sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Minha Casa, Minha Vida: urbanização sem cidade


Sociedade
16/1/2013 - 10h23

Minha Casa, Minha Vida: urbanização sem cidade



por Graziela Wolfart, do IHU-Online
so41 300x208 Minha Casa, Minha Vida: urbanização sem cidade
“A partir do momento do anúncio do programa, ocorreu quase que imediatamente uma elevação escandalosa dos preços dos imóveis e da terra em todo o país”, constata a cientista política Francini Hirata.

O programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, surgiu em 2009 com o objetivo de reduzir o déficit habitacional no Brasil. No entanto, a pesquisadora Francini Hirata afirma que não estão sendo priorizadas as famílias com renda familiar de 0 a 3 salários mínimos, que é a faixa onde se concentra 90% do déficit habitacional. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, ela explica que houve avanços em termos de construções de unidades habitacionais, mas é preciso deixar aqui a armadilha dos cálculos meramente econômicos e quantitativos. “Se os últimos relatórios apontam a entrega de quase um milhão de moradias, é preciso sublinhar, em contrapartida, a morosidade na entrega para as famílias com renda de até R$ 1,6 mil mensais – faixa onde se concentra o déficit habitacional – além do fato de haver uma concentração dessa entrega nas faixas de maior renda. A partir de dados veiculados pela Caixa Federal até junho de 2012, somente 44% das unidades contratadas foram entregues para esta faixa de renda, número que chega a 69% para a faixa de renda entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais. Se compararmos as obras a partir de outubro de 2011, segunda fase do programa, os dados são alarmantes: 1,9% de unidades contratadas foram entregues para a faixa de renda de R$ 1,6 mil contra 50% na faixa entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais, o que corresponde a 4.475 unidades contra 267.453”.
E ela continua: “o programa é, assim, parte da contribuição do poder público para a consolidação do padrão periférico de urbanização, através da construção de grandes conjuntos habitacionais nas periferias metropolitanas sem proporcionar a infraestrutura necessária, constituindo a chamada ‘urbanização sem cidade’, ou seja, a instalação de conjuntos habitacionais em áreas distantes e desarticuladas do conjunto estruturado da cidade, com inexistência ou insuficiência de transporte público e saneamento, perpetuando as características do território segregado”.
Francini Hirata é mestre em Ciência Política pela Unicamp e bacharel em Ciências Econômicas pela Unesp.
IHU On-Line – Fazendo uma retrospectiva do programa Minha Casa, Minha Vida desde seu surgimento, em que sentido ele mais impactou na sociedade brasileira? Quais os benefícios que ele trouxe e para quem?
Francini Hirata – Houve avanços em termos de construções de unidades habitacionais, mas é preciso deixar aqui a armadilha dos cálculos meramente econômicos e quantitativos. Se os últimos relatórios apontam a entrega de quase um milhão de moradias, é preciso sublinhar, em contrapartida, a morosidade na entrega para as famílias com renda de até R$ 1,6 mil mensais – faixa onde se concentra o déficit habitacional – além do fato de haver uma concentração dessa entrega nas faixas de maior renda. A partir de dados veiculados pela Caixa Federal até junho de 2012, somente 44% das unidades contratadas foram entregues para esta faixa de renda, número que chega a 69% para a faixa de renda entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais. Se compararmos as obras a partir de outubro de 2011, segunda fase do programa, os dados são alarmantes: 1,9% de unidades contratadas foram entregues para a faixa de renda de R$ 1,6 mil contra 50% na faixa entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil mensais, o que corresponde a 4.475 unidades contra 267.453.
Para a população com renda acima de 3 salários mínimos, o impacto do plano foi mais positivo, tendo em vista que uma política de acesso a crédito sozinha já é capaz de contribuir para a aquisição da moradia.
Entretanto, quem mais ganhou com o programa foram os proprietários de terras e a especulação imobiliária. A partir do momento do anúncio do programa, ocorreu quase que imediatamente uma elevação escandalosa dos preços dos imóveis e da terra em todo o país. Os recursos privados e públicos não foram disponibilizados concomitantemente à democratização do acesso à terra. Sendo assim, os subsídios foram absorvidos pela alta dos preços dos terrenos, já que não foram condicionados à adoção de políticas fundiárias que pudessem combater este aumento.
IHU On-Line – Quais as limitações e lacunas do programa?
Francini Hirata – Se partirmos do pressuposto de que construir moradias é construir cidades, ou seja, que é preciso discutir os impactos dos empreendimentos imobiliários nas condições de vida dos cidadãos, é possível dizer que o plano desconsidera as diferentes relações de forças envolvidas nos níveis federal, estadual e municipal, a participação diferenciada dos agentes na sua implementação e os diferentes interesses em disputa.
Quero dizer com isso que não se priorizou a provisão de habitação para as faixas de renda que compõem o déficit habitacional, além de não estabelecer mecanismos de regularização fundiária, instauração do IPTU progressivo e desapropriação do imóvel que descumprir sua função social. Instrumentos que até já estão previstos e consolidados nos próprios planos diretores dos municípios, no Estatuto da Cidade e no Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). Esses instrumentos, construídos com ampla participação dos movimentos populares, foram ignorados pelo programa.
Na maioria das cidades do país tem sido praticamente impossível que a população de renda mais baixa tenha a casa construída nas áreas não periféricas, que apresentam infraestrutura consolidada e oportunidades de trabalho. Isio porque estas regiões apresentam o metro quadrado muito mais caro. É onde também, na maior parte das grandes cidades, é considerável o número de imóveis vazios e abandonados – em sua maioria com valores de IPTU nada módicos em atraso – à espera de valorização. No Minha Casa, Minha Vida não há estimativas de custos e não há também menção alguma a como enfrentar este problema.
IHU On-Line – O programa Minha Casa, Minha Vida cumpre a função de política habitacional de forma plena?
Francini Hirata – Se por plena estamos entendendo o acesso democratizado à terra urbanizada, ou seja, com creches, escolas, lazer, saneamento, transporte e energia, a minha resposta é não. O que temos visto de forma geral é a construção de habitações em áreas sem cidade, em regiões periféricas distantes. E é assim que, além de não cumprir de forma plena, há uma tendência a se privilegiar os interesses da especulação imobiliária, ao mesmo tempo em que se atende de modo subordinado às necessidades dos segmentos sociais de baixa renda e dos sem-teto.
IHU On-Line – Em que medida ele pode ter provocado um aprofundamento da segregação urbana?
Francini Hirata – Na exata medida em que o dinheiro jogado no mercado para a construção das moradias resulta em encarecimento da terra e na valorização de áreas já valorizadas. Ora, com imóveis financiados entre 80 e 130 mil reais (e o aumento do teto para 170 mil no início de 2011 é uma prova disso), qual a possibilidade de eles serem, sem uma política de regulação do solo, construídos em regiões centrais? Em especial nas regiões metropolitanas, terras nessa faixa são raras e, em geral, na periferia.
O programa é, assim, parte da contribuição do poder público para a consolidação do padrão periférico de urbanização, através da construção de grandes conjuntos habitacionais nas periferias metropolitanas sem proporcionar a infraestrutura necessária, constituindo a chamada “urbanização sem cidade”, ou seja, a instalação de conjuntos habitacionais em áreas distantes e desarticuladas do conjunto estruturado da cidade, com inexistência ou insuficiência de transporte público e saneamento, perpetuando as características do território segregado.
IHU On-Line – Em que aspectos o programa mudou desde o lançamento, em 2009, até hoje? Dilma imprime uma nova configuração ao Minha Casa, Minha Vida?
Francini Hirata – Acredito que não. Prova disso é que houve apenas mudanças na faixa de renda e no teto do valor dos imóveis, sinais da tentativa de adaptação do programa ao aumento do preço da terra. Nos municípios integrantes das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, por exemplo, o limite de valor dos empreendimentos para contratação, que era de R$ 170 mil, agora passa para R$ 190 mil. Foi aumentado também o limite, exclusivamente, da segunda faixa de renda do programa, que passou de R$ 3,1 mil para R$ 3,275 mil. A primeira faixa continua com limite de até R$ 1,6 mil.
IHU On-Line – De modo geral, como pode ser avaliado o Plano Nacional de Habitação do governo PT (dois mandatos de Lula e o de Dilma)? O que marca a gestão do PT em relação à política de habitação?
Francini Hirata – No que diz respeito à desconcentração do déficit habitacional nas faixas de mais baixa renda, não houve avanços. O que ocorreu, e nesse sentido é possível dizer que não houve uma transformação radical do que vinha ocorrendo, foi uma política de não enfrentamento da questão fundiária, que teve como resultado, entre outros, o fortalecimento da especulação imobiliária.
A construção de novas moradias continua ocorrendo sem a garantia da implementação da política de regulação do uso do solo e dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, de forma a coibir a especulação imobiliária e pressionar pela ocupação dos vazios urbanos. Não houve também redução da burocracia na implementação dos empreendimentos habitacionais e maior rapidez nos procedimentos de contratação, início e liberação das obras.
Por fim, não foi promovido o acesso à terra urbanizada para as populações de baixa renda, fomentando programas e processos de regularização fundiária, especialmente aqueles em áreas já reconhecidas como ZEIS (zonas especiais de interesse social) pelos Planos Diretores Municipais. Não tendo sido priorizadas, desse modo, as famílias com renda familiar de 0 a 3 salários mínimos, que é a faixa onde se concentra 90% do déficit habitacional.
IHU On-Line – Qual foi a importância do Minha Casa, Minha Vida, quando do seu surgimento, em relação à minimização dos impactos da crise econômica internacional de 2008 sobre o emprego no Brasil?
Francini Hirata – A criação do programa aqueceu a construção civil e os setores a ela ligados, relativizando o aumento do desemprego, haja vista que o setor da construção civil emprega um número considerável de trabalhadores e utiliza materiais de diferentes ramos industriais. O programa impactou também o PIB e aumentou a geração de postos de trabalho no setor, atingindo a cadeia produtiva da construção civil de modo geral, bem como incentivando postos formais de trabalho com carteira assinada.
Mas é preciso salientar a permanência de péssimas condições de trabalho em canteiros de obras por todo o país. O programa desenvolveu-se sem garantias sobre questões salariais ou sobre o tipo de contrato de trabalho que seria adotado: as grandes construtoras e empreiteiras têm terceirizado e subcontratado serviços sem capacidade de fiscalizá-los, reafirmando uma tradição de desrespeito aos direitos básicos do trabalhador.
IHU On-Line – Como são as casas/apartamentos construídos pelo Minha Casa, Minha Vida e como é feito o financiamento?
Francini Hirata – As casas para a população de baixa renda têm, em geral, sala, cozinha, dois dormitórios e área externa com tanque. Possuem 32 metros quadrados e os apartamentos 37 metros quadrados. São revestidas de alvenaria e forro de laje de concreto, madeira ou PVC. A cobertura da casa tem telha cerâmica sobre estrutura de madeira ou metálica. As janelas são de ferro ou alumínio e as portas de madeira. As casas e apartamentos foram configurados a partir de um modelo pré-determinado do grupo doméstico, isto é, a família nuclear.
Com relação ao tipo de financiamento, o programa prevê o seguinte direcionamento: para famílias com renda de até 3 salários mínimos, haverá subsídio integral mais isenção do seguro obrigatório (que geralmente responde por até 37% do valor da prestação do financiamento); no caso das famílias com renda entre 3 e 6 salários mínimos, haverá aumento do subsídio parcial do financiamento com redução dos custos do seguro e de acesso ao Fundo Garantidor (que foi criado para reduzir os riscos do financiamento, já que pode ser utilizado para refinanciar parte das prestações caso a família perca renda durante o período do contrato); já para as famílias com renda de 6 a 10 salários mínimos, o plano prevê estimular a compra através de redução dos custos do seguro somado ao acesso ao Fundo Garantidor. As prestações garantidas por este Fundo dividem-se dessa maneira: de 3 a 5 salários mínimos, 36 prestações; de 5 a 8, 24 prestações e de 8 a 10, 12 prestações.
As prestações mínimas são de R$ 50,00 por mês, podendo comprometer 10% da renda para quem recebe até 3 salários mínimos (em agosto de 2012 as prestações passaram a R$ 25,00 por mês, e o governo passou a pagar 95% do valor da unidade); para renda entre 3 e 6 salários, comprometimento de 20%. A taxa de juros prevista é de 5% a 6% ao ano e é prevista também a redução dos custos de registro de imóveis. Ele será gratuito para renda familiar de até 3 salários mínimos; haverá um desconto de 90% para renda familiar de 3 a 6 salários mínimos e um desconto de 80% para renda de 6 a 10 salários mínimos.
O direcionamento dos recursos é feito através de fundo na Caixa Econômica Federal, banco responsável pela análise dos projetos que serão apresentados pelas construtoras.
IHU On-Line – O que há de novo e de velho no plano nacional de habitação proposto por Lula em 2009? Há algum paralelo na história do país que pode ser usado aqui para fins de comparação (como o Banco Nacional de Habitação – BNH, por exemplo)?
Francini Hirata – O plano de 2009 prevê, por exemplo, priorizar a população de baixa renda, mas a previsão não se complementa com a criação de mecanismos para tornar isso possível. Nesse sentido, pelas medidas anunciadas, é possível considerar que há semelhanças com o que ocorreu no período de vigência do BNH. Em primeiro lugar, como enfatizam alguns urbanistas, o problema da política habitacional desde o BNH é que ela é pensada em termos de acesso a crédito e a financiamento, isto é, a dar condições para as pessoas adquirirem no mercado a mercadoria habitação.
O problema que persiste é que para a população onde se concentra o déficit, isto é, na faixa de renda de até 3 salários mínimos, a política de financiamento sozinha não viabiliza o acesso à moradia, já que se trata de uma população que não apresenta garantia de emprego e renda, ou seja, é insuficiente pensar política habitacional descolada de políticas de emprego, regularização fundiária, reforma agrária, etc.
Além disso, assim como aconteceu com o BNH, não existe controle efetivo dos recursos pelas classes populares e pelos movimentos sociais, nem transparência nas informações. Também os movimentos populares não têm autonomia no direcionamento das obras. Não há nenhum mecanismo no plano que imponha ou viabilize a participação popular sobre as decisões ou o controle social sobre os recursos.
Dessa forma, qual é a estratégia federal para reverter a concentração fundiária, para promover a reforma agrária, para barrar a valorização imobiliária e para promover um desenvolvimento regional? Uma política habitacional que considerasse esses fatores traria, aí sim, algo de novo.
* Publicado originalmente no site IHU-Online.
(IHU-Online) 

Jardins de chuva permitem redução de alagamentos

http://especiais.ne10.uol.com.br/vocemais20/018-desastres-naturais.html


Sofia Costa Rêgo

Foto: Sofia Costa Rêgo| Especial para o NE10
Jaime Cabral fez um jardim de chuva na UFPE e garante que qualquer pessoa pode fazer um em casa

Especial para o NE10
SJCC | Rio + 20
As chuvas estão trazendo grandes problemas para as cidades, sobretudo para as grandes metrópoles. Mas não dá para culpar apenas a natureza pelos alagamentos que tanto atrapalham a vida da população. A urbanização tem deixado as cidades cada vez mais cheias de concreto, dificultando o escoamento das águas nos dias chuvosos. Sem ter como entrar no solo, resta à água se espalhar pelas ruas. Para tentar compensar um pouco os impactos negativos das áreas urbanas e tentar resgatar o ciclo natural da água, pesquisadores do Centro de Tecnologia e Geociências (CTG) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vêm trabalhando com duas técnicas que tentam facilitar a infiltração das águas da chuva: jardins de chuva e pavimentos permeáveis.
Ter um jardim em casa ou no prédio já é bem melhor do que ter apenas concreto. Mas a taxa de infiltração de água num jardim comum é bem pequena. A penetração da água na terra ocorre mais rapidamente nos primeiros minutos de chuva, mas logo o solo atinge a saturação. Sem conseguir se infiltrar, a água termina correndo para a rua e provocando os alagamentos. Uma boa saída para fazer o jardim absorver mais água é cavar até um metro de profundidade e preencher esse espaço com areia e brita. Na parte superior, coloca-se terra com adubo e a cobertura vegetal. Está pronto o "jardim de chuva".
"Dessa forma você cria um reservatório e permite que a água fique armazenada e depois vá se infiltrando lentamente entre os espaços vazios no meio da areia e da brita. É uma forma simples de ajudar a reduzir os alagamentos", atesta o professor Jaime Cabral, que é coordenador do grupo de Recursos Hídricos do curso de Engenharia Civil da UFPE.

Segundo o levantamento feito pela doutoranda Tássia Tenório, aluna do pesquisador, os jardins de chuva são viáveis tanto em canteiros públicos quanto em residências. "Além de a execução ser bem simples, brita e areia são materiais bastante acessíveis. Qualquer pessoa pode fazer em casa. E não precisa fazer todo o jardim dessa forma. Um pequeno trecho já favorece a infiltração", esclarece Jaime Cabral.
A manutenção do jardim também é simples. Basta remover pedregulhos, folhas e lixos. Apesar de pouco difundidos nacionalmente, os jardins de chuva já são bastante comuns na Austrália, Nova Zelândia, nos Estados Unidos, na França e Alemanha.

Já o pavimento permeável consiste em trocar os blocos de concreto por blocos porosos, que deixam espaço para colocar um pouco de terra e plantar em cima. Na parte de baixo, coloca-se uma camada de areia e uma camada de brita, assim como nos jardins de chuva.
Foto: Sofia Costa Rêgo| Especial para o NE10
"Alguns arquitetos têm usado apenas o pavimento poroso para plantar um pouco de grama em cima, com objetivo apenas estético. Isso facilita um pouco a infiltração, mas ajudaria muito mais se colocassem também a areia e a brita para formar esse reservatório. Em cima disso, dá para estacionar carros, por exemplo", diz Cabral, que fez um pavimento permeável no estacionamento do CTG, junto com seu grupo de pesquisa.
TELHADOS VERDES TAMBÉM SÃO ALTERNATIVAS 
Foto: Sylvana Melo
Outra técnica utilizada para diminuir os danos causados pela chuva é o telhado verde ou teto verde. Nesse caso, as telhas originais são substituídas pela implantação de coberturas verdes, além da construção de muretas de contenção e impermeabilização da superfície superior da laje. "Num telhado comum, a água corre direto para a rua, enquanto que em um teto verde, a água primeiro se infiltra e, quando fica bem cheio, o excedente transborda para a rua", explica Jaime Cabral. Segundo ele, na Alemanha e na Austrália, a população é incentivada a fazer tetos verdes e reservatórios para aproveitar água da chuva.
Em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, a professora da UFPE Sylvana Melo dos Santos coordena uma pesquisa sobre o assunto. Ela constatou que os telhados verdes podem reter mais de 70% da água da chuva em comparação a um telhado convencional, com telhas, contribuindo para redução dos alagamentos.
De acordo com a pesquisadora, a técnica pode ser empregada por qualquer pessoa, mas com alguns cuidados. "É preciso realizar uma boa impermeabilização da laje e canalizar o volume escoado para uma caixa d'água ou cisterna para armazenamento e posterior uso da água. Também é necessário escolher uma vegetação leve, que sobrecarregue pouco a estrutura, como as gramíneas", explica.
SAIBA MAIS 
Ilustração: Tássia Tenório
  • Os jardins de chuva, os pavimentos permeáveis e os telhados verdes reduzem o volume de escoamento devido à retenção e ao armazenamento da água
  • As três técnicas amenizam os efeitos erosivos ocasionados pelo escoamento superficial da água
  • Têm baixo custo de implantação e manutenção
  • Têm maior aceitabilidade pela população por causa dos benefícios estéticos, paisagísticos e ambientais
  • O jardim de chuva e o teto verde melhoram a qualidade das águas por causa da retenção e remoção de poluentes transportados pelas águas das chuvas
  • No Brasil, o conhecimento dessas duas técnicas chegou há aproximadamente 15 anos, primeiramente em Porto Alegre (RS)

Pobreza urbana: uma decisão política


Economia
15/1/2013 - 11h03

http://envolverde.com.br/economia/pobreza-urbana-uma-decisao-politica/

por Redação do IHU-Online
ec6 257x300 Pobreza urbana: uma decisão política
“As grandes metrópoles, por terem uma concentração de mão de obra, serviços especializados, infraestrutura urbana como aeroportos e rodovias, entre outros, têm sido tratadas como um grande negócio. Os megaeventos são um bom exemplo disso”, afirma a especialista Ana Tereza Coutinho Penteado.

A pobreza urbana não é uma “situação econômica, decorrente de poucos recursos financeiros, mas de escolhas políticas que fazem das pessoas pobres cada vez mais pobres, pela dificuldade de terem acesso aos bens e serviços que deveriam ser assegurados para todos os habitantes da cidade”. A constatação é da assistente social Ana Tereza Coutinho Penteado, que acompanha o desenvolvimento de metrópoles urbanas a exemplo de Campinas, em São Paulo. Ao avaliar a urbanização das cidades, ela enfatiza que os “recursos são dirigidos para os investimentos econômicos e não sociais, há o estímulo à especulação e consequentemente a periferização da população mais pobre, que vai sendo cada vez mais empurrada para locais distantes da cidade, que contam com nenhuma ou pouca infraestrutura urbana”.
Em entrevista à IHU On-Line, concedida por e-mail, ela aponta que “a chegada dos megaeventos” tem atualizado os “mecanismos de repressão das pessoas pobres e pessoas em situação de rua”. Diante desse contexto, destaca-se a preocupação com as políticas sociais, que ficam submetidas às operações urbanas. Apesar dos conflitos entre as políticas sociais e urbanas, Ana Tereza assinala que a “política de assistência social tem avançado no país. No entanto, é preciso superar o ranço assistencialista e repressor, principalmente quando as unidades, as ações e os serviços assistenciais são implementados nos municípios e estados. A política de assistência social não pode ficar submetida aos interesses econômicos, nem ser utilizada para adequar ou controlar as pessoas atendidas”.
Ana Tereza Coutinho Penteado é graduada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, especialista em Serviço Social pela Universidade de Brasília – UnB, e mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Como caracteriza o processo de urbanização na cidade de Campinas?
Ana Tereza Coutinho Penteado – Campinas, seguindo a tendência das demais cidades brasileiras, tem passado por um processo de urbanização, denominada por Milton Santos (2009b) de “urbanização corporativa”, que longe de pensar a cidade para todos os seus habitantes, gera diversos problemas sociais. Neste tipo de urbanização os recursos são dirigidos para os investimentos econômicos e não sociais, há o estímulo à especulação e consequentemente a periferização da população mais pobre, que vai sendo cada vez mais empurrada para locais distantes da cidade, que contam com nenhuma ou pouca infraestrutura urbana.
Verificamos que o tratamento dispensado pela sociedade e pelo Estado à população pobre tem importância para o desenvolvimento deste tipo de urbanização, pois historicamente os mecanismos de assistencialismo e repressão controlam e contêm a população pobre. No caso de crianças e adolescentes em situação de rua, as grandes instituições que durante muitos anos “cuidaram” dos chamados “menores abandonados” também tinham a função de conter, e funcionaram longe dos espaços urbanos que recebiam investimentos para a revalorização urbana voltada a uma minoria. Verificamos que este processo está presente em diversas cidades brasileiras e, igualmente, em Campinas.
IHU On-Line – Essa tem sido uma tendência nas metrópoles brasileiras?
Ana Tereza Coutinho Penteado – Sim. Tem ocorrido em cidades brasileiras e, na medida em que ocorre a expulsão ou a contenção dos pobres nos locais mais distantes das áreas centrais – consideradas ativas economicamente (pois contam com maior fluidez, com infraestruturas e serviços diversos) –, essas pessoas também se distanciam do acesso aos serviços públicos e direitos sociais, passando a ter maiores dificuldades para a mobilidade urbana. Enfim, enfrentam inúmeros problemas que são considerados por muitos estudiosos como característicos da exclusão social.
Essa situação tem sido enfrentada pelas políticas sociais que tentam assegurar os direitos a todos. No entanto, é sabido que somente as políticas sociais não têm condições de enfrentar a infinidade dos problemas existentes, enquanto o processo de urbanização das cidades continuar a gerar mais pobreza e desigualdades socioespaciais. A pobreza urbana, como afirma Milton Santos (2009a), não é uma situação econômica decorrente de poucos recursos financeiros, mas de escolhas políticas que fazem das pessoas pobres cada vez mais pobres, pela dificuldade de terem acesso aos bens e serviços que deveriam ser assegurados para todos os habitantes da cidade.
IHU On-Line – Sua pesquisa aponta que há um choque entre as políticas sociais e urbanas em Campinas. Em que sentido?
Ana Tereza Coutinho Penteado – Os direitos sociais estão expressos na Constituição da República, de 1988, e foram regulamentados por diversas normatizações no decorrer dos últimos anos. As políticas sociais vêm sendo regulamentadas e ampliadas e têm buscado garantir os direitos à população que historicamente não teve acesso aos bens e direitos que deveriam ser para todos. No entanto, sua implementação nas cidades brasileiras é feita de modo distinto conforme os direcionamentos municipais, e vimos que muitas vezes elas acabam ficando submetidas às ações de revalorização urbana, comandadas pelos gestores municipais, que querem, por exemplo, diminuir o fluxo de pessoas em situação de rua, por vezes de forma repressiva, fazendo mau uso inclusive das políticas sociais.
Quando o território é utilizado como recurso pelas empresas e pelo Estado, temos que questionar onde estão os princípios das políticas sociais, quer dizer, neste contexto de choque ou submissão às ações de revalorização urbana, é preciso retomar e analisar se estão sendo garantidos os direitos do cidadão que está nas ruas, ou os interesses das empresas, da revitalização urbana, das grandes corporações, ou do tráfego que não pode ser obstruído.
IHU On-Line – O que é possível vislumbrar em termos de política urbana com eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016, especialmente em São Paulo?
Ana Tereza Coutinho Penteado – O que temos visto tanto em São Paulo como em diversas cidades é uma atualização dos mecanismos de repressão das pessoas pobres e pessoas em situação de rua com a chegada dos megaeventos. Eles dinamizam o turismo, provocam valorização do território, e as cidades precisam estar “limpas”, bonitas, atrativas. Portanto, todas as manifestações de pobreza, dentre elas as pessoas em situação de rua, precisam ser retiradas. Desse modo, há que se preocupar com o sentido das políticas sociais, para que não fiquem submetidas às operações urbanas.
IHU On-Line – Em que medida, nas metrópoles brasileiras, o espaço urbano é tratado

como um grande negócio? A que atribui essa prática?

Ana Tereza Coutinho Penteado – As grandes metrópoles, por terem uma concentração de mão de obra, serviços especializados, infraestrutura urbana como aeroportos e rodovias, entre outros, têm sido tratadas como um grande negócio. Os megaeventos são um bom exemplo disso. Outro exemplo que vimos na cidade de Campinas é um documento intitulado “Campinas: Guia de Investimentos” que ficou nos últimos anos disponível no site da prefeitura municipal, apresentando o dinamismo da região e a cidade e o país como alvo de investimentos mundiais e instalação de grandes negócios pela disponibilidade de infraestrutura e recursos humanos. Um dos incentivos fiscais é até denominado “Compre Campinas”.
No mesmo sentido podemos dizer que o processo de especulação é muito violento e que acaba impedindo de a cidade ser usufruída igualmente por todos os seus habitantes. As operações de revitalização de áreas degradadas demonstram este processo, pois em geral, após as obras e embelezamento dos locais, as pessoas em situação de rua passam a ser impedidas de circular neles.
IHU On-Line – A senhora critica o programa Tolerância Zero por ter desmantelado as

políticas sociais em Campinas. Por quais razões?

Ana Tereza Coutinho Penteado – Havia uma rede de serviços e infraestruturas das políticas sociais de assistência social e de saúde constituída, que vinha há alguns anos num processo de aproximação, construção e realização de algumas ações intersetoriais para garantias de direitos de meninos e meninas em situação de rua. A imposição do programa governamental Tolerância Zero, principalmente para a participação destes serviços na ação chamada de “Bom dia morador de rua”, criou grande tensão entre os profissionais das unidades, serviços públicos e cofinanciados que foram chamados a participar das operações, pois era visível que a forma como vinham sendo executadas essas ações e encaminhamentos criminalizava ainda mais a pobreza e violava os direitos das pessoas que estavam nas ruas. Além disso, a partir desta operação urbana alguns programas e serviços públicos foram fechados, outros passaram por transformações significativas, ou seja, houve uma mudança no sentido das ações que vinham sendo construídas, o que impactou no atendimento direto que era realizado para com os meninos e meninas que estavam nas ruas.
IHU On-Line – Como vê as políticas públicas na área de assistência social no país?

Quais os avanços e limites nesse sentido?

Ana Tereza Coutinho Penteado – Anteriormente, as ações assistencialistas não consideravam os pobres como sujeitos de direitos, e sim os rebaixavam ainda mais, sujeitando-os à condição de ajudado, de inferior. As mudanças ocorridas na assistência social foram paradigmáticas, pois estamos falando de uma transformação na direção e no sentido das ações historicamente realizadas pela sociedade. A assistência social foi inserida na Constituição da República, de 1988, como um direito do cidadão e dever do Estado. A partir de então suas ações passaram a ser regulamentadas.
Atualmente a Política de Assistência Social é organizada num sistema, o Sistema Único de Assistência Social – SUAS, que possui serviços e ações normatizadas dentro de diferentes Proteções Sociais (de básica, média e alta complexidade). A partir dessa organização temos visto a ampliação dos benefícios e de unidades de atendimentos, assim como há um estudo do IPEA (2011) que revela a grande ampliação de recursos financeiros para a execução da política de assistência social, a partir dos anos 2000. De acordo com este estudo, dentre as políticas sociais, a assistência social foi a que mais apresentou evolução dos recursos.
Por isso, podemos analisar que a política de assistência social tem avançado no país. No entanto, é preciso superar o ranço assistencialista e repressor, principalmente quando as unidades, as ações e os serviços assistenciais são implementados nos municípios e estados. A política de assistência social não pode ficar submetida aos interesses econômicos, nem ser utilizada para adequar ou controlar as pessoas atendidas.
IHU On-Line – Como o processo de urbanização pode dialogar com as políticas públicas sociais? É possível ter um projeto de urbanização sem implicações sociais?
Ana Tereza Coutinho Penteado – O planejamento e as ações urbanas dialogam com todas as políticas setoriais, pois ele é como um guarda-chuva. Todas as ações que ocorrem na cidade possuem implicações, para melhor ou para pior, nas condições de vida da população. Muitas vezes ações realizadas pela política urbana geram novos investimentos econômicos, atraem empresas, aumentam o valor dos imóveis; no entanto, socialmente estas ações podem acabar piorando as condições de vida de muitas pessoas, principalmente as pobres. Nesse sentido, o planejamento urbano precisa considerar a cidade como um espaço de todos, não apenas da esfera econômica. E precisa dialogar com as políticas sociais, e com as unidades e serviços públicos que realmente conhecem as condições de vida e as maiores necessidades da maioria da população.
* Publicado originalmente no site IHU-Online.
(IHU-Online) 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

'RISCO DE RACIONAMENTO DE ÁGUA É REAL'


'RISCO DE RACIONAMENTO DE ÁGUA É REAL'

Ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Braga diz que em dez anos a questão hídrica no País pode repetir os problemas do setor energético

16 de janeiro de 2013 | 2h 11

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,risco-de-racionamento-de-agua-e-real-,984899,0.htm

O Estado de S.Paulo
Eleito presidente do Conselho Mundial de Água em dezembro, o brasileiro Benedito Braga inicia sua gestão em 2013, escolhido pela ONU como o Ano Internacional da Cooperação pela Água. Professor da Escola Politécnica da USP e ex-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Braga critica a lentidão nas políticas públicas de gestão hídrica no País e prevê crise semelhante à enfrentada pelo setor elétrico, caso o quadro atual seja mantido.
A ONU elegeu a água como tema em 2013. O que significa?
Há 271 bacias hidrográficas com rios compartilhados por mais de um país no mundo. Em algumas situações esse tema incita até questões de segurança política, como no caso do Rio Nilo, que é compartilhado por nove países. A ONU pretende com esse tema incentivar o lado bom disso, que é a cooperação. A ideia é trazer à baila essas oportunidades que aparecem quando se compartilham as águas e não os conflitos.
Como atua o conselho?
Temos como membros o Ministério de Recursos Hídricos da China, o Ministério de Relação Exteriores da Finlândia, ONGs como a WWF, prefeituras, estados e agências estaduais de diversos países. O conselho vai além do nível das Nações Unidas, em que a discussão se dá nos níveis de governos nacionais e de chefes de Estado. Com múltiplos atores, tem grande legitimidade porque vai a diferentes níveis da sociedade e com isso ganhou ao longo do tempo a confiança dos governos. Recentemente, o Ministério de Recursos Hídricos do Egito considerou chamar o conselho para uma discussão sobre a gestão das águas do Rio Nilo, por exemplo.
Como a gestão hídrica deve ser feita frente a mudanças no clima?
Quando estamos preocupados com as mudanças do clima, estamos preocupados com a água: com as enchentes que serão mais frequentes, com secas mais longas e severas. Hoje, apenas com a variabilidade atual do clima, já temos situação gravíssima. Fazemos grande esforço contra as futuras mudanças climáticas para que as economias mudem, para não emitir gás carbono, mas estamos falando em algo que tem um horizonte de impacto de séculos. Então, é preciso mudar o foco para buscar mecanismos de adaptação atuais, com mais financiamento e infraestrutura hidráulica em países pobres. Políticos não pensam cem anos à frente.
A quem cabe a decisão sobre a melhor forma de gerir os
recursos hídricos locais?
A longo prazo, tem de envolver a sociedade neste processo, para que todos sejam cumplices. As decisões são técnicas e políticas. Para tomar uma decisão politica, é preciso ter alternativas técnicas. A água corre para baixo, então não adianta investir milhões para fazê-la subir. Antigamente era mais fácil, escolhia-se a melhor relação entre benefício e retorno econômico. Hoje não existe mais isso, o processo é muito mais complexo e possui varias nuances. Na Agências Nacional das Águas (ANA), propusemos ao Ministério de Minas e Energia fazer o licenciamento de bacias hidrográficas com estudos mais abrangentes. Um reservatório está ligado no outro, então tem que ver a bacia no seu conjunto. Não só para eletricidade, como para a navegação, irrigação e o abastecimento doméstico, por exemplo. Atualmente, no entanto, cada obra é uma obra e exige um estudo específico.
Como o País cuida da água?
Apesar dos problemas nas políticas de gestão hídrica, o Brasil tem um arcabouço legal e institucional muito benfeito. Os comitês de bacia permitem à sociedade e aos usuários tomarem parte nas decisões. Temos exemplos muitos bons como na bacia do Rio Piracicaba, em Extrema (MG). A cobrança pelo uso da água, erroneamente, foi vista por alguns como mais um imposto, o que não tem nada a ver. Esse dinheiro paga fazendeiros que usam técnicas de conservação do solo. Então, é um sistema em que todos ganham: os usuários pagam, mas ganham em qualidade, porque financiam aqueles que estão promovendo o serviço ambiental. E o melhor é que o dinheiro não vai para o governo. Passa por ele, mas com a garantia de que o recurso será destinado.
No Rio Guandu (RJ), por exemplo, são pagos até R$ 60 por hectare/ano. O valor oferecido por serviços ambientais é suficiente?
Claro que não. Foi inventado um determinado valor quando este sistema foi implantado na bacia do Rio Paraíba do Sul, que foi a primeira a fazer a cobrança, e todo mudo seguiu. Mas isso já faz mais de dez anos e ninguém parou para rever. Mas é uma quantia absurdamente irrisória.
É possível usar o modelo em grandes cidades, seguindo exemplos como o de Nova York?
Este modelo tem de ser visto com o devido cuidado, pois não é solução barata. Em Nova York, a área que compraram para proteger à beira das nascentes é muito cara, por exemplo. As nascentes do Guandu, que abastecem o Rio de Janeiro, eram maravilhosas quando a Light construiu o reservatório, mas veja como está aquilo hoje: totalmente ocupado, uma situação insustentável. Não tem como reverter, pois é um problema social. Então, para transportar o modelo para cá é preciso pensar bastante, pois tem todo o preço de desapropriar e manter a área para evitar invasões. Cada caso é um caso, talvez pelo interior do País pode ser mais conveniente. Mas é preciso haver recursos suficientes. Sem dúvida, porém, é um modelo muito mais interessante do que sujar a água e depois ter de limpá-la na parte baixa do rio.
Você tem alertado para a possibilidade de que, em dez anos, cidades brasileiras tenham problemas de abastecimento. O que tem travado ações de prevenção?Vou me atrever a dizer que é questão cultural. A gente trabalha muito com processos reativos. Hoje, por exemplo, temos situação complicada no setor elétrico. O que está ocorrendo com a água, eu acho, é a mesma coisa. Estão esperando uma ameaça de rodízio de água. Só em situação complicada vamos fazer tudo a toque de caixa, e aí não tem relatório de impacto ambiental ou outros obstáculos, vira problema de segurança nacional. Só com a sociedade toda motivada é que vamos fazer. Na questão das inundações ocorre a mesma coisa. Quando há deslizamento de terra e as pessoas morrem há aquela comoção nacional, mas um mês depois acabou o assunto e ninguém mais fala disso.
Quais as metas para os três anos que ficará à frente do conselho?
A segurança hídrica será o nosso principal mote neste período. Em outubro, vou participar de um encontro na Hungria que o governo local e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estão organizando para falar sobre o tema e os conceitos. É uma preparação para o 7.º Fórum Mundial da Água, que será realizado em 2015 na Coreia do Sul, em que pretendemos trazer ministros, prefeitos e parlamentares de todo o mundo para discutir a importância da boa gestão da água e dos investimentos em infraestrutura, seja para a universalização do acesso, seja para o uso na produção de alimentos. Além disso, pretendo dar visibilidade ao conselho para atingir o público em geral. / BRUNO DEIRO

Filtros, Inspeção veicular ajudam...


Foto: BBC

Queima de carvão tem impacto maior do que imaginava


Fuligem impacta aquecimento 'o dobro do imaginado'

Partículas liberadas por motores a diesel e queima de madeira e carvão são segundo maior causa de mudança climática.

16 de janeiro de 2013 | 13h 03



Carbono negro, ou fuligem, contribui muito mais para o aquecimento global do que anteriormente reconhecido, segundo pesquisa.
Os cientistas dizem que as partículas liberadas por motores a diesel e queima de madeira podem estar tendo um efeito que é o dobro do imaginado em estimativas anteriores.
Eles dizem que a fuligem perde apenas para o dióxido de carbono como o mais importante agente causador de aquecimento no planeta.
A pesquisa foi publicada no Journal of Geophysical Research-Atmospheres.
Durante muitos anos, micropartículas de carbono negro suspensas no ar sempre foram considerados importante fator de aquecimento da atmosfera, por absorverem luz solar. A substância também acelera o derretimento do gelo e da neve.
Este novo estudo conclui que essas partículas escuras têm efeito de aquecimento equivalente a dois terços do provocado pelo dióxido de carbono, e maior do que o metano.
"A conclusão é de que o carbono negro está causando mais impacto na atmosfera", disse a autora do estudo, Sarah Doherty, à BBC.
"O valor na atmosfera observado no quarto relatório de avaliação, de 2007, era metade do que o que estamos apresentando neste relatório - o que é um pouco chocante".
Meio grau
Os pesquisadores dizem que as emissões de carbono negro na Europa e América do Norte têm diminuído devido a restrições às emissões de motores a diesel. Mas elas crescem constantemente no mundo em desenvolvimento.
Os especialistas acreditam que reduzir seu número teria um impacto imediato sobre as temperaturas, mas não necessariamente de longo prazo.
"Reduzir as emissões de motores a diesel e queima de madeira e carvão obviamente traz benefícios para o clima e para a saúde", disse o professor Piers Forster, da Universidade de Leeds.
"Se tivéssemos feito tudo o que está ao alcance para reduzir essas emissões, poderíamos reduzir em até meio grau o aquecimento, ou ter um par de décadas de trégua", acrescentou.
O relatório adverte entretanto, que o papel da fumaça negra é complexo e pode também ter efeitos de resfriamento.
"'Mitigação' (conjunto de medidas para combater o aquecimento) é uma questão complexa, porque a fuligem é normalmente emitida com outras partículas e gases que provavelmente esfriam o clima", pondera o professor Forster.
Resfriamento
"Por exemplo, a matéria orgânica na atmosfera produzida pela queima de vegetação provavelmente tem um efeito de resfriamento. Portanto, no final das contas, eliminar essa fonte pode não nos dar o resfriamento desejado", acrescentou.
O carbono negro é tido como uma fonte significativa de rápido aquecimento no norte dos Estados Unidos, Canadá, Europa do Norte e norte da Ásia. As partículas também teriam impacto sobre os padrões de chuva na monção asiática.
No ano passado, uma coalizão de seis países deu início a um esforço conjunto para reduzir o impacto de curto prazo de agentes como o carbono preto.
Os autores dizem que, embora cortar fuligem seja importante, cortar as emissões de dióxido de carbono são a melhor maneira de enfrentar a mudança climática a longo prazo. 

Pacote contempla serviços de canalização de córregos com histórico de enchentes e construção de marginais


Após 20 anos, Prefeitura lança pacote bilionário de obras viárias na zona sul

Pacote contempla serviços de canalização de córregos com histórico de enchentes e construção de marginais

17 de janeiro de 2013 | 0h 15


Adriana Ferraz e Diego Zanchetta - O Estado de S. Paulo
Com duas décadas de atraso, a Prefeitura de São Paulo vai tirar do papel parte das obras de um novo plano viário para a zona sul, orçado em R$ 1,8 bilhão. Dividido em duas fases, o pacote inicial, que inclui a duplicação de algumas das mais congestionadas vias da capital, como M'Boi Mirim e Carlos Caldeira Filho, deve custar R$ 1 bilhão.
Veja também:

O edital da licitação será publicado em fevereiro e representará a primeira ação do prefeito Fernando Haddad (PT) para cumprir sua principal promessa: o Arco do Futuro, uma lista de obras que promete redesenhar o desenvolvimento da cidade.
O processo de pré-qualificação das empresas interessadas teve início no dia 29 de dezembro, ainda na gestão Gilberto Kassab (PSD). Prometido pelas últimas cinco administrações, o plano virou prioridade para Haddad, que ordenou rapidez na contratação das obras durante a transição dos governos.
O resultado dessa primeira triagem sai no dia 5 de fevereiro. Em seguida, será publicado o edital. A expectativa é de que os contratos sejam assinados no primeiro semestre - desde que assegurados os recursos.
Além da duplicação de vias, o pacote contempla serviços de canalização de córregos com histórico de enchentes e construção de marginais, além de um anel viário no entorno da Represa do Guarapiranga.
Na segunda fase, o prolongamento da Marginal do Pinheiros, sentido Santo Amaro, poderá ser incluído no pacote, assim como ampliações das Estradas de Itapecerica e do Alvarenga. A Prefeitura não informou a data da segunda licitação.
Espera
Com histórico diário de lentidão, a Estrada do M’Boi Mirim é um dos maiores gargalos de trânsito da cidade. De carro ou ônibus, cruzar a via é um transtorno para moradores, que não raramente preferem fazer o trajeto a pé nos horários de pico. A situação é a mesma ao longo da Avenida Dona Belmira Marin, no Grajaú, onde passageiros esperam até 2 horas por vaga em lotação. A avenida corta 12 bairros, onde moram cerca de 723 mil pessoas. As vias ganharão juntas 6,3 quilômetros extras.
Quem mora no Morumbi também será beneficiado pela extensão da Avenida Carlos Caldeira Filho, que termina na Giovanni Gronchi. Apesar de pleiteado pelos moradores, o pacote deve encontrar resistência pela lista de desapropriações, ainda não divulgada. 

São os fios que atrapalham as árvores!


14/01/2013 15:33

Árvores comprometem fios na Vila Anastácio

Moradores se revoltam com a constante falta de energia na região, apesar de várias reclamaçõesCLARISSE OLIVEIRA / ESPECIAL PARA O DIÁRIO
Mauricio Rummens/Diário SPFiação de poste fica comprometida por causa de galhos de árvoresFiação de poste fica comprometida por causa de galhos de árvores
Moradores da Rua Camacam, na Vila Anastácio, Zona Oeste da capital, estão com medo das descargas elétricas que as fortes chuvas têm ocasionado na região devido à grande quantidade de galhos de árvores entrelaçados na fiação dos postes. Eles já solicitaram  junto à Prefeitura que sejam feitas podas, mas as reivindicações não foram atendidas. A população afirma que as árvores são perigosas e precisam de manutenção urgente.  
A aposentada Luci Ferreira da Silva, de 64 anos, conta que sofre com a constante falta de energia desde 2010. “São três  anos de solicitações para tentar resolver o problema e até agora nada”, reclama.  Segundo ela, uma árvore de  raiz grande foi podada há dois meses, mas o serviço foi feito porque a associação de moradores fez o pedido para um  vereador do bairro. “Eu acredito que a associação conseguiu a poda porque era ano de eleição. Estamos sem manutenção há anos. Os fios soltos pelo chão são o que mais me preocupa”, comenta.
“Em 2007,  eu reclamei para a subprefeitura do bairro e depois de dois anos a Eletropaulo apareceu para cortar os galhos que atrapalhavam a energia. O serviço foi feito porque os fios despencaram na calçada após uma forte chuva atingir a região”, relata o aposentado Amos Lunardi, 77, morador do bairro há mais de 12 anos.
“A falta de limpeza  é outro problema. As calçadas viraram abrigo para lixos de diversos tipos e tamanhos”, desabafa a dona de casa Luci Ferreira.
Outro Lado/ A Subprefeitura da Lapa diz que árvores da Rua Camacam foram cadastradas no Sistema de Gerenciamento de Árvores Urbanas e oito serviços de jardinagem foram realizados. A limpeza também foi intensificada. Já a AES Eletropaulo recebeu ofício para realizar poda, mas o serviço só é feito nos galhos que estiverem em contato com a rede elétrica. A visita está prevista para dia 27.

E adianta? Precisa de educação ambiental!


16/01/2013 - 09h26

Poluição sonora lidera reclamação entre usuários de trens em SP

DE SÃO PAULO




A maior parte das reclamações feitas por usuários dos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em 2012 foram devido às pessoas que ouvem músicas com volume muito alto em seus celulares.
Segundo balanço da companhia, esse tipo de reclamação corresponde a 21,6% das mais de 21 mil reclamações feitas pelo serviço SMS-Denúncia no ano passado.
Outras duas práticas que geraram grande número de reclamações são a venda de produtos por ambulantes (15,1%) e comportamento inadequado --sentar no chão do trem, por os pés nos bancos, não dar preferência a mulheres e idosos, entre outros-- (14,9%).
Apesar de ainda ser o maior motivo de reclamações, a poluição sonora teve uma queda de 5,5% no total de denúncias em relação ao ano anterior, enquanto o comportamento inadequado teve queda de 2%. Já as reclamações de vendedores ambulantes, teve um aumento de 2,2% em comparação ao ano de 2011.
Rubens Cavallari - 16.abr.10/Folhapress
Usuários usam de torpedos para reclamar de irregularidade ou problema; poluição sonora lidera reclamações
Usuários usam de torpedos para reclamar de irregularidade ou problema; poluição sonora lidera reclamações

Para denunciar infrações ou fazer reclamações nos trens e estações da CPTM, o usuário deve enviar uma mensagem para o número 0/xx/11/9-7150-4949, não é necessário nenhum tipo de identificação. A companhia também disponibiliza o telefone 0800/055/0121, do Serviço de Atendimento ao Usuário, 24 horas por dia.
A CPTM recomenda que o denunciante coloque na mensagem o maior número de informações possível, como o tipo de infração, as características do autor, a linha onde está viajando, o número do carro, o sentido da composição e a próxima estação.

E a educação ambiental?


17/01/2013 - 07h00

Prefeitura de SP não controla limpeza de bocas de lobo



A prefeitura não sabe quais nem quantas bocas de lobo foram limpas em todo o ano passado. O serviço não é fiscalizado. As duas empresas responsáveis não precisam apresentar relatórios sobre os serviços.
A única obrigação é que, quando a prefeitura requisitar, elas têm prazo para limpar aquela boca de lobo específica --24 horas no período de chuvas, de novembro a abril, e 48 horas nos outros meses.
Esse contrato tem validade por três anos --termina em dezembro de 2014. O prefeito Fernando Haddad (PT) determinou mudanças no sistema de fiscalização, que ainda está em estudo.
No total, as duas empresas vão receber R$ 2,25 bilhões no período para fazer, além da limpeza de bueiros e bocas de lobo, varrição de ruas e praças, lavagem de ruas após feiras, coleta de entulhos e outros serviços de limpeza --menos coleta de lixo.
Em todos os casos, não há fiscalização ou controle do serviço. O que está previsto são descontos no valor pago quando as empresas não cumprem os prazos.
No ano passado, só uma delas, a Soma, teve um desconto de R$ 1,3 milhão em agosto --no total, recebeu R$ 354 milhões. A Inova recebeu R$ 343 milhões.

2012 confirma tendência global de aquecimento, aponta estudo da Nasa


16/01/2013 - 02h30

2012 confirma tendência global de aquecimento, aponta estudo da Nasa

DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1215541-nasa-indica-que-2012-foi-o-nono-ano-mais-quente-desde-1880.shtml


Um novo estudo da Nasa confirmou o que outros dados já indicavam: a temperatura na Terra mantém uma tendência firme de alta, com 2012 sendo o nono ano mais quente desde 1880, quando os registros começaram.
As conclusões são dos últimos dados divulgados pelo Giss (Instituto Goddard para Estudos Espaciais), que monitorou a temperatura de 2012 e a comparou com a de todos os anos anteriores.
A análise mostrou que a Terra experimenta um aquecimento mais acelerado do que em décadas anteriores.
A média de temperatura em 2012 foi de 14,6º C, cerca de 0,6º C mais quente do que em meados do século 20. Segundo a nova análise, a temperatura média mundial já subiu 0,8º C desde 1880.
Ano a ano, tem havido uma tendência expressiva de alta. Excluindo-se 1988, os nove anos mais quentes dentre os 132 avaliados aconteceram desde o ano 2000, com 2010 e 2005 encabeçando a lista de recordes de calor.
"Os números de mais um ano, por si mesmo, não significam nada", diz o climatologista do Giss Gavin Schmidt.
"O que importa é que esta década está mais quente do que a última, que por sua vez já foi mais quente do que sua anterior. O planeta está esquentando, e a razão para isso é que nós estamos jogando quantidades crescentes de dióxido de carbono na atmosfera", completou o cientista, em nota divulgada pela agência espacial americana.
As informações usadas pelo Centro Goddard foram recolhidas em mais de mil estações meteorológicas em todo o mundo, além de observações de satélite e centros de pesquisa.
O documento destaca ainda as temperaturas extremas nos Estados Unidos.
Em 2012, a parte continental do país registrou as temperaturas mais elevadas de toda sua história.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Será?

15/01/2013 - 05h42

Inspeção não melhora ar e causa perda de IPVA, afirma Haddad

EVANDRO SPINELLIEDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

O prefeito Fernando Haddad (PT) disse ontem que a implantação da inspeção veicular em outras cidades paulistas precisa ser agilizada pelo governo do Estado.
Segundo ele, além de não melhorar a qualidade do ar, a exigência só na capital faz donos licenciarem seus veículos em outros municípios para fugir da inspeção, o que causa perda na arrecadação de IPVA.
"São Paulo não está melhorando a qualidade do ar. Os dados são de que a situação é rigorosamente a mesma", disse.
Haddad afirmou ainda que não dá para culpar os prefeitos, pois eles não têm autonomia para criar a inspeção, como São Paulo fez.
A resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que regulamenta a inspeção veicular afirma que as cidades com frota superior a 3 milhões de veículos devem instituir seus
próprios programas. Já os municípios menores dependem de determinação estadual.
ESTUDO
O prefeito disse que pediu estudo para a Secretaria de Finanças sobre a perda de recursos do IPVA. Ele vai usar esse dado e a questão ambiental para justificar a mudança na inspeção. O projeto será enviado à Câmara em fevereiro.
A ideia é tornar a inspeção obrigatória a cada dois anos para carros usados, e não mais uma vistoria anual.
A prefeitura ainda não sabe o tamanho da perda de arrecadação do IPVA. "Mas que há evasão, não há a menor dúvida", afirmou Haddad.
A transferência de um carro licenciado de São Paulo para outra cidade custa R$ 223,72. O gasto anual com inspeção é de R$ 47,44. Seria preciso cinco anos sem inspeção para cobrir o gasto da transferência.
"É impossível provar que a evasão é causada pela inspeção", disse Horacio Figueira, consultor em transporte.