quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ambientalistas pregam decrescimento econômico


SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Ambientalistas pregam decrescimento econômico. 12/04/2012. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=ambientalistas-pregam-decrescimento-economico. Capturado em 18/04/2012.

Paula Adamo Idoeta - BBC - 12/04/2012




Correntes ambientalistas
Enquanto países afetados pela crise se esforçam para voltar a crescer, e os emergentes, como o Brasil, fomentam seu mercado de consumo interno, há um movimento defendendo o "decrescimento econômico" como a única forma de garantir a sustentabilidade do planeta a longo prazo.
O decrescimento (degrowth, em inglês) significaria tirar as economias globais da "perpétua busca pelo crescimento" do Produto Interno Bruto (PIB), reduzindo a escala de produção e consumo, distribuindo melhor recursos e trabalho, com a meta de criar uma economia mais sustentável e frear o uso de recursos naturais.
A proposta não é exatamente nova - já vem sendo defendida há alguns anos por correntes ambientalistas -, mas ganhará repercussão com uma conferência sobre o tema em Montreal, em maio, e com o encontro Rio+20, em junho, que reunirá delegações de todo o planeta para discutir sustentabilidade.


Desenvolvimento demais
Em relatório recém-lançado, o instituto de pesquisas ambientais WorldWatch Institute, dos EUA, dedica um capítulo para defender o decrescimento "nos países que se desenvolveram demais", ou seja, onde o consumismo e a dívida tomaram proporções excessivas.
O autor do capítulo, Eric Assadourian, um dos diretores do instituto, defende que, "países e populações superdesenvolvidos terão que proativamente buscar o decrescimento, ou seguir no caminho atual até que o litoral se inunde (por conta do aquecimento global) e outras grandes mudanças ecológicas os forcem a não crescer".
Em entrevista à BBC Brasil, Assadourian explica como esse "decrescimento" poderia ser aplicado na prática, reconhecendo que seria necessária uma significativa mudança na forma como pensamos a economia e o consumo.
O que o senhor quer dizer com o "decrescimento em países superdesenvolvidos"?
Eric Assadourian - Países com altos índices de desenvolvimento, como os EUA, abraçam demais o consumismo, apresentam altas taxas de obesidade, excessivo uso de automóveis, tudo isso às custas do meio ambiente.
Como esse decrescimento ocorreria, considerando que vemos o consumo como sinônimo de prosperidade?
Eric Assadourian - São quatro pontos-chave:
  1. Transformar a indústria do consumo, tornando a ideia da vida sustentável tão natural quanto a ideia de consumir. Por exemplo, a noção de que cada um de nós tem que ter um carro próprio é antiquada;
  2. Redistribuir os impostos, cobrando mais de indústrias que poluem, da publicidade (que fortalece o consumismo) e de quem ganha além do necessário para a sobrevivência básica;
  3. Reduzir as jornadas de trabalho, dando às pessoas mais tempo, redistribuindo riquezas e gerando mais empregos;
  4. Fortalecer a chamada "economia da plenitude", em que as pessoas plantam mais para prover para sua própria alimentação, cuidar de sua família, aprender novas habilidades, e os recursos são melhores usados. Se podemos produzir um livro da série "Jogos Vorazes", para ser usado por milhares pessoas em uma biblioteca, porque produzir 10 mil para serem comprados por milhares de pessoas? Teríamos um uso mais eficiente, com a mesma qualidade.

Mas haveria uma perda econômica, não? A autora deixaria de vender milhões de livros.
Eric Assadourian - Sim, mas teríamos milhares de árvores de pé.
E as pessoas confundem consumo com prosperidade, mesmo que a maioria não esteja próspera. Acumulamos sacrifícios escondidos - por exemplo, na questão da mobilidade. Em vez de andar 400 metros, muitos preferem usar um carro, objeto que custará dois meses de seu trabalho, provocará poluição e ficará parado no trânsito.
Acho que o decrescimento nos deixaria mais ricos. Ganharíamos em tempo e qualidade de vida.
Ao mesmo tempo, Barack Obama recentemente comemorou indícios de retomada da indústria automobilística dos EUA, o que reforçaria o crescimento da economia americana em geral. Isso não mostra o quanto a política econômica vai na contramão do que você falou?
Eric Assadourian - Estamos presos num mito de que o crescimento econômico é essencial; a imprensa fica horrorizada se não há crescimento. Se eu fosse um líder lidando com uma recessão, não buscaria o crescimento.
Veja, por exemplo, que, com a crise dos EUA, cresceu o número de casas multigeneracionais (filhos morando com pais e avós, por exemplo). Isso estreita os laços e promove economia de gastos com creche e cuidados médicos, porque um ajuda o outro. Assim, temos menos hipotecas e menos gastos, o que pode ser visto como algo ruim para o crescimento econômico. Mas também temos menos pobreza e estamos fazendo mais com menos dinheiro.

Esse seria o lado bom da recessão?
Eric Assadourian - Decrescimento não é o mesmo que recessão. O decrescimento é como uma dieta controlada, em que o objetivo é ficar mais saudável. A recessão é como passar fome. Agora, para fugir da recessão, estamos (os EUA) comendo loucamente de novo, com uma grande parcela da população trabalhando demais e outra sem emprego.
Os países emergentes estão estimulando o consumo interno - algo que, no caso do Brasil, ajudou o país a não ter sido tão afetado pela crise mundial. O decrescimento vale para emergentes?
Para eles, a questão não é apenas decrescer, mas sim combinar isso com crescimento verde - num mix de políticas públicas, que desestimulem a posse individual de carros para desafogar as cidades, melhoras no transporte público e desenvolvimento que não prejudique o meio ambiente. Talvez sua busca tenha de ser por progresso, em vez de crescimento econômico.

Dá para convencer um consumidor normal a pensar em termos de decrescimento?
Eu iria pelo caminho do choice editing (direcionar as escolhas das pessoas por meio da ação do marketing, políticas públicas, etc).
É fascinante como temos pouco controle sobre nossas escolhas, como elas são determinadas inconscientemente. Atualmente, elas são direcionadas para estimular o consumo. Temos que quebrar esse processo, direcionando-o para (promover um estilo de vida) de baixo consumismo.

Você tem as expectativas de que alguma decisão nessa direção seja tomada na Rio+20?
Gostaria de dizer que sim, mas não espero esse nível de decisão política da reunião. Se conseguirmos retomar algum tipo de acordo para o clima, já será muito.

Zeladoria de Praças: Uma ótima iniciativa!


Zeladoria de Praças recebe prêmio em concurso do Ministério do Meio Ambiente

O projeto "Zeladoria de Praças" recebeu menção honrosa do Prêmio Boas Práticas em Sustentabilidade Ambiental Urbana, promovido pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.



O projeto Zeladoria de Praças, fruto de uma parceria entre as secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, do Verde e Meio Ambiente e da Coordenação das Subprefeituras, recebeu menção honrosa do Prêmio Boas Práticas em Sustentabilidade Ambiental Urbana, promovido pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.



A premiação ocorreu durante o 1º Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável: pequenos negócios, qualidade ambiental urbana e erradicação da miséria. O Encontro coroou 16 experiências avaliadas e condecorou com menção honrosa outras nove iniciativas entre 124 projetos municipais de todo o país.

O objetivo do evento foi de premiar as experiências exitosas em âmbito municipal difundindo políticas públicas criativas, eficazes e replicáveis. As experiências condecoradas, inclusive a Zeladoria de Praças, deverão ser apresentadas durante a Conferência Rio 20, em junho desse ano.

Os projetos foram divididos em diferentes eixos temáticos e a comissão julgadora escolheu os melhores. O projeto Zeladoria de Praças concorreu pelo eixo temático Áreas Verdes Urbanas e Gestão de Áreas de Preservação Permanente.



O Projeto

O Zeladoria de Praças começou em 2008 e atende, hoje, 1.219 pessoas de baixa renda, desempregados e moradores do entorno das praças e das áreas verdes, os quais recebem aulas em práticas de jardinagem visando cuidar da limpeza e manutenção cotidiana da vegetação, além de pequenos reparos das quase 2 mil praças de 24 Subprefeituras da cidade. Os zeladores podem permanecer no Projeto por até 24 meses recebendo auxílio mensal de R$ 653,10 pago pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, por meio do Programa Operação Trabalho (POT).

A iniciativa permite aos participantes um melhor conhecimento dos problemas que afetam a área, facilita o acesso e a interlocução com os usuários e a população local e garante a oferta de área de lazer com plenas condições de uso, para o cidadão.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O excedente na geração de energia nas residências, com painéis solares ou geração eólica, podem ser trocadas com as distribuidoras!


17/04/2012 - 17h58

Aneel cria regra para facilitar geração elétrica distribuída


SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

A diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou nesta terça-feira resolução que facilitará a geração de energia distribuída (gerada próximo ao local de consumo ou na própria instalação). Isso inclui a geração de energia nas residências, com painéis solares ou geração eólica, por exemplo, e a troca dessa energia com as distribuidoras.
A norma aprovada hoje cria o Sistema de Compensação de Energia, que permite ao consumidor instalar pequenos geradores em sua unidade consumidora e trocar energia com a distribuidora local. A regra é válida para geradores que utilizem fontes renováveis de energia.
As distribuidoras terão até 240 dias, após a publicação da resolução, para se adaptar. Elas terão que elaborar ou revisar normas técnicas para tratar do acesso desses pequenos geradores.
As residências que produzirem energia poderão injetar o excedente de sua produção para a distribuidora. Essa energia cedida vai gerar um crédito na distribuidora para ser abatido da conta nos meses sequentes.
Os créditos poderão ser utilizados em um prazo de 36 meses e as informações, como o saldo de energia, estarão na fatura do consumidor.
O consumidor, se quiser, pode instalar uma minigeração distribuída. Ele deverá entrar em contato com a distribuidora e arcar com os custos da instalação, que inclui equipamento de medição que calcula o quanto entra e sai de energia. Os equipamentos convencionais calculam apenas o quanto entra de energia na residência.
Após a adaptação, a distribuidora será responsável pela manutenção, incluindo os custos de eventual substituição de equipamentos.
De acordo com a Aneel, a geração distribuída pode proporcionar economia dos investimentos em transmissão, redução das perdas nas redes e melhoria da qualidade do serviço de energia elétrica.

ONU critica falta de liderança do Brasil


7/04/2012 - 09h43


CLAUDIO ANGELO
ENVIADO ESPECIAL AO RIO

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1077166-onu-critica-falta-de-lideranca-do-brasil.shtml


O subsecretário-geral das Nações Unidas Achim Steiner criticou ontem o Brasil por mandar "sinais trocados" nas negociações da Rio+20 e cobrou liderança do país anfitrião da conferência da ONU.
Para ele, as preparações "não estão onde deveriam estar" e, na cena internacional, já se começa a comparar a Rio+20 com a fracassada conferência do clima de Copenhague. Alemão nascido no Rio Grande do Sul, Steiner é diretor-executivo do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente).
Ele falou durante um evento do Ministério do Meio Ambiente, no Rio, onde foi debatida governança ambiental, um dos eixos da conferência.
O Itamaraty, que conduz a negociação em nome do governo brasileiro, não mandou representantes ao evento.
Habibou Bangre-11.out.11/France Presse
Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente)
Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente)
"O mundo não está discutindo a Rio+20 como discutiu a Rio-92", afirmou, dizendo que uma posição mais proativa do Brasil é um dos fatores capazes de transformar a reunião de junho numa cúpula de fato, "e não numa mera conferência" da ONU.
Um dos alvos da crítica é a relutância do país em apoiar a transformação do Pnuma em agência independente da ONU, como a Organização Mundial da Saúde.
Segundo ele, a importância da questão ambiental hoje torna necessário aumentar o poder dos ministros do Ambiente de influir na chamada "governança" internacional, pautando ações de governos.
Ministros da Saúde têm esse poder, via agências como a OMS. Mas o Pnuma não tem capacidade análoga.
Segundo Steiner, um Pnuma "turbinado" também ajudaria a tornar mais eficiente a governança ambiental.
Hoje existem cerca de 500 convenções ambientais na ONU. Só as 14 mais importantes demandaram, na conta do subsecretário, mais de 800 dias de reuniões em 2011. Uma agência como a OMS resolve alguns assuntos com meras resoluções, disse.
A criação da nova agência foi proposta pela União Europeia e conta hoje com a adesão de mais de 120 países.
O Brasil tem se posicionado de forma dúbia a respeito para não se indispor com países como os EUA, que não querem uma nova agência -e cuja participação é vital para o sucesso da Rio+20.
"O Brasil pode fazer uma de duas coisas: colocar-se ao lado dos países que querem mudar o mundo ou manter o status quo", disse Steiner. "Não estou dizendo que uma agência é a melhor solução, mas, se você tem uma ideia melhor, coloque-a na mesa."

terça-feira, 17 de abril de 2012

Santa Gertrudes sofre com a poluição do ar do pólo cerâmico


16/04/2012 - 08h38

Cidade pacata do interior de São Paulo tem poluição de Cubatão


A pequena e tranquila cidade de Santa Gertrudes tem níveis de poluição semelhantes ao de Cubatão, conhecida há décadas como o município mais poluído do Estado de São Paulo. O problema existe porque a cidade está no epicentro de um dos maiores polos cerâmicos do mundo.

Na média, o ar da cidade é classificado diariamente pela Cetesb como inadequado. A escala vai de péssimo, má, inadequado, regular a boa.
O ar ruim impacta a saúde de todos os habitantes do local que está contaminado. Crianças, idosos e pessoas com problemas cardíacos ou respiratórios podem, até, sofrer com bastante gravidade. Pouco mais de 20 mil habitantes vivem em Santa Gertrudes.

Jorge Araujo/Folhapress
Ao fundo, chaminés de fábricas de cerâmica na pacata cidade de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo
Ao fundo, chaminés de fábricas de cerâmica na pacata cidade de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo







Cidade pacata tem poluição de Cubatão

São Paulo, segunda-feira, 16 de abril de 2012Cotidiano

Dados da Cetesb mostram que a pequena Santa Gertrudes é a segunda pior do Estado em índices de poeira fina
Principal problema da região é a grande atividade industrial; área tem o maior polo cerâmico do Brasil

Joel Araújo/Folhapress
Ao fundo, chaminés de fábricas de cerâmica em Santa Gertrudes, no interior de São Paulo
Ao fundo, chaminés de fábricas de cerâmica em Santa Gertrudes, no interior de São Paulo

EDUARDO GERAQUE

ENVIADO ESPECIAL A SANTA GERTRUDES
Sentado em uma esquina na avenida Um, a principal via da pacata Santa Gertrudes, o vendedor de loteria responde sem pensar: "Nossa, a poluição aqui é horrível. Seca a garganta e o nariz".
A percepção de Antônio Chelo é agravada pelo fato de ele não morar na cidade. "Sou de Pirassununga. Venho trabalhar com comércio duas vezes por semana", diz.
O céu azul e o dia quente de outono podem indicar que o tempo seco é o único responsável pela sensação de desconforto do visitante.
Mas dados oficiais da Cetesb, a agência ambiental estadual, mostram o real problema da pequena e muito tranquila Santa Gertrudes (167 km de SP), onde residem pouco mais de 20 mil habitantes.
No ano passado, os índices de material particulado (poeira fina, na maior parte dos casos) mostram que, neste item, a cidade tem níveis de poluição semelhantes ao da famosa Cubatão -há décadas, a mais poluída do Estado.
Isso faz de Santa Gertrudes a segunda colocada, à frente de todos os grandes centros urbanos, incluído a capital.

POLO CERÂMICO
O problema existe porque a cidade está no epicentro de um dos maiores polos cerâmicos do mundo. Como as indústrias deste setor trabalham muito com argila, por exemplo, o pó fino acaba se espalhado por todo lugar.
Inclusive dentro de nariz, garganta e pulmão das pessoas que vivem ali.
Na média, o ar da cidade é classificado diariamente pela Cetesb como inadequado. A escala vai de péssimo, má, inadequado, regular a boa.
O ar ruim impacta a saúde de todos os habitantes do local que está contaminado. Crianças, idosos e pessoas com problemas cardíacos ou respiratórios podem, até, sofrer com bastante gravidade.
"Moro num bairro um pouco mais alto. Lá dá para ver a poeira fina se espalhando", diz Carolina Rodrigues, dentro do pronto-socorro de Santa Gertrudes, que está ao lado de uma fábrica de cerâmica.
"Minha filha sempre tem algum probleminha. Agora, por exemplo, está com conjuntivite", diz, apontando a garota de três anos que está com os dois olhos bastante inchados.
Ao contrário de Cubatão, onde existe muita fumaça e vários poluentes na atmosfera, em Santa Gertrudes o pó fino aparece nos detalhes. Ele é praticamente invisível em grande parte do tempo.
"Em casa, limpamos tudo de manhã. À tarde está tudo empoeirado novamente. Nasci e me criei aqui, por isso estou acostumado. Nunca tive problema com a poluição", diz Hélio Bernardi Jr., que, como metade da população, trabalha na cadeia da cerâmica.
E, portanto, defende com fervor a presença das fábricas.









Energia renováveis: vale tudo por elas?



Por Jean Marc Sasson* 

Às vésperas da Rio+20 cujo tema central será aEconomia Verde, se discutirá como um dos objetivos para as próximas décadas a mudança na matriz energética mundial de combustível fóssil para energia limpa.
Já é notório, no entanto, que as energias renováveis vêm ganhando cada vez mais importância no cenário mundial. Os investimentos saltaram de US$ 162 bilhões em 2009 para US$ 240 bilhões em 2011. A China, até outrora o maior poluidor mundial em razão de suas inúmeras termelétricas, é hoje a maior investidora em energia limpa do mundo.
O Brasil, por sua vez, cuja matriz energética já é limpa, será em 2013 o décimo maior investidor em eólicas e continuará, ainda, ampliando suas fontes hidrelétricas com projetos na região Norte e através de parcerias com países sul-americanos como Argentina e Peru. Inclusive, foi considerado junto com Nicarágua e Panamá em recente estudo elaborado pela Bloomberg New Energy Finance – Climascópio 2012 – a pedido do Fundo Multilateral de Investimentos, membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como um dos países com maior capacidade para atrair investimentos em energia limpa da América Latina e Caribe.
É importante e salutar este investimento brasileiro em renováveis. Já somos a sexta maior economia mundial e precisamos de energia para continuar progredindo. Mas o caminho que estamos trilhando, aparentemente sustentável, vem sendo realizada de forma tirânica, atentando contra os princípios republicanos e democráticos. O Poder Público vêm impondo a construção de empreendimentos independente de consultas públicas à população nacional e local. Quando discutimos sustentabilidade, pensamos no tripé social, econômico e ambiental. Contudo, estão sendo flexibilizados em nome do desenvolvimento nacional.
Vemos a vertente social ser violada quando minorias não são consultadas no processo licenciatório, quando são desalojadas por uma pequena indenização em detrimento de um interesse coletivo, quando as compensações sociais exigidas são descumpridas, quando a mão-de-obra utilizada na construção não é local. Nestes momentos há uma violação brutal pelo Poder Público aos princípios constitucionais da dignidade humana e democrático.
Já na vertente econômica, apesar de propiciar certo desenvolvimento econômico regional, observamos grande desperdício da verba pública. Por exemplo, ao comparamos as usinas hidrelétricas de Belo Monte e Itaipu, percebe-se a diferença abissal do investimento em ambas. Enquanto a primeira está orçada em R$ 30 bilhões de reais (preço atual estipulado e que fatalmente será maior), Itaipu custou míseros 11,8 bilhões de dólares, sendo construída há 40 anos atrás, isto é, sem as tecnologias que dispomos hoje. Embora tenha capacidade instalada de 11 mil MW, o que a tornará a segunda maior hidrelétrica do país, Belo Monte tem energia firme (que pode ser assegurada já prevendo os períodos de seca) de 4,4 mil MW ou 40% de sua capacidade, enquanto Itaipu, a maior usina do país, tem 14 mil MW de capacidade e energia firme de 61%.
Na segunda maior atualmente, Tucuruí – que futuramente perderá a posição para Belo Monte – o percentual é de 49%. Se não considerássemos a hipótese da construção de usinas menores nesta região como a mais indicada, comparemos o custo com outras fontes de energia limpa. Nos Estados Unidos, dois projetos desenvolvidos na Califórnia de aproveitamento da energia térmica utilizando espelhos para a concentração de calor, Ivanpah e Blythe, têm a previsão da geração de 370 MW de energia firme ao custo de R$ 3,4 bilhões e 960 MW ao custo de R$ 9,6 bilhões, respectivamente.
Multiplicando o custo para geração de um megawatt nesses dois projetos de matriz solar por 4 mil megawatts médios (quantidade indicada de Belo Monte) teriam um total de R$ 38 bilhões, para o projeto de Ivanpah, e de R$ 36,7 bilhões para o Blythe. São dois projetos que teriam equivalência, ao menos em teoria, em investimento e geração de energia à Belo Monte, mas com um impacto socioambiental muito menor.
Já a vertente ambiental, tratando-se de energia renovável, é por óbvio a mais vantajosa em razão da não emissão de dióxido de carbono. Ressalta-se, no entanto, que qualquer energia renovável não está livre de impacto ambiental. Há desmatamentos, desvios de rios, impacto na fauna e flora, impacto visual e sonoro etc. Fora isso, observa-se ainda violações no campo político, violando o regime democrático, quando processos licenciatórios são acelerados por mero interesse político, despendendo menos tempo do que se faz necessário para a análise dos impactos ambientais gerados por determinado empreendimento. Sabemos que o processo licenciatório brasileiro é moroso, mais em razão da ausência de mão- de-obra especializada do que pela complexidade da análise. Mas, ainda assim, não se justifica acelerar além do necessário para cumprir metas políticas.
A verdade é que o Poder Público deve ponderar e analisar o custo-benefício nas três vertentes, independente do interesse político e particular. Não existe energia renovável perfeita e livre de impacto. Devemos utilizar o princípio do equilibro nesta análise, de modo a analisar a melhor alternativa, optando por aquela que terá o menor impacto nas três esferas.
Pensar em impacto zero ou em desenvolvimento zero é não ponderar, é não ser realista. Se desenvolver e progredir é necessário sim, mas de forma racional e sustentável.
*Jean Marc Sasson é advogado com especialização em gestão ambiental pela COPPE/UFRJ e colunista do Portal Ambiente Energia. Ele também é editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com)

Virada Sustentável 2012


16/04/2012 - 18h10

Inscrição de projetos para a Virada Sustentável de SP vai até dia 4


As inscrições para artistas, oficineiros, escolas e outras organizações participarem da segunda edição da Virada Sustentável de São Paulo vão até o próximo dia 4 de maio. O evento está programado para os dias 2 e 3 de junho.
A proposta da virada é "conscientizar a população a partir de uma abordagem alegre e inspiradora sobre o tema da sustentabilidade".
As inscrições serão feitas por meio de uma carta de adesão, que deve ser solicitada pelo e-mail adesoes@viradasustentavel.com.
O conteúdo das propostas será analisado pelo conselho curador e pela organização do evento. Se aprovado, poderá haver a disponibilização de espaços, divulgação e, em alguns casos, estrutura técnica para as atividades.
Carlos Cecconello-5.jun.11/Folhapress
O artista gráfico Binho Ribeiro realiza performance artística usando plástico de isolamento no parque Ibirapuera
O artista gráfico Binho Ribeiro em performance artística no parque Ibirapuera na virada do ano passado
Terão prioridade as propostas que tiverem caráter educativo e utilizem linguagem artística (teatro, música, cinema e artes plásticas) ou lúdica (como oficinas, gincanas, concursos culturais). Não serão aceitos projetos de conotação partidária, religiosa ou que estimulem qualquer forma de discriminação.
"O objetivo das adesões é ampliar a participação da sociedade civil nesse movimento em prol da sustentabilidade, abrindo espaço para que organizações e pessoas que trabalhem com o tema ou que queiram promover ações relacionadas tenham seu espaço garantido", afirma André Palhano, idealizador da Virada Sustentável.
A primeira edição do evento, em junho do ano passado, contou com a participação de mais de 500 mil pessoas, em 480 atividades distribuídas por várias regiões da cidade.
"A expectativa é que tenhamos quase o dobro de eventos do ano passado. Queremos a participação de escolas e universidades e a presença na periferia da cidade. Se não tiver esse caráter coparticipativo, nunca será sustentável", diz Mariana Amaral, uma das organizadoras.
A programação oficial será divulgada em maio.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Indústrias do ABCD são as que mais poluem o rio Tietê, aponta Cetesb


6/04/2012 - 07h36



ALEXANDRE POLLARA DOS SANTOS
DANILO JANÚNCIO
DO BANCO DE DADOS

As indústrias do ABCD paulista foram apontadas pela Cetesb (Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental) como as principais poluidoras do rio Tietê. Elas despejam 46,4% do total do esgoto "pesado" que o rio recebe todo dia.
Diariamente, elas lançam cerca de 1,5 tonelada por dia de efluentes inorgânicos sem tratamento no Tietê, de um total de 3,2 toneladas de poluentes despejados no rio.
Segundo a Cetesb, material inorgânico são os metais, pesados ou não, e produtos químicos resultantes de processos industriais. A poluição chega ao Tietê através do rio Tamanduateí, que atravessa três cidades da região.
Ainda segundo a Cetesb, o ABCD ocupa a segunda colocação no despejo de carga orgânica sem tratamento. Por dia, essas indústrias despejam 27,8% das 320,8 toneladas que chegam ao rio.
Seis das 10 principais indústrias lançadoras de carga inorgânica sem tratamento no Tietê ficam não ABCD. A Globo S.A. Tintas e Pigmentos, de Mauá, lidera a lista. Em quarto lugar, está a divisão Ford da Autolatina, em São Bernardo, seguida pela Aweta Produtos Químicos, de Diadema, e pela Brastemp, também em São Bernardo.
As empresas dizem que os dados da estatal estão desatualizados e que elas estão desenvolvendo projetos de controle de emissão de detritos industriais desde o ano passado.
O ranking das empresas poluidoras foi divulgado ontem. No geral, a Cetesb controla 1.224 indústrias na região metropolitana, sendo que 253 ficam no ABCD.
Luiz Carlos Murauskas-4.jan.1991/Folhapress
Aspecto da poluição que toma conta do rio Tietê; indústrias do ABCD são os maiores poluidores
Aspecto da poluição que toma conta do rio Tietê; indústrias do ABCD são os maiores poluidores

Antigos lixões de SP são monitorados para evitar explosões

14/04/2012 13h18 - Atualizado em 14/04/2012 13h18

Prefeitura e Cetesb dizem que a situação na Vila Guilherme está controlada.
MP aguarda investigação completa da contaminação do solo.



http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-paulo-mais-limpa/noticia/2012/04/antigos-lixoes-de-sp-sao-monitorados-para-evitar-explosoes.html




O lixo enterrado deixa uma herança pesada para as futuras gerações. Mesmo quando os lixões param de receber toda aquela sujeira, os aterros continuam a produzir gás metano, que é altamente inflamável. Por isso é preciso fazer um acompanhamento no local, para saber se existe risco de explosão.
Esse acompanhamento vem sendo feito na região da Vila Guilherme, na Zona Norte de São Paulo. No ano passado, o Shopping Center Norte chegou a ser interditado. Agora, seis meses depois, a Prefeitura e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) afirmam que a situação está controlada, como informaram ao SPTV deste sábado (14).
Em 1945, a área onde fica o shopping era uma cratera, que servia para a mineração de areia na Zona Norte. Em 1958, a cratera foi preenchida com terra e resíduos, entre eles, lixo doméstico, segundo a Prefeitura. Dez anos depois, o espaço já estava totalmente preenchido. Uma foto da década de 1980 mostra a ocupação da área por favelas. Pouco tempo depois, foi construído o Shopping Center Norte.
Em outubro de 2011, a Cetesb constatou vazamento de gás metano no local. O shopping recebeu multas e chegou a ser fechado por determinação da Prefeitura. Só retomou as atividades depois que comprovou que estava implantando um sistema para afastar o risco de explosões.
Nos primeiros meses desse ano, foram instaladas mais duas tubulações nos corredores das lojas. Agora, são 15 tubos. Eles levam o gás para o teto, onde estão bombas que eliminam o metano e, assim, diminuem a pressão no subsolo e o risco de acidentes.
A área do antigo lixão vai além do shopping. Por isso, a Cetesb pediu à Prefeitura um estudo sobre o terreno de um conjunto habitacional, onde vivem mais de 3 mil pessoas. O estudo confirmou o acúmulo de metano a 3,5 m abaixo do nível do solo.
Em medições semanais, feitas dentro dos apartamentos térreos, a Prefeitura não constatou presença de metano perto da superfície, o que diminui a preocupação dos moradores.
A Prefeitura também teve que instalar ao redor do conjunto habitacional um sistema parecido com o do shopping. As tubulações abrem caminho para os gases acumulados no subterrâneo.
Ação do MPAlém do conjunto residencial e do Center Norte, a Cetesb acompanha a situação de prédios de órgãos públicos, de um supermercado e um hotel. Ao todo, 11 terrenos da região têm drenos para bombear o gás.
A Cetesb diz que os níveis de metano na região estão sob controle, mas o Ministério Público aguarda um relatório da Cetesb com uma investigação completa da contaminação do solo na região do Center Norte.
“Com a investigação detalhada e os pareceres dos técnicos da Cetesb, nós poderemos avaliar qual o prazo necessário para a descontaminação total da região. O Ministério Público está bastante atento à questão. As medidas que foram adotadas até agora foram suficientes para diminuir e minimizar o risco para a população, mas o acompanhamento permanece até que haja solução definitiva”, afirma Washington Luis Lincon, promotor de Justiça do Meio Ambiente.

domingo, 15 de abril de 2012

Projeto que quer vetar fumo em praias e parques de SP é criticado


01/03/2011 - 08h30

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/882422-projeto-que-quer-vetar-fumo-em-praias-e-parques-de-sp-e-criticado.shtml

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO


Macaquear projetos de lei, como o que quer proibir o fumo em praças e praias no Estado de São Paulo, não é uma boa ideia, segundo especialistas em tabaco.
Dias depois de Nova York anunciar que iria vetar o fumo também em espaços abertos, o deputado estadual Vinícius Camarinha (PSB) apresentou um projeto que copia, sem disfarces, a nova lei americana.

Eirini Vourloumis - 16.set.2010/The New York Times
Fumante no Bryant Park, em Nova York
Fumante no Bryant Park, em Nova York
O resultado é que o tiro saiu pela culatra --o projeto é criticado pelos principais ativistas antifumo do país.
"Não apoiamos esse tipo de projeto porque é extremista, radical e trata o fumante de maneira excludente", diz Tania Cavalcante, chefe da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca (Instituto Nacional de Câncer), órgão responsável pela política antifumo no Brasil.
"Isso é um pouco radical chique", debocha Vera Luiza Costa e Silva, que ocupou o mais alto posto da OMS (Organização Mundial da Saúde) para controle de tabagismo. Segundo ela, há medidas mais importantes para o país implantar antes de vetar o fumo em espaços abertos.
As mais óbvias são o aumento do preço do cigarro e do imposto --ambas consideradas pela OMS como extremamente eficazes para reduzir o número de fumantes.
Outra medida seria estender para o resto do país o veto ao fumo em ambientes fechados, um projeto de lei que o governo Lula engavetou.
Paula Johns, da ACT (Aliança de Controle ao Tabagismo), entidade que reúne cerca de 400 ONGs atuando nessa área no país, diz que o projeto de lei serve para estigmatizar os que tentam controlar o cigarro.
"Esse projeto é muito ruim porque dá a impressão de que controlar o tabagismo é impor medidas radicais. É uma coisa proibicionista."
Seria mais importante, segundo Paula Johns, vetar fumo em grandes aglomerações, como estádios de futebol e locais de shows.
Outro projeto prioritário, para ela, seria retirar a publicidade dos pontos de venda, por causa do contato que as crianças têm com essas imagens --os displays costumam ficar ao lado de balas e doces, numa estratégia nada sutil para arregimentar novos consumidores.
Editoria de Arte/Folhapress
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OUTRO LADO
Há ainda dúvidas sobre a eficácia do veto ao fumo em ruas e praias. Bairros do Japão proíbem desde 2002 o cigarro nas ruas e em praias, mas o país não é nenhum modelo em combate ao tabagismo: lá, o percentual de homens fumantes bate nos 37%, enquanto no Brasil esse índice não passa de 22%.
O deputado Vinicius Camarinha nega que tenha copiado o modelo americano. "Tomei Nova York como ponto de partida para ampliarmos os ambientes livres de fumo." Ele diz que sua intenção não é discriminatória: "Do fundo do coração, fiz o projeto para proteger as pessoas. Sou contra o fumo, não contra o fumante."
Para quem acha o projeto uma ideia de jerico, Camarinha manda um recado: "Não tenho compromisso com o erro. Posso mudar tudo".

Parque Ten. Siqueira Campos: Trianon 120 anos!


5/04/2012 - 08h30

Parque Trianon chega aos 120 anos como refúgio do almoço

CRISTINA MORENO DE CASTRO
DE SÃO PAULO



Araribá-rosa, camboatá, tapiá-guaçu, angico-do-morro, jerivá, chincha, tamboril, cedro, canelinha, bico-de-pato e guapuruvu. Essas e outras árvores nativas da mata atlântica permanecem intocadas e crescendo sob cuidados no parque Trianon, 120 anos após sua criação. A data é comemorada neste mês.


É graças a essas espécies e aos bosques e sub-bosques centenários que o clima dentro do parque fica mais fresco, muito diferente do sentido no entorno da Paulista.
"Dá um contraste quando entro aqui: parece que saí de São Paulo", diz o publicitário Gabriel Lucas, 24, que estava no local acompanhado de cinco colegas de trabalho.
Era a hora do almoço, e todos os bancos estavam ocupados quando a Folha falou com os cinco. O que mais se via naquele momento eram engravatados e desengravatados, em grupo ou solitários, quase todos usando a pequena floresta como uma breve "fuga" do local de trabalho.
"Almoço em cinco minutos e venho direto para cá arejar a mente", conta a abastecedora Taís Silva, 29.
Há os que levam a marmita para comer lá mesmo, em clima de piquenique. Como a psicóloga Nana Foster, 25, que estava com quatro amigos num banco. Ela diz ter achado o parque "elitizado" e estranhou nunca ter visto moradores de rua lá dentro.
Mas, um pouco adiante, estava Josevaldo dos Santos, 54, que fica até as 18h nos bancos do Trianon. Quando o parque fecha, ele migra para o vizinho Mário Covas e, dali, para as praças próximas.
Daigo Oliva/Folhapress
Frequentadoras praticam exercício físico no parque Tenente Siqueira Campos, o parque Trianon, na avenida Paulista
Frequentadoras praticam exercício físico no parque Tenente Siqueira Campos, o parque Trianon, na av. Paulista
QUEM PASSA POR LÁ
O parque tem frequentadores de todas as idades e classes sociais, justamente por ser usado como local de passagem na avenida que mais atrai turistas na cidade.
Pela manhã, o público cativo é formado pelos que praticam cooper, ioga e tai chi chuan, por usuários de academias, pelos que levam cães para passear e por crianças brincando nos parquinhos.
Durante todo o dia, alunos das escolas próximas exercem no parque o direito de "adolescentar", com beijos e cigarros nas sombras.
Proibido é andar de bicicleta ou skate, deitar nos bancos (há quatro vigias bem alertas contra a prática) e entrar nos bosques, como dita o regulamento à mostra na entrada.