quarta-feira, 10 de julho de 2013

Depois da pressão da FIFA, vem a FIA...obra sustentável?

08.julho.2013 12:50:50

Após pressão da FIA, Haddad faz reforma de R$ 160 milhões em Interlagos

COM TIAGO DANTAS

A Prefeitura de São Paulo abriu duas concorrências que somam R$ 160,8 milhões para a construção de novos boxes e reforma do Autódromo de Interlagos, na zona sul. A reforma dos boxes atende a uma recomendação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e vai custar R$ 148.924.311,22 – a verba é suficiente, por exemplo, para quase cobrir os R$ 175 milhões de ‘rombo’ causado nos cofres municipais com a redução de R$ 0,20 na tarifa de ônibus.
Os dirigentes da Fórmula 1 chamam de a “reforma do século” as mudanças que serão realizadas em Interlagos. O edital das duas concorrências está no site do governo municipal. Em abril, o prefeito Fernando Haddad (PT), pressionado por Bernie Ecclestone, CEO da Fórmula 1, já havia assegurado a reforma. O governo diz que o GP Brasil é um dos principais eventos da capital e movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano.
Em entrevista exclusiva ao Estado, publicada em 15 de abril, Ecclestone, deu um ultimato à Prefeitura: se não mexesse no autódromo, São Paulo iria perder o Grande Prêmio a partir de 2015.
O dirigente inglês, que trouxe a Fórmula 1 para o Brasil em 1972, deixou claro que não toleraria mais adiamentos. “As promessas de reforma de Interlagos não foram cumpridas. Agora, chega. Não fosse a relação antiga e os sentimentos que me ligam ao Brasil, a Fórmula 1 já não estava mais lá”, disse o dirigente ao Estado, durante o GP da China, em Xangai, quarta etapa da temporada.
Segundo Ecclestone, os representantes das equipes reclamam que, em Interlagos, não há espaço para guardar as panelas e os alimentos, e que as reuniões têm de ser feitas dentro dos boxes por causa da ausência de salas. “Não podemos mais cobrar nada dos outros autódromos com Interlagos ano após ano mantendo-se como está.  Os demais administradores sabem o que é Interlagos, isso nos desmoraliza. ” Santa Catarina e outras cinco cidades ao redor do mundo já teriam demonstrado interesse em receber uma etapa do Grande Prêmio caso o circuito paulistano fosse descartado.

Autódromo de Interlagos: reforma dos boxes vai custar quase o mesmo que a redução da tarifa de ônibus

A reforma de Interlagos é uma velha disputa entre a Prefeitura e a Fórmula 1.  No primeiro semestre de 2012, um projeto foi elaborado e entregue a Eccleston, que o aprovou e assegurou que a cidade permaneceria no calendário até 2022 se as obras fossem realizadas. O então prefeito Gilberto Kassab (PSD) indicou aos organizadores da F-1 que garantiria que as obras seriam feitas. Mas alertou que a decisão teria de ser ratificada pelo seu sucessor.
Em 27 de abril, quando vistoriou as obras no Anhembi para a realização da etapa brasileira da Fórmula Indy, Haddad disse que só realizaria a reforma se ela estivesse diretamente ligada à permanência de Interlagos na F-1 por mais seis anos, até 2020. “Será uma obra grande e cara. Nós exigimos um contrato a longo prazo, pois vamos investir mais de R$ 100 milhões. É razoável que o acordo vá até 2020.”, afirmou à época.
Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que só nos próximos dias vai divulgar os detalhes da reforma.
 A REFORMA
Atendendo a uma solicitação da F-1, o Autódromo de Interlagos terá uma nova área de boxes, localizada na Reta Oposta. Um novo edifício de três andares deverá ser construído ao longo da reta. No térreo, ficarão 40 boxes (36 destinados às equipes). O mezanino terá uma área destinada às estruturas técnicas das equipes. No andar superior ficarão as áreas VIPs e estruturas de apoio, como cozinhas e banheiros. Por fim, o autódromo ganhará uma nova torre de controle, área para pódio e um edifício de apoio, com áreas de convivência das equipes e as instalações do Centro de Imprensa.
Como o autódromo terá uma nova área de boxes, será preciso adaptar o traçado. Haverá mudanças na Curva do Lago e na própria Reta Oposta, que terá que ser adequada para receber a linha de chegada.
O edital prevê o uso de “estruturas em elementos de concreto pré-moldado (pilares, vigas e lajes), pisos em concreto com acabamento polido, paredes em alvenaria de blocos de concreto estrutural, caixilhos em alumínio anodizado e fachada em pele de vidro duplo, para isolamento acústico e/ou atenuação acústica.”

terça-feira, 9 de julho de 2013

Radiação de água em Fukushima sobe 90 vezes em apenas 3 dias

Usina | 09/07/2013 07:41

Radiação de água em Fukushima sobe 90 vezes em apenas 3 dias


O aumento dos níveis de césio pode ser resultado da mistura do barro contaminado após o acidente nuclear de 2011 com a água subterrânea proveniente das montanhas

REUTERS/Noboru Hashimoto
Funcionário mede radiação na usina de Fukushima, administrada pela Tepco
Funcionário mede radiação na usina de Fukushima, no Japão, administrada pela Tepco
Tóquio - Amostras de água subterrânea recolhidas na usina nuclear de Fukushima, no Japão, têm um nível de césio radioativo até 90 vezes maior do que as analisadas há apenas três dias, informou nesta segunda-feira a operadora da central.
A Tokyo Electric Power (Tepco) disse que coletou amostras de água em um ponto de controle situado entre os reatores e o Oceano Pacífico com 9.000 becquereles por litro de césio-134 e 18.000 becquereles por litro de césio-137, dois materiais altamente radioativos.
O dado representa quase 90 vezes mais que os 99 becquereles por litro de césio-134 e os 210 becquereles por litro de césio-137 detectados nas amostras extraídas pelos operários da central em 5 de julho.
"Continuamos combatendo este problema com os meios que dispomos, enquanto intensificamos a aplicação de medidas de prevenção, como uma maior proteção da margem do mar e acompanhamento das análises das perfurações em zonas adicionais", explicou s operadora.
No momento, a principal preocupação no trabalho para desmantelar a central é a acúmulo, no subsolo das instalações que abrigam os reatores nucleares, de água contaminada, líquido que aumenta diariamente pelo vazamento de água subterrânea proveniente das zonas contíguas.
Por enquanto se desconhece as causas do aumento substancial dos níveis de contaminação, mas um porta-voz da companhia indicou hoje a possibilidade de que seja o resultado da mistura do barro contaminado com césio após o acidente nuclear de 2011 com a água subterrânea proveniente das montanhas.
A Tepco não confirmou se essas substâncias radioativas estão vazando para o mar e anunciou que extrairá novas amostras de água marinha.
Após o acidente nuclear de Fukushima, em 2011, o pior desde Chernobyl, em 1986, cerca de 3.500 trabalhadores lutam diariamente na central japonesa para concluir a crise atômica, um trabalho que poderá se prolongar durante os próximos 30 ou 40 anos.

Médicos estrangeiros chegarão ao País em agosto...globalização?

Médicos estrangeiros chegarão ao País em agosto

Profissionais virão da Espanha e de Portugal; na 2ª fase, em outubro, será a vez dos cubanos

06 de julho de 2013 | 8h 29


LÍGIA FORMENTI - Agência Estado
Médicos estrangeiros recrutados no programa que o Ministério da Saúde lançado na segunda-feira (1º) começam a trabalhar em setembro nos municípios brasileiros. Documento preliminar ao qual a reportagem teve acesso mostra que os profissionais selecionados no edital de chamamento deverão desembarcar no País em agosto e, dias depois, serão encaminhados para o processo de capacitação, com duração prevista de três semanas.   O projeto prevê que, na primeira etapa de agosto, serão convocados profissionais procedentes da Espanha e de Portugal. Na segunda fase, programada para outubro, começam a chegar profissionais procedentes de Cuba. Na terceira fase, inicialmente prevista para novembro, viriam médicos de outros países.   A estimativa é de que, neste ano, cheguem 4 mil profissionais estrangeiros para trabalhar nos serviços públicos de saúde municipais. Em três anos, o governo prevê que 10 mil médicos formados no exterior cheguem ao País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

Maços de cigarro "falantes" podem ajudar a combater vício

01/07/2013 - 18h23

Maços de cigarro "falantes" podem ajudar a combater vício

DA BBC BRASIL

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/2013/07/1304496-macos-de-cigarro-falantes-podem-ajudar-a-combater-vicio.shtml

Cientistas escoceses desenvolveram um maço de cigarro que "fala" e passa informações sobre os riscos do fumo à saúde.
Assim que a embalagem é aberta, o maço solta mensagens em áudio alertando para o risco de infertilidade para quem fuma e também divulgando um número de telefone para quem quiser ajuda para deixar o vício.
Os pesquisadores, da Universidade de Stirling, dizem que os maços falantes mostraram eficiência durante testes com grupos de mulheres entre 16 e 64 anos de idade.
Um estudo ainda maior está para ser conduzido, com testes em maior escala envolvendo homens e mulheres a partir dos 16 anos.
Para Sheila Duffy, da fundação anti-fumo Ash Scotland, a ideia dos pesquisadores de Stirling seria benéfica para os fumantes.
"Eu avalio como bem-vinda a sugestão para que utilizemos formas criativas para levar mensagens que ajudem as pessoas a se libertar do vício", destaca Duffy.
No entanto, "nós precisamos de pesquisas mais acuradas para avaliar o potencial impacto de qualquer novo tipo de embalagem em pessoas de todas as idades".
Já Alison Cox, da fundação Cancer Research UK, disse que sua entidade financiou a pesquisa da Universidade de Stirling numa tentativa de "ver se ferramentas de marketing (típicas) da indústria do tabaco podem ser utilizadas para ajudar fumantes a deixarem o vício (em vez de serem usadas para vender cigarros)".

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pescadores de Ilhabela protestam contra transformação de praias em áreas urbanas

Pescadores de Ilhabela protestam contra transformação de praias em áreas urbanas

Prefeitura da cidade quer transformar as praias do Bonete e Castelhanos em zonas urbanas

07 de julho de 2013 | 17h 28

Reginaldo Pupo - Especial para O Estado de S. Paulo
Protesto ocorreu em meio à competição de vela - Reginaldo Pupo/Especial para o Estadão
Reginaldo Pupo/Especial para o Estadão
Protesto ocorreu em meio à competição de vela
Pescadores tradicionais das praias de Castelhanos e Bonete, localizadas em Ilhabela, litoral norte de São Paulo, realizaram uma manifestação na manhã deste domingo (7) durante a largada da 40ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela.
Divididos em 10 canoas e portando faixas, os pescadores e moradores das comunidades tradicionais aproveitaram a abertura da competição para protestarem contra a proposta da prefeitura de transformar as duas praias em zonas urbanas, o que permitiria a construção de casas de luxo e hotéis.
“Já estão acabando com a parte urbana e agora querem transferir os problemas para o lado mais preservado de Ilhabela?”, questionou o industrial Cláudio Teixeira, que apoiava a manifestação de ontem na abertura da Semana Internacional de Vela, a bordo de uma canoa.
Na competição, que reuniu mais de 160 veleiros, estavam presentes medalhistas olímpicos como Robert Scheidt e Bruno Prada, além dos irmãos Torben e Lars Grael. Os pescadores também circularam próximo ao centro de Ilhabela e receberam apoio de turistas que assistiam à regata. Uma lancha da Marinha afastou as canoas que chegavam muito próximas aos veleiros.
Sábado
Na noite deste sábado (6), cerca de 200 pessoas também haviam protestado contra a medida da prefeitura. Os manifestantes, a maioria jovens, ocuparam os lugares reservados ao público durante a abertura da competição de vela. Durante a execução do Hino Nacional, viraram as costas para o palco. O prefeito Antonio Colucci, que estava no local para abrir oficialmente o evento, observou os protestos. Em seguida os manifestantes bloquearam a SP-131, única via que liga a ilha de norte a sul, impedindo que turistas chegassem até o centro. Após 30 minutos sentados na pista, deixaram o local.
Arquipélago
As praias de Castelhanos e Bonete estão localizadas a leste do arquipélago de Ilhabela na parte voltada para mar aberto. O acesso a Castelhanos é feito por uma estrada de terra de 24 km de extensão, por onde somente é possível trafegar carros tracionados, enquanto no Bonete, o acesso é feito por barco ou por meio de uma trilha por onde é possível apenas a passagem de pedestres, num percurso de quatro a seis horas.
 
A dificuldade de acesso torna os lugares ainda pacatos, bucólicos, onde vivem apenas comunidades tradicionais de pescadores. As únicas construções existentes nos dois locais são casas simples de moradores. A reclassificação faz parte do novo mapa de zoneamento ecológico-econômico (ZEE) proposto pela prefeitura e aprovado na última semana pelo Grupo Setorial de Coordenação do Gerenciamento Costeiro do Litoral Norte (Gerco).

Busca por energia limpa requer desvios

02/07/2013 - 03h00

Busca por energia limpa requer desvios


The New York Times
Jonathan Wolfson e Harrison Dillon começaram daquele jeito mítico do Vale do Silício. Há uma década, os dois amigos de faculdade se puseram a trabalhar na garagem de Dillon, cultivando algas em tubos de ensaio, na esperança de usarem a biotecnologia para criar energia renovável. Aí encontraram um pequeno grupo de investidores.

Agora, eles lançaram seu primeiro óleo derivado de algas em escala comercial: pálido, inodoro e fornecido em um frasquinho dourado, ele não é voltado para tanques de combustível, mas para o rosto de mulheres preocupadas com o envelhecimento cutâneo.
Cada frasco de 30 ml custa US$ 79, e, talvez graças a ele, a empresa da dupla, a Solazyme, consiga ir além do ponto onde tantas outras companhias de tecnologia limpa perderam o gás: a passagem para a produção em escala comercial.
Jim Wilson/The New York Times
Vista em microscópio das células de alga contendo óleo, as com verde mais brilhante são as que mais têm óleo
Vista em microscópio das células de alga contendo óleo, as com verde mais brilhante são as que mais têm óleo
A esperança da Solazyme é se manter à tona fabricando óleos que sirvam a diversas funções -como hidratar a pele ou substituir a manteiga e os ovos em receitas de forno. O passo seguinte é fabricar enormes quantidades de produtos de energia renovável a um preço capaz de concorrer com os combustíveis fósseis.
Há anos, gestores públicos, ambientalistas e empreendedores alardeiam a promessa de domar a energia do sol, do vento, das ondas, dos resíduos sólidos urbanos ou, agora, das algas. Desde 2007, o consumo de energia oriunda de fontes renováveis nos EUA cresceu quase 35%. Hoje, ele representa cerca de 9% do total, segundo a Administração de Informação Energética.
Mas houve fracassos proeminentes. Empreendimentos de energia limpa outrora promissores, que haviam atraído milhões de dólares em apoio do governo americano -como a fábrica de painéis solares Solyndra, a usina de etanol celulósico Range Fuels e o fornecedor de baterias A123 Systems-, faliram. A próxima geração de biocombustíveis, baseada em plantas não alimentícias, ainda luta para conseguir decolar.
O capital de risco se desacelerou, e novas empresas dessa área precisam queimar grandes volumes de capital em muitos anos de pesquisa e em equipamentos antes de comprovarem suas promessas. Em nível global, o capital de risco investido em tecnologias limpas diminuiu de US$ 9,61 bilhões em 2011 para US$ 7,4 bilhões em 2012, uma queda de quase um quarto, segundo o banco de dados i3 Platform, do Cleantech Group.
Por isso, as empresas de energia limpa não podem se apoiar na clássica abordagem em que os investidores recebem dividendos rápidos e polpudos. Elas precisam de uma combinação de verbas governamentais, parcerias setoriais e uma disposição para buscar linhas de produtos com maior valor agregado, como parte da rota que leva a mercados maiores, mas com margens mais reduzidas.
A história da Solazyme mostra como pode ser sinuoso o caminho que leva até tecnologias energéticas lucrativas. Quando começaram, Dillon e Wolfson cogitaram priorizar o uso de algas para produzir hidrogênio, mas os veículos movidos a hidrogênio nunca decolaram.
Os sócios da Solazyme perceberam que precisavam criar um produto que pudesse usar equipamentos e infraestrutura existentes, e o óleo combustível parecia a melhor aposta.
O problema em produzi-lo é que o volume é quem manda. Fazer um produto incrível não era o importante -se a Solazyme não conseguisse fazê-lo em quantidade suficiente, o negócio nunca teria sucesso.
O combustível celulósico pode em breve alcançar uma escala real: o Departamento de Energia dos EUA prevê que haverá 303 milhões de litros em produção comercial até 2015. Mas o uso de algas pelas empresas irá demorar até 2022, preveem as autoridades.
Na Solazyme, os sócios aceleraram os testes preliminares, tentando fazer algo que imitasse o óleo combustível existente. Eles também reprogramaram os micro-organismos para ver o que mais poderia resultar.
"A intenção era uma linha reta até os combustíveis, mas começou a ficar claro o quanto isso iria demorar", disse Wolfson, comentando a evolução da empresa até desenvolver múltiplas linhas de produtos.
A grande descoberta foi que as algas podem produzir óleos que, do ponto de vista bioquímico, se parecem muito com outros encontrados na natureza ou já em uso no mercado. Mas os sócios haviam vendido aos investidores uma empresa de energia, não uma fábrica de cosméticos, suplementos nutricionais e sabão.
Eles também haviam dito ao seu conselho que conseguiriam produzir combustível por meio da fotossíntese, mas o cultivo de algas onde houvesse luz solar suficiente exigiria enormes lagos e ameaçaria causar uma perda de vegetação.
Após procurar às pressas uma alternativa, Wolfson e Dillon informaram ao seu conselho que cultivariam as algas em tanques para produzir óleos especiais para mercados secundários, usando o faturamento dessas vendas para amparar o negócio de combustíveis durante o seu desenvolvimento. Seus principais patrocinadores, que já haviam investido juntos cerca de US$ 1,3 milhão, concordaram em financiar novos testes para essa ideia.
Vários conselheiros acabaram saindo, e vários investidores de risco que haviam demonstrado interesse nas rodadas preliminares de financiamento se retiraram pelo fato de os criadores insistirem em perseguir múltiplos mercados, segundo Wolfson.
"É bem verdade que, se você tenta fazer coisas demais e não tem um enfoque enquanto companhia, você vai fracassar -o enfoque realmente importa", disse ele. "O que eles realmente não entenderam é que a nossa plataforma é uma plataforma que está focada na produção óleos."
A empresa tem um acordo de vários anos com o conglomerado japonês Mitsui para desenvolver óleos específicos para os mercados químico e industrial. Em parceria com a Solazyme, a Bunge, multinacional gigante do setor agroalimentar, está construindo uma fábrica ao lado da sua usina de etanol de cana no centro-sul do Brasil. Ela vai usar o açúcar para alimentar as algas e espera produzir até 114 milhões de litros de óleo por ano para produzir sabão e outros produtos.
"Quanto maiores os dividendos que pudermos demonstrar de cada fábrica no começo, mais rápido conseguiremos financiar e construir fábricas", disse Wolfson. A empresa espera vender os óleos cosméticos a um preço 60% superior ao valor de custo, frente a 30% de lucro para os combustíveis e produtos químicos e 40% para os produtos nutricionais.
Uma tentativa de diversificação caiu por terra em 24 de junho, quando a Solazyme dissolveu uma parceria com a beneficiadora de amidos Roquette Frères.
As empresas estavam usando algas para produzir gorduras com baixo teor de saturação e óleos sem gorduras trans, além de um suplemento em pó, o Almagine, que deveria substituir ovos e gorduras saturadas. Mas as empresas disseram não ter chegado a um acordo sobre a estratégia de marketing.
Analistas dizem que as cifras operacionais da empresa sugerem que, por enquanto, ela é mais promessa do que realidade.
No ano passado, a Solazyme teve um prejuízo líquido de US$ 83 milhões sobre um faturamento de US$ 44 milhões. Ela também assumiu uma dívida de cerca de US$ 185 milhões no começo deste ano.
Mesmo assim, os analistas estão otimistas com as perspectivas da empresa, embora alguns manifestem ceticismo quanto à possibilidade de a Solazyme algum dia desenvolver combustíveis.
"Os combustíveis ainda são uma oportunidade para eles", disse Rob Stone, analista de pesquisas que monitora tecnologias limpas. Mas ele acrescentou que a nova capacidade produtiva em escala comercial poderia ser usada inteiramente para satisfazer à demanda nos mercados de maior valor agregado, então talvez não faça mais sentido para a Solazyme esgotar seu espaço produtivo fabricando combustíveis com margem de lucro menor.
"Acho que eles podem fazer uma companhia enorme sem jamais fazer praticamente nada no negócio dos combustíveis."

domingo, 7 de julho de 2013

Brasil supera marca de 100 empreendimentos com certificação Leed

27/Junho/2013

Brasil supera marca de 100 empreendimentos com certificação Leed



http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/brasil-supera-marca-de-100-empreendimentos-com-certificacao-leed-291869-1.asp

Segundo balanço do GBC Brasil, três projetos já obtiveram o nível máximo. Somente a cidade de São Paulo possui 80 empreendimentos com o selo


Rodrigo Louzas



Eldorado Business Tower foi o primeiro projeto a receber o Leed Platinum
O Brasil ultrapassou a marca dos 100 empreendimentos certificados pelo Leed (Leadership Environmental and Energy Design), de acordo com dados divulgados nesta semana pelo Green Building Council Brasil (GBC Brasil). Hoje o País está em quarto lugar no ranking mundial de projetos com o selo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e dos Emirados Árabes.
"Em 2012 havia uma média de 16 registros por mês em busca da certificação, ao passo que nos primeiros cinco meses de 2013 o número cresceu mais de 40%, chegando a 22 solicitações por mês", disse Marcos Casado, diretor técnico e educacional da organização, em comunicado oficial.
Segundo balanço, os registros para certificação cresceram em todas as regiões, mas a região sudeste permanece na liderança. Somente São Paulo possui 80 empreendimentos Leed. Completam o a lista o Rio de Janeiro (12 certificados), Paraná (3), Rio Grande do Sul (3), Minas Gerais (2) e Distrito Federal (1). Outras cidades ainda possuem quatro empreendimentos contemplados.
Dos 105 que receberam o selo, três já obtiveram o nível Platinum (máximo). Ainda segundo a pesquisa, um total de 65% das 100 edificações é de caráter comercial ou escritórios. "Além dos números expressivos, o setor deve comemorar a busca pela certificação por empreendimentos dos ramos industrial, fabril, esportivo, hoteleiro, varejista e hospitalar, por exemplo. Prova disso é que o centésimo empreendimento LEED no Brasil é um centro de manutenção de uma garagem de ônibus rodoviários, fato inédito", destaca Casado.
Para conseguir o selo, os empreendimentos precisam atender a critérios como eficiência energética; uso racional de água; qualidade ambiental interna; uso de materiais, tecnologias e recursos ambientalmente corretos, entre outras ações que minimizem os impactos ao meio ambiente.

sábado, 6 de julho de 2013

SindusCon-SP lança guia gratuito para medir emissões de gases de efeito estufa

28/Junho/2013

SindusCon-SP lança guia gratuito para medir emissões de gases de efeito estufa


http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/sinduscon-sp-lanca-guia-gratuito-para-medir-emissoes-de-gases-de-291899-1.asp

Sindicato reúne experiências de construtoras e cria metodologia única, que servirá de exemplo para todo o setor da construção


Romário Ferreira, da Construção Mercado



Marcelo Scandaroli
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) lançou ontem (27) o Guia Metodológico para Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na Construção Civil - Setor Edificações. O documento propõe um padrão metodológico para as construtoras e incorporadoras elaborarem inventários e foi elaborado com auxílio das empresas CCDI, Cyrela, Even, OR, Racional, Rossi, Stan e Tecnisa, que já realizavam seus inventários com metodologias próprias e se uniram para criar um único padrão, que permitirá ações de redução.
"Essas empresas já vinham desenvolvendo inventários próprios. Achamos que seria interessante adotar uma metodologia para juntar as experiências e chegar a um documento que fosse um espelho para todo o setor", disse Francisco Vasconcellos, vice-presidente de Meio Ambiente do SindusCon-SP.
O guia recomenda que as empresas interessadas em elaborar um inventário de emissões de GEE sigam três etapas. Na primeira, o objetivo é a identificação dos usos do inventário; na segunda, são duas fases: 1) definição dos limites organizacionais e 2) definição de limites operacionais; na terceira etapa; há três fases: 1) monitoramento dos dados de atividade, 2) cálculo das emissões e 3) relatório final. Ao longo do guia, todas as etapas são detalhadas.
"É importante fazer o inventário por vários motivos, principalmente pela questão legal. Pois temos uma política nacional e leis estaduais e municipais que determinam o nível de redução das emissões. Mas só se consegue gerenciar se for feita a medição", afirmou Vanessa Gomes, coordenadora do Centro de Pesquisa em Construção Civil e Meio Ambiente da Unicamp.
Para ela, os aspectos regulatórios serão os impulsos para as empresas fazerem os inventários. "Não podemos esperar o marco regulatório. A proteção pela economia de baixo carbono não deve ser encarada como castigo, mas sim uma necessidade. E quem sair na frente vai chegar primeiro", analisa. "As construtoras têm a tarefa de 'descarbonizar' o próprio negócio, produzir empreendimentos que estimulem estilos de vida mais eficientes e reconhecer seus próprios impactos", completou a coordenadora.
O consultor Ricardo Gustav Neuding, da ATA Empreendimentos e Participações em Ativos Ambientais, destaca que o guia é um documento complementar, com 74 páginas, com orientações, recomendações, ferramentas, exemplos e informações adicionais. "O guia é suplementar, ele não toma o lugar da norma. Além disso, é restrito à execução das obras, não trata da ocupação ou retrofit, por exemplo", afirma.
Neuding também lembrou que, atualmente, mais de 90% das emissões de GEE do setor estão na produção de materiais. "Essa constatação é importante e o guia recomenda a inclusão da fabricação dos materiais no inventário das obras", finalizou. O guia está disponível para download no site  do SindusCon-SP.

'Meio ambiente deve ser visto como oportunidade'

ONLINE | Economia | 17.JUN.13 - 16:30 | Atualizado em 17.06 - 16:30

'Meio ambiente deve ser visto como oportunidade'

A ministra Izabella Teixeira diz que muitas vezes a concessão de licenças ambientais demora porque os projetos são mal feitos.

Por Cristiano Zaia
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, diz que muitas vezes a concessão de licenças ambientais no Brasil demora porque os projetos são mal feitos. Para que isso não aconteça, ela aconselha: “dê a mesma importância ao seu diretor ambiental que você já dá ao seu diretor financeiro”.
Muitos empresários alegam que o licenciamento ambiental é um dos principais fatores de insegurança dos investimentos. De acordo com a ministra, os regulamentos vão se aprimorando em função das demandas. Um exemplo é o setor de petróleo. "A legislação ambiental demorou a se adequar ao mercado. Durante muito tempo ficamos licenciando poço a poço, mas desde 2011 passamos a licenciar por polígono (uma área maior, que inclui vários poços). Isso foi fruto de cinco anos de debate com o setor",diz à DINHEIRO. Confira:


DINHEIRO - O que o governo está fazendo para agilizar o licenciamento ambiental?
IZABELLA TEIXEIRA - Meu compromisso agora é regulamentar a Lei Complementar 140, que foi sancionada em 2012 e define a quem cabe a competência de licenciar: União, Estados ou municípios. Tem que acabar com essas compensações que não têm nada a ver com impacto ambiental. Tudo bem um empreendedor chegar num município e desejar, junto com o prefeito, construir um hospital ou uma escola. Mas isso não tem nada a ver com o licenciamento da fábrica. Eu não posso atrasar um licenciamento ambiental porque o prefeito, o governador ou o deputado quis usar a licença para fazer política local. O licenciamento não pode ser politizado. Não pode ter jeitinho.



E como era esse jeitinho?
Quando eu cheguei ao Ministério havia muita politização do licenciamento. Vários funcionários do Ibama se queixavam de que encontravam frequentemente consultores (de empresas) transitando dentro da área técnica. Isso acabou. Agora o empresário vai lá só se agendar audiência. Eu tive o cuidado de conversar também com as próprias empresas e saber como podíamos melhorar. E muita gente dizia: é preciso ter rito. Então procuramos padronizar procedimentos, deixamos o processo impessoal.

O que nos leva a acreditar que agora está diferente?
Quando cheguei aqui, havia uma diretoria de licenciamento no Ibama e outra no Ministério. O Ministério continua discutindo propostas, mas agora quem propõe é o Ibama, que tem mais autonomia para isso. Melhoramos também as normas, não pode mais pedir informação que não será usada. Estamos informatizando, e esperamos que seja concluído até 2014. Acabou aquela verticalização no Ibama, em que o presidente assina e decide sozinho. Hoje há hierarquias e processos.



E quais os resultados já podem ser tirados dessa reestruturação?
Por exemplo, o caso do Porto Sul, na Bahia. Havia uma discussão de que ele não poderia ficar no sul do Estado, porque destruiria uma barreira de corais. Então o governo local mudou o projeto, e conseguiu uma economia de R$ 850 milhões. Se um empreendimento traz grande impacto ambiental, o empreendedor pode fazer um projeto novo, com menor impacto. Há essa discussão de que o licenciamento é lento no Brasil, mas muitas vezes os projetos não estão de acordo com a qualidade técnica que se espera. 



Há casos de má fé por parte das empresas nos estudos de impacto ambiental?
Existe muita gente que não é capacitada para fazer bons estudos ambientais no Brasil. Quer não ter problema com a área ambiental? Dê a mesma importância ao seu diretor ambiental que você já dá ao seu diretor financeiro. Porque o tema meio ambiente não tem que estar na matriz de risco da empresa, e sim na matriz de oportunidade de investimento. O problema é que um empresário sério, que contrata uma boa consultoria ambiental e está na fila de espera para licença, pode ser prejudicado por consultores picaretas que fazem estudos ambientais ruins.



Diminuíram os questionamentos judiciais por conta de licenças?
Hoje acontece muito processo judicial para questionar de quem é a competência de licenciar uma obra. Com a Lei 140, esperamos que esses questionamentos diminuam. Por exemplo, foi sancionada a nova Lei de Portos. Mudou o modelo de portos no Brasil. É preciso saber quem vai licenciar. Mas já temos resultados da qualidade do nosso trabalho. Alguns anos atrás, em média havia 2,5 demandas judiciais questionando licenças ambientais por dia no Brasil, entretanto nos últimos três anos nem licença suspensa temos mais.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Mortes por gripe suína quadruplicam

Mortes por gripe suína quadruplicam

Casos passaram de 55 para 215 em menos de dois meses no Estado de São Paulo; capital concentra metade das ocorrências

03 de julho de 2013 | 2h 04


ADRIANA FERRAZ - O Estado de S.Paulo
O número de pessoas que morreram em decorrência da gripe suína (H1N1) quadruplicou nos últimos 51 dias em São Paulo. O total de mortes passou de 55, em 12 de maio, para 215, de acordo com dados atualizados da Secretaria de Estado da Saúde - a alta é de 290%. Em todo o Brasil, o vírus já matou pelo menos 339 pessoas.
O caso mais recente no Estado foi confirmado anteontem pela Secretaria Municipal de Saúde de Jundiaí, município que fica a 60 quilômetros da capital. A vítima é um homem de 56 anos, portador de diabetes e hipertensão, que não foi vacinado contra a gripe. É o sexto caso ocorrido na cidade.
O Estado teve confirmados 1.367 pacientes infectados com H1N1 desde 1.º de janeiro. Desse total, 663, ou 60% dos casos, foram registrados na Grande São Paulo. A capital soma o maior número de mortes: 101 até agora. A secretaria ressalta que 70% dos pacientes que morreram apresentavam algum problema, como doenças crônicas relacionadas ao coração.
"O certo é não termos nenhuma morte, já que se trata de uma doença imunoprevenível. Mas essas mortes aconteceram em pessoas que estavam suscetíveis e não tomaram a vacina", avalia a gerente de Vigilância Epidemiológica de Jundiaí, Solange Nogueira Marchezini.
Segundo classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus influenza A (H1N1) é de gripe comum, assim como outros em circulação pelo País, e, por isso, não prevê notificação compulsória. A pasta estadual explica que apenas casos graves, caracterizados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), devem ser automaticamente informados.
Neste ano, 6.095 pacientes com SRAG foram confirmados, já somados os 1.367 casos de H1N1 - número que representa 78% de todo o País. Desta lista, além das mortes por influenza A, constam ainda outras 26 vítimas do influenza A ou B, a gripe comum.
O governo não explicou ontem os motivos da alta. Em maio, a Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde apontou a chegada antecipada do frio como uma das possíveis causas.
Em São Paulo, a Secretaria da Saúde distribuiu cerca de 5 milhões de doses de Oseltamivir, antiviral indicado para combater gripes classificadas como SRAG. O medicamento deve ser fornecido gratuitamente nas unidades de saúde municipais, mesmo para pacientes com receitas assinadas por médicos particulares ou de planos de saúde. Na capital, as farmácias da Rede Dose Certa também dispõem do remédio.
Para que a droga tenha efeito desejado, a recomendação é que sua prescrição ocorra em até 48 horas após o início dos sinais agudos de gripe, como dores nas articulações e febre alta. "O Oseltamivir diminui a carga viral no paciente e a duração dos sintomas, melhora o prognóstico da doença e impacta diretamente na diminuição do número de casos de mortes, principalmente em pacientes portadores de comorbidades", informa a secretaria.
Recomendações. A prevenção segue como o principal remédio, especialmente em dias frios, quando as pessoas se concentram em locais fechados. Entre as principais recomendações estão lavar a mão várias vezes ao dia - com sabão ou álcool em gel -, cobrir a boca com um lenço ou a mão quando tossir, buscar ambientes arejados e evitar sair de casa quando estiver com sintomas da gripe, além de se alimentar adequadamente. 


Água de reúso


Água de reúso


Coordenador da norma da ABNT fala sobre aproveitamento da água da chuva, dimensionamento e funcionamento de sistemas de captação


http://www.equipedeobra.com.br/construcao-reforma/61/agua-de-reuso-coordenador-da-norma-da-abnt-fala-291278-1.asp

Reportagem: Karina Dacol


PERFIL
acervo pessoal
Nome: Plínio Tomaz
Profissão: engenheiro civil
Cargo: coordenador da norma sobre aproveitamento da água de chuva da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
Com que finalidades a água da chuva pode ser aproveitada? Somente para fins não potáveis, como descarga em bacias sanitárias, limpeza de pisos, garagens, rega de jardins e uso em equipamentos para resfriamento de máquinas. Essa água não é para beber, para cozinhar e nem para tomar banho.
Em comparação com outros países, o Brasil consome muita água? Desde 1995, as empresas fabricam no Brasil todos os dispositivos para economizar água. Atualmente, consumimos menos de 170 l por pessoa por dia, enquanto os americanos ainda gastam 300 l. O europeu já economiza bastante. Lá, eles consomem cerca de 100 l de água por pessoa por dia.
Quais os principais vilões do consumo de água em edifícios? O maior vilão nesse tipo de edificação é, sem dúvida nenhuma, a bacia sanitária. Antigamente, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) achou valores de 18 l utilizados a cada descarga. Hoje, temos até caixas de descarga com dois botões: um para 3 l e outro para 6,8 l. Nos prédios antigos, devem-se trocar todas as bacias sanitárias por caixas acopladas para descarga de 6,8 l por acionamento.
Os prédios vão começar a usar mais dispositivos para reúso de água?Em edificações, pode ser feito o aproveitamento da água da chuva e o reúso de águas cinzas (proveniente de utilização de lavatórios, chuveiros e pias de cozinha). A meu ver, devido à pequena área de telhado e ao grande consumo, os prédios vão ter que usar água de reúso. O problema é que não existem normas ou leis federais nem para garantir o consumidor e nem para determinar a partir de qual tamanho de área construída o reúso é necessário.
Até que tamanho de prédio é eficaz o reúso? Só compensa a partir de certa área e certo volume de consumo. Quando o prédio tem mais de 30 mil m², pode ser contratada firma especializada para acompanhar o tratamento das águas cinzas. Se o prédio for muito pequeno, fica inviável financeiramente. Fazer reúso em uma casa pequena sai caro e a parte financeira não compensa, pois demanda acompanhamento técnico, com engenheiros químicos e especialistas.
Quais os cuidados necessários para implantar sistemas de aproveitamento de água da chuva em condomínios residenciais?
Para que o sistema funcione corretamente, o projeto tem de ser feito por engenheiro civil ou arquiteto e deve seguir a NBR 15.527 - Água da Chuva - Aproveitamento de Coberturas em Áreas Urbanas para Fins Não Potáveis - Requisitos, que regulamenta o uso da água da chuva para fins como rega de jardins, lavagem de pisos e de carros e descargas em bacias sanitárias. A norma diz que, em áreas urbanas, apenas as águas dos telhados são aproveitadas, mas não as que entraram em contato com o chão. O grande problema é achar o volume da cisterna, pois, se for muito grande, o custo ficará elevado e, se ficar pequena, faltará água constantemente.
Ilustração: Daniel Beneventi.
Existem outras normas referentes ao reúso de água? A NBR 15.527 trata somente de aproveitamento de água da chuva. As águas servidas ou águas cinzas (greywater), que são as residuais de processos como banho, lavagem de roupa e louça, ainda não possuem norma.
Como é a manutenção? Não existe treinamento especial, pois os reservatórios usados são como os reservatórios para água potável, e devem ser limpos e desinfetados pelo menos uma vez ao ano. Em geral, são enterrados ou semienterrados e a limpeza e desinfecção das paredes é feita com ácido hipocloroso (hipoclorito de sódio), que é o cloro na forma líquida. A limpeza pode ser feita por funcionário do edifício ou por empresa que preste esse serviço, que costuma ser a mesma que limpa caixas-d'água.
O que deve ser verificado? Os conjuntos elevatórios devem ser verificados, no mínimo, uma vez por mês pela prefeitura e pelos órgãos ambientais, como a Secretaria da Saúde. Os prédios costumam fazer a limpeza uma vez ao ano e, geralmente, a firma responsável emite atestado, afixado na parede do edifício. Já o reservatório de first flush deverá ser verificado após chuvas intensas para retirada de materiais desviados da cisterna. Em caso de a água servir bacias sanitárias, deve ser clorada, conforme previsto na norma.
Quais os principais erros de projeto? Os principais erros estão no dimensionamento do reservatório e no first flush, dispositivo que fica na entrada da cisterna e que, quando chega a chuva, retém e expulsa a água que contém folhas, sujeira e pedras. Ele precisa ser calculado para esvaziar em dez minutos, escoando a sujeira.
O que são as chamadas piscininhas? São reservatórios que armazenam água de telhados e pisos durante o pico de chuvas. O objetivo é controlar enchentes, pois a água é liberada aos poucos. Elas ajudam, mas não resolvem o problema, até porque a água da piscininha não deve ser usada, já que os pisos têm até 12 vezes mais poluição do que os telhados.
O que é golpe de aríete? Ele ainda é um problema?O golpe de aríete acontecia antigamente, com as válvulas de descargas. Após apertar a descarga, ouvia-se um barulho muito alto, resultado da transmissão das ondas que, com o tempo, acabavam destruindo toda a tubulação. Isso é coisa do passado, pois as válvulas atuais não produzem golpe de aríete.
Qual sua opinião sobre a abordagem dos sistemas de certificação quanto à questão da redução do consumo de água nas edificações?Se você obtém uma certificação, vai ter certeza de que haverá economia de 30% de água e 30% de energia e haverá mais conforto térmico para os usuários. Por isso, o seu imóvel terá mais valor. Chegará um tempo que, quando o usuário for comprar um apartamento ou um escritório, ele automaticamente vai querer saber sobre o tipo de certificação do prédio. Se não existir, ele vai comprar em outro lugar.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Novos cenários na iluminação

ipt iluminaçãoEm 2017 as lâmpadas incandescentes não mais poderão ser comercializadas no Brasil, assim como já ocorreu em 2012 na Europa, e a tendência é de que sejam substituídas pelas fluorescentes compactas (LFC). Já a partir de 1º de julho as lâmpadas incandescentes de potência superior a 100 W não deverão ser encontradas no mercado, de acordo com a portaria interministerial 1.007/2010, pela própria impossibilidade deste modelo alcançar os parâmetros de eficiência energéticaestabelecidos pela portaria.
Para o pesquisador e coordenador do Laboratório de Equipamentos Elétricos e Ópticos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Mario Leite Pereira Filho, a medida implicará uma grande redução no consumo de energia elétrica no País. Estima-se que a iluminação seja responsável por 17% do total da energia total consumida no Brasil, inclusive a doméstica, que utiliza principalmente lâmpadas incandescentes. Outro fator a ser considerado é a maior durabilidade das LFC em comparação às incandescentes.
ipt iluminação“Dependendo do modelo, a lâmpada fluorescente compacta é quatro ou cinco vezes mais econômica do que a equivalente incandescente. Imagine a economia para um prédio que substitui mil lâmpadas de 100 W pela fluorescente compacta! Sem falar na redução de consumo com ar condicionado, por exemplo, ao retirar lâmpadas que aquecem mais o ambiente, além da questão da sustentabilidade, pois há menor descarte de lâmpadas e redução no consumo de combustível e água utilizados nas hidrelétricas”, afirma o pesquisador.
Entretanto, o pesquisador adverte que as indústrias fabricantes de lâmpadas fluorescentes compactas precisam investir cada vez mais em tecnologia e aprimorar os processos de produção, pois o custo final para o consumidor da LFC é três ou quatro vezes maior em relação ao da incandescente. “No Brasil são fabricadas as lâmpadas fluorescentes tubulares e as incandescentes, porém as fluorescentes compactas em geral são produzidas na China. Para o consumidor final perceber concretamente a economia, as LFCs precisam ter um custo menor e uma vida útil ainda maior”, adverte.
Outro fator que provoca a resistência do consumidor em substituir a lâmpada incandescente pela fluorescente compacta é a questão do conforto e da cor. As LFCs normais apresentam cor branca, daí a denominação de lâmpadas frias, e não são indicadas para todos os espaços, como uma sala de estar ou um quarto de dormir, por exemplo.
“A referência ideal de iluminação é o próprio sol, que fornece calor e a melhor reprodução de cor. As pesquisas têm evoluído no sentido de melhorar as características das lâmpadas fluorescentes compactas – já está disponível no mercado uma LFC com a cor mais amarelada, percebida como mais aconchegante, mas o custo ainda é elevado e há uma redução de cerca de 10% na luminosidade”, afirma Pereira Filho. Há outras opções de iluminação, como a lâmpada dicroica que tem a vantagem da cor quente, mas o fluxo de luz é direcionado e sua eficácia ainda é menor que a das LFC, e cresce o consumo da lâmpada LED – entretanto, ela tem alto custo e a reprodução de cor é ainda pior do que a LFC.
O Laboratório de Equipamentos Elétricos e Ópticos tem acompanhado as mudanças do mercado e da legislação, e possui condições para elaborar todos os tipos de estudos e testes de fluxo luminoso, de eficácia luminosa, de vida útil do produto e de segurança para o usuário, um aspecto fundamental para um dispositivo ligado diretamente à rede elétrica. Para Oswaldo Sanchez Jr, pesquisador do laboratório, as inovações no campo da iluminação são constantes e ainda haverá muitas novidades no segmento. “A tendência é que as lâmpadas LED sejam produzidas em maior escala, baixando seus custos e passando a competir com as fluorescentes compactas. Por sua vez, os fabricantes das LFC terão que investir em tecnologia para tornar seu produto cada vez mais vantajoso para o consumidor”, afirma ele.
Fonte: IPT

ONG encontra grandes quantidades de subproduto de fertilizante em solos, rios e lagos

ONG encontra grandes quantidades de subproduto de fertilizante em solos, rios e lagos

A China é o maior produtor de fosfato fertilizado do mundo, que tem como subproduto o fosfogesso, que á altamente poluente

Ao pesquisar sobre a produção de fertilizantes fosfatados na região de Sichuan, a maior produtora do insumo na China, a ONG Greenpeace descobriu gigantescos depósitos de fosfogesso ao ar livre e próximos a aldeias locais. Esse material é altamente poluente e se trata de um subproduto da fabricação de fertilizantes fosfatados (bastante utilizados na reparação de solos agrícolas).
Algumas rochas fosfatadas contêm pequena quantidade do metal pesado cádmio, extremamente tóxico para os seres humanos. Pesquisas recentes mostraram que o uso intensivo de fertilizantes fosfatados na região de Yangtze-Huaihe aumentou o nível de cádmio em bacias hidrográficas. Isso acontece porque, quando fertilizantes fosfatados são aplicados, somente uma pequena parte deles fica disponível para as plantas. O restante é armazenado no solo. A partir de então, por meio de escoamento, lixiviação ou erosão, os resquícios vão parar em lagos, rios e oceanos.  É comum ainda, apesar dos riscos, que agricultores apliquem fosfato em excesso, cuja importância para a planta está relacionada ao aceleramento do crescimento e maturação, a fim de que cresçam com maior velocidade.
Produção crescente e alteração da qualidade de vida
Desde 2001, a China duplicou sua capacidade de fabricação de fertilizantes fosfatados, convertendo-se na líder mundial desse setor, com 40% da produção mundial. De acordo com alguns pesquisadores, o país asiático já acumulou aproximadamente 300 milhões de toneladas de fosfogesso, o que representa cerca de 200 kg por habitante no país de maior população mundial. Análises de amostras de fosfogesso dessa região revelaram níveis de flúor, uma substância potencialmente perigosa, acima dos limites nacionais chineses para resíduos perigosos, além da presença de metais pesados tóxicos, como arsênico, cádmio, cromo e mercúrio.
O uso desse fertilizante vem alterando a vida da população chinesa que mora próxima a depósitos de fosfogesso. Um grupo de moradores preocupados com a situação e com o comportamento indiferente do governo local começou a remover os resíduos por conta própria. Outros, preferiram abandonar suas casas. No vídeo abaixo (com áudio em chinês e legenda em inglês) um morador de uma das áreas contaminadas conta que, antes, ele costumava beber água diretamente da fonte, mas devido à contaminação, ele não faz mais isso, pois sente mal-estar e fraqueza. Confira:
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