segunda-feira, 27 de maio de 2013

Modernização certificada

Modernização certificada


Para atender à demanda de grandes corporações, novos retrofits buscam certificações de sustentabilidade. Conheça os desafios desse tipo de obra

http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/194/modernizacao-certificada-para-atender-a-demanda-de-grandes-corporacoes-288496-1.asp

Por Ana Sachs




Divulgação: Tishman Speyer
Exigências rigorosas dos sistemas de certificação de sustentabilidade potencializam a redução de consumo de água e energia durante a operação de edifícios retrofitados
As certificações de sustentabilidade começam a ganhar espaço nos projetos de retrofit de edifícios corporativos no Brasil. Assim como nas construções novas, o fenômeno é impulsionado pelas exigências das empresas de grande porte, principais locatárias desses espaços, orientadas pelas práticas recomendadas em suas políticas ambientais. Mas, para obter um bom desempenho nesses sistemas de avaliação, projetistas e construtores se deparam com grandes desafios para adaptar as novas tecnologias de sistemas prediais às condições da edificação.
Segundo Marcio Porto, arquiteto do escritório Sidonio Porto Arquitetos Associados, houve mudanças importantes no ambiente corporativo nas últimas décadas. "Do início dos anos 1970 até hoje, tivemos significativas mudanças nas formas de trabalho nos escritórios. A informatização é hoje uma realidade que não existia, os sistemas de ar-condicionado centrais têm características totalmente distintas da forma como era feita a climatização na época. A densidade de usuários dentro do edifício aumentou. Além disso, o próprio desgaste natural da edificação gera demanda pela renovação."
O maior desafio é que, para se conseguir uma certificação, o edifício precisa ter um alto desempenho ambiental, e isso requer maior investimento em tecnologia. É um custo necessário para o edifício se manter competitivo em relação aos concorrentes. "Não buscar esse desempenho e a respectiva certificação poderá deixar o edifício fora do novo padrão do mercado, prejudicando seu resultado comercial, seja na venda, seja na locação", aponta Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia.
Sem parar
Divulgação: Leroy Merlin
Sede administrativa da Leroy Merlin
Uso: comercial
Localização: São Paulo
Ano de construção: 1991
Ano do retrofit: 2011
Construtora: departamento de projetos e obras da Leroy Merlin
Consultoria ambiental: Inovatech Engenharia
Certificação: Aqua
Ao revitalizar sua sede administrativa, a rede de lojas Leroy Merlin optou por um retrofit certificado com o selo Aqua. "Executar uma reforma desse porte com a empresa em plena operação demandou uma grande sensibilização das equipes", conta Pedro Sarro, diretor de obras na Leroy Merlin Brasil. Cerca de 300 t de resíduos, que correspondem a 70% do total gerado na reforma, foram reaproveitados na própria obra. O novo sistema de ar-condicionado é do tipo Volume de Refrigeração Variável (VRV), de baixo consumo energético e com controle de umidade. A qualidade do ar é mantida por um sistema de umidificação e controle interno de CO2. Para reduzir o consumo de água, foram especificadas torneiras com controle de acionamento, válvulas de descarga de fluxo duplo, mictórios sem o uso de água e reaproveitamento da água da chuva nos banheiros e na rega dos jardins.
Visando à economia de energia, as fachadas receberam vidro de alto desempenho e a iluminação interna foi reformulada, com a adoção de lâmpadas led e um sistema de automação para controle de demanda. Também foram especificados materiais de baixo impacto ambiental, como madeira de demolição, carpete reciclável, manta de garrafas pet no revestimento acústico, tintas à base de água e móveis de madeira certificada. Na parte externa, foi criada uma praça, interligando os prédios com espelhos d'água e uma grande parede verde, com o objetivo de eliminar as ilhas de calor. "Com todos esses atributos, é esperada uma economia de 30% no consumo de energia e de 47% no consumo de água, sem prejudicar o conforto dos usuários", afirma Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech Engenharia, consultoria que trabalhou na obra.

Ainda que demandem um investimento inicial maior, os chamados retrofits verdes podem ser atraentes em termos financeiros, já que estabelecem níveis mais rigorosos de consumo de recursos na operação. "A questão é fazer uma análise econômica global, de investimento e retorno em economia operacional e valorização do patrimônio", baliza Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo Alta Qualidade Ambiental (Aqua) na Fundação Vanzolini. "Precisamos lembrar que, quanto mais alto o desempenho ambiental, menores serão os custos operacionais futuros da edificação", continua.
Segundo Luiz Henrique Ferreira, os principais benefícios estão na redução no consumo de água e energia, que pode chegar a 50%, dependendo da situação inicial encontrada. Anderson Benite, diretor da unidade de sustentabilidade do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), concorda: "no caso de edifícios que não estavam muito defasados, normalmente a economia de energia fica em torno de 10% e a de água em torno de 20%. Em edifícios mais antigos e que nunca passaram por melhorias, esses percentuais costumam ser bem maiores".
Ilustração: Sergio Colotto

Projeto Um projeto de retrofit deve seguir o ritmo normal de um projeto convencional, com a diferença de que a obtenção de dados preliminares e de levantamentos torna-se mais complexa. "Em muitos casos, os projetos executivos se perderam. Em outros, eles até existem, mas normalmente o edifício passou por uma série de modificações ao longo de sua vida útil, sem que isso fosse documentado em um as-built", explica Ferreira. Segundo o engenheiro, é fundamental contar com o apoio de uma equipe especializada em aspectos legais, além de outra que possa retratar de maneira detalhada o estado atual do edifício e sua aptidão estrutural e funcional para atender ao projeto.

 "A primeira etapa é a realização de um diagnóstico abrangente e, junto com o empreendedor ou proprietário, definir quais serão as reformas a serem executadas - troca de sistemas de ar-condicionado, retrofit de fachadas, elevadores, luminárias etc. Com base nisso, são desenvolvidos todos os projetos de arquitetura e complementares", explica Benite, do CTE.
Se o edifício tiver um bom projeto, as alterações serão menores e se limitarão à adaptação tecnológica das instalações elétricas e hidráulicas e dos principais equipamentos das áreas comuns dos edifícios, como elevadores e sistemas de iluminação, além de melhorias no sistema de manutenção do edifício e da gestão de resíduos. No entanto, pode haver mais dificultadores, dependendo das condições encontradas na edificação - como pé-direito baixo, lajes menores, maior número de pilares, falta de espaço para caixas de retardo para águas pluviais, falta de áreas técnicas para equipamentos de ar-condicionado e fachadas tombadas. "Tudo isso reduz o número de alternativas de sistemas de ar-condicionado, de aproveitamento de água da chuva, de instalação de luminárias mais eficientes, adoção de brises e outras tecnologias", lista Benite.

Prédio histórico
Fotos: divulgação Tishman Speyer
Edifício Galeria
Uso: corporativo e shopping center
Localização: Rio de Janeiro
Ano de construção: década de 1930
Ano do retrofit: 2011
Incorporadora: Tishman Speyer
Certificação: Leed
Localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro, o Edifício Galeria abrigou durante mais de 70 anos a sede da Sul América Companhia Nacional de Seguros. Comprado em 2007 pela construtora Tishman Speyer, passou em 2011 por um grande retrofit que visava a modernizá-lo e torná-lo mais eficiente, sem deixar de lado suas características originais. "Todo o trabalho foi executado com o objetivo de manter o equilíbrio entre a herança cultural dessa construção e a modernização do espaço físico e das instalações", afirma Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer. A fachada foi preservada, assim como detalhes internos, entre eles a escadaria e a caixaforte - que ganhou destaque no hall. Todo o interior do edifício foi modernizado com novas instalações elétricas, hidráulicas e de telecomunicações. O prédio ganhou ainda um sistema de ar-condicionado central e elevadores inteligentes, que ajudam a reduzir o consumo de energia. A água da chuva é captada e reaproveitada para usos não potáveis. Mais seguro e funcional, o empreendimento de 28 mil m² de área construída abrigará um shopping center no andar térreo. Os outros oito pavimentos serão destinados a escritórios. Por esse retrofit, o Edifício Galeria recebeu certificação Leed na categoria Gold, a segunda mais alta do sistema de avaliação.

Certificações Hoje, existem oito tipos diferentes de certificações Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), sendo que duas delas contemplam edifícios já existentes: uma focada na gestão da operação e manutenção predial (Leed Existing Building - Operation & Maintenance) e outra focada na realização de retrofits verdes (Leed New Construction & Major Renovations). A primeira estabelece práticas sustentáveis que reduzem impactos ambientais e asseguram o conforto dos ocupantes ao longo da vida útil do edifício. Nesse modelo, a cada cinco anos, ou em menor período, deve ser realizada uma nova avaliação da performance ambiental do edifício para se manter a sua certificação.
Foto: Markus-/Shutterstock.com
Especificação de novas tecnologias em retrofits depende das condições encontradas na edificação, como altura do pé-direito, quantidade de pilares, disponibilidade de espaço para equipamentos de ar-condicionado e tombamento de fachadas
Redução no consumo de água após retrofits pode superar os 20%, dependendo das condições da edificação e de seu histórico de manutenção

Foto: Markus-/Shutterstock.com
Modernização de edifícios aposta em elevadores inteligentes, que economizam energia ao agrupar os passageiros de acordo com seus destinos ou ao acionar o mais próximo para atender à demanda
Já a segunda considera a infraestrutura e as características físicas do empreendimento, avaliando a performance ambiental do edifício revitalizado de forma comparativa a um edifício verde novo. A certificação ocorre após a conclusão do retrofit e não há recertificação. Para obter qualquer uma das certificações, o empreendimento passa por um processo de avaliação que leva em conta sete quesitos: uso racional da água, eficiência energética (de 10% de economia para um prédio novo e 5% para um prédio retrofitado, devido a limitações das construções mais antigas), redução, reutilização e reciclagem de materiais e recursos, qualidade dos ambientes internos da edificação, espaço sustentável, inovação e tecnologia, e atendimento a necessidades locais, que variam de empreendimento para empreendimento. Cada quesito tem um peso diferente na avaliação, e quanto maior a pontuação da edificação, melhor será o nível do selo conquistado: Silver, Gold ou Platinum.
Foto: Markus-/Shutterstock.com
Planejamento de retrofits é mais complexo porque os projetos originais, geralmente, não existem ou não correspondem à realidade devido à falta de documentação de intervenções de manutenção
A certificação Alta Qualidade Ambiental (Aqua) baseia-se em 14 objetivos de desempenho que devem ser atingidos em níveis bom, superior ou excelente, em quatro grandes áreas: ecoconstrução, ecogestão, conforto e saúde. Para obter o selo Aqua, o empreendedor deve pensar o entorno do empreendimento na construção, no uso e na desconstrução. Deve ainda considerar aspectos do ciclo de vida dos materiais e dos sistemas construtivos, eficiência no uso da água e da energia, gestão de resíduos sólidos no canteiro, e conforto térmico, acústico, visual e olfativo da construção. No caso de um edifício já existente, essa certificação é dada se for demonstrado, por meio de diagnóstico e inventário, que ele tem condições mínimas de segurança, habitabilidade e qualidade ambiental. Caso não seja possível, o empreendimento pode passar por uma reforma visando à obtenção do selo Aqua. Em todos os casos, para conquistar a certificação, o projeto é submetido à avaliação de auditorias ao final de cada etapa do processo.

Dia Mundial do Meio Ambiente ganha site em português



http://www.agrosoft.org.br/agropag/225424.htm


O site do Dia Mundial do Meio Ambiente (WED, na sigla em inglês) está disponível em português no portal do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Na página, é possível se informar sobre o tema deste ano -- Pensar.Comer.Conservar, Diga Não ao Desperdício -- e saber mais sobre a Mongólia, país-sede da celebração em 2013. O WED é comemorado no dia 5 de junho.

Para visitar o site em português, acessewww.unep.org/portuguese/wed.

A página também oferece materiais de informação e dicas de como organizar uma celebração do WED. É possível também registrar as atividades locais na página do Pnuma, garantindo uma visibilidade global junto a ações em todo o mundo.

O site está integrado com as redes sociais e trará também artigos e outros textos sobre questões relacionadas ao desperdício de alimentos.

Lançada pelo Pnuma em parceira com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a campanhaPensar.Comer.Conservar alerta para a enorme quantidade de comida própria para o consumo que é desperdiçada no mundo.

O português é o único idioma não oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o qual o site foi traduzido. Para saber mais sobre o WED, clique aqui.

FONTE



Links referenciados


www.fao.org.br

www.pnuma.org.br

www.onu-brasil.org.br

www.unep.org/portuguese/wed

clique aqui
www.pnuma.org.br/noticias_detalhar.php?i
d_noticias=1468

Mongólia
pt.wikipedia.org/wiki/Mongólia

Adital
www.adital.com.br

Pnuma
www.pnuma.org.br

Depois de um ano, continuam divergências entre ambientalistas e ruralistas

Depois de um ano, continuam divergências entre ambientalistas e ruralistas

AGÊNCIA BRASIL 25/05/2013 13h00 



foto
Foto: Divulgação


Para Viana, o novo código traz motivações reais para que os proprietários de imóveis rurais recuperem e conservem as vegetações nativas. “A produção em ambientes não agredidos é menos densa. É mais cara também, mas pelo custo dessa preservação que também é mais valorizada pelos consumidores pelo sinal de pureza que ela representa”, avaliou. Em países tropicais, como o Brasil, ambientes desequilibrados muitas vezes representam ameaças de pragas ou predadores às plantações e criação de animais. “Não há omissão dos governos na implementação da lei, mas é um assunto complexo.”
O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Paulo Guilherme Cabral, considerou a iniciativa da sociedade civil bem-vinda. Há dois dias, o ministério também instalou um grupo de acompanhamento da implantação da lei para acompanhar as ações e avaliar sugestões e propostas de regulamentação da legislação.
A equipe tem representantes dos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Associação Brasileira de Entidades do Meio Ambiente (Abema), da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anama) e de representações civis como a CNA, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar, Via Campesina, Amigos da Terra e do The Nature Conservancy Brasil.
“A grande dificuldade é que o cadastro [Ambiental Rural (CAR)] cobre todo o território nacional e são mais de 5 milhões de imóveis para cadastrar em dois anos. A lei foi muito rígida com o prazo”. Mesmo diante do desafio, representantes do governo acreditam que a forma simplificada com que será feito o registro dos imóveis pode ajudar a otimizar o trabalho. “O cadastro será feito pela internet, tem imagens e temos parcerias acertadas com várias entidades representativas”, disse Cabral.
A estratégia do governo é criar um sistema semelhante ao da declaração de Imposto de Renda. Os produtores ou as associações que representam segmentos do setor produtivo que assumiram a responsabilidade do cadastro vão preencher os dados na internet. No formulário será preciso informar a localização georreferenciada do imóvel e o perímetro e as Áreas de Preservação Permanente (APP) dentro da propriedade. “Os produtores vão receber um recibo, e os órgãos estaduais e municipais vão confirmar se as informações estão corretas”, explicou Cabral.
As imagens de satélites – compradas pelo ministério e entregues para os estados depois que governadores assinaram os acordos para implementação do cadastro – vão fazer parte do cadastro ilustrando as regiões com uma resolução capaz de apontar áreas de até cinco metros de extensão. “Consigo ver margens de rios que já atendem ao tamanho de uma APP”, afirmou.
Representantes da ONG The Nature Conservancy Brasil, que implementam o modelo de cadastramento há oito anos na região da Amazônia, temem que essa necessidade ainda seja baixa e acabe resultando em sobreposição de limites de propriedades e rios no registro. Cabral admitiu que o erro pode ocorrer mas disse que o governo contratou a melhor resolução disponível no mercado brasileiro para uma cobertura total do território. Segundo ele, o ideal seria visitar cada propriedade, mas além de não ter condições para isso, o governo passaria anos para concluir o levantamento.

domingo, 26 de maio de 2013

Sustentabilidade no idioma...


23/05/2013 - 14h33

Lei que autoriza inglês nas universidades gera revolta na França


DANIELA FERNANDES
DA BBC BRASIL, EM PARIS


Um projeto de lei que autoriza as universidades da França a darem aulas em inglês, discutido atualmente pelo Parlamento, está causando grande polêmica no país.
Os opositores à medida --inúmeros intelectuais e políticos-- afirmam que "a invasão do inglês" nas faculdades representa uma "ameaça" à língua francesa.
A polêmica é tão grande que o jornal "Libération" publicou uma capa toda escrita em inglês na terça-feira (21).
O governo ressalta que a iniciativa visa atrair à França estudantes universitários de outros países, sobretudo emergentes, e também "excelentes professores" internacionais que não falam francês.
"Muitos alunos, sobretudo de Coreia do Sul, China, Brasil, Índia e Cingapura, gostariam de estudar na França, mas se sentem desencorajados pelo fato de que é preciso saber falar francês", afirma a ministra do Ensino Superior, Geneviève Fioraso.
O objetivo, segundo ela, é aumentar a porcentagem de estudantes estrangeiros nas faculdades francesas, dos 12% atuais para 15% em 2020. Mas em um país tão apegado à sua língua, a questão provocou debates acalorados antes mesmo do texto começar a ser discutido pelos deputados, na quarta-feira.
Benjamin Girette/Associated Press
Estudiosos franceses protestam em Paris contra reforma que abriria universidades do país para o inglês
Estudiosos franceses protestam em Paris contra reforma que abriria universidades do país para o inglês

REFORMA
O texto de 59 artigos, chamado Lei Fioraso, é bem mais amplo e trata da reforma do ensino superior em geral. A autorização de cursos em línguas estrangeiras nas universidades é apenas um artigo desse projeto de lei, mas ofuscou as demais medidas previstas.
Nos últimos dias, vários artigos de opinião foram publicados em jornais franceses por personalidades que ou criticam fortemente ou apoiam a utilização do inglês nos cursos universitários.
A Academia Francesa de Letras, instituição criada em 1653, fez um alerta sobre "os perigos de uma medida apresentada como uma aplicação técnica, mas que, na realidade, leva à marginalização da língua francesa".

APOIADORES
No campo dos que apoiam a iniciativa estão grandes nomes da área científica, como Françoise Barré-Sinoussi (Prêmio Nobel de Medicina pela codescoberta do vírus da Aids), Serge Haroche (Nobel de Física) e o matemático Cédric Villani (Medalha Fields, a maior premiação mundial nessa área).
"Os cientistas do mundo inteiro utilizam o inglês para se comunicar", afirmam em um artigo publicado pelo jornal "Le Monde". Segundo eles, o projeto de lei "favorece a inserção da França no mundo ao reforçar sua atratividade".
"Para que a pesquisa francesa possa se impor na Europa, pesquisadores devem se comunicar com seus vizinhos, ou seja, falar em inglês. Na Alemanha, Suécia ou Finlândia isso não é mais questionado", diz Haroche.
Mas inúmeros intelectuais das áreas de ciências humanas e letras e até mesmo políticos governistas se revoltaram contra a medida, temendo que ela reforce a "hegemonia do inglês" no mundo e reduza a diversidade linguística.
Um grupo de cerca de 30 deputados socialistas, do partido do presidente François Hollande, pediu a retirada do artigo do projeto de lei.
"Recusemos a sabotagem do francês", escreveu em um artigo no Le Monde o linguista Claude Hagège. "Estamos em guerra", diz ele, ressaltando que o projeto de lei disseminará um "câncer" e que o governo sofre "pulsões de autodestruição". "Ensinar em inglês nos levaria a ser um país colonizado cuja língua não pode mais expressar tudo", afirma o filósofo Michel Serres.

HIPOCRISIA
Para a ministra Fioraso, "é tempo de acabar com a hipocrisia" --referindo-se ao fato de que o inglês já é utilizado em vários cursos nas chamadas "grandes escolas francesas", de ensino superior em áreas como administração e engenharia.
Ela rebate as críticas ressaltando que os cursos universitários em inglês seriam realizados "em um contexto preciso e para um público-alvo bem determinado".
A chamada Lei Toubon, de 1994, atualmente em vigor, determina o francês como língua de ensino, concursos e teses. Ela prevê exceções no caso de cursos de "línguas e culturas regionais ou estrangeiras ou quando os professores são convidados estrangeiros".
O projeto de lei prevê ampliar essas exceções, permitindo aulas em línguas estrangeiras "no âmbito de acordos com universidades internacionais ou de programas financiados pela União Europeia".
Apesar da grande polêmica, somente 1% dos cursos seriam ministrados em inglês, segundo a ministra, e eles se concentrariam nas áreas científica e econômica.

BRASILEIROS
O debate já ultrapassou as fronteiras francesas. Em artigo publicado na quarta-feira pelo jornal "Libération", um grupo de universitários estrangeiros, entre eles dois brasileiros, pede aos franceses para "manter sua língua na universidade".
No texto, o grupo diz que a escolha de estudar na França se deu "justamente pelo fato de o país ter uma outra maneira de ver o mundo e um modelo cultural alternativo ao anglo-saxão dominante", diz o artigo.
O projeto de lei deverá ser votado na próxima semana pelos deputados e depois será enviado ao Senado.
Ele recebeu o apoio do Unef, principal sindicato de estudantes universitários, ligado ao partido socialista, mas é criticado por vários sindicatos de professores, que lançaram apelos de greve.

sábado, 25 de maio de 2013

Parque Ecológico Cândido Portinari

21/Maio/2013

São Paulo terá novo parque de 120 mil m² na zona oeste da cidade



Parque Ecológico Cândido Portinari ainda terá quadras poliesportivas, pista de caminhada, pista de skate, ciclovias e usina de energia solar


http://www.piniweb.com.br/construcao/urbanismo/sao-paulo-tera-novo-parque-de-120-mil-m-na-289758-1.asp

Rodrigo Louzas



Guilherme Lara Campos/Divulgação: Governo de São P
O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin anunciou na última semana o início das obras do novo parque urbano ecológico na cidade de São Paulo, decorrente de uma parceria do Governo do Estado com a Comgás. O Parque Ecológico Cândido Portinari estará localizado na Avenida Queirós Filho, zona oeste da Capital, ao lado do Parque Villa-Lobos e próximo à estação Villa-Lobos/Jaguaré da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O novo parque receberá cerca de R$ 7,7 milhões em investimentos.

A área, antes utilizada como canteiro de obras do Metrô, tem 121.670 m², terá cerca de 20 mil árvores plantadas. Além dos 12 hectares de área verde, o projeto ainda prevê a construção de uma ciclovia de 1.600 metros, integrada aos 3.500 m da ciclovia do Parque Villa-Lobos; uma ciclovia infantil de 350 m; uma pista de caminhada de 1.200 m; uma pista de skate com 1.600 m², quadras poliesportivas e um estacionamento integrado ao Parque Villa-Lobos. Segundo a arquiteta Ana Lúcia de Farias, da Coordenadoria de Parques Urbanos, da Secretaria do Meio Ambiente, a nova área terá um mínimo de construções privilegiando o verde.
Outro destaque do projeto é a instalação de uma usina solar. O complexo produzirá quase 1 mega e 1.000 kilowatts de energia solar e terá capacidade para abastecer todo o parque e mais 350 casas da região.
A previsão de entrega do parque é no final de 2013.


A arquitetura é sustentável, mas o salário...



10/Maio/2013

CAU/BR realiza censo inédito de arquitetos no Brasil



Levantamento revelou que são 83.754 arquitetos no País, sendo a maioria (61%) mulheres



Redação AU


Aproveitando a ocasião da atualização cadastral, o recentemente criado Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) realizou, em parceria com a Parolle Comunicação e Serviços Especializados, uma pesquisa socioeconômica pela internet entre outubro e dezembro de 2012, para a qual responderam os arquitetos cadastrados no Conselho. O resultado se transformou no primeiro Censo de Arquitetos e Urbanistas, inédito no Brasil.

GRÁFICO 1 

São 83.754 arquitetos no País. O número por Estado segue, no geral, a proporção do número de habitantes: 54% dos arquitetos estão na região Sudeste, 23% na região Sul, 12% no Nordeste, 8% no Centro-Oeste e 3% no Norte.

GRÁFICO 2

As mulheres já são a maioria dos arquitetos, 61%. A proporção aumenta com o tempo: acima de 61 anos os homens ainda são maioria (71,27%), mas a proporção se equilibra na faixa etária entre 41 e 60 anos, aumenta para as mulheres conforme a idade diminui, chegando até a 78% de mulheres arquitetas entre 20 e 25 anos.

Por outro lado, em relação às perspectivas salariais entre homens e mulheres, elas estão desfavorecidas. Na faixa de 5 a 8 salários mínimos a proporção entre homens e mulheres é equilibrada; porém, as mulheres predominam nas faixas mais baixas, enquanto os homens são a maioria entre os salários mais altos. Se isso ocorre somente pela diferença etária entre homens e mulheres, então com o tempo veremos mudanças nesse cenário.

GRÁFICO 3


A atuação dos arquitetos nos últimos dois anos indica que 92,30% trabalham efetivamente na área de arquitetura e urbanismo. Suas atribuições se dividem entre projeto de arquitetura e de urbanismo, execução, arquitetura de interiores, funcionalismo público, planejamento urbano, ensino, arquitetura paisagística e outros.

O Censo CAU/BR também levantou dados sobre o ensino de arquitetura, incluindo nível de formação e satisfação com as escolas, e também informações sobre salário, empresas e empreendedorismo. Os resultados são reveladores para aqueles que possuem ou não sua própria empresa. Leia a matéria completa na edição de maio de AU.

"Upcycle House" ... "Casa Reutilizada"

17/Maio/2013

Casa na Dinamarca será totalmente construída com materiais reciclados

http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/casa-na-dinamarca-e-totalmente-construida-com-materiais-reciclados-289008-1.asp

Upcycle House, como é chamada, utilizou desde isolamento térmico feito com jornais nas paredes até telhado produzido a partir de latas de alumínio recicladas


Rodrigo Louzas


O escritório Lendager Architects, em parceria com a Realdania Byg Foundation, propôs a construção de uma casa composta somente por materiais reutilizados em Nyborg, Dinamarca. A habitação faz parte de um empreendimento que receberá outras cinco casas do tipo.

Divulgação: Lendager Architects

A "Upcycle House" (algo como "Casa Reutilizada"), como é chamada, tem como intuito desenvolver modelos de residências sustentáveis para substituir as tradicionais casas pré-fabricadas. Cerca de 175 mil dólares foram gastos em sua construção.
Além da preocupação com os materiais usados na estrutura da casa, o projeto também prevê soluções para reduzir os gastos decorrentes de seu uso. A construção foi planejada levando em consideração quatro indicadores: redução nas emissões de CO2 (em comparação feita com as casas tradicionais), preço, operação e manutenção (vida útil esperada e despesas com manutenção) e acessibilidade em relação aos materiais.
A base para a casa, de quatro quartos, foi a reutilização de dois contêineres e molduras de madeira reciclada. Eles foram dispostos sobre uma base isolante, que inclui o reaproveitamento de isopor e garrafas de vidro usadas. As paredes são de drywall, feito com gesso reciclado e preenchido com jornais, que garantem o conforto térmico interno.
A casa ainda conta com uma sala de estar, cozinha e banheiro. O piso é feito de um um composto de plástico reciclado e granulado de madeira. Janelas, tijolos e ripas antigos também entraram no projeto. Já o telhado da "Upcycle House" foi produzido a partir de latas de alumínio recicladas, que são processadas até virarem uma folha usada como cobertura.
Já na primeira fase da construção, a casa apresentou resultados expressivos, de acordo com os arquitetos, com a redução de 75% das emissões de CO2 em relação à obra de casas comuns.

Divulgação: Lendager Architects


Divulgação: Lendager Architects


Divulgação: Lendager Architects


Divulgação: Lendager Architects


Divulgação: Lendager Architects

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Usina solar do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, é inaugurada

20/Maio/2013

Usina solar do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, é inaugurada


http://www.piniweb.com.br//construcao/sustentabilidade/usina-solar-do-estadio-do-mineirao-em-belo-horizonte-e-289468-1.asp

Sistema tem potência instalada de 1,42 MWp, com cerca de 6.000 módulos fotovoltaicos. Energia gerada pode atender cerca de 900 residências de médio porte


Rodrigo Louzas

O Governo de Minas Gerais e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) promoveram na última sexta-feira (17) a cerimônia de entrega da Usina Solar Fotovoltaica (USF) do Mineirão. O projeto faz parte do Projeto Minas Solar 2014 e foi financiado em 80% com fundos do Banco de Desenvolvimento da Alemanha, Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW).
Renato Cobucci/Divulgação Governo de Minas Gerais
A USF Mineirão tem potência instalada de 1,42 MWp, com cerca de 6.000 módulos fotovoltaicos. Toda a energia gerada será injetada na rede de distribuição da Cemig por meio da subestação de alimentação do estádio, sendo que 10% vai retornar à Minas Arena e será utilizada dentro do Mineirão. A energia produzida será capaz de atender, aproximadamente, 900 residências de médio porte.
A usina começou a ser montada em dezembro do ano passado, com os trabalhos de preparação e impermeabilização da cobertura para a montagem das estruturas metálicas de suporte das placas fotovoltaicas. A USF contribuirá para que o Mineirão seja reconhecido como uma edificação sustentável e obtenha a certificação de Green Building.
Além do Mineirão, o projeto também prevê a implantação da USF Mineirinho, que terá uma potência de 1,1 MWp e está em processo de elaboração de edital.
Renato Cobucci/Divulgação Governo de Minas Gerais
Renato Cobucci/Divulgação Governo de Minas Gerais
Leia Mais:Usina solar começa a ser instalada na cobertura do estádio do Mineirão Obras de reforma do estádio Mineirão são concluídas

Briga entre vizinhos por barulho


Briga entre vizinhos por barulho deixa três mortos em Santana de Parnaíba

Homem se irritou com barulho no andar de cima, invadiu apartamento e matou casal a tiros; ele se matou em seguida

24 de maio de 2013 | 7h 20


Clarice Cudischevitch - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Três pessoas morreram após uma briga entre vizinhos em Santana do Parnaíba, na noite de quinta-feira, 23. Vicente D'Alessio Neto se irritou com o barulho que um casal fazia no andar de cima, pegou um revólver de calibre 38 e entrou no apartamento dos vizinhos, por volta das 21h. O prédio fica na Avenida Marcos Penteado Uchôa Rodrigues.
Veja também:

Condomínio de luxo onde ocorreu o crime. Casal deixa um bebê de um ano e meio - Reprodução TV Globo/AE
Reprodução TV Globo/AE
Condomínio de luxo onde ocorreu o crime. Casal deixa um bebê de um ano e meio
Ele disparou seis tiros, matando Fabio de Rezende Rubim, que era subsíndico do prédio, e a mulher, Miriam Cecilia. Em seguida, Vicente se matou dentro do elevador. A filha de um ano e meio das vítimas também estava na casa, mas não ficou ferida. No momento, ela está com a avó.
Segundo a esposa de Vicente, o marido havia chegado em casa por volta das 20h e estava assistindo televisão quando se irritou com o barulho no 12º andar. Ele gritou com os vizinhos da sacada e decidiu pegar a arma e ir até o apartamento do casal.
Em depoimento, a mulher de Vicente afirmou que tentou impedir o marido de sair com a arma, mas não conseguiu. Vizinhos relatam que as brigas entre os vizinhos eram recorrentes. Vicente tinha permissão para porte de armas. Os corpos estão no Instituto Médico Legal aguardando liberação.

Made in Rio


Haddad quer cercar Cantareira para reduzir impacto do Rodoanel Norte

18 de maio de 2013 | 2h 04


CAIO DO VALLE - O Estado de S.Paulo
Para reduzir os impactos do Trecho Norte do Rodoanel, em construção desde março, a Prefeitura de São Paulo quer muros ou grades no entorno do Parque Estadual da Cantareira, criado em 1963 entre a zona norte da capital e outros municípios. A ideia para evitar ocupações irregulares foi anunciada ontem pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e recebeu a aprovação do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
A intenção de Haddad é que a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), empresa estadual responsável pela construção do Rodoanel, possa cercar o perímetro de quase 40 quilômetros da área verde, uma das principais reservas de Mata Atlântica remanescentes em São Paulo. Segundo o petista, seria uma contrapartida da obra rodoviária, polêmica entre ambientalistas e defensores da floresta.
"É um investimento que, na minha opinião, seria de grande valia para a cidade de São Paulo e para a Região Metropolitana, em função do fato de que se trata de um patrimônio da humanidade", declarou ontem Haddad, ao lado de Alckmin, em um evento na sede da Prefeitura, onde foi confirmada a data para aumento das tarifas de ônibus, metrô e trens (leia mais na página A26).
Em seguida, o governador disse que "anotou" o objetivo do governo municipal e avaliará o gasto necessário para a implementação. "Anotei aqui porque acho que essa é uma boa proposta. Vamos avaliar o custo e verificar, mas acho que é a lógica da compensação ambiental: você sempre trazer um benefício a mais para a população."
Não ficou claro se a medida trará despesas extras à obra do Trecho Norte, que, de acordo com a Dersa, custará R$ 5,6 bilhões, entre construção, compensações ambientais, desapropriações e ações complementares. O percurso desse ramal do Rodoanel será de 44 km, com conclusão prevista para 2016.
Por enquanto, as compensações ambientais desse empreendimento giram em torno de ações como o plantio de 1,7 milhões de mudas de espécies nativas e o pagamento de R$ 24,3 milhões pela Lei do Sistema Nacional de Unidade de Conservação. A Dersa informou que o Trecho Norte "passará ao sul da Serra da Cantareira e não cortará o Parque Estadual" e "as interseções com o parque serão feitas em dois túneis que somam 2,8 km".
Haddad disse que quer deixar o Parque da Cantareira cercado como os Parques Anhanguera, que é municipal e fica na zona norte, e o estadual Fontes do Ipiranga, na zona sul.
Reserva ameaçada. Com 7,9 mil hectares, o Parque Estadual da Cantareira fica entre São Paulo, Caieiras, Mairiporã e Guarulhos. Segundo a Secretaria Estadual do Verde, é tido como uma das maiores florestas urbanas do mundo.
Em 1994, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o classificou como parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo, onde está a maior porção do Cantareira. Nas últimas décadas, o parque tem sofrido com invasões que diminuíram a cobertura verde (veja ao lado).
Moradias humildes e até mansões foram sendo construídas sem autorização ao longo do tempo. Para o ambientalista Maurício Waldman, doutor em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a discussão sobre a instalação de grades ou muros no entorno do Cantareira é "inócua". "As pessoas precisam começar a pensar em um processo de ocupação do espaço mais decente e não ficar falando em paliativos, como colocar cerca."
A tese de Waldman foi sobre o Parque da Cantareira. Ele lembra que o cercamento de áreas por onde passam vias, sejam elas férreas ou rodoviárias, muitas vezes não funciona. "O processo de ocupação vai continuar ocorrendo."
Ainda na avaliação do especialista, o trânsito na cidade "não vai ser resolvido pelo Rodoanel", mas sim com planejamento da rede de transportes, principalmente pública.
Ontem, Alckmin disse que, quando os 178 km do anel viário estiverem prontos, 17 mil caminhões serão retirados por dia da capital, de vias como a Marginal do Tietê. Ele também diz que o Trecho Norte impactará fauna e flora da Serra da Cantareira. "Tem impacto de ruído, de material particulado emitido por veículos. E tem acidentes com transportes de cargas perigosas que podem derramar."

Flora nativa será repatriada na web


Flora nativa será repatriada na web

Espécies praticamente desapareceram das matas

23 de maio de 2013 | 2h 01


Sergio Torres / Rio - O Estado de S.Paulo
O repatriamento, mesmo que digital, de espécies da flora nativa levadas ao exterior nos últimos 300 anos permitirá a cientistas estudar vegetais praticamente desaparecidos das matas.
As amostras integram os acervos de instituições científicas de renome global, como o Museu Nacional de História Natural, de Paris, e o Kew Gardens, de Londres. Elas foram para a Europa na bagagem de integrantes de missões estrangeiras que percorreram o Brasil entre os séculos 17 e 20.
O cálculo de integrantes do programa Plantas do Brasil: Resgate Histórico e Herbário Virtual para Conhecimento e Conservação da Flora Brasileira - Reflora é que, só nas coleções dos herbários dos museus parisienses e londrinos, há cerca de 540 mil amostras de exemplares da flora brasileira, cientificamente chamadas de exsicatas.
Criado em 2010 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o programa prevê investimentos de R$ 21 milhões. O dinheiro virá de agências de fomento federais e estaduais, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e de empresas privadas, como a mineradora Vale e a Natura.
As informações dos acervos europeus serão incorporadas - em até três anos - ao herbário virtual do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que tem cerca de 44 mil registros de espécies. As primeiras já poderão ser consultadas a partir do meio deste ano.
Segundo o diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, Paulo Sérgio Lacerda Beirão, trazer as imagens ao Brasil, além de enriquecer e dinamizar o herbário do Jardim Botânico, estimulará a pesquisa, já que os estudiosos hoje não têm acesso a imagens de plantas que quase não são encontradas mais no País. "Outra ideia é conhecer como era nossa biodiversidade antes da perda de vegetação de áreas degradadas", disse Beirão. 

Passageiro clandestino...


23/05/2013 - 19h24

Novas pragas de países vizinhos ameaçam lavouras brasileiras


DA REUTERS

Pesquisadores brasileiros estão empenhados em detectar as pragas potenciais que podem atacar lavouras brasileiras nas próximas safras após um recente prejuízo bilionário provocado por um ataque inédito de um tipo de lagarta na última temporada.
A abertura de novas rotas rodoviárias para países vizinhos da América do Sul e o maior fluxo de turistas no Brasil em eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos podem elevar as chances de entradas de pragas exóticas, dizem especialistas.
"Estamos totalmente desorganizados contra as ameaças para o agronegócio e para a agricultura familiar. Nós somos muito vulneráveis. A partir do momento que entra uma praga, é um desarranjo total", disse o presidente da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), Evaldo Vilela, no intervalo de um evento em São Paulo.
O pesquisador lembrou que, na mais recente safra de verão, lavouras de soja e algodão do oeste da Bahia sofreram com um inesperado ataque da lagarta helicoverpa, causando prejuízos estimados em R$ 2 bilhões, segundo estimativa do Ministério da Agricultura.
A helicoverpa é uma lagarta que historicamente atacava lavouras de milho, mas recentemente passou a ser encontrada em outras culturas.
Em março e abril, já no fim da safra, as autoridades federais autorizaram emergencialmente a comercialização de tipos adicionais de agrotóxicos para combater a praga.
Um estudo ainda inédito a que a Reuters teve acesso mostra que há 44 espécies de insetos e ácaros quarentenários ausentes no Brasil, mas presentes em pelo menos um país da América do Sul ou em Trinidade e Tobago.
O levantamento dos cientistas aponta que o recente aumento de trânsito de pessoas entre o Brasil e países vizinhos, inclusive devido a obras do governo federal para abrir melhores acessos rodoviários a países como o Peru, torna Estados como Acre e Roraima como os mais vulneráveis a novas pragas.
Das espécies que ocorrem atualmente apenas em países vizinhos, sete podem afetar a cadeia de citrus, cinco a cadeia da soja e do milho, três espécies podem atacar o algodão, uma espécie a cana e uma espécie o café.
"Mais trânsito de pessoas, mais entrada de pragas", disse a cientista Regina Suhayama, da consultoria Agropec, responsável pelo mapeamento.
Os pesquisadores afirmam que não há estudos sobre o impacto econômico causado pelas atuais infestações e nem sobre o prejuízo potencial do ataque de pragas ainda inexistentes no Brasil.
"Nem isso nós temos", afirmou Vilela, da SBDA.
Por outro lado, os especialistas são enfáticos em salientar que um controle antecipado é muito mais barato para o governo e para o setor privado do que combater quando o problema está instalado.
"Cada real investido na prevenção e no monitoramento se multiplica na casa das centenas", ressaltou a pesquisadora da Esalq/USP Silvia de Miranda, especializada em avaliar potenciais repercussões financeiras do ataque de pragas.
Os especialistas estiveram reunidos em um seminário técnico nesta quinta-feira, em São Paulo.

INDÚSTRIA
As indústrias de defensivos se preparam para um ano de maior demanda e também valores mais elevados em 2013, mas afirmam que este aumento é motivado principalmente por questões de mercado, com produtores se preparando para plantar mais uma grande safra de grãos, em meio a preços elevados no mercado internacional.
"O produtor capitalizado está fazendo um hedge (proteção) comprando defensivos, fertilizantes e sementes antecipadamente. Há uma predisposição ainda em 2013 para tentar obter uma produtividade maior", disse o diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher.
O crescimento de vendas no setor de defensivos agrícolas deve ser de 7 a 8 por cento este ano, projetou Daher.
A demanda adicional em função de eventuais novas pragas não pode ser dimensionada, ressaltou o executivo.
Ao longo do desenvolvimento das lavouras em 2012/13 houve reclamação de produtores de falta de defensivos para combater ataques inesperados de pragas. Daher acredita que tenham sido "casos isolados" e garante que a indústria "está preparada" para ofertar maiores volumes.
A Bayer, importante indústria de agroquímicos do país, é um exemplo de empresa que se preparando para uma demanda crescente este ano, com ênfase no segundo semestre, ao otimizar a produção de sua unidade no Rio de Janeiro.
"Nós temos capacidade ociosa no comércio do ano e falta capacidade na segunda metade. Estamos tentando administrar isso da melhor forma possível", disse o presidente da empresa no Brasil, Theo van der Loo, em uma conversa com jornalistas na quarta-feira.

PREOCUPAÇÃO COM APROVAÇÕES
Além da capacidade industrial, as fabricantes do setor de defensivos se preocupam com a lentidão na aprovação de novos produtos pelas autoridades brasileiras para fazer frente a novas pragas.
"Você acha que a lagarta helicoverpa sabe qual é o calendário de reuniões do Ministério da Agricultura? O Brasil criou um marco regulatório federal e está hoje enroscado nele. A lagarta ganha da burocracia", disse Eduardo Daher.
"O que acontece hoje é que passa pelo Ministério da Agricultura, Ibama e Anvisa. Atualmente a Anvisa demora mais de 4 anos para analisar um processo, no caso dos agroquímicos", ressaltou van der Loo, da Bayer.

Eu acredito!


22/05/2013 - 14h35

Os céticos do clima já ganharam

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/martinwolf/2013/05/1282858-os-ceticos-do-clima-ja-ganharam.shtml

Martin Wolf
É comentarista chefe de Economia no jornal britânico "Financial Times". É membro honorário do Instituto de Política Econômica de Oxford e professor honorário da Universidade de Nottingham. Participa do Fórum de Davos desde 1999 e do Conselho Internacional de Mídia desde 2006. É doutor em letras pela Universidade de Nottingham e doutor em economia pela London School of Economics (LSE)


A humanidade decidiu bocejar e deixar que os perigos reais e imediatos das mudanças climáticas se acumulem. Foi esse o argumento que apresentei em minha coluna da semana passada. Nada que apareceu nas respostas à coluna enfraqueceu minha conclusão. Quando muito, as reações a reforçaram.
A julgar pela inação do mundo, os céticos climáticos já ganharam. Esse fato torna ainda mais surpreendente o sentimento que eles manifestam de terem queixas não atendidas. Para o restante de nós, a interrogação que fica é se ainda há algo que possa ser feito, e, se sim, o que é.
Ao analisar esta questão, uma pessoa racional certamente deve reconhecer o grau de consenso existente entre os cientistas climáticos quanto à hipótese do aquecimento provocado pelo homem.
Uma análise dos resumos de 11.944 artigos científicos revistos por pares, publicados entre 1991 e 2011 e redigidos por 29.083 autores, conclui que 98,4% dos autores que adotaram uma posição confirmaram o aquecimento global provocado pelo homem (antropogênico), 1,2% o rejeitaram e 0,4% se disseram incertos. Análises alternativas dos dados renderam proporções semelhantes.
Uma resposta possível consiste em insistir que todos esses cientistas se equivocaram. Isso é concebível, é claro. Cientistas já se equivocaram no passado. Mas rejeitar este ramo da ciência unicamente porque suas conclusões são tão incômodas é irracional, embora seja compreensível.
Isto nos conduz a uma segunda linha de ataque: insistir que esses cientistas foram corrompidos pelo dinheiro e a fama. A este argumento eu respondo: será mesmo? É plausível que uma geração inteira de cientistas tenha inventado e defendido um logro evidente para obter ganhos materiais (modestos), ciente de que a fraude será descoberta?
É mais plausível que os cientistas que rejeitam a visão mais comum o façam por justamente esses motivos, já que interesses poderosos se opõem ao consenso climático, e os acadêmicos do lado deles (os céticos) do debate são em número muito menor.
Infelizmente, por mais racional possa ser buscar reduzir o risco de resultados catastróficos, não é isso o que está acontecendo agora, nem parece provável que aconteça no futuro previsível.
Os dados sobre a queima de combustíveis fósseis desde meados do século 18 indicam um aumento regular nas emissões anuais de dióxido de carbono. É verdade que esses dados apontam para uma desaceleração no aumento das emissões anuais nas décadas de 1980 e 1990. Mas essa desaceleração foi invertida na década de 2000, quando a queima de carvão pela China aumentou (ver gráfico). Hoje, 30% do CO2 presente na atmosfera é diretamente devido à humanidade.
O que está por trás desse crescimento recente nas emissões está muito claro: o crescimento econômico de emparelhamento. A China foi responsável por 24% das emissões globais totais em 2009, contra 17% dos Estados Unidos e 8% da zona do euro. Mas cada chinês emite apenas um terço do volume emitido por um americano e menos de 4/5 do que é emitido por cada residente da zona do euro.
A China é uma economia emergente relativamente perdulária, em termos de suas emissões por unidade de produção. Mesmo assim, ela emite menos per capita que os países de alta renda, porque sua população ainda é relativamente pobre. Seus líderes consideram, justificadamente, que não existe razão moral para aceitarem um teto de emissões para cada indivíduo chinês que seja muito mais baixo que o nível ao qual os americanos consideram que têm direito.
À medida que os países emergentes se desenvolvem, as emissões per capita vão tender a subir em direção aos níveis presentes nos países de alta renda, com isso elevando a média global. É por essa razão que as emissões globais per capita subiram 16% entre 2000 e 2009, período marcado por crescimento acelerado nas economias emergentes.
Portanto, esqueça o discurso: não apenas os estoques de CO2 na atmosfera, mas até mesmo os fluxos de CO2 estão piorando. Os céticos convencidos de que o melhor a fazer é não fazer nada podem parar de reclamar: eles já ganharam.
E como ficamos nós, os outros? As chances de que a humanidade alcance a redução de emissões necessária para manter as concentrações de CO2 abaixo de 450 partes por milhão, com isso reduzindo em muito os riscos de uma elevação superior a 2ºC na temperatura global, são de quase zero. A redução de 25%-40% nas emissões dos países de alta renda até 2020, que seria necessária para conduzir o mundo a esse caminho, não vai acontecer.
Mas isso não quer dizer, de maneira alguma, que a inação deva continuar. A não ser que se concretize o cenário mais apocalíptico, a humanidade ainda pode reduzir as emissões e comprar tempo para sua sobrevivência. O que fazer, então, nesta situação tenebrosa? Seguem oito possibilidades.
Primeira: implementar impostos de carbono. Cobrar impostos sobre coisas negativas é sempre um bom começo. No contexto atual, as emissões de CO2 constituem uma coisa negativa.
Impostos são a maneira mais simples de deslocar incentivos. Como a receita tributária beneficiaria cada governo, ela poderia ser utilizada de modo pontual para reduzir outros impostos --sobre o emprego, por exemplo. As complexas questões de distribuição global poderiam ser ignoradas. Seria melhor se fosse possível os governos se comprometerem com uma tabela tributária crescente de longo prazo, proporcionando a investidores algum grau de previsibilidade do custo do carbono.
Segunda: optar pela energia nuclear. É graças a ela que a França é uma economia que gera tão pouco carbono. É um modelo ao qual outros países deveriam aderir, e não do qual deveriam fugir.
Terceira: impor padrões realmente rígidos de emissões a automóveis, eletrodomésticos e outros tipos de máquinas. A inovação cresceria em resposta a um misto de padrões de preços e regulamentação, como já aconteceu tantas vezes no passado. Se não nos atrevermos a perguntar, não saberemos do que as empresas são capazes em termos de inovação.
Quarta possibilidade: criar um regime global seguro de comércio de combustíveis de carbono mais baixo. Essa seria uma maneira de persuadir a China a afastar-se do consumo do carvão.
Quinta: desenvolver maneiras de financiar a transferência das melhores tecnologias possível para a criação e, ainda mais importante, a economia de energia em todo o planeta.
Sexta: deixar que os governos invistam em pesquisas e inovações em estágio inicial, adotando um misto de financiamento de pesquisas universitárias e apoio a parcerias público-privadas.
Sétima: investir na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. Este ponto certamente terá que ser foco de assistência ao desenvolvimento no futuro. Essa adaptação pode incluir deslocamentos populacionais em grande escala.
Finalmente: estudar a geoengenharia --a manipulação em grande escala do planeta para reverter as mudanças climáticas--, por mais tenebrosa essa ideia possa ser.
Nada disso será o suficiente para eliminar os riscos de mudanças climáticas gravemente adversas. Mas parece ser o melhor que podemos fazer agora, em vista das pressões econômicas.
A tentativa de afastar nossas escolhas daquelas que agora estão alimentando o crescimento constante das emissões fracassou. E vai continuar a fracassar, por enquanto. As razões disso são profundamente enraizadas. É provável que isso só mude diante da ameaça de mais desastres iminentes, e, até isso acontecer, é muito possível que já seja tarde demais. Trata-se de uma verdade deprimente, e é muito possível que seja um fracasso que condene a todos nós.
Tradução de CLARA ALLAIN