sábado, 21 de maio de 2011

Saiba como evitar o desperdício de alimentos

Saiba como evitar o desperdício de alimentos


Postado em 20/05/2011 às 15h17

autoria e fonte: http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/2583


64% de tudo o que é plantado no Brasil vai parar no lixo(imagem: compostagemurbana.blogspot.com)



Uma alimentação consciente é influenciada pela escolha dos alimentos, mas também está diretamente ligada com o desperdício de comida. No Brasil, segundo o IBGE, 64% de tudo o que é plantado acaba indo para o lixo. Portanto é essencial mudar de atitudes para que esse cenário seja transformado.
Enquanto muitos jogam comida fora, 13,9 milhões de brasileiros passam fome. Além disso, desperdiçar comida está diretamente ligado aos gastos desnecessário de água e energia. Esses números levaram a jornalista Lydia Cintra, da revista Superinteressante, a preparar seis dicas de como evitar os desperdícios de alimentos.
A primeira delas é fazer uma lista de compras antes de chegar aos supermercados. Essa rotina faz com que o consumidor opte por coisas realmente necessárias. O cuidado com a quantidade deve ser ainda maior quando se trata de alimentos frescos, que estragam mais rapidamente.
Escolher os itens em um supermercado pode ser uma aventura, e como em todas as atividades que apresentam um pouco de risco, as compras também exigem atenção redobrada. É preciso sempre estar atento aos rótulos, para saber a procedência, composição e mais importante, a data de validade. Assim é possível evitar a compra de produtos que certamente não serão consumidos antes do vencimento e terão como destino o lixo.
Colocar no prato somente aquilo que vai comer é outro passo importante. Os pais costumam dar esse recado aos filhos, mas o cuidado deve existir em todas as faixas etárias. Em alguns restaurantes os clientes que desperdiçam comida são obrigados a pagar multas, portanto é melhor repetir, do que jogar fora.
Esse mesmo cuidado tido na hora de montar o prato deve ser considerado no momento de preparar a comida. Lydia, indica o preparo alimentar sob medida. As famílias pequenas ou pessoas que moram sozinhas deve levar esse requisito a sério na hora de entrar na cozinha. Segundo ela, “a tática é boa para evitar que você coloque na panela mais do que vai no prato”.
A técnica do reaproveitamento de alimentos é essencial para ter uma alimentação consciente. Utilizar o alimento em sua totalidade evita que partes cheias de nutrientes sejam desperdiçadas. Isso pode ser aplicado a cascas de frutas e legumes, talos de vegetais, entre outras coisas que podem ser usadas em novas receitas.
Por fim, a jornalista indica a multiplicação da prática, com cada uma das pessoas transmitindo esses ideais ao próximo, para que a conscientização seja passada para o maior número possível de pessoas e os números do desperdício sejam reduzidos.
Redação CicloVivo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CICLO DE PALESTRAS GRATUITAS NO SENAC



http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?tab=00002&newsID=a18616.htm&subTab=00000&uf=&local=&testeira=453&l=&template=&unit

VIVA A MATA NO PARQUE IBIRAPUERA



Fonte:http://pensareco.blogspot.com/2011/05/viva-mata-2011-nesse-fds.html
Autoria:  Érica Sena



Confira a Programação do Viva a Mata 2011!

Palco do caminhão
Sexta-feira
11h – Roda de conversa: A Mata Atlântica é aqui
12h – Papo de almoço: alimentação saudável
13h – CineMata: “A carne é fraca”
14h – Roda de conversa: A Mata Atlântica nas escolas
15h30 – Demonstração: Compostagem urbana
17h – Bate-papo Planeta Eldorado



Sábado

9h – Avistar: observação de aves no Parque
10h – Debate: A Mata Atlântica menos conhecida
11h – Roda de Conversa: Surf, sustentabilidade e gestão costeira
12h30 – TEDxMataAtlântica – transmissão online
15h30 – Teatro: Pinóquio em uma aventura ecológica
17h – Bate-papo Planeta Eldorado

Domingo

10h às 12h – Mobilização
10h às 12h – Jogos
12h às 13h30 – Papo de almoço: vegetarianismo
13h30 às 15h – Oficina: Consumo Crítico Sustentável
15h – Teatro: Água – Cia Bicicletas Voadoras
17h – Bate-papo Planeta Eldorado
18h – Orquestra de Sucata

Auditório




Sexta-feira


9h – Painel de abertura: 25 anos de olho na Mata Atlântica
10h30 – Painel: Mosaicos de conservação
12h – Painel: Incentivos econômicos para quem protege a natureza
13h – Painel: Pacto pela Restauração da Mata Atlântica
14h – Palestra: Estudos e Pesquisas nos esforços de restauração
15h – Palestra: Comércio ilegal de animais silvestres
16h30 – Painel: Turismo comunitário na Mata Atlântica



Sábado

9h – Debate: O Código Florestal e a vida nas cidades
10h30 – Debate: Planos Municipais de Mata Atlântica
12h – Debate: Acessibilidade em áreas verdes
13h30 – Debate: O que vem com os portos na Mata Atlântica?
15h – Debate: Quem está invadindo a sua praia?
16h30 – Roda de conversa: Mobilização – espaço de articulação e cidadania



Domingo

9h – Debate: Tragédias naturais e Mata Atlântica
10h às 12h – Mobilização
12h – Debate: Saúde e Meio Ambiente
13h30 – Debate: Gestão da água na legislação ambiental
15h – Palestra: Emissões de CO2, como medir e compensar


FEIRA DE TROCAS SOLIDÁRIAS DO CENTRO DE SÃO PAULO

EDUCAÇÃO AMBIENTAL X FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL

Homem é autuado por retirar madeira de área verde em Manaus

Fonte: http://www.d24am.com/amazonia/meio-ambiente/homem-e-autuado-por-retirar-madeira-de-area-verde-em-manaus/24087

Genival Costa da Silva, de 32 anos, é catador de ferro velho e afirma que retirou a madeira para usar como pau de escora, na construção de uma casa.
[ i ] Genival Costa da Silva disse aos agentes que não sabia que era proibida a extração. Foto: Divulgação Genival Costa da Silva disse aos agentes que não sabia que era proibida a extração.

Manaus - Um homem foi autuado na tarde desta quarta feira,18, por agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), transportando 80 troncos de árvores retiradas ilegalmente de uma área verde localizada no Ramal da Conceição, após a Ponte da Bolívia, na zona norte de Manaus.
Genival Costa da Silva, de 32 anos, é catador de ferro velho e afirma que retirou a madeira para usar como pau de escora, na construção de uma casa. Ele disse aos agentes que não sabia que era proibida a extração e que outras pessoas também costumavam retirar madeira da área.
Os agentes chegaram até Genival após denúncias feitas por moradores e o autuaram em flagrante, transportando a carga em um caminhão. A guarda municipal também foi acionada. O infrator foi autuado em 80 UFMs, o equivalente a R$ 5323,20, além da apreensão da carga.
Segundo o gerente de segurança comunitária da Guarda Municipal, Ten. Ribeiro, o órgão deve intensificar a fiscalização no local. “Como a área é cheia de ramais, facilita a prática criminosa. Então nós estaremos realizando rondas constantes e contamos com a denúncia dos moradores, que sempre colaboram com o nosso trabalho”, afirmou.
Para denunciar crimes ambientais, a Linha Verde da SEMMAS é o 08000 92 2000.

O CAFÉ E A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL AGRÍCOLA

O CAFÉ E A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL AGRÍCOLA

O agronegócio é a principal alavanca do desenvolvimento da economia brasileira. Pode também contribuir com a preservaçãoa ambiental.


Caso as cidades forem destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão, mas se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobreviverão.
Benjamin Franklin


A água é um recurso natural essencial à vida. O corpo humano detém em seu organismo a mesma proporção existente no planeta azul: cerca de 78 %. Diversos estudos apontam que a falta de água doce e limpa será o grande problema do século XIX. Apesar de ser um recurso renovável, do total de águas terrestres somente 3% é água doce, percentual que permanece constante ao longo do tempo, enquanto a população humana cresce exponencialmente. O maior problema que envolve a água é na verdade o acesso ao produto e não ainda sua falta, já que do total de água doce, 97 % estão nas geleiras e somente os restantes 3 % estão espalhados de forma disformes por rios, lagos , nascentes e lençóis.

A partir de 1860 iniciou-se o ciclo do café brasileiro. Muitos italianos deixaram seu país devido à guerra e vieram ao Brasil desbravar pedaços de terra, constituindo colônias, especialmente no interior paulista. Períodos de crises e euforia se sucederam ao longo da história da cultura cafeeira. Mas a crise dos últimos anos teve forte impacto negativo na vida econômica e social da imensa maioria dos produtores e trabalhadores, contribuindo para a degradação ambiental e a baixa qualidade do produto.
Várias iniciativas voltadas à implementação e viabilização da cafeicultura sustentável surgem após 2002, com atuação prioritária na redução dos custos do sistema de produção, na agregação de valor por meio de melhoria da qualidade do produto, e na gestão da comercialização e dos benefícios ambientais e sociais. Após anos de desenvolvimento, a agricultura cafeeira chega ao novo século com pujança econômica e avanços tecnológicos e científicos incontestáveis.
A agricultura é o setor que utiliza o maior volume de gastos com água retirada da natureza, em seu processo produtivo: estonteantes 69 %, ante 21 % da indústria. É uma atividade que está intrinsecamente relacionada com o meio ambiente, com incidências negativas e positivas. Como impactos negativos destacam-se: erosão física, química e biológica dos solos; perda da capacidade de retenção de água no solo; contaminação de solos, águas, ar e alimentos; produção de resíduos; consumo de água para a irrigação, com sistemas geralmente muito ineficientes; alterações de ecossistemas que afetam a flora e fauna locais.
A lavoura cafeeira também utiliza água em abundância no processamento do café por via úmida. Segundo estudos da Universidade Federal de Lavras (MG), para cada litro de fruto processado consome-se de 3 a 5 litros de água limpa na lavagem e separação dos frutos. Além de consumir muita água, o processamento do café por via úmida cria outro problema ambiental: a água residuária é altamente poluente, porque acumula matéria orgânica e nutrientes como nitrogênio, potássio e fósforo. O conceito de boas práticas agrícolas prega que se aplique o vasto conhecimento disponível no uso sustentável dos recursos naturais básicos para a produção agrícola, com foco na viabilidade econômica e social e na geração de produtos saudáveis e isentos de contaminação.
O lançamento dos efluentes da água utilizada no processamento do café por via úmida em corpos hídricos, sem tratamento adequado, é proibido pela legislação brasileira. Devem sofrer processo de limpeza para retornar limpos à natureza.
O ser humano inventivo e criativo já tem solução para minimizar o impacto do uso excessivo de água, por meio de uma técnica de manejo desenvolvida por pesquisadores da Embrapa que permite diminuir em muito o consumo de água limpa nesse processo. Trata-se de um sistema pesquisado já faz cinco anos, que baseia-se em caixas d'água, peneiras e tubos de PVC, que permite o reúso da água empregada na unidade de processamento por três vezes e não apenas uma, como ocorre atualmente.
O funcionamento é relativamente simples, custa de R$ 8 a R$ 20 mil e proporciona economia de 50 % a 75 % no consumo de água. Como a maioria das unidades pertence a pequenos e médios produtores, esse custo torna-se acessível e permite retorno em curto prazo. A implantação do sistema de reúso de águas tem outras vantagens. Após seu uso por três ciclos de lavagem, a água residuária pode ser utilizada na irrigação dos cafezais. O produto final é rico em nutrientes e, portanto, podem retornar à lavoura via fertiirrigação, proporcionando economia em adubação química.
O agronegócio é e será o grande responsável pela segurança alimentar mundial. 


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Embrapa Café participa da Agrobrasília 2011

  
Qua, 18 de Maio de 2011 10:57

fonte: http://www.sapc.embrapa.br/index.php/principal/embrapa-cafe-participa-da-agrobrasilia-2011

A Embrapa Café participar da Agrobrasília 2011, evento que apresenta as inovações tecnológicas utilizadas nas lavouras do cerrado brasileiro e abre oportunidades de negócios na área. A unidade apresenta a tecnologia “Sistema para Limpeza de Águas Residuárias – SLAR”, desenvolvida pelo pesquisador da Embrapa Café, Sammy Fernandes Soares, com recursos do Consórcio Pesquisa Café, cujo Programa de Pesquisa em Café é coordenado pela Embrapa Café.

A inovação consiste em um sistema de limpeza das águas residuárias resultantes do processamento, por via úmida, de frutos do cafeeiro. A água proveniente do processamento contém resíduos sólidos e alta carga orgânica com potencial de poluir o meio ambiente. O sistema remove esses resíduos da água e permite que ela seja reutilizada em novo processamento de frutos ou direcionada à fertirrigação da cultura. Além disso, os resíduos sólidos retirados podem ser empregados na produção de adubos orgânicos.
O benefício direto da tecnologia para o produtor é a redução dos gastos com água na pós-colheita, que pode chegar a uma economia de 90% do consumo. A inovação também promove a preservação ambiental, dando um destino ambientalmente correto para as águas carregadas de resíduos orgânicos. Com baixo custo de instalação e manutenção, o SLAR pode ser utilizado por produtores de pequeno, médio e grande porte.
O pesquisador da Embrapa Café, Anísio José Diniz, apresentará a tecnologia para um público esperado de 50 mil visitantes na quarta edição da Agrobrasília. Diniz ressalta que “oportunidades de divulgação como essa são importantes para a transferência da tecnologia que beneficiará a cafeicultura do cerrado”. O pesquisador destaca ainda que o caráter inovador das tecnologias é fundamental para a consolidação de sua adoção pelos produtores.
Quem for à Agrobrasília 2011 poderá conhecer melhor esta inovação tecnológica visitando o espaço da Embrapa na feira, localizado no estande do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e aprender sobre o funcionamento do SLAR e sua aplicação no cerrado.


Área de Comunicação & Negócios da Embrapa Café
Texto: Cristiane Vasconcelos (MTb 1639/CE)
Fone: (61) 3448-4566
Serviço de Atendimento ao Cidadão: http://sac.sapc.embrapa.br






http://www.sapc.embrapa.br/index.php/em-destaque/uso-de-boas-praticas-agricolas




Discussão sobre pecuária sustentável deve ter embasamento científico

Discussão sobre pecuária sustentável deve ter embasamento científico, diz CNA


18 de maio de 2011 - 15:17h

Fonte: http://www.sonoticias.com.br/agronoticias/mostra.php?id=43305

Autor: CNA



O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, defendeu, nesta terça-feira (17-5), à noite, que as discussões sobre a sustentabilidade na pecuária, que conciliem produção e preservação ambiental, sejam feitas sempre com embasamento técnico-científico. “Esta é uma das premissas da CNA. Aceitamos discutir qualquer assunto, mas sempre com base na ciência e para isso temos buscado parcerias com diversas entidades de pesquisa”, enfatizou. Nogueira participou da abertura da Primeira Reunião Global sobre Pecuária Sustentável, que acontece até a próxima sexta-feira (20/5), na sede da CNA, em Brasília. O evento é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e Banco Mundial, com o objetivo de discutir uma agenda sustentável para a pecuária.

Nogueira destacou que o produtor rural tem feito sua parte para contribuir com a mitigação dos impactos das mudanças climáticas na atividade. Segundo ele, isso foi feito a partir da adoção de boas práticas na pecuária por meio de ações como a integração lavoura-pecuária-floresta, o manejo de pastagens, recuperação de pastagens degradadas, além do uso de tecnologias que gerem aumento de produtividade sem ampliar áreas para pastagens, proporcionando maior eficiência na produção. “Muitos trabalhos científicos comprovam que a pecuária tem causado menos impacto ambiental do que os ambientalistas afirmam”, ressaltou. “O lado ambiental é uma das nossas preocupações, diante do fantástico desenvolvimento do setor produtivo nos últimos anos. Mas estamos aptos a essas exigências, com o uso de novas tecnologias, que vão agregar valor e gerar mais renda para o pecuarista para que nossa posição seja respeitada lá fora”, afirmou.

Para o diretor de Produção e Saúde Animal da FAO, Samuel Jutzi, a pecuária deve se basear em três pilares. Além da sustentabilidade, devem ser levados em conta o desenvolvimento econômico e a saúde pública. Com o aumento do consumo de carne no mundo, reflexo da melhoria de renda da população, principalmente da parcela mais pobre, o setor produtivo deve estar preparado para garantir segurança alimentar. “O amplo crescimento da pecuária requer mais investimentos em pesquisas e outras ações que devem ser acompanhadas de perto”, destacou. Já o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Mapa, Erick Chandoha, que representou o ministro Wagner Rossi, destacou o aumento de 151% da produtividade da pecuária em 40 anos, e uma economia de área de mais de 70 milhões de hectares, se for levado em conta que a quantidade de animais por hectare, no mesmo período, passou de menos de 0,5 cabeça/hectare para 1,2 cabeça/hectare.

Também participaram da solenidade de abertura da reunião a diretora do Ministério de Assuntos Econômicos, Inovação e Agricultura da Holanda, Alida Oppers, o diretor executivo de Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Waldyr Stumpf, o representante do Banco Mundial, Jimmy Smith, e o representante da FAO no Brasil, Hélder Mutéia.

Aumento da população e melhoria de renda exigirão maior demanda por alimentos

Duas palestras antecederam a abertura do evento na CNA. A primeira exposição foi feita pelo chefe da Análise do Setor Pecuário e Ramificação Política da FAO, Henning Steinfield. Segundo ele, até 2050, a população mundial deve chegar a 9,3 bilhões de habitantes. Este crescimento virá acompanhado de maior ascensão social e econômica, o que ampliará a demanda por alimentos em 70%, principalmente por proteína animal. Um dos desafios para responder a esta demanda, acrescentou Steinfield, é aumentar a eficiência tecnológica na produção para evitar impactos ambientais. “Serão necessários incentivos para o sucesso ambiental e para novas práticas pelo produtor”, afirmou.

O outro palestrante foi o economista Mauro Lopes, do Centro de Economia Agrícola da Fundação Getúlio Vargas (CEA/FGV), que destacou a expansão do setor agropecuário de 3,5% ao ano na última década, devido ao aumento de competitividade. Dados apresentados por ele na exposição apontam também um aumento de 116% na renda da população brasileira desde o início do Plano Real, com destaque para a classe C, representada por 96 milhões de pessoas e que hoje detém 46% do poder de compra dos brasileiros. “Esta parcela da população está comprando cada vez mais carne e exige cada vez mais um produto de maior qualidade”, disse o economista. Desta forma, ressaltou, a pesquisa será fundamental para que a pecuária assegure a qualidade que tanto o mercado interno quanto os países compradores dos produtores brasileiros de origem animal passarão a querer nos próximos anos. “A bola agora está no campo da ciência”, concluiu. 


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Embrapa inicia pesquisa em rede para conhecer impactos da pecuária no efeito estufa


Fonte: http://www.cppse.embrapa.br/embrapa-inicia-pesquisa-em-rede-para-conhecer-impactos-da-pecu%C3%A1ria-no-efeito-estufa

A Embrapa está iniciando uma pesquisa em rede –denominada Pecus– para conhecer os impactos da pecuária sobre o efeito estufa nos diferentes biomas brasileiros. O aumento das emissões de gases de efeito estufa, os chamados GEEs, na atmosfera é apontado como uma das principais causas das mudanças climáticas e do aquecimento global. No ano passado, em Copenhage, o Brasil firmou compromisso internacional de reduzir esses gases emitidos pela agropecuária até o ano 2020.
 
A pesquisa é extremamente relevante para o país, considerando que o agronegócio nacional responde por 25,4% do PIB brasileiro e somente a pecuária equivale a 7,5% do PIB, de acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) de 2008.
A produção pecuária brasileira, além de atender ao mercado interno, contribui para a estabilização econômica e social do país. O Brasil se consolidou nas últimas décadas como o detentor do maior rebanho comercial do mundo e se destaca no cenário mundial com as exportações de carne. A Embrapa está investindo cerca de R$ 6 milhões nesta pesquisa, mas há previsão de mais captações externas.
 
“A partir da adoção de sistemas integrados e melhores técnicas de manejo, é possível reduzir a emissão desses gases”, explica Patrícia Perondi Anchão Oliveira, líder do projeto. Para que essas técnicas façam parte das políticas governamentais voltadas ao setor, é preciso determinar o nível das emissões dos sistemas tradicionais e o potencial de mitigação (redução de emissões e remoção de GEE da atmosfera) dos sistemas bem manejados, em âmbito nacional.
A Rede Pecus está estudando a dinâmica desses gases em sistemas de produção, em busca de uma pecuária sustentável, pautada pelos aspectos econômico, social e ambiental.
A rede é composta por várias unidades da Embrapa, universidades e outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais, com apoio de agências de fomento à pesquisa e da iniciativa privada. A liderança do projeto está sob a responsabilidade da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Os projetos de pesquisa da Rede Pecus avaliam o balanço entre as emissões de GEE e os sumidouros (“sequestro”) de carbono dos vários sistemas de produção da pecuária, inseridos nos principais biomas brasileiros.
Segundo Patrícia, os resultados do projeto devem atender à demanda atual de várias redes de pesquisa e dos Inventários de Emissão e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa em diversas escalas de abordagem. Os principais resultados esperados pela rede de pesquisa são estimar a contribuição dos diferentes sistemas de produção brasileiros na dinâmica dos GEE e indicar sistemas de produção mais competitivos e sustentáveis.

 
Ana Maio
Jornalista - Mtb 21.928 

Que haja luz

Que haja luz

19/05/2011


Pesquisadores brasileiros descobrem um dos “interruptores” que pode fazer com que algumas enzimas de interesse biomédico e biotecnológico se tornem luminescentes (reprodução)

Fonte: http://agencia.fapesp.br/13901

autoria: Por Elton Alisson


Agência FAPESP – Os pesquisadores do grupo de Bioluminescência e Biofotônica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Sorocaba, deram um importante passo para, em um futuro próximo, possibilitar que algumas enzimas de interesse biomédico, biotecnológico e ambiental emitam luz.
A propriedade é importante para estudar doenças como o câncer ou infecções bacterianas, por exemplo. Os cientistas descobriram um dos principais “disjuntores” presentes na “caixa de força” de enzimas com baixa capacidade de luminescência da mesma classe das luciferases – responsáveis pela emissão de luz fria e visível em vagalumes –, que pode ser modificado para aumentar a intensidade de sua luz.
A descoberta do estudo, resultado de projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP por meio de um Auxílio à Pesquisa – Regular, será publicada no fim deste mês na revista Photochemical and Photobiological Sciences.
Em 2009, o mesmo grupo clonou e isolou da larva de um inseto não luminescente (besouro) uma enzima da mesma família das luciferases (a AMP-CoA-ligases), fracamente luminescente e conhecida como protoluciferase, para estudar como as luciferases de vagalumes desenvolveram durante a evolução a capacidade de catalisar a reação de oxidação da luciferina – o composto responsável pela bioluminescência de insetos – e produzir intensa luz visível.
Nos últimos anos, ao comparar as sequências de aminoácidos da protoluciferase com a luciferase, os pesquisadore da UFSCar começaram a identificar partes da estrutura delas que poderiam estar envolvidas com a determinação da atividade de produzir luz.
Por meio de técnicas de engenharia genética, a estudante de doutorado Rogilene Prado e o pesquisador Vadim Viviani, coordenador do projeto, realizaram mutações de aminoácidos da protoluciferase. Agora, o grupo identificou que a mutação de um desses aminoácidos aumenta bastante a atividade luminescente da enzima, tornando-a muito semelhante à de uma luciferase.
“É como se a enzima protoluciferase fosse um circuito eletrônico, que tem uma bateria, representada pelo oxigênio, e uma lâmpada, que é a luciferina. Descobrimos agora um dos principais interruptores presentes na estrutura delas, que é responsável por ligar a bateria à lâmpada. Ou seja, fazer com que a reação da luciferina e do oxigênio ocorra, acendendo a luz”, disse Viviani à Agência FAPESP.
Segundo ele, a descoberta abre a possibilidade de tornar outras enzimas da família AMP-CoA-ligases de interesse biomédico, biotecnológico e ambiental que não produzem luz em luminescentes.
Presente em todos os organismos, incluindo bactérias e o homem, as AMP-CoA-ligases desempenham as mais variadas funções metabólicas, como a biossíntese de pigmentos (em plantas), metabolismo de lipídeos, síntese de antibióticos e eliminação de substâncias tóxicas e compostos químicos estranhos a um organismo ou sistema biológico (xenobióticos).
Em comum, a primeira reação que elas catalisam é a ativação de ácidos orgânicos, como os aminoácidos, ácidos graxos e a própria luciferina do vagalume, que é oxidada pelas luciferases, produzindo luz. Em função disso, os pesquisadores pretendem utilizá-las como indicadores de determinados ácidos orgânicos de interesse biomédico, como os ácidos tóxicos, e biotecnológicos.
“A capacidade de servir como um indicador para selecionar determinados ácidos orgânicos de interesse farmacêutico e biotecnológico talvez represente o maior potencial de aplicações dessas enzimas”, disse Viviani.
Evolução em laboratório
Segundo o coordenador do projeto, algumas poucas luciferases de vagalumes norte-americanos, europeus e japoneses são utilizadas como reagentes analíticos. São usadas para detectar o estado metabólico de uma amostra biológica e biomarcadores de expressão gênica, ou para marcar células de câncer em estudos biofotônicos, por exemplo.
Por meio das pesquisas com o protótipo da enzima luciferase que clonaram e aumentaram a luminescência, os pesquisadores brasileiros pretendem criar por engenharia genética uma nova enzima luciferase que tenha a propriedade de emitir luz comparável às luciferases empregadas atualmente no mercado.
“Com as condições ideais de evolução, essa protoluciferase poderá se transformar em uma luciferase. Estamos simulando a evolução dela em laboratório”, disse Vanini.
O grupo de pesquisa da UFSCar é um dos únicos dedicados ao estudo de enzimas luciferases no Brasil. No Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) há um outro grupo, coordenado pelo professor Cassius Stevani, com o qual eles colaboram, que estuda fungos luminescentes.
Já no mundo, os grupos de pesquisa na área estão estabelecidos nos Estados Unidos, Europa e Japão – esse último colabora com os pesquisadores brasileiros. E, segundo Viviani, nenhum deles ainda conseguiu clonar uma enzima protoluminescente com a capacidade de emitir luz semelhante à do grupo brasileiro.

O resumo do estudo Structural evolution of luciferase activity in Zophobas mealworm AMP/CoA-ligase (protoluciferase) through site-directed mutagenesis of the luciferin binding site”, de autoria do professor Vivini e de outros pesquisadores, pode ser lido em pubs.rsc.org/en/Content/ArticleLanding/2011/PP/c0pp00392a. 
 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Energias mais renováveis que as outras



Eric Camara | 17:25, segunda-feira, 9 maio de 2011

 http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/planeta_clima/



O Painel Intergovernamental para Mudança Climática, o IPCC, na sigla em inglês, divulgou nesta segunda-feira um relatório sobre o uso de energias renováveis no mundo. A fatia fica em torno dos 13% do total usado no planeta.
Parece muito, mas retiradas da equação biomassa e hidrelétrica, o percentual cai para minúsculos 0,5%. No país da polêmica usina de Belo Monte, todos conhecem os benefícios e também os potenciais problemas da expansão hidrelétrica.
Já a biomassa, o próprio IPCC admite que em vários países pobres e em desenvolvimento não passa da velha e boa lenha usada no fogão e no aquecimento. Difícil argumentar que em comunidades em que faltam serviços básicos possa haver grande preocupação em repor as árvores usadas, como seria pré-requisito para uma energia veramente renovável.
Isso sem contar com a eficiência dessa queima de biomassa, baixíssima e ainda poluente.



Crescimento acelerado

Em outras palavras, a fatia correspondente às energias mais frequentemente associadas à redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa - solar, eólica e geotérmica - ainda é ínfima. Mas ela vem crescendo, e muito.
O documento diz que nos últimos dois anos, a geração de energia solar e dos ventos cresceu entre 30% e 50% por ano. E que em 2009, renováveis, principalmente vento e solar, responderam por quase metade do crescimento na produção de energia global.
Na superindustrializada Alemanha, segundo maior exportador do mundo e que recentemente bateu recorde, as energias renováveis já são 17% do total, graças a incentivos cada vez maiores do governo.
A China é um dos principais responsáveis pelo crescimento da produção de energia renovável nos últimos anos, mais do que duplicando a sua capacidade eólica desde 2008, também na esteira de investimentos do governo.
Em tempos de discussão sobre os prós e contras de uma retomada da expansão da energia nuclear, o relatório do IPCC diz ainda que na maioria dos mais de 160 cenários científicos estudados, energias renováveis serão mais eficientes do que a nuclear para reduzir emissões até 2050.
A conclusão é que todas são energias de baixo carbono, mas algumas são mais renováveis que as outras.

Passeio ao zoológico: sob outra ótica, sob outra ética

Passeio ao zoológico: sob outra ótica, sob outra ética

08 de março de 2011

fonte: http://www.anda.jor.br/2011/03/08/passeio-ao-zoologico-sob-outra-etica/

“Quando se trata de como os humanos exploram os animais, o reconhecimento de seus direitos requer abolição, não reforma (…)
verdade dos direitos animais requer jaulas vazias, não mais espaçosas”.
(Tom Regan, Jaulas Vazias)




Como bióloga e educadora, sempre acreditei nos zoológicos como ferramenta deseducativa.
Meu repúdio a esse tipo de atividade fez com que eu me afastasse, durante anos, de uma visita a esses verdadeiros redutos de infelicidade animal. Tive a oportunidade de fazer uma visita técnica a alguns desses redutos recentemente (há menos de uma semana, para ser mais exata). Assim como a aquários, oceanários, serpentários e afins. Foi um tour dos horrores, considerando toda minha aversão a qualquer forma de confinamento animal para a satisfação de egos humanos.
Mas, com o passar do tempo, minha aversão, que antes era representada pela negação, foi substituída pela coragem de encarar os fatos como eles são: os animais sofrem. Ao nosso lado. Todos os dias. E nos fazem, a todo o tempo, um apelo silencioso. Não é possível ignorar essa realidade pelos melindres de não querer sofrer, de não querer olhar.  O sofrimento deles é infinitamente maior.
Nessa visita técnica, foram incluídos locais aos quais os visitantes “comuns” não têm acesso, como cozinhas, biotérios, áreas de cuidados veterinários etc. Fui convidada por uma colega de trabalho a conduzir com ela (que também não é fã de zoológicos) a visita (sou professora universitária) e temos uma turma em comum, a qual nos acompanhou. A curiosidade de saber a quantas anda a exploração legitimada dos animais que tiveram sua liberdade sequestrada, na prática foi um dos fatores que me levou a decidir ir.
Outro fator importante foi a certeza de ter minhas concepções biocêntricas renovadas. Mesmo à custa do meu sofrimento. Banal, como já mencionei, perto do sofrimento de inúmeros animais que lá encontrei.  Antes de “ver” os animais e durante as “visitas”, em todos os locais, há uma explanação teórica/logística por parte dos monitores. Parece que são treinados todos no mesmo lugar, pois as frases feitas a respeito do bem-estarismo animal são quase idênticas. Tais explanações me remetiam inevitavelmente ao Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. Pensava: as pessoas estão mesmo acreditando nisso? (Acho que vou escrever um Ensaio sobre a surdez). Outro pensamento recorrente: na ocasião de uma palestra do Seminário da Agenda 21, no Paraná, em 2009, a filósofa Sônia Felipe mencionou a seguinte frase: “bicho não é vitrine de shopping”. Considerei extremamente relevante. Me fez pensar além.
Zoológicos com objetivos de recuperação e reintrodução de espécies no meio, sem exposição ao público, que respeitam o que o animal nasceu, de fato, para ser, merecem nosso reconhecimento. Não são, infelizmente a maioria deles. A maioria ainda se baseia em concepções especistas e antropocêntricas para justificar sua existência e consequente sofrimento animal. Algumas falácias são facilmente identificadas no discurso daqueles que defendem o zoológico “vitrine” como “ferramenta educativa”. Aliás, podemos, sim, fazer dos zoológicos, ferramentas extremamente educativas se mudarmos a análise e a perspectiva. Analisando sob a ótica da ética biocêntrica, podemos enumerar algumas falácias que são repetidas como mantras a respeito dos animais confinados. Vamos a algumas delas:
- “O Zoológico é importante porque nós devemos conhecer as espécies para preservar/respeitar”.
Essa concepção traz embutida a desculpa de que só é possível preservar uma espécie a partir do momento em que a conhecemos. Se a concepção biocêntrica predomina, o simples fato de o animal existir já é um pressuposto que justificaria o respeito por ele. E só. Eu não conheço nenhum africano, por exemplo, mas não preciso fazê-lo para só depois respeitá-lo. Nunca conheci um urso-polar, um tigre de bengala, uma perereca amazônica ou uma orca. Mas o fato de não vê-los ao vivo não me impede de respeitá-los pela sua essência.
- “O Zoológico é imprescindível para estudarmos o comportamento dos animais”.
Só se for para estudar neuroses de cativeiro. Qualquer pessoa com noções básicas de biologia sabe que o comportamento de animais em cativeiro não é o mesmo que o animal apresentaria no seu meio natural. Tenho muito respeito por estudos comportamentais. Mas por aqueles que são feitos no habitat natural do animal. Esse argumento não sustenta a existência desse tipo de zoológico.
- “O Zoológico é importante para a reprodução e para salvar as espécies”.
Primeiro: a maioria dos animais reproduzidos em cativeiro é reproduzida para esse fim: permanecer em cativeiro. Não para ter devolvido o que lhe foi negado desde as gerações anteriores: sua liberdade. Há, entre os zoológicos, uma espécie de escambo de espécies, onde os animais são intercambiados. Faltou uma girafa no zoológico “x”? Já está nascendo uma no Zoológico “y”. Será separada de sua mãe e destinada ao zoológico “x” como animal de exposição. Segundo: privado da convivência com seus iguais e de todas as interações que lhe são possíveis em seu meio natural, ele não é mais do que a sombra dos seus ancestrais.
- “Mas os animais que nasceram no zoo não sofrem porque não conhecem outra vida”.
Será que o fato de esse animal ter nascido em cativeiro nos dá o direito de usurpar sua liberdade mais uma vez e condená-lo a uma vida miserável, privando-o da sua verdadeira liberdade?
Se houver uma “visita ao zoológico”, com propósitos educativos, que sejam feitas pelo menos as seguintes perguntas e investigações com os alunos: qual o habitat natural desses animais? Quais os hábitos desses animais em seu meio natural? Geralmente são: nadar, correr, voar quilômetros por dia, procurar comida, defender seu território, interagir com outras espécies e com seus iguais. E em cativeiro? Quais as mudanças percebidas? Quais os impactos nefastos nos seus hábitos? Quais as consequências? Um pequeníssimo exemplo, entre tantos que presenciei: um leão-marinho em seu habitat natural viaja centenas de quilômetros por dia. Em cativeiro, é condenado a viver em um pequeno tanque, onde passa o dia circunscrevendo voltas como que para escapar da escravidão sem fim. Sem falar na obesidade e outros transtornos de comportamento como as já mencionadas neuroses de cativeiro. Isso nos reporta à falácia seguinte:
- “Aqui no zoológico fazemos o enriquecimento ambiental”.
Esse novo modismo nos zoos (proveniente de um modelo americano) traz em sua proposta a introdução de diferentes estímulos no cativeiro para que animais não desenvolvam comportamentos repetitivos e neuróticos como automutilação, coprofagia etc. Certamente, estímulos são melhores que a estagnação a que esses animais são condenados. Mas deve-se sempre questionar: a reabilitação e a devolução da liberdade que lhes foi negada não seria infinitamente melhor? O tão prestigiado enriquecimento ambiental não seria mais um engodo para justificar a perpetuação do cativeiro e de interesses escusos?
- “Hoje não existem mais jaulas nos zoológicos”.
Ouvi diversas vezes essa frase dos monitores que nos acompanharam. Em vários lugares. Basta uma breve visita para, novamente, a perplexidade ao comparar o dito e o constatado ser inevitável. O ápice do menosprezo à inteligência dos presentes. Percebe-se, claramente a existência de cercados mínimos de aço, alumínio, terrários, aquários e paredes de vidro fazendo as vezes de jaulas. Mas pergunto: não seria infinitamente melhor que jaulas, aquários, terrários e afins estejam para sempre, vazios?
- “A alimentação é balanceada”.
Isso pode soar muito bem aos ouvidos antropo e ecocêntricos. Mas nos ouvidos biocêntricos e abolicionistas dói. Até fisicamente. Uma frase que ouvi da monitora: “Os zootecnistas que trabalham no zoo e cuidam da alimentação dos animais acham que os psitacídeos silvestres são uns chatos porque são muito exigentes, não comem qualquer coisa”. Ora, o que diriam os psitacídeos se falassem? “Chato” seria um adjetivo no mínimo elegante para qualificar quem os trancafia em um viveiro, obrigando-os a uma “loteria gastronômica”, forçada e diferente de sua alimentação natural.
E nem tecerei aqui comentários a respeito do estresse gerado para o animal decorrente das barulhentas “visitas”. É desnecessário.
Os animais em zoológicos são a ponta do iceberg dessa empresa. Por trás há inúmeros fatores que formam uma cadeia de horrores para outras espécies também. Uma delas é a existência de biotérios, terceirizados ou dentro dos próprios zoos, que são lugares específicos onde são criados animais vivos para alimentar os animais cativos. No Brasil são criados, para esse fim, ratos, porquinhos-da-índia, gansos, pintinhos etc.
Esses seres vivos, considerados “alimento” no contexto, são manipulados, criados e administrados com a naturalidade de quem dá uma banana a um macaco. São “coisas” como regem os preceitos do antropocentrismo e do especismo. Os ecocêntricos dirão que é muito boa essa preocupação com a alimentação dos animais. E que não há dilemas morais, pois na natureza existe a relação predador/presa. Sim. NA NATUREZA. Mas, novamente a pergunta que se deve fazer é: Não existir animais enjaulados não seria infinitamente melhor?
Outro fenômeno que ocorre na maioria dos zoológicos e, confesso, para mim é novidade: a distinção entre “animais em exposição” e “animais excedentes”. Os animais em exposição (no contexto, como se fossem agora, peças de uma galeria de arte) são aqueles que o público enxerga. Aliás, a maioria deles é recolhida à noite, gerando mais estresse. Os “animais em exposição” ficam nas partes divulgáveis do zoo.
Nas áreas que estão longe dos olhos do público, existem pequenas jaulas com os “animais excedentes”, ou seja, os que sobraram da reprodução em cativeiro, ou de trocas com outros zoológicos. Ou até mesmo os animais doentes ou que desenvolveram a (novamente ela) neurose de cativeiro. Claro que não é conveniente que o público tenha contato com comportamentos como automutilações, coprofagia, canibalismo e outros desenvolvidos em animais privados de sua liberdade. A visão desses comportamentos pode começar a atenuar a “cegueira conveniente” do grande público. Não é recomendável.
Nessas áreas, até são permitidas visitas técnicas. Mas são terminantemente proibidas fotos e filmagens, por razões óbvias aos olhos da ética biocêntrica. Uma das monitoras, quando questionada sobre o porquê de as fotos serem proibidas, disse não saber. Fiquei me questionando se a resposta foi estratégica, se foi repetida como mantra, se ela simplesmente não se importa, ou se a cegueira a acomete também. Nas áreas dos “animais excedentes”, foi possível observar em vários zoológicos que o espaço em que os animais estão confinados é bem menor que o dos animais “em exposição”. Logo nos perguntamos: o que dizer da preocupação com o “bem-estar animal”, ou com “enriquecimento ambiental” para os animais dessas áreas? Também não obtive respostas convincentes. Só evasivas. Não insisti mais porque as respostas ficaram óbvias demais.
Na esteira dos zoológicos, seguem aquários, serpentários, oceanários, circos, projetos de “preservação” etc. que, pela tradição antropocêntrica, possuem um propósito educativo “inquestionável”. Mas basta um breve passeio, com esse olhar biocêntrico, diferente do que nos foi imposto a acreditar a vida toda, para que o apelo silencioso e profundo de cada animal se faça presente e toque fundo nossa alma toda vez que visitarmos um zoológico ou algo semelhante. Essas mudanças de perspectiva, segundo Arthur Conan Doyle, equivalem a uma conversão religiosa: nada mais será visto da mesma maneira que era antes.
Mesmo com todas essas “justificativas”, que sob minha perspectiva não passam de falácias, ainda acredito que o “simples” fato de um animal ter sua liberdade restringida, impedida, sequestrada para a concepção medieval de satisfazer as curiosidades e prazeres humanos, é a base do meu repúdio a esse tipo de exploração, sem mais considerações.
Mas a esperança se renovou quando vi a reação da maioria dos meus alunos, acadêmicos de Licenciatura em Ciências Biológicas, durante a visita. Quando ouvi, em cada comentário, a indignação, a revolta e a preocupação de fazer uma abordagem ambiental realmente crítica na escola. Quando vi em cada rosto a angústia pelos animais e a cegueira se dissipando, pensei: é um trabalho que vale a pena. Pois não deixo de mencionar em minhas aulas a importância de se olhar o outro lado. Por isso acredito na chamada Educação Ambiental Biocêntrica. E libertária. Com as pessoas livres para optar pelo modelo de ética que pautará sua passagem pela Terra. E essa escolhameus alunos fizeram por si. Não foi imposta. Em sua formatura, não farão de seu juramento outra falácia:
“Juro, pela minha fé e pela minha honra e de acordo com os princípios éticos do biólogo, exercer as minhas atividades profissionais com honestidade, em defesa da vida, estimulando o desenvolvimento científico, tecnológico e humanístico com justiça e paz”. (enunciado regulamentado pelo Conselho Federal de Biologia – Decreto nº 88.438, de 28 de junho de 1983). “Defesa da vida” e “justiça e paz”, entende-se, para todas as espécies.
Enquanto houver zoológicos, aquários, serpentários do tipo “vitrine”, espero que existam educadores como meus alunos (que ainda não se formaram, mas já são biólogos de coração), capazes de fazerem com seus alunos excursões a esses verdadeiros infernos (para os animais), capazes de realizar essas visitas com vistas à ação.  Capazes de conduzir uma discussão sob outra ótica, sob outra ética.
Marcela Teixeira Godoy – Bióloga e Professora Universitária.

GAMES


Fonte: http://www.aquavitae.com/?langswitch_lang=pt






Lembre da água:  http://www.aquavitae.com/games/memoria/index.html

Controle a água: http://www.aquavitae.com/games/canos/index.html

Conduza a água: http://www.aquavitae.com/games/conduza/index.html

Preserve a água: http://www.aquavitae.com/games/preserve/index.html

Água é vida: http://www.aquavitae.com/games/aguaevida/index.html




Aqua Vitae.com: blog latino-americano especializado no tema da água

O blog Aqua Vitae.com é a única publicação on-line especializada no tema da água, com um enfoque 100% latino-americano, produzido pelo setor empresarial, presente na Expo Zaragoza.
A revista Aqua Vitae é uma publicação especializada que circula desde o ano de 2005, em 14 países da América Latina. Devido a sua relevância, recebeu um dos prêmios latino-americanos e do Caribe da Água PLACA 2007, como melhor iniciativa privada, por ser a única revista a tratar do tema da água com um enfoque regional na América Latina. Os prêmios contam com o patrocínio do Centro da Água do Trópico Úmido para a América Latina e Caribe (CATHALAC); da CARE Internacional; da UNICEF, com seu escritório para a América Latina e o Caribe, e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PUMA), entre outros.
O blog latino-americano Aqua Vitae.com oferecerá informações diárias da Expo, em tempo real, focalizando aquilo que possa ser relevante para nossa região latino-americana e colocará à disposição do público em geral e da imprensa de toda a América Latina, fotografias e imagens, de forma gratuita.
Isso o torna uma das respostas oportunas ao alerta mundial que tem lançado a Organização das Nações Unidas, para difundir e sensibilizar sobre um tema de fundamental importância para a humanidade.
O papel dos meios de comunicação é fundamental para que a Expo Zaragoza 2008 possa difundir os princípios com os quais deve ser construída a nova relação dos seres humanos com o recurso único e imprescindível para a vida e o desenvolvimento: a água.

Aqua Vitae.com: a serviço da América Latina

O blog Aqua Vitae.com pretende transformar-se numa estrutura pela qual possam fluir informações de qualidade para a América Latina.
Este blog pretende ainda tornar-se, por sua qualidade e seus conteúdos, o blog oficial da participação latino-americana dentro da Expo Zaragoza 2008.
Aqua Vitae.com oferecerá um relatório diário e gratuito de recursos informativos e fotográficos que poderão ser usados pelos usuários do blog e por todos os meios de comunicação da América Latina.
O blog coletará documentos, pesquisas, comunicações, propostas e todo tipo de informações e imagens para ajudar a sensibilizar sobre o tema da água.
Será lançada uma edição especial da revista com a cobertura do mais importante evento do planeta sobre o tema da água.

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Novo plástico: PET vegetal

Novo plástico


06 de maio de 2011

http://www.agendasustentavel.com.br/NoticiaDetalhe.aspx?id=4028


A Pepsi anunciou uma nova tecnologia de produção de garrafas PET com materiais alternativos, não derivados do petróleo. A nova garrafa é feita com painço amarelo, casca de pinheiro, palha de milho e outras substâncias vegetais.

Com a mesma aparência e consistência das garrafas PET atuais, o novo material será utilizado em algumas centenas de garrafas em 2012. Se a produção for considerada viável, todos os produtos Pepsi passarão a utilizar o novo PET vegetal. A adoção da nova tecnologia poderá significar uma mudança no padrão de embalagens do setor.

LED: Boa visibilidade

Boa visibilidade


09 de maio de 2011

Fonte: http://www.agendasustentavel.com.br/NoticiaDetalhe.aspx?id=4031



A prefeitura de São Paulo está investindo em novos sistemas de iluminação pública. Dez postes tiveram suas lâmpadas de vapor de sódio substituídas por LED na Rua do Arouche, no centro da cidade. O projeto foi desenvolvido pela companhia de iluminação Osram e acarretará uma economia de 40% no consumo de energia.

O governo municipal também investirá R$ 4,6 milhões na reformulação da iluminação no Parque Ibirapuera. As lâmpadas atuais serão substituídas por 849 luminárias com tecnologia LED e 800 lâmpadas de vapor metálico. Os postes com LED serão instalados nas ruas internas do parque e as lâmpadas de vapor metálico iluminarão os jardins e estacionamentos.

Os postes do Ibirapuera também serão trocados por estruturas menores para que as copas das árvores não interfiram na quantidade de luz. A reestruturação da iluminação do parque é uma parceria do Departamento de Iluminação Pública da Secretaria de Serviços com a AES Eletropaulo.


Prefeitura revigora iluminação de vias do Centro e da região do Ipiranga

http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=44833

O Departamento de Iluminação Pública (Ilume), órgão vinculado à Secretaria de Serviços, revigorou a iluminação no entorno do Theatro Municipal e de outras áreas da região central, como a praça Ramos de Azevedo e as ruas Conselheiro Crispiniano e 24 de Maio.


Fernando Pereira/Secom
A nova iluminação valoriza a arquitetura do teatro

A reabertura em grande estilo do Theatro Municipal, após suas obras de restauração, não poderia dispensar a revitalização da iluminação de vias próximas de um dos principais cartões-postais da Cidade. O Departamento de Iluminação Pública (Ilume), órgão vinculado à Secretaria de Serviços, fez a parte que lhe coube e revigorou a iluminação no entorno do Theatro. A remodelação foi feita com o uso de equipamentos mais modernos que realçarão as características dessas regiões e proporcionarão a sensação de conforto e segurança às pessoas que transitam por esses locais.

As áreas da região central beneficiadas pelas intervenções do Ilume foram a praça Ramos de Azevedo e as ruas Conselheiro Crispiniano e 24 de Maio. No total, mais de 40 lâmpadas de vapor de sódio (amarelas) foram substituídas por lâmpadas brancas de vapor metálico e de mercúrio. A luminosidade dos dois tipos de lâmpada escolhidos harmonizará com a iluminação de destaque do Theatro Municipal, também de lâmpadas da cor branca.

As lâmpadas de vapor metálico proporcionam mais conforto, pois aumentam mais de 350% o índice de reprodução de cores, resultando em maior contraste das cores e formas, enquanto as luminárias de vapor de mercúrio são utilizadas preferencialmente nas vias expressas com grande volume de tráfego e velocidade. Outro local que passou por modernização da iluminação foi a rua Bom Pastor, no Ipiranga, onde o Ilume substituiu 86 lâmpadas de vapor de sódio por unidades de vapor metálico. A revitalização contemplou toda a extensão da via, uma das principais da região.

As equipes do Ilume fizeram ainda a substituição e a limpeza dos globos dos postes situados nas proximidades da praça Ramos e ruas adjacentes. Foram revitalizadas 33 luminárias. Além disso, o Ilume tem atuado intensamente em outras intervenções na região central, como na recolocação de placas de ferro furtadas dos postes ornamentais. Várias ruas e avenidas já foram atendidas, como as avenidas Rio Branco e São João, além de praças como Sé, Júlio de Mesquita, Júlio Prestes e o Vale do Anhangabaú.

Eficiência energética

A Prefeitura investe na modernização da rede de iluminação com equipamentos para promover eficiência energética. Desde 2007, a Capital recebe tecnologias que possibilitam a economia e preservam o meio ambiente. Um dos mais importantes túneis da Cidade, o Ayrton Senna, recebeu recentemente a tecnologia das lâmpadas de LED, que é mais eficaz e econômica e, por causa de sua longa vida útil, exige número reduzido de manutenções.

A iniciativa faz parte de um programa de melhoria da iluminação de túneis, como Nove de Julho, Sebastião Camargo e Jânio Quadros, que foram contemplados com lâmpadas de indução eletromagnética - luz branca com alto índice de reprodução de cores. Um dos mais importantes cartões-postais da Cidade, a avenida Paulista, também ganhou novo formato de iluminação, com lâmpadas de vapor metálico, reduzindo 60% o consumo de energia e aumentando os índices de luminosidade. Outras vias da região central, como as avenidas São Luiz e Ipiranga, rua Maria Paula e os viadutos Nove de Julho, do Chá e Jacareí, além da Biblioteca Mário de Andrade, tiveram sua iluminação renovada, com lâmpadas de vapor metálico.

A rua do Arouche, uma importante via da região central, também ganhou novo projeto e foi uma das primeiras vias públicas a ganhar lâmpadas de LED. Ao todo, foram substituídas oito luminárias de vapor de sódio de 250W por luminárias de LED de 140W. No início do ano, todas as lâmpadas de vapor de sódio (amarelas) da avenida Olavo Fontoura e da rua Professor Milton Rodrigues foram substituídas por lâmpadas de vapor metálico (brancas). A avenida Olavo Fontoura e a rua Professor Milton Rodrigues são vias importantes que fazem ligação entre os bairros de Santana e Casa Verde, além de ser um dos principais acessos ao Campo de Marte, Sambódromo e Centro de Convenções do Anhembi. Na primeira, ao todo, foram trocadas 106 lâmpadas de vapor de sódio com potência 250W por unidades de vapor metálico também com 250W, em todos os 2,3 quilômetros de extensão da via. Já na rua Professor Milton Rodrigues foram substituídas 24 lâmpadas metálicas. 




Advogado ambiental moderno deve ser um mediador

Fonte: http://www.observatorioeco.com.br/index.php/advogado-ambiental-moderno-deve-ser-um-mediador/


autoria: Roseli Ribeiro - 21/07/10 - 9:33
A abrangência da temática ambiental exige conhecimentos das mais diversas áreas da técnica e da ciência, além disso, os problemas ambientais se tornam cada vez mais complexos. Por isso, “exige-se do advogado ambiental uma capacidade de mediação regulatória, de conflitos e de composição do conhecimento, que o diferencia dos operadores das outras áreas do direito”, na opinião de Rômulo Silveira da Rocha Sampaio, coordenador acadêmico do Programa de Direito e Meio Ambiente da FGV (Fundação Getúlio Vargas) – Direito, no Rio de Janeiro.
Para o especialista, “o advogado é o profissional mais habilitado para conectar as diversas áreas” em busca da solução das questões que envolvem o meio ambiente.   
Rômulo S. R. Sampaio defende que “o operador do direito pode influenciar quando consegue encarar a questão ambiental com a visão de um mediador de conflitos jurídicos e um árbitro de informações científicas conflitantes”.  É formado em Direito pela PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica) do Paraná, onde também fez pós-graduação em Direito Econômico e Social. Recentemente concluiu o doutorado e mestrado em Direito Ambiental pela Pace University School of Law, com tema que discutiu o mercado de carbono.
Na opinião do professor, o sucesso na preservação do meio ambiente depende de políticas inclusivas e sustentáveis. As quais devam passar por programas de reforma agrária, regularização fundiária, subsídios agrícolas.
Sobre a questão das mudanças climáticas e a próxima reunião da ONU (Organização das Nações Unidas) a COP-16, avalia que as “divergências políticas” são quase que insuperáveis nas discussões sobre uma política climática global. Veja a entrevista que Rômulo S. R. Sampaio concedeu ao Observatório Eco, com exclusividade.
Observatório Eco: Por favor, conte-nos sobre seu trabalho de análise do mercado de carbono concluído recentemente. Afinal, o mercado de carbono pode salvar as florestas?
Rômulo S. R. Sampaio: Não acredito que o mercado apenas possa salvar as florestas. O mercado serve como um mecanismo auxiliar de políticas de comando-e-controle, ou seja, leis e regulamentos, diminuindo o custo e o desequilíbrio econômico na aplicação da lei ambiental. Mas o mercado, sozinho, não se presta a salvar as florestas.
Políticas inclusivas e sustentáveis são igualmente necessárias. E elas passam por programas de reforma agrária, regularização fundiária, subsídios agrícolas, conservação e preservação da natureza para citar apenas alguns.  
Observatório Eco: Qual sua avaliação sobre a política nacional de pagamento por serviços ambientais que o Brasil pretende adotar?
Rômulo S. R. Sampaio: Trata-se do Projeto de Lei 5.487/2009. É um primeiro passo que precisa ser amplamente debatido e compartilhado com a sociedade brasileira. Não há como implementar de forma eficiente os incentivos econômicos como instrumentos de política ambiental sem a atribuição de um valor.
O problema no caso da externalidade ambiental é quantificar o bem tutelado. O problema nem sempre é solucionado quando se muda os incentivos financeiros de um indivíduo. Isto porque, não se pode atribuir um preço quando o bem ou o serviço não pode ser precisamente mensurado.
Logo, assim como ocorre no mercado de carbono, a política de pagamento por serviços ambientais não pode ser a solução. Pelo contrário, deve ser encarada como mais um mecanismo econômico auxiliar aos sistemas de leis e regulamentos que dispõem sobre a legalidade e a ilegalidade das condutas humanas em relação ao meio ambiente.
Observatório Eco: As discussões sobre as mudanças climáticas estão lentas no âmbito da COP-16, já não despertam tanto interesse como a reunião anterior. Isso pode ser avaliado como um retrocesso?  
Rômulo S. R. Sampaio: Não vejo este fato como um retrocesso, mas sim como parte de um processo. Há divergências políticas quase que insuperáveis nas discussões sobre uma política climática global. Os países desenvolvidos são responsáveis por aproximadamente 50% das emissões de gases de efeito estufa. Ainda que apenas os desenvolvidos resolvessem aceitar compromissos e metas de redução, a solução não seria viável.
Portanto, a participação das economias emergentes é requisito indispensável para qualquer solução, ainda que não tenham sido responsáveis pelos atuais níveis de concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Há mecanismos tarifários que forçariam a participação das economias emergentes, como tributos de importação, por exemplo.
A própria Organização Mundial do Comércio já teria sinalizado positivamente para barreiras tarifárias baseadas numa economia mundial de baixo carbono. O livre comércio é importante, sim. Mas a diminuição dos riscos de catástrofes associadas à mudança do clima é muito mais importante. Diante das dificuldades políticas de qualquer negociação internacional, a esperança reside nos NAMAs (Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas), esperando-se que os EUA, a Europa, o Japão, Austrália e economias emergentes ajam com rigor e responsabilidade.
O Brasil começa a esboçar uma resposta, ainda que tímida e dependente de planejamento estratégico e cuidadoso. O problema é que, diante da iminência dos riscos, pode não haver tempo suficiente. Do ponto de vista da política, não se pode esperar respostas que limitem os níveis de consumo e aumentem os custos para salvar futuras gerações. Infelizmente, aqueles que ainda não nasceram não votam nas próximas eleições.
Observatório Eco: O Brasil tem adotado instrumentos jurídicos efetivos para incentivar a adoção de posturas mais sustentáveis por parte dos empresários?
Rômulo S. R. Sampaio: O Brasil começou a modernizar os instrumentos jurídicos ambientais para fomentar e viabilizar a adoção de posturas mais sustentáveis por parte dos empresários, quando inseriu no rol dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente os incentivos econômicos conforme o artigo 9º, inc. XIII, da Lei 6.938/1981, acrescentado pela Lei 11.284/2006.
Não há como se falar em eficácia da lei ambiental sem o auxílio de incentivos econômicos que possam incentivar posturas sustentáveis por parte dos empresários, distribuindo de forma menos desigual a diferença que existe entre os ônus e os benefícios dos impactos dos sistemas de comando-e-controle.
Porém, a mudança de paradigma legal, embora seja um primeiro passo importante, ainda não veio acompanhada de reflexos práticos e concretos. Somente nos últimos anos é que testemunhamos avanços normativos que apresentam potencial para fomentar posturas mais sustentáveis por parte dos empresários. A recém instituída Política Nacional de Mudança do Clima (Lei 12.187/2009) é um exemplo.
Observatório Eco: O senhor é coordenador acadêmico do Programa em Direito e Meio Ambiente da Escola de Direito da FGV Direito Rio. Quais são as preocupações no momento de elaborar um programa como esse?  Quais são as matérias fundamentais que devem ser ministradas? Como melhor preparar o profissional que tem o desafio de salvar o Planeta?
Rômulo S. R. Sampaio: São três os pilares do nosso programa: ensino, pesquisa e políticas públicas. Nossa preocupação com ensino envolve desde cursos específicos em direito ambiental, especialmente elaborados para graduação, como também em cursos de pós-graduação lato sensu e, num futuro próximo, stricto sensu.
Temos também cursos sendo gestados para o FGV Online e em cooperação com universidades estrangeiras. Oferecemos uma matéria na graduação de direito ambiental comparado com os EUA, por exemplo. As aulas são ministradas por vídeo-conferência e, ao término do semestre, os alunos têm a oportunidade de realizar uma viagem de campo, conhecendo, por exemplo, a Amazônia, o Pantanal.  
Além disso, temos uma preocupação muito grande em desenvolver materiais de ensino que possam ser utilizados no nosso curso, mas também por outras escolas de direito no Brasil. Na área de pesquisa, focamos a metodologia empírica e interdisciplinar.
Atualmente estamos trabalhando em parceria com o Centro de Pesquisa em Direito e Economia da FGV Direito Rio para medirmos o grau de eficácia da lei ambiental brasileira em cada Estado brasileiro. No pilar políticas públicas, tentamos envolver os nossos pesquisadores e profissionais que colaboram com o PDMA nos debates sobre formulação de políticas públicas. Vamos elaborar um relatório sobre políticas públicas sustentáveis e inclusivas para o bioma Amazônico.  Esses são alguns dos exemplos das nossas atividades e dos desafios na difícil tarefa de formar e preparar o profissional que atuará com direito e políticas públicas ambientais, e de contribuir para o fortalecimento da democracia e do desenvolvimento no Brasil.
Observatório Eco: Quais são as ferramentas primordiais para o advogado que deseja atuar na área ambiental em sua opinião, qual o perfil exigido pelo mercado? 
Rômulo S. R. Sampaio: Pela sua abrangência, a temática ambiental exige conhecimentos das mais diversas áreas da técnica e da ciência. Os problemas ambientais se tornam cada vez mais complexos.
É o caso, por exemplo, da mudança climática. Para se evitar uma tragédia do anti-commons em que muitos sabem um pouco de cada área, mas a solução exige o todo, o advogado é o profissional mais habilitado para conectar as diversas áreas do conhecimento para resolver o problema.
Portanto, exige-se do advogado ambiental uma capacidade de mediação regulatória, de conflitos e de composição do conhecimento, que o diferencia dos operadores das outras áreas do direito.
Observatório Eco: Qual a melhor forma de implantar o desenvolvimento sustentável no Brasil? De que forma o operador do Direito pode influenciar?
Rômulo S. R. Sampaio: Durante a primeira metade da década de 80, a então Primeira Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, presidiu uma comissão de especialistas para tentar responder a esta mesma pergunta na esfera mundial. O trabalho resultou em um famoso relatório denominado “Nosso Futuro Comum”. São mais de quatrocentas páginas com sugestões que passam pela construção de políticas públicas, de promoção da equidade, diminuição do consumo, controle demográfico, dentre tantas outras igualmente importantes.
Muitas das soluções apontadas esbarram na falta de vontade política. Por isso, os esforços devem ser coordenados para que as políticas públicas sejam construídas de forma holística, com ampla participação e qualificação dos representantes populares.
Há que se implantar a cultura de gestão de riscos na formulação e na concepção de políticas públicas e privadas. O operador do direito pode influenciar quando consegue encarar a questão ambiental com a visão de um mediador de conflitos jurídicos e um árbitro de informações científicas conflitantes.