segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Recifes artificiais


Vagões do metrô de NY são atirados ao mar para fazer recifes artificiais; veja


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A última parada de antigos vagões de trens nova-iorquinos, chamados de Redbirds, que foram utilizados no metrô por 40 anos, é o oceano Atlântico, 30 km mar adentro.
O Departamento de Trânsito da cidade escolheu o fundo do mar como forma de descartar os vagões para que eles virassem recifes artificiais.
O objetivo é simples: além de atrair turistas, tais recifes fazem com que os mergulhadores deixem de frequentar os corais naturais, muito sensíveis à presença humana.
Os trens foram ao mar ao longo da última década. O processo atraiu o fotógrafo Stephen Mallon, cujas imagens dos afundamentos estão em exposição em Manhattan entre esta sexta-feira (6) e 8 de março, na Galeria Kimmel da Universidade de Nova York.
"Enquanto fotografava, eu só pensava 'meu Deus, que imagens' entre os cliques", disse o fotógrafo à Folha.
A iniciativa americana não é a única. No Brasil, a Associação MarBrasil, que reúne pesquisadores da área biológica, tem nos últimos anos jogado blocos de concreto ao mar no Paraná para fazer recifes artificiais. Entre março e abril, a entidade pretende lançar 1.500 novas unidades –o Ibama, que tem de ser consultado para que isso seja feito, já aprovou o projeto.
Editoria de Arte/Folhapress
Coral
Nesse caso, o objetivo é mais científico: deseja-se entender como ocorre a colonização, primeiro por microalgas e bactérias que se incrustam nos blocos, depois por peixes em busca de alimentos.
O que está ficando cada vez mais claro para os cientistas é como a vida toma com facilidade as estruturas para si. Eles estimam que em dois anos o ecossistema se estabelece inteiramente, e depois de escolhido o lugar adequado não é preciso fazer nada além de deixar a natureza trabalhar.
Além de outras iniciativas com concreto no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, o Brasil também já afundou navios, como o rebocador Walsa, em 2009, em Recife, e o cargueiro grego Victory 8B, com 89 metros de comprimento, submerso desde 2003 no Espírito Santo. Ambos servem à pesquisa e ao turismo.
Para afundar vagões ou navios, é preciso retirar pneus, janelas, fios, baterias, resíduos de combustível e tinta. Fica só a estrutura metálica.
Frederico Brandini, professor titular do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e ex-presidente da MarBrasil, conta que a biodiversidade em um recife artificial é alta. "Existe muita complexidade no ambiente. São muitas tocas, buraquinhos. Vários organismos conseguem se fixar ali e isso atrai peixes. É um verdadeiro jardim."
Além disso, o local tende a ser uma área protegida, em função da estrutura do objeto afundado –ficando por lá, peixes não são atingidos pela pesca de arrasto, por exemplo, e conseguem se esconder de predadores maiores.
No Paraná, já estão sendo vistas espécies de peixes, como meros e garoupas, que antes não habitavam nem corais naturais. O IO-USP pretende reproduzir a experiência no litoral norte de São Paulo.
Há quem seja mais criativo na hora de criar recifes. Os búlgaros, por exemplo, jogaram ao mar um avião em 2011.
O Tupolev-154, fabricado na União Soviética e parecido com um Boeing 727, pertencia ao ditador comunista Todor Zhivkov e foi utilizado, entre outros, por Fidel Castro. O avião, agora com frequentadores bem mais inofensivos, repousa hoje entre peixes a 700 metros da costa de Varna, onde virou ponto turístico.
Já os tailandeses preferiram mandar, em 2010, 25 tanques de guerra desativados (e inúteis) para o fundo do oceano, pois estavam preocupados com a redução no número de peixes na região.
Conheça os trabalhos de Stephen Mallon
bit.ly/mallon_facebook
instagram.com/mallonfilms/
twitter.com/stephenmallon
frontroom.org
nyu.edu/life/resources-and-services/kimmel-center/kimmel-galleries.html 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Parque Augusta será aberto em 2016, diz construtora


http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/edison-veiga/parque-augusta-sera-aberto-em-2016-diz-construtora/

EDISON VEIGA
07 Fevereiro 2015 | 18:55

Pelo projeto, terreno deve abrigar edifícios até 2019; ativistas pedem preservação completa do local


Foto: Amanda Perobelli/ Estadão
Foto: Amanda Perobelli/ Estadão

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O Parque Augusta, no centro da capital paulista, será aberto em 2016. Pelo menos é o que prometem as construtoras Cyrela e Setin, proprietárias do terreno. A abertura, entretanto, não será da maneira como os ativistas – que ocupam a área desde o dia 17 – desejam.
O imbróglio que envolve o terreno de 23,7 mil metros quadrados na Rua Augusta, entre a Caio Prado e a Marquês de Paranaguá, é longo. Em 1902, ali foi erguido casarão, projetado por Victor Dubugras (1868-1933). Quatro anos mais tarde, foi vendido. No local, religiosas fundaram o Colégio Des Oiseaux, tradicional escola para meninas que funcionou até 1969.
Desde então, o terreno jamais reencontrou uma vocação. Foi declarado de utilidade pública, comprado por um empresário, foi sede de eventos culturais e abrigou um estacionamento. Em 2004, a área foi tombada pelo Conpresp, o órgão municipal de proteção ao patrimônio, garantindo salvaguarda ao bosque – atualmente com 709 árvores – e aos remanescentes do antigo colégio.
Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução
Obra. Em 2008, as construtoras Cyrela e Setin assinaram um compromisso de compra do imóvel, com intenção de erguer um conjunto de edifícios, de uso misto. De lá para cá, manifestações de ativistas em defesa da criação do Parque Augusta só aumentaram. O coro foi engrossado pela autorização, pela Câmara, em 2011, e pela lei municipal, em 2013, de um parque no local. Mas há dez dias, o Conpresp aprovou o projeto das construtoras, que agora tem de passar pelo crivo das Secretarias de Licenciamento e do Verde e do Meio Ambiente.
O plano é que sejam erguidos um prédio de escritórios e hotel, um de pequenos apartamentos (estúdios) e dois de apartamentos convencionais. As alturas devem variar de 36 a 45 metros. Na obra, 46 árvores devem ser removidas. Mas as construtoras se comprometem a plantar dez novas para cada uma que sair. O empreendimento deve deixar impermeável 49,2% do solo; porém, manteria a passagem pública por 60% da área.
50,8% do solo do terreno será mantido permeável – ou seja, não terá nenhuma construção.
A repercussão foi forte. O arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), afirma que, diante de tal aprovação, o Conpresp se mostrou “inoperante” e “destinado à extinção”.
Diretora jurídica da Sociedade dos Amigos e Moradores de Cerqueira César (Samorcc), Célia Marcondes diz que defender o parque é “questão de sobrevivência, já que a região tem apenas 1,2 metro quadrado de área verde por habitante”. Do grupo de ativistas, o advogado Daniel Biral garante que os ocupantes do terreno seguem em “vigília criativa”, confiantes de que conseguirão barrar o projeto.
12 meses é a expectativa de obras necessárias para que o parque esteja aberto ao público.
“Se não houver mais invasões, se ninguém mais nos atrapalhar, vamos entregar o parque em 2016”, diz o presidente da Setin, Antonio Setin. “Só então começaremos os alicerces do empreendimento, cuja conclusão está prevista para 2019.”
Segundo Setin, a entrega do parque é ótimo negócio para a Prefeitura, que não teria de desapropriar a área. As construtoras pagaram R$ 64,2 milhões em janeiro de 2014. Hoje, o valor venal é de R$ 128,8 milhões. Os últimos parques custaram, em média, R$ 3 milhões ao Município. “Apresentamos à Prefeitura alternativas, como permuta com outro imóvel da municipalidade”, diz Célia.
Para o Conpresp, houve vitória no modo como o empreendimento foi aprovado. “O projeto atende à resolução de tombamento e conseguimos garantir a fruição pública no térreo, além de que a área verde seja aberta ao público”, diz Nádia Somekh, presidente do órgão.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Rodízio de água será a próxima opção para São Paulo?


6 de fevereiro de 2015 às 16:40 por Redação Climatempo

Água de reúso

http://equipedeobra.pini.com.br/construcao-reforma/61/agua-de-reuso-coordenador-da-norma-da-abnt-fala-291278-1.aspx

Coordenador da norma da ABNT fala sobre aproveitamento da água da chuva, dimensionamento e funcionamento de sistemas de captação

Reportagem: Karina Dacol
Edição 61 - Julho/2013
PERFIL
acervo pessoal
Nome: Plínio Tomaz
Profissão: engenheiro civil
Cargo: coordenador da norma sobre aproveitamento da água de chuva da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
Com que finalidades a água da chuva pode ser aproveitada? 
Somente para fins não potáveis, como descarga em bacias sanitárias, limpeza de pisos, garagens, rega de jardins e uso em equipamentos para resfriamento de máquinas. Essa água não é para beber, para cozinhar e nem para tomar banho.

Em comparação com outros países, o Brasil consome muita água? 
Desde 1995, as empresas fabricam no Brasil todos os dispositivos para economizar água. Atualmente, consumimos menos de 170 l por pessoa por dia, enquanto os americanos ainda gastam 300 l. O europeu já economiza bastante. Lá, eles consomem cerca de 100 l de água por pessoa por dia.

Quais os principais vilões do consumo de água em edifícios? 
O maior vilão nesse tipo de edificação é, sem dúvida nenhuma, a bacia sanitária. Antigamente, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) achou valores de 18 l utilizados a cada descarga. Hoje, temos até caixas de descarga com dois botões: um para 3 l e outro para 6,8 l. Nos prédios antigos, devem-se trocar todas as bacias sanitárias por caixas acopladas para descarga de 6,8 l por acionamento.

Os prédios vão começar a usar mais dispositivos para reúso de água?
Em edificações, pode ser feito o aproveitamento da água da chuva e o reúso de águas cinzas (proveniente de utilização de lavatórios, chuveiros e pias de cozinha). A meu ver, devido à pequena área de telhado e ao grande consumo, os prédios vão ter que usar água de reúso. O problema é que não existem normas ou leis federais nem para garantir o consumidor e nem para determinar a partir de qual tamanho de área construída o reúso é necessário.

Até que tamanho de prédio é eficaz o reúso? 
Só compensa a partir de certa área e certo volume de consumo. Quando o prédio tem mais de 30 mil m², pode ser contratada firma especializada para acompanhar o tratamento das águas cinzas. Se o prédio for muito pequeno, fica inviável financeiramente. Fazer reúso em uma casa pequena sai caro e a parte financeira não compensa, pois demanda acompanhamento técnico, com engenheiros químicos e especialistas.

Quais os cuidados necessários para implantar sistemas de aproveitamento de água da chuva em condomínios residenciais? 
Para que o sistema funcione corretamente, o projeto tem de ser feito por engenheiro civil ou arquiteto e deve seguir a NBR 15.527 - Água da Chuva - Aproveitamento de Coberturas em Áreas Urbanas para Fins Não Potáveis - Requisitos, que regulamenta o uso da água da chuva para fins como rega de jardins, lavagem de pisos e de carros e descargas em bacias sanitárias. A norma diz que, em áreas urbanas, apenas as águas dos telhados são aproveitadas, mas não as que entraram em contato com o chão. O grande problema é achar o volume da cisterna, pois, se for muito grande, o custo ficará elevado e, se ficar pequena, faltará água constantemente.

Ilustração: Daniel Beneventi.
Existem outras normas referentes ao reúso de água? 
A NBR 15.527 trata somente de aproveitamento de água da chuva. As águas servidas ou águas cinzas (greywater), que são as residuais de processos como banho, lavagem de roupa e louça, ainda não possuem norma.

Como é a manutenção? 
Não existe treinamento especial, pois os reservatórios usados são como os reservatórios para água potável, e devem ser limpos e desinfetados pelo menos uma vez ao ano. Em geral, são enterrados ou semienterrados e a limpeza e desinfecção das paredes é feita com ácido hipocloroso (hipoclorito de sódio), que é o cloro na forma líquida. A limpeza pode ser feita por funcionário do edifício ou por empresa que preste esse serviço, que costuma ser a mesma que limpa caixas-d'água.

O que deve ser verificado? 
Os conjuntos elevatórios devem ser verificados, no mínimo, uma vez por mês pela prefeitura e pelos órgãos ambientais, como a Secretaria da Saúde. Os prédios costumam fazer a limpeza uma vez ao ano e, geralmente, a firma responsável emite atestado, afixado na parede do edifício. Já o reservatório de first flush deverá ser verificado após chuvas intensas para retirada de materiais desviados da cisterna. Em caso de a água servir bacias sanitárias, deve ser clorada, conforme previsto na norma.

Quais os principais erros de projeto? 
Os principais erros estão no dimensionamento do reservatório e no first flush, dispositivo que fica na entrada da cisterna e que, quando chega a chuva, retém e expulsa a água que contém folhas, sujeira e pedras. Ele precisa ser calculado para esvaziar em dez minutos, escoando a sujeira.

O que são as chamadas piscininhas? 
São reservatórios que armazenam água de telhados e pisos durante o pico de chuvas. O objetivo é controlar enchentes, pois a água é liberada aos poucos. Elas ajudam, mas não resolvem o problema, até porque a água da piscininha não deve ser usada, já que os pisos têm até 12 vezes mais poluição do que os telhados.

O que é golpe de aríete? Ele ainda é um problema?
O golpe de aríete acontecia antigamente, com as válvulas de descargas. Após apertar a descarga, ouvia-se um barulho muito alto, resultado da transmissão das ondas que, com o tempo, acabavam destruindo toda a tubulação. Isso é coisa do passado, pois as válvulas atuais não produzem golpe de aríete.

Qual sua opinião sobre a abordagem dos sistemas de certificação quanto à questão da redução do consumo de água nas edificações?
Se você obtém uma certificação, vai ter certeza de que haverá economia de 30% de água e 30% de energia e haverá mais conforto térmico para os usuários. Por isso, o seu imóvel terá mais valor. Chegará um tempo que, quando o usuário for comprar um apartamento ou um escritório, ele automaticamente vai querer saber sobre o tipo de certificação do prédio. Se não existir, ele vai comprar em outro lugar.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Luz natural em qualquer lugar, a qualquer hora

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=luz-natural-qualquer-lugar-qualquer-hora&id=010125140714#.VMzIvWjF9qU

Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/07/2014
Luz natural em qualquer lugar, a qualquer hora
A luz gerada pela nova tecnologia parece estar vindo de um "teto solar". [Imagem: Coelux/Divulgação]
Luz do Sol artificial
Embora haja uma tendência de substituição das lâmpadas incandescentes e fluorescentes pelas "lâmpadas de estado sólido", ainda há restrições quanto à qualidade da luz emitida por essas alternativas economicamente mais eficientes.
Agora, pesquisadores europeus afirmam ter encontrado a solução definitiva para que os LEDs produzam uma iluminação mais natural - uma "luz quente", como eles chamam.
Usando materiais nanoestruturados - materiais fabricados com saliências, rugosidades ou outras características com dimensões na faixa dos nanômetros - eles criaram um sofisticado sistema óptico que recria os efeitos da luz natural.
Para isso, a luz originalmente produzida pelos LEDs passa pelo sistema óptico, que mede alguns milímetros de espessura, onde são simuladas a difusão e as interferências que a atmosfera gera na passagem da luz solar - um processo conhecido como dispersão de Rayleigh, responsável, entre outras coisas, pela cor azul do céu.
Luz natural em qualquer lugar, a qualquer hora
Imagem real do experimento - isto não é uma renderização. [Imagem: Coelux/Divulgação]
Janela de luz
O sistema todo tem uma forma plana, parecido com uma janela ou um teto solar, facilitando sua colocação em diversos tipos de ambiente.
Segundo a equipe do projeto Coelux, financiado pela União Europeia, o resultado é um "maior conforto e bem-estar nos ambientes internos e subterrâneos".
"Com o Coelux, você pode desfrutar céus ensolarados a qualquer hora, em qualquer lugar," garante o professor Paolo Di Trapani, da Universidade de Insubria, na Itália e líder do projeto.
"Do mesmo jeito que tentar descrever o cheiro de um perfume ou a cor de um sol tropical, é difícil descrever os efeitos do Coelux devido à percepção do espaço infinito que a tecnologia produz," garante ele.
Alguns desses efeitos podem ser vistos nestas imagens, que, embora pareçam renderizações feitas por computador, são fotos reais dos experimentos.
Anticlaustrofobia
Luz natural em qualquer lugar, a qualquer hora
[Imagem: Coelux/Divulgação]
Para tirar a prova definitiva da tecnologia, os pesquisadores fizeram um teste com voluntários que sofrem de claustrofobia.
"Mesmo os indivíduos claustrofóbicos se sentiram bem e relaxados quando expostos à luz, apesar de permanecerem em uma sala sem janelas de poucos metros quadrados por um período razoável de tempo," disse Trapani.
A equipe já criou uma empresa para começar a comercializar a tecnologia, que terá como foco inicial as aplicações na área de saúde.
A Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou 2015 como o Ano Internacional da Luz, para criar uma consciência global de como a iluminação pode ter uma influência positiva sobre a saúde e o bem-estar das pessoas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

450 ANOS: Veja 10 grandes parques para lazer no Rio





http://glo.bo/16gdvCF

450 ANOS: Veja 10 grandes parques para lazer no Rio


Áreas verdes da cidade oferecem paisagens, fauna, flora e espaços culturais e esportivos.
  • JARDIM BOTÂNICO - Foi aberto em 1808, como parte de um projeto de pesquisa, seguindo orientações de Portugal. A primeira tarefa foi aclimatar especiarias do Oriente: baunilha, canela, pimenta e outras. As palmeiras imperiais são vistas de longe
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JARDIM BOTÂNICO - Foi aberto em 1808, como parte de um projeto de pesquisa, seguindo orientações de Portugal. A primeira tarefa foi aclimatar especiarias do Oriente: baunilha, canela, pimenta e outras. As palmeiras imperiais são vistas de longe

Em artigo, geólogo fala das causas da queda de árvores e enchentes em São Paulo

Em artigo, geólogo fala das causas da queda de árvores e enchentes em São Paulo

Veja, na íntegra, texto de Álvaro Rodrigues dos Santos

9/Janeiro/2015
Divulgação: Prefeitura de São Paulo
São Paulo, suas árvores e suas enchentes
Todo santo final/início de ano repete-se a lúgubre novela: enchentes e quedas de árvores trazendo incômodos e tragédias para a população da metrópole paulistana. Dois fenômenos pelos quais o homem, por seus erros, é o principal responsável. Com especial destaque para o direto envolvimento das administrações municipais da metrópole.
No caso das árvores, por proceder ou permitir o plantio de espécies arbóreas inteiramente inadequadas, por suas características, para os locais em que são plantadas. Em cidades como as nossas, de fiação aérea, tubulações enterradas sob a calçada e sarjetas e intenso trânsito de veículos e pedestres, nunca se poderia adotar árvores de grande porte e fraca resistência a ventos e ao ataque de fungos e insetos. Nossas conhecidas leguminosas, como a Tipuana (Tipuana tipu) e a Sibipiruna (Caesalpinia pluviosa), dominantes na cena arbórea paulistana, cuja descontinuidade de uso e progressiva substituição já eliminariam algo talvez como 80% dos problemas, são o exemplo clássico e crítico dessa incompatibilidade. Essas espécies foram generosamente espalhadas por nossas calçadas e parques, talvez por suas características de fácil reprodução, rápido crescimento e segura pega. Não se prestam às ruas das cidades, madeira fraca, baixíssima resistência a pragas e doenças, a Tipuana em especial, enraizamento pouco profundo e destrutivo, elevado porte, extremamente vulneráveis a ventos mais intensos, comuns promotoras de vítimas, muitas fatais, na quebra de seus galhos ou em seu tombamento total.
De sua parte, e aí as questões se cruzam, as enchentes urbanas têm sua principal causa na progressiva incapacidade das cidades reterem parte razoável de suas águas de chuva, lançando-as, por sua impermeabilização, em brutais e crescentes volumes, e em tempos a cada dia mais reduzidos, sobre um sistema de drenagem que não mais consegue lhes dar vazão. Pois bem, ao contrário da cidade impermeabilizada que descarta mais de 85% das águas de chuva, as áreas vegetadas, e entre elas, especialmente as áreas florestadas, têm um resultado hidrológico virtuosamente inverso, retêm mais de 80% de chuvas intensas, descartando sobre a cidade apenas perto de 20% das chuvas que recebem. Ou seja, para um eficaz combate às enchentes uma das medidas de maior efeito é a máxima arborização possível da cidade, em especial na modalidade bosques florestados.
Incrível, pois, que por consequência de erros sobre erros, cheguemos hoje a um paradoxo em que a população é levada a temer e a se antipatizar com as árvores urbanas. Como exclamaria um nosso afamado locutor esportivo, "pelo amor de meus filhinhos", plantemos muitas árvores, milhões e milhões de árvores em nossa metrópole, elas nos são absolutamente necessárias, apenas tomemos o inteligente cuidado de plantar as espécies arbóreas certas nos lugares que lhes são decididamente adequados.
Álvaro Rodrigues dos Santos é ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT, autor dos livros "Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática", "A Grande Barreira da Serra do Mar", "Cubatão", "Diálogos Geológicos", "Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções" e "Manual Básico para Elaboração e Uso da Carta Geotécnica", além de consultor de Geologia de Engenharia e Geotecnia.