7/Dezembro/2012Iniciativa privada para produção de água de reúso industrial vence Prêmio ANA 2012http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/iniciativa-privada-para-producao-de-agua-de-reuso-industrial-vence-274844-1.aspProjeto Aquapolo produz mil litros de água de reúso por segundo e abastece pólo industrial na região Metropolitana de São PauloGustavo Jazra | |
O Aquapolo produz água industrial a partir do tratamento do esgoto do sistema ABC para dez clientes do Pólo Petroquímico de Capuava. Além de uma estação de produção de água de reúso para fins industriais, o complexo contém uma adutora, com 17 quilômetros e outros 3,6 quilômetros de distribuição. Essa estrutura foi instalada na Estação de Tratamento de Esgotos ABC, da Sabesp, que fica na divisa entre as cidades de São Paulo e São Caetano. Com capacidade para produzir mil litros de água de reúso por segundo, o Aquapolo abastece o pólo industrial, localizado no município de Mauá, também no ABC Paulista. O consumo é equivalente ao de água potável de uma cidade de 300 mil moradores. De acordo com a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), a partir da iniciativa, será possível aumentar a oferta de água potável para a Região metropolitana de São Paulo. Afinal, o volume de água que seria utilizado pelo pólo petroquímico será substituído pela água de reúso industrial. A solenidade buscava reconhecer iniciativas que contribuíssem para o uso sustentável dos recursos hídricos do país. Ao todo, foram 363 projetos inscritos em oito categorias: Água e Patrimônio Cultural, Ensino, Empresas, Governo, Imprensa, ONG, Organismos de Bacia e Pesquisa e Inovação Tecnológica. |
Parques sustentáveis com enfoque na sustentabilidade; socioambiental; saúde; longividade; qualidade de vida; Feng Shui; terapia holística e afins.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Iniciativa privada para produção de água de reúso industrial vence Prêmio ANA 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Eletrônicos velhos são reciclados para projetos de inclusão social
10/12/2012 - 03h35
Eletrônicos velhos são reciclados para projetos de inclusão social; saiba como ajudar
YURI GONZAGA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A temporada de compras de fim de ano carrega consigo uma questão incômoda: o que fazer com os eletrônicos que serão substituídos?
É uma pergunta de 495 mil toneladas --esse é o peso total do lixo que o país deve gerar em 2012 pelo descarte de computadores, celulares, TVs e outros aparelhos pequenos.
Dados preliminares de um estudo encomendado pelo governo federal ao qual a Folha teve acesso mostram que esse número deve aumentar em 80% até 2016 --para 892 mil toneladas.
Quem quiser reduzir um pouco esse peso pode doar aquele PC velho e ainda ajudar um projeto social. Opções para isso não faltam.
Um exemplo recente é o C3RCO, parceria entre a Prefeitura de Osasco e a ONG Sampa.org. Iniciado no segundo semestre deste ano em Osasco, ele aproveita computadores doados e oferece formação técnica em informática a 60 jovens com idade de 16 a 21 anos e baixa renda familiar.
Além de oficinas culturais, que envolvem atividades de estudo de música, os alunos do projeto recebem uma bolsa de R$ 286 para fazer 16 horas semanais de aulas de
software e de montagem e manutenção de PCs.
Reciclagem de eletrônicos
Jorge Trevisan, diretor da empresa TTI, doa seu computador, que é recolhido no bairro paulistano da Vila Prudente pela recicladora Vertas, situada em Mauá (SP)
As máquinas recondicionadas pelo projeto --que recolhe as doações nos bairros paulistanos limítrofes e nos municípios vizinhos-- são destinadas a salas de acesso gratuito da cidade.
"O que não é aproveitado é encaminhado a empresas recicladoras", diz Carlo Fabiano Leite, coordenador.
Para Edigelson Menezes Ferreira, 20, um dos alunos do C3RCO, as aulas serviram para canalizar um interesse antigo. "Eu já mexia em computadores, mas era de qualquer jeito. Agora quero abrir a minha própria empresa de reciclagem", diz.
| Silva Junior/Folhapress |
| Edigelson de Menezes Ferreira, 20, na oficina de desmontagem do projeto C3RCO, que recondiciona PCs e os encaminha para salas de inclusão digital de Osasco (SP) |
O C3RCO não é o único centro de reciclagem com preocupações sociais --há pelo menos dez projetos similares em São Paulo e região.
Um dos principais centros de recuperação de computadores da capital, a ONG Oxigênio tem uma proposta semelhante à do C3RCO, mas muito mais tempo de estrada e capacidade de recondicionar máquinas. Fundada em 1988, doou a Telecentros dos governos estadual e federal os 3.000 computadores que recuperou só em setembro.
Para comparar, o Cedir (Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática) da USP, referência no Brasil, encaminha a projetos sociais e escolas públicas 200 computadores por ano. O centro, após período de reformas, volta a aceitar doações hoje.
A Abre (Associação Brasileira de Redistribuição de Excedentes) recebe qualquer tipo de eletrônico e envia os aparelhos que ainda funcionam a uma das 85 instituições sem fins lucrativos de seu cadastro. A associação também aceita equipamentos pifados --que são reciclados.
Impactos do aumento no aquecimento global até 2100...
09/12/2012 - 20h00
Folhacóptero mostra impactos do aumento no aquecimento global
DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1198529-folhacoptero-mostra-impactos-do-aumento-no-aquecimento-global.shtml
No Brasil a elevação da temperatura estimada será de cerca de 4º graus o que poderia prejudicar muito a Floresta Amazônica com a diminuição das chuvas na região.
Na região do Saara e do Oriente Médio seriam esperadas temperaturas médias de 45º no mês de julho. Rússia e Canadá poderiam ter uma elevação na temperatura em até 9º graus.
O estudo leva em consideração que nada seja feito até lá para minimizar a emissão de poluentes na atmosfera.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Animação mostra negociações sobre redução da emissão de CO2 (1:25)
Uma animação mostra de forma divertida a trajetória das negociações dos países sobre a emissão de CO2. As emissões de dióxido de carbono provenientes da indústria subiram cerca de 2,6% em meio à crise econômica global, segundo o Projeto Carbono Global.
- Por UOL Notícias
Animação mostra negociações sobre redução da emissão de CO2 e outros vídeos - UOL Meio Ambiente
Compra por desempenho é sustentabilidade
Definição dos materiais de construção pelo desempenho desejado, e não pela marca, ainda é incipiente no setor. Entenda os benefícios da prática e por que ela ainda não está disseminada
Por Juliana Nakamura
O crescente movimento de valorização dos direitos do consumidor, associado à
provável exigibilidade da Norma de Desempenho de Edificações (NBR 15.575) a
partir de março de 2013, impõe às construtoras brasileiras algumas quebras de
paradigmas. Uma das mudanças em curso mais importantes diz respeito à forma como
se especifica e se adquire materiais e insumos para as obras. Hoje, ainda
predominam no mercado as escolhas apenas com base em modelos ou marcas dos
produtos. Mas, no longo prazo, a tendência é que, cada vez mais, seja necessário
basear as decisões em análises técnicas de desempenho. Isso significa, por
exemplo, que em vez de apenas definir o uso de uma telha da marca x e do modelo
y, o especificador terá que informar índices de isolamento térmico, durabilidade
e estanqueidade que aquele produto deverá proporcionar, entre outras tantas
características técnicas, sempre de acordo com as particularidades de cada
projeto. Na prática, será prepreciso um conhecimento mais profundo por parte dos
projetistas a respeito dos materiais e de suas aplicações, com o respaldo das
normas técnicas e de dados de desempenho transmitidos pelos fornecedores.
Na especificação por desempenho, a organização das informações que devem
constar no memorial descritivo difere significativamente do modo como é
apresentado um memorial descritivo baseado em marcas. Segundo a arquiteta Miriam
Addor, vice-presidente nacional de Grupos de Trabalho da Associação Brasileira
dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), a especificação de materiais e sistemas
com base no desempenho requerido durante a vida útil da edificação visa, em
primeiro lugar, a proteger o usuário final quanto ao atendimento dos requisitos
básicos que devem ser apresentados pelos produtos/componentes e pela edificação
como um todo, dentro do tempo de utilização mínimo definido pelas normas
vigentes, ou, de maneira mais particular, pelo usuário ou projetista.
Por que mudar?
A especificação
por desempenho permite que em obras públicas ou privadas a construtora substitua
o fornecedor do material quando necessário, sem que se perca o desempenho
inicial previsto pelo especificador. Afinal, todas as características e as
normas que devem ser atendidas estão claramente discriminadas no memorial
descritivo do projeto. Isso por si só já elimina um problema corrente nas obras
brasileiras, que é o da especificação não cumprida pelo construtor, que muitas
vezes substitui produtos e soluções no canteiro em função de preço.
"Atualmente, os contratantes públicos já não permitem a especificação por
marca. É o caso da Petrobras, que em seus editais exige a especificação por
desempenho", conta o arquiteto Siegbert Zanettini, autor do projeto de ampliação
do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do
Fundão, Rio de Janeiro, em parceria com o arquiteto José Wagner Garcia. O
projeto, concebido para adotar soluções construtivas industrializadas, foi
inteiramente especificado com base em quesitos técnicos.
Para os construtores, se em um primeiro momento a especificação por
desempenho significa mais trabalho, por outro traz maior segurança, uma vez que
os fornecedores passam a ser corresponsáveis pelas características que devem ser
apresentadas pelos materiais e sistemas fornecidos. "Uma vez que os fornecedores
comprovem o atendimento ao desempenho requerido, os construtores ficam
resguardados de suas responsabilidades", diz a arquiteta Bárbara Kelch Monteiro,
que integra o Grupo Técnico de Trabalho de Normas da AsBEA.
Uma expectativa é a de que a exigência de desempenho fortaleça a cadeia da
construção como um todo ao induzir a concorrência por produtos de qualidade
semelhante, discriminando o desempenho mínimo a ser atendido por aquele
determinado material ou sistema, criando uma proteção contra os fornecedores de
preço menor, mas que trabalham fora das especificações mínimas exigidas por
norma. "Os fornecedores deverão verificar o atendimento de seus produtos ou
sistemas às normas técnicas vigentes, e a comprovação desse atendimento deve
ficar clara em seu material de divulgação, assim como em seus documentos
técnicos, uma vez que toda essa informação será utilizada pelos especificadores
na escolha de determinado produto, e ainda deverá constar do manual de
utilização a ser compilado e fornecido pela construtora ao cliente final",
acrescenta Bárbara Monteiro.
| Os materiais e sistemas construtivos da ampliação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, foram todos especificados por desempenho |
A realidade atual
"Os
especificadores que estão acostumados a trabalhar na especificação por marcas
necessitarão de um empenho maior para reunir e conhecer as informações que devem
ser consideradas em cada especificação", afirma Miriam Addor, ressaltando que é
ampla a gama de itens que integram um memorial descritivo, e entender e definir
o desempenho de cada um será um desafio.
Também para o profissional da área de suprimentos a nova forma de especificar
gera impactos. Afinal, nesse modelo ele também passa a receber uma quantidade
muito maior de dados que deverão ser organizados e compatibilizados de forma que
as comparações de preços se restrinjam aos produtos que atendam ao desempenho
mínimo especificado. "O trabalho de comparar preços certamente ficará mais
complexo, volumoso e exigirá mais atenção diante da quantidade maior de
informações. Porém, adicionará segurança e qualidade às construções", acredita o
arquiteto Henrique Cambiaghi. O sócio-diretor do CFA Cambiaghi Arquitetura vê
como consequência desse movimento a maior demanda de especialistas em diferentes
áreas para apoiar as especificações, diante do número de dados técnicos a serem
interpretados e analisados. "Mas é importante não achar que só a especificação
do produto correto vai eliminar todos os problemas. No caso da cerâmica, por
exemplo, muito do seu desempenho depende da execução. Não adianta o
especificador selecionar a melhor cerâmica se o instalador não souber assentá-la
corretamente. O desempenho estará comprometido", salienta Cambiaghi.
Para Bruno Carone, gerente de suprimentos da João Fortes Engenharia, o
gerenciamento de um volume maior de dados é um dos desafios impostos às áreas de
suprimentos das empresas e exigirá profissionais capacitados para avaliar esses
produtos tecnicamente. Ele lembra que "o que normalmente acontece é que os
profissionais conhecem o insumo/produto pelas marcas mais tradicionais e não
pelas suas necessidades técnicas".
Diante disso, a expectativa é a de que a especificação por desempenho também
induza a uma maior qualificação dos profissionais da área de suprimentos, que
deverão ter maior domínio sobre as características técnicas dos materiais e o
seu funcionamento quando instalados para poder adquiri-los corretamente.
Desafios à frente
Sem
informações técnicas sobre os materiais, não há especificação por desempenho.
Por isso, "um grande obstáculo a ser enfrentado por construtores e projetistas é
a falta de informações de desempenho por parte dos fornecedores", diz Cambiaghi.
Algumas empresas já se anteciparam a essa demanda e atualizaram seus catálogos
impressos e virtuais, mas, de forma geral, o movimento é de adaptação, sobretudo
porque requer por parte dos fornecedores investimento em adequações e testes
comprobatórios de seus produtos. "Essa adequação, aliás, pode ser explorada como
um diferencial dessas empresas perante seus concorrentes, sendo preferenciais em
um processo de seleção de materiais aquelas que mais facilmente comprovarem seu
atendimento às normas e auxiliarem os especificadores nesse trabalho", afirma a
arquiteta Miriam Addor.
"De forma geral, sistemas construtivos inovadores e industrializados saem na
frente na comprovação do desempenho porque já estão acostumados a apresentar
certificados e atestados de qualidade para o mercado", compara Siegbert
Zanettini. Segundo ele, embora possa parecer contraditório, tende a ser mais
fácil especificar por desempenho produtos "novos" e fornecidos como sistemas,
caso de painéis cimentícios e de drywall, do que os mais tradicionais, como
alvenaria e estrutura de concreto moldada in loco. Ele conta que no caso do
projeto do Cenpes para a Petrobras, por exemplo, não houve dificuldades, nem na
especificação nem na realização das compras, justamente porque todo o projeto se
apoiou em uma filosofia de construção industrializada. "Os problemas quando
ocorreram foram mais ligados à produção da obra e à dificuldade das empreiteiras
subcontratadas adotarem práticas de controle", revela Zanettini.
| Os investimentos em ensaios comprobatórios são fundamentais para uma especificação de materiais com base no desempenho desejado |
O momento é de adaptação também para as construtoras. Em entrevistas à
reportagem do Guia da Construção, empresas que atuam em diferentes
praças revelaram que estão de olho nas mudanças em curso, mas que ainda
especificam e compram seus produtos e insumos como de costume, com base em
marcas e no relacionamento com fornecedores de confiança. É o caso da Racional
Engenharia. A coordenadora de compras da construtora, Vera Gomes, conta que, nas
obras do Tietê Plaza Shopping em São Paulo, a maioria dos produtos utilizados
foi especificada por marca. "Em alguns casos, como com os elevadores e as
escadas rolantes, são aceitos produtos similares, desde que de marcas conhecidas
por sua qualidade e líderes de mercado", diz Vera, que completa: "Na hora de
definir qual empresa iremos contratar, também levamos em conta o desempenho
desses produtos em empreendimentos anteriores".
A coordenadora de compras da Racional enxerga aspectos positivos e negativos
na especificação pautada por marca. "As vantagens estão no conhecimento amplo
dos produtos disponíveis no mercado e nos cuidados especiais a serem tomados na
utilização de cada um deles, que já são bem dominados. Por outro lado, a
especificação por marca dificulta a negociação quando o fornecedor é único ou
quando não há produtos similares no mercado", pondera.
O caminho a ser percorrido até se chegar ao que acontece em países
desenvolvidos é longo. Diferentemente do que acontece por aqui, nos Estados
Unidos, por exemplo, há uma numeração e uma formatação padronizada por
institutos voltados à especificação na área da construção. Esse padrão se
relaciona diretamente com os programas Building Information Modeling (BIM)
utilizados para desenvolvimentos dos projetos. Há ainda softwares próprios para
realização das especificações da indústria da construção.
Segundo Miriam Addor, nesse padrão definido constam a descrição básica do
material, as características específicas, as normas a serem seguidas, as
especificações de aplicação ou instalação, testes e verificação da qualidade a
ser aplicada, informações como cores, tamanhos ou outros, e a marca de
referência. "A padronização permite que todos os envolvidos na cadeia produtiva
trabalhem com a mesma base de informações, diminuindo significativamente erros e
desvios ligados a falhas nas especificações dos materiais e sistemas", conclui
Addor.
Especificação por desempenho x marcaRequisitos fundamentais na especificação por desempenho ● Consistência, trabalhabilidade (slump); ● Habilidade passante/viscosidade; ● Método de transporte/colocação; ● Resistência à compressão; ● Módulo de elasticidade; ● Calor de hidratação; ● Retração; ● Resistência à abrasão; ● Coeficiente de carbonatação; ● Coeficiente de penetração de cloretos; ● Permeabilidade; ● Resistividade elétrica. Itens que costumam constar na especificação tradicional ● Resistência característica do concreto (fck); ● Consistência, trabalhabilidade (slump); ● Dimensão máxima do agregado; ● No caso do concreto dosado em central, no momento da compra, costuma-se especificar: o tipo e a marca do cimento, o tipo e a marca do aditivo, a relação água/cimento, o teor de ar incorporado, o tipo de lançamento, a cor, a massa específica, etc. Requisitos fundamentais na especificação por desempenho ● Resistência à abrasão; ● Coeficiente de atrito; ● Resistência às manchas e a ataques químicos; ● Carga de ruptura; ● Expansão por umidade; ● Espessura da junta, sempre de acordo com as características do local/tipo de instalação, entre outros. Itens que costumam constar na especificação tradicional ● Marcas e modelos, principalmente. Assim como ocorre em louças e metais sanitários, esse é um dos segmentos em que a especificação por marca está mais arraigada. Isso porque se entende que, determinadas marcas, conhecidas por seus produtos de qualidade, agregam valor técnico e institucional. Requisitos fundamentais na especificação por desempenho ● Permeabilidade ao ar (variável de acordo com a região); ● Estanqueidade à água; ● Comportamento quando submetido a cargas uniformemente distribuídas; ● Resistência às operações de manuseio; ● Deformação, módulo de elasticidade, coeficiente de dilatação térmica; ● Condutibilidade térmica; ● Resistência, durabilidade, vida útil de seus componentes, entre outros. Itens que costumam constar na especificação tradicional ● Dimensões; ● Matéria-prima da esquadria (PVC, alumínio, aço, etc.); ● Espessura dos perfis; ● Marca/modelo. Requisitos fundamentais na especificação por desempenho ● Pressão de serviço; ● Resistência mecânica de peças durante o uso; ● Resistência a impactos durante a vida útil de projeto; ● Temperatura máxima de trabalho; ● Estanqueidade à água e a gases; ● Durabilidade dos sistemas, elementos, componentes e instalação, entre outros. Itens que costumam constar na especificação tradicional ● Pressão de serviço; ● Matéria-prima (PVC, PPR, etc.); ● Tipo de conexão (roscável, soldável). |
domingo, 9 de dezembro de 2012
Sr. Spock: Gênesis?
08/11/2012 - 03h32
Grupo encontra possível 'super-Terra' habitável
SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1181948-grupo-encontra-possivel-super-terra-habitavel.shtmlCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Um grupo internacional de pesquisadores diz ter descoberto um possível planeta habitável fora do Sistema Solar.
Mas é melhor ir com calma: o que o novo estudo faz melhor é mostrar como é delicado o trabalho de procurar exoplanetas.
A descoberta foi feita usando dados do espectrógrafo Harps, do ESO (Observatório Europeu do Sul), o mais preciso do mundo para buscar planetas extrassolares.
| Ilustração J.Pinfield/Universidade de Hertfordshire | ||
| Concepção artística do novo candidato a planeta em órbita da estrela HD 40307, a 44 anos-luz da Terra |
Contudo, o trabalho não é fruto de uma nova leva de observações, mas de dados antigos, garimpados dos arquivos da organização.
A estrela, designada HD 40307, é parecida com o Sol, mas um pouco menor e mais fria (cerca de 70% da massa solar), localizada a 44 anos-luz da Terra. (Um ano-luz equivale à distância que a luz percorre em um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros.)
Com as observações originais, pesquisadores europeus já haviam descoberto três planetas, todos muito próximos da estrela para abrigar água em estado líquido --principal qualidade para a habitabilidade.
Usando uma nova técnica de análise, a equipe liderada por Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e Guillem Anglada-Escudé, da Universidade de Göttingen, na Alemanha, conseguiu extrair sinais de outros três mundos orbitando HD 40307.
O mais interessante deles completa sua órbita (um ano naquele mundo) em cerca de 200 dias terrestres. Como a estrela é um pouco menos brilhante que o Sol, ele está na posição certa para abrigar água em estado líquido na superfície.
E o melhor de tudo: ele tem cerca de sete vezes a massa da Terra, o que o coloca numa categoria de planeta que possivelmente tem solo rochoso --as "super-Terras". É interessante notar que não há análogo desse tipo de mundo no Sistema Solar.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
BAMBOLÊ ESTELAR
A técnica mais consolidada --e usada pelo Harps-- para detectar planetas é observar pequenas modificações na luz da estrela, causadas por seu movimento. Se o astro está se aproximando de nós, sua luz fica mais azulada. Se ele está se afastando, a luz fica mais avermelhada.
Essa variação, por sua vez, pode ser correlacionada com o efeito gravitacional que possíveis planetas --pequenos demais para serem observados diretamente-- causam na estrela, conforme giram em suas órbitas.
Só que a coisa fica mais complicada que isso. É preciso extrair outros efeitos (como variações naturais no brilho da estrela) e conseguir separar os efeitos individuais de cada planeta.
O novo software desenvolvido pelos pesquisadores é um avanço no sentido de melhorar a interpretação desses dados, aumentando a precisão das descobertas.
Só assim eles puderam encontrar o possível planeta habitável, designado HD 40307g. Mas o resultado não é incontroverso, a ponto de os próprios descobridores tratarem o objeto como "candidato", ainda carecendo de confirmação mais sólida.
Astrônomos não envolvidos com o achado se mostram céticos. "O fato de que eles colocam em dúvida no trabalho a própria natureza da descoberta já diz tudo", afirma Cassio Leandro Barbosa, astrônomo da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José dos Campos (SP). "Para mim é o desejo de encontrar um planeta rochoso na zona habitável em uma distância que alguma missão seja capaz de alcançar em escalas de tempo razoáveis em alguma época futura."
A boa notícia é que, a 44 anos-luz daqui, de fato esse possível planeta estaria ao alcance de uma futura geração de telescópios espaciais, como o Terrestrial Planet Finder, da Nasa, e o Darwin, da ESA, que buscarão detectar diretamente a luz vinda desses astros.
"É o primeiro planeta na zona habitável no regime de massa das "super-Terras" que poderia ser alvo desses observatórios planejados", dizem Tuomi e seus colegas, no artigo aceito para publicação no periódico "Astronomy & Antrophysics".
Com a luz, seria possível identificar, por exemplo, a composição atmosférica desses mundos. Se HD 40307 tiver grandes quantidades de oxigênio em sua atmosfera, é certo que o planeta não só é habitável, como também é efetivamente habitado (pelo menos por criaturas capazes de fotossíntese, como plantas).
sábado, 8 de dezembro de 2012
Difícil é convencer família a sair, diz coordenador
Além do ritmo lento de investimentos para prevenir e gerenciar desastres, o governo federal enfrenta dificuldade em capacitar e identificar pessoas preparadas para mobilização e retirada de famílias antes das tragédias.
"A gente tem desastre todo dia, mas a população não acredita que pode acontecer na casa dela", afirma Rafael Schadeck, chefe do Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres).
Schadeck conta com uma equipe de 95 pessoas que se dividem em turnos de 24 horas para prestar suporte a Estados e municípios.
Para ele, o mais difícil é conseguir mão de obra capaz de convencer as famílias a deixarem suas casas e pertences diante do risco iminente de desastres.
Sem previsão de novas contratações, Schadeck aposta nos simulados para treinar moradores de áreas de risco a saberem como reagir em dias de alagamento e fortes chuvas.
Neste mês, 14 cidades das regiões Sul e Sudeste vão sediar os simulados. Também serão capacitados 110 profissionais para atuarem em áreas de risco.
MAPEAMENTO
O governo também se prepara para analisar a vulnerabilidade de 68 municípios nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Nenhum deles no Rio ou em São Paulo, Estados tradicionalmente castigados por chuvas. Até 2014, no entanto, o Cenad pretende mapear as áreas mais críticas de 821 cidades.
"Risco zero não existe, mas identificar áreas de risco e fazer obras preventivas facilita o trabalho de gerenciamento de possíveis desastres", explica Schadeck, admitindo que o sistema de prevenção de desastre ainda precisa amadurecer, em especial nos Estados e municípios.
AÇÕES INTEGRADAS
Para a geóloga Kátia Camil, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), o mapeamento geológico é a base para saber onde e como estão as áreas de risco. A partir do próximo ano, São Paulo vai começar esse levantamento em 31 municípios.
"Mas ações precisam ser integradas, com manutenção regular de esgoto e contenção de encostas o ano todo, uma defesa civil preparada e projetos estruturantes. Não se faz obras do dia para a noite."
03/12/2012 - 06h30
Governo usou só 48% da verba para evitar desastres
FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA
DE BRASÍLIA
Antes mesmo do período mais crítico de chuvas, o Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), inaugurado em agosto pela presidente Dilma Rousseff, já emitiu alertas de emergência a 407 municípios atingidos por seca ou chuva.
As previsões para os próximos três meses são de chuvas fortes, mas as principais ações para prevenção e resposta a desastres continuam à espera de recursos.
Até o fim de novembro, dos R$ 4,4 bilhões reservados no Orçamento de 2012 para programas em todo o país --sobretudo ações de prevenção na época de chuvas--, o governo se comprometeu a pagar menos da metade --48%, ou R$ 2,1 bilhões. Pagou efetivamente R$ 1,1 bilhão, ou 25%.
O governo federal divide o ônus da baixa execução orçamentária com municípios e Estados. Diz que, como beneficiários, eles precisam cumprir uma série de exigências.
Um dos resultados dessa "dificuldade" em executar ações preventivas é que o governo precisa abrir os cofres para remediar tragédias.
A Comissão de Orçamento do Congresso aprovou crédito extra de R$ 676 milhões para os municípios que sofrem com a seca, principalmente no semiárido do Nordeste --a liberação ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Câmara.
Esse dinheiro extra foi solicitado porque pode ser gasto livremente em ações emergenciais, enquanto a verba do Orçamento é em sua maioria atrelada à prevenção.
| Lula Marques/Folhapress | ||
| Sala de monitoramento do Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), em Brasília |
CULPA DA METEOROLOGIA
"Colocam a culpa na meteorologia, mas nós avisamos com antecedência. Se os governantes não tomarem providências, todo ano vai ser a mesma coisa: enchentes, carros boiando, deslizamentos", afirma o meteorologista Fabrício Silva, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
O prognóstico climático para o verão é de chuvas fortes, em especial nas regiões Sudeste e Sul do país.
"Não vai haver chuva abaixo da média no próximo trimestre", avisa Silva.
A maioria das ações à espera de verbas federais está descrita de forma genérica no Orçamento. São obras para contenção de encostas, controle de cheia e de erosão, drenagem e
canalização de córregos, que envolvem sete diferentes ministérios.
Cabe a Estados e municípios apresentar projetos específicos que, depois de analisados e aprovados pelas pastas, entram na fila de repasses.
Para o Estado de São Paulo e seis municípios paulistas, por exemplo, há R$ 89,15 milhões autorizados.
Desse total, foram comprometidos R$ 500 mil para drenagem no bairro Morrinhos 3, no Guarujá (litoral sul), e R$ 3 milhões para apoio a obras preventivas em diferentes áreas do Estado.
Todos esses recursos foram garantidos no Orçamento por parlamentares de São Paulo por meio de emendas, cujos pagamentos precisam ser autorizados pela presidente.
Não saíram do papel ainda, por exemplo, R$ 45 milhões previstos para Osasco, na Grande São Paulo, e R$ 21 milhões para a capital paulista prevenirem enxurradas, enchentes e cheias.
MONITORAMENTO
Para o chefe do Cenad, Rafael Schadeck, obras de prevenção e um sistema eficiente de monitoramento são igualmente importantes. Para isso, o governo se prepara para criar um software que vai uniformizar e gerenciar todas as informações de áreas de risco e desastres em todo país.
A região serrana, no Rio, e os vales Doce, no Espírito Santo e em Minas, e do Paraíba, na divisa entre São Paulo e Rio, são apontadas como as regiões que mais exigem atenção.
| Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress | ||
Avenida Paulista terá ciclofaixa nas noites de sábado de Natal em SP
08/12/2012 - 07h00
ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
A ciclofaixa de lazer da avenida Paulista irá funcionar na madrugada dos "sábados de Natal", dias 15 e 22.
A via exclusiva para bicicletas funcionará nessas duas datas a partir das 22h de sábado, quando o trânsito no local ainda é intenso justamente por conta das atrações de Natal espalhadas pela via.
Ela vai funcionar até as 7h e ser integrada às ciclofaixas habituais, que vão até as 16h.
Segundo a prefeitura, o objetivo é incentivar a bicicleta como meio de transporte dos que forem visitar as atrações.
A medida atinge apenas o trecho que vai da avenida Paulista ao parque Ibirapuera --24 km no total, nos dois sentidos, passando pela rua Vergueiro, av. Domingos de Morais, Jabaquara, Indianópolis e República do Líbano, até o portão 8 do parque.
No Ibirapuera ficam outras duas atrações natalinas, a fonte multimídia e a árvore.
Os outros trechos de ciclofaixa vão continuar funcionando apenas aos domingos.
SEGURANÇA
Para especialistas, há risco à segurança dos ciclistas.
"O risco de acidentes é oito vezes maior de madrugada. Não há fiscalização, os motoristas bebem, correm mais e avançam o sinal vermelho. Os cones da ciclofaixa sinalizam, mas não seguram nada. Se um motorista perder o controle, vai ser strike", diz o consultor Horácio Figueira, mestre em engenharia de transportes pela USP.
Para Alexandre Zum Winkel, especialista em trânsito, o risco está fora das ciclofaixas, pois para chegar até os trechos sinalizados os ciclistas terão que dividir espaço com outros carros durante a madrugada.
Ele ainda lembra que alguns trechos da ciclofaixa têm iluminação deficiente.
A SPTuris diz que a equipe de monitores da ciclofaixa será reforçada e são estudadas mudanças na sinalização, como a iluminação dos cones.
As atrações do fim de ano na Paulista aumentam o fluxo de carros e pedestres. Em, 2011, a quantidade de gente foi tão grande que a CET foi obrigada a interditar a via em três noites, por segurança. Com calçadas cheias, as pessoas avançaram para a rua e poderiam ser atropeladas.
"Neste ano isso não deve ocorrer. Não haverá coral nem visitas à Praça de Natal, o visitante não vai precisar invadir a rua para ter um ângulo de visão melhor", diz Arley Ayres, diretor da SPTuris.
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que já reforçou o monitoramento na avenida nesta semana e proibiu o estacionamento em vias paralelas, vai montar operação especial na madrugada.
Livros são produzidos com certificação e uso de plástico
Artigo
04/12/2012 - 11h28
04/12/2012 - 11h28
por André Trigueiro*
Produção de livros certificados vem crescendo de 20% a 30% ao ano. Papel sintético leva na composição 75% de embalagens descartadas.
Já não se fazem mais livros como antigamente. Aliás, já não se faz mais papel como antigamente. Está cheio de novidades um mercado competitivo e cada vez mais criativo na busca por soluções sustentáveis.
O primeiro livro certificado ambientalmente do Brasil é de um autor português, e não é de um português qualquer. Único prêmio Nobel de literatura em língua portuguesa, José Saramago fez história há sete anos quando lançou no Brasil o livro “Intermitências da Morte”. Exigiu que toda a cadeia de produção, da floresta de eucalipto à gráfica, fosse ambientalmente correta e tivesse selo verde.
“Foi um lançamento mundial em papel amigo da natureza. Ele disse que outros países estavam fazendo e que ele queria muito que a gente fizesse também. Então eu fiquei assim, ‘o que é um papel amigo da natureza?’”, afirma Elisa Braga, diretora de produção da Companhia das Letras. Depois do susto, a editora resolveu adotar a certificação como norma. “Hoje são 600 títulos certificados e por volta de 200 mil exemplares certificados”, diz Elisa.
A primeira gráfica certificada da América do Sul fica em Santo André, na Grande São Paulo. Já saíram de lá 5 milhões de livros feitos de matéria-prima certificada, o que equivale a 3,2 milhões de árvores que foram retiradas de florestas onde há plano de manejo. Para cada árvore retirada, uma outra é plantada.
Segundo a empresa, a produção de livros certificados vem crescendo de 20% a 30% ao ano. Em 2010, um decreto presidencial determinou que compras públicas de livros didáticos com tiragem acima de 200 mil unidades deveriam ser impressas em papel certificado.
“Nós entendemos que foi uma exigência do mercado. Nossos clientes começaram a exigir que um produto seja certificado. Esse consumidor final, se pegar um livro atrás dele, tiver um selo certificado, sabe de onde vem, quem produziu, quais são os papéis, a empresa que fornece matéria-prima, o papel, e essa empresa consegue saber de que árvore, pode chegar até de que arvore, que plantação esse papel foi extraído”, afirma Marcelo Gonçalves, gerente de produção.
E se o livro não for de papel de verdade? O que parece um livro convencional é feito de plástico. “É um papel feito a partir de prolipropileno, com aspecto semelhante ao papel couchet e com a grande vantagem de ter mais durabilidade, ser muito resistente, não rasgar, poder ser molhado sem nenhum problema”, diz Aldo Mortara, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Vitapel.
Em uma fábrica em Sorocaba, interior de São Paulo, os plásticos recolhidos nas cooperativas são triturados antes de se transformar em livros.
O papel sintético leva na composição 75% de embalagens plásticas descartadas como lixo. Para cada tonelada produzida desse papel, são 750 quilos de plásticos a menos nos aterros. Na comparação com o papel convencional, o papel sintético consome 20% a menos de tinta e pesa menos.
Transformar lixo em cultura é outro trunfo dessa tecnologia. Já não se fazem mais livros como antigamente. Melhor assim.
* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livroMundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.
** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.
(Mundo Sustentável) sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Meio ambiente artificial urbano perde o seu maior criador...
07/12/2012-06h50
Curvas do tempo
Marina Silva,
Quero juntar minha voz às milhões de outras que entoam uma canção de despedida para Oscar Niemeyer. Com ele aprendemos a ser modernos sem deixarmos de ser antigos; agora, aprenderemos a ser eternos. Arquiteto de novos mundos possíveis e improváveis, um dos autores do fantástico século 20, Niemeyer acentuou as formas femininas do planeta Terra. Seu coração é o círculo, sua linguagem é a curva.
O homem atravessa o tempo e é por ele atravessado, vive seus conflitos e contradições. Entre as guerras, produz uma paz provisória e tensa. Assume posição, afirma seu comunismo simples, conservador, soviético. Transmite às gerações que o seguem uma mensagem mais que política, uma ética humanista de solidariedade entre pessoas e povos.
O arquiteto, porém, é artista sofisticado. Vai aos limites da matéria mais dura, cimento e aço, e desenha sinuosidades. Quer marcar a natureza, torná-la moldura de seus monumentos, dela isolar-se numa caixa racional, mas a arte e o tempo o conduzem ao seu destino de suavidade e harmonia. A arquitetura é grande, a vida é maior.
A vida de Niemeyer é exemplarmente grande. Vida de um homem idealista, amante de seu país, artista admirador da variada cultura dos povos, cidadão de todos os tempos. Vida compartilhada com todos, na intimidade de outras grandes vidas: Drummond, Prestes, Darcy, Juscelino, Tom...
Niemeyer nos faz pensar no Brasil e perguntar o que temos para o mundo. A renovação do sonho humano, um paraíso na Terra, a genialidade mestiça, a igualdade nas diferenças, um novo convívio com a natureza, novas conjugações do verbo amar? Já demos à luz uma arquitetura universal, que expressa esses ideais. O mundo é outro depois do Brasil e de Niemeyer.
Para o futuro, necessitamos de ideias simples e monumentais que nos façam superar a mesquinhez da corrupção, da política rasteira, da violência. Um ideal que não nos deixe esquecer nossa grandeza. O Brasil tem muita genialidade oculta, aguardando a chance de dar-se ao mundo. O que mostramos até hoje foi possível quando o país deixou-se levar por um espírito generoso, que produz as riquezas da civilização, mas sabe que a vida não se reduz ao acúmulo de coisas.
As coisas podem ser expressão desse espírito. Nossa arte canta o valor da natureza, da montanha, do mar, da floresta. Nossa cultura tem nas comunidades simples, de campos e cidades, sua fonte de inspiração e força. Se o século 20 pôs a obra humana na tela e a natureza como moldura, porque não dirigimos as curvas persistentes de Niemeyer para além da rigidez do aço e do cimento, na volta ao caminho natural do cuidado com a vida?
Que em nós, num novo mundo possível, Niemeyer seja ainda mais vivo.
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