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domingo, 31 de julho de 2016

Fumante é ambientalista?

29 Jul de 2016 - 10:40

Dia Nacional de Combate ao Fumo: 10 motivos para abandonar cigarro de vez

Especialista explica problemas ligados ao tabagismo e como eles podem afetar a vida dos fumantes
O Dia Nacional de Combate ao Fumo é lembrado nesta sexta-feira (29), mas todos os dias são essenciais para abandonar o cigarro de uma vez. De 2006 para cá, o número de fumantes no Brasil caiu de 15,6% para 10,8% da população, mas para o pneumologista da Associação Paulista de Medicina Rodrigo Abensur não podemos nos conformar até que esse valor seja reduzido a 0% da população. Veja a seguir os principais problemas causados pelo cigarro, e use-os como motivação para abandonar o fumo.
Acaba com a pele 

O pneumologista ressalta que é possível perceber se uma pessoa fuma ou não só de olhar para ela e analisar o aspecto de sua pele. O cigarro causa um efeito no corpo que faz com que a pele perca a elasticidade, fazendo com que surjam mais rugas mais rapidamente
Dentes amarelados e doenças bucais

O cigarro é responsável pelo amarelamento dos dentes, uma vez que eles são os primeiros a receberem as toxinas ingeridas pelo fumo. Além disso, é um dos principais causadores da periodontite — problemas na gengiva, deslocamento de dentes, formação de tártaros, entre outros problemas. O câncer de boca é o mais grave deles, segundo o especialista 
Impotência sexual

O especialista explica que o cigarro causa uma inflamação nos vasos sanguíneos do corpo inteiro, acometendo principalmente órgãos como coração, cérebro, vasos e o órgão reprodutor masculino. 

— Para que um homem tenha uma ereção, é preciso que haja fluxo de sangue adequado no pênis. Ao fumar, a pessoa acaba tendo uma obstrução nesses vasos, fazendo com que seja mais difícil preencher as veias penianas.
Câncer  

O cigarro pode desencadear diversos tipos de câncer. Os mais comuns são o câncer de boca, de pescoço, pulmão, pâncreas, ósseo e de ovário. Abensur explica que, ao fumar, a pessoa ingere muitas substâncias tóxicas que acabam estimulando a produção exagerada de células, o que é o fator de desenvolvimento do câncer. Por isso, o ato de fumar já torna a pessoa mais suscetível a desenvolver a doença. 

— É importante que fumantes com idade superior a 40 anos consultem com frequência um pneumologista, para que sejam tiradas radiografias periódicas. Se houver algum problema e a identificação ocorrer cedo, as chances de cura são maiores
Trombose 

Fumar pode estimular o desenvolvimento de trombose, apesar de os índices não serem tão altos. No entanto, quando a prática ocorre juntamente ao uso do anticoncepcional, os riscos de desenvolvimento da doença são muito maiores — uma vez que ambos juntos potencializam as chances 
Risco de aborto  

 Para que o feto se implante bem no útero, a mãe precisa ter uma vascularização de ótima qualidade. Por isso, como o cigarro é um fator desencadeante da trombose, ele pode também estimular o aborto. Além disso, o especialista explica que se não acontecer o aborto, o fumo pode gerar complicações para o feto, como parto prematuro, desenvolvimento inadequado do bebê — como o desenvolvimento parcial do pulmão —, e maiores riscos de infecção na hora do nascimento
Derrame e infarto  

A inflamação dos vasos sanguíneos por causa das toxinas absorvidas pelo cigarro também pode obstruir a passagem do sangue até o cérebro e até o coração. Quando o sangue não consegue chegar até esses órgãos, a pessoa acaba enfartando — no caso do coração — ou sofrendo um acidente vascular cerebral, quando o órgão atingido é o cérebro
Menopausa precoce  

Atenção, mulheres! O fumo pode gerar a inflamação nos ovários que, não só pode estimular o desenvolvimento do câncer de ovário, como gerar menopausa precoce. Segundo o pneumologista, isso ocorre porque essa inflamação desregula a produção hormonal, fazendo com que os hormônios masculinos superem os femininos no organismo
Piora o condicionamento físico 

Primeiramente, é preciso reforçar um mito muito conhecido entre os fumantes: o de que parar de fumar engorda. O especialista explicou que o ganho de peso para quem para de fumar é de no máximo 2 kg, e que eles são facilmente eliminados com o aumento da resistência cardíaca da pessoa para aguentar exercícios físicos mais intensos.

— O que faz a pessoa engordar um pouco não é o ato de parar de fumar, é o fato de que a ansiedade gerada pela falta da nicotina acaba sendo descontada na comida. Desde o início do tratamento, a pessoa deve começar uma dieta e colocar em dia os exercícios físicos — que vão ser mais facilmente realizados com o ganho de resistência. As atividades físicas reduzem a ansiedade e trazem uma sensação de endorfina mais potente do que a gerada pela nicotina, facilitando o processo e cuidando do bem-estar ao mesmo tempo
Doença pulmonar obstrutiva crônica

A DPOC (Doença pulmonar obstrutiva crônica) é a bronquite crônica atuando no organismo ao mesmo tempo que a inflamação dos brônquios. A camada elástica do pulmão também vai perdendo elasticidade, fazendo com que o processo de troca de oxigênio ocorra com dificuldade. A doença não tem cura e os sintomas só tendem a piorar com o tempo: o mais comum deles é a falta de ar, que só tende a se agravar, fazendo com que a pessoa até mesmo sentada tenha dificuldade para respirar 

Cetesb remodela estações automáticas de medição da qualidade do ar na RMSP



sexta-feira, 29 de julho de 2016


Cetesb remodela estações automáticas de medição da qualidade do ar na RMSP



Parque D.Pedro 2- Crédito de Imagem: Cetesb

A rede de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) vai passar por uma nova remodelação. 

A estação Parque D. Pedro, localizada no centro da cidade de São Paulo, foi a primeira a ganhar uma nova estrutura para abrigar equipamentos de última geração, com tecnologia mais avançada de medição, que permitirão procedimentos mais refinados de controle de qualidade.

A atualização dos equipamentos deverá contemplar 13 das 28 estações automáticas de monitoramento da qualidade do ar da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), utilizando recursos provenientes da compensação ambiental do licenciamento do Rodoanel – Trecho Norte. A troca de equipamentos deverá reduzir eventuais paralisações para manutenção, como ocorre atualmente, aumentando o total de dados gerados nas estações.

A estação Parque D. Pedro que, desde a sua instalação, em 1981, já passou por várias renovações, terá agora ganhar um novo desenho permitindo a visualização dos equipamentos e o acompanhamento das operações de medição da qualidade do ar.

Localizada no espaço do Museu Catavento – Espaço Cultural da Ciência, a estação passará a fazer parte do circuito de visitação dessa instituição, que recebe grande número de estudantes, inclusive nos finais de semana.Terá, desta maneira, também uma função educacional dirimindo dúvidas e conscientizando a população acerca de questões sobre meio ambiente.

A estação, além dos poluentes monitorados anteriormente, passará a medir as partículas inaláveis finas (MP2,5).Os métodos de medição utilizados em toda a rede de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb seguem o preconizado internacionalmente e os equipamentos utilizados atendem aos padrões recomendados pela USEPA, a agência ambiental americana. Todos os sistemas de medição passam por rotinas de calibração e por procedimentos de manutenção periódica, e os dados gerados por processo de controle de qualidade e validação técnica.

O início

O monitoramento da qualidade do ar, com a avaliação das concentrações de poluentes na RMSP, foi iniciado na década de 1970 com a utilização de estações manuais. Em 1981, foi implantada a rede automática, com 25 estações fixas na RMSP e Cubatão. Além de ampliar a gama de poluentes avaliados, a implantação dessa rede possibilitou o acompanhamento dos dados em tempo real.

Desde a implantação das redes manual e automática de monitoramento, foram feitas muitas alterações na configuração das mesmas, com a substituição de monitores e tecnologias, instalação de novas estações, ampliação dos parâmetros monitorados e outras.

Os dados sobre concentração dos poluentes atmosféricos coletados ao longo de mais de quatro décadas constituem uma série histórica significativa contribuindo para o desenvolvimento de programas para o controle das emissões veiculares, embasando as ações de controle das emissões atmosféricas industriais e os processos de licenciamento com a finalidade de reduzir os impactos sobre a qualidade do ar. Além disso, esses dadosoferecem subsídios para as áreas de saúde em estudos relacionados à poluição do ar.

Para avaliar as concentrações dos poluentes atmosféricos, encontram-se em operação atualmente, na RMSP, 28 das 59 estações que compõem a rede automática de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb. A região conta também com 11 pontos de medição manual.

Na última década, a rede automática de monitoramento da qualidade do ar na RMSP sofreu modificações expandindo-se para regiões densamente povoadas mais distantes da área central, sendo que de 2005 a 2015 o número de estações aumentou de 22 para 28, aprimorando assim o diagnóstico da região. Nesse período, a rede de estações automáticas fixas no Interior e no Litoral do Estado saltou de seis para 29.

As informações sobre a qualidade do ar são disponibilizadas em tempo real no endereço eletrônico da Cetesb:  www.cetesb.sp.gov.br  constituindo-se em importante ferramenta para a conscientização da população sobre os problemas de poluição do ar, possibilitando a adoção de medidas para amenizar os problemas e para a proteção da saúde quando os níveis de poluentes estiverem elevado.

http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/Ar/php/mapa_qualidade_rmsp.php



Fonte: Gerente de Comunicação da CETESB | Secretaria do Meio Ambiente

terça-feira, 21 de abril de 2015

Cremação: Menos poluente que um carro!



Como ocorre a cremação - por dentro do forno

POR CAMILA
31/03/15  17:35
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Com a música clássica preferida do querido defunto, o caixão começa a descer num buraco misterioso e eu não consigo segurar a vontade de chorar. O momento propicia uma despedida simbólica. Penso nos bons momentos que tivemos, no que ele representava para mim, na vida que construiu e na família que ficava. Mentalizo imagens dele rindo, fazendo sua atividade preferida, cavalgar, tentando memorizá-las pois sei que nunca mais as verei. E hoje aquele rosto está um pouco apagado, mas esse momento da despedida, não. Foi a primeira cerimônia de cremação que presenciei.
Dez anos depois, voltei ao Cemitério e Crematório Horto da Paz para conhecer o outro lado daquele elevador que levou o caixão simbolicamente para “de baixo da terra” como ocorreria no sepultamento, mas nesse caso é o subsolo do prédio principal do cemitério. Lembro de achar que o corpo sumia naquele buraco no chão e ia direto para o forno, ser cremado. Esse pensamento me sensibilizou porque quando eu saia do cemitério, imaginava que naquele momento, o corpo que abrigou por tantos anos aquela pessoa amada, estava rapidamente entrando em combustão.
Mas não tem nada de imediato e rápido no processo, e ele funciona de acordo com etapas, obedecendo normas com uma preocupação pela segurança e eficiência como ocorre em qualquer empresa. Após a cerimônia, o corpo entra na programação do Horto da Paz, podendo levar até dez dias para ser cremado. Ele é mantido refrigerado a 4°C numa câmara fria. O tempo mínimo de espera é de 24h a partir da data do óbito, que é um período para contestação judicial ou verificação de erros médicos.
Assim que chega, o corpo recebe uma pastilha de material refratário, com uma numeração conectada ao nome do defunto pelo sistema, que servirá para identificar as cinzas ao corpo e garantir que não haja trocas.
Eu achava que se cremava mais de um corpo num mesmo local. No crematório Horto da Paz, o forno é destinado para apenas um corpo e acabaram de comprar outro devido ao aumento da demanda. Reinaldo Dantas, administrador do local, me falou que o Crematório Vila Alpina costumava trabalhar com um forno para dois corpos, mas hoje em dia passaram para o individual também. A assessoria de imprensa do Vila Alpina me informou que seus fornos antigos possuíam 2 compartimentos, que tinham a possibilidade de cremar 2 corpos ao mesmo tempo, porém de maneira separada, então os ossos carbonizados não se misturavam. Em 2005, trocaram os fornos antigos (Instalados em 1974 quando inaugurou o Crematório de Vila Alpina) por 2 novos fornos de tecnologia americana, com câmaras primária e secundária e em 2011, o Serviço Funerário adquiriu mais 2 fornos com tecnologia mais moderna, portanto o Crematório de Vila Alpina possui 4 fornos com tecnologia moderna e desde 2005 não opera com o sistema antigo.
O Vila Alpina pertence ao Serviço Funerário de São Paulo, da Prefeitura de São Paulo, que mantém o monopólio de cremação na cidade. Por isso, o Horto da Paz instalou-se em Itapecerica da Serra.
O corpo deve ser cremado junto com um caixão, chamado de ecológico por não ter químicas, como verniz e tintas. Retira-se o vidro, as alças e os metais. O Crematório Vila Alpina indica nas perguntas mais frequentes de seu site, que o caixão não é necessário para a cremação, apenas um recipiente de madeira ou cartão.
Após aproximadamente duas horas, do corpo que entrou só restou pó, ossos calcificados e bugigangas tecnológicas como pinos de titânio e próteses ortopédicas, que serão entregues à família num saco diferente do das cinzas. Os ossos são triturados numa máquina que me lembrou uma ferramenta de fazer bolo, não sei que raios de associação eu fiz. E não me sai da cabeça a imagem de um osso sendo quebrado como se fosse giz, que foi a analogia feita por Reinaldo. O clic de um giz partindo é muito específico e me pareceu interessante a ideia de que um osso, algo que só se quebraria com um impacto muito grande, virasse um giz após a cremação, transformado em osso calcificado. As cinzas recebidas pelas famílias são esses ossos triturados.
O forno é pré-aquecido a 657°C  graus. Ele tem duas câmaras. Os gases produzidos na primeira câmara passam para a segunda para uma requeima. Essa segunda câmara trabalha a 900°C graus. Segundo Reinaldo, é isso que garante que o que sai na chaminé não polui o meio ambiente. Seu resultado seria de 20% a 30% menos poluente do que um automóvel andando a 40 km por hora.
Dentro do forno, no canto direito superior (numa das fotos da galeria abaixo pode-se ver um buraco), é onde fica o queimador. Ele recebe uma chama a gás como se fosse um maçarico e regula a temperatura conforme a necessidade. Quando o corpo e o caixão entram em combustão, o queimador é desligado. O corpo se queima por ter carbono em sua composição e existem entradas de ar nas laterais que servem para alimentar esse processo. O queimador será acionado novamente quando já tiver consumido tudo que for combustível. O primeiro processo da desintegração do corpo é o da desidratação, já que somos 80% água. O segundo processo é a cremação propriamente dita.
O saco com as cinzas é colocado na urna de escolha da família. A urna não é obrigatória por lei, mas um costume já bem enraizado. São várias opções: a família pode levar a urna embora, pode guardar numa sepultura no próprio cemitério, adquirir uma urna biodegradável, de fibra de coco, e plantá-la com uma árvore de preferência. Há um bosque no Horto da Paz com essa finalidade. Também é possível usar uma urna de argila crua para jogar na água, como o mar e a cachoeira, porque ela afunda e se dissolve na água. Há urnas específicas para serem levadas para fora do país, segundo normas da polícia federal.
Formas alternativas para o destino das cinzas foram exploradas em posts anteriores. Veja indicações de leitura abaixo. O Cemitério e Crematório Horto da Paz disponibiliza serviços terceirizados pouco conhecidos. A empresa Brilho Infinito transforma cinzas em diamantes e a artista plástica Claudia Eleutério pinta quadros misturando cinzas à tinta, chamada de arte picto-crematória. O quadro é de escolha do futuro falecido ou dos familiares. Também podem ser feitas esculturas. Ainda há a possibilidade de pingentes e anéis com espaços “porta-cinzas” e separar as cinzas em um conjunto de miniaturas de urnas para distribuir entre os membros da família.
O crematório da Vila Alpina se considera um dos maiores do mundo e pioneiro da América Latina. Crema-se, em média, 25 corpos por dia e o custo parte de R$ 407,49, no plano mais barato, e R$ 15.576,59, no plano mais caro. Como o Horto da Paz, também dão o prazo de 10 dias para a entrega das cinzas às famílias. O Serviço Funerário do Município de São Paulo indica quando a cremação pode ocorrer em seu site:
– O falecido houver manifestado, em vida, este desejo  através de “Declaração de Vontade”, devidamente registrada em cartório.
– A autorização para cremação, de quem não optou por ela em vida, é concedida por um parente de primeiro grau mais próximo, na ordem sucessória (cônjuge, ascendente, descendente e irmãos maiores de 18 anos) e testemunhada por duas pessoas, além da apresentação do atestado de óbito assinado por dois médicos. Parentes de 2.º grau não podem autorizar a cremação.
-No caso de morte violenta, a cremação só ocorrerá mediante autorização judicial. Para isso são necessários:
1) Atestado assinado por um médico legista;
2) Boletim de Ocorrência;
3)  Declaração de um  delegado de polícia manifestando não se opor à cremação em questão;
4) Atestado de Óbito assinado por dois médicos.
Essa declaração de vontade, em sua forma mais abrangente, também é chamada de “Testamento Vital”, assunto bem explorado aqui no blog (veja sugestões de leitura abaixo).
Tanto o Horto da Paz quanto o Vila Alpina me informaram que a cremação acaba se tornando mais vantajosa financeiramente do que o sepultamento. Inicialmente, ela parece mais cara, mas o sepultamento presume taxas adicionais que a cremação não tem, como a taxa de conservação mensal e os custos com a retirada do corpo na exumação (com três anos no Vila Alpina).
A cremação parece uma tendência inevitável. Hoje em dia é muito difícil abrir um cemitério convencional, devido à falta de espaço e às leis ambientais. Países que lidam com essa questão, como o Japão, já consolidaram a cremação como tradição predominante. O Horto da Paz indicou um aumento de 36% na quantidade de cremação nos últimos três anos. E o Vila Alpina afirma que desde janeiro de 2008, o número de cremações dobrou em São Paulo.

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 Atualização em 01.04
A assessoria de imprensa do Crematório Vila Alpina me informou que o site linkado aos preços da cremação se tratava de um site clandestino, e eles já estão com um processo em andamento para retira-lo do ar. Me passaram o link correto dos custos e seus valores, que foi corrigido diretamente no texto.
Atualização sobre a transformação de cinzas em diamantes
A assessoria de imprensa do crematório Horto da Paz me informou que a empresa Brilho Infinito suspendeu, no momento, o serviço de transformar cinzas em diamantes. Quem tiver interesse em contactar outro fornecedor, o Cemitério Vaticano, no Paraná, tem licença no Brasil com a Algordanza, uma referência internacional para esse tipo de serviço.



Enterrar ou cremar?

POR CAMILA
20/10/14  07:47
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Você está lá, no meio de um jantar de família, quando seu pai solta: “pois eu gostaria de ser cremado”. Paira um silêncio no ar até que um dos filhos dá uma gargalhada sem graça e diz algo como: “você não vai morrer tão cedo pai”, e pede para passar o sal. O clima volta ao normal, mas a informação foi dita. Quando esse pai falecer, os irmãos lembrarão disso, se é que ele não deixou a intenção por escrito, registrada em cartório, e vão escolher uma urna ao invés de um caixão. Mas nunca sabemos ao certo quando vamos morrer e pensar nessas opções em qualquer momento da vida pode ser útil.
Toda nossa concepção sobre o ritual da morte já foi baseado na religião de escolha, mas hoje algumas pessoas procuram desenvolver seus próprios pensamentos a respeito, estimulados pelo rápido acesso às informações. Se estamos reformulando o sexo, a psique, como a sociedade se relaciona, além do que um determinado dogma religioso possa proporcionar, pode fazer sentido que o mesmo seja feito a respeito da morte.
 Até 1964, A Igreja Católica proibia a cremação, só permitindo o enterro dos corpos. Hoje, não há mais a proibição formal, mas o hábito do enterro continua em voga na América Latina. Em países como China, Japão e Índia, com forte influência budista e hinduísta, é mais comum a cremação, apesar de não se oporem ao sepultamento.
 A crença budista diz que o fogo regenera o corpo, preparando-o para as próximas reencarnações. Mas a cremação deve ocorrer alguns dias após a morte, respeitando o tempo que a alma leva para deixar o corpo. O espiritismo também prefere não cremar o corpo diretamente após o falecimento, já que o espírito estaria apegado ao corpo e o tempo para o desapego seria inversamente proporcional à elevação do espírito.
 Na Índia, algumas províncias ainda usam crematórios ao ar livre, como em Varanasi, onde há torres de cremação em volta do rio Ganges. Hindus vêm de todo o país para serem cremados lá e pedintes nas ruas imploram por dinheiro para comprar madeira para sua própria cremação. Um momento importante do ritual de cremação hindu é o barulho peculiar do estouro que ocorre quando a membrana que protege o cérebro se desprende. Os hinduístas dizem que é alma se desprendendo do corpo.
A cremação é uma técnica muito antiga. Os gregos e os romanoscremavam seus corpos, por volta de 1000 A.C. Era considerado um destino nobre aos mortos. O sepultamento era uma opção dada aos criminosos. O povo Hebreu começou a sepultar seus mortos, o que levou a Igreja Católica a adotar esse ritual, e considerar o ato da cremação desumano e a prática de “falsas religiões”, ou seja, uma prática pagã.
 Mas tudo indica que o sepultamento é anterior à cremação. A referência mais comum do início dos sepultamentos com rituais funerários vem com os egípcios, em 3000 A.C e suas mumificações. As pirâmides egípcias atraem curiosos do mundo inteiro em busca dos mistérios sobre sua técnica da construção e as elaboradas práticas ritualísticas adotadas, necessárias para a imortalidade da alma.
Há indícios de que os homens primitivos enterravam seus mortos em grutas, por arqueólogos terem encontrado ossadas e ornamentos supostamente ritualísticos nelas.
No Brasil, o enterro é a opção mais usada. Quem tem túmulo de família, optará por ser enterrado junto aos familiares, procurando o conforto da ideia de companhia em contraposição com o sentimento de solidão que envolve a morte. Quem não tem espaço privado num cemitério, usará as “quadras gerais”. Nesse caso, o corpo deverá ser exumado em três anos e seus restos direcionados a um ossário. Em túmulos familiares, a decisão de exumação cabe à família, caso queira abrir espaço para um novo corpo.
Na cremação, as cinzas podem ser dadas à família em urnas, ou colocadas em nichos, como um sepultamento. Há a opção de urna biodegradável, caso a família pense em plantar uma árvore junto à urna e a planta servir de referência e conforto. Se não houver uma Declaração de Intenção pela cremação, registrada em cartório, é necessário um parente de primeiro grau para autorizá-la.
Ao contrário do que muitos pensam, a cremação não é mais cara do que o sepultamento, segundo o Serviço Funerário São Paulo. O que pode torná-la mais cara é a urna escolhida para guardar as cinzas. O crematório Vila Alpina divulga em seu site que o custo do processo varia de R$ 4.000 a R$ 7.500 reais.
As cinzas podem ser jogadas em qualquer lugar, mas o corpo só pode ser enterrado em cemitérios. O problema de se enterrar um corpo em terreno privado é ser enquadrado como crime de ocultação de cadáver, além da questão ecológica. Em algumas zonas rurais este ainda é um hábito.
Em termos de impacto ambiental, tanto a cremação quanto o enterro podem ser prejudiciais. A cremação precisa seguir protocolos e filtrar os resíduos tóxicos. O enterro já tem uma probabilidade maior de interferir na natureza, como o material dos caixões, das roupas dos mortos, assim como a possibilidade de o líquido tóxico resultante da decomposição do corpo chegar nos lençóis freáticos. Quem é a favor da cremação também coloca a necessidade de ampliação de espaço físico para novos cemitérios como um argumento.
Nesse aspecto, estão surgindo  os Cemitérios Verticais, como em Santos, onde corpos são colocados em espaços próprios, vedados, que se acumulam em andares. Em Santos são dois cemitérios verticais: o Cemitério Metropolitano, de 12 andares, e o Memorial Necrópole Ecumênica, que se declara no site como o mais completo cemitério vertical do mundo – são cinco prédios interligados, o mais alto tem 14 andares. Em São Paulo, não é permitido a construção de cemitérios verticais.
Existe o chamado “enterro natural”, onde o corpo é envolto por mantos e enterrado sem caixão, como no Islamismo. O artigo 18, do ato número 326 de 1932, sobre cemitérios do município de São Paulo, orienta o enterro dos cadáveres em caixão próprio. Por isso, o Serviço funerário São Paulo entende o enterro sem caixão como crime, mas eu liguei num cemitério privado que abriu essa possibilidade caso seja a vontade do solicitante.
Outra opção é o uso do caixão feito de material biodegradável, já disponível em algumas agências funerárias, mas pouco solicitado por ter uma aparência “feia”.  Também há a urna ecológica, mas também pouco usada por causa da sua aparência, segundo o Serviço Funerário São Paulo.
Independentemente da forma adotada, técnicas de conservação do corpo são oferecidas para as famílias para deixá-lo mais apresentável, de forma mais natural. Também são usadas em velórios que durem mais de 24h, mesmo com caixão fechado, onde a aparência não seria um motivo, mas sim a conservação do corpo.
O mais comum é o embalsamamento, esterilização do corpo para protegê-lo da decomposição através da inserção de fluídos embalsamadores. O embalsamamento não é obrigatório no Brasil, apenas em transportes aéreos nacionais e internacionais. A opção da Tanatopraxia parte do mesmo princípio do embalsamamento, mas pode ser usada quando o corpo vem do hospital, fechado, pois é um método não invasivo, onde a troca de fluídos é feita pela carótida. No embalsamento, o corpo é aberto, por isso é uma opção usada quando ele vem do IML, após autópsia.
Um motivo alegado a favor da preparação do corpo, além da questão estética, é a sanitária, já que o corpo não preparado ofereceria maior danos ao solo, podendo contaminar o lençol freático com restos mortais considerados tóxicos, mas não há um consenso quanto a isso.
Sei que não é racional, mas as duas opções mais usadas, enterro ou cremação, me parecem aflitivas. A ideia de estar enterrada, comida por bichinhos, abafada num caixão não atrai. E a de ser cremada a 1.000°C, transformada em cinzas também não. Bem, não há maneira fácil de nascer, também não há maneira fácil de morrer. Não decidimos como vamos nascer, mas podemos decidir o que será feito do nosso corpo quando morrermos. Pelo menos isso.
Novas alternativas, além das usuais enterrar ou cremar, ganham cada vez mais espaço. No próximo post, surpreenda-se com o que tem por aí.