quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Empresas buscam imagem ecologicamente correta, mas consomem muita energia


27/09/2012 - 05h51

Empresas buscam imagem ecologicamente correta, mas consomem muita energia

http://www1.folha.uol.com.br/tec/1159952-empresas-buscam-imagem-ecologicamente-correta-mas-consomem-muita-energia.shtml

JAMES GLANZ
DO "NEW YORK TIMES", EM SANTA CLARA, CALIFÓRNIA

Tradução de PAULO MIGLIACCI

The New York Times
As máquinas de Jeff Rotshchild no Facebook tinham um problema que ele sabia que precisava ser resolvido imediatamente. Estavam a ponto de derreter.

A companhia ocupava um imóvel alugado em Santa Clara, um galpão de 18 por 12 metros, com fileiras de servidores necessários para armazenar e processar as informações sobre as contas de seus membros. A eletricidade que fluía para os computadores estava causando o derretimento de portas de rede e outros componentes cruciais.
Ethan Pines/The New York Times
Segurança observa servidores em central de processamento de dados em Las Vegas
Segurança observa servidores em central de processamento de dados em Las Vegas

Pensando rápido, Rotshchild, o diretor de engenharia da companhia, enviou seus subordinados em uma expedição para comprar todos os ventiladores que pudessem. "Nós esgotamos o estoque de todas as lojas Walgreens da área", ele disse --para soprar ar frio na direção do equipamento e impedir que o site caísse.
Isso aconteceu no começo de 2006, quando o Facebook tinha modestos 10 milhões de usuários e seus servidores estavam instalados em um só local. Hoje, as informações geradas por quase 1 bilhão de pessoas exigem versões maiores dessas instalações, chamadas centrais de dados, com fileiras e mais fileiras de servidores, espalhadas por áreas de dezenas de milhares de metros quadrados, e tudo com sistemas industriais de refrigeração.
E esses servidores representam apenas uma fração das dezenas de milhares de centrais de processamento de dados que hoje existem para sustentar a explosão generalizada da informação digital. Volumes imensos de dados são movimentados a cada dia, sempre que as pessoas usam o mouse ou suas telas sensíveis ao toque para baixar filmes ou música, verificar os saldos em seus cartões de crédito no site da Visa, enviar e-mails com arquivos anexados via Yahoo!, adquirir produtos na Amazon, postar no Twitter ou ler jornais on-line.
Um estudo conduzido pelo "New York Times" ao longo dos últimos 12 meses revelou que essa fundação da indústria da informação contrasta fortemente com a imagem de esguia eficiência e postura ecologicamente correta que o setor tenta apresentar.
A maioria das centrais de processamento de dados consome vastos montantes de energia, deliberadamente e de maneira perdulária, de acordo com entrevistas e documentos. As companhias de internet operam suas instalações em capacidade máxima, 24 horas por dia, não importa qual seja a demanda. Como resultado, as centrais de processamento de dados podem desperdiçar 90% ou mais da eletricidade que recebem da rede, de acordo com o estudo.
Para se protegerem contra quedas de energia, elas dependem, também, de conjuntos de geradores a diesel, causadores de emissões. A poluição gerada pelas centrais de processamento de dados viola a regulamentação de ar limpo norte-americana, de acordo com documentos oficiais. No Vale do Silício, muitas das centrais de processamento de dados constam do Inventário de Contaminantes Tóxicos do Ar, um documento governamental que lista os principais causadores de poluição em função do uso de diesel, na região.
No restante do mundo, esses armazéns de informação digital utilizam cerca de 30 bilhões de watts de eletricidade, mais ou menos o equivalente a 30 usinas nucleares, de acordo com estimativas compiladas para o estudo por especialistas setoriais. As centrais de processamento de dados norte-americanas respondem por entre um quarto e um terço dessa carga, de acordo com as estimativas.
"A dimensão desses números é espantosa para a maioria das pessoas, mesmo profissionais do setor. O tamanho assusta", diz Peter Gross, que ajudou a projetar centenas de centrais de processamento de dados. "Uma central de processamento de dados pode consumir mais energia que uma cidade de tamanho médio."
A eficiência energética varia amplamente de empresa para empresa. Mas, a pedido do "New York Times", a consultoria McKinsey analisou o uso de energia pelas centrais de processamento de dados e constatou que, em média, elas empregavam na realização de computações apenas entre 6% e 12% da eletricidade que seus servidores recebem. O restante da energia é usado essencialmente para manter ligados servidores ociosos, em caso de um pico de atividade que possa desacelerar as operações do sistema ou causar quedas.
Um servidor é uma espécie de computador desktop bem reforçado, sem tela ou teclado, com chips para processar dados. O estudo examinou como amostra 20 mil servidores instalados em 70 grandes centrais de processamento de dados, em ampla gama de organizações: companhias farmacêuticas, fabricantes de equipamento bélico, bancos, empresas de mídia e agências do governo.
"Esse é o segredinho sujo do setor, e ninguém quer ser o primeiro a admitir culpa", disse um importante executivo do setor que pediu que seu nome não fosse revelado, a fim de proteger a reputação de sua empresa. "Se fôssemos um setor industrial, estaríamos rapidamente fora do negócio", afirmou.
As realidades físicas do processamento de dados ficam bem distantes da mitologia da internet, onde as vidas são vividas em um mundo "virtual" e a memória fica armazenada "na nuvem".
O uso ineficiente de energia é propelido em larga medida pelo relacionamento simbiótico entre os usuários que exigem resposta imediata ao clicar o mouse e as empresas que correm o risco de quebra caso não cumpram essas expectativas.
Nem mesmo o uso intensivo de eletricidade da rede parece suficiente para satisfazer o setor. Alem dos geradores, a maior parte das centrais de processamento de dados abriga bancadas de imensos volantes de inércia ou milhares de baterias elétricas --muitas das quais parecidas com as dos automóveis-- a fim manter os computadores em ação em caso de queda da rede elétrica nem que por apenas alguns milésimos de segundo, já que uma interrupção dessa ordem poderia bastar para derrubar os servidores.
"É um desperdício", diz Dennis Symanski, pesquisador sênior no Instituto de Pesquisa da Energia Elétrica, uma organização setorial de pesquisa sem fins lucrativos. "É ter número exagerado de apólices de seguro."
Pelo menos uma dúzia de grandes centrais de processamento de dados foram autuadas por violações dos códigos de qualidade do ar só nos Estados da Virgínia e Illinois, de acordo com registros dos governos estaduais. A Amazon foi autuada por mais de 24 violações em um período de três anos, no norte da Virgínia, o que inclui operar alguns de seus geradores sem licença ambiental.
Algumas poucas empresas dizem que estão usando sistemas de software e refrigeração fortemente modificados para reduzir o desperdício de energia. Entre elas estão o Facebook e o Google, que também alteraram seu hardware. Ainda assim, dados revelados recentemente apontam que as centrais de processamento de dados do Google consomem quase 300 milhões de watts, e as do Facebook, 60 milhões de watts.
Há muitas soluções como essas facilmente disponíveis, mas, em um setor avesso a riscos, a maior parte das empresas reluta em conduzir mudanças amplas, de acordo com especialistas setoriais.
Melhorar o setor, ou mesmo avaliá-lo, é um processo complicado pela natureza sigilosa de uma indústria criada basicamente em torno do acesso a dados de terceiros.
Brendan Smialowski/The New York Times
Central de processamento de dados em Ashburn, Virgínia, atrás de uma subestação de energia
Central de processamento de dados em Ashburn, Virgínia, atrás de uma subestação de energia
Por motivos de segurança, as empresas tipicamente não revelam a localização de suas centrais de processamento de dados, que ficam abrigadas em edifícios anônimos e fortemente protegidos. As empresas também protegem sua tecnologia por razões de concorrência, diz Michael Manos, um veterano executivo do setor. "Todas essas coisas se influenciam mutuamente para fomentar a existência de um grupo fechado, que só recebe bem aqueles que já são membros", disse.
O sigilo muitas vezes se estende ao uso de energia. Para complicar ainda mais qualquer avaliação, não há uma agência governamental específica cujo trabalho seja fiscalizar o setor. Na verdade, o governo federal norte-americano nem mesmo sabe quanta energia as suas próprias centrais de processamento de dados consomem, de acordo com funcionários envolvidos em uma pesquisa completada no ano passado.
A pesquisa constatou que o número de centrais de processamento de dados federais cresceu de 432 em 1998 a 2.094 em 2010.
Para investigar o setor, o "New York Times" obteve milhares de páginas de documentos municipais, estaduais e federais sobre instalações que consomem grande volume de energia, alguns por recurso às leis de acesso à informação. Cópias das licenças para instalação de geradores e informações sobre seu nível de emissão de poluentes foram obtidas junto a agências ambientais, que ajudaram a estabelecer a localização de algumas centrais de processamento de dados e a obter detalhes sobre suas operações.
Além de revisar dados de uso de eletricidade, repórteres do "New York Times" também visitaram centrais de processamento de dados em todo o território dos Estados Unidos e conduziram centenas de entrevistas com trabalhadores e prestadores de serviço do setor, atuais e passados.
Alguns analistas alertam que à medida que continuam a crescer o volume de dados e o uso de energia, as companhias que não alterarem suas práticas poderão se ver sujeitas a uma reacomodação, em um setor propenso a grandes viradas, como por exemplo o estouro da primeira bolha da internet, no final dos anos 1990.
"Não é sustentável", diz Mark Bramfitt, ex-executivo do setor de eletricidade e hoje consultor para os setores de energia e tecnologia da informação. "Eles vão colidir contra uma muralha."
BYTES AOS BILHÕES
Usando uma camisa do Barcelona e bermudas, Andre Tran caminhava pela central de processamento de dados do Yahoo! em Santa Clara, Califórnia, da qual ele é gerente de operações. O domínio de Tran --que abriga entre outras coisas servidores dedicados a bolões de esportes (fantasy sports) e compartilhamento de fotos-- serve como boa amostra das incontáveis salas de computadores onde as marés mundiais de dados vêm repousar.
Fileiras e mais fileiras de servidores, com luzes amarelas, azuis e verdes piscando silenciosamente, se estendiam por um piso branco repleto de pequenos orifícios redondos que expelem ar frio. Dentro de cada servidor estão instalados discos rígidos que armazenam os dados. O único indício de que a central serve ao Yahoo!, cujo nome não estava visível em parte alguma, era um emaranhado de cabos nas cores da empresa, púrpura e amarelo.
"Pode haver milhares de e-mails de usuários nessas máquinas", diz Tran, apontando para uma fileira de servidores. "As pessoas guardam seus velhos e-mails e anexos para sempre, e por isso é necessário muito espaço."
Estamos diante do dia a dia da informação digital --estatísticas de desempenho de atletas fluindo para servidores que calculam resultados de bolão e a classificação dos participantes, fotos de férias no exterior quase esquecidas em dispositivos de armazenagem. É só quando a repetição dessas e de outras transações semelhantes é adicionada que o total começa a se tornar impressionante.
Os servidores se tornam mais velozes a cada ano, e os dispositivos de armazenagem avançam em densidade e caem de preço, mas o índice furioso de produção de dados avança ainda mais rápido.
Jeremy Burton, especialista em armazenagem de dados, diz que, quando trabalhava para uma empresa de tecnologia de computadores, dez anos atrás, seu cliente que requeria mais dados tinha 50 mil gigabytes em seus servidores. (A armazenagem de dados é medida em bytes. A letra N, por exemplo, requer um byte para armazenagem. Um gigabyte equivale a 1 bilhão de bytes de informação.)
Hoje, cerca de um milhão de gigabytes são processados e armazenados em uma central de processamento de dados para a criação de um desenho animado em 3D, diz Burton, agora executivo da EMC, uma empresa cuja especialidade é a gestão e armazenagem de dados.
A bolsa de valores de Nova York, um dos clientes da empresa, produz, só ela, 2.000 gigabytes de dados ao dia, e é preciso manter essas informações armazenadas durante anos, ele acrescenta.
A EMC e a IDC estimam que mais de 1,8 trilhão de gigabytes de informações digitais foram criados no planeta no ano passado.
"É uma corrida entre nossa capacidade de criar dados e nossa capacidade de armazená-los e administrá-los", diz Burton.
Cerca de três quartos desses dados, estima a EMC, foram criados por consumidores comuns.
Sem o senso de que os dados são físicos e de que armazená-los exige espaço e energia, os consumidores desenvolveram o hábito de enviar grandes pacotes de dados, tais como vídeos ou e-mails coletivos com fotos anexadas, uns aos outros. Mesmo ações aparentemente corriqueiras, como executar um aplicativo que encontre um restaurante italiano em Manhattan ou permita chamar um táxi em Dallas, requerem que servidores sejam ativados e estejam prontos para processar a informação instantaneamente.
A complexidade de uma transação básica é um mistério para a maioria dos usuários. Enviar uma mensagem com uma foto anexa para um vizinho pode envolver um percurso de centenas ou milhares de quilômetros por cabos de internet e múltiplas centrais de processamento de dados, antes que o e-mail chegue ao outro lado da rua.
"Se você disser a alguém que essa pessoa não pode acessar o YouTube ou baixar filmes do Netflix, ela responderá que esse é um direito essencial", diz Bruce Taylor, vice-presidente do Instituto Uptime, uma organização profissional que atende a companhias que utilizam centrais de processamento de dados.
Para sustentar toda essa atividade digital, hoje existem mais de 3 milhões de centrais de processamento de dados em atividade no planeta, com dimensões muito variadas, de acordo com dados da IDC.
Nos Estados Unidos, as centrais de processamento de dados consumiram 76 bilhões de kilowatts-hora em 2010, ou cerca de 2% da eletricidade utilizada no país naquele ano, de acordo com análise de Jonathan Koomey, pesquisador da Universidade Stanford que vem estudando o uso de energia nas centrais de processamento de dados há mais de uma década. A DatacenterDynamics, uma companhia de Londres, calculou números semelhantes.
O setor vem argumentando há muito que digitalizar as transações de negócios e tarefas cotidianas como ir ao banco ou ler livros retirados em uma biblioteca significaria economia de energia e recursos, em termos finais. Mas a indústria do papel, que muita gente previa viria a ser destruída pelos computadores, consumiu 67 bilhões de kilowatts-hora da rede elétrica norte-americana em 2010, de acordo com dados do Serviço de Recenseamento revisados para o "New York Times" pelo Instituto de Pesquisa da Energia Elétrica.
Chris Crosby, presidente-executivo da Compass Datacenters, de Dallas, disse que a proliferação da infraestrutura digital não está revelando sinais de desaquecimento.
"Existem novas tecnologias e melhoras", disse Crosby, "mas tudo continua a depender de uma tomada elétrica".
DESPERDÍCIO 'COMATOSO' DE ENERGIA
Os engenheiros da Viridity Software, uma empresa iniciante que ajuda companhias a administrar seus recursos energéticos, não se surpreenderam com aquilo que descobriram in loco em uma grande central de processamento de dados perto de Atlanta.
A Viridity foi contratada para realizar testes de diagnóstico básicos. Seus engenheiros constataram que a central, como dezenas de outras que pesquisaram, consumia a maior parte de sua energia mantendo ativos servidores que faziam pouco mais que desperdiçar eletricidade, diz Michael Rowan, então vice-presidente de tecnologia da Viridity.
Steve Dykes/The New York Times
Geradores dentro de caixas brancas em central de processamento de dados do Facebook em Prineville, Oregon
Geradores dentro de caixas brancas em central de processamento de dados do Facebook em Prineville, Oregon
Um executivo importante da central de processamento já suspeitava que houvesse algo de errado. Ele havia conduzido uma pesquisa informal, anteriormente, colando etiquetas vermelhas nos servidores "comatosos", um termo empregado por engenheiros para definir servidores que estão conectados e usando energia ainda que seus processadores estejam realizando poucas, se alguma, tarefas de computação.
"No final do processo, parecia que a central estava sofrendo de sarampo", disse Martin Stephens, esse executivo, em um seminário do qual participou com Rowan. "Havia um número inacreditável de etiquetas vermelhas."
Os testes da Viridity confirmaram as suspeitas de Stephens: em uma amostra de 333 servidores monitorados em 2010, mais de metade estavam comatosos. No total, quase três quartos dos servidores da amostra estavam usando menos de 10% de seu poder de processamento, em média, para processar dados.
A operadora da central de dados não era uma companhia precária, ou um serviço de jogos de azar on-line, mas a LexisNexis, uma gigante do setor de banco de dados. E a situação estava longe de constituir exceção.
Em muitas instalações, os servidores têm instalados os aplicativos que usarão e são mantidos em atividade por prazo indefinido, mesmo que a maioria dos usuários esteja inativa ou novas versões do mesmo programa estejam rodando em outra parte da rede.
"É preciso levar em conta que a explosão do uso de dados é o que causa isso", disse Taylor, do Uptime. "Chega um ponto em que ninguém mais é responsável, porque não há quem se disponha a entrar naquela sala e desligar um servidor."
Kenneth Brill, engenheiro que fundou o Uptime em 1993, diz que o baixo aproveitamento da capacidade começou com o "pecado original" do ramo de processamento de dados.
No começo dos anos 90, explica Brill, sistemas operacionais de software que hoje seriam considerados primitivos costumavam travar quando solicitados a fazer coisas demais, ou mesmo se fossem ligados e desligados com rapidez. Em resposta, os técnicos de computador raramente executavam mais de um aplicativo em cada servidor, e mantinham as máquinas ligadas o dia todo, não importa a frequência com que o aplicativo fosse utilizado.
Assim, no momento mesmo em que as agências de energia do governo iniciaram campanhas para convencer os consumidores a desligar seus computadores caso não os estivessem usando, nas centrais de processamento de dados a diretriz era a de manter os computadores ligados a todo custo.
Uma queda ou desaceleração podia significar fim de carreira, conta Michael Tresh, antigo executivo da Viridity. E um ramo nascido da inteligência e audácia passou a ser regido por algo mais: o medo do fracasso.
"Os operadores de centrais de processamento de dados temem perder seus empregos, dia após dia", diz Tresh. "E isso acontece porque o setor não os apoia caso aconteça uma falha."
Em termos técnicos, a fração do poder de processamento de um computador que esteja sendo utilizado para processamento de dados é definida como "índice de utilização".
A consultoria McKinsey, que analisou os índices de utilização a pedido do "New York Times", vem monitorando essa questão pelo menos desde 2008, quando publicou um relatório que não foi muito noticiado fora do setor. Os números continuam persistentemente baixos. Os níveis atuais, de entre 6% e 12%, são pouco melhores que os de 2008. Devido a acordos de confidencialidade, a McKinsey não está autorizada a revelar os nomes das empresas cujos servidores foram incluídos em sua amostragem.
David Cappuccio, vice-presidente executivo de pesquisa no Gartner, um grupo de pesquisa sobre tecnologia, diz que sua pesquisa recente sobre uma grande amostra de centrais de processamento de dados demonstra que o índice de utilização típico é da ordem de 7% a 12%.
"É dessa forma que superdimensionamos e operamos nossas centrais de processamento de dados, há anos", diz Cappuccio. "Vamos superdimensionar caso precisemos de capacidade adicional, um nível de conforto que custa muito dinheiro. E custa muita energia."
Os servidores não são os únicos componentes de uma central de processamento de dados que consomem energia. Sistemas industriais de refrigeração, circuitos para manter carregadas as baterias de reserva e a simples dissipação nas extensas redes de cabos elétricos respondem cada qual por certa proporção de desperdício.
Em uma central de processamento de dados típica, essas perdas, combinadas à baixa utilização, significam que a energia desperdiçada pode ser 30 vezes maior que a utilizada para realizar a tarefa básica da instalação.
Algumas empresas, organizações acadêmicas e grupos de pesquisa demonstraram que práticas imensamente mais eficientes são possíveis, ainda que comparar os diferentes tipos de tarefa seja difícil.
O Centro de Computação Científica do Instituto Nacional de Pesquisa da Energia, que consiste de agrupamentos de servidores e mainframes no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, registrou índice de utilização de 96,4% em julho, diz Jeff Broughton, o diretor de operações do centro. Essa eficiência foi obtida pela criação de uma cronograma de tarefas que as ordena de forma a permitir que as máquinas operem com poder praticamente pleno 24 horas por dia.
Uma empresa chamada Power Assure, de Santa Clara, comercializa uma tecnologia que permite que centrais de processamento de dados comerciais desliguem servidores de maneira segura, quando seu uso não é necessário --de madrugada, por exemplo.
Mas, mesmo com programas agressivos para convencer seus maiores clientes a poupar energia, a Silicon Valley Power não foi capaz de persuadir nem mesmo uma central de processamento a utilizar essa técnica em Santa Clara, diz Mary Medeiros McEnroe, gerente de programas de eficiência energética da companhia.
"É o nervosismo da comunidade da tecnologia de informações quanto à possibilidade de que algo não esteja disponível quando precisarem disso", diz McEnroe.
Mas os ganhos de eficiência promovidos por Stephens na LexisNexis ilustram a economia que poderia ser realizada.
No primeiro estágio do projeto, ele disse que, ao consolidar o trabalho em número menor de servidores e atualizar o hardware, pôde reduzir o espaço utilizado de 2.250 metros quadrados para 900 metros quadrados.
As centrais de processamento de dados evidentemente precisam de capacidade de reserva disponível constantemente, e obter um índice de utilização de 100% não seria possível. Elas têm de estar preparadas para lidar com picos de tráfego.
Symanski diz que essa baixa eficiência faz sentido apenas sob a lógica obscura da infraestrutura digital.
"Você estuda a situação e pensa que é absurdo operar um negócio desse jeito", diz. E a resposta é muitas vezes a mesma, acrescenta: "Ninguém ganha bonificações por reduzir a conta de eletricidade. As bonificações vêm para os engenheiros que conseguem manter a central de processamento de dados em operação 99,999% do tempo".
OS MELHORES PLANOS
Em Manassas, Virgínia, a gigante do varejo Amazon opera servidores para seu serviço de computação em nuvem, entre uma garagem de caminhões, um silo de grãos inativo, uma madeireira e um depósito de lixo no qual máquinas comprimem cargas de resíduos para reciclagem.
Os servidores ficam em duas centrais de processamento de dados, abrigadas em três edificações com cara de armazém, com paredes corrugadas verdes. Nos telhados, grandes dutos, capazes de abrigar sistemas de refrigeração de capacidade industrial, são visíveis, e fileiras de geradores a diesel estão instaladas do lado de fora.
Richard Perry/The New York Times
Um dos seis geradores a diesel em uma grande central de processamento de dados
Um dos seis geradores a diesel em uma grande central de processamento de dados
O termo "nuvem" em geral é utilizado para descrever as funções de uma central de processamento de dados. De forma mas específica, se refere a um serviço que alugue capacidade de computação para uso por terceiros. As instalações usadas para isso são abastecidas primordialmente pela rede nacional de eletricidade, mas quase sempre utilizam geradores e baterias para prover eletricidade em caso de quedas de energia.
As centrais de Manassas estão entre as pelo menos oito centrais de processamento de dados que a Amazon opera no norte da Virgínia, de acordo com os registros do Departamento de Qualidade Ambiental daquele Estado.
O departamento conhece bem a Amazon. Como resultado de quatro inspeções, a partir de outubro de 2010, a companhia foi informada pelas autoridades de que seria multada em US$ 554.476, por instalar e operar geradores diesel repetidamente sem obter as licenças ambientais necessárias para tanto na Virgínia.
Mesmo que não haja quedas de energia, os geradores continuam a emitir gases, porque precisam ser testados regularmente.
Depois de meses de negociações, a penalidade foi reduzida a US$ 261.638. Em uma avaliação de "grau de culpabilidade", todas as 24 violações constatadas foram classificadas como "graves".
Drew Herdener, porta-voz da Amazon, admitiu que a empresa "não obteve as devidas licenças" antes que os geradores fossem ativados. "Todos os geradores foram subsequentemente aprovados e licenciados", afirmou.
As violações vieram se somar a uma série de infrações menores em uma das centrais de processamento de dados da Amazon, em Ashburn, Virgínia, que em 2009 valeram multa de US$ 3.496 à companhia, de acordo com os registros do departamento.
De todas as coisas que a internet deveria se tornar, é seguro dizer que ninguém antecipava que ela resultaria na proliferação de geradores auxiliares.
Terry Darton, antigo executivo na agência ambiental da Virgínia, diz que, na região de 14 condados em que trabalhava no Estado, foram concedidas a centrais de processamento de dados licenças para operar geradores de capacidade próxima à de uma usina nuclear, se somados.
"É chocante saber que tanta energia está disponível", disse Darton, que se aposentou em agosto.
Não há dados nacionais sobre violações ambientais relacionadas a centrais de processamento de dados, mas uma verificação em diversos departamentos de proteção ecológica sugere que elas estão começando a atrair a atenção das autoridades regulatórias de todo o país.
Nos últimos cinco anos, na área de Chicago, por exemplo, a Savvis e a Equinix, duas importantes empresas de internet, receberam autuações por violações, de acordo com os registros da Agência de Proteção Ambiental do Illinois. Além da Amazon, as autoridades da Virgínia também autuaram centrais de processamento de dados operadas por Owest, Savvis, VeriSign e NTT America.
A despeito de todas as precauções --o enorme fluxo de eletricidade, as bancadas de baterias e os geradores a diesel--, as centrais de processamento de dados continuam a cair.
A Amazon, especialmente, sofreu uma série de defeitos no norte da Virgínia, nos últimos anos. Um deles, em maio de 2010 em uma central em Chantilly, tirou do ar por mais de uma hora companhias que dependem da nuvem da Amazon --uma eternidade, no ramo de dados.
Determinar a causa do defeito resultou em mais um problema de informação.
A Amazon anunciou que a falha havia sido causada "quando um veículo colidiu contra um poste de alta voltagem em uma estrada perto de uma de nossas centrais de processamento de dados".

Na verdade, esse acidente de carro era um mito, uma informação equivocada que um operário local da empresa de energia transmitiu à sede da Amazon. A Amazon mais tarde informou que sua rede elétrica sobressalente havia desativado parte da central de processamento de dados por engano depois de o que a Dominion Virginia Power definiu como curto-circuito em um poste elétrico que causou duas quedas temporárias de energia.
Herdener, da Amazon, informou que o sistema sobressalente havia sido reformulado e que "não antecipamos que essa situação venha a se repetir".
A FONTE DO PROBLEMA
No ano passado, em 11 de novembro, um ramal de US$ 1 bilhão que abastece a rede nacional de energia entrou em operação, estendendo-se por cerca de 345 quilômetros do sudoeste da Pensilvânia ao condado de Loudon, Virgínia, passando pelas montanhas Allegheny, da Virgínia Ocidental.
O trabalho foi financiado com o uso de dinheiro dos contribuintes. Steven Herling, executivo de primeiro escalão da PJM Interconnection, a agência interestadual que controla essa rede elétrica, disse que a necessidade de abastecer as muitas centrais de processamento de dados que estão surgindo no norte da Virgínia havia "ajudado a decidir" em favor do projeto, em meio a uma situação econômica deprimida.
As centrais de processamento de dados da área hoje consomem quase 500 milhões de watts de eletricidade, disse Jim Norvelle, porta-voz da Dominion Virginia Power, a grande geradora local de energia. A Dominion estima que essa carga possa subir a mais de 1 bilhão de watts em cinco anos.
As centrais de processamento de dados estão entre os clientes prediletos das empresas de energia. Muitas destas, em diversas regiões dos Estados Unidos, se esforçam por atrair clientes desse tipo, devido às cargas de uso constante, 24 horas por dia. Consumo grande e firme é lucrativo para as distribuidoras de energia porque permitem que planejem suas compras de energia com antecedência e que faturem mais à noite, quando cai a demanda de outros clientes.
Bramfitt diz temer que essa dinâmica esteja encorajando um setor perdulário a perpetuar seus hábitos de desperdício. Mesmo com toda a energia e o hardware que estão sendo dedicados a esse campo, há também quem acredite que será um desafio acompanhar o tsunami digital, se os métodos atuais de processamento e armazenagem de dados continuarem em uso.
Richard Perry/The New York Times
Fileiras de servidores em uma grande central de processamento de dados
Fileiras de servidores em uma grande central de processamento de dados
Alguns especialistas setoriais acreditam que a solução esteja na nuvem: centralizar a computação em um conjunto de centrais de processamento de dados grandes e bem operadas. Essas centrais dependeriam pesadamente de uma tecnologia conhecida como virtualização, que na prática permite que servidores aglutinem suas identidades na forma de recursos de computação grandes e flexíveis que podem ser distribuídos aos usuários conforme a necessidade, onde quer que estejam.
Um defensor dessa abordagem é Koomey, de Stanford. Mas ele diz que muitas empresas que tentam gerir centrais de processamento de dados próximas, em suas sedes ou espaços alugados, continuam pouco familiarizadas com a nova tecnologia da nuvem ou não confiam nela. Infelizmente, essas empresas respondem pela grande maioria da energia consumida por centrais de processamento de dados, segundo ele.
Outros expressam grande ceticismo quanto à nuvem, dizendo que ela às vezes parece uma crença mística em possibilidades negadas pela infraestrutura física que a sustenta.
Usar a nuvem "só muda o local em que os aplicativos são executados", diz Hank Seader, diretor de pesquisa e educação do Instituto Uptime. "Mas tudo passa por uma central de processamento de dados em algum lugar."
Há quem pergunte se a linguagem usada na internet não constitui barreira para a compreensão das suas realidades físicas, que não devem mudar. Um exemplo é a questão da armazenagem de dados, diz Randall Victora, professor de engenharia elétrica na Universidade de Minnesota que pesquisa sobre diversos dispositivos de armazenagem magnética.
"Quando alguém diz 'vou armazenar alguma coisa na nuvem e não preciso mais de disco rígido' --bem, a nuvem está armazenada em discos rígidos", diz Victora. "Continuaremos a precisar deles. Só passaremos a ignorar o fato."
Não importa o que aconteça com as companhias, está claro que, entre os consumidores, expectativas já bem assentadas propelem a necessidade de uma infraestrutura tão grandiosa.
"É isso que propele o imenso crescimento --a expectativa do usuário final de que terá acesso a tudo, a qualquer hora, em qualquer lugar", disse Cappuccio, do Gartner. "Somos nós que causamos o problema."

Obra no Tietê é 1º passo para o hidroanel



Governo deve abrir este ano licitação para eclusa na Penha, que vai permitir a navegação em mais 14 km do rio
Anel hidroviário de 170 km nos rios Pinheiros e Tietê e duas represas irá viabilizar o transporte de passageiros e cargas

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/68225-obra-no-tiete-e-1-passo-para-o-hidroanel.shtml

São Paulo, terça-feira, 25 de setembro de 2012Cotidiano
Adriano Vizoni - 24.ago.2012/Folhapress
Vista da barragem da Penha, no rio Tietê
Vista da barragem da Penha, no rio Tietê
EDUARDO GERAQUE
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

O governo de SP pediu a licença ambiental prévia para iniciar as obras da eclusa da barragem da Penha, no rio Tietê (zona leste da capital), primeiro passo para viabilizar antigo projeto do Estado: o hidroanel metropolitano.
Eclusa é uma obra de engenharia hidráulica que possibilita navegar em locais onde há desnível no leito do rio -ela permite ao barco subir ou descer, conforme o caso.
A licença prévia foi pedida à Cetesb (agência ambiental paulista) e pode ser concedida dentro de um mês.
A eclusa tornaria navegável um trecho de 14 km do rio, até São Miguel Paulista, no extremo leste da cidade. Hoje, o Tietê tem 41 km navegáveis, entre a Penha e a cidade de Santana do Parnaíba.
O projeto do governo é construir um hidroanel de 170 km ao redor da capital, que incluiria os rios Tietê e Pinheiros e as represas Billings (zona sul e ABC) e Taiaçupeba (Suzano). Um canal artificial de 18 km precisará ser feito para ligar as duas represas.
Embora o projeto contemple o transporte de passageiros (principalmente nas represas), a prioridade é transportar lixo, entulhos, material de dragagem do rio, resíduos da construção civil e lodo retirado das estações de tratamento, além de produtos hortifrutigranjeiros.
"É viável a construção do hidroanel. O projeto, se realmente for feito, já se justifica só pelo transporte de material de dragagem e lodo", diz Alexandre Delijaicov, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
Ele é um dos pesquisadores que ajudou a elaborar os projetos iniciais -a faculdade venceu uma licitação.
O horizonte para concluir o hidroanel é 2045. Mas há obras de curto prazo, que podem terminar em cinco anos.
A licitação da eclusa será aberta em breve, segundo Casemiro Tércio Carvalho, diretor do Departamento Hidroviário de SP. "Estamos terminando os orçamentos."
No total, a implantação do hidroanel deve custar algo em torno de R$ 4 bilhões.
Ao longo da hidrovia estão previstas a construção de 60 ecoportos (que recebem material já triado), 11 eclusas e 3 portos de destino. "São locais que vão promover a interligação do barco, do trem e do caminhão", diz Delijaicov.
A principal vantagem do hidroanel, dizem os técnicos, é retirar das ruas caminhões que transportam resíduos.
Em alguns casos, será possível usar os rios como uma espécie de piscinão. "É uma alternativa contra as enchentes, que poderá ficar mais barata", afirma Delijaicov.

LIXO DOMÉSTICO
O ponto negativo: como os barcos vão transportar também lixo doméstico, por exemplo, existe sempre risco de contaminação das águas.
Se o Tietê e o Pinheiros não vão sentir muita diferença, a parte limpa da Billings, onde existe inclusive a captação de água para consumo humano, pode sentir bastante qualquer tipo de incidente.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CARTA ESCRITA NO ANO 2070...


http://www.youtube.com/watch?v=gg7ZXXtMJeg&feature=related








Enviado por em 25/03/2010
Vídeo produzido em 2009 agora atualizado com nova locução e plástica. Ideal para palestras orientando sobre uso racional da água.

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IPT cadastra pontos de erosão e de inundação em São Paulo


Mapeamento orientará investimentos em prevenção e controle de erosões e inundações no estado (IPT)



URL: agencia.fapesp.br/16230 Notícias


25/09/2012

Agência FAPESP – O Centro de Tecnologias Ambientais e Energéticas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está realizando o cadastramento de pontos de erosão e de inundação no estado de São Paulo.


A fase de mapeamento de pontos de erosão e de inundação em áreas urbanas já foi realizada a partir de imagens de satélites e de levantamentos realizados pelo IPT na década passada.



Já as regiões do estado mais suscetíveis a inundações e processos erosivos de grande porte – conhecidos como voçorocas – serão objeto de um levantamento mais detalhado, com equipes se deslocando por terra para realizar a coleta de informações.



O trabalho deverá ser concluído em dezembro.






terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cigarro e a poluição do ar


Fabricante vai à Justiça contra comercial e site anticigarro

http://www.circuitomt.com.br/editorias/geral/19884-fabricante-vai-a-justica-contra-comercial-e-site-anticigarro.html

Publicado em sábado, 22 setembro 2012 13:31

A Souza Cruz entrou com uma ação na Justiça do Rio para tirar do ar um comercial de TV de 30 segundos e o site de uma campanha que visam proibir a venda de cigarros em caixas de bares, padarias e supermercados. O site é o limitetabaco.org.br. Souza Cruz diz que lei repudia veiculação de mensagem inverídica
O vídeo mostra uma mãe com crianças num carro conversando sobre o que tem numa padaria. Uma delas menciona cigarro. Outra retruca que não pode. "Pode, sim. Tem em cima do chiclete."
A mãe diz ser contra colocar cigarro e propaganda nesses lugares. Aí entra a mensagem: "A indústria do tabaco vem cada vez mais camuflando seus produtos e adicionando sabores para atrair crianças e adolescentes no consumo do cigarro. Ajude a mudar essa situação". O filme faz parte de uma campanha da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo).
A Souza Cruz considerou "inverídico" o comercial de 30 segundos. Produzida por voluntários, a peça foi veiculada gratuitamente pela Globo, inclusive no intervalo da novela "Avenida Brasil". A previsão inicial era que a campanha durasse 20 dias e acabasse ontem.
No pedido judicial, obtido pela Folha, o advogado Sergio Bermudes escreve: "Afirmar que há uma estratégia especialmente montada para fomentar o consumo de cigarros por crianças e adolescentes significa, em termos práticos, dizer que a requerente [Souza Cruz] está desrespeitando a venda de cigarros a menores de 18 anos".
Ele diz que o comercial atribui "uma conduta ilícita" à fábrica. O pedido de retirada do ar não fere a liberdade de expressão, segundo a Souza Cruz. Bermudes alega que a liberdade de expressão não é um direito absoluto, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal de 2004, e não pode ser invocada para proteger um ato ilícito --forma como a empresa vê o spot.
"É uma tentativa de censura", diz Paula Johns, coordenadora da ACT, entidade que reúne cerca de 350 ONGs que atuam contra o cigarro no Brasil. "Não falamos que as empresas vendem cigarros para crianças. A Souza Cruz nem é citada no spot."
O Brasil tem 800 mil pontos de venda de cigarros, segundo a indústria. A publicidade é proibida desde 2000 --a exceção era o ponto de venda.
Em dezembro do ano passado, uma lei tentou acabar com essa exceção. Foi vetada a propaganda em bares e padarias, "com exceção apenas da exposição dos referidos produtos". Ou seja, não seriam permitidos cartazes ou luminosos. A ACT afirma que essa lei não "pegou".

PONTO QUENTE
Caixa de bar e padaria é "o ponto mais quente" desses locais, diz Regina Blessa, especialista em pontos de venda. É por isso que a indústria do cigarro investe nessas áreas, afirma. Doces ficam na altura das crianças; os cigarro, logo acima.
O efeito é subliminar e de longo prazo, segundo ela. "Quando crescer, a criança associa o cigarro ao mundo de gostosuras. Isso fica na memória".
Fonte: Folha de SP
Foto: ilustrativa


Justiça nega veto a comercial contra cigarro


São Paulo, sábado, 22 de setembro de 2012Cotidiano

Peça que pede fim da venda em bares e padarias não afronta a lei, decide juíza; pedido de retirada foi feito pela Souza Cruz
Após serem veiculados na Globo, filmes agora estão em site; Souza Cruz diz que recorrerá da decisão judicial
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

A Justiça do Rio negou ontem liminar em ação na qual a Souza Cruz pedia a retirada do ar de um comercial de TV de 30 segundos de um site (limitetabaco.org.br) que busca proibir a propaganda de cigarro em pontos de venda como bares e padarias.
O pedido à Justiça foi revelado ontem pela Folha.
O alvo principal da empresa Souza Cruz era um comercial de TV em que uma mãe conversa com crianças sobre que tipo de produtos são vendidos em padarias.
Uma das crianças fala em bala. Outra cita cigarro. Uma terceira diz que não pode. "Pode, sim. Tem em cima do chiclete", retruca a criança que mencionou o cigarro.
A mãe diz que é por isso que é contra misturar doces, chocolates e maços de cigarro em pontos de venda.
No filme, uma voz afirma que a indústria do cigarro "vem cada vez mais camuflando seus produtos e adicionando sabores para atrair crianças e adolescentes no consumo do cigarro. Ajude a mudar essa situação".
A peça foi veiculada de graça pela Globo, nos intervalos do "Jornal Nacional" e da novela "Avenida Brasil".
O spot ficou no ar, inicialmente, nos primeiros vinte dias de setembro. Ele faz parte da campanha Limite Tabaco, da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo).
O advogado da Souza Cruz, Sérgio Bermudes, pediu a retirada do ar sob a alegação de que a peça associava a empresa a um ato ilícito -a venda de cigarro a menor de 18 anos.
Para ele, a liberdade de expressão não é um direito absoluto e deve ser restringido quando protege ato ilícito.
A juíza Veleda Carvalho diz que a peça não fere a lei por três motivos: o nome da Souza Cruz não é citado, a empresa não é acusada de nada, e a própria companhia diz ser contra a venda a menores.

CAMPANHA

A campanha visa proibir a publicidade de tabaco em bares e padarias. Segue a Convenção-Quadro, tratado das Nações Unidas para reduzir o consumo de cigarro.
Uma pesquisa do Datafolha de 2010, feita para a ACT, mostrou que em 83% dos pontos de venda os cigarros ficam perto de balas e doces.
A Souza Cruz informou que vai recorrer da decisão.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Futura equipe do Brasil na ONU é referência em meio ambiente



22 de setembro de 2012 • 10h50 • atualizado às 11h15


Os embaixadores Luiz Alberto Figueiredo Machado, de 57 anos, e André Aranha Corrêa do Lago, de 52 anos, transformaram-se em uma espécie de referência da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada em junho, no Rio de Janeiro. Nos dez dias de evento, com intensa agenda de trabalho, eles conseguiam multiplicar as horas do dia participando das principais mesas de discussões, concedendo entrevistas coletivas e ainda apaziguando as divergências.
Em comum, Figueiredo e Corrêa do Lago têm uma longa trajetória com as negociações multilaterais e bilaterais referentes não só às questões ambientais, como também de energia. Na Rio+20, sempre bem-humorados, eles respondiam às perguntas embaraçosas, sem provocar mal-estar, nem incômodo.
Na Organização das Nações Unidas (ONU), ambos terão vários desafios a enfrentar. Principal órgão internacional de negociações multilaterais, a entidade também exige que os representantes das delegações travem acordos bilaterais e específicos. Assuntos como paz, segurança e meio ambiente
são apenas alguns dos vários colocados em debates constantes no órgão.
A sede das Nações Unidas em Nova York engloba a presidência, a Secretaria-Geral e o Conselho de Segurança. Também há unidades em Viena (Áustria), Genebra (Suíça), Nairóbi (Quênia) e Haia (Países Baixos).
A diplomacia brasileira costuma ser elogiada por se caracterizar pela construção de consensos, o fim das polarizações e a manutenção constante de diálogos e acordos. Nos últimos anos, as questões relativas à defesa de direitos humanos ganharam mais força devido à ação da delegação brasileira, que tem ressaltado a importância de preservação, manutenção e defesa desses princípios.

Cigarro eletrônico, uma alternativa contestada



Propagandeado em sites como alternativa ao tratamento do tabagismo, mas proibido no Brasil, o cigarro eletrônico – também conhecido como e-cigarro – ainda é questionado por órgãos de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselha o uso desse produto a quem quer parar de fumar, orientação seguida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009 e apoiada por entidades como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e Aliança de Controle do Tabagismo (ACT).

A Food and Drug Administration (FDA), agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, faz ressalvas aos e-cigarros em seu site, advertindo que eles podem conter ingredientes cuja toxicidade para humanos é desconhecida.

Não há comprovações científicas nem de que o cigarro eletrônico é eficiente no tratamento do tabagismo, nem da segurança de sua composição.

“A descrição desses produtos é insuficiente e as fórmulas não são patenteadas, o que não nos dá garantia de procedência”, argumenta o pneumologista Luiz Carlos Corrêa da Silva.

Em um reservatório, o cigarro eletrônico armazena uma solução de nicotina líquida, inalada pelo fumante no momento da tragada. Teria, portanto, função semelhante à de um adesivo ou goma de nicotina, com a vantagem de imitar o gesto de levar o cigarro até a boca e expelir fumaça, no caso, vapor d’água. A diferença é que os adesivos tiveram eficácia comprovada, o que não ocorre com o e-cigarro.

“A norma da Anvisa abre margem para que os fabricantes submetam produtos desse tipo à aprovação da agência, mediante apresentação de estudos toxicológicos e testes científicos específicos que comprovem as finalidades alegadas. Até hoje, nenhum estudo foi submetido a análise”, diz o chefe da unidade de controle de produtos da Anvisa, André Luiz Oliveira da Silva.


Sem efeitos contra o vício


A Anvisa categoriza esses produtos como derivados do tabaco, sujeitos, portanto, às mesmas restrições e obrigações do cigarro comum. Nesse caso, para obter autorização ao comércio, deveriam usar mensagens de advertência, em vez de divulgar benefícios à saúde. Como isso não interessa aos fabricantes, as cigarrilhas de nicotina continuam irregulares no Brasil.

“O que esses produtos fazem é propaganda enganosa, estão se aproveitando de um nicho para vender um produto com risco associado”, considera a diretora-executiva da ACT, Paula Johns.

Uma das fabricantes do e-cigarro, a americana Cigarti, alerta que “o produto contém nicotina, que é altamente viciante. Não é um dispositivo médico e não há nenhuma comprovação científica que o usuário possa deixar de fumar por causa dele”.

* Colaborou Lara Ely

GM sem futuro... já a Ford...


GM na contramão da sustentabilidade



Em uma época em que a preocupação mundial com a sustentabilidade tem sido priorizada em todos os projetos industriais, a General Motors do Brasil - GM deu uma demonstração de “coragem” ao recusar o chamado politicamente correto.
Das montadoras instaladas no Brasil, foi a única a não aderir ao novo selo que a Petrobras lançou dentro do Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural – Conpet.
A idéia é colocar o selo nos produtos fabricados com uma procupação em preservar o meio ambiente. Ele funcionará junto com o do Inmetro que atesta a redução do consumo energético. Passará a ter duas inscrições: Energia (o atual) + Ambiente (novo).
O programa, por enquanto, é voluntário. Ainda assim, a atitude da GM destoou de suas “co-irmãs” associadas da Anfavea - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, segundo explicou o professor Luiz Augusto Horta Nogueira, do Centro de Excelência em Eficiência Energetica- EXCEN, da Universidade Federal de Itajubá.
Para ele, mesmo sendo um programa voluntário, esta atitude mostra que a empresa "não tem responsabilidade social, pois não acredita que o meio-ambiente é importante, não acredita na sustentabilidade de seus produtos".



Ford anuncia motor mais eficiente e menos poluente


20 de setembro de 2012 • 17h22 • atualizado às 17h34


Sabrina Bevilacqua
Direto de São Paulo
De olho nas novas regras automotivas, que começam a vigorar já no próximo ano, a Ford investe em tecnologia para reduzir emissões de gases estufa e aumentar a economia de seus motores a gasolina, sem abrir mão de potência e desempenho. O motor EcoBoost chega ao Brasil na versão 2.0 de quatro cilindros e deve fazer parte da nova linha Fusion, que será lançada durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.

O gerente de motores da Ford América Latina, Volker Heumann, assegura que os novos motores consomem 20% menos gasolina e emitem 15% menos CO2 que os motores comuns. Economia para o bolso do consumidor sem perder potência, diz ele. No quesito desempenho, ele tem ganho médio de 20% em relação a motores da mesma categoria. Segundo a montadora, a versão 2.0 equivale a um motor 3.5 V6.

O EcoBoost, segundo Heumann, reúne tecnologias que nunca haviam sido trabalhadas juntas. "A intenção é melhorar cada vez mais o que estamos produzindo", explica. O resultado é obtido a partir da combinação de injeção direta e mais precisa de combustível a alta pressão, turbo de baixa inércia e duplo comando independente de válvulas variável. Além disso, o motor é menor e mais leve do que os comuns.

O investimento em tecnologias mais eficientes - tanto no que se refere à preservação do meio ambiente quanto ao bolso do consumidor - acompanha uma demanda nacional e internacional. Fora do País, o EcoBoost já tem versões 1.6 e 2.0 de quatro cilindros, V6 3.5 e 1.0 de três cilindros - este último, mais novo, começou a ser comercializado na Europa este ano. Até 2013, a Ford planeja ter 90% da sua linha na América do Norte equipada com motores EcoBoost.

Tecnologias mais "verdes" - O vice-presidente da Ford, Rogelio Goldfarb, explica ao Sustentabilidade que a troca de tecnologia de motores a propulsão para outras tem de ocorrer de maneira gradual. Ele afirma que a montadora está investindo no desenvolvimento de veículos híbridos, elétricos e até movidos a hidrogênio, mas o desafio agora é encontrar maneiras de fazer a ponte para que sejam economicamente viáveis em grande escala.

Apesar dos investimentos em novas frentes, Goldfarb destaca a importância de pensar em melhorar os motores a combustão, que, segundo ele, devem continuar a ser a tecnologia dominante do mercado pelos próximos 20 anos. Ele cita como exemplo os carros flex, que já não são mais uma adaptação de motores a gasolina, são desenvolvidos pensando nos dois combustíveis. "Inclusive, temos engenheiros brasileiros dentro do grupo de projetos para incluir as necessidades do mercado brasileiro."

O vice-presidente descarta a criação de um modelo movido apenas a etanol. Para ele, a discussão tem envolver tanto etanol quanto a gasolina. "Temos de aproveitar a diversidade da matriz energética brasileira. Para que ter um só se podemos ter os dois?" Goldfarb diz que a possibilidade de escolher qual combustível usar é uma demanda do consumidor. Ele explica que é uma segurança, para que os usuários não tenham problemas com a sazonalidade do etanol e a variação de preços.

domingo, 23 de setembro de 2012

Bike Sampa


22/09/2012 - 07h35

Sistema de empréstimo de bikes em SP ganha mais quatro estações

DE SÃO PAULO


O Bike Sampa, sistema de empréstimo de bicicletas que só cobra do ciclista depois de meia hora de uso, ganhará mais quatro estações a partir deste sábado (22), o Dia Mundial Sem Carro.

Com as novas instalações, serão 30 pontos de retirada e devolução que funcionam nas regiões da Vila Mariana, Vila Nova Conceição, Jardins, Paraíso, além dos novos pontos localizados no Itaim Bibi e Vila Olímpia. Ao todo, são 300 bicicletas disponíveis.
As novas estações fazem parte da segunda etapa de expansão do programa, que desde o mês passado está aumentando o número de pontos de empréstimo. A previsão é que, até o fim do ano, sejam cem estações e mil bikes disponíveis.
Jorge Araújo-20.jul.12/Folhapress
Bicicletas do Bike Sampa no lançamento do serviço; mais quatro estações abrem neste sábado (18)
Bicicletas do Bike Sampa no lançamento do serviço; mais quatro estações abrem neste sábado (18) em SP
planejamento prevê que até 2014 sejam compartilhadas 3.000 bicicletas disponibilizadas em 300 estações espalhadas em diversas regiões da capital paulista.
O Bike Sampa é continuidade do projeto Bike Rio, iniciado em outubro de 2011 na capital fluminense.
A primeira meia hora de uso é gratuita, depois paga-se R$ 5 a cada 30 minutos adicionais. A bicicleta pode ser devolvida em qualquer estação. Se o intervalo entre um empréstimo e outro (não há limite de empréstimos diários) for de ao menos 15 minutos, não há cobrança.
A estação localizada próxima à estação Brigadeiro do metrô é a campeã de retiradas. Já a primeira em devoluções é a que fica no portão 9 do parque Ibirapuera.
O serviço estará disponível todos os dias, das 6h às 22h. O usuário deve se cadastrar previamente pela internet --mais de 25 mil pessoas já estão cadastradas.
O Bike Sampa é uma parceria da prefeitura com três empresas: Samba, Sertell e Itaú-Unibanco. Como contrapartida pelo patrocínio do sistema, o Itaú pode exibir sua marca nas bicicletas, como já faz no Rio. Bradesco, AES Eletropaulo e Ambev também mostram interesse em patrocinar sistemas semelhantes em São Paulo.

ENDEREÇOS DAS NOVAS ESTAÇÕES:
  • Rua Brasília, esquina com a rua Joaquim Floriano (Itaim Bibi)
  • Rua Antônio Bento, esquina com a rua Veneza (Itaim Bibi)
  • Rua General Mena Barreto, esquina com a rua Henrique Martins (Itaim Bibi)
  • Rua Egito, esquina com a rua Santa Justina (Vila Olímpia)

A casa do futuro deverá ser de fato sustentável


22/09/2012 - 17h47

O lar do futuro não será minimalista, frio e asseado


Guto Requena é arquiteto graduado pela USP. Foi pesquisador do Nomads (Núcleo de Estudos de Habitares Interativos) entre 2000 e 2008 e professor de design na escola Panamericana e no Instituto Europeu de Design. É apresentador e roteirista do programa "Nos Trinques", do canal GNT. Escreve aos domingos, a cada duas semanas, no caderno "Imóveis".

Observar as transformações que acontecem dentro de casa pode ser um bom exercício para entender em que direção estamos indo em relação à arquitetura, ao design e à tecnologia.
Nossas casas são construídas hoje pela sobreposição de átomos e bits. Tornaram-se híbridas e são também um ponto de aglutinação de informação, um lugar estratégico que reúne imagens, palavras e sons vindos do ciberespaço.
Por outro lado, a noção de lar, também graças à internet, expandiu-se para territórios simbólicos - levo minha "casa" comigo pelo mundo, no celular, no computador, nas redes sociais.
A maior parte de nós, no entanto, continua vivendo em residências que reproduzem o modelo tripartido do século 18, que divide o espaço em áreas social, íntima e de serviços em ambientes compartimentados e estanques. O formato clássico foi herdado da burguesia francesa e amplamente disseminado no mundo ocidental.
Mas, se o futuro chegou, a casa que vai representar esse novo tempo deverá se basear não mais em cômodos e hierarquias, mas nas atividades que exercemos ali.
Não fará sentido projetar quarto, sala e cozinha, mas sim espaços para dormir, entreter-se, trabalhar, preparar refeições e cuidar do corpo, por exemplo.
A casa do futuro deverá ser de fato sustentável. Terá ambientes e móveis flexíveis, que se transformarão constantemente para se adequar às nossas necessidades, amparando os novos grupos familiares e a diversidade que seu cotidiano exige.
Nossa casa será um sistema aberto, colaborativo e seremos todos co-designers desses espaços.
Ao contrário do que se explorou em romances e filmes de ficção científica, o lar do futuro não será tão minimalista, frio e asseado como imaginávamos.
Ele será, mais do que nunca, um estoque físico e virtual de memórias e afetos. Uma mistura em construção de objetos de família, lembranças de viagens e pessoas amadas, adicionada a interfaces digitais que nos ajudarão a expandir e a armazenar lembranças e sentimentos.
O futuro será mais aconchegante do que imaginávamos.

Protocolo de Quioto...


Grupo pede que 2ª etapa do Protocolo de Quioto seja definida até a COP 18

Brasil, África do Sul, Índia e China divulgam documento conjunto para a Conferência da ONU

21 de setembro de 2012 | 16h 58


Agência Brasil
Brasília – Reunidos em Brasília, os representantes do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) defenderam nesta sexta-feira, 21, que é fundamental a 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18) avançar na elaboração da segunda etapa do Protocolo de Quioto – que estabelece as metas de redução de emissões de gás de efeito estufa para os países desenvolvidos.
Veja também:

Representantes do Basic se reuniram em Brasília - Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP
Representantes do Basic se reuniram em Brasília


A COP18 ocorrerá entre novembro e dezembro, em Doha, no Catar, e terá a participação de representantes de 190 países. O objetivo do Basic é garantir meios para que parcerias políticas integrem todos os países na busca por soluções comuns para o fim dos efeitos das mudanças climáticas no mundo, como os acidentes naturais (terremotos e maremotos, entre outros) e a elevação do nível do mar.
Em um texto de seis páginas e 17 parágrafos, as autoridades divulgaram uma declaração conjunta reiterando que é essencial reafirmar os compromissos definidos como metas na busca de soluções para os problemas causados pelas mudanças climáticas no planeta. O documento será apresentado durante a COP18.
Técnicos, especialistas e negociadores analisam minuciosamente as propostas encaminhadas por cada delegação. Há cinco anos, o Basic busca acordo para elaborar um documento comum a ser apresentado nas várias conferências realizadas ao longo deste período.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, coordenaram a reunião que ocorreu na manhã desta sexta-feira, da qual participaram também representantes da Argentina, da Argélia, de Barbados e do Catar.
"Isso é um trabalho do esforço do Basic e do G77 [grupo de países em desenvolvimento] de buscarmos caminhos que possam unir politicamente o mundo na questão do clima", disse Izabella Teixeira.
O vice-ministro da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, Xie Zenhua, reiterou que todos os países – desenvolvidos e em desenvolvimento – devem buscar aumentar suas metas para a redução de gases de efeito estufa. "Os países desenvolvidos devem discutir como aumentar a redução e a intensidade", alertou.
A preocupação das autoridades brasileiras é que os atuais termos vigentes do Protocolo de Quioto expiram no final deste ano. Por isso, os países em desenvolvimento pedem, na declaração, que as negociações sobre as metas sejam definidas com rapidez. A ideia é que novos compromissos sejam adotados e chancelados para que passem a valer a partir de janeiro de 2013.
Para a ministra, essas medidas podem assegurar "caminhos mais objetivos para a negociação da Plataforma Durban". A plataforma foi proposta na última Conferência de Clima (COP17), em Durban, África, em dezembro de 2011. O objetivo é alinhavar um acordo global fixando compromissos dos países para a redução de emissões de gases. A plataforma deve substituir, a partir de 2020, o que ficou definido pelo Protocolo de Quioto.

Apesar da descrença de especialistas, o governo brasileiro espera que as negociações avancem na COP18. "Entendemos que as ambições que estão presentes na mesa dos países desenvolvidos estão muito aquém daquilo que a ciência e o desafio político da negociação nos impõem no diálogo em Doha e pós-Doha", disse Izabella Teixeira.


sábado, 22 de setembro de 2012

Pedágio urbano: R$1,00 ou R$10,00?


Secretários de Kassab defendem pedágio urbano em São Paulo

Eduardo Jorge, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, e Marcelo Cardinale Branco, da Secretaria Municipal de Transportes, falaram sobre o tema durante o Seminário Internacional Andar a Pé nas Cidades

21 de setembro de 2012 | 10h 50




Caio do Valle
Texto atualizado às 20h05.

SÃO PAULO - Dois secretários da gestão Gilberto Kassab (PSD) disseram na manhã desta sexta-feira, 21, serem favoráveis à implantação do pedágio urbano. As afirmações foram feitas por Eduardo Jorge, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, e Marcelo Cardinale Branco, da Secretaria Municipal de Transportes, durante o Seminário Internacional Andar a Pé nas Cidades, na Avenida Paulista.
Ambos os dirigentes falaram na abertura do evento, voltado à discussão de medidas para melhorar a mobilidade dos pedestres na cidade. O primeiro a defender o pedágio urbano foi Jorge. "Eu insisto: nessa cesta de ações para melhorar a mobilidade, limpar a cidade, melhorar a saúde das pessoas e salvar vidas, tem uma questão de que as cidades não podem fugir, que é a restrição ao uso abusivo do automóvel e da moto. Não tem saída." Mas Jorge disse que as autoridades, inclusive as do Judiciário e as do Legislativo, "fogem disso como o diabo da cruz". "A medida que hoje está sendo usada com sucesso em outros países é o pedágio urbano. Ele é necessário. Ele vai melhorar imediatamente os congestionamentos."
De acordo com o secretário, o pedágio "vai gerar um fundo adicional que vai ser somado ao orçamento dele para investir mais no metrô e no ônibus e nas calçadas". Jorge disse, no entanto, que o prefeito Kassab é contrário a essa ideia e que a sua opinião "é um ponto de vista pessoal".
Em seguida, Jorge passou a palavra para Cardinale Branco, que acumula a presidência da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), empresa municipal responsável por gerenciar o trânsito na capital. O dirigente afirmou que, assim como Jorge, é "favorável" ao pedágio urbano.
A restrição à circulação de veículos nas áreas mais centrais de São Paulo é um assunto polêmico. Alguns especialistas em mobilidade urbana defendem a implantação da medida imediatamente, argumentando que a saturação viária já atingiu um ponto crítico. Outros, no entanto, entendem que a ação só pode ser tomada após a ampliação do transporte público, em especial o metrô.
Mas a medida, que pode gerar desgaste político, é tratada com muita delicadeza pela Prefeitura, que oficialmente sempre reiterou que não adotará o pedágio urbano. A grande maioria dos candidatos a prefeito também nega que tenha intenção de implantá-lo.
No início da noite, a Prefeitura enviou uma nota em que informa que "respeita as opiniões pessoais" dos dois secretários, mas não cogita mudar a sua posição "firmemente contrária" ao pedágio urbano.

Projeto Tietê...21 anos



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Conheça algumas curiosidades sobre o Rio Tietê


Conheça algumas curiosidades sobre o Rio Tietê
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As obras das duas primeiras fases do programa de despoluição do Rio Tietê custaram R$ 1,6 bilhão ao governo de SP. O investimento total do projeto está estimado em R$ 3,4 bilhões até 2015


Foto: Arquivo