30/Abril/2013Prefeitura de São Paulo deverá doar R$ 20 mil a mais para o Minha Casa, Minha Vida, diz secretáriohttp://www.piniweb.com.br/construcao/habitacao/prefeitura-de-sao-paulo-devera-doar-r-20-mil-a-288106-1.asp Somado ao valor fornecido pelo Casa Paulista (R$ 20 mil), as construtoras que realizarem obras para faixa 1 do programa receberão R$ 40 mil de aporteAline Mariane e Romário Ferreira, da revista Construção Mercado | |
O secretário municipal de Habitação de São Paulo, José Floriano de Azevedo Marques Neto, afirmou que a prefeitura está discutindo um modelo que prevê a doação de R$ 20 mil, além dos R$ 20 mil do Casa Paulista, para empreendimentos da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com a condição de que o empresário já tenha o terreno. O secretário foi um dos participantes do workshop sobre o programa promovido na última segunda-feira (29) pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP).
Outra novidade contada pelo secretário é que a secretaria de Licenciamentos de São Paulo já foi separada da secretaria de Habitação. "A secretaria de Licenciamentos está hoje subordinada à secretária Paula Motta, que já tem um grupo de trabalho formatado para aprovações de habitações de interesse social (HIS)", contou. Ainda segundo ele, esse grupo foi constituído há cerca de três semanas e o prefeito Fernando Haddad já autorizou a contratação de mais 70 funcionários de nível superior - engenheiros ou arquitetos - para reforçar a velocidade dessas aprovações.
"Esse grupo terá as várias secretarias que envolvem as aprovações, como a secretaria do verde e do meio ambiente, a secretaria de transporte, para que um projeto, principalmente de HIS, seja aprovado num tempo muito curto. A ideia é de que esse período não ultrapasse 30 dias depois que todo esse planejamento tiver sido bem treinado e administrado", disse o secretário.
Norma de Desempenho
O aporte de R$ 40 mil em São Paulo poderá ajudar as construtoras a adaptarem as construções à Norma de Desempenho, que entrará em vigor em 19 de julho. José Urbano Duarte, vice-presidente de governo e habitação da Caixa, disse durante o evento que, em algumas cidades, esse apoio será fundamental para cumprir a nova norma, mas "não se pode desprezar os atuais valores do programa". A diretora do departamento de produção habitacional do Ministério das Cidades, Maria do Carmo Avesani, afirmou que "o programa hoje já exige um bom desempenho e, em princípio, não existe nenhuma previsão [do governo federal] de revisão ou de reajuste de preços em função de Norma de Desempenho".
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Parques sustentáveis com enfoque na sustentabilidade; socioambiental; saúde; longividade; qualidade de vida; Feng Shui; terapia holística e afins.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013
Prefeitura de São Paulo deverá doar R$ 20 mil a mais para o Minha Casa, Minha Vida
domingo, 3 de março de 2013
Casa modular
Casa modular
28/02/2013 | Notícia | Revista Infraestrutura Urbana - Março 2013
Governo do Rio de Janeiro adota módulos metálicos e constrói uma habitação a cada quatro dias, ao custo de R$ 57 mil a unidade. Moradias serão doadas às vítimas das cheias da região serrana
Casas montadas no município de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, uma das cidades afetadas pelas chuvas de 2011
O Governo do Rio de Janeiro vai construir 694 casas na região serrana do Estado para abrigar as vítimas das chuvas ocorridas na região em 2011. As moradias já estão em construção e a primeira etapa da obra será concluída neste mês, com a entrega de 150 unidades no município de Nova Friburgo.
Apesar da demora entre a tragédia e o início das construções, a escolha pelo sistema construtivo aponta uma alternativa para a edificação rápida de habitações populares de interesse social: o mobile steel, sistema de módulos metálicos autoportantes constituído de painéis estruturais do tipo sanduíche (aço galvalume + poliuretano + aço galvalume) que formam as paredes interna e externa da casa. As portas e esquadrias metálicas integram os painéis, e a cobertura é composta por telhas termoacústicas de aço preenchidas por poliestireno expandido (EPS). Como todo o conjunto é modular, os componentes dos sistemas elétrico e hidráulico são embutidos nos próprios painéis, evitando quebras no canteiro e agilizando a instalação.
"A grande vantagem da utilização desse método na construção das casas, principalmente as da região serrana do Rio de Janeiro, é a rapidez na montagem do sistema, que permite a entrega de uma unidade pronta em quatro dias, além da limpeza no canteiro", diz o engenheiro civil Diogo Visconti, da Irmãos Fischer, empresa responsável pela tecnologia.
O custo-benefício da solução construtiva também é competitivo. "Trabalhamos com um custo, aproximadamente, 20% abaixo do de uma construção em alvenaria convencional", completa Visconti. Contratada via pregão presencial do tipo menor preço, a construtora Cohabita receberá R$ 39 milhões para a construção das 694 moradias nas cidades de Nova Friburgo, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro, Bom Jardim, Petrópolis e Teresópolis. Em resumo, o custo por unidade da casa modular é de R$ 57 mil.
Normas e avaliações de desempenho
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O modelo de casa modular passou por testes para garantir as condições ideais de uso. As avaliações foram realizadas pela Fundação Luiz Englert e pelo Laboratório de Segurança ao Fogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Confira os resultados:
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Construção industrial
O projeto do governo carioca prevê uma unidade habitacional composta por sala e cozinha, com 16,08 m², dois dormitórios - sendo um com 8,58 m² e outro com 10 m² - e banheiro de 2,68 m². As paredes têm 6 cm de espessura e os módulos metálicos variam de 30 cm a 1,10 m de largura e 2,45 m de altura. Em média, são utilizados 62 painéis modulares para a estrutura da casa, já com portas e janelas.
As portas são do mesmo sistema das paredes, em módulos de aço. As janelas são de alumínio especial, para que não ocorra oxidação e ionização junto ao painel. Todos os kits de esquadrias já vêm com dobradiças, fechaduras e vidros.
Unidade habitacional é composta por dois dormitórios, cozinha e sala compartilhadas, e banheiro
A cobertura é constituída por 16 módulos de telhas. "A telha, por ser sanduíche, dá um acabamento de forro na parte de baixo. Não há laje, de dentro da casa você vê a própria telha em um perfilado que se assemelha a um forro inclinado de PVC", diz o engenheiro. O pé-direito da unidade tem 2,60 m de altura nas laterais e pode chegar a 3,60 m de altura no centro das paredes, por conta do telhado.
As instalações elétricas e hidráulicas também são compostas por conjuntos pré-fabricados na indústria. "O kit elétrico é composto por chicotes e os ramais já vêm prontos, com os terminais e as fitas isolantes para o acabamento", diz Visconti. A fiação da casa é embutida nos painéis, que já contêm conduítes por onde passam os cabos elétricos.
As instalações hidráulicas se concentram na região do banheiro, segundo Visconti. "Esse é o único cômodo da casa que recebe um forro de PVC, que fica nivelado à altura de 2,60 m. Em cima desse forro é instalada uma caixa-d'água de polietileno ou fibra de vidro de 500 l", diz o engenheiro. A parede que faz a divisa entre o banheiro e a cozinha é chamada de parede hidráulica. É nela que se concentra toda a tubulação hidráulica da habitação modular.
Módulos são fabricados na indústria e já chegam prontos para montagem em canteiro
Montagem
Segundo o coordenador das obras em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, Nilson Campos, as casas modulares são instaladas em terrenos doados pela prefeitura e com padrões de acordo com o plano diretor de cada município. "Em Nova Friburgo, por exemplo, onde as obras estão mais avançadas, elas estão montadas em terrenos de 10 m x 10 m, mas isso pode variar de cidade para cidade", diz Campos. Para a montagem das casas, são necessários apenas quatro profissionais, que montam uma casa em quatro dias, divididos da seguinte forma: dia 1 - fundação; dias 2 e 3 - montagem de paredes, cobertura e instalações elétricas e hidráulicas; dia 4 - fechamento dos shafts elétricos, limpeza, retirada das películas dos painéis e aplicação de piso cerâmico.
Antes de serem realizadas as etapas de montagem, a prefeitura da cidade onde são instaladas as casas modulares deve realizar o preparo do terreno. Nessa etapa de pré-montagem, é feito o nivelamento do terreno, a terraplanagem e a compactação do solo, se necessário. Só aí é que começam os serviços para a montagem da casa modular, a seguir:
Fundação
A fundação é do tipo radier e possui dimensões de 5,90 m x 6,68 m e espessura de 20 cm. "Não utilizamos madeira de caixaria. A fundação é feita em fôrmas metálicas específicas para a casa modular. Isso reduz o lixo e a sujeira no canteiro", diz o engenheiro Diogo Visconti. O radier recebe a adição de uma tela com vergalhões de aço com espaçamento de 10 cm x 10 cm e a concretagem é executada com concreto de fck 20.
Estrutura
Os painéis modulares chegam ao canteiro direto da fábrica em paletes e começam a ser montados pela região do banheiro, onde recebem as instalações hidráulicas. São três tipos básicos de painéis: módulo "liso", que são as paredes convencionais; módulo "L", que são as peças destinadas aos cantos das paredes; e o módulo "T", com os painéis que fazem a intersecção entre as paredes.
Os painéis são unidos entre si por meio de encaixes macho/fêmea e amarração com cabos de aço, na parte superior, próxima ao telhado, e inferior, próxima ao piso. As peças são fixadas na fundação com a utilização de uma calha em formato "U" de PVC, com fixadores especiais.
Cobertura
A cobertura é composta por 16 telhas sanduíche trapezoidais TPR 35, de aço galvalume preenchido por EPS, pintadas a pó. O EPS garante o isolamento termoacústico ao conjunto, que fica apoiado sobre as paredes e é preso por parafusos. A casa não possui forro interno, pois as telhas já dão esse tipo de acabamento. Segundo o engenheiro Diogo Visconti, do lado de dentro da habitação, as telhas parecem um perfilado que se assemelha a um forro de PVC.
Acabamento
O piso recebe revestimento cerâmico de 40 cm x 40 cm em todos os cômodos da casa. O material é aplicado sobre cimento colante e rejuntamento com argamassa. Para acabamento, utiliza-se rodapé de etileno vinílico acetato (EVA), com altura de 4 cm nos dois dormitórios e sala/cozinha, e rodapé de piso cerâmico com 7 cm de altura no banheiro.
Mobile steel no Minha Casa, Minha Vida
O sistema mobile steel é homologado pela Caixa Econômica Federal na Gerência de Desenvolvimento Urbano (Gidur) de Florianópolis e na Gerência Nacional de Gestão, Padronização e Normas Técnicas (Gepad) do Distrito Federal. A partir dessa homologação, o sistema tem viabilidade prévia para ser utilizado em projetos do programa Minha Casa, Minha Vida, mas mediante limite de até 500 unidades habitacionais. Atualmente, a tecnologia está em processo de aprovação no Sistema Nacional de Avaliação Técnica (Sinat), no Ministério das Cidades, para a obtenção da viabilidade definitiva, que possibilitará o uso do mobile steel em projetos habitacionais de porte superior a 500 unidades. Depois de publicada a Diretriz Sinat é que será definido o instituto técnico avaliador responsável pela elaboração do Documento Técnico de Avaliação (DATec), necessário à concessão de créditos para empreendimentos habitacionais desse tipo.
Reportagem: Carlos Carvalho
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Minha Casa, Minha Vida: urbanização sem cidade
Sociedade
16/1/2013 - 10h23
16/1/2013 - 10h23
Minha Casa, Minha Vida: urbanização sem cidade
por Graziela Wolfart, do IHU-Online
“A partir do momento do anúncio do programa, ocorreu quase que imediatamente uma elevação escandalosa dos preços dos imóveis e da terra em todo o país”, constata a cientista política Francini Hirata.
O programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, surgiu em 2009 com o objetivo de reduzir o déficit habitacional no Brasil. No entanto, a pesquisadora Francini Hirata afirma que não estão sendo priorizadas as famílias com renda familiar de 0 a 3 salários mínimos, que é a faixa onde se concentra 90% do déficit habitacional. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, ela explica que houve avanços em termos de construções de unidades habitacionais, mas é preciso deixar aqui a armadilha dos cálculos meramente econômicos e quantitativos. “Se os últimos relatórios apontam a entrega de quase um milhão de moradias, é preciso sublinhar, em contrapartida, a morosidade na entrega para as famílias com renda de até R$ 1,6 mil mensais – faixa onde se concentra o déficit habitacional – além do fato de haver uma concentração dessa entrega nas faixas de maior renda. A partir de dados veiculados pela Caixa Federal até junho de 2012, somente 44% das unidades contratadas foram entregues para esta faixa de renda, número que chega a 69% para a faixa de renda entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais. Se compararmos as obras a partir de outubro de 2011, segunda fase do programa, os dados são alarmantes: 1,9% de unidades contratadas foram entregues para a faixa de renda de R$ 1,6 mil contra 50% na faixa entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais, o que corresponde a 4.475 unidades contra 267.453”.
E ela continua: “o programa é, assim, parte da contribuição do poder público para a consolidação do padrão periférico de urbanização, através da construção de grandes conjuntos habitacionais nas periferias metropolitanas sem proporcionar a infraestrutura necessária, constituindo a chamada ‘urbanização sem cidade’, ou seja, a instalação de conjuntos habitacionais em áreas distantes e desarticuladas do conjunto estruturado da cidade, com inexistência ou insuficiência de transporte público e saneamento, perpetuando as características do território segregado”.
Francini Hirata é mestre em Ciência Política pela Unicamp e bacharel em Ciências Econômicas pela Unesp.
IHU On-Line – Fazendo uma retrospectiva do programa Minha Casa, Minha Vida desde seu surgimento, em que sentido ele mais impactou na sociedade brasileira? Quais os benefícios que ele trouxe e para quem?
Francini Hirata – Houve avanços em termos de construções de unidades habitacionais, mas é preciso deixar aqui a armadilha dos cálculos meramente econômicos e quantitativos. Se os últimos relatórios apontam a entrega de quase um milhão de moradias, é preciso sublinhar, em contrapartida, a morosidade na entrega para as famílias com renda de até R$ 1,6 mil mensais – faixa onde se concentra o déficit habitacional – além do fato de haver uma concentração dessa entrega nas faixas de maior renda. A partir de dados veiculados pela Caixa Federal até junho de 2012, somente 44% das unidades contratadas foram entregues para esta faixa de renda, número que chega a 69% para a faixa de renda entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais. Se compararmos as obras a partir de outubro de 2011, segunda fase do programa, os dados são alarmantes: 1,9% de unidades contratadas foram entregues para a faixa de renda de R$ 1,6 mil contra 50% na faixa entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais, o que corresponde a 4.475 unidades contra 267.453.
Para a população com renda acima de 3 salários mínimos, o impacto do plano foi mais positivo, tendo em vista que uma política de acesso a crédito sozinha já é capaz de contribuir para a aquisição da moradia.
Entretanto, quem mais ganhou com o programa foram os proprietários de terras e a especulação imobiliária. A partir do momento do anúncio do programa, ocorreu quase que imediatamente uma elevação escandalosa dos preços dos imóveis e da terra em todo o país. Os recursos privados e públicos não foram disponibilizados concomitantemente à democratização do acesso à terra. Sendo assim, os subsídios foram absorvidos pela alta dos preços dos terrenos, já que não foram condicionados à adoção de políticas fundiárias que pudessem combater este aumento.
IHU On-Line – Quais as limitações e lacunas do programa?
Francini Hirata – Se partirmos do pressuposto de que construir moradias é construir cidades, ou seja, que é preciso discutir os impactos dos empreendimentos imobiliários nas condições de vida dos cidadãos, é possível dizer que o plano desconsidera as diferentes relações de forças envolvidas nos níveis federal, estadual e municipal, a participação diferenciada dos agentes na sua implementação e os diferentes interesses em disputa.
Quero dizer com isso que não se priorizou a provisão de habitação para as faixas de renda que compõem o déficit habitacional, além de não estabelecer mecanismos de regularização fundiária, instauração do IPTU progressivo e desapropriação do imóvel que descumprir sua função social. Instrumentos que até já estão previstos e consolidados nos próprios planos diretores dos municípios, no Estatuto da Cidade e no Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). Esses instrumentos, construídos com ampla participação dos movimentos populares, foram ignorados pelo programa.
Na maioria das cidades do país tem sido praticamente impossível que a população de renda mais baixa tenha a casa construída nas áreas não periféricas, que apresentam infraestrutura consolidada e oportunidades de trabalho. Isio porque estas regiões apresentam o metro quadrado muito mais caro. É onde também, na maior parte das grandes cidades, é considerável o número de imóveis vazios e abandonados – em sua maioria com valores de IPTU nada módicos em atraso – à espera de valorização. No Minha Casa, Minha Vida não há estimativas de custos e não há também menção alguma a como enfrentar este problema.
IHU On-Line – O programa Minha Casa, Minha Vida cumpre a função de política habitacional de forma plena?
Francini Hirata – Se por plena estamos entendendo o acesso democratizado à terra urbanizada, ou seja, com creches, escolas, lazer, saneamento, transporte e energia, a minha resposta é não. O que temos visto de forma geral é a construção de habitações em áreas sem cidade, em regiões periféricas distantes. E é assim que, além de não cumprir de forma plena, há uma tendência a se privilegiar os interesses da especulação imobiliária, ao mesmo tempo em que se atende de modo subordinado às necessidades dos segmentos sociais de baixa renda e dos sem-teto.
IHU On-Line – Em que medida ele pode ter provocado um aprofundamento da segregação urbana?
Francini Hirata – Na exata medida em que o dinheiro jogado no mercado para a construção das moradias resulta em encarecimento da terra e na valorização de áreas já valorizadas. Ora, com imóveis financiados entre 80 e 130 mil reais (e o aumento do teto para 170 mil no início de 2011 é uma prova disso), qual a possibilidade de eles serem, sem uma política de regulação do solo, construídos em regiões centrais? Em especial nas regiões metropolitanas, terras nessa faixa são raras e, em geral, na periferia.
O programa é, assim, parte da contribuição do poder público para a consolidação do padrão periférico de urbanização, através da construção de grandes conjuntos habitacionais nas periferias metropolitanas sem proporcionar a infraestrutura necessária, constituindo a chamada “urbanização sem cidade”, ou seja, a instalação de conjuntos habitacionais em áreas distantes e desarticuladas do conjunto estruturado da cidade, com inexistência ou insuficiência de transporte público e saneamento, perpetuando as características do território segregado.
IHU On-Line – Em que aspectos o programa mudou desde o lançamento, em 2009, até hoje? Dilma imprime uma nova configuração ao Minha Casa, Minha Vida?
Francini Hirata – Acredito que não. Prova disso é que houve apenas mudanças na faixa de renda e no teto do valor dos imóveis, sinais da tentativa de adaptação do programa ao aumento do preço da terra. Nos municípios integrantes das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, por exemplo, o limite de valor dos empreendimentos para contratação, que era de R$ 170 mil, agora passa para R$ 190 mil. Foi aumentado também o limite, exclusivamente, da segunda faixa de renda do programa, que passou de R$ 3,1 mil para R$ 3,275 mil. A primeira faixa continua com limite de até R$ 1,6 mil.
IHU On-Line – De modo geral, como pode ser avaliado o Plano Nacional de Habitação do governo PT (dois mandatos de Lula e o de Dilma)? O que marca a gestão do PT em relação à política de habitação?
Francini Hirata – No que diz respeito à desconcentração do déficit habitacional nas faixas de mais baixa renda, não houve avanços. O que ocorreu, e nesse sentido é possível dizer que não houve uma transformação radical do que vinha ocorrendo, foi uma política de não enfrentamento da questão fundiária, que teve como resultado, entre outros, o fortalecimento da especulação imobiliária.
A construção de novas moradias continua ocorrendo sem a garantia da implementação da política de regulação do uso do solo e dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, de forma a coibir a especulação imobiliária e pressionar pela ocupação dos vazios urbanos. Não houve também redução da burocracia na implementação dos empreendimentos habitacionais e maior rapidez nos procedimentos de contratação, início e liberação das obras.
Por fim, não foi promovido o acesso à terra urbanizada para as populações de baixa renda, fomentando programas e processos de regularização fundiária, especialmente aqueles em áreas já reconhecidas como ZEIS (zonas especiais de interesse social) pelos Planos Diretores Municipais. Não tendo sido priorizadas, desse modo, as famílias com renda familiar de 0 a 3 salários mínimos, que é a faixa onde se concentra 90% do déficit habitacional.
IHU On-Line – Qual foi a importância do Minha Casa, Minha Vida, quando do seu surgimento, em relação à minimização dos impactos da crise econômica internacional de 2008 sobre o emprego no Brasil?
Francini Hirata – A criação do programa aqueceu a construção civil e os setores a ela ligados, relativizando o aumento do desemprego, haja vista que o setor da construção civil emprega um número considerável de trabalhadores e utiliza materiais de diferentes ramos industriais. O programa impactou também o PIB e aumentou a geração de postos de trabalho no setor, atingindo a cadeia produtiva da construção civil de modo geral, bem como incentivando postos formais de trabalho com carteira assinada.
Mas é preciso salientar a permanência de péssimas condições de trabalho em canteiros de obras por todo o país. O programa desenvolveu-se sem garantias sobre questões salariais ou sobre o tipo de contrato de trabalho que seria adotado: as grandes construtoras e empreiteiras têm terceirizado e subcontratado serviços sem capacidade de fiscalizá-los, reafirmando uma tradição de desrespeito aos direitos básicos do trabalhador.
IHU On-Line – Como são as casas/apartamentos construídos pelo Minha Casa, Minha Vida e como é feito o financiamento?
Francini Hirata – As casas para a população de baixa renda têm, em geral, sala, cozinha, dois dormitórios e área externa com tanque. Possuem 32 metros quadrados e os apartamentos 37 metros quadrados. São revestidas de alvenaria e forro de laje de concreto, madeira ou PVC. A cobertura da casa tem telha cerâmica sobre estrutura de madeira ou metálica. As janelas são de ferro ou alumínio e as portas de madeira. As casas e apartamentos foram configurados a partir de um modelo pré-determinado do grupo doméstico, isto é, a família nuclear.
Com relação ao tipo de financiamento, o programa prevê o seguinte direcionamento: para famílias com renda de até 3 salários mínimos, haverá subsídio integral mais isenção do seguro obrigatório (que geralmente responde por até 37% do valor da prestação do financiamento); no caso das famílias com renda entre 3 e 6 salários mínimos, haverá aumento do subsídio parcial do financiamento com redução dos custos do seguro e de acesso ao Fundo Garantidor (que foi criado para reduzir os riscos do financiamento, já que pode ser utilizado para refinanciar parte das prestações caso a família perca renda durante o período do contrato); já para as famílias com renda de 6 a 10 salários mínimos, o plano prevê estimular a compra através de redução dos custos do seguro somado ao acesso ao Fundo Garantidor. As prestações garantidas por este Fundo dividem-se dessa maneira: de 3 a 5 salários mínimos, 36 prestações; de 5 a 8, 24 prestações e de 8 a 10, 12 prestações.
As prestações mínimas são de R$ 50,00 por mês, podendo comprometer 10% da renda para quem recebe até 3 salários mínimos (em agosto de 2012 as prestações passaram a R$ 25,00 por mês, e o governo passou a pagar 95% do valor da unidade); para renda entre 3 e 6 salários, comprometimento de 20%. A taxa de juros prevista é de 5% a 6% ao ano e é prevista também a redução dos custos de registro de imóveis. Ele será gratuito para renda familiar de até 3 salários mínimos; haverá um desconto de 90% para renda familiar de 3 a 6 salários mínimos e um desconto de 80% para renda de 6 a 10 salários mínimos.
O direcionamento dos recursos é feito através de fundo na Caixa Econômica Federal, banco responsável pela análise dos projetos que serão apresentados pelas construtoras.
IHU On-Line – O que há de novo e de velho no plano nacional de habitação proposto por Lula em 2009? Há algum paralelo na história do país que pode ser usado aqui para fins de comparação (como o Banco Nacional de Habitação – BNH, por exemplo)?
Francini Hirata – O plano de 2009 prevê, por exemplo, priorizar a população de baixa renda, mas a previsão não se complementa com a criação de mecanismos para tornar isso possível. Nesse sentido, pelas medidas anunciadas, é possível considerar que há semelhanças com o que ocorreu no período de vigência do BNH. Em primeiro lugar, como enfatizam alguns urbanistas, o problema da política habitacional desde o BNH é que ela é pensada em termos de acesso a crédito e a financiamento, isto é, a dar condições para as pessoas adquirirem no mercado a mercadoria habitação.
O problema que persiste é que para a população onde se concentra o déficit, isto é, na faixa de renda de até 3 salários mínimos, a política de financiamento sozinha não viabiliza o acesso à moradia, já que se trata de uma população que não apresenta garantia de emprego e renda, ou seja, é insuficiente pensar política habitacional descolada de políticas de emprego, regularização fundiária, reforma agrária, etc.
Além disso, assim como aconteceu com o BNH, não existe controle efetivo dos recursos pelas classes populares e pelos movimentos sociais, nem transparência nas informações. Também os movimentos populares não têm autonomia no direcionamento das obras. Não há nenhum mecanismo no plano que imponha ou viabilize a participação popular sobre as decisões ou o controle social sobre os recursos.
Dessa forma, qual é a estratégia federal para reverter a concentração fundiária, para promover a reforma agrária, para barrar a valorização imobiliária e para promover um desenvolvimento regional? Uma política habitacional que considerasse esses fatores traria, aí sim, algo de novo.
* Publicado originalmente no site IHU-Online.
(IHU-Online)
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Governo nega reajustar preço máximo de imóveis incluídos no 'Minha Casa'
30/01/2012 - 20h41
MARIANA CARNEIRO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) afirmaram que a meta do governo é entregar cerca de 500 mil moradias do programa Minha Casa, Minha Vida em 2012.
O governo conta com o programa para impulsionar os investimentos e garantir um crescimento econômico "acima de 4% neste ano", afirmou Mantega.
Para cumprir a meta, entretanto, o governo precisa da parceria das construtoras. Em reunião em São Paulo, com 20 representantes das maiores construtoras do país, os ministros disseram não a pleitos dos empresários.
Os empresários pleiteavam o aumento do valor dos imóveis construídos para a faixa social, de famílias com renda de até três salários mínimos. O teto atualmente é de R$ 65 mil, mas os empresários argumentam que o aumento do valor dos terrenos e exigências feitas pelo governo fizeram o custo desses imóveis aumentar.
"Não temos nem um ano do valor de referência", disse Miriam Belchior. Em julho, o governo elevou os valores dos imóveis. "Do ponto de vista do governo ainda não é este o momento do reajuste".
Do total de habitações que o governo espera entregar neste ano, cerca de 200 mil são imóveis dessa faixa.
Mantega também afirmou que "chegou ao limite" benefícios tributários ao setor. Em dezembro, o governo estendeu para até o fim de 2012 o desconto do IPI para materiais de construção. Além disso, lembrou Mantega, foi ampliado o desconto de 1% do regime especial de tributação para imóveis com valor até R$ 85 mil.
"Estamos no limite da redução tributária", afirmou.
Ainda assim, o governo espera "cumprir com folga" a meta de encomendar mais 600 mil moradias neste ano. Conta, com isso, com o financiamento dos bancos estatais. Caixa e Banco do Brasil pretendem colocar no setor de habitação cerca de R$ 97 bilhões neste ano. Esse valor inclui empréstimos habitacionais e também subsídios para famílias mais pobres.
A ministra Miriam Belchior indicou que o governo pretende agir para baixar os custos dos imóveis com soluções que vão além da construção. Ela enumerou problemas como atrasos na entrega do habite-se (registro das prefeituras) e de instalações de água e de luz para a alta dos custos das construtoras.
"São questões que aumentam o prazo de execução dos empreendimentos e, portanto, aumentam os custos", disse a ministra.
A meta do governo é chegar ao fim de 2014 com 2 milhões de contratações de imóveis no programa Minha Casa, Minha Vida.
Sete em cada dez projetos de habitação popular não saem do papel
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,sete-em-cada-dez-projetos-de-habitacao-popular-nao-saem-do-papel,100974,0.htm?utm_source=estadao&utm_medium=newsletter&utm_campaign=economia

Auditoria da CGU indica que 74% do investimento de R$ 12,5 bilhões previsto para projetos da SNH estão apenas na promessa
29 de janeiro de 2012 | 23h 00
Edna Simão, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Por trás do recorde de contratações feitas por programas oficiais de habitação popular nos últimos anos há também um expressivo número de obras paralisadas, atrasadas ou que simplesmente não foram iniciadas.
De cada dez contratos firmados na área da habitação pela Secretaria Nacional de Habitação (SNH) do Ministério das Cidades, envolvendo o repasse de recursos da União para Estados e municípios, pelo menos sete não saíram do papel. É o que aponta auditoria feita pela Controladoria Geral da União (CGU) nos contratos assinados entre 2004 e abril de 2011.
Segundo o levantamento da CGU, até abril do ano passado existiam 4.243 contratos na carteira da SNH, o que corresponde a R$ 12,5 bilhões em investimentos. Deste total, 74% estão apenas na promessa, sendo que uma parcela considerável se refere a contratos antigos.
"Esse fato implica na inexecução das ações do governo e nas sucessivas prorrogações de restos a pagar", destaca o relatório.
Os contratos fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas tratam especificamente de casas ou melhorias em conjuntos habitacionais ou favelas. Uma técnica do Ministério das Cidades faz questão de destacar que não está incluída nesta lista da CGU os contratos firmados no Programa Minha Casa, Minha Vida.
A CGU informa ainda, em sua auditoria, que os indicadores de gestão dos programas e ações da secretaria não espelham os seus resultados reais. "A SNH continua a considerar que o simples empenho orçamentário já configura uma unidade efetiva executada, ‘família beneficiada’, por exemplo. Essa conduta não permite a avaliação adequada dos resultados realmente obtidos", ressalta o documento.
Favelas. A secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, reconhece que o número de obras problemáticas é alto e reforçou que se concentram nas obras em favelas, sobretudo contratos mais antigos. Para ela, muitos dos projetos executados por Estados e municípios, com recursos do orçamento da União, demoram para ser finalizados por causa da necessidade de licitações públicas, emissão de licença ambiental, regularização de terras e de infraestrutura dos governos locais envolvidos.
"Não é incomum um município ter apenas um engenheiro para cuidar de todas as obras feitas na cidade", exemplifica Inês. "A execução tem relação com a complexidade de se fazer urbanização de favelas", acrescenta.
Apesar de ainda não ter um balanço fechado de 2011, ela informa que os números apresentaram melhora no ano passado. Segundo a secretária, uma obra de urbanização de favelas, por se tratar de ação integrada de saneamento, infraestrutura, recuperação ambiental e produção habitacional, agrega maior complexidade. Inês ressalta ainda que a melhoria da gestão é um dos desafios e prioridade do governo da presidente Dilma Rousseff.
Minha Casa, Minha Vida. O relatório da CGU informa apenas que, no último ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as operações de financiamento executadas pela Caixa Econômica Federal superaram as metas previstas. O desempenho positivo do programa foi utilizado na campanha eleitoral que elegeu a presidente Dilma.
Apesar da auditoria não tratar dos resultados referentes a 2011, balanços recentes divulgados pelo próprio governo mostram que o programa travou no ano passado. A regulamentação só ficou pronta em setembro, comprometendo as contratações para as famílias que têm renda mensal de até R$ 1,6 mil. A expectativa é de que o programa deslanche nessa faixa de renda a partir deste ano.
No ano passado, o governo pagou R$ 7,5 bilhões referentes ao Minha Casa, Minha Vida. O grosso - R$ 6,9 bilhões - está relacionado a compromissos firmados em anos anteriores e quitados em 2011. Se considerado apenas o orçamento de R$ 12,65 bilhões destinado ao programa no ano passado, R$ 10,979 bilhões foram empenhados e apenas R$ 598,9 milhões foram pagos.
De acordo com o balanço da Caixa, até o dia 31 de dezembro foram contratados 1,462 milhão de unidades nas duas etapas do programa Minha Casa, Minha Vida, sendo que as obras de 719.522 moradias já foram concluídas e 540.883 habitações foram entregues.
‘Minha Casa’ está inviável, alertam empresários
Setor da construção civil pede que o governo aumente o valor das unidades atendidas pelo programa habitacional
29 de janeiro de 2012 | 23h 00
Lu Aiko Otta, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O programa Minha Casa Minha Vida praticamente não existiu em 2011 para as famílias de baixa renda e seguirá o mesmo destino em 2012 se o governo não elevar os valores das unidades atendidas. A avaliação é do empresário Eduardo Aroeira Almeida, sócio-diretor da Apex Engenharia, que atua no segmento popular no Distrito Federal. "Acho que essa é a avaliação geral, pelo que tenho conversado com empresários de outros Estados."
Para empresários da construção civil, a alta dos preços dos imóveis, associada ao aumento das exigências como adequações para idosos e deficientes físicos inviabiliza a construção de unidades. Paradoxalmente, segundo Almeida, o próprio lançamento do Minha Casa Minha Vida provocou a especulação imobiliária. "Apartamento que eu vendia por R$ 90 mil no início hoje está por R$ 170 mil." O preço médio da moradia destinada a esse público subiu de R$ 42 mil para R$ 55,2 mil. Nos municípios da região metropolitana do Estado de São Paulo e Distrito Federal, o limite é de R$ 65 mil.
No caso da capital federal, em particular, o preço dos terrenos é tão elevado que não foi construída nenhuma unidade destinada às famílias com renda de até três salários mínimos. "O Distrito Federal é limitado na oferta de terrenos, pois há grande dificuldade na legalização de terras", explica o vice-presidente do Sinduscon-DF, Paulo Muniz.
Um microempresário que não quis ser identificado conta que construiu três unidades na periferia de Formosa, já fora dos limites do DF, em Goiás, com o intuito de vendê-las por meio do programa. Não teve sucesso porque a rua não era asfaltada, como exige a Caixa Econômica Federal. Depois disso, desistiu da carreira de empreiteiro. "Hoje, um lote em área não muito boa aqui em Formosa não sai por menos de R$ 80 mil, então não dá para enquadrar", explica.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, concorda que construir para o Minha Casa Minha Vida tornou-se inviável em alguns locais. "Mas depende da região", diz. "Em algumas cidades, os limites do Minha Casa Minha Vida são suficientes." Ele informa que o aumento do valor das unidades está em discussão com o Ministério das Cidades, responsável pelo programa.
"Mas não dá para ficar 100% em cima do governo federal", defende. "Os Estados e as prefeituras têm de entrar." Isso já ocorreu em São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin e a presidente Dilma Rousseff assinaram este mês um convênio no valor de R$ 8 bilhões para construir em parceria 97 mil casas e apartamentos para famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil.
O governo paulista vai doar R$ 20 mil por unidade, em adição aos R$ 65 mil alocados pela União, de forma a viabilizar a construção dessas habitações. Segundo Simão, processo semelhante ocorre em Belo Horizonte (MG), onde a prefeitura vai entrar com os terrenos.
A secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, informa que não há, no momento, discussão para novo reajuste no preço de imóvel ou redução de tributo para a indústria da construção. "Não dá para o valor final mudar sempre. O município pode estabelecer zonas especiais para assegurar um melhor preço do terreno e as empresas melhorarem o processo industrial para ganharem eficiência", frisa.
Crescimento. Em meados do ano, Dilma poderá elevar a meta de construção do Minha Casa Minha Vida, dos atuais 2 milhões de unidades para 2,6 milhões até o fim de 2014. O programa é uma das principais apostas para manter a economia aquecida em ano de crise internacional. A presidente quer uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4% e 5%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta 3% e o mercado financeiro estima 3,27%. "Neste ano, o programa será um dos grandes instrumentos para aumento do investimento e para geração de empregos", diz Inês Magalhães.
É justamente por causa da importância do programa para a estratégia de crescimento econômico que o empresário Almeida acredita em um reajuste nos valores das habitações. "Eles contam com a construção civil para atravessar a crise, mas para isso o Ministério das Cidades vai ter de ser mais ousado na definição das faixas", aposta. "Se ficar como está, o Minha Casa Minha Vida vai parar no DF."
(Colaborou Edna Simão)
Para empresários da construção civil, a alta dos preços dos imóveis, associada ao aumento das exigências como adequações para idosos e deficientes físicos inviabiliza a construção de unidades. Paradoxalmente, segundo Almeida, o próprio lançamento do Minha Casa Minha Vida provocou a especulação imobiliária. "Apartamento que eu vendia por R$ 90 mil no início hoje está por R$ 170 mil." O preço médio da moradia destinada a esse público subiu de R$ 42 mil para R$ 55,2 mil. Nos municípios da região metropolitana do Estado de São Paulo e Distrito Federal, o limite é de R$ 65 mil.
No caso da capital federal, em particular, o preço dos terrenos é tão elevado que não foi construída nenhuma unidade destinada às famílias com renda de até três salários mínimos. "O Distrito Federal é limitado na oferta de terrenos, pois há grande dificuldade na legalização de terras", explica o vice-presidente do Sinduscon-DF, Paulo Muniz.
Um microempresário que não quis ser identificado conta que construiu três unidades na periferia de Formosa, já fora dos limites do DF, em Goiás, com o intuito de vendê-las por meio do programa. Não teve sucesso porque a rua não era asfaltada, como exige a Caixa Econômica Federal. Depois disso, desistiu da carreira de empreiteiro. "Hoje, um lote em área não muito boa aqui em Formosa não sai por menos de R$ 80 mil, então não dá para enquadrar", explica.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, concorda que construir para o Minha Casa Minha Vida tornou-se inviável em alguns locais. "Mas depende da região", diz. "Em algumas cidades, os limites do Minha Casa Minha Vida são suficientes." Ele informa que o aumento do valor das unidades está em discussão com o Ministério das Cidades, responsável pelo programa.
"Mas não dá para ficar 100% em cima do governo federal", defende. "Os Estados e as prefeituras têm de entrar." Isso já ocorreu em São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin e a presidente Dilma Rousseff assinaram este mês um convênio no valor de R$ 8 bilhões para construir em parceria 97 mil casas e apartamentos para famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil.
O governo paulista vai doar R$ 20 mil por unidade, em adição aos R$ 65 mil alocados pela União, de forma a viabilizar a construção dessas habitações. Segundo Simão, processo semelhante ocorre em Belo Horizonte (MG), onde a prefeitura vai entrar com os terrenos.
A secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, informa que não há, no momento, discussão para novo reajuste no preço de imóvel ou redução de tributo para a indústria da construção. "Não dá para o valor final mudar sempre. O município pode estabelecer zonas especiais para assegurar um melhor preço do terreno e as empresas melhorarem o processo industrial para ganharem eficiência", frisa.
Crescimento. Em meados do ano, Dilma poderá elevar a meta de construção do Minha Casa Minha Vida, dos atuais 2 milhões de unidades para 2,6 milhões até o fim de 2014. O programa é uma das principais apostas para manter a economia aquecida em ano de crise internacional. A presidente quer uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4% e 5%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta 3% e o mercado financeiro estima 3,27%. "Neste ano, o programa será um dos grandes instrumentos para aumento do investimento e para geração de empregos", diz Inês Magalhães.
É justamente por causa da importância do programa para a estratégia de crescimento econômico que o empresário Almeida acredita em um reajuste nos valores das habitações. "Eles contam com a construção civil para atravessar a crise, mas para isso o Ministério das Cidades vai ter de ser mais ousado na definição das faixas", aposta. "Se ficar como está, o Minha Casa Minha Vida vai parar no DF."
(Colaborou Edna Simão)
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