zona sul.
Reserva ameaçada. Com 7,9 mil hectares, o Parque Estadual da Cantareira fica entre São Paulo, Caieiras, Mairiporã e Guarulhos. Segundo a Secretaria Estadual do Verde, é tido como uma das maiores florestas urbanas do mundo.
Em 1994, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o classificou como parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo, onde está a maior porção do Cantareira. Nas últimas décadas, o parque tem sofrido com invasões que diminuíram a cobertura verde (veja ao lado).
Moradias humildes e até mansões foram sendo construídas sem autorização ao longo do tempo. Para o ambientalista Maurício Waldman, doutor em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a discussão sobre a instalação de grades ou muros no entorno do Cantareira é "inócua". "As pessoas precisam começar a pensar em um processo de ocupação do espaço mais decente e não ficar falando em paliativos, como colocar cerca."
A tese de Waldman foi sobre o Parque da Cantareira. Ele lembra que o cercamento de áreas por onde passam vias, sejam elas férreas ou rodoviárias, muitas vezes não funciona. "O processo de ocupação vai continuar ocorrendo."
Ainda na avaliação do especialista, o trânsito na cidade "não vai ser resolvido pelo Rodoanel", mas sim com planejamento da rede de transportes, principalmente pública.
Ontem, Alckmin disse que, quando os 178 km do anel viário estiverem prontos, 17 mil caminhões serão retirados por dia da capital, de vias como a Marginal do Tietê. Ele também diz que o Trecho Norte impactará fauna e flora da Serra da Cantareira. "Tem impacto de ruído, de material particulado emitido por veículos. E tem acidentes com transportes de cargas perigosas que podem derramar."

terça-feira, 16 de abril de 2013

Paraná inclui planos municipais de Mata Atlântica nas políticas públicas

09/04/2013

Paraná inclui planos municipais de Mata Atlântica nas políticas públicas


 Jurandir Ambonatti


O Paraná será o primeiro estado do país a incluir a elaboração dos Planos Municipais da Mata Atlântica na política pública do Estado. A iniciativa, inédita no Brasil, será uma parceria entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a Fundação SOS Mata Atlântica e a Anama, que é a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente. O secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, esteve nesta segunda-feira com o diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, para formalizar a parceria. A fundação, juntamente com a Secretaria do Meio Ambiente, vai capacitar os técnicos e profissionais de todas as cidades do Paraná para que os municípios possam elaborar e implementar os planos, assumindo a competência da gestão ambiental local. De acordo com Mario Mantovani, a inclusão dos Planos Municipais da Mata Atlântica na política estadual do meio ambiente do Paraná representa um momento ímpar e demonstra uma visão diferenciada do Governo em relação à questão ambiental. No Paraná, todos os 399 municípios estão inseridos na área do bioma Mata Atlântica. A Lei da Mata Atlântica possibilita aos municípios inseridos no bioma atuarem proativamente para a proteção e a recuperação. O secretário Luiz Eduardo Cheida disse que os planos de Mata Atlântica também contribuirão para o inventário florestal do Paraná, que começa a ser desenvolvido para gerar informações detalhadas sobre as florestas paranaenses. Além disso, poderão fornecer informações para a elaboração dos planos diretores municipais, planos municipais de bacias hidrográficas, de saneamento e de resíduos sólidos, contribuindo com o Programa Paraná Sem Lixões. Segundo o secretário, após a conclusão dos planos, a próxima etapa será garantir que as medidas compensatórias possam ir direto para os municípios. O coordenador de Biodiversidade e Florestas da Secretaria do Meio Ambiente, Paulo de Tarso Lara Pires, disse que os planos de Mata Atlântica também irão auxiliar no Cadastro Ambiental Rural. O Cadastro Ambiental Rural é a “carteira de identidade” do imóvel rural e o pré-requisito, de acordo com o novo Código Florestal para obtenção de licenciamentos e autorizações ambientais para quaisquer atividades econômicas, agropecuárias ou florestais. (Repórter: Jurandir Ambonatti) 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Volta às origens



SUSTENTÁVEL
|  N° Edição:  2260 |  08.Mar.13 - 21:00 |  Atualizado em 10.Mar.13 - 09:06

Volta às origens


Nova técnica de restauração ecológica irá deixar trecho de Mata Atlântica, no Rio de Janeiro, com o mesmo aspecto que tinha antes da chegada do homem


Wilson Aquino
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SEMENTE
A bióloga Andrea Vanini e uma muda nativa da mata atlântica.
A planta colabora ativamente no processo de restauração
Um punhado de sementes ou mudas – nativas ou não –, adubo e regas com água. Essa fórmula singela de reflorestamento ajuda a cobrir áreas devastadas e pacifica a consciência ambiental de muita gente. Mas, para um grupo de ecologistas, isso não basta. A meta deles não é apenas recolorir de verde a paisagem, mas sim devolver a ela todos os tons, fauna e flora que existiam ali antes da aparição do homem e suas ferramentas. O conjunto de estratégias para atingir esse objetivo foi batizado de restauração ecológica e começa a ganhar força no Brasil. O método consiste em medidas que induzem os ecossistemas a se regenerar por conta própria, retomando a aparência e a diversidade que tinham milênios atrás. “Parece uma missão impossível, mas a floresta volta”, afirma a bióloga com mestrado em ciências florestais Andrea Vanini, que coordena um projeto da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) de restauração ecológica em uma área de Mata Atlântica no Maciço da Pedra Branca, no Rio de Janeiro.
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Antes de cavar buracos para espalhar as mudas, é preciso estudar o local e conhecer profundamente as espécies nativas. Devolvidas ao solo que ocupavam, essas plantas começam o processo de funcionamento natural da floresta: atraem outras espécies arbóreas (através da polinização) e a fauna (pelo apetite) que compunha o bioma antes da degradação. É esse o ponto em que a restauração ecológica mais se diferencia de outros métodos de recomposição ambiental. O mero reflorestamento também faz crescer árvores, mas sem que elas promovam a sua função ecológica de ajudar na reconstituição do cenário original. “Sem a restauração, fica uma floresta oca por dentro, que acaba voltando para o estado de degradação em que se encontrava antes”, afirma o gestor ambiental Pedro Castro, secretário-executivo do Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica.
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Além de plantar mudas e sementes com a mesma variedade original da Mata Atlântica, o projeto da Fiocruz, que conta com R$ 2,5 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cuida da retirada de espécies exóticas que foram introduzidas na região. A meta é abrigar uma diversidade de 400 espécies por cada 100 metros quadrados. Do jeitinho que, segundo os estudiosos, a selva estava antes das intervenções humanas. Em termos ecológicos, não há nada mais civilizado que isso.
Fotos: Ian McAllister/All Canada Photos/Latinstock; Dan Lamont/CORBIS; FIRMAN HIDAYAT/AFP PHOTO