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terça-feira, 21 de abril de 2015

Cremação: Menos poluente que um carro!



Como ocorre a cremação - por dentro do forno

POR CAMILA
31/03/15  17:35
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Com a música clássica preferida do querido defunto, o caixão começa a descer num buraco misterioso e eu não consigo segurar a vontade de chorar. O momento propicia uma despedida simbólica. Penso nos bons momentos que tivemos, no que ele representava para mim, na vida que construiu e na família que ficava. Mentalizo imagens dele rindo, fazendo sua atividade preferida, cavalgar, tentando memorizá-las pois sei que nunca mais as verei. E hoje aquele rosto está um pouco apagado, mas esse momento da despedida, não. Foi a primeira cerimônia de cremação que presenciei.
Dez anos depois, voltei ao Cemitério e Crematório Horto da Paz para conhecer o outro lado daquele elevador que levou o caixão simbolicamente para “de baixo da terra” como ocorreria no sepultamento, mas nesse caso é o subsolo do prédio principal do cemitério. Lembro de achar que o corpo sumia naquele buraco no chão e ia direto para o forno, ser cremado. Esse pensamento me sensibilizou porque quando eu saia do cemitério, imaginava que naquele momento, o corpo que abrigou por tantos anos aquela pessoa amada, estava rapidamente entrando em combustão.
Mas não tem nada de imediato e rápido no processo, e ele funciona de acordo com etapas, obedecendo normas com uma preocupação pela segurança e eficiência como ocorre em qualquer empresa. Após a cerimônia, o corpo entra na programação do Horto da Paz, podendo levar até dez dias para ser cremado. Ele é mantido refrigerado a 4°C numa câmara fria. O tempo mínimo de espera é de 24h a partir da data do óbito, que é um período para contestação judicial ou verificação de erros médicos.
Assim que chega, o corpo recebe uma pastilha de material refratário, com uma numeração conectada ao nome do defunto pelo sistema, que servirá para identificar as cinzas ao corpo e garantir que não haja trocas.
Eu achava que se cremava mais de um corpo num mesmo local. No crematório Horto da Paz, o forno é destinado para apenas um corpo e acabaram de comprar outro devido ao aumento da demanda. Reinaldo Dantas, administrador do local, me falou que o Crematório Vila Alpina costumava trabalhar com um forno para dois corpos, mas hoje em dia passaram para o individual também. A assessoria de imprensa do Vila Alpina me informou que seus fornos antigos possuíam 2 compartimentos, que tinham a possibilidade de cremar 2 corpos ao mesmo tempo, porém de maneira separada, então os ossos carbonizados não se misturavam. Em 2005, trocaram os fornos antigos (Instalados em 1974 quando inaugurou o Crematório de Vila Alpina) por 2 novos fornos de tecnologia americana, com câmaras primária e secundária e em 2011, o Serviço Funerário adquiriu mais 2 fornos com tecnologia mais moderna, portanto o Crematório de Vila Alpina possui 4 fornos com tecnologia moderna e desde 2005 não opera com o sistema antigo.
O Vila Alpina pertence ao Serviço Funerário de São Paulo, da Prefeitura de São Paulo, que mantém o monopólio de cremação na cidade. Por isso, o Horto da Paz instalou-se em Itapecerica da Serra.
O corpo deve ser cremado junto com um caixão, chamado de ecológico por não ter químicas, como verniz e tintas. Retira-se o vidro, as alças e os metais. O Crematório Vila Alpina indica nas perguntas mais frequentes de seu site, que o caixão não é necessário para a cremação, apenas um recipiente de madeira ou cartão.
Após aproximadamente duas horas, do corpo que entrou só restou pó, ossos calcificados e bugigangas tecnológicas como pinos de titânio e próteses ortopédicas, que serão entregues à família num saco diferente do das cinzas. Os ossos são triturados numa máquina que me lembrou uma ferramenta de fazer bolo, não sei que raios de associação eu fiz. E não me sai da cabeça a imagem de um osso sendo quebrado como se fosse giz, que foi a analogia feita por Reinaldo. O clic de um giz partindo é muito específico e me pareceu interessante a ideia de que um osso, algo que só se quebraria com um impacto muito grande, virasse um giz após a cremação, transformado em osso calcificado. As cinzas recebidas pelas famílias são esses ossos triturados.
O forno é pré-aquecido a 657°C  graus. Ele tem duas câmaras. Os gases produzidos na primeira câmara passam para a segunda para uma requeima. Essa segunda câmara trabalha a 900°C graus. Segundo Reinaldo, é isso que garante que o que sai na chaminé não polui o meio ambiente. Seu resultado seria de 20% a 30% menos poluente do que um automóvel andando a 40 km por hora.
Dentro do forno, no canto direito superior (numa das fotos da galeria abaixo pode-se ver um buraco), é onde fica o queimador. Ele recebe uma chama a gás como se fosse um maçarico e regula a temperatura conforme a necessidade. Quando o corpo e o caixão entram em combustão, o queimador é desligado. O corpo se queima por ter carbono em sua composição e existem entradas de ar nas laterais que servem para alimentar esse processo. O queimador será acionado novamente quando já tiver consumido tudo que for combustível. O primeiro processo da desintegração do corpo é o da desidratação, já que somos 80% água. O segundo processo é a cremação propriamente dita.
O saco com as cinzas é colocado na urna de escolha da família. A urna não é obrigatória por lei, mas um costume já bem enraizado. São várias opções: a família pode levar a urna embora, pode guardar numa sepultura no próprio cemitério, adquirir uma urna biodegradável, de fibra de coco, e plantá-la com uma árvore de preferência. Há um bosque no Horto da Paz com essa finalidade. Também é possível usar uma urna de argila crua para jogar na água, como o mar e a cachoeira, porque ela afunda e se dissolve na água. Há urnas específicas para serem levadas para fora do país, segundo normas da polícia federal.
Formas alternativas para o destino das cinzas foram exploradas em posts anteriores. Veja indicações de leitura abaixo. O Cemitério e Crematório Horto da Paz disponibiliza serviços terceirizados pouco conhecidos. A empresa Brilho Infinito transforma cinzas em diamantes e a artista plástica Claudia Eleutério pinta quadros misturando cinzas à tinta, chamada de arte picto-crematória. O quadro é de escolha do futuro falecido ou dos familiares. Também podem ser feitas esculturas. Ainda há a possibilidade de pingentes e anéis com espaços “porta-cinzas” e separar as cinzas em um conjunto de miniaturas de urnas para distribuir entre os membros da família.
O crematório da Vila Alpina se considera um dos maiores do mundo e pioneiro da América Latina. Crema-se, em média, 25 corpos por dia e o custo parte de R$ 407,49, no plano mais barato, e R$ 15.576,59, no plano mais caro. Como o Horto da Paz, também dão o prazo de 10 dias para a entrega das cinzas às famílias. O Serviço Funerário do Município de São Paulo indica quando a cremação pode ocorrer em seu site:
– O falecido houver manifestado, em vida, este desejo  através de “Declaração de Vontade”, devidamente registrada em cartório.
– A autorização para cremação, de quem não optou por ela em vida, é concedida por um parente de primeiro grau mais próximo, na ordem sucessória (cônjuge, ascendente, descendente e irmãos maiores de 18 anos) e testemunhada por duas pessoas, além da apresentação do atestado de óbito assinado por dois médicos. Parentes de 2.º grau não podem autorizar a cremação.
-No caso de morte violenta, a cremação só ocorrerá mediante autorização judicial. Para isso são necessários:
1) Atestado assinado por um médico legista;
2) Boletim de Ocorrência;
3)  Declaração de um  delegado de polícia manifestando não se opor à cremação em questão;
4) Atestado de Óbito assinado por dois médicos.
Essa declaração de vontade, em sua forma mais abrangente, também é chamada de “Testamento Vital”, assunto bem explorado aqui no blog (veja sugestões de leitura abaixo).
Tanto o Horto da Paz quanto o Vila Alpina me informaram que a cremação acaba se tornando mais vantajosa financeiramente do que o sepultamento. Inicialmente, ela parece mais cara, mas o sepultamento presume taxas adicionais que a cremação não tem, como a taxa de conservação mensal e os custos com a retirada do corpo na exumação (com três anos no Vila Alpina).
A cremação parece uma tendência inevitável. Hoje em dia é muito difícil abrir um cemitério convencional, devido à falta de espaço e às leis ambientais. Países que lidam com essa questão, como o Japão, já consolidaram a cremação como tradição predominante. O Horto da Paz indicou um aumento de 36% na quantidade de cremação nos últimos três anos. E o Vila Alpina afirma que desde janeiro de 2008, o número de cremações dobrou em São Paulo.

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 Atualização em 01.04
A assessoria de imprensa do Crematório Vila Alpina me informou que o site linkado aos preços da cremação se tratava de um site clandestino, e eles já estão com um processo em andamento para retira-lo do ar. Me passaram o link correto dos custos e seus valores, que foi corrigido diretamente no texto.
Atualização sobre a transformação de cinzas em diamantes
A assessoria de imprensa do crematório Horto da Paz me informou que a empresa Brilho Infinito suspendeu, no momento, o serviço de transformar cinzas em diamantes. Quem tiver interesse em contactar outro fornecedor, o Cemitério Vaticano, no Paraná, tem licença no Brasil com a Algordanza, uma referência internacional para esse tipo de serviço.



Enterrar ou cremar?

POR CAMILA
20/10/14  07:47
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Você está lá, no meio de um jantar de família, quando seu pai solta: “pois eu gostaria de ser cremado”. Paira um silêncio no ar até que um dos filhos dá uma gargalhada sem graça e diz algo como: “você não vai morrer tão cedo pai”, e pede para passar o sal. O clima volta ao normal, mas a informação foi dita. Quando esse pai falecer, os irmãos lembrarão disso, se é que ele não deixou a intenção por escrito, registrada em cartório, e vão escolher uma urna ao invés de um caixão. Mas nunca sabemos ao certo quando vamos morrer e pensar nessas opções em qualquer momento da vida pode ser útil.
Toda nossa concepção sobre o ritual da morte já foi baseado na religião de escolha, mas hoje algumas pessoas procuram desenvolver seus próprios pensamentos a respeito, estimulados pelo rápido acesso às informações. Se estamos reformulando o sexo, a psique, como a sociedade se relaciona, além do que um determinado dogma religioso possa proporcionar, pode fazer sentido que o mesmo seja feito a respeito da morte.
 Até 1964, A Igreja Católica proibia a cremação, só permitindo o enterro dos corpos. Hoje, não há mais a proibição formal, mas o hábito do enterro continua em voga na América Latina. Em países como China, Japão e Índia, com forte influência budista e hinduísta, é mais comum a cremação, apesar de não se oporem ao sepultamento.
 A crença budista diz que o fogo regenera o corpo, preparando-o para as próximas reencarnações. Mas a cremação deve ocorrer alguns dias após a morte, respeitando o tempo que a alma leva para deixar o corpo. O espiritismo também prefere não cremar o corpo diretamente após o falecimento, já que o espírito estaria apegado ao corpo e o tempo para o desapego seria inversamente proporcional à elevação do espírito.
 Na Índia, algumas províncias ainda usam crematórios ao ar livre, como em Varanasi, onde há torres de cremação em volta do rio Ganges. Hindus vêm de todo o país para serem cremados lá e pedintes nas ruas imploram por dinheiro para comprar madeira para sua própria cremação. Um momento importante do ritual de cremação hindu é o barulho peculiar do estouro que ocorre quando a membrana que protege o cérebro se desprende. Os hinduístas dizem que é alma se desprendendo do corpo.
A cremação é uma técnica muito antiga. Os gregos e os romanoscremavam seus corpos, por volta de 1000 A.C. Era considerado um destino nobre aos mortos. O sepultamento era uma opção dada aos criminosos. O povo Hebreu começou a sepultar seus mortos, o que levou a Igreja Católica a adotar esse ritual, e considerar o ato da cremação desumano e a prática de “falsas religiões”, ou seja, uma prática pagã.
 Mas tudo indica que o sepultamento é anterior à cremação. A referência mais comum do início dos sepultamentos com rituais funerários vem com os egípcios, em 3000 A.C e suas mumificações. As pirâmides egípcias atraem curiosos do mundo inteiro em busca dos mistérios sobre sua técnica da construção e as elaboradas práticas ritualísticas adotadas, necessárias para a imortalidade da alma.
Há indícios de que os homens primitivos enterravam seus mortos em grutas, por arqueólogos terem encontrado ossadas e ornamentos supostamente ritualísticos nelas.
No Brasil, o enterro é a opção mais usada. Quem tem túmulo de família, optará por ser enterrado junto aos familiares, procurando o conforto da ideia de companhia em contraposição com o sentimento de solidão que envolve a morte. Quem não tem espaço privado num cemitério, usará as “quadras gerais”. Nesse caso, o corpo deverá ser exumado em três anos e seus restos direcionados a um ossário. Em túmulos familiares, a decisão de exumação cabe à família, caso queira abrir espaço para um novo corpo.
Na cremação, as cinzas podem ser dadas à família em urnas, ou colocadas em nichos, como um sepultamento. Há a opção de urna biodegradável, caso a família pense em plantar uma árvore junto à urna e a planta servir de referência e conforto. Se não houver uma Declaração de Intenção pela cremação, registrada em cartório, é necessário um parente de primeiro grau para autorizá-la.
Ao contrário do que muitos pensam, a cremação não é mais cara do que o sepultamento, segundo o Serviço Funerário São Paulo. O que pode torná-la mais cara é a urna escolhida para guardar as cinzas. O crematório Vila Alpina divulga em seu site que o custo do processo varia de R$ 4.000 a R$ 7.500 reais.
As cinzas podem ser jogadas em qualquer lugar, mas o corpo só pode ser enterrado em cemitérios. O problema de se enterrar um corpo em terreno privado é ser enquadrado como crime de ocultação de cadáver, além da questão ecológica. Em algumas zonas rurais este ainda é um hábito.
Em termos de impacto ambiental, tanto a cremação quanto o enterro podem ser prejudiciais. A cremação precisa seguir protocolos e filtrar os resíduos tóxicos. O enterro já tem uma probabilidade maior de interferir na natureza, como o material dos caixões, das roupas dos mortos, assim como a possibilidade de o líquido tóxico resultante da decomposição do corpo chegar nos lençóis freáticos. Quem é a favor da cremação também coloca a necessidade de ampliação de espaço físico para novos cemitérios como um argumento.
Nesse aspecto, estão surgindo  os Cemitérios Verticais, como em Santos, onde corpos são colocados em espaços próprios, vedados, que se acumulam em andares. Em Santos são dois cemitérios verticais: o Cemitério Metropolitano, de 12 andares, e o Memorial Necrópole Ecumênica, que se declara no site como o mais completo cemitério vertical do mundo – são cinco prédios interligados, o mais alto tem 14 andares. Em São Paulo, não é permitido a construção de cemitérios verticais.
Existe o chamado “enterro natural”, onde o corpo é envolto por mantos e enterrado sem caixão, como no Islamismo. O artigo 18, do ato número 326 de 1932, sobre cemitérios do município de São Paulo, orienta o enterro dos cadáveres em caixão próprio. Por isso, o Serviço funerário São Paulo entende o enterro sem caixão como crime, mas eu liguei num cemitério privado que abriu essa possibilidade caso seja a vontade do solicitante.
Outra opção é o uso do caixão feito de material biodegradável, já disponível em algumas agências funerárias, mas pouco solicitado por ter uma aparência “feia”.  Também há a urna ecológica, mas também pouco usada por causa da sua aparência, segundo o Serviço Funerário São Paulo.
Independentemente da forma adotada, técnicas de conservação do corpo são oferecidas para as famílias para deixá-lo mais apresentável, de forma mais natural. Também são usadas em velórios que durem mais de 24h, mesmo com caixão fechado, onde a aparência não seria um motivo, mas sim a conservação do corpo.
O mais comum é o embalsamamento, esterilização do corpo para protegê-lo da decomposição através da inserção de fluídos embalsamadores. O embalsamamento não é obrigatório no Brasil, apenas em transportes aéreos nacionais e internacionais. A opção da Tanatopraxia parte do mesmo princípio do embalsamamento, mas pode ser usada quando o corpo vem do hospital, fechado, pois é um método não invasivo, onde a troca de fluídos é feita pela carótida. No embalsamento, o corpo é aberto, por isso é uma opção usada quando ele vem do IML, após autópsia.
Um motivo alegado a favor da preparação do corpo, além da questão estética, é a sanitária, já que o corpo não preparado ofereceria maior danos ao solo, podendo contaminar o lençol freático com restos mortais considerados tóxicos, mas não há um consenso quanto a isso.
Sei que não é racional, mas as duas opções mais usadas, enterro ou cremação, me parecem aflitivas. A ideia de estar enterrada, comida por bichinhos, abafada num caixão não atrai. E a de ser cremada a 1.000°C, transformada em cinzas também não. Bem, não há maneira fácil de nascer, também não há maneira fácil de morrer. Não decidimos como vamos nascer, mas podemos decidir o que será feito do nosso corpo quando morrermos. Pelo menos isso.
Novas alternativas, além das usuais enterrar ou cremar, ganham cada vez mais espaço. No próximo post, surpreenda-se com o que tem por aí.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Os dez lugares mais poluídos do mundo

Os dez lugares mais poluídos do mundo


http://eco4planet.com/blog/2014/07/os-dez-lugares-mais-poluidos-mundo/

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Cerca de 200 milhões de pessoas no mundo têm suas vidas ameaçadas por conta do confronto direto com a poluição do meio ambiente. Solo contaminado por metais pesados, lixo químico espalhado no ar, resíduos eletrônicos tóxicos nos rios… Estes são apenas exemplos citados no relatório da Fundação Green Cross.

Depósito de lixo de Agbogbloshie, em Gana
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O relatório classificou o segundo maior depósito de lixo da África Ocidental como um dos mais poluídos do planeta. O que compõem seu cenário? Pilhas de discos de satélites e televisores quebrados! A queima de fios metálicos envoltos em plástico, a fim de recuperar o cobre, torna o lixo ainda mais perigoso, além de liberar chumbo na área.

Rio Citarum, na Indonésia
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Cerca de 2 mil fábricas usam o rio como fonte de água e despejam seus resíduos industriais nele. Mil vezes mais poluídas que água potável e contendo grandes quantidades de alumínio e ferro, o Citarum ainda abastece milhões de pessoas nas regiões por onde passa. Dá pra acreditar?

Centro industrial de Dzerzhinsk, na Rússia
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Um dos centros industriais químicos mais importantes do mundo, onde entre 1930 e 1998, cerca de 300 mil toneladas de lixo químico foram depositadas, claro, de forma incorreta. Essas substâncias acabaram poluindo tanto o lençol freático quanto o ar e, hoje, a expectativa de vida para quem vive lá é de 47 anos entre as mulheres, e apenas 42 anos para os homens.

Usina nuclear de Chernobil, na Ucrânia
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Muito lembrada até hoje como o local do maior acidente nuclear da história, ocorrido no dia 25 de abril de 1986. Uma nuvem de radioatividade causada por um incêndio e o derretimento nuclear fez com que ninguém mais pudesse morar a menos de 30 quilômetros de distância da região. O solo na área da antiga usina ainda é contaminado e coloca em risco a produção de alimentos.

Curtumes de Hazaribagh, em Bangladesh
006
Hazaribagh tem mais curtumes do que qualquer outro lugar de Bangladesh, sendo que a maioria dessas fábricas usa métodos antigos e ineficazes e acaba despejando cerca de 22 mil litros de resíduos tóxicos por dia no rio Buriganga, que é a principal fonte de abastecimento de água de Dhaka. Muitos moradores sofrem de doenças de pele e das vias áreas causadas pelo material cancerígeno.

Minas de chumbo em Kabwe, na Zâmbia
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Durante um século, minas de chumbo liberaram metais pesados por meio de partículas de poeira que caíam no chão tanto na cidade quanto nos arredores. Hoje, em Kabwe, a segunda maior cidade da Zâmbia, muitas crianças sofrem com elevados índices de chumbo no sangue.

Minas de ouro em Kalimantan, na Indonésia
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Kalimantan é particularmente conhecida por suas minas de ouro onde, para obter o metal precioso, muitos mineiros usam mercúrio, liberando mais de mil toneladas de material tóxico no meio ambiente todo ano, poluindo os lençóis freáticos.

Rio Matanza-Riachuelo, na Argentina
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Cerca de 5 mil fábricas despejam esgoto nas águas do rio. Mais de um terço de sua poluição é responsabilidade de produtores químicos, segundo o relatório da fundação Green Cross, por conter grandes quantidades de zinco, chumbo, cobre, níquel, além de outros metais pesados. A população da região sofre de problemas intestinais e nas vias aéreas.

Delta do rio Níger, na Nigéria
010
O Delta do rio Níger é uma área de alta densidade populacional: concentra 8% de toda a população da Nigéria. O local sofre com poluição por petróleo e hidrocarbonetos, que contaminam o solo e os lençóis freáticos. Em média, o equivalente a 240 mil barris de petróleo atingem o delta por ano por conta de acidentes ambientais ou roubo da matéria-prima.

Cidade industrial de Norilsk, na Rússia
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Aproximadamente 500 toneladas de óxidos de cobre e de níquel, além de 2 milhões de toneladas de óxido de enxofre, são liberados na cidade, fazendo com que poluição do ar seja tão grande que a expectativa de vida dos trabalhadores das indústrias da cidade é dez vezes menor do que a média registrada na Rússia, de 69,8 anos, em 2013.
Fonte / Imagens: DW

quinta-feira, 4 de julho de 2013

ONG encontra grandes quantidades de subproduto de fertilizante em solos, rios e lagos

ONG encontra grandes quantidades de subproduto de fertilizante em solos, rios e lagos

A China é o maior produtor de fosfato fertilizado do mundo, que tem como subproduto o fosfogesso, que á altamente poluente

Ao pesquisar sobre a produção de fertilizantes fosfatados na região de Sichuan, a maior produtora do insumo na China, a ONG Greenpeace descobriu gigantescos depósitos de fosfogesso ao ar livre e próximos a aldeias locais. Esse material é altamente poluente e se trata de um subproduto da fabricação de fertilizantes fosfatados (bastante utilizados na reparação de solos agrícolas).
Algumas rochas fosfatadas contêm pequena quantidade do metal pesado cádmio, extremamente tóxico para os seres humanos. Pesquisas recentes mostraram que o uso intensivo de fertilizantes fosfatados na região de Yangtze-Huaihe aumentou o nível de cádmio em bacias hidrográficas. Isso acontece porque, quando fertilizantes fosfatados são aplicados, somente uma pequena parte deles fica disponível para as plantas. O restante é armazenado no solo. A partir de então, por meio de escoamento, lixiviação ou erosão, os resquícios vão parar em lagos, rios e oceanos.  É comum ainda, apesar dos riscos, que agricultores apliquem fosfato em excesso, cuja importância para a planta está relacionada ao aceleramento do crescimento e maturação, a fim de que cresçam com maior velocidade.
Produção crescente e alteração da qualidade de vida
Desde 2001, a China duplicou sua capacidade de fabricação de fertilizantes fosfatados, convertendo-se na líder mundial desse setor, com 40% da produção mundial. De acordo com alguns pesquisadores, o país asiático já acumulou aproximadamente 300 milhões de toneladas de fosfogesso, o que representa cerca de 200 kg por habitante no país de maior população mundial. Análises de amostras de fosfogesso dessa região revelaram níveis de flúor, uma substância potencialmente perigosa, acima dos limites nacionais chineses para resíduos perigosos, além da presença de metais pesados tóxicos, como arsênico, cádmio, cromo e mercúrio.
O uso desse fertilizante vem alterando a vida da população chinesa que mora próxima a depósitos de fosfogesso. Um grupo de moradores preocupados com a situação e com o comportamento indiferente do governo local começou a remover os resíduos por conta própria. Outros, preferiram abandonar suas casas. No vídeo abaixo (com áudio em chinês e legenda em inglês) um morador de uma das áreas contaminadas conta que, antes, ele costumava beber água diretamente da fonte, mas devido à contaminação, ele não faz mais isso, pois sente mal-estar e fraqueza. Confira:
Veja também:


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Mundialmente, a cada ano, cerca de 140 milhões de toneladas de nitrogênio são despejadas no meio ambiente


Agricultura | 21/02/2013 15:29

Poluição do solo por nitrogênio é a nova ecocrise chinesa?

Nutriente que serviu de pilar da "Revolução Verde" na agricultura está se transformando em um vilão ambiental. Estudo indica que a poluição por nitrogênio cresceu 60% em 30 anos


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Getty Images
Cultivo agrícola na China, com skyline da cidade ao fundo
São Paulo – Em meio à poluição atmosférica recorde que assola a China, o país enfrenta outra crise ambiental pouco conhecida e praticamente invisível: a contaminação do solo por nitrogênio. Segundo um estudo publicado pela revista Nature, a poluição por nitrogênio aumentou 60% em 30 anos no país, o que representa uma ameaça para os ecossistemas e a saúde humana.
Dentre as diversas formas de nitrogênio presentes nomeio ambiente, a principal preocupação dos pesquisadores é com a amônia (NH3) e o nitrato (NO3).
O acúmulo dessas substâncias na natureza deriva principalmente do uso indiscriminado de fertilizantes sintéticos, além das emissões causadas pelo transporte e indústria.
Em alta concentração, esses poluentes podem levar à perda da biodiversidade, reduzir o crescimento das plantas, poluir o lençol freático e acidificar o solo.
Desde 1990, a China tornou-se o maior consumidor de fertilizantes nitrogenados do mundo que, apesar de ajudarem no crescimento rápido do cultivo, aumentando a oferta de alimentos, também poluem e deterioram o solo quando usados de forma indiscriminada.
A pesquisa aponta que a deposição de nitrogênio no solo do país subiu anualmente 8 kg por cada 10 mil m²  de terra entre 1980 e 2010. Grosso modo, o nutriente que serviu de pilar da "Revolução Verde" na agricultura, matando a fome de milhões de pessoas a partir da década de 60, está se transformando em um verdadeiro vilão ambiental.
Transporte e indústria
Outra constatação do estudo é que as emissões de óxido de nitrogênio provenientes dos transportes e da indústria estão aumentando mais rápido do que as emissões de amoníaco da agricultura.

Desde os anos 1980, o uso de fertilizantes nitrogenados dobrou, ao passo que consumo de carvão aumentou mais de três vezes e o número de veículos a motor, mais de 20 vezes.
“Se as tendências atuais persistirem, as emissões de amônia vão aumentar 85% até 2050 e as emissões de óxido de nitrogênio vão subir mais de oito vezes. O impacto será impensável", diz Fusuo Zhang, pesquisador da China Agricultural University, em Pequim, e co-autor do estudo.
Mundialmente, a cada ano, cerca de 140 milhões de toneladas de nitrogênio são despejadas no meio ambiente. Segundo previsões do cintistas, esse número deverá aumentar em 70% até 2050, quando as economias emergentes da América Latina e do Sul da Ásia começarão a padecer do mesmo mal que a China enfrenta hoje.
Ameaça silenciosa
O maior empecilho para combater este problema crescente é o fato de se tratar de uma poluição silenciosa e invisível. Diferentemente da fuligem escura gerada pelo transporte e indústria ou ainda, de um vazamento de petróleo, que deixa sua marca no local, a poluição por nitrogênio é praticamente imperceptível aos olhos – ainda que tenha o poder de desestabilizar os processos naturais, entre outros efeitos negativos em estudo.
Por esse motivo, a poluição por nitrogênio acaba sendo pouco reconhecida como um problema ambiental, dizem os cientistas, já que é difícil conectar o problema à fonte.
Um passo simples no sentido de reduzir a poluição por nitrogênio seria os agricultores começarem a usar de forma mais eficiente os fertilizantes sintéticos, já que estes são reconhecidos mundialmente como a principal fonte do problema.