A poucos dias dos Jogos Olímpicos de Londres, a revista médica britânica "Lancet" publicou uma série de estudos que escancara os problemas do sedentarismo, responsável por 5,3 milhões de mortes por ano no mundo.
Segundo os pesquisadores, a falta de atividade física pode ser considerada uma pandemia e é tão grave que diminui a expectativa de vida da mesma forma que o tabagismo e a obesidade. Está no sedentarismo a causa para 10% das doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer e problemas cardíacos.
Um dos estudos da série, coordenado por Pedro Hallal, da Universidade de Pelotas, aponta que cerca de 30% da população mundial adulta é fisicamente inativa, mas o quadro para os adolescentes é mais preocupante: 80% dos jovens entre 13 e 15 anos não se exercitam o suficiente.
No Brasil, 49% da população adulta não pratica atividades físicas, e o estilo de vida sedentário é responsável por 13% das mortes por infarto, diabetes e câncer de mama e do intestino.
SEM SUCESSO
Hallal afirmou que a tendência é que se pratique cada vez menos exercícios e, com algumas exceções, profissionais de saúde não têm tido sucesso em mobilizar o governo e a população para encarar a atividade física de maneira séria, como um problema de saúde pública.
A inatividade física é descrita no estudo como a falta de exercícios moderados (como uma caminhada) de 30 minutos, cinco vezes por semana, e práticas mais rigorosas durante 20 minutos, três vezes por semana, ou a combinação dos dois.
Mas, segundo os pesquisadores, identificar as causas do sedentarismo é importante para se pensar em intervenções eficazes e aumentar os níveis de atividade física.
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Sedentarismo ao redor do mundo
Outros estudos mostram que ser do sexo masculino, jovem e com boa situação financeira tende a aumentar as chances de a pessoa ser fisicamente ativa.
Por outro lado, a obesidade e até uma predisposição genética ao sedentarismo, como novas evidências sugerem, tornam a pessoa propensa a se movimentar pouco.
Ciclovias, mais espaços verdes, melhora do transporte público e ruas mais bem iluminadas também são um bom incentivo, aponta um dos estudos da série.
"Todo mundo alega falta de tempo, mas é importante achar um espacinho na agenda. Se a pessoa não pode frequentar uma academia, o ideal é caminhar mais no dia a dia e subir escadas", diz Nabil Ghorayeb, médico do esporte do Hospital do Coração.
Sempre que você duvidar que o futuro possa ser melhor que o passado ou que o governo possa exercer um papel crucial nesse processo, pense e alegre-se com o extraordinário processo de verdeio de Nova York.
Esta cidade não se parece em nada, nada mesmo, com o que era uma década e meia atrás. É um lugar de calçadões agora belíssimos de frente para o mar, de árvores, gramíneas altas e flores que ocupam terrenos e penínsulas de concreto --até mesmo trechos de trilhas férreas antes em desuso ou decadentes. Trata-se de uma resposta fértil ao pessimismo de nossa era, de uma prova verdejante de que o crescimento continua a ser possível, pelo menos desde que estejam presentes a vontade necessária e as estratégias corretas.
A transformação de Nova York se deu incrementalmente --um ano o High Line, outro ano o Brooklyn Bridge Park--, tanto que muitas vezes não chega a ser plenamente apreciada. Mas representa um avanço notável, que justifica esperança.
Além disso, é emblemática de um padrão de dedicação intensificada aos parques urbanos, algo que está presente de costa a costa dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que uma parte tão grande da vida americana neste momento é marcada pelo espectro do declínio, muitas cidades estão florescendo, e Nova York vem servindo de inspiração crucial.
"Nova York representa um grande exemplo, porque é a maior área urbana do país", disse Ken Salazar, o secretário do Interior americano, falando ao telefone na sexta-feira e sugerindo que, se Nova York consegue criar espaços verdes em meio às suas expansões cinzentas, qualquer cidade pode fazer o mesmo. Salazar pretende visitar Nova York na terça-feira para discursar numa conferência internacional, que já está ocorrendo, intitulada "Maiores e Mais Verdes: Reimaginando Parques para Cidades do Século 21".
O fato de a conferência ser realizada em Nova York é uma homenagem proposital aos avanços feitos por esta cidade, boa parte deles sob a administração Bloomberg, que levou adiante os planos que herdou, ampliando alguns deles, e também criou vários planos próprios.
Embora o prefeito Michael Bloomberg tenha enfrentado fracassos e falhas diversas em suas tentativas de aprimorar o ensino público e aliviar os congestionamentos no Midtown de Manhattan, por exemplo, em se tratando do verde ele vem tendo grandes êxitos. Um dos maiores legados de sua longa prefeitura será uma cidade que, em determinados locais encantados, em determinados dias encantados, pode passar uma impressão tão descontraída, despreocupada e abençoada pela natureza quando um dos enclaves ecologicamente vaidosos do noroeste do Pacífico. À agitação do trânsito, Bloomberg acrescentou mais ciclovias, mais árvores e mirantes com vistas belíssimas.
"Os parques foram prioridades para este prefeito e para a vice-prefeita, Patti Harris, e acho que é a primeira vez que isso acontece na história da cidade", comentou Adrian Benepe, que vai deixar em breve o cargo de comissário de parques da prefeitura Bloomberg, após dez anos.
"Grandes coisas aconteceram na prefeitura de La Guardia, em grande medida devido à Administração do Progresso de Obras e da habilidade de Robert Moses em fazer uso desses recursos. Mas acho que o prefeito atual tem sido singular por não apenas apreciar parques, como compreender o valor deles de tantas maneiras diferentes", disse Benepe, acrescentando que Bloomberg adere "à ideia de que a cidade pode e deve ser bela e bem projetada".
Eu desprezaria esses comentários como puro puxa-saquismo, não fosse por vários fatores. Um: Benepe não hesita em dizer que parte do trabalho pelo qual Bloomberg é elogiado foi iniciado por prefeitos anteriores e defendido especialmente por George Pataki, fervoroso partidário dos parques, na época em que foi governador do Estado.
Dois: os elogios que Benepe faz a Bloomberg são repetidos por muitas pessoas que não estão na prefeitura.
Três: seus elogios condizem com minhas próprias observações gratas. Vivo nesta cidade, de modo intermitente, há 25 anos, e nunca antes senti tanta vontade de sair para o ar livre, nem me senti tão recompensado quando o faço quanto me sinto hoje.
Hoje uma parte espantosa da área de Manhattan de frente para os rios Hudson e East é pontilhada de píeres verdejantes, com praias, ciclovias e trilhas para caminhadas. E, para quem ainda não o viu, Brooklyn Bridge Park é uma revelação, com vista para o centro de Manhattan, o porto de Nova York e a Estátua da Liberdade.
"É notável que a cidade tenha feito esse investimento", comentou o paisagista Michael Van Valkenburgh, cuja firma foi responsável por criar o parque, que custou mais de US$350 milhões. A prefeitura contribuiu com quase dois terços desse valor. "Existe no momento um interesse enorme e muita atividade na criação e recriação de parques urbanos. Acho que é porque reinvestimos na ideia de viver nas cidades."
Igualmente animadora e instrutiva é a maneira como Nova York buscou os recursos necessários para os parques novos e os já existentes. A High Line, construída principalmente com recursos públicos, é mantida principalmente com recursos privados. O plano para o Brooklyn Bridge Park é que sua operação e manutenção seja paga por avaliações dos imóveis desenvolvidos em torno do parque.
Em troca do alvará de construção, os construtores de novos imóveis residenciais nas redondezas tiveram que criar para a cidade o Riverside Park South, uma trança bela de praças de frente para a água, trilhas e píeres partindo das ruas West 60s em Manhattan. Esse arranjo foi muito anterior à administração Bloomberg, mas, sob a administração dele, um arranjo semelhante vai resultar num parque de frente para a água em Williamsburg, um bairro do Brooklyn.
O histórico de Bloomberg no quesito dos parques não é imaculado. Holly M. Leicht, diretora executiva do grupo Nova-Iorquinos em Favor de Parques, disse que a criação de novos parques nem sempre foi acompanhada pela manutenção adequada dos parques já existentes. "Há uma disparidade de condições", disse ela.
Mas, para seu crédito, a prefeitura vem gastando fartamente com parques em todos os distritos de Nova York, não apenas em Manhattan e Brooklyn. Um dos projetos mais ambiciosos é a conversão do aterro sanitário Fresh Kills, em Staten Island, no parque Freshkills, que será quase três vezes maior que o Central Park.
A história de Nova York se repete em outras partes do país.
Um complexo revitalizado de parques, o Myriad Botanical Gardens, surgiu recentemente no centro de Oklahoma City. No centro de Houston há o Discovery Green. Dallas está construindo um parque sobre uma via elevada no centro, e Los Angeles estuda maneiras de verdejar um velho leito de rio concretado.
"Vivemos na era da reurbanização", comentou Catherine Nagel, diretora executiva da Aliança de Parques da Cidade, que está promovendo a conferência em Nova York. E o aumento da densidade demográfica significa que "precisamos de espaço verde".
Surpreendentemente, estamos recebendo esses espaços: porque os cidadãos o reivindicaram; porque os governos priorizaram esse assunto; porque foram cultivadas parcerias público-privadas. Nova York é a flor bela a coroar esse processo.
O cálculo foi feito pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas), no primeiro estudo brasileiro a medir o peso da energia contida em itens como carros, imóveis, batedeiras ou salões de cabeleireiros.
A Fipe usou uma metodologia desenvolvida pela União Europeia, chamada WIOD (World Input-Output Database).
Segundo o trabalho da fundação, a conta de luz representa apenas 32% de todo o custo de energia elétrica pago por uma família.
A maior parte (53%) está embutida nos preços de mercadorias e serviços contratados pelos consumidores. Os outros 15% estão incluídos nos preços de serviços públicos, como o transporte.
O trabalho da Fipe mostra que, para cada real pago na fatura de energia, o consumidor desembolsa outro R$ 1,68 para custear a energia escondida nos bens. No cálculo, a fundação usou o perfil de consumo da Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE.
CLASSE C PREJUDICADA
Fernando Garcia de Freitas, um dos formuladores do trabalho, diz que a mudança de padrão de consumo das classes emergentes traz escondida um alto custo de energia. "Quando um consumidor troca a cachaça pela cerveja em lata de alumínio, está aumentando o consumo indireto de energia. É assim que a energia cara penaliza a nova classe de consumo."
O estudo foi patrocinado pelo Projeto Energia Competitiva, que reúne a associação de grandes consumidores e órgãos de defesa do consumidor, com o objetivo de levantar informações para convencer governo e Congresso a desonerar a eletricidade.
Entre os segmentos que participam do projeto estão as indústrias química, vidreira, de aço, de alumínio, de cloro e de ferro-liga.
Embora esses setores sejam grandes consumidores diretos de energia, há outros em que o peso indireto é muito grande (veja arte abaixo).
No caso da indústria de construção, por exemplo, para cada R$ 100 de conta de luz, outros R$ 4.690 são pagos indiretamente no custo dos materiais usados.
MAIS CRESCIMENTO
O estudo também calculou os efeitos na economia brasileira da desoneração total (extinguir todos os encargos para consumidores industriais, comerciais e residenciais) e da parcial (em que só os consumidores industriais seriam beneficiados).
De acordo com Freitas, a desoneração total resultaria em aumento de R$ 181 bilhões no consumo, em até dez anos. Desse total, R$ 70 bilhões estariam nas mãos das famílias.
A simulação feita pela Fipe projeta um PIB 5,7% maior do que o atual (R$ 236 bilhões a mais), uma oferta de 4,5 milhões de empregos, uma exportação R$ 10,4 bilhões maior e uma capacidade adicional de investimento de R$ 53,2 bilhões.
Outros impactos positivos, como a queda da inflação, aconteceriam imediatamente após a queda do custo.
Em vigor há sete meses, a lei antifumo nacional --comemorada na época da sanção pelo ministro Alexandre Padilha (Saúde)-- ainda não foi detalhada pelo governo federal.
Sem definições claras do que pode ou não ser feito, e das punições envolvidas, é fácil encontrar exemplos de que a lei "não pegou".
O atraso na regulamentação da lei preocupa entidades da saúde, que temem pressões do lobby tabagista e flexibilizações na norma.
Além de proibir o fumo em locais coletivos fechados, a nova norma federal, que se sobrepõe às estaduais e municipais já existentes, limitou a propaganda do cigarro à exposição dos maços nos locais de venda. Foram proibidos os cartazes e as placas com desenhos e fotos do cigarro.
A Folha flagrou situações que, segundo especialistas envolvidos na regulamentação, afrontam a ideia da regra nesses pontos.
Em Brasília, por exemplo, é possível fumar na entrada principal do Congresso e na saída inferior do aeroporto --ambos os locais são cobertos e fechados em duas e três laterais, respectivamente.
Seguindo a lei paulista -em que deve se basear a nacional-, o fumo nesses locais seria proibido porque a fumaça não é dissipada.
Já a outra cena que contraria a nova lei federal pode ser vista em mais cidades, incluindo Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro: em muitos pontos de venda, há placas com propaganda de cigarro.
As legislações estaduais não tratam desse tema, cujo regramento é exclusivo federal, explica Maria Cristina Megid, diretora do centro paulista de vigilância sanitária.
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ATRASO
A definição do que será considerado "recinto coletivo fechado" e as novas regras para a propaganda nos pontos de venda deveriam ter saído em março. Esse foi o prazo indicado pelo ministro Padilha em dezembro, mês da sanção.
À época, ele comemorou a aprovação da lei e encomendou a proposta de regulamentação à uma comissão técnica interministerial. Segundo a reportagem apurou, o grupo enviou o texto há dois meses ao ministério, mas este ainda não finalizou a proposta, que deve ser feita por meio de decreto.
A demora inquieta entidades ligadas à saúde, que enviaram uma carta neste mês ao governo cobrando acesso à proposta em gestação e urgência em sua divulgação.
O governo também recebeu cartas de entidades que criticam as novas regras e pedem que a lei seja flexibilizada.
Além de administrar as polêmicas sobre a regulamentação, o governo tem que mobilizar a base aliada para evitar que o Congresso derrube a proibição fixada pela Anvisa de cigarros com sabor.
Procurado, o ministério afirmou que a nova lei não prevê um prazo para regulamentação e que a pasta nunca trabalhou com uma data. Argumentou ainda que o tema é de interesse de várias áreas e, por isso, está em discussão por diferentes ministérios.
17/07/2012 - 07h00
Análise: Atrasar aplicação de medidas é brincar com a vida das pessoas
O governo federal demorou para perceber que Estados como São Paulo e Rio haviam promulgado leis proibindo os chamados fumódromos, espaços para acomodar fumantes inventados por provável influência das fumageiras durante a passagem no Congresso da lei federal 9.294/96.
Esta lei sofreu emendas em 2000, proibindo a publicidade, a promoção e o patrocínio do tabaco, mas de novo por pressão da indústria do setor os pontos de venda ficaram de fora.
Estudo realizado em São Paulo mostrou que não só usuários mas também empregados de bares e de restaurantes se beneficiaram com ambientes completamente livres de fumo.
A poluição foi reduzida e os argumentos de que o setor perdia economicamente com o fim dos fumódromos foram devidamente aposentados.
Mostravam a inutilidade das ações de inconstitucionalidade que a indústria movia contra Estados que em efeito dominó reagiam ao imobilismo federal.
Em dezembro de 2011, o Congresso passou a lei 12.546, aumentando impostos, alinhando o país com Estados que já haviam estabelecido ambientes livres de fumo, além de proibir a propaganda nos pontos de venda, apesar de manter a exposição de produtos de tabaco.
Mas a lei precisa ser regulamentada para ser aplicada e fiscalizada. Há meio ano a proposta de regulamentação vegeta nos gabinetes e não permite medidas que protejam não-fumantes de morrerem por doenças tabaco-relacionadas sem nunca haverem fumado. Também não ajuda na defesa do marketing nos pontos de venda, que continua o mesmo.
O governo brinca com a vida dos outros, quem sabe mais uma vez por pressão da indústria fumageira. Coisa que países como Irlanda, Uruguai e Noruega já não brincam há muito tempo.
VERA LUIZA DA COSTA E SILVA é médica, doutora em saúde pública e pesquisadora visitante da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz
Projeto pioneiro pode tornar cidades mais sustentáveis
Rio de Janeiro – Um projeto brasileiro da área de energia está entre os dez
melhores projetos de infraestrutura urbana inovadores, que podem tornar as
cidades habitáveis e sustentáveis. Os projetos constam de uma lista incluída no
relatório global Infraestrutura 100: Cidades Mundiais, apresentado pela
empresa de consultoria internacional KPMG na Cúpula das Cidades do Mundo, em
Cingapura, no início deste mês.
O relatório mostra como projetos pioneiros na área da infraestrutura podem
fazer diferença, contribuindo para o surgimento das chamadas cidades do futuro,
locais onde as pessoas querem morar e trabalhar. O Brasil aparece com dez entre
os 100 projetos selecionados, metade das iniciativas apresentadas pela América
do Sul.
Considerado um dos dez mais relevantes do mundo, o projeto Cidade Inteligente
Búzios foi incluído na categoria infraestrutura de energia urbana e, de acordo
com a publicação, responde a um dos maiores desafios do século 21, que é o
desenvolvimento da infraestrutura urbana sustentável.
Os outros projetos inspiradores listados no relatório são os de Acesso pelo
Lado Leste, da cidade de Nova York, na categoria mobilidade urbana; Corredor
Industrial Delhi-Mumbai, na Índia, em conectividade global; Desenvolvimento
Regional de Oresund, Dinamarca e Suécia, sobre recuperação urbana; Universidade
Princess Nora Bint AbdulRahman para Mulheres, de Riad, capital da Arábia
Saudita, que trata de educação; Royal London Hospital, de Londres, sobre saúde;
Planta de Dessalinização Tuas II, de Cingapura, relativo à água; Cidade
Ecológica de Tianjin, Tianjin, da China, sobre cidades novas e ampliadas;
Sistema de Esgoto em Túneis Profundos, de Kranji para Changi, de Cingapura, que
trata de reciclagem e gerenciamento de resíduos; e Projeto de Cabo do Briocs, da
África do Sul e Ilhas Maurício, sobre infraestrutura de comunicações.
Segundo a diretora da KPMG no Brasil, Iêda Novais, a questão da
sustentabilidade foi determinante na escolha dos melhores projetos mundiais de
infraestrutura urbana, que são modelos para serem copiados em outras cidades e
regiões. “O fundamental é trazer projetos que ajudem os países a ter boas
práticas. Ter um modelo.” Para ela, muitas vezes, o que falta às cidades é uma
metodologia que possa ser adotada localmente, por meio de parcerias
público-privadas (PPPs), com financiamentos diversos. "Esses projetos podem
criar uma nova fronteira, em termos de gestão das cidades”.
Esta foi a segunda edição do relatório sobre infraestrutura nas cidades
mundiais. Na primeira, divulgada no ano passado, o Brasil entrou com seis
projetos – um deles, o do trem de alta velocidade, que ligará os estados do Rio
de Janeiro e de São Paulo, apareceu também entre as dez principais iniciativas
globais. De acordo com Iêda, a edição deste ano incluiu projetos "mais
encorpados" do Brasil, alguns vinculados a megaeventos esportivos como a Copa do
Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Iêda diz que acordos como o que foi firmado em junho entre as 20 maiores
cidades do mundo durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, a Rio+20, é que vão determinar a adoção de práticas sustentáveis no
mundo. “Esse tipo de acordo é que vai fazer com que a questão da
sustentabilidade nas grandes cidades venha a tomar forma, a partir de agora,
para atender às exigências futuras das populações."
Para ela, tais práticas determinarão o surgimento de novas “fronteiras” entre
cidades, regiões e países, que ultrapassarão a questão geográfica. “As cidades
vão competir entre si economicamente e na geração de empregos. As cidades
sustentáveis têm melhor clima para atrair investimentos e oferecer mais
qualidade de vida às pessoas.” De acordo com Iêda, o objetivo de todos os
projetos selecionados é gerar benefícios para as populações. Os países que têm
práticas de infraestrutura mais desenvolvidas foram selecionados em todas as
regiões do mundo.
Os demais projetos brasileiros selecionados na publicação deste ano foram a
modernização do Hospital do Subúrbio e o Projeto Integrado de Gestão de Água e
Saúde, na Bahia; o Centro de Operações Rio da IBM, o corredor de transporte
coletivo Transolímpica, o Porto Maravilha, e o Parque Olímpico, todos no Rio de
Janeiro; a primeira parceria público-privada (PPP) do país para a construção e
operação de escolas, em Belo Horizonte; a Linha 4 do Metrô de São Paulo; e o
Embraport, maior terminal privado multiuso do Brasil, no Porto de Santos, em São
Paulo.
Para acompanhar o clima, cientista faz
carreira cercado de gelo e urgência
Lonnie Thompson, um dos primeiros cientistas a registrar o
derretimento de uma geleira por causa do aquecimento global, negligenciou sua
própria saúde em busca de sua ciência
The New York
Times|
Andrew Spear for The New York Times
Paleoclimatologista Lonnie G. Thompson foi um dos cientistas a descobrir o
aquecimento global
Um certo dia em 1991, no alto dos Andes peruanos, Lonnie G. Thompson viu que
o maior cume de gelo tropical do mundo estava começando a derreter. Foi neste
momento que ele percebeu que o trabalho de sua vida de repente havia se tornado
uma corrida.
A descoberta indicava que outros cumes provavelmente começariam a derreter e
que as possíveis informações que continham sobre o clima do passado poderiam
desaparecer antes que os cientistas tivessem a oportunidade de aprender com
elas.
Impulsionado por uma sensação de urgência ao longo dos 20 anos que se
seguiram, ele conquistou uma série de realizações nunca vistas anteriormente na
ciência moderna. Ele liderou equipes para algumas das regiões mais altas e
remotas da terra para recuperar amostras de gelo em extinção.
Então, em outubro, a corrida contra o relógio tornou-se uma jornada bastante
pessoal.
Thompson acordou em um quarto do hospital em
Columbus e olhou para baixo. "Haviam fios saindo do meu peito", disse.
Máquinas haviam sido ligadas nele para mantê-lo vivo. A longo prazo, os
médicos lhe disseram que somente um transplante de coração faria com que ele
ficasse completamente saudável novamente.
Thompson, 63, é um dos mais proeminentes da geração de cientistas que, nas
últimas décadas do século 20, descobriram o problema do aquecimento global.
Agora os cientistas nesta área de estudo estão começando a envelhecer e muitos
deles dizem estão tendo dificuldade em lidar com a questão de como é difícil
estar sempre desafiando seus próprios limites.
Será que mais uma descoberta ou mais uma expedição poderia ajudar a mudar a
consciência do público geral?
Thompson se tornou um dos primeiros cientistas a
testemunhar e registrar uma dos maiores cumes de gelo da Terra derretendo. E os
seus núcleos de gelo - longos cilindros de gelo - revelaram que este
derretimento repentino nunca havia ocorrido antes, pelo menos não nos últimos
milhares de anos.
Para alguns cientistas do clima, o registro do núcleo de gelo de Thompson se
tornou o conjunto de evidências mais convincente de que o rápido aquecimento
planetário era resultado de um aumento dos gases contribuintes para o efeito
estufa.
"A razão pela qual o material de Lonnie é tão poderoso é que é bastante
simples", disse Daniel P. Schrag, geoquímico de Harvard e diretor do Centro para
o Meio Ambiente.
"Sua prova rejeita a ideia de que isso é algum tipo de ciclo que acontece a
cada 300 ou 500 anos, que é o que os céticos normalmente dizem. E nós dizemos:
"Não, porque o gelo de Lonnie não derreteu antes. Ele está derretendo
agora."
Colegas afirmam que Thompson negligenciou sua própria saúde em busca de sua
ciência. Agora, na maior parte do tempo confinado em seu escritório e sua casa
em Columbus, ele disse que começou a apreciar a clareza que sua circunstância
lhe proporciona.
"Eu não desejo isso a ninguém, mas não é de todo ruim", disse ele. "Realmente
o obriga a sentar e pensar sobre o que é que você está fazendo e porque está
fazendo isso, e como você está usando seu tempo."
Atraído pelos Trópicos
Criado em uma fazenda perto de
Gassaway, West Virgínia, Lonnie Gene Thompson chegou ao Estado de Ohio com a
ideia de se tornar um geólogo de carvão, mas o gelo logo o seduziu.
Como estudante de pós-graduação em busca de um doutorado em geologia, ele
trabalhou analisando a poeira em núcleos de gelo retirados da Antártica, e
descobriu que características químicas e físicas minúsculas poderiam ser
utilizadas para deduzir o clima do passado.
Colaborando com John Mercer, um cientista especialista na Terra em uma
universidade famosa por seus estudos de geologia glacial na América Latina,
Lonnie Thompson foi atraído para o gelo tropical.
A equipe da Universidade Estadual de Ohio decidiu se concentrar no poderoso
Quelccaya, nos Andes do Peru, o maior cume de gelo tropical do planeta,
suspeitando que ele renderia um registro preciso do clima. Mas a ideia de
perfuração encontrou uma recepção fria de alguns dos cientistas do clima mais
eminentes naquela época. A noção predominante na década de 1970 era de que os
trópicos eram climatologicamente chatos e que a maioria das grandes oscilações
no clima da Terra havia acontecido mais perto dos pólos.
Além disso, nos trópicos, "ninguém achava que haveria gelo muito velho",
lembrou Wallace S. Broecker, da Universidade Columbia, atual principal
paleoclimatologista dos Estados Unidos. (Aos 80 anos, Broecker está entre os
cientistas do clima que trabalham muito além da sua idade de aposentadoria.)
Em 1974, com US$7.000 da Fundção Nacional de Ciência, Mercer e Thompson
lideraram uma equipe de pesquisa no Quelccaya, em uma planície vulcânica 18.000
pés acima do nível do mar. Eles confirmaram que camadas anuais de pó
parcialmente sazonais podiam ser vistas no gelo.
Após uma série de tentativas frustradas de perfurar o gelo, incluindo uma
envolvendo um helicóptero, Thompson recorreu a mulas, cavalos e burros para
montar uma expedição em 1983, que perfurou completamente através de 537 metros
de gelo com uma broca de energia solar.
Na época, ele não conseguia encontrar uma maneira de transportar o gelo
congelado, para que as camadas foram pesquisadas. Então elas foram partidas e
derretidas em milhares de garrafas de plástico que foram transportados de volta
para Columbus, para análise química.
Os resultados foram surpreendentes. O registro do gelo chegou a 1.500 anos
antes e registrou oscilações enormes no clima da região - intensos períodos de
seca alternando com períodos úmidos. Grandes lagos surgiram e sumiram nos vales
abaixo, a poeira de suas secas até camas deixando marcas químicas no gelo. O
registro também mostrou mudanças na química da água semelhantes aquelas
observadas nos pólos, levando Thompson a inferir grandes variações de
temperatura nos trópicos.
Nos anos seguintes, Thompson perfurou em outros locais na América do Sul,
recuperando gelo de até 25.000 anos e confirmando os padrões observados em
Quelccaya. Seus resultados, juntamente com registros colhidos por outros
cientistas no fundo do mar, agitou o campo da paleoclimatologia.
Uma série de desafios
Ao final dos anos 1980, a
preocupação com o aquecimento global estava aumentando, e alguns cientistas
acreditavam que as calotas polares e geleiras dos trópicos seriam as primeiras a
mostrar seus efeitos.
Em uma viagem de retorno a Quelccaya em 1991, Thompson notou substancial
derretimento nas bordas do cume de gelo. Testes laboratoriais confirmaram que os
sinais registrados anualmente na química do gelo estavam se tornando turvos.
Ele acelerou o ritmo com sua equipe, que estava entre os primeiros cientistas
ocidentais permitidos a analisar os cumes de locais como a China, recuperando
gelo que pode ter até 750.000 anos. Ele perfurou várias outras vezes no planalto
tibetano, no Ártico russo, no Alasca, no topo do Monte Kilimanjaro, na Tanzânia,
na Nova Guiné, nos Alpes.
Mas a carreira de Thompson não foi inteiramente livre de controvérsia.
Alguns cientistas têm desafiado a análise de Thompson dos sinais em núcleos
de gelo, dizendo que as mudanças químicas que ele interpreta como variações de
temperatura provavelmente refletem uma mistura mais complexa de mudanças na
precipitação, temperatura e padrões de circulação atmosférica. Mathias Vuille,
um cientista atmosférico da Universidade Estadual de Albany, que admira as
realizações de Thompson, disse que suas análises sobre este ponto "são difíceis
de conciliar com outras evidências."
"Sua hora ainda não chegou"
Quando jovem, Thompson mantinha a forma correndo maratonas. Ele agora percebe
que sua saúde começou um lento declínio em algum momento de seus 40 anos de
idade.
No outono passado, ele chegou a um ponto em que ele mal podia andar. Ele
acabou no hospital, alternando entre consciência e inconsciência por dias à
medida que o seu coração fracassava em mantê-lo vivo. Mais de uma vez, sua
esposa e sua filha, Regina, foram informadas de que ele não conseguiria
sobreviver mais noite.
Foi em um de seus períodos em coma, ele acredita, que teve o sonho. Ele disse
que saltitava pelo espaço e pousou em um belo local cheio de flores e riachos.
Lá, ele disse, uma figura vestida de branco falou com ele.
"Sua hora ainda não chegou", a figura disse ele. "Você tem outra
finalidade."
Thompson não é um homem particularmente religioso, e ele não tenta explicar o
sonho, mas a sua memória dele é vivida.
O equipamento movido a bateria implantado em seu peito o ajudou a melhorar e
a deixar o hospital, enquanto esperava na lista de transplante de órgãos. Na
primavera, ele havia retomado um horário de trabalho limitado, colaborando em
pesquisadas de colegas localizados ao redor do mundo.
Thompson sabe que precisa ir devagar, mas ele já está de olho num cume de
gelo inexplorado na China.
No ano passado, ele entrou em contato com alguns de seus conhecidos na Rússia
e pediu para que um astronauta na Estação Espacial Internacional fotografasse um
cume de gelo específico. Uma equipe chinesa já foi verificar o local e confirmou
que a perfuração de um núcleo parece ser possível, caso ele se recupere o
suficiente para enfrentar uma nova expedição.
Outras pessoas provavelmente poderiam fazê-lo sem ele, mas ele não quer nem
saber de ficar de fora desse possível experimento.
"Eu vou voltar à ativa", disse ele com um sorriso. "Eu estou à procura do
gelo mais antigo do planeta.”
As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, poderão ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.
Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área - se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.
Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.
É essa diferença que os pesquisadores chamam de "débito de extinção", que foi calculado no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser "paga" - em espécies animais - pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.
Mas em vez de calcular para toda a Amazônia - o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.
Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. "Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado."
Na pior hipótese, a do "business as usual", considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.
Mas, mesmo nessa situação, é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km²) podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.
Eles reforçam que isso ainda não ocorreu e defendem que ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.
Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. "O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer."
TÓQUIO - O Japão colocou pela primeira vez em operação neste domingo, 01, um reator nuclear desde o desastre nuclear de Fukushima, no ano passado. Desde o acidente, todos os 50 reatores nucleares comerciais do Japão foram sendo gradualmente desligados e há dois meses o Japão deixou de contar com a energia nuclear para abastecer a rede elétrica do país.
A Kansai Electric Power iniciou a remoção das varas de controle utilizadas para evitar a fissão nuclear do reator principal número 3 em sua usina em Ohi, no leste do Japão, às 22h de sábado em Brasília ou 9h da manhã pelo horário local. A energia começará a ser fornecida até a quarta-feira (4) e o reator atingirá sua capacidade plena quatro dias depois, disse um porta-voz da Kansai Electric.
A volta à operação do reator foi marcada por protestos nas imediações da usina, onde manifestantes gritavam e dançavam. A imprensa local disse que cerca de 650 manifestantes marcharam contra a reativação do reator nas proximidades da prefeitura de Fukui durante o fim de semana e que cerca de 100 tentaram bloquear a entrada principal da usina.
O porta-voz da Kansai Electric disse que o reator número 4 também deve voltar a funcionar este mês, provavelmente no dia 17 e os planos seriam de que estivesse em pleno funcionamento até o dia 24 de julho.
Paralelamente, o jornal Nikkei reportou que um painel composto por representantes do Ministério do Comércio e da Indústria estuda a possibilidade de as maiores empresas de energia do Japão repassarem aos consumidores os custos do acidente nuclear de Fukushima, por meio do aumento das tarifas.
As ruas de São Paulo não deveriam ser usadas exclusivamente para carros, mas também dar acesso seguro a pedestres e ciclistas. O excesso de estacionamentos e a falta de área para pedestres tornam a cidade inviável.
Essa é a análise de Michael Kodransky, 31, gerente de política urbanas do ITDP (sigla de Instituto de Políticas de Transportes e Desenvolvimento, em inglês). Kodransky defende medidas como o fechamento da Times Square, em Nova York, para carros.
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Folha - Como era a Times Square antes das mudanças?
Michael Kodransky- Pesquisas mostravam que a maioria dos que usavam o espaço era pedestre, mas a área era ocupada desproporcionalmente por veículos. A percepção é a de que a Times Square nunca tinha sido uma praça. Era um lugar pelo qual os carros passavam. Agora há um espaço público que reflete melhor o seu nome.
Qual papel os veículos privados deveriam ter na cidade?
Eles são necessários, já que permitem, por exemplo, a entrega de bens. Mas não é preciso permitir que caminhões circulem pela cidade por qualquer motivo. As ruas não têm o mesmo uso o dia inteiro, e eles podem ser equilibrados.
Aqui, o governo diminuiu impostos para carros para aquecer a economia. Como vê isso?
A cidade precisa analisar suas políticas e se há contradições. Se a melhor política é limitar o espaço para estacionamentos, não permitir que a locomoção por carro seja a mais fácil, mas se diminuem os impostos dos carros, há uma contradição.
Como avalia o sistema de transporte de São Paulo?
O espaço para pedestres poderia ser melhor. Há muitas áreas onde não se pode caminhar. É necessário um plano para que haja mais calçadões. As cidades mais bem-sucedidas dão prioridade aos pedestres. São Paulo tem também políticas muito liberais para estacionamentos, o que cria uso ineficiente do espaço. É impossível esse volume de pessoas dirigindo.
A vida do motorista deve ser dificultada?
O real custo em usar carro não é revelado. A diminuição do imposto incentiva seu uso. Mas o verdadeiro custo em dirigir é o congestionamento, o barulho, a poluição... As pessoas tomam decisões com base no que afeta diretamente seu bolso. Quando você sai de casa, pensa no que é mais conveniente. Se você tem um estacionamento no prédio onde trabalha, você provavelmente vai de carro. Especialmente se é barato dirigir.
Cecilia Acioli/Folhapress
Kodransky, 31, gerente de políticas urbanas, para quem ruas devem ser seguras para pedestres e ciclistas
Talvez você resista, mas o seu neto ainda vai adicionar insetos à dieta alimentar.
A maior demanda por proteína animal fará com que eles entrem no cardápio de grande parte da população mundial em 2050, prevê a Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO).
Uma empresa brasileira já se prepara para os novos tempos. A Nutrinsecta, produtora de grilos, besouros, baratas e moscas, aguarda certificação do Ministério da Agricultura para que seus insetos, hoje usados na alimentação animal, possam ser consumidos por humanos.
O fundador e sócio da Nutrinsecta, Luiz Otávio Pôssas, admite que a barreira cultural é grande, mas não é impossível de ser superada. "Virá com o tempo", afirma.
"Quando eu era jovem, todos achavam um absurdo o hábito japonês de comer peixe cru. Esse preconceito não existe mais", diz o empresário, que criou a cerveja Kaiser e a água de coco Kero Coco.
Zootecnista Gilberto Schickler, sócio e responsável técnico da Nutrinsecta, com Grilos Pretos nas mãos
A certificação abrirá um novo nicho de mercado para os insetos, mas, segundo Pôssas, o foco da companhia deve continuar sendo complementos para ração animal.
No entanto, a Nutrinsecta já está montando um quiosque para degustação na fábrica de insetos, em Betim (MG). A empresa contratou um chef de Santa Catarina especialmente para desenvolver pratos como grilo coberto de chocolate --"parece um Bis"--, insetos à milanesa, ou misturados ao macarrão, como um yakisoba.
"As crianças que visitam o nosso projeto sempre pedem para experimentar", diz Gilberto Schickler, sócio da Nutrinsecta e zootecnista.
"Não tenho a intenção de estimular ninguém a consumir insetos. Mas quem quiser comer poderá", diz Pôssas.
EXPORTAÇÃO
Schrickler diz que não será necessário mudar o cardápio do brasileiro para vender insetos a humanos. Ele vê potencial para exportação.
Segundo Pôssas, em mais de cem países os insetos já fazem parte da dieta alimentar. A China é um exemplo.
Os preços, no entanto, ainda estão longe de serem competitivos. A Nutrinsecta vende um quilo de insetos por cerca de R$ 200, em média. "Com escala de produção, esse valor pode cair drasticamente", diz o zootecnista.
O quilo da picanha, corte nobre bovino, é vendido entre R$ 40 e R$ 50 no varejo de São Paulo, em média.
NA RAÇÃO
O interesse de Pôssas pelos insetos começou por causa de sua criação de aves.
Buscando melhorar a alimentação das espécies, financiou uma pesquisa na Universidade Federal de Minas Gerais, que lhe apresentou a proteína de insetos.
De fácil digestão, ela é mais adequada à alimentação das aves criadas em cativeiro e rendeu bons resultados.
Hoje, a Nutrinsecta produz duas toneladas por mês de insetos, vendidos vivos ou desidratados para a empresa irmã MegaZoo, que faz a ração.
A maior parte é processada até virar uma farinha de proteína consumida por aves, peixes, répteis e primatas.
E, se a barreira para levar o inseto à boca é grande, esse farelo de insetos pode ser a saída para a introduzi-los à dieta. O consumo do inseto inteiro será possível, mas a maior demanda será para esse suplemento alimentar em forma de farelo.
Em congresso realizado no início deste ano, a farinha de proteína de insetos foi apontada pela FAO como eficiente no combate à desnutrição.