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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Empregos fazem maioria apoiar a usina de Belo Monte

14/12/2013 - 03h00

Empregos fazem maioria apoiar a usina de Belo Monte


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DO ENVIADO ESPECIAL A ALTAMIRA (PA)

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Belo Monte






O início da construção da usina de Belo Monte no rio Xingu, em junho de 2011, gerou milhares de empregos -25 mil só nos três canteiros da obra- e movimentou o comércio de Altamira. Não é de estranhar, assim, que 57% de seus moradores se declarem a favor do empreendimento, segundo pesquisa Datafolha.

Menos de um terço dos entrevistados (27%) se posiciona contra a usina hidrelétrica. Apenas 14% se dizem indiferentes a ela.
Com 159,5 mil km² (oito Sergipes, ou meia Itália), Altamira é o maior município do Brasil, mas está longe de ser o melhor. Seu índice de desenvolvimento humano (IDH) é 0,665, bem no meio do ranking nacional (2.776ª posição entre 5.565 cidades).

CAOS URBANO
Embora boa parte da obra se localize no município vizinho de Vitória do Xingu, é Altamira que recebe o maior impacto de Belo Monte, por ser a maior cidade daquela região paraense.
Dos três componentes do IDH, só a longevidade dos habitantes deixa Altamira (0,811) perto da média nacional (0,816). Renda (0,662 ante 0,739) e educação (0,548 ante 0,637) são seus dois calcanhares de aquiles.
Não só. Saneamento básico é outro problema agudo. Até agora, como tantas cidades da Amazônia, Altamira tinha índice zero de coleta e tratamento de esgotos, que correm in natura pelas sarjetas e assim são lançados nos igarapés (riachos).
O IBGE calcula em 105 mil a população atual. A prefeitura estima 140 mil.

Belo Monte


Lalo de Almeida - 3.set.13/Folhapress






Rio Xingu, próximo ao local onde esta sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte
Em contrapartida socioambiental por Belo Monte, a empresa Norte Energia assumiu o compromisso -entre dezenas de "condicionantes" estabelecidas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)- de dotar a cidade toda com redes de água e esgotos.
As obras estão atrasadas, mas podem ser vistas por toda a cidade. Também só começaram a ser construídas em agosto as 4.100 casas que a empresa se comprometeu a fazer para a população que precisará ser reassentada.
Só 3% dos entrevistados pelo Datafolha apontam espontaneamente a questão sanitária como ponto negativo da construção de Belo Monte, porém. Os campeões de queixas são a falta de segurança (39%) e os congestionamentos e acidentes de trânsito (20%).
Em apenas duas semanas, a reportagem da Folha testemunhou pelo menos três acidentes com motos e carros. Bebedeiras e brigas são frequentes nos bares da orla do rio, sobretudo nos fins de semana e após o pagamento de operários do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM), grupo de empreiteiras contratado pela Norte Energia.
Quase um terço (32%) dos moradores ouvidos pelo Datafolha afirmam que tiveram algum parente ou amigo assassinado nos últimos dois anos. Além disso, 17% dos residentes contam ter sofrido roubo, assalto ou agressão nesse mesmo período.
AVALIAÇÃO POSITIVA
O Datafolha entrevistou separadamente, em Altamira, 246 trabalhadores da obra da usina e colheu entre eles muitas opiniões favoráveis ao empreendimento.
A maioria dos entrevistados é de forasteiros: 59% são de fora do Pará e só 14% nasceram em Altamira. Dois terços estão na área há menos de um ano, e metade não pretende ficar. Entre os casados, apenas 40% têm a mulher ou marido morando na cidade.
Apesar do isolamento, 64% dos operários de Belo Monte aprovam as condições de trabalho e 57% se dizem muito satisfeitos com ele. Outros 89% consideram ótimo ou bom o conforto nos alojamentos, onde mora a maior parte da força de trabalho da usina em construção.
A avaliação positiva se estende à própria hidrelétrica. O contingente de trabalhadores a favor de sua construção (88%) é significativamente superior ao de altamirenses que a apoiam (57%) -como seria de esperar de quem deve a ela seu emprego atual.
Editoria de Arte/Folhapress

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Não quer apito...quer R$300.000,00...


07/01/2013 - 18h29

Belo Monte tem paralisação parcial após novo protesto de índios


KÁTIA BRASIL
DE MANAUS

As obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, foram parcialmente paralisadas nesta segunda-feira (7) por um protesto de índios. Os impactos ambientais do empreendimento --um dos maiores investimentos atuais em infraestrutura do governo federal-- motivaram a movimentação.
Cerca de 20 índios da etnia juruna, pintados e armados com flechas, bloqueiam desde as 4h a estrada de acesso ao sítio Pimental, um dos três canteiros da obra, situada no rio Xingu, a 50 km de Altamira (sudoeste do Pará). Não houve incidentes e os trabalhos no canteiro foram interrompidos.


Os índios reclamam que as águas do rio Xingu nas imediações das aldeias estão turvas em razão das obras, o que prejudica a pesca.
Segundo a Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica e que tem o governo federal como principal acionista, os índios pediram R$ 300 mil para desbloquear a estrada. A reportagem não conseguiu contato com os manifestantes.
De acordo com a Força Nacional de Segurança, o bloqueio dos índios acontece na estrada Travessão 27, a 4 km da entrada do canteiro Pimental. Com o protesto, segundo o capitão Mailson Cordeiro, 15 ônibus foram impedidos de entrar na obra.
No local trabalham cerca de 4.000 pessoas. "Os índios estão prontos para guerra", disse o militar.
A Polícia Federal em Altamira informou que está monitorando o protesto, e que o grupo de índios é o mesmo que manteve dois funcionários da Norte Energia como reféns, em julho de 2012. A Funai (Fundação Nacional do Índio) informou que enviou um funcionário à região para acompanhar o caso.
Em dezembro do ano passado, a Norte Energia anunciou a conclusão da parte mais polêmica da obra: uma ensecadeira (barragem provisória) para desviar o rio Xingu, o que abriu caminho para a construção da casa de força complementar da usina.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Protesto de pescadores paralisa parcialmente obra de usina de Belo Monte


20/09/2012-19h02

Protesto de pescadores paralisa parcialmente obra de usina de Belo Monte


Um protesto de pescadores paralisou nesta quinta-feira (20) a obra de barramento do rio Xingu que estava sendo feita na obra da hidrelétrica de Belo Monte, na região de Altamira (a 900 km de Belém).
O CCBM (Consórcio Construtor de Belo Monte) está fazendo uma ensecadeira (espécie de barragem provisória) para desviar parte do fluxo do rio e poder construir uma casa de força.
Um grupo de 50 pescadores, com cerca de 20 embarcações, está acampado no local desde o domingo (16). Eles pedem para ser recebidos pela Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, e reclamam que as obras já reduziram a quantidade de peixes no rio.
Os pescadores colocaram seus barcos ao redor do local das obras e acamparam em uma ilha próxima, sem entrar na área da empresa.
"Vários pontos de pesca já não existem mais e não há peixes suficientes para mantermos nossas atividades", disse Lúcio Vale, representante da colônia de pescadores de Altamira.
A Norte Energia disse ainda não ter conhecimento das reivindicações dos pescadores.
Devido à presença dos pescadores, a CCBM resolveu paralisar as atividades na ensecadeira "de maneira a preservar a segurança dos próprios manifestantes", informou, em nota. As obras continuam normalmente nos demais canteiros de obras.
A construção dessa ensecadeira estava parada à espera de uma autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que foi concedida na semana passada. Com isso, as obras foram retomadas.
Em pouco mais de um ano de obra, Belo Monte já enfrentou protestos de ambientalistas, índios, pescadores e dos próprios operários. A hidrelétrica, prevista para ser concluída em 2019, deverá ser a terceira maior do mundo.

sábado, 1 de setembro de 2012

Belo Monte: indústria X índios


24/08/2012 22h01- Atualizado em 24/08/2012 22h01

Pedido de retomadas de obras de Belo Monte divide opiniões no Pará

Indústria diz que decisão prejudica economia.
Ministério Público, que índios e comunidades precisam ser ouvidos.



Pedido de suspensão da liminar que interrompeu as obras na Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na região de Altamira, no Pará, divide opiniões no estado. A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) acredita que obras devam ser retomadas o quanto antes, já o Ministério Público Federal (MPF), autor da ação que paralisou as obras, acredita que paralisação será mantida.
Indio protesta com arco em Belo Monte (Foto: Glaydson Castro / TV Liberal)Em junho, indígenas paraenses ocuparam um dos canteiros de obras de Belo Monte em protesto pelo não cumprimento de medidas condicionantes. (Foto: Glaydson Castro / TV Liberal)

Para a Fiepa, a interrupção das obras afeta a economia do Pará e pode gerar danos em várias esferas. "O investidor fica com medo de investir. Tem 12 mil homens que ficaram parados. Há prejuízos sociais, econômicos e de toda a ordem", define José Maria Mendonça, vice-presidente do órgão.
Já o promotor federal, Ubiratã Gazetta, acredita que a paralisação deve ser mantida porque os índios e as comunidades tradicionais da região não foram devidamente consultados sobre as obras. "Devemos cumprir a legislação. Ouvir as comunidades significa não apenas respeitar o que está na Constituição, como também respeitar essas minorias, os direitos humanos dos índios que precisam ser ouvidos. À eles precisam ser explicados todos os impactos e eles precisam se manifestar sobre o que as obras significam para seu meio de vida, na sua forma de lidar com o meio ambiente", defende.
Os três canteiros de obras de Belo Monte estão paralisados deste está quinta-feira (23). O consórcio construtor da Usina de Belo Monte enviou de volta a sede municipal de Altamira todos os trabalhadores que estavam nos canteiros.
Em nota, o consórcio afirma que que está adotando todas as medidas cabíveis para reverter a decisão do Tribunal Regional Federal, e que espera retomar as atividades o mais breve possível.

Entenda o caso
A Usina Hidrelétrica de Belo Monte está sendo construída no rio Xingu, em Altamira, no sudoeste do Pará, com um custo previsto de R$ 19 bilhões.
No último dia 13 de agosto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou a suspensão imediata das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A decisão acatou um recurso do Ministério Público Federal (MPF) que questiona a falta de consultas ás comunidades tradicionais antes do início das obras do empreendimento, como determina a constituição.
Na ocasião movimentos ambientalistas locais apoiaram a medida. "Todos nós aqui consideramos essa decisão uma vitória da Justiça, do bom-senso, da democracia e do meio ambiente", afirma Dom Erwin Krautler, bispo da Prelazia do Xingu, no Pará, um dos movimentos que têm defendido a paralisação da obra devido os impactos que ela pode trazer para as populações amazônicas.
No dia 23 de agosto, o Consórcio Construtor de Belo Monte interrompeu as obras, após ser notificado oficialmente sobre a decisão da justiça.
Nesta sexta-feira (24), a A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ibama entraram com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a paralisação das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte. “Para que se evite a ocorrência de dano vultoso e irreparável ao patrimônio público, à ordem administrativa, à ordem econômica, e à política energética brasileira, a União desde logo requer [...] seja liminarmente suspensa a eficácia do acórdão proferido”, diz o texto.
Obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu.  (Foto: Divulgação)Obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, foram interrompidas a pedido da Justiça. (Foto: Divulgação)

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