terça-feira, 17 de maio de 2011

CONCEITO DE CIDADE COMPACTA





Eduardo Jorge fala sobre cidade compacta Secretário do Verde e Meio Ambiente apresenta o novo conceito de cidade na ACSP: um jeito possível de se viver melhor em metrópoles como São Paulo.
 
Sergio Kapustan - 16/5/2011 - 22h08


Marcos Mandiz/LUZ




Rogério Amato, presidente da ACSP e da Facesp, concorda com Eduardo Jorge sobre a importância de se pensar a gestão pública de forma holística, voltada para o ser humano.
















O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, apresentou  ontem, no Conselho Político e Social (COPS), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), seu conceito de cidade compacta.


De acordo com o secretário, o modelo já existe em cidades da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia, em que  classes sociais diferentes convivem no mesmo espaço urbano.
Segundo Eduardo Jorge, ao integrar diferentes classes, é  possível diminuir a violência e melhorar a qualidade do ar, pois haverá menos consumo de combustível.

No caso de São Paulo, com uma população de 11 milhões de pessoas, o secretário afirmou que, nas últimas décadas, houve uma tendência de separação de classes.
Surgiram os condomínios de luxo afastados do centro e cercados de grades (que chamou de guetos). "Com o conceito de cidade compacta, volta-se à convivência de classes sociais, que é uma forma de combater a epidemia de violência no mundo".
Ele adiantou que na capital o modelo poderá recuperar tanto o centro e como o centro expandido, que sofrem de esvaziamento populacional. E, ao mesmo tempo, evitar o "espalhamento" da cidade, sobretudo nas áreas de mananciais e de proteção ambiental, que foram objetos de ocupações nas últimas décadas.
"Outra vantagem do modelo é criar  uma arquitetura nova, que combinará verticalização com ventilação, impermiabilidade e arborização. Isso é um desafio muito grande para arquitetos e engenheiros".
Durante a palestra, o secretário reforçou que as ações do executivo municipal envolvem diversas secretarias – como Desenvolvimento Urbano, Transportes e Habitação.
Entre ações, destacou investimentos no metrô, nos trens, nos corredores de ônibus e na moradia popular. Segundo ele, "só a Secretaria de Habitação está comprando 53 prédios no centro para moradia de trabalhadores".
Outra iniciativa destacada pelo secretário em prol do ambiente foi a lei aprovada pela Câmara Municipal em 2009, que estabelece 30% como meta de redução das emissões de gases estufa em São Paulo.
Conforme o secretário, de 2005 até os dias atuais, a capital já conseguiu reduzir cerca de 20% de suas emissões com o funcionamento de duas usinas de biogás nos aterros sanitários São João e Bandeirante.
Políticas integradas – Na avaliação do presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato, a palestra do secretário mostrou a importância e o acerto de se pensar a gestão pública de forma holística (como um todo) e voltada para o ser humano.
Para Amato, o modelo de obras pontuais, como avenidas e viadutos, está superado.
"Tivemos uma aula de se pensar no todo. E a questão enfatizada foi o diálogo ambiental. O ambiente é o lugar onde vivemos e a convivência humana tem um preço".
Amato enfatizou que o desenvolvimento urbano homogêneo beneficia outros setores, como comércio e serviços. "Não faz sentido existir um  governo que não pense nas pessoas. E tudo que é bom para as pessoas, é bom para o resto das outras atividades".