Mostrando postagens com marcador Ética ambiental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ética ambiental. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de abril de 2013

E agora?


30/04/2013 - 19h01

Justiça ordena quebra de sigilo de ex-diretor de órgão da Prefeitura de SP


A Justiça determinou a quebra de sigilo de um ex-diretor do Ilume (Departamento de Iluminação Pública de São Paulo) durante a gestão Gilberto Kassab (PSD) investigado por suposto recebimento de propina para beneficiar duas empresas que conseguiram contratos com a prefeitura. Os sigilos das empresas Consladel e Trópico também foram quebrados.
Paulo Candura, que é funcionário de carreira da prefeitura e atualmente assessor da Secretaria de Planejamento, nega as acusações.
De acordo com investigação do Ministério Público --que pediu a quebra de sigilo-- o nome de Candura aparece numa suposta lista de propina paga pelas empresas. Segundo testemunhas ouvidas pelo promotor Silvio Marques, Candura facilitaria as licitações para prestação de serviços de iluminação para as empresas, inserindo cláusulas que dificultassem a vida de concorrentes.
As denúncias partiram de Gilberto Faour Auad, ex-sócio da Trópico e ex-diretor da Consladel. A Trópico --que já foi responsável pelo contrato de iluminação do túnel Ayrton Senna, pertence a Labib Faour, irmão de Gilberto. O denunciante disse que foi retirado da empresa após se desentender com o irmão por causa dos negócios. Ele afirmou que Candura recebia uma espécie de "premiação" por ajudar empresa. Segundo ele, "era como se Candura oferecesse assessoria técnica".
Outra testemunha, ligada às empresas, disse à Promotoria que recebia ordens para entregar o dinheiro que seria destinado a Candura.
O advogado de Candura, Paulo Porto, disse que no ano passado o servidor colocou suas contas bancárias à disposição do Ministério Público. "Nem fomos notificados ainda da quebra de sigilo, que não era necessária, já que ele colocou as contas à disposição. Ele nega qualquer tipo de participação nesse esquema", disse Porto.
Sobre a suposta lista de propina, o advogado disse que trata-se de uma xerox, sem nenhum timbre ou alguma assinatura que identifique a autoria das tabelas. Em relação à acusação de que ele incluiria cláusulas nas licitações para facilitar a participação das empresas, Porto afirmou que não era função de Candura cuidar de contratos. "São acusações sem provas e que podem gerar uma ação de danos morais no futuro", disse Porto.
Folha não conseguiu localizar os proprietários da Trópico e da Consladel.
O prefeito Fernando Haddad (PT) disse que Candura pode ser alvo de investigação interna. (GIBA BERGAMIM JR.)

domingo, 14 de abril de 2013

Respeito à ética afasta mulheres da chefia, diz estudo


Respeito à ética afasta mulheres da chefia, diz estudo

14/04/2013 - 01h30 
FELIPE GUTIERREZ
DE SÃO PAULO

Mulheres têm mais dificuldades de subir na carreira por considerar que é complicado manter a ética nos negócios. A polêmica tese é das psicólogas Jessica Kennedy, da Escola Wharton, e Laura Kray da Universidade da Califórnia (Berkeley).
Elas afirmam que essa é uma das razões para, entre as 500 maiores companhias dos Estados Unidos, só 14% dos executivos serem mulheres -apesar de elas serem 36% dos alunos dos MBAs das dez melhores escolas do país.
Divulgação
Laura Kray, professora de psicologia da Universidade da Califórnia (Berkeley)
Laura Kray, professora de psicologia da Universidade da Califórnia (Berkeley)
No estudo, as psicólogas analisaram as diferentes maneiras com que homens e mulheres encaram compromissos éticos. Veja trechos da entrevista com Kray.
*
Folha - O que é um compromisso ético?
Laura Kray - É uma decisão que implica uma troca entre um valor moral por uma recompensa, como dinheiro ou reconhecimento.
E com qual frequência isso acontece nas corporações?
Nós não medimos isso, mas acredito que são acontecimentos cotidianos nas corporações.
No estudo, vocês comparam o mundo dos negócios a outras áreas, como medicina. Quais são as diferenças?
Em negócios, não há um valor moral acima de tudo, como salvar vidas ou o senso de justiça, então é uma área em que se enfrenta mais esses compromissos éticos.
Você pode explicar como foram os três testes?
No primeiro, descrevemos situações de quebra de conduta moral, e as mulheres reagiram de maneira mais indignada. No segundo, observamos que elas se interessam menos do que homens por posições que envolvem dilemas éticos. E, finalmente, perguntamos se as pessoas associam negócios a um comportamento moralmente errado, e as mulheres fizeram isso mais frequentemente.
Por que há diferenças de respostas entre gêneros?
Pode ser que exista uma explicação biológica, que elas nasçam assim. Ou também algo cultural: as mulheres são criadas para pensar mais na comunidade do que os homens.
O que é "desengajamento moral"? Isso é algo que as mulheres precisam praticar mais?
É um mecanismo pelo qual as consequências ruins de uma decisão são minimizadas para justificá-la. Eu nunca diria que as mulheres ou mesmo os homens devam praticar mais o "desengajamento moral", mas acho que as corporações precisam valorizar a ética de alguma forma. Desse modo, as mulheres serão mais representadas em posições de chefia.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Trabalhava na SVMA...ainda no período probatório! "Estou com um gosto amargo na boca"...


Pente fino

06.abril.2013 | 1:06
Sonia Racy


Ricardo Teixeira, secretário do Verde, decidiu: vai reavaliar os processos de fiscalização do departamento onde Renato José Paes– preso por pedir propina – trabalhava. Designou seis técnicos para tanto.
Terão dois meses para concluir o trabalho. “Estou com um gosto amargo na boca”, desabafou Teixeira.



JORNAL NACIONAL

Servidor pediu R$ 30 mil de propina

Valor foi cobrado para não aplicar uma multa de até R$ 120 mil ao dono de uma empresa que recolhe entulho em Pirituba

05 de abril de 2013 | 2h 03


TIAGO DANTAS - O Estado de S.Paulo
O funcionário público Renato José Paes, de 36 anos, que trabalha na Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, foi preso em flagrante ontem, acusado de corrupção. Ele pediu R$ 30 mil de propina para não dar uma multa ao dono de uma empresa que recolhe entulho em Pirituba, na zona norte da capital. Investigações de casos semelhantes levaram outros três servidores municipais para a cadeia nos últimos 20 dias.
O caso foi denunciado à Controladoria Geral do Município em 18 de março. A vítima foi orientada a filmar as negociações do pagamento da propina. Ontem, por volta das 11h, guardas-civis e policiais civis armaram um flagrante. Quando saía da empresa, logo após receber um envelope com R$ 8 mil do empresário, Paes foi detido e levado, algemado, para a 1.ª Delegacia de Crimes contra a Administração Pública.
Registrado como especialista em Meio Ambiente do Departamento de Gestão Descentralizada da Secretaria do Verde, Paes está no serviço público desde 21 de junho de 2010. Atualmente, recebia cerca de R$ 4.600 de salário bruto, segundo a Prefeitura, que abriu um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta de Paes. Ao fim da análise, que, em geral, dura 60 dias, o funcionário público pode ser demitido. Segundo a polícia, ele ficaria detido ontem.
A vítima relatou que a primeira visita de Paes à empresa aconteceu em 6 de março, sob o pretexto de uma vistoria. O funcionário público fez um auto de inspeção, na qual apontou irregularidades na armazenagem de resíduos, que são contestadas pelo dono da empresa, e solicitou a apresentação de documentos em 48 horas. O empresário afirma que entregou todos os papéis no dia 8. Quatro dias depois, Paes voltou ao local. Dessa vez, disse que o empresário poderia ser multado em um valor entre R$ 90 mil e R$ 120 mil.
A autuação, porém, poderia ser esquecida caso o dono da empresa pagasse R$ 30 mil de propina. Após procurar a Controladoria, a vítima foi orientada a marcar uma reunião com Paes para negociar o valor do suborno.
Na mochila. Ficou acertado que o empresário entregaria R$ 12 mil, em duas parcelas: de R$ 8 mil e R$ 4 mil. A negociação foi gravada. "Beleza, então. Doze (mil), vai. E aí eu vou fazer assim: 'Nunca existiu essa fiscalização'", afirmou o acusado, sem saber que estava sendo gravado pela vítima. Na sequência, o vídeo mostra ele guardando o pacote com o dinheiro dentro de uma mochila.

Fiscal de SP é preso acusado de cobrar propina de R$ 12 mil
Geógrafo é o quarto servidor municipal preso em flagrante por suspeita de corrupção desde o dia 15
Negociação foi gravada por empresário; dinheiro rastreado antes foi apreendido ontem com funcionário
DE SÃO PAULO

Um funcionário da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente foi preso em flagrante ontem pela manhã acusado de receber R$ 8.000 como pagamento de propina para que uma fiscalização não fosse realizada.
O geógrafo Renato José Paes é o quarto servidor municipal preso em flagrante por suspeita de corrupção em cerca de 20 dias em três operações conjuntas da recém-criada Corregedoria-Geral do Município e da Polícia Civil.
Folha não localizou o advogado do geógrafo.
Nos três casos anteriores, os empresários que estariam sendo extorquidos denunciaram os casos à prefeitura.
Na operação de ontem, o servidor preso alegava que havia aparentes irregularidades no armazenamento de resíduos industriais da empresa e que a multa seria de R$ 90 mil a R$ 120 mil.
Para não multar, ele teria pedido R$ 30 mil de propina, segundo o empresário disse à CGM e à polícia. Em um novo encontro na sede da empresa, desta vez gravado, ele reduz o valor para R$ 12 mil em duas parcelas. A primeira, paga ontem, de R$ 8 mil.
A polícia identificou as notas que seriam entregues. O servidor foi até a sede da empresa e recebeu o envelope com o dinheiro. A ação foi filmada. Na saída, ele foi preso em flagrante e responderá a processo por concussão (extorsão praticada por funcionário público). Paes também responderá a processo disciplinar na prefeitura.
O servidor era concursado e assumiu o cargo em junho de 2010. Ele tinha salário bruto de R$ 4.616,94.
Em janeiro, já na gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), Paes assumiu interinamente a direção da divisão em que trabalha, na zona norte, durante as férias do titular do cargo. Ele já havia assumido a função antes.
Em 19 de março, o engenheiro Eduardo Tadayoshi Kawai, foi preso em flagrante acusado de receber R$ 4.000 de propina do dono de um imóvel da zona norte.
No dia 15, Sheila Maria Rodrigues Adell Caramico, e Nicola Caramico, ambos fiscais da Subprefeitura de Santo Amaro, foram detidos sob a acusação de receberem R$ 40 mil do responsável pela obra de um hospital.
A pena para o crime de concussão é de dois a oito anos de prisão.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Coincidência?



seam1.jpg

Projeto Arco Tietê tem 45 empresas habilitadas

Cadastrados estão convocados para a reunião de início aos trabalhos no dia 2 de abril. Estudos enviados à Prefeitura também demonstraram a viabilidade financeira do projeto

O Diário Oficial da cidade de São Paulo divulgou nesta terça-feira (26) as 45 empresas que foram habil ouitadas para o desenvolvimento dos projetos e estudos para a construção do Arco do Tietê (veja abaixo a lista). Foram convocados arquitetos e urbanistas que elaboraram estudos de transformação urbana para a região, que engloba a Marginal Tietê e suas margens, ao norte e ao sul, da região de Pirituba à região do Tatuapé. Os estudos enviados à Prefeitura também demonstraram a viabilidade financeira do projeto.
Nesta primeira fase, 45 empresas apresentarão propostas. Elas foram habilitadas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e terão 60 dias para realizar os estudos e determinar conceitos e diretrizes.

Para iniciar os diálogos, os indicados deverão se reunir com uma comissão da Secretaria de Desenvolvimento Urbano para detalhar e aprofundar as diretrizes econômicas, ambiental, mobilidade e acessibilidade habitacional. O evento acontecerá dia 2 de abril, às 9 horas na Biblioteca Mário de Andrade (rua da Consolação, 94).
O Arco do Tietê é um dos principais projetos da gestão do prefeito Fernando Haddad. Trata-se da construção um novo eixo de desenvolvimento urbano para São Paulo, diminuindo o número de deslocamentos em direção às regiões centrais e distribuindo empregos e equipamentos públicos para novos polos nas periferias da cidade.
Os projetos apresentados para o Arco Tietê levaram em conta iniciativas já previstas para a região, como a implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV) do Governo Federal e a expansão da rede metroviária do município, além do enterramento de linhas já existentes. O trecho ferroviário que liga a Lapa ao Brás, por exemplo, deve se transformar na Avenida Diagonal Sul, enquanto a Avenida Diagonal Norte será construída onde hoje existe um “linhão” da Eletropaulo na Zona Norte da cidade.

Empresas habilitadas
1. CR Almeida S/A Obras de Engenharia
2. Planos Engenharia
3. José Paulo N. Gouvêa Arquitetos
4. Cândido Malta Campos Filho
5. José Roberto Mendrano
6. Construcap – CCPS Engenharia e Comércio
7. Softwise Politécnica Comércio e Serviços Ltda.
8. Joã o Rafael Morette Macedo
9. Tecton Planejamento e Consultoria
10. Axal Consultoria e Projetos Ltda.
11. Grupo de empresas composto por Construtora Odebrecht S/A e Construtora OAS
12. Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Município de São Paulo 
13. Thiago Freitas Gomes de Andrade Medeiros
14. Grupo de empresas composto por UTC Participações e Constran S/A
15. Triptyque Projetos Ltda.
16. Consórcio Carioca/Blac
17. Construções e Comércio Camargo Corrêa
18. Geométrica Engenharia e Projetos Ltda.
19. Construtora Andrade Gutierrez
20. Grupo de profissionais representados por Léa Geper Struchiner
21. Barbosa & Corbucci Arquitetos Associados
22. AECOM do Brasil Ltda.
23. Fundação Centro de Tecnologia de Hidráulica
24. Terra e Tuma Arquitetura e Urbanismo Ltda. EPP
25. Consórcio TC URBES/IB C
26. Magalhães e Associados Arquitetura e Planejamento S/C Ltda
27. Grupo de empresas composto por Ruy Ohtake Arquitetura e Urbanismo Ltda. e Enger Engenharia S/A
28. IDOM Consultoria Ltda.
29. URBEM – Instituto de Urbanismo e Estudos pela Metrópole –
30. Gabinete de Projeção Arquitetônica Ltda.
31. Miguel Saraiva + PMA
32. Ambiente Arquitetura Ltda.
33. DNA – Drenagem, Navegação & Locação Ltda.
34. Construtora Queiroz Galvão
35. Argeplan Arquitetura e Engenharia Ltda.
36. Consórcio Pedro Taddei e Tito Lívio.
37. IXR Consultoria e Participações Ltda.
38. Associação Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
39. Geasanevita Engenharia Ltda.
40. Diagonal Empreendimentos e Gerenciadora de Negócios Ltda.
41. Grupo Remova SP – representado por Marilena Áquila
42. Loureiro e Associados Arquitetura Ltda.
43. Grupo de profissionais representados por Filipe Barcelos de Faria
44. Grupo de empresas composto por Arcadis Logos Ltda, RTKL Brasil Design Ltda., Patrícia Akinaga Arquitetura e Desenho Urbanos S/C Ltda., Mia Lehrer + Associates e Price Waterhouse Coopers Serviços Profissionais Ltda.
45. IURB Arquitetos Associados

sexta-feira, 22 de março de 2013

Pelo mutirão de limpeza!



“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons
Martin Luther King

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2911200715.htm
São Paulo, quinta-feira, 29 de novembro de 2007 
Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

"Cheque-despejo" cria indústria de favelas falsas, diz PromotoriaSegundo investigação, várias pessoas são cooptadas a ocupar barracos com o objetivo de receber ajuda financeira da prefeitura
Auxílio da prefeitura pode chegar a R$ 5.000 por família; funcionários públicos também estão sendo investigados
ROGÉRIO PAGNAN
RAFAEL TARGINO
DA REPORTAGEM LOCAL
A distribuição do "cheque-despejo" -ajuda financeira dada pela prefeitura às famílias para que deixem áreas de risco- criou uma indústria de falsas favelas em São Paulo, segundo investigação do Ministério Público Estadual. Segundo depoimento de moradores aos promotores, várias pessoas são cooptadas a ocupar barracos prestes a serem removidos pelo município com o objetivo de também receber a ajuda financeira, que pode chegar a até R$ 5.000. Há a suspeita, ainda segundo o Ministério Público, da participação de funcionários municipais na fraude. A investigação teve início na favela Rocinha Paulista (zona sul). Sete moradores e ex-moradores relataram um esquema para receber o "cheque-despejo", coordenado por duas líderes comunitárias e com a conivência de um fiscal.
De acordo com essas testemunhas, das quais três delas a Folhaouviu, desde setembro deste ano as líderes comunitárias Elizabeth Gonçalves de Oliveira e Isabel Cristina Cândido coordenaram a construção de novos barracos. "O povo não dorme mais não.
É fazendo barraco a noite inteira", disse uma moradora, que pediu para não ser identificada. "Vem gente até do interior."
As testemunhas contam que, para autorizar a construção de um novo barraco, as líderes cobram um pedágio. De cada quatro barracos construídos, um é repassado à dupla. Isso também vale para a divisão de um mesmo barraco, outra fraude, que multiplica o valor do benefício. "Tem uma casa que foi divida em 12", diz uma moradora.
O esquema, ainda segundo esses moradores, conta com a participação de funcionários da prefeitura. O mais citado é um fiscal da Subprefeitura do Jabaquara, Eduardo Kawai, conhecido como Eduardo Japonês, responsável pelo cadastro de moradores. Kawai e Elizabeth negam as acusações.
"Isso [o esquema de fraudes] está acontecendo na cidade inteira. Foi criada uma indústria", afirma o promotor José Carlos de Freitas, da Habitação e Urbanismo da capital. Ele cita a construção de uma favela próxima à ponte estaiada sobre o rio Pinheiros. 

De acordo com as testemunhas, só as líderes construíram 17 novos barracos (recebendo a indenização por todos eles). Os falsos moradores, que emprestam o nome para receber o cheque da prefeitura, receberam de R$ 500 a R$ 1.000.
Desde setembro, a prefeitura vem retirando barracos da favela da Rocinha Paulista em dois trechos. Um para a construção de uma rua e outro, em uma área considerada de risco.
A prefeitura disse ontem não saber quantas pessoas moram no local, que fica próximo da avenida Roberto Marinho.
Essas pessoas, segundo a investigação, recebem o cheque da prefeitura e, ao sacá-lo, vão acompanhadas dos fraudadores, que ficam com a maior parte do dinheiro na hora. Para o promotor Freitas, todos os métodos de desvio só seriam possíveis com a participação de funcionários da prefeitura. Além disso, ele analisa documentos entregues às famílias pela prefeitura sem o timbre oficial ou identificação de processo. "Ou a administração tem uma estrutura negligente ou tem uma estrutura corrupta justamente para dificultar o controle sobre esses pagamentos", afirma o promotor. A prefeitura disse não ter sido informada das denúncias, mas disse que vai ajudar na investigação.
Para o Ministério Público e a Defensoria Pública, a indústria das falsas favelas é motivada pela própria prefeitura ao utilizar a Verba de Apoio Habitacional -que deveria ser de caráter emergencial- como política habitacional para reduzir o número de favelas na cidade. A prefeitura nega a afirmação. 
A Promotoria vai acionar a Justiça para tentar suspender o repasse dessas verbas em situações não-emergenciais. A verba deve ser usada exclusivamente para atender famílias em áreas de risco. Desde 2005, o município gastou R$ 52,3 milhões para indenizar 12 mil famílias.

Colaborou JOSÉ ERNESTO CREDENDIO, da Reportagem Local




21/03/2013 - 01h00

Pessoa dificulta para vender facilidade, diz Haddad sobre corrupção


JULIA BORBA
DE BRASÍLIA

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), resumiu o caso mais recente de corrupção na prefeitura com um dito popular. Para ele, "a pessoa cria dificuldade para vender facilidade".
Na terça-feira (19), um engenheiro da prefeitura foi acusado de receber propina para regularizar a documentação de um imóvel. Lotado no Aprov (Departamento de Aprovação de Edificações), o suspeito foi detido após receber R$ 4.000 em dinheiro.
Ele ocupa o cargo de especialista em desenvolvimento urbano, na Secretaria Municipal de Habitação, e recebe um salário bruto mensal de cerca de R$ 3.000.
"Esse dito popular é conhecido. Nós vamos combater esse tipo de prática no município de São Paulo", defendeu o prefeito.
Haddad disse também que a Controladoria Geral do Município vem recebendo denúncias de irregularidades na administração do município desde suas criação e que já recebeu "carta branca" para investigar todos os casos.
O engenheiro preso, Eduardo Tadayoshi Kawai, 52 anos, foi denunciado, segundo a polícia, por uma pessoa que o acusa de ter cobrado R$ 10 mil para regularizar a documentação de um imóvel.
Após a denúncia, a polícia acionou a CGM (Controladoria Geral do Município) para ajudar nas investigações, quando foi feito um trabalho de pesquisa e monitoramento até a identificação do suspeito. Também foram apreendidos computador e documentos do servidor.
Na terça, a defesa do engenheiro disse à Folha que as denúncias feitas não têm fundamento e que isso será provado durante as investigações.

22/03/2013 - 03h40

Nada funciona em SP 'sem jabá', diz ter ouvido delator de propina


ROGÉRIO PAGNAN
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

No dia 18 de fevereiro, o motorista Baltasar de Jesus Machado, 56, recebeu um telefonema de um funcionário da Prefeitura de São Paulo. Era um convite para um café.



Embora tenha estranhado o convite, diz, decidiu aceitar.
Eles se encontraram quatro dias depois. "Ele [o servidor da prefeitura] foi curto e grosso: 'Vou direto ao assunto: são R$ 10 mil para aprovar o seu projeto.'"
De acordo com o motorista, o autor do convite era o engenheiro Eduardo Tadayoshi Kawai, 52, preso em flagrante pela Polícia Civil na terça-feira acusado de tentar extorquir o próprio motorista.
Com o servidor municipal a polícia apreendeu R$ 4.000 que seriam a primeira parcela dos R$ 8.000 combinados em troca da regularização de um imóvel, na estrada de Taipas, no Jaraguá (zona norte), num flagrante armado.

'PARA O PESSOAL'
O advogado de Kawai nega o pedido de propina.
"Eram R$ 10 mil, mas o Eduardo disse que faria um desconto. Não pegaria a parte dele, só do pessoal."
Ele relata que a cobrança da propina foi mais um capítulo de uma longa história para tentar regularizar o imóvel --um sobrado onde funciona um pequeno comércio.
Tudo começou, segundo ele, quando em 2003 entrou com um pedido na prefeitura para regularizar um imóvel com base na lei de anistia.
Ele tinha ampliado, na década de 1990, o imóvel sem autorização municipal.
Desde então, segundo ele, foi todos os meses na prefeitura acompanhar o processo. Em 2007, ele apresentou todos os documentos, mas só cinco anos depois ter ouvido de um funcionário do Aprov (setor da Secretaria da Habitação que aprova os imóveis) que o processo estava em fase final, faltando só uma assinatura.
Nesse mesmo período, recebeu a ligação de um homem que se dizia ser despachante e poderia "desembaraçar" seu processo.
Teria ouvido: "o senhor não sabe como funciona na prefeitura? Se não pagar um 'jabá' nada é aprovado. O seu caso, pela característica, fica entre R$ 8.000 a R$ 10 mil ".
Em fevereiro de 2013, num encontro com Kawai dentro da prefeitura, teria ouvido: "O senhor está com muita pressa?". O motorista diz ter respondido: "Você está de brincadeira? Faz dez anos que eu não posso fazer nada com meu imóvel."
Pouco depois, veio a cobrança de propina no café marcado pelo servidor. Inconformado, disse pensado: "Eu atendo a 100 'comunique-se' [notificação para que seja resolvida alguma pendência], mas não pago R$ 1."
Dali em diante, diz, passou a trabalhar "dia e de noite" para denunciar o suborno.
Foi a um departamento da Polícia Civil, onde foi orientado a procurar a ouvidoria da prefeitura.
O motorista disse que só recebeu um e-mail para relatar o caso e, talvez, conseguir uma entrevista. "Só depois que bomba estourou foi que as portas da prefeitura se abriram."
A ouvidoria disse que se for constatada falha no atendimento aperfeiçoará o serviço.

Ele retornou à polícia e o caso passou a ser investigado pela DPPC, a delegacia que investiga crimes de funcionários públicos.

'ELES PARCELAM'
O motorista contou ter ficado decepcionado por ter recebido de amigos e parentes o conselho para pagar a propina. "Um vizinho me disse: pague. Eles são gente boa, até parcelam para você".
Esse vizinho, segundo o motorista, paga propina a servidores do Aprov. "Ninguém me apoiou a denunciar. Nem amigos, nem família."
Ele teme que o seu processo emperre, mas que não se arrepende de ter denunciado, embora lamente a prisão do servidor municipal. "Todo mundo sabe que existe um grande esquema lá dentro."
A prefeitura, que colaborou na fase final das investigações, informou que o processo de Machado terá acompanhamento especial.



21/03/2013 - 03h50

Fiscal preso sob suspeita de corrupção foi assessor de vereador na Câmara


ROGÉRIO PAGNAN
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

O engenheiro Eduardo Tadayoshi Kawai, 52, preso anteontem em flagrante por suspeita de corrupção, tem ligações com o deputado estadual Jooji Hato (PMDB).
Kawai é acusado de ter pedido R$ 10 mil para agilizar um pedido de regularização de um imóvel na zona norte que tramita desde 2003.
O engenheiro foi assessor de Hato na Câmara Municipal, quando o deputado era vereador. Ele deixou o gabinete de Jooji em setembro de 2005 para trabalhar como supervisor de habitação da Subprefeitura do Jabaquara.
Conforme a Folha apurou, Kawai foi indicado pelo próprio Jooji à subprefeitura, na qual trabalhou até agosto do ano passado, quando pediu demissão porque havia sido aprovado em um concurso para engenheiro da Secretaria da Habitação. Ele foi trabalhar no Aprov, setor que dá aval a projetos imobiliários.
O ex-assessor de Jooji Hato foi preso quando, segundo a polícia, recebia parte da propina -a operação policial, em parceria com a Controladoria-Geral do Município, teve a ajuda da pessoa que denunciou o caso.
A Folha procurou o deputado Jooji Hato, pai do vereador George Hato (PMDB), durante toda a tarde e início da noite de ontem, mas ele não respondeu. O advogado de Kawai disse, no dia da prisão, que ele foi vítima de armação e nega pedido de propina.

........................................................

Fale com o

Ministério Público Estadual

http://www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/home/home_interna

 ÁREAS DE ATUAÇÃO



  • Cidadania
    Na área de defesa do patrimônio público e da probidade administrativa, o promotor da cidadania investiga os atos da administração pública que possam causar prejuízo ao erário, como desvio de dinheiro público, licitações e contratos administrativos fraudulentos, ilegal contratação de pessoal pela Administração, bem como o enriquecimento ilícito de agentes públicos em razão de corrupção. Fale conosco pelo e-mail patrimoniopublico@mp.sp.gov.br.
  • Consumidor
    O Promotor de Justiça, na área do consumidor, tem como atribuição a defesa dos interesses coletivos dos consumidores, ou seja, interesses que digam respeito a toda a sociedade ou a um expressivo número de pessoas que tenham sofrido lesão ou ameaça de lesão aos direitos assegurados no Código de Defesa do Consumidor e outras normas protetivas (interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos). Questões relativas a interesses puramente individuais são tratados pelos órgãos de defesa do consumidor (PROCONs), pelos Juizados Especiais Cíveis, pela Justiça Comum ou pela assistência jurídica profissional, pública (defensoria pública) ou privada.
    Para encaminhamento de informações sobre violação aos direitos coletivos dos consumidores procure a Promotoria de Justiça em sua cidade ou Fale Conosco através do e-mail consumidor@mp.sp.gov.br.
  • Criminal
    O Promotor de Justiça criminal tem como missão atuar no combate aos crimes e contravenções penais, buscando  a responsabilização penal dos autores, co-autores e partícipes das infrações, respeitado o princípio constitucional da independência funcional. Cabe, ainda, ao Promotor de Justiça criminal adotar medidas preventivas, no âmbito de suas atribuições, a fim de tentar evitar que ilícitos penais aconteçam. Tem, por fim, as atribuições de fiscalizar a execução da sentença penal condenatória e realizar o controle externo da atividade policial. Nosso endereço eletrônico é: caocrim@mp.sp.gov.br
  • Direitos Humanos
    Na área de Direitos Humanos que, por afirmação histórica, caracteriza-se e pela complementaridade e interdependência a atuação cível do Ministério Público abrange a defesa do idoso, da pessoa com deficiência, saúde pública e dentro desta o transtorno mental, inclusão social e o zelo pelo efetivo respeito dos poderes Públicos e dos serviços de relevância aos direitos assegurados na Constituição da República. Entre em contato, como sua identificação:  dh@mp.sp.gov.br
  • Infância e Juventude
    A Promotoria da Infância e Juventude tem como missão a defesa e garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Assim, nos casos de ofensa ou não realização dos direitos à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, á dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária de criança ou adolescente o Promotor de Justiça deve ser procurado. Endereço de e-mail: infancia@mp.sp.gov.br.
  • Urbanismo e Meio Ambiente
    Os Promotores de Justiça de urbanismo e meio ambiente têm como missão promover e defender os valores ambientais, urbanísticos, culturais e humanos que garantam um meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações, contribuindo no processo de transformação social.
    Em caso de danos ambientais, urbanísticos ou contra o patrimônio cultural, enviar e-mail para: uma@mp.sp.gov.br 




quinta-feira, 21 de março de 2013

Estudou, passou no concurso e depois de meio século foi detido como suspeito de receber propina em 7 meses! Ficou famoso! Limpem a PMSP!


19/03/2013 - 17h18

Engenheiro da Prefeitura de SP é preso sob suspeita de receber propina


OLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Polícia Civil prendeu em flagrante nesta terça-feira um engenheiro da Prefeitura de São Paulo sob suspeita de receber propina para regularizar a documentação de um imóvel. O homem é lotado no Aprov (Departamento de Aprovação de Edificações) e foi detido após receber R$ 4.000 em dinheiro. O suspeito ocupa o cargo de especialista em desenvolvimento urbano, na Secretaria Municipal de Habitação, e recebe um salário bruto mensal de cerca de R$ 3.000.
Eduardo Tadayoshi Kawai, 52, foi denunciado, segundo a polícia, por uma pessoa que o acusa de ter cobrado R$ 10 mil para regularizar a documentação de um imóvel. Após a denúncia, a polícia acionou a CGM (Controladoria Geral do Município) para ajudar nas investigações, quando foi feito um trabalho de pesquisa e monitoramento até a identificação do suspeito. Também foram apreendidos computador e documentos do servidor.
O denunciante disse ter entrado com um pedido para regularizar seu imóvel em 2003, baseado nas leis de anistia. O processo tramitou até chegar ao GTEA (Grupo Técnico Especial de Análise), onde o suspeito trabalha.
A CGM informou que também vai abrir um Inquérito Administrativo Especial -- mais rápido-- para investigar o servidor público. O processo tem um prazo de 60 dias para ser concluído por ter sido uma prisão em flagrante.

OUTRO LADO
A defesa do engenheiro disse que as denúncias feitas não têm fundamento e que isso será provado durante as investigações.
O advogado Emídio Piccoroni disse que Kawai nunca exigiu dinheiro nem marcou encontros. Segundo ele, o denunciante deve ter agido de má fé. O advogado, entretanto, reconheceu que o cliente dele havia mantido contato formal com o homem que fez a denúncia.
Piccoroni alegou que seu cliente encontrou o homem repentinamente. O servidor exercia o cargo há cerca de sete meses.

OUTRO CASO
Na última sexta-feira (15), a CGM informou que outros dois servidores da Subprefeitura de Santo Amaro também foram presos em flagrante sob suspeita de recebimento de propina. A prisão ocorreu após uma denúncia feita em fevereiro deste ano. Foram feitos o monitoramento dos suspeitos e uma pesquisa sobre a evolução patrimonial deles.
Os servidores, que trabalhavam no setor de fiscalização de obras, foram detidos após terem recebido R$ 40 mil em dinheiro do empresário que denunciou a dupla.
Paula Felix/Folhapress
Dinheiro usado para pagar propina que foi apreendido com o casal de servidores; dupla foi presa em flagrante
Dinheiro usado para pagar propina que foi apreendido com o casal de servidores; dupla foi presa em flagrante

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Quando a corrupção afeta o meio ambiente


06/02/2013 14:20:51

Quando a corrupção afeta o meio ambiente


Marcela Valente, da IPS

A Bacia Matanza-Riachuelo continua contaminada, apesar da decisão judicial sobre seu saneamento./ Foto: Malena Bystrowicz /IPS

Dois escândalos de corrupção, um deles originado na Espanha, alertam para a reiterada relação, na Argentina, entre o uso de investimentos irregulares, o aproveitamento espúrio de projetos de melhorias ambientais e planos que contribuem para a deterioração dos recursos naturais. A organização Transparência Internacional considera que a mudança climática, as florestas e a água são tópicos cruciais para detectar casos de corrupção, sobretudo em países em desenvolvimento onde os recursos naturais são abundantes e os econômicos escassos.

A justiça espanhola investiga um caso de corrupção que envolve Luis Bárcenas, gerente e depois tesoureiro do governante Partido Popular (PP) entre 1993 e 2009. O escândalo tem um capítulo argentino, estreitamente vinculado com o avanço sobre as florestas nativas que deveriam ser protegidas. Um dos proprietários de La Moraleja, estabelecimento agrícola de 30 mil hectares na província de Salta, é o espanhol Ángel Sanchís, tesoureiro do PP entre 1982 e 1987, e na mira da justiça de seu país por estreitos vínculos com Bárcenas.
A justiça espanhola informou em janeiro que Bárcenas tinha pelo menos uma conta na Suíça, no valor de US$ 29,8 milhões, da qual, segundo vazou da investigação, foram desviados fundos para uma empresa ligada a La Moraleja, e suspeita-se que também chegaram à própria fazenda, embora a família Sanchís desminta. Também no mês passado, o responsável por florestas no Greenpeace Espanha, Miguel Ángel Soto, contou que, em 2004, Sanchís pediu à organização que avalizasse seu projeto de reflorestamento com madeiras exóticas em Salta, e ofereceu “uma gratificação” em troca.
Soto contou que Sanchís explicou que sua propriedade na Argentina tinha apenas 12 mil hectares produtivos e que, por isso, queria desmatar e produzir, em troca, madeiras “nobres”, como teca, cerejeira e mogno. Contudo, a área era de alto valor de conservação, segundo a organização. O Greenpeace Argentina estava naquele momento fazendo intensa campanha em defesa das florestas nativas de Salta, onde a expansão da soja e de outros cultivos arrasava a floresta e a sobrevivência de povos originários da região.
A ação da organização ambientalista havia começado com a denúncia da venda de uma reserva provincial em Pizarro, localidade perto de La Moraleja. O então governador de Salta, o direitista Juan Carlos Romero, que visitava com frequência a fazenda, considerava que a reserva estava deteriorada. A denúncia por desmontes finalmente derivou na promulgação, em novembro de 2007, da Lei 26.331 de Orçamentos Mínimos de Proteção Ambiental das Florestas Nativas, a qual estabelece que cada província, mediante um ordenamento territorial, define áreas de alto, médio ou baixo valor de conservação, marcadas como vermelha, amarela e verde, respectivamente.
Hernán Giardini, encarregado da campanha do Greenpeace, disse à IPS que La Moraleja está em uma área de transição entre a floresta do Chaco, ao leste, e a selva de Yungas, a oeste, com espécies de ambas as regiões. “Resta muito pouco da floresta de transição em Salta, e justo quando termina a gestão desse governo provincial e a lei já estava aprovada, as autorizações de desmonte são multiplicadas por cinco”, inclusive em La Moraleja, que é toda zona vermelha, denunciou.
Segundo o Greenpeace pôde constatar, os proprietários do estabelecimento rural obtiveram autorizações para o desmonte de 5.900 hectares em dezembro de 2007, dias depois de sancionada a lei que proíbe essa prática. No mesmo ano, foi autorizado o desmatamento de 435 mil hectares nessa província. Os dados constam do informe Monitoramento de Desmatamento nas Florestas Nativas da Região do Chaco Argentino, publicado no final de 2012 pela não governamental Rede Agroflorestal Chaco Argentina, que indica que em Salta foram cortados dois milhões de hectares de florestas nativas entre 1976 e 2012.
“Os dados nos indicam que a Lei de Florestas não teve um impacto significativo para uma queda na taxa de desmontes em Salta nos anos imediatamente posteriores à sua sanção”, conclui o documento. Também ressalta que o mais afetado é o departamento de Anta, onde fica La Moraleja, que representa 40% do desmatamento da província. Giardini explicou à IPS que ele nunca pôde comprovar versões que surgiram de que Romero emitia autorizações em troca de dinheiro, mas conseguiu comprovar a aceleração das permissões quando a lei já era uma decisão tomada.
Romero governou Salta por três mandatos consecutivos (1995-2007) e atualmente é senador. Pertence à ala do governante Partido Justicialista que confronta a presidente, Cristina Fernández, que lidera o setor centro-esquerdista Frente para a Vitória.
Bacia contaminada pela justiça
Outro caso emblemático que envolve a corrupção na deterioração do meio ambiente é o do projeto de saneamento da bacia do rio que percorre 64 quilometres desde o nordeste da província de Buenos Aires, onde se chama Matanza, até servir de limite com a capital argentina, onde passa a se chamar Riachuelo. “A corrupção deve ser considerada uma fonte a mais de contaminação da Bacia Matanza-Riachuelo”, disse à IPS o ativista Andrés Nápoli, da Fundação Meio Ambiente e Recursos Naturais.
A Suprema Corte de Justiça determinou, em 2007, o saneamento da bacia, a mais contaminada do país, a mitigação dos danos e a melhoria da qualidade de vida dos moradores que vivem nas ribeiras do afluente que desemboca no Rio da Prata. Para avançar com esse plano foi criada a Autoridade da Bacia Matanza-Riachuelo, com representantes da Cidade Autônoma de Buenos Aires, de 14 distritos da província de mesmo nome e do governo nacional.
As organizações ambientalistas afirmam que o plano conseguiu melhorias gerais, embora ainda restem numerosas medidas para cumprir a sentença. Entretanto, no final de 2012, chegou à decepção, quando o jornal Página/12 informou sobre supostos atos de corrupção do juiz Luis Armella, encarregado de executar a sentença. A publicação dizia que familiares do magistrado criaram empresas que se beneficiavam de contratos de obras de saneamento sem licitação, alegando sua urgência.
O tribunal remanejou Armella e dividiu a competência entre dois novos juízes: Sergio Torres e Jorge Rodríguez. A Auditoria Geral da Nação ratificou as denúncias mediante uma investigação independente, enquanto o Conselho da Magistratura investiga se Armella deve ser destituído do cargo de juiz. “Foi uma surpresa para nós e um grande custo para a credibilidade obtida com a intervenção do tribunal”, afirmou Nápoli. A Bacia tem o estigma de contaminação, desídia e corrupção, e agora a atuação irregular de Armella parece confirmar esse destino, lamentou.
Nápoli recordou, por exemplo, que o Banco Interamericano de Desenvolvimento concedeu, na década de 1990, um empréstimo de US$ 250 milhões para um plano anterior de saneamento do Riachuelo, e que esse dinheiro “não teve nenhum destino” salvo o de incrementar a dívida pública da Argentina. O Greepenace Argentina jogou sal na ferida, quando, no dia 3, lançou uma campanha para denunciar que a contaminação da Bacia Matanza-Riachuelo se mantém em níveis iguais aos de cinco anos atrás e a toxicidade de sua água continua muito alta.
(Envolverde/IPS)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Atitude sustentável: Leitores elegem combate à corrupção como desafio do Brasil para 2013


05/01/2013 - 08h30

Leitores elegem combate à corrupção como desafio do Brasil para 2013



Esta semana o Painel do Leitor abriu a enquete para saber dos leitores, qual seria o maior desafio do Brasil no ano de 2013.
No total, foram 562 votos.
A resposta mais selecionada pelos leitores foi "Combater a corrupção", com 219 votos, cerca de 39%.
Com 192 votos (34%), o tema "Crescimento do PIB" foi o segundo mais votado.
Ambas as escolhas receberam expressivas votações, e demonstraram a preocupação do leitor com os rumos da política e da economia do país.
Já os temas "Aumentar a transparência do governo", "Realizar a Copa das Confederações" e "Melhorar a Segurança Pública", receberam poucos votos, e juntos, somaram apenas 28% do total das escolhas dos leitores.
Se o ano de 2012 terminou promissor para o leitor em relação à política --devido ao julgamento do mensalão-- a economia ganhou a atenção por causa da divulgação do PIB de 2012.
Lula Marques/Folhapress
Presidente Dilma Rousseff, que pediu "pibão grandão" para 2013
Presidente Dilma Rousseff pediu "pibão grandão" para 2013
Segundo o Banco Central, a economia brasileira cresceu apenas 1% em 2012.
O fato trouxe inúmeras críticas à política econômica da presidente Dilma Rousseff, querespondeu : "Quero pibão grandão em 2013".
MENSALÃO
A enquete da semana passada teve um resultado avassalador, e comprovou a importância do ano de 2012 para os leitores em relação a justiça e a política: com 58%, ojulgamento do mensalão foi eleito o acontecimento mais importante do ano.
O resultado da enquete desta semana atesta a preocupação do leitor com o combate à corrupção.
Pode-se concluir que as enquetes demonstram que o ano de 2013 poderá ter muita importância para o futuro das eleições presidenciais de 2014, e para o futuro da política nacional.
Lula Marques/Folhapress
O presidente do STF e relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, ganhou destaque em 2012
O presidente do STF e relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, ganhou destaque em 2012