Para acompanhar o clima, cientista faz
carreira cercado de gelo e urgência
Lonnie Thompson, um dos primeiros cientistas a registrar o
derretimento de uma geleira por causa do aquecimento global, negligenciou sua
própria saúde em busca de sua ciência
The New York
Times|
Andrew Spear for The New York Times
Paleoclimatologista Lonnie G. Thompson foi um dos cientistas a descobrir o
aquecimento global
Um certo dia em 1991, no alto dos Andes peruanos, Lonnie G. Thompson viu que
o maior cume de gelo tropical do mundo estava começando a derreter. Foi neste
momento que ele percebeu que o trabalho de sua vida de repente havia se tornado
uma corrida.
A descoberta indicava que outros cumes provavelmente começariam a derreter e
que as possíveis informações que continham sobre o clima do passado poderiam
desaparecer antes que os cientistas tivessem a oportunidade de aprender com
elas.
Impulsionado por uma sensação de urgência ao longo dos 20 anos que se
seguiram, ele conquistou uma série de realizações nunca vistas anteriormente na
ciência moderna. Ele liderou equipes para algumas das regiões mais altas e
remotas da terra para recuperar amostras de gelo em extinção.
Então, em outubro, a corrida contra o relógio tornou-se uma jornada bastante
pessoal.
Thompson acordou em um quarto do hospital em
Columbus e olhou para baixo. "Haviam fios saindo do meu peito", disse.
Máquinas haviam sido ligadas nele para mantê-lo vivo. A longo prazo, os
médicos lhe disseram que somente um transplante de coração faria com que ele
ficasse completamente saudável novamente.
Thompson, 63, é um dos mais proeminentes da geração de cientistas que, nas
últimas décadas do século 20, descobriram o problema do aquecimento global.
Agora os cientistas nesta área de estudo estão começando a envelhecer e muitos
deles dizem estão tendo dificuldade em lidar com a questão de como é difícil
estar sempre desafiando seus próprios limites.
Será que mais uma descoberta ou mais uma expedição poderia ajudar a mudar a
consciência do público geral?
Thompson se tornou um dos primeiros cientistas a
testemunhar e registrar uma dos maiores cumes de gelo da Terra derretendo. E os
seus núcleos de gelo - longos cilindros de gelo - revelaram que este
derretimento repentino nunca havia ocorrido antes, pelo menos não nos últimos
milhares de anos.
Para alguns cientistas do clima, o registro do núcleo de gelo de Thompson se
tornou o conjunto de evidências mais convincente de que o rápido aquecimento
planetário era resultado de um aumento dos gases contribuintes para o efeito
estufa.
"A razão pela qual o material de Lonnie é tão poderoso é que é bastante
simples", disse Daniel P. Schrag, geoquímico de Harvard e diretor do Centro para
o Meio Ambiente.
"Sua prova rejeita a ideia de que isso é algum tipo de ciclo que acontece a
cada 300 ou 500 anos, que é o que os céticos normalmente dizem. E nós dizemos:
"Não, porque o gelo de Lonnie não derreteu antes. Ele está derretendo
agora."
Colegas afirmam que Thompson negligenciou sua própria saúde em busca de sua
ciência. Agora, na maior parte do tempo confinado em seu escritório e sua casa
em Columbus, ele disse que começou a apreciar a clareza que sua circunstância
lhe proporciona.
"Eu não desejo isso a ninguém, mas não é de todo ruim", disse ele. "Realmente
o obriga a sentar e pensar sobre o que é que você está fazendo e porque está
fazendo isso, e como você está usando seu tempo."
Atraído pelos Trópicos
Criado em uma fazenda perto de
Gassaway, West Virgínia, Lonnie Gene Thompson chegou ao Estado de Ohio com a
ideia de se tornar um geólogo de carvão, mas o gelo logo o seduziu.
Como estudante de pós-graduação em busca de um doutorado em geologia, ele
trabalhou analisando a poeira em núcleos de gelo retirados da Antártica, e
descobriu que características químicas e físicas minúsculas poderiam ser
utilizadas para deduzir o clima do passado.
Colaborando com John Mercer, um cientista especialista na Terra em uma
universidade famosa por seus estudos de geologia glacial na América Latina,
Lonnie Thompson foi atraído para o gelo tropical.
A equipe da Universidade Estadual de Ohio decidiu se concentrar no poderoso
Quelccaya, nos Andes do Peru, o maior cume de gelo tropical do planeta,
suspeitando que ele renderia um registro preciso do clima. Mas a ideia de
perfuração encontrou uma recepção fria de alguns dos cientistas do clima mais
eminentes naquela época. A noção predominante na década de 1970 era de que os
trópicos eram climatologicamente chatos e que a maioria das grandes oscilações
no clima da Terra havia acontecido mais perto dos pólos.
Além disso, nos trópicos, "ninguém achava que haveria gelo muito velho",
lembrou Wallace S. Broecker, da Universidade Columbia, atual principal
paleoclimatologista dos Estados Unidos. (Aos 80 anos, Broecker está entre os
cientistas do clima que trabalham muito além da sua idade de aposentadoria.)
Em 1974, com US$7.000 da Fundção Nacional de Ciência, Mercer e Thompson
lideraram uma equipe de pesquisa no Quelccaya, em uma planície vulcânica 18.000
pés acima do nível do mar. Eles confirmaram que camadas anuais de pó
parcialmente sazonais podiam ser vistas no gelo.
Após uma série de tentativas frustradas de perfurar o gelo, incluindo uma
envolvendo um helicóptero, Thompson recorreu a mulas, cavalos e burros para
montar uma expedição em 1983, que perfurou completamente através de 537 metros
de gelo com uma broca de energia solar.
Na época, ele não conseguia encontrar uma maneira de transportar o gelo
congelado, para que as camadas foram pesquisadas. Então elas foram partidas e
derretidas em milhares de garrafas de plástico que foram transportados de volta
para Columbus, para análise química.
Os resultados foram surpreendentes. O registro do gelo chegou a 1.500 anos
antes e registrou oscilações enormes no clima da região - intensos períodos de
seca alternando com períodos úmidos. Grandes lagos surgiram e sumiram nos vales
abaixo, a poeira de suas secas até camas deixando marcas químicas no gelo. O
registro também mostrou mudanças na química da água semelhantes aquelas
observadas nos pólos, levando Thompson a inferir grandes variações de
temperatura nos trópicos.
Nos anos seguintes, Thompson perfurou em outros locais na América do Sul,
recuperando gelo de até 25.000 anos e confirmando os padrões observados em
Quelccaya. Seus resultados, juntamente com registros colhidos por outros
cientistas no fundo do mar, agitou o campo da paleoclimatologia.
Uma série de desafios
Ao final dos anos 1980, a
preocupação com o aquecimento global estava aumentando, e alguns cientistas
acreditavam que as calotas polares e geleiras dos trópicos seriam as primeiras a
mostrar seus efeitos.
Em uma viagem de retorno a Quelccaya em 1991, Thompson notou substancial
derretimento nas bordas do cume de gelo. Testes laboratoriais confirmaram que os
sinais registrados anualmente na química do gelo estavam se tornando turvos.
Ele acelerou o ritmo com sua equipe, que estava entre os primeiros cientistas
ocidentais permitidos a analisar os cumes de locais como a China, recuperando
gelo que pode ter até 750.000 anos. Ele perfurou várias outras vezes no planalto
tibetano, no Ártico russo, no Alasca, no topo do Monte Kilimanjaro, na Tanzânia,
na Nova Guiné, nos Alpes.
Mas a carreira de Thompson não foi inteiramente livre de controvérsia.
Alguns cientistas têm desafiado a análise de Thompson dos sinais em núcleos
de gelo, dizendo que as mudanças químicas que ele interpreta como variações de
temperatura provavelmente refletem uma mistura mais complexa de mudanças na
precipitação, temperatura e padrões de circulação atmosférica. Mathias Vuille,
um cientista atmosférico da Universidade Estadual de Albany, que admira as
realizações de Thompson, disse que suas análises sobre este ponto "são difíceis
de conciliar com outras evidências."
"Sua hora ainda não chegou"
Quando jovem, Thompson mantinha a forma correndo maratonas. Ele agora percebe
que sua saúde começou um lento declínio em algum momento de seus 40 anos de
idade.
No outono passado, ele chegou a um ponto em que ele mal podia andar. Ele
acabou no hospital, alternando entre consciência e inconsciência por dias à
medida que o seu coração fracassava em mantê-lo vivo. Mais de uma vez, sua
esposa e sua filha, Regina, foram informadas de que ele não conseguiria
sobreviver mais noite.
Foi em um de seus períodos em coma, ele acredita, que teve o sonho. Ele disse
que saltitava pelo espaço e pousou em um belo local cheio de flores e riachos.
Lá, ele disse, uma figura vestida de branco falou com ele.
"Sua hora ainda não chegou", a figura disse ele. "Você tem outra
finalidade."
Thompson não é um homem particularmente religioso, e ele não tenta explicar o
sonho, mas a sua memória dele é vivida.
O equipamento movido a bateria implantado em seu peito o ajudou a melhorar e
a deixar o hospital, enquanto esperava na lista de transplante de órgãos. Na
primavera, ele havia retomado um horário de trabalho limitado, colaborando em
pesquisadas de colegas localizados ao redor do mundo.
Thompson sabe que precisa ir devagar, mas ele já está de olho num cume de
gelo inexplorado na China.
No ano passado, ele entrou em contato com alguns de seus conhecidos na Rússia
e pediu para que um astronauta na Estação Espacial Internacional fotografasse um
cume de gelo específico. Uma equipe chinesa já foi verificar o local e confirmou
que a perfuração de um núcleo parece ser possível, caso ele se recupere o
suficiente para enfrentar uma nova expedição.
Outras pessoas provavelmente poderiam fazê-lo sem ele, mas ele não quer nem
saber de ficar de fora desse possível experimento.
"Eu vou voltar à ativa", disse ele com um sorriso. "Eu estou à procura do
gelo mais antigo do planeta.”
As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, poderão ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.
Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área - se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.
Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.
É essa diferença que os pesquisadores chamam de "débito de extinção", que foi calculado no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser "paga" - em espécies animais - pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.
Mas em vez de calcular para toda a Amazônia - o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.
Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. "Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado."
Na pior hipótese, a do "business as usual", considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.
Mas, mesmo nessa situação, é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km²) podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.
Eles reforçam que isso ainda não ocorreu e defendem que ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.
Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. "O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer."
TÓQUIO - O Japão colocou pela primeira vez em operação neste domingo, 01, um reator nuclear desde o desastre nuclear de Fukushima, no ano passado. Desde o acidente, todos os 50 reatores nucleares comerciais do Japão foram sendo gradualmente desligados e há dois meses o Japão deixou de contar com a energia nuclear para abastecer a rede elétrica do país.
A Kansai Electric Power iniciou a remoção das varas de controle utilizadas para evitar a fissão nuclear do reator principal número 3 em sua usina em Ohi, no leste do Japão, às 22h de sábado em Brasília ou 9h da manhã pelo horário local. A energia começará a ser fornecida até a quarta-feira (4) e o reator atingirá sua capacidade plena quatro dias depois, disse um porta-voz da Kansai Electric.
A volta à operação do reator foi marcada por protestos nas imediações da usina, onde manifestantes gritavam e dançavam. A imprensa local disse que cerca de 650 manifestantes marcharam contra a reativação do reator nas proximidades da prefeitura de Fukui durante o fim de semana e que cerca de 100 tentaram bloquear a entrada principal da usina.
O porta-voz da Kansai Electric disse que o reator número 4 também deve voltar a funcionar este mês, provavelmente no dia 17 e os planos seriam de que estivesse em pleno funcionamento até o dia 24 de julho.
Paralelamente, o jornal Nikkei reportou que um painel composto por representantes do Ministério do Comércio e da Indústria estuda a possibilidade de as maiores empresas de energia do Japão repassarem aos consumidores os custos do acidente nuclear de Fukushima, por meio do aumento das tarifas.
As ruas de São Paulo não deveriam ser usadas exclusivamente para carros, mas também dar acesso seguro a pedestres e ciclistas. O excesso de estacionamentos e a falta de área para pedestres tornam a cidade inviável.
Essa é a análise de Michael Kodransky, 31, gerente de política urbanas do ITDP (sigla de Instituto de Políticas de Transportes e Desenvolvimento, em inglês). Kodransky defende medidas como o fechamento da Times Square, em Nova York, para carros.
*
Folha - Como era a Times Square antes das mudanças?
Michael Kodransky- Pesquisas mostravam que a maioria dos que usavam o espaço era pedestre, mas a área era ocupada desproporcionalmente por veículos. A percepção é a de que a Times Square nunca tinha sido uma praça. Era um lugar pelo qual os carros passavam. Agora há um espaço público que reflete melhor o seu nome.
Qual papel os veículos privados deveriam ter na cidade?
Eles são necessários, já que permitem, por exemplo, a entrega de bens. Mas não é preciso permitir que caminhões circulem pela cidade por qualquer motivo. As ruas não têm o mesmo uso o dia inteiro, e eles podem ser equilibrados.
Aqui, o governo diminuiu impostos para carros para aquecer a economia. Como vê isso?
A cidade precisa analisar suas políticas e se há contradições. Se a melhor política é limitar o espaço para estacionamentos, não permitir que a locomoção por carro seja a mais fácil, mas se diminuem os impostos dos carros, há uma contradição.
Como avalia o sistema de transporte de São Paulo?
O espaço para pedestres poderia ser melhor. Há muitas áreas onde não se pode caminhar. É necessário um plano para que haja mais calçadões. As cidades mais bem-sucedidas dão prioridade aos pedestres. São Paulo tem também políticas muito liberais para estacionamentos, o que cria uso ineficiente do espaço. É impossível esse volume de pessoas dirigindo.
A vida do motorista deve ser dificultada?
O real custo em usar carro não é revelado. A diminuição do imposto incentiva seu uso. Mas o verdadeiro custo em dirigir é o congestionamento, o barulho, a poluição... As pessoas tomam decisões com base no que afeta diretamente seu bolso. Quando você sai de casa, pensa no que é mais conveniente. Se você tem um estacionamento no prédio onde trabalha, você provavelmente vai de carro. Especialmente se é barato dirigir.
Cecilia Acioli/Folhapress
Kodransky, 31, gerente de políticas urbanas, para quem ruas devem ser seguras para pedestres e ciclistas
Talvez você resista, mas o seu neto ainda vai adicionar insetos à dieta alimentar.
A maior demanda por proteína animal fará com que eles entrem no cardápio de grande parte da população mundial em 2050, prevê a Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO).
Uma empresa brasileira já se prepara para os novos tempos. A Nutrinsecta, produtora de grilos, besouros, baratas e moscas, aguarda certificação do Ministério da Agricultura para que seus insetos, hoje usados na alimentação animal, possam ser consumidos por humanos.
O fundador e sócio da Nutrinsecta, Luiz Otávio Pôssas, admite que a barreira cultural é grande, mas não é impossível de ser superada. "Virá com o tempo", afirma.
"Quando eu era jovem, todos achavam um absurdo o hábito japonês de comer peixe cru. Esse preconceito não existe mais", diz o empresário, que criou a cerveja Kaiser e a água de coco Kero Coco.
Zootecnista Gilberto Schickler, sócio e responsável técnico da Nutrinsecta, com Grilos Pretos nas mãos
A certificação abrirá um novo nicho de mercado para os insetos, mas, segundo Pôssas, o foco da companhia deve continuar sendo complementos para ração animal.
No entanto, a Nutrinsecta já está montando um quiosque para degustação na fábrica de insetos, em Betim (MG). A empresa contratou um chef de Santa Catarina especialmente para desenvolver pratos como grilo coberto de chocolate --"parece um Bis"--, insetos à milanesa, ou misturados ao macarrão, como um yakisoba.
"As crianças que visitam o nosso projeto sempre pedem para experimentar", diz Gilberto Schickler, sócio da Nutrinsecta e zootecnista.
"Não tenho a intenção de estimular ninguém a consumir insetos. Mas quem quiser comer poderá", diz Pôssas.
EXPORTAÇÃO
Schrickler diz que não será necessário mudar o cardápio do brasileiro para vender insetos a humanos. Ele vê potencial para exportação.
Segundo Pôssas, em mais de cem países os insetos já fazem parte da dieta alimentar. A China é um exemplo.
Os preços, no entanto, ainda estão longe de serem competitivos. A Nutrinsecta vende um quilo de insetos por cerca de R$ 200, em média. "Com escala de produção, esse valor pode cair drasticamente", diz o zootecnista.
O quilo da picanha, corte nobre bovino, é vendido entre R$ 40 e R$ 50 no varejo de São Paulo, em média.
NA RAÇÃO
O interesse de Pôssas pelos insetos começou por causa de sua criação de aves.
Buscando melhorar a alimentação das espécies, financiou uma pesquisa na Universidade Federal de Minas Gerais, que lhe apresentou a proteína de insetos.
De fácil digestão, ela é mais adequada à alimentação das aves criadas em cativeiro e rendeu bons resultados.
Hoje, a Nutrinsecta produz duas toneladas por mês de insetos, vendidos vivos ou desidratados para a empresa irmã MegaZoo, que faz a ração.
A maior parte é processada até virar uma farinha de proteína consumida por aves, peixes, répteis e primatas.
E, se a barreira para levar o inseto à boca é grande, esse farelo de insetos pode ser a saída para a introduzi-los à dieta. O consumo do inseto inteiro será possível, mas a maior demanda será para esse suplemento alimentar em forma de farelo.
Em congresso realizado no início deste ano, a farinha de proteína de insetos foi apontada pela FAO como eficiente no combate à desnutrição.
A cadeia produtiva da carne – especialmente a de aves e de suínos – representa um importantíssimo segmento da economia brasileira, em especial a catarinense, em termos de produção sustentável de riquezas, geração de empregos e contribuição tributária. Estado e sociedade se beneficiam da avicultura industrial e da suinocultura industrial.
O conceito é formulado pelo presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e também do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de SC (SINDICARNE), Clever Pirola Ávila, ao destacar os benefícios que as agroindústrias proporcionam, protegendo o meio-ambiente num momento em que tornou-se lugar comum atacar a indústria de processamento de carnes no Brasil.
Em que fatos o Sr baseia sua afirmação de que as indústrias da carne são sustentáveis, ecológicas e humanas?
Clever Pirola Ávila – As cadeias produtivas da carne são extremamente avançadas, respeitam e protegem os recursos naturais. A produção a campo é de alta sustentabilidade e obedece a todos os preceitos da legislação ambiental. A produção pelo sistema de integração assegura estabilidade à família rural. As unidades de abate e processamento de aves e suínos operam com sistemas de tratamento de efluentes e não geram resíduos contaminantes. Os trabalhadores das indústrias da carne, de todos os setores, trabalham em condições adequadas, gozam de amplo plano de benefícios e recebem remuneração compatível. A tecnologia empregada nas empresas catarinenses é a mesma das indústrias de processamento de carne dos países mais avançados.
A legislação ambiental é integralmente respeitada pelas indústrias de carne suína e de aves para evitar danos ao ambiente durante o processo de produção?
Clever Ávila – Aplicamos integralmente a Resolução do CONAMA Número 357, o qual define parâmetros ambientais para a Indústria.
As indústrias limitam-se a cumprir a legislação ou vão além. Com programas para reaproveitamento da água e redução do uso de energia?
Clever Ávila – Realmente existem iniciativas que vão além da legislação ambiental pertinente. São sistemas adicionais os quais potabilizam a água novamente para reuso em ambientes específicos. O tratamento é feito com processos biológicos e físico-químicos. Também é possível utilizar os resíduos orgânicos, converte-los em biogás (metano) para posterior transformação em energia térmica e/ou elétrica.
Como são tratados e destinados os insumos menos nobres da matéria-prima cárnica aproveitada no processamento industrial?
Clever Ávila – Nossa indústria trabalha com produtos, co-produtos e subprodutos. Todos eles possuem utilidade no processo produtivo e tem o seu valor comercial relativo, ou seja, procuramos aproveitar tudo o que é gerado na produção. Os músculos são convertidos em cortes nobres e especiais com e sem ossos e podem ainda, adicionalmente, receberem condimentos especiais para se tornarem produtos pré-preparados temperados e/ou ainda receberam processos adicionais para se tornarem produtos industrializados, como pratos prontos, termoprocessados, linguiças, salsichas, mortadelas, salames, presuntos, empanados, etc. Além disso, ,aproveita-se pele, gordura e recortes para industrializações específicas. Os miúdos são comercializados na forma refrigerada ou congelados, como língua, fígado, moela, rins, coração etc. Existem ainda os chamados opoterápicos, que são usados para fins medicinais. Alguns subprodutos como sangue, pelos, penas, vísceras, etc. são convertidos em farinhas e óleos de origem animal. Todos os produtos podem ser comercializados no mercado brasileiro e/ou exportados. Os resíduos orgânicos restantes, podem ser convertidos em biogás e sequencialmente em energia.
A sustentabilidade tornou-se um caminho sem volta para as indústrias em favor de uma gestão mais responsável, ou ainda há muito marketing?
Clever Ávila – A agroindústria já incorporou os aspectos de sustentabilidade e caminha muito próximo a comunidade local, onde estão situadas. Cada vez mais a sociedade está alerta para a gestão responsável e nos cobra ações sustentáveis. Os chamados “stakeholders” – sociedade, acionistas, investidores, fornecedores, clientes, consumidores, ONGs, Universidades – participam de forma ativa e influenciam diretamente a gestão da cadeia produtiva.
O que falta para que as práticas sustentáveis permeiem todos os processos da cadeia produtiva de suínos e aves?
Clever Ávila – Na realidade o setor por si próprio tem aspectos importantes de sustentabilidade. Basta analisar o índice de desenvolvimento humano (IDH) nos municípios que possuem agroindústria e sistemas de integração. São superiores a média brasileira. O sistema oportuniza que empresários rurais de todos os portes, possam exercer sua vocação, agregando valor a cadeia produtiva, convertendo a proteína vegetal em proteína animal. A agroindústria traz tecnologias de ponta – desde a genética, alimentação animal e assistência técnica, colaborando com uma produção cada vez mais sustentável, ou seja, maximizando os recursos usados e produzindo cada vez mais. Na parte ambiental apoiamos a cadeia produtiva na busca de soluções inteligentes, visando o cumprimento da legislação. A sustentabilidade é uma jornada sem volta e sempre há espaço para a introdução de melhorias.
Estudo feito por pesquisadores da USP indica que poluição de rios do reservatório Itupararanga promove graves alterações na represa da região de Sorocaba (divulgação)
Agência FAPESP – O reservatório Itupararanga, localizado na bacia hidrográfica do rio Sorocaba, nas proximidades dos municípios de Votorantim e Ibiúna, desempenha um papel estratégico no abastecimento de água e geração de energia para cidades do interior paulista como Sorocaba, Votorantim e São Roque e na gestão dos recursos hídricos do Estado de São Paulo.
Um Projeto Temático de pesquisa, realizado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da FAPESP, constatou que a qualidade da água do manancial tem sofrido alterações significativas, causadas pelo avançado estado de degradação de alguns de seus afluentes. Isso, de acordo com os pesquisadores, pode interferir no abastecimento de água dos municípios da região.
“Observamos que a qualidade da água do manancial vem se deteriorando rapidamente, o que é um problema grave uma vez que se trata de um reservatório estratégico para o abastecimento dos municípios da região de Sorocaba”, disse Maria do Carmo Calijuri, professora da EESC e coordenadora do projeto à Agência FAPESP.
Na pesquisa, o grupo compartimentalizou o reservatório, construído pela empresa de geração e transmissão de energia Light em 1911, e realizou coletas de amostras de água para identificar quais os organismos e compostos estão presentes no manancial.
As análises das amostras revelaram a existência de comunidades de macrófitas – plantas aquáticas indicadoras de poluição – principalmente nos braços alimentados pelos córregos do Paruru, Ressaca e Campo Verde, situados próximos aos municípios de Ibiúna e Piedade.
Segundo os pesquisadores, esses braços (desembocaduras) do reservatório recebem grande quantidade de esgoto doméstico. Dessa forma, tornam-se os maiores contribuidores para a deterioração da qualidade da água da represa, juntamente com os rios Sorocamirim e Sorocabuçu, que são os principais formadores do reservatório e também causam impactos negativos no manancial.
“A água desses braços, que é misturada e entra aos poucos no reservatório, está apresentando uma carga muito grande de poluentes. A mistura da água no corpo central e os processos naturais de depuração contribuem para a melhoria da qualidade da água da represa, como um todo. Mas alguns braços estão muito comprometidos”, disse Calijuri.
A constatação de pesquisa de que os braços do reservatório são atualmente os maiores contribuintes do estado de poluição da represa contraria a falsa percepção que havia até então de que as áreas no entorno da represa seriam as grandes responsáveis pela poluição do manancial.
Uma das margens do reservatório ainda está preservada com mata nativa. A outra margem foi ocupada por propriedades rurais, onde se cultivam verduras, milho, morango, cebola, batata e tomate, além de haver algumas áreas de pastagem.
Entretanto, segundo a pesquisa, a maior parte da carga de poluentes que entra no reservatório vem dos afluentes da represa, onde se concentram indústrias de diversos setores, além de condomínios residenciais, chácaras e casas de veraneio, que despejam esgoto in natura diretamente nos rios e córregos, sem tratamento adequado.
“A carga pesada de poluentes que entra no reservatório vem dos rios tributários da represa. Não que a carga difusa de poluentes gerados pela atividade agrícola que entra na represa não contribua para sua deterioração, mas a carga pontual de poluentes dos afluentes é que modifica muito rapidamente a qualidade da água do reservatório”, afirmou Calijuri.
Gestão integrada dos recursos hídricos
Os resultados do estudo até o momento revelam que o reservatório apresenta um estado mesotrófico – com cargas de fósforo e nitrogênio que terão implicações na qualidade da água, aumento da produtividade primária e ocorrência de florações de fitoplâncton (algas) potencialmente tóxicas, inviabilizando os múltiplos usos do reservatório.
De acordo com Calijuri, os resultados parciais do estudo, que indicam a deterioração da qualidade da água do reservatório Itupararanga, podem contribuir para a gestão integrada dos recursos hídricos da bacia hidrográfica do rio Sorocaba.
“O manejo adequado das microbacias existentes contribuirá para melhorar a qualidade da água do reservatório”, disse Calijuri.
O reservatório é utilizado para abastecimento de água dos municípios de Votorantim e Sorocaba, e sua área de drenagem abrange as cidades de Alumínio, Cotia, Ibiúna, Mairinque, Piedade, São Roque, Vargem Grande Paulista e Votorantim.
João Lacerda/ Instituto AlanaFeira de Trocas de Brinquedos promovida pelo Instituto Alana no Parque do Ibirapuera
MMA faz campanha para reforçar a relação entre consumo e meio ambiente, alertando para os danos que o modo de vida da população já causou ao planeta. Alvo são as crianças e os adolescentes.
Letícia Verdi
Como divertir as crianças sem ter que comprar um brinquedo novo ou levá-las a um parque de diversões ou a um shopping? Para muitos pais, trata-se de um dilema. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com o Instituto Alana, tem dicas para fugir de programas caros para o bolso e para o meio ambiente. A parceira do MMA neste projeto é uma organização sem fins lucrativos que, entre outras atribuições, desenvolve atividades em prol da defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes relacionadas a relações de consumo em geral.
Neste mês de férias,quando as crianças têm mais tempo livre e os pais precisam entretê-las, cabe uma reflexão sobre o tema. O esforço de ambos resultará em um exemplar da série Cadernos de Consumo Sustentável, sobre a importância de proteger a infância dos apelos da publicidade e do consumo de massa, a ser lançado ainda este ano. "A educação deve estar não só nas escolas, também na mídia e nas ruas", afirmou a gerente de projetos da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, Fernanda Daltro.
OBESIDADE
Segundo estudos da ONG parceira do MMA, o consumo exacerbado, da forma como está hoje, gera aumento de resíduos no meio ambiente, por um lado, e obesidade infantil, por outro. Além disso, diminui as brincadeiras criativas, leva a uma erotização antes da hora e à "adultização" da infância e incentiva o consumo precoce de álcool e tabaco, o que gera violência e estresse familiar.
Para o MMA, as crianças devem ser orientadas desde pequenas para os valores da sustentabilidade, que representam a preocupação da humanidade com a qualidade de vida no planeta. Os atuais modelos de produção e consumo em massa exaurem os recursos naturais, poluem o ar e água e geram montanhas de lixo.
"Se as crianças aprenderem a consumir de maneira sustentável, serão importantes transformadores sociais", destaca Fernanda Daltro. A publicação também aborda a publicidade dos alimentos direcionados ao público infantil. As propagandas vendem esses alimentos de forma divertida, com personagens de TV estampados nas embalagens, mas pouco ou nada nutritivos, ricos em açúcar, gordura hidrogenada e conservantes.
As embalagens jogadas no lixo geram um acúmulo de plástico que impactam o meio ambiente. Segundo alertam o Instituto Alana e o MMA, não temos garantias de que o brinquedo distribuído junto com o lanche infantil nos fast foods tenha sido produzido com respeito às legislações ambiental e do trabalho.
COMO PROCEDER
Ocupar espaços públicos como praças e parques: estar ao ar livre, ter espaço para correr livremente, tudo isso é fundamental para a saúde física e mental da criança. Incentiva a socialização e o cuidado pelo bem que é de todos.
Trocar ao invés de comprar: economiza e desenvolve o senso de comunidade. Um brinquedo que não tem mais graça para uma criança pode ter para outra. Essa atitude gera menos resíduo e gasta menos energia.
"Ganhou um, doou outro": para cada coisa nova que a criança ganha, ela doa uma que já tenha. As férias são um ótimo momento para fazer uma "limpa" no armário e nas estantes. A semana do aniversário da criança também é uma boa data. Estimula o desapego e o não materialismo, além de educar para a solidariedade.
Estar em contato com a natureza: tudo no meio natural desperta a curiosidade das crianças, desde o caminho das formigas até o desabrochar de uma flor, as frutas nas árvores, o curso de um rio caindo pela cachoeira. O contato com a natureza é e sempre foi prazeroso e fundamental para o espírito humano.
NÚMEROS
4, 5 horas por dia é a média de tempo que as crianças brasileiras passam tempo em frente à televisão. Esse hábito consome energia elétrica, aumenta o sedentarismo e contribui para o consumismo.
64% dos anúncios televisivos às vésperas do Dia das Crianças de 2011 eram direcionados às crianças (fontes: Universidade Federal do Espírito Santo e Instituto Alana)
15% da população infantil estão obesos, segundo o IBGE. De 1977 para cá, esse percentual dobrou. O motivo: aumento do consumo dos alimentos industrializados, saborosos mas pobres em nutrientes.
62% dos adolescentes brasileiros são expostos todos os dias à publicidade de bebidas alcoólicas. Entre 12 e 14, os adolescentes começam a consumir bebidas alcoólicas no Brasil (fonte: Unifesp, 2009)
Mais um impasse entre o governo e a bancada ruralista, desta vez, sobre a preservação de áreas nas cidades, contribuiu para o adiamento, pela terceira vez, da apresentação do parecer do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) sobre a MP (Medida Provisória) que reformula o Código Florestal.
A medida foi enviada ao Congresso após a presidente Dilma Rousseff vetar parte do projeto aprovado pelos parlamentares.
O texto deveria ter sido analisado nesta segunda-feira na comissão mista do Congresso (com deputado e senadores) que discute a MP. Sem apoio para as mudanças realizadas, Luiz Henrique cancelou a discussão e prometeu entregar o relatório amanhã.
Diante da resistência do governo e um racha na bancada ruralista, a análise do parecer pode ficar para o segundo semestre, depois do recesso parlamentar.
A ministra Izabela Teixeira (Meio Ambiente) não quis dar detalhes das negociações, mas defendeu a manutenção do texto da MP. "A posição do governo é favorável ao texto da MP. Se a gente quisesse fazer qualquer coisa diferente, teria incluído na MP", afirmou a ministra à Folha.
A área ambiental do governo ficou incomodada com uma mudança feita pelo relator que deixa apenas para o Plano Diretor dos municípios a decisão sobre o limite que terá que ser preservado nas chamadas APPs (Áreas de Preservação Permanente) nas cidades.
A MP determina que, em áreas urbanas, as faixas de qualquer curso d´água natural terão sua largura delimitada pela lei de uso do solo "sem prejuízo" do que já prevê o código, considerando o tamanho de cada rio. No código, os limites vão de 30 metros a 500 metros, dependendo da dimensão do rio.
O governo argumenta que as faixas pretendem normatiza o uso das terras para evitar desastres naturais.
"Os radicais da bancada ruralista estão cometendo um crime", disse o senador Jorge Viana (PT-AC), que relatou o código no Senado. "Querem tirar a proteção ambiental das cidades. Isso é um absurdo. É preciso lembrar que 84% da população vivem nelas", completou.
Luiz Henrique disse que não vê problema na mudança. "Não é que fica sem lei, sem norma. As cidades terão que obedecer o que determina a lei municipal, terão que ser ouvidos os Conselhos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente", justificou.
O relator terá uma reunião no Planalto maraca para esta terça-feira com os ministros envolvidos na discussão. Ontem, além de Izabella, as ministras Gleisi Hoffman (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) dispararam telefonemas para Luiz Henrique pedindo mais tempo para analisar seu parecer preliminar.
Nem mesmo a solução apresentada pelo peemedebista para o reflorestamento de margens de rios em propriedades rurais médias foi confirmada.
Como a Folhamostrou hoje, o relator iria manter a determinação de recompor 20 metros de APP para margens de rios de 10 metros, desde que não ultrapassasse 25% do total do imóvel. A ideia recebeu aval de técnicos dos ministérios.
Ontem, parte dos ruralistas rejeitou a proposta e insistiu baixar para 15 m a recuperação de fazendas de 4 a 10 módulos.
Sem sustentação, Luiz Henrique disse que vai buscar uma nova saída. "Fica equilibrado dar um gatilho de 20% para os médios produtores".
SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Toneladas de ouro e prata vão parar no lixo. 06/07/2012. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=toneladas-ouro-prata-vao-parar-lixo. Capturado em 10/07/2012.
Com informações da Agência Fapesp - 06/07/2012
Tesouro desprezado
O lixo eletrônico é um problema sério, mas também é um recurso valioso.
Segundo instituições ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 320 toneladas de ouro e 7,5 mil toneladas de prata são utilizadas anualmente para a produção de aparelhos eletrônicos como computadores, tablets e celulares.
O valor dos metais empregados soma cerca de US$ 21 bilhões - US$ 16 bilhões em ouro e US$ 4 bilhões em prata - a cada ano.
E, quando os aparelhos são descartados, menos de 15% do ouro e da prata são recuperados.
O resultado do acúmulo constante é que o lixo eletrônico mundial contém "depósitos" de metais preciosos de 40 a 50 vezes mais ricos do que os contidos no subsolo, de acordo com dados apresentados na semana passada em reunião organizada pela Universidade das Nações Unidas e pela Global e-Sustainability Initiative (GeSI) em Gana, África.
Ouro e prata no lixo
As quantidades de ouro e prata que vão parar no lixo aumentam à medida que crescem as vendas de aparelhos como os tablets, cujas vendas em 2012 deverão chegar a 100 milhões de unidades em todo o mundo, número que deverá dobrar até 2014.
Produtos elétricos e eletrônicos consumiram 197 toneladas em 2001, equivalentes a 5,3% da oferta mundial do metal.
Em 2011, foram 320 toneladas, com 7,7% do total disponível.
Apesar do crescimento de cerca de 15% na oferta de ouro na última década, o preço do metal disparou, aumentando cinco vezes entre 2001 e 2011, segundo o levantamento.
Lixo eletrônico como recurso
"Em vez de olharmos para o lixo eletrônico como um fardo, precisamos encará-lo como uma oportunidade", disse Alexis Vandendaelen, representante da Umicore Precious Metals Refining, da Bélgica, durante o evento.
De acordo com os especialistas, além de melhores padrões de consumo sustentável, os sistemas de reciclagem precisam melhorar para lidar com o novo tipo de lixo, mais valioso, porém mais difícil de trabalhar do que plástico ou papel.
De acordo com o levantamento feito pela GeSI e pela iniciativa Solving the E-Waste Problem (StEP) - que envolve organizações da ONU, da sociedade civil e empresas -, cerca de 25% do ouro é perdido e não pode ser recuperado por conta dos processos de desmanche empregados nos países mais desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, o total inviabilizado chega a 50%.
Metais no lixo eletrônico
Para os especialistas presentes na reunião em Gana, o lixo eletrônico não deve ser encarado como lixo, mas como recurso, uma vez que representa uma importante fonte de renda e sua reciclagem é fundamental para a preservação do ambiente e para o desenvolvimento sustentável.
E isso não se aplica apenas ao ouro e à prata, mas a diversos outros metais, como cobre, paládio, platina, cobalto ou estanho, contidos nos produtos eletrônicos descartados.
"Precisamos recuperar elementos raros de modo a poder continuar a fabricar produtos de tecnologia da informação, baterias para carros elétricos, painéis solares, televisores de tela plana e uma infinidade de outros produtos populares", disse Ruediger Kuehr, secretário executivo da StEP.
"Um dia - espero que mais cedo do que tarde -, as pessoas vão olhar para trás e perguntar como foi que nós conseguimos ser tão cegos e desperdiçar tanto nossos recursos naturais", disse Kuehr.
O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, participou, nesta segunda-feira (09;07) em Londres, de várias reuniões no Building Research Estabilishment (BRE) para conhecer e discutir sobre as inovações tecnológicas na construção civil. As experiências desenvolvidas pelo Building Research Estabilishment (BRE), instituto criado em 1921 voltado para o desenvolvimento de tecnologias para a construção civil, com foco na sustentabilidade, conforto e qualidade de vida dos seus moradores.
As técnicas de sustentabilidade indicadas pelo BRE foram utilizadas na construção do Estádio Oíimpico, centro dos principais jogos da Olimpiadas de Londres. Com pequenas mudanças na compra de materiais para a obra, foi possível reduzir em 33% a emissão de carbono. “Vamos estudar a forma de ampliar a parceria entre o Brasil e o Reino Unido nesta área de construção sustentável e na oportunidade de investimento para os dois países”, disse o ministro durante a visita.
Os técnicos do BRE apresentaram todos os estágios de construção sustentável: novos materiais, testes e monitoramento e métodos modernos de construção. Uma delas é construir casas com paredes erguidas com camadas de lã de carneiro e caucário misturado com resíduos da agricultura. O BRE já desenvolve no Brasil um projeto de construção de um parque tecnológico, em Brasília, para inovações tecnológicas para habitação de interesse social. “Temos especial interesse no desenvolvimento deste projeto”, disse o ministro.
Ainda no BRE, o ministro conheceu o projeto de casas sociais desenvolvido pela Fundação do Príncipe, apoiada pelo príncipe Charles. O diretor da fundação Tim Goodwin, disse que a casa tem modelo sustentável e atende ao padrão inglês de moradia, por exigência do príncipe. Materiais reciclados também foram utilizados na construção dos móveis e outros equipamentos da casa.
O ministro também visitou a casa construída com PVC, Cub House, também com padrões sustentáveis, qualidade e conforto. Além de projetos de construção que produz energia elétrica a partir do movimento de caminhar dos moradores. A visita foi acompanhada pela secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, e o secretário Nacional de Acessibilidade, Leodegard Tiscoski. “Vamos estudar as experiências para ver como podemos adaptá-las a nossa realidade”, disse o ministro.
A agenda desta segunda-feira em Londres, terminou com um rápido encontro com o ministro de Comércio e Investimento, Lord Green. Nesta terça (10), o ministro Aguinaldo Ribeiro inicia sua agenda com uma reunião com o ministro para a Descentralização e Cidades, Greg Clark, e a diretora de Habitação, Terrie Alafat. À tarde, ele estará com os técnicos da Aecom, empresa que ganhou a concorrência para desenvolver o Plano Diretor do Parque Olímpico do Rio de Janeiro e Londres. Na pauta, temas como desenvolvimento urbano e projetos de revitalização dos projetos olímpicos, água, resíduos e saneamento básico, além de desenvolvimento sustentável e estratégias de energia.
Um dos países mais poluidores do mundo, a China, liderará o crescimento na produção de energia renovável. Este progresso ocorrerá nos próximos cinco anos e o país ficará à frente de Estados Unidos, Índia e Alemanha.
O crescimento será de 40% em geração de energia sustentável, afirma um estudo publicado pela Agência Internacional de Energia (AIE). O número representa cinco vezes mais que a progressão esperada nos Estados Unidos, sete vezes mais que a da Índia, oito vezes mais que a da Alemanha e 18 vezes mais que a da França.
Estima-se que a capacidade de produção elétrica da China até 2017 seja de 710 gigawatts. Deste total, 270 gigawatts de fazendas eólicas e outros parques solares serão conectados na China. "A China é o mercado de desenvolvimento central", afirma Didier Houssin, diretor da prospectiva de mercados de energia da AIE. Segundo ele, o país é impulsionado "pela explosão da demanda de eletricidade e das inquietações políticas sobre a segurança energética que impulsionam a diversificação das fontes".
Atualmente, há 10 fabricantes mundiais principais de módulos fotovoltaicos, sendo que sete são chineses e mais quatro indústrias no setor eólico, de acordo com o relatório da AIE. Devido à crise financeira, a Europa vive o processo inverso. A tendência é que o crescimento diminua nesta área.
Por exemplo, a Espanha deve desacelerar o seu crescimento de produção de energia eólica, sendo que o país é um dos pioneiros europeus neste setor. Já na França, a capacidade em geração de energia renovável deve aumentar. Em especial, a eólica e a solar.
Em geral, a produção de energia sustentável pode aumentar 5,8% a cada ano. O crescimento da produção de energia eólica ou solar registra uma progressão de 14%. Com informações do Terra.