quarta-feira, 15 de maio de 2013

A SUSTENTABILIDADE E O LAZER EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: TRAJETÓRIA HISTÓRICA E REFLEXÕES CONTEMPORÂNEAS


A SUSTENTABILIDADE E O LAZER EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: TRAJETÓRIA HISTÓRICA E REFLEXÕES CONTEMPORÂNEAS


Mirleide Chaar Bahia[1]
Tânia Mara Vieira Sampaio[2]

RESUMO:

Há um considerável aumento na procura de práticas de lazer em ambientes naturais gerando uma preocupação do Poder Público e de Organizações Não-Governamentais que dividem a administração desses espaços e ocupam-se em elaborar de forma urgente e prioritária, planos de manejo que estabeleçam regras claras de uso público – caracterizado como Turismo e Recreação – nas Unidades de Conservação. Essa experiência de lazer tem provocado impactos sócio-ambientais causados pela visitação e prática de esportes em áreas naturais e deve ser gerenciado de modo a não afetar a conservação e os modos de vida das populações tradicionais residentes em tais áreas. Para isso, tanto a educação pelo e para o lazer, a educação ambiental e o planejamento da visitação tornam-se atividades fundamentais a serem desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar estabelecendo não apenas o uso, como: modos de minimizar impactos e proporcionar a qualidade de vida do ambiente e das pessoas.

DESCRITORES: LAZER E MEIO AMBIENTE – SUSTENTABILIDADE – UNIDADES DE CONSERVAÇÃO – AGENDA 21 – ECOTURISMO.

Introdução
            A necessidade de sobrevivência e de desenvolvimento das populações tem gerado a  busca de alternativas que se contraponham ao paradigma hegemônico de desenvolvimento e crescimento desenfreado, de modo que venham a suprir as necessidades atuais, sem o comprometimento das gerações futuras e a degradação do meio ambiente.
A sociedade tem se engajado cada vez mais em tais discussões e com isso ampliado suas experiências de atividades e momentos de lazer na natureza, numa busca pela reaproximação de áreas naturais – na medida em que a urbanização das cidades causou um afastamento das relações com tais áreas.
Por essa busca de reencontrar-se consigo e com o meio-ambiente tem sido importante pensar uma lógica de preservação e conservação dos recursos naturais e culturais das populações tradicionais – habitantes de áreas naturais remotas. Os estudos atuais tem trabalhado preceitos que possam permitir um planejamento consciente das várias atividades humanas, de modo a não esgotar tais recursos, nos processos de visitação, vivências de lazer, entre outras atividades.
Foi criada, em 1983, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CMMAD, presidida pela secretária do Meio Ambiente da Noruega, Gro Harden Brundtland, destinada a combater a degradação ambiental e promover a melhoria das condições de vida das populações carentes. Após três anos de estudos e visitas a vários países, a Comissão encerrou oficialmente as atividades em 1987, com a entrega do Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum) à Assembléia Geral das Nações Unidas. O texto ressaltou com grande ênfase as conseqüências negativas da pobreza sobre o meio ambiente. Ao final dos trabalhos, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente concluiu que era necessário um novo tipo de desenvolvimento capaz de manter o progresso humano não apenas em alguns lugares por alguns anos, mas em todo o planeta até um futuro longínquo. O Relatório Brundtland sugeriu à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU a convocação de uma conferência internacional para avaliação dos progressos obtidos pelos países na área ambiental. Tendo sido o referido Relatório aprovado pela Assembléia Geral da ONU em 1989, confirmou-se a realização da Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD, a ECO-92, no Rio de Janeiro. (SEABRA, 2001).
A partir de preocupações acerca dos rumos do desenvolvimento – e suas respectivas conseqüências em nível mundial –, e a necessidade de estabelecer-se os rumos a serem tomados pelo planeta, além da publicação do “Relatório Brundtland”, diversas reuniões com a presença de chefes de Estado do mundo todo passaram a ser agendadas, para firmar-se acordos em nível mundial sobre diversas questões relacionadas à problemática sócio-ambiental (Protocolo de Kyoto, Mercado de Carbono, Pobreza nos Países de Terceiro Mundo) sobressaindo-se dentre elas a Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio/92 (CNUMAD) – ECO 92[3], na qual algumas metas de desenvolvimento foram discutidas e sistematizadas – pautadas numa preocupação com gerações futuras e o esgotamento dos recursos naturais e culturais – e a construção de um documento intitulado AGENDA 21 GLOBAL. (COELHO, 1999).
Essas idéias começaram a surgir, como nos mostra Franz Bruseke (1993), Ignacy Sachs (1993) e Olivier Godard (1997), a partir das preocupações dos pesquisadores do chamado Clube de Roma, através do estudo “Limites do Crescimento”, conjuntamente com a Conferência de Estocolmo. Possuíam uma preocupação com o crescimento populacional mundial, estabilização da relação economia versus ecologia e a conscientização e participação da população mundial. Mas essas primeiras idéias surgem com a premissa de um congelamento do crescimento da população global e do capital industrial, baseada no crescimento zero, e, portanto, criticada principalmente pelos países em desenvolvimento. (FIGUEIREDO, 1999a, p.81).

Impulsiona-se, portanto, o desejo e a tentativa de um equilíbrio social, econômico e ecológico, num tripé que, baseado no Relatório Brundtland, significa “justiça social, eficiência econômica e prudência ecológica”[4], denominado Desenvolvimento Sustentável. (FIGUEIREDO, 1999a, p. 36).
A perspectiva teórica designada “Desenvolvimento Sustentável” surgiu, na década de 1970, da crítica ao planejamento econômico tal como foi concebido no mundo ocidental pós-50 e os seus resultados ambientais danosos e socialmente injustos, sobretudo nos países então denominados “Terceiro Mundo”. (COELHO, 1999) Nas propostas apresentadas pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, emprega-se o termo “desenvolvimento sustentável” significando melhorar a qualidade da vida humana dentro dos limites da capacidade de suporte dos ecossistemas. (SÃO PAULO, 1992).
O desenvolvimento sustentável compreende um amplo processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas. (CMMAD, 1988).
Desenvolvimento sustentável vem sendo comumente definido como desenvolvimento que leva em consideração a finitude dos recursos naturais, a sustentabilidade ou durabilidade no uso dos recursos com vista às gerações futuras. Além da sustentabilidade social, econômica e ecológica, neste conceito de desenvolvimento é também ressaltada, com propriedade, a sustentabilidade cultural. (COELHO, 1999, p.57).

Para Ignacy Sachs (1993), as dimensões a serem observadas devem ter uma amplitude bem maior, capaz de abarcar aspectos defendidos inicialmente pelo “ecodesenvolvimento”, tendo cinco eixos norteadores: 1) sustentabilidade social: a meta é construir uma civilização com maior eqüidade na distribuição de renda e de bens, reduzindo o abismo social; 2) sustentabilidade econômica: privilegia a alocação e o gerenciamento mais eficiente de recursos financeiros; 3) sustentabilidade ecológica: propõe novas formas de relacionamento entre o consumo humano e os recursos naturais, desde a limitação do uso até a reutilização destes através de reciclagem; 4) sustentabilidade espacial: expressa principalmente nas relações das áreas rurais e urbanas, combatendo a centralização em áreas urbanas; e por fim; 5) sustentabilidade cultural: valorização de formas diversas de relação ser-humano natureza e diversidades culturais, através da etnociência, por exemplo.
A Agenda 21 Brasileira é um processo e instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável e que tem como eixo central a sustentabilidade, compatibilizando a conservação ambiental, a justiça social e o crescimento econômico. O documento é resultado de uma vasta consulta à população brasileira, sendo construída a partir das diretrizes da Agenda 21 global. (BRASIL, 2005a). Várias são as questões estabelecidas na Agenda 21, inclusive a visitação pública em áreas naturais, o que incluiria o lazer, tanto em seu conteúdo cultural de turismo, quanto na prática de atividades físico-esportivas. A preocupação a partir de então seria a do cumprimento de metas exeqüíveis, em nível local ou regional, com uma Agenda 21 Local[5] passando a ser pensada em cada região, seus problemas, suas diversidades, suas particularidades, sua cultura.
O entendimento de que cada região deve buscar soluções específicas para seus problemas particulares, considerando dados ecológicos e igualmente culturais, bem como as necessidades imediatas e de longo prazo, remete à observação primordial da diversidade cultural. Ignacy Sachs (1993), destaca que diversidade cultural significa diversidade de formas de relação do ser humano com a natureza e das adaptações de modelos tecnológicos a realidades regionais, criticando a prática da transferência de tecnologia sem adaptações a essas realidades.
Assim, é preciso visualizar a Terra como um todo, mas deve-se considerar as particularidades de cada região, de cada local, com suas particularidades, diversidades.
O cuidado com a Terra representa o global. O cuidado com o próprio nicho ecológico representa o local. O ser humano tem os pés no chão (local) e a cabeça aberta para o infinito (global). O coração une chão e infinito, abismo e estrelas, local e global. A lógica do coração é a capacidade de encontrar a justa medida e construir o equilíbrio dinâmico [...] Para isso cada pessoa precisa descobrir-se como parte do ecossistema local e da comunidade biótica, seja em seu aspecto de natureza, seja em sua dimensão de cultura. (BOFF, 1999, p. 135).

Tal abordagem suscita a compreensão de que todas as formas de ação do ser humano no meio ambiente, principalmente no que se refere ao estabelecimento de práticas as quais busquem recursos naturais ou a própria área natural como suporte, necessitam essencial e prioritariamente de planejamento, envolvimento com as comunidades da área, levantamento de capacidade de suporte, enfim, uma série de medidas capazes de minimizar a ação antrópica[6] em tais áreas e na busca do desenvolvimento com sustentabilidade e responsabilidade. (FIGUEIREDO, 1999b).
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, com o apoio da Organização das Nações Unidas - ONU e de diversas organizações não-governamentais, propôs, em 1991, princípios, ações e estratégias para a construção de uma sociedade sustentável. Propõe-se que as ações humanas ocorram dentro das técnicas e princípios conhecidos de conservação, estudando seus efeitos para que se aprenda rapidamente com os erros.
Com o crescente avanço do uso público em áreas naturais, seja para exploração de recursos, seja para subsistência (caça, pesca) ou mesmo para vivência de atividades de lazer (turismo, esportes), houve uma mobilização do Poder Público no sentido de demarcar e preservar algumas destas áreas, criando-se Áreas de Proteção Ambiental – APAs. 
Segundo Patrícia Costa (2002), a criação de Áreas de Proteção Ambiental (APAs)[7], surge em fins do século XIX, quando foi criada a primeira área natural protegida, o Parque Nacional de Yellowstone (EUA).
Essas áreas de proteção ambiental começaram a ser criadas em diversos países e passou-se a denominar Unidades de Conservação[8] (UCs), para as diversas categorias de manejo criadas com características específicas (Parques Nacionais, Estações Ecológicas, Reservas extrativistas, entre outras).
No Brasil, a primeira Unidade de Conservação foi o Parque Nacional de Itatiaia, criado em 1937. Essas Unidades tiveram o seu reconhecimento a partir da promulgação do Projeto de Lei n° 2.892, de 1992, que originou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC[9], no qual foram estabelecidas as categorias de manejo e suas respectivas características. O uso público é permitido em três vertentes: Pesquisa, Educação Ambiental e Recreação. (COSTA, 2002).
É possível verificar que houve um avanço nas concepções iniciais – fruto da herança do modelo americano de áreas naturais, de que as unidades de conservação deveriam ser “ilhas” fechadas ao uso público – e estabeleceu-se a abertura controlada de algumas categorias de manejo, a partir da compreensão de que com um plano de manejo[10] é possível o uso responsável das áreas naturais abertas a esse fim, propiciando o conhecimento e a possível conscientização da população da necessidade de conservação de tais áreas.
As unidades de conservação integrantes do SNUC dividem-se em dois grupos, com características específicas:
I - Unidades de Proteção Integral: criadas com a característica de preservação da natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos na Lei, composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: Estação Ecológica; Reserva Biológica (REBIO); Parque Nacional (PARNA); Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre.
II - Unidades de Uso Sustentável: criadas com a característica de compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais, composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: Área de Proteção Ambiental (APA); Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE); Floresta Nacional (FLONA); Reserva Extrativista (RESEX); Reserva de Fauna; Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). (BRASIL, 2000, Art. 7o; Art. 8o, Art. 14).
A partir do conhecimento das categorias de manejo, é possível analisar em quais dessas áreas é permitido o uso público para fins de vivência de lazer, na forma de turismo ou na forma de vivência de atividades físico-esportivas, que na lei é classificada como recreação.
A categoria que apresenta como regra geral características de uso público denominado “Sujeito a condições e restrições estabelecidas no Plano de Manejo” ou “Condicionado ao plano de manejo, às normas do órgão gestor e regulamento”, equivale dizer que é possível o uso para turismo e recreação, desde que essas características estejam planejadas e organizadas no plano de manejo construído pelo órgão público e/ou organização não governamental que esteja responsável pela área em questão.
O aumento na procura de práticas de lazer nesses ambientes naturais tornou-se uma preocupação do Poder Público e de Organizações Não-Governamentais que dividem a administração desses espaços, de elaborar de forma urgente e prioritária, Planos de Manejo que estabelecessem regras claras de uso público – caracterizado como Turismo e Recreação – nas Unidades de Conservação que possuíam essa característica, permitindo tais práticas, porém, dentro de um planejamento detalhado, elaborado por uma equipe multidisciplinar, estabelecendo não apenas o uso, como: modos de minimizar impactos, quantidade de visitantes nas trilhas, manejo para áreas degradadas a partir de um período de utilização, cuidados a serem tomados na prática de esportes nas áreas naturais, entre outros aspectos.

Manifestações do Lazer na Natureza: o “Ecoturismo” e os “Esportes de Aventura”.

O Turismo Ecológico ou Ecoturismo surge como uma alternativa de se contrapor à lógica do turismo de massa (estandardizado e predatório), e procura cada vez mais defender a proposição de roteiros personalizados, preocupados com o mínimo impacto e com grande interesse paisagístico-ecológico. (SERRANO, 1997)
No documento “Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo”, lançado em 1994 pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo – MICT e pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal – MMA, o Ecoturismo, que se traduz numa multiplicidade de vivências em áreas naturais[11] – dentre estas, algumas atividades físicas na natureza (nem sempre vinculadas à aventura e ao risco) e o Turismo de Aventura (atividades com características mais fortemente vinculadas à “aventura”, ao “risco” e ao “radicalismo”) –, traz em seu bojo a discussão de ter como seu elemento fundante, o desenvolvimento sustentável.  
[...] é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas. (BRASIL-MICT/MMA, 1994)

No entanto, muitos são os autores e autoras (RUSCHMANN, 1994; SERRANO, 2000; FIGUEIREDO, 1999; SEABRA, 2001; UVINHA, 2003; entre outros), que têm procurado fazer análises críticas sobre as concepções teórico-práticas dos projetos e ações executados em todo o Brasil, os quais se autodenominam de ecoturismo e turismo de aventura, mas que no entanto, refletem práticas pouco preocupadas com os preceitos defendidos originalmente.
Apesar do discurso oficial, ainda existem limitações e práticas equivocadas no desenvolvimento do segmento Ecoturismo, gerando falta de credibilidade quanto à sustentabilidade divulgada. Percebe-se este fato nas palavras de Giovanni Seabra (2001):
O caráter sociodesenvolvimentista do ecoturismo permeia os projetos oficiais e os discursos políticos, sem contudo alcançar e envolver as comunidades tradicionais que habitam as unidades de conservação, sendo estas tragadas por uma política oficial massificante, travestida de auto-sustentável. (p. 09).

Além da falta de articulação e envolvimento de comunidades tradicionais residentes em áreas onde são implantados projetos de Ecoturismo, nota-se uma preocupação crescente quanto ao aspecto relacionados com o “uso” da natureza como “mercadoria” e a conseqüente devastação ambiental. Muitos dos erros cometidos no modelo econômico vivido na sociedade – lucro, ganância, degradação -, estão sendo cometidos no Turismo, diminuindo sua credibilidade.  (MENEZES; CORIOLANO, 2002) 
Na mesma linha de raciocínio, Célia Serrano (2000), demonstra preocupações quanto à prática equivocada deste segmento:
[...] o ecoturismo vem perdendo sua capacidade de crítica às formas tradicionais de organização das viagens para as massas, pois passou igualmente a empacotar com ‘embalagens recicláveis’, é certo, natureza e subjetividade, disponibilizando-as para um consumo rápido e fácil. (SERRANO, 2000, p.16)

Nas Unidades de Conservação, onde comumente acontecem o uso público voltado ao segmento ecoturismo e turismo de aventura, também são apontadas algumas limitações e problemas vivenciados, decorrentes de falta de investimento do Poder Público no sentido de elaborar planos de manejo que possibilitem o desenvolvimento sustentável de tais atividades.
Faltam, em diversas UCs, estudos limitantes de áreas e das possibilidades de exploração turística, principalmente porque a maioria dos Parques – em todos os níveis, federal, estadual e municipal – não possui plano de manejo [...] A não existência do plano de manejo dificulta a gestão da área e, conseqüentemente, o correto desenvolvimento do turismo. Esse documento é fruto de um intenso trabalho de pesquisa e abarca múltiplas áreas do conhecimento científico - geografia, botânica, história, direito, geologia, zoologia, engenharia, medicina, entre outras - aliadas ao saber das populações diretamente envolvidas com a UC estudada. Age como instrumento regulador que define e delimita o uso adequado em zonas específicas e cria normas para essa utilização [...] A ausência histórica de investimentos públicos nas Unidades de Conservação – em todos os níveis – é constatada pela pequena quantidade de UCs que possuem plano de manejo, sendo menor ainda o número destas que os conseguiram implementar [...] Como conseqüência, há um comprometimento da qualidade no atendimento ao visitante de tais áreas, e a conseqüente dificuldade de gestão do turismo. (COSTA, 2002, p. 40-41)

 O Turismo de Aventura, situado na polissemia do termo e da multiplicidade das atividades do ecoturismo (SERRANO, 2000), remete às mesmas preocupações em termos de planejamento, gestão e sustentabilidade. Tem sido incluído nas discussões gerais sobre Ecoturismo, no que se refere ao Poder Público, com sua inserção nos projetos maiores de desenvolvimento, como por exemplo, o do “Turismo Verde”, do Governo Federal, que visa desenvolver o ecoturismo na Amazônia brasileira e está inserido no programa “Avança Brasil”. (BRASIL, 2005b). Abarca o Programa de Desenvolvimento de Ecoturismo na Amazônia Legal - PROECOTUR e amplia a previsão de recursos na mesma direção. (BRASIL, 2005b)
No meio acadêmico, já existe um vasto campo de pesquisas, percorrido por autores e autoras, que têm se dedicado à temática específica do turismo de aventura, dos esportes de aventura, dos esportes radicais. (MARINHO, 2003; BRUHNS, 2003; COSTA, 2000; UVINHA, 2003; SCHWARTZ, 2003; entre outros)
Heloísa Bruhns (2000) denuncia a falsa idéia de que os esportes de aventura são inofensivos e “ecologicamente corretos”, revelando preocupações quanto à sua prática e planejamento.
Apesar de um discurso ecológico legitimar a presença dos esportes em cachoeiras, cavernas, trilhas e montanhas, sem muito questionamento, permeando sua prática com nuances românticas e utilizando termos como “harmonização com a natureza”, “integração com a natureza” e outros, presenciamos uma situação que revela que o caráter inofensivo dos mesmos não se mostra sustentável. (BRUHNS, 2000, p. 27)

Uma das preocupações a serem pontuadas nesse texto, diz respeito às práticas do Turismo de Aventura numa lógica consumista e não-sustentável, com atividades executadas de forma desordenada e sem planejamento, causando impactos sócio-ambientais.
Cabe ressaltar que, na “indústria” turística, o segmento identificado genericamente como ecoturismo é o que apresenta maiores taxas de crescimento. Se ainda levarmos em consideração o crescimento de outros sinais da busca da natureza também associados ao mesmo universo mental das práticas do ecoturismo, como as medicinas alternativas, a alimentação natural e os esportes praticados em ambientes naturais, sem tocar na disseminação do ambientalismo – sem duvida a maior influencia ao crescimento desse tipo de interesse, é impossível negar sua importância como fenômeno social. Da mesma forma, não é possível negligenciar os impactos sociais e naturais decorrentes de seu desenvolvimento, em que pese a retórica do “baixo impacto”, centrada na imagem do turismo como “indústria limpa”, característica de seu marketing. (SERRANO, 1997, p. 16-17)
                                                           
Ao sistematizar alguns dos principais processos de impactos do lazer na natureza, Maria Isabel Barros e Milton Dines (2000, p. 58), os agrupam em dois aspectos: “ecológicos, quando provocam alterações no ambiente, degradando o solo, a vegetação, os recursos hídricos e a fauna, e sociais, quando causam uma diminuição na qualidade da experiência dos visitantes”.
Em um passeio por áreas naturais é comum encontrar sinais evidentes de impacto no ambiente como erosão em trilhas, restos de fogueira por toda parte, lixo, locais devastados por “trilheiros”, etc [...] Há outros impactos graves que não são tão aparentes, como a contaminação das águas, a mudança de hábito da fauna, a alteração na dinâmica de ecossistemas, a ausência de certas plantas nativas, o decréscimo na natalidade de espécies ameaçadas, etc. (BARROS; DINES, 2000, p. 71, grifos dos autores)   

Em pesquisa realizada na Vila de Paranapiacaba – Santo André/SP, Ricardo Uvinha (2003), pôde verificar como o desenvolvimento do Turismo de aventura, e conseqüentemente dos esportes de aventura, têm sido realizados, e cita, como exemplo, alguns impactos ambientais na área.
- a poluição da água numa área de mananciais provocada pelo cascade e canyoning;
- a poluição sonora e do ar na prática de esportes motorizados como o motocross e o jipe offroad;
- a elevada incidência de incêndios ocasionados por acampamentos levantados por praticantes de trekking na mata;
- a erosão aguçada por adeptos de mountain bike, em especial quando a prática se dá na terra molhada. (UVINHA, 2003, p. 114)

Somando a estes, mais alguns outros problemas detectados na área, resultantes do grande fluxo de turistas na Vila, como: o crescimento da violência contra o praticante de esportes radicais nas trilhas; a venda de drogas e assaltos à mão armada; a presença de caçadores nas trilhas; os grupos que se perdem nas trilhas por falta de sinalização turística e a falta do devido policiamento nas trilhas; e o desrespeito dos praticantes pelos residentes que circulam pela Vila (motos em alta velocidade). (UVINHA, 2003)
Em outro estudo coordenado por Teresa Magro; Gytha van Bentveld; Silvia Kataoka e Carlos Koury (2002), realizado no município de Brotas – SP, denominado “Uso Turístico do Ambiente Natural em Brotas – Manejo do Público Visitante”, foi feito um levantamento das atividades de lazer realizadas neste município, no sentido de mapear impactos ecológicos e sociais e elaborar recomendações para a melhoria das condições de uso de tais áreas. Os resultados da prática de rafting, bóia cross e floating são apontados a seguir:
De acordo com a avaliação feita, pontos com erosão significativa se localizam em vários trechos do rio, nos trechos sem vegetação ciliar. Todas as bases de embarque e desembarque se encontram em área de pasto ou em mata ciliar degradada, sendo que a perda de vegetação nos locais com mata, fica restringida em uma área pequena. Estes locais deverão ser monitorados no futuro para avaliar se estão ocorrendo alterações significativas na vegetação e qualidade do solo [...] Além dos efeitos ambientais negativos, a falta da vegetação ciliar em grande parte das margens do rio Jacaré-Pepira diminui a qualidade da experiência do visitante cuja expectativa é encontrar um ambiente primitivo ou o mais perto possível desta condição. (MAGRO et al., 2002, p. 101)  

A preocupação em encontrar soluções capazes de equacionar os problemas apontados anteriormente, leva a uma reflexão sobre caminhos possíveis a se tomar, em direção a proposições e ações para uma tomada de consciência e uma perspectiva de vivência de novos valores na prática de lazer na natureza.

Novas Atitudes e Propostas de Intervenção.

Ao considerar a natureza como “espaço de celebração”, Heloísa Bruhns (1997) analisa a importância das experiências vivenciadas entre ser humano, através de seu corpo e meio ambiente.
As experiências íntimas do corpo com a natureza, numa perspectiva subjetiva, expressam em alguns casos uma busca de reconhecimento do espaço ocupado por esse corpo na sua relação com o mundo, uma revisão de valores bem como um encontro muito particular do homem com ele mesmo [...] Essas experiências conduzem a uma aproximação, a um reconhecimento da natureza pelo qual nos conhecemos. (BRUHNS, 1997, p. 136) 

Apesar de aspectos relacionados ao consumo, à prática alienada do lazer na natureza, da falta de cuidado com a sustentabilidade de algumas práticas de esportes na natureza apontada por diversos autores, é possível buscar novas atitudes e novas formas do relacionamento ser humano-natureza.
No fragmentado e heterogêneo mundo contemporâneo ele seria, além do canal das trocas econômicas, um lugar de trocas simbólicas, um elemento constituinte e constitutivo das identidades individuais e de grupos, que estariam rearticulando-se não mais em bases territoriais/nacionais, mas transnacionais, a partir de signos e códigos construídos e compartilhados através do consumo [...] Se aderirmos a esta proposição, e somarmos a ela esforços na direção da cooperação, da solidariedade, da criatividade e da apreensão sensível da natureza, de nós mesmos e do mundo, é possível, apesar da apropriação do ecoturismo e da educação ambiental pelo mercado, reconhecer e desenhar estratégias visando resgatar e tornar mais evidentes as potencialidades dessas práticas [...] uma saudável busca de caminhos que possam concretizar as potencialidades educativas e transformadoras do contato com a natureza, em especial através do ecoturismo. (SERRANO, 2000, p.18-19) 

O aumento dos impactos sócio-ambientais causados pela visitação e prática de esportes em áreas naturais deve ser gerenciado de modo a não afetar a conservação e os modos de vida das populações tradicionais residentes em tais áreas. Para isso, tanto a educação pelo e para o lazer, a educação ambiental e o planejamento da visitação tornam-se atividades fundamentais e devem utilizar-se de formação profissional daqueles que irão atuar como promotores das atividades, além de ferramental e métodos que conciliem uso e conservação.
O uso público em áreas ambientais preservadas e regulamentadas pela lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação traz impactos que podem ser minimizados se forem considerados dois aspectos complementares entre si:
1. a ampla divulgação em campanhas permanentes de informação sobre a ética e as práticas de mínimo impacto;
 2. a adoção de instrumentos e ações de manejo que contribuam para a minimização dos impactos. (BARROS; DINES, 2000, p. 50)  

A ética e as práticas de mínimo impacto podem ser aplicadas a quaisquer atividades realizadas em áreas naturais, sejam unidades de conservação ou não. As práticas de manejo da visitação poderão ser aplicadas principalmente a áreas consideradas como unidades de conservação, embora possam ser utilizadas em outras eras naturais onde se pretenda compatibilizar o uso público ligado ao lazer com a conservação do ambiente e dos ecossistemas naturais existentes em tais áreas. (BARROS; DINES, 2000)

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SERRANO, Célia. A educação pelas pedras: uma introdução. In: SERRANO, Célia (org). A educação pelas pedras: ecoturismo e educação ambiental. São Paulo: Chronos, 2000. (07-24)
SERRANO, Célia. Uma introdução à discussão sobre Turismo, Cultura e Ambiente. In: SERRANO, Célia e BRUHNS, Heloísa T.(orgs). Viagens à natureza: turismo, cultura e ambiente. Campinas, SP: Papirus, 1997. (11-25)
UVINHA, Ricardo R. Turismo de aventura: uma análise do desenvolvimento desse segmento na Vila de Paranapiacaba. São Paulo: Escola de Comunicação e Artes/ Universidade de São Paulo, 2003.




[1] Mestre em Educação Física; Universidade Federal do Pará – UFPA; mirleide@ufpa.br
[2] Doutora em Ciências da Religião; Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP/GPL; tsampaio@unimep.br

[3] Por ocasião da Conferência Internacional Rio / 92, cidadãos representando instituições de mais de 170 países assinaram tratados nos quais se reconhece o papel central da educação para a construção de um mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado, o que requer responsabilidade individual e coletiva em níveis local, nacional e planetário. (SÃO PAULO, 1992).
[4] Atualmente alguns autores (LEFF, 2003; GUATTARI, 1990) defendem a inserção da responsabilidade política como uma das bases da concepção do Desenvolvimento Sustentável.
[5] O capítulo 28 da Agenda 21 global estabelece que cada autoridade em cada país implemente uma Agenda 21 Local, tendo como base de ação a construção, operacionalização e manutenção da infra-estrutura econômica, social e ambiental local, estabelecendo políticas ambientais locais e prestando assistência na implementação de políticas ambientais nacionais. Ainda segundo a Agenda 21, como muitos dos problemas e soluções apresentados neste documento têm suas raízes nas atividades locais, a participação e cooperação das autoridades locais são fatores determinantes para o alcance de seus objetivos. (BRASIL, 2005a).
[6] Ação antrópica é toda ação provinda do homem. As conseqüências da ação antrópica, como geradora de impacto ambiental, incluem fatores como a dinâmica populacional (aglomerações, crescimento populacional, deslocamentos, fluxos migratórios), o uso e a ocupação do solo (expansão urbana, paisagismo, instalações de infra-estrutura, rede viária, etc.), a produção cultural e também as ações de proteção e recuperação de áreas específicas. (SÃO PAULO, 1992).
[7] No Brasil há várias leis estabelecendo Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que são espaços do território brasileiro, assim definidos e delimitados pelo Poder Público (União, Estado ou Município), cuja proteção se faz necessária para garantir o bem estar das populações presentes e futuras e o meio ambiente ecologicamente equilibrado. (SÃO PAULO, 1992).
[8] Unidades de Conservação: “Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”. (COSTA, 2002, p.27).
[9] O conjunto de Unidades de Conservação do Brasil constitui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC. (COSTA, 2002, p.27).
[10] Plano de Manejo: documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. (BRASIL, 2000).

[11] De acordo com Célia Serrano (2000, p. 9), “podemos considerar o Ecoturismo  como uma idéia “guarda-chuva”, pois envolve uma multiplicidade de atividades como trekking, hiking, escaladas, rapel, espeleologia, mountain biking, cavalgadas, mergulho, rafting, floating, cayaking, vela, vôo livre, paragliding, balonismo, estudos do meio, safári fotográfico, observação de fauna e de flora, pesca (catch-release),  turismo esotérico e turismo rural, para citar as mais usuais”. 

Buscando a excelência em sustentabilidade


Economia
07/5/2013 - 10h10

Buscando a excelência em sustentabilidade



por Redação da Ecopolítica
sustentabilidade03 233x300 Buscando a excelência em sustentabilidade
A Iniciativa Global para Índices de Sustentabilidade (GISR, em inglês) lançou esta semana a versão Beta de um conjunto de princípios centrais como parte de uma ação internacional para buscar excelência em pesos, índices e rankings de sustentabilidade corporativa.
GISR foi lançada com o objetivo de acreditar, ou certificar, outros índices, rankings e medidas de sustentabilidade para permitir a aplicação de seu padrão de excelência no desempenho das empresas em sustentabilidade. A ONG, formada por uma coalizão de investidores institucionais (grandes fundos de investimento) e empresas, não vai avaliar a sustentabilidade das empresas. Vai avaliar os índices e outras medidas utilizadas por diferentes agências e empresas de consultoria com esta finalidade.
Atualmente existem mais de 100 avaliações (notas com pesos), rankings (listas hierarquizadas) e índices utilizados para avaliar o desempenho em sustentabilidade de mais de 10.000 companhias. Eles usam mais de 2.000 indicadores de desempenho corporativo em sustentabilidade. – Essa abundância de informação sobre sustentabilidade pode parecer um bônus para os investidores – mas ela produz muito ruído e confusão disse Mindy Lubber, presidente da Ceres, ao anunciar a iniciativa do GISR no congresso anual da organização nos primeiros dias deste mês em São Francisco. – No mesmo ano, empresas que têm altas notas em um sistema de avaliação podem ter notas baixas em outros, frequentemente confundindo investidores, empresas e diminuindo a eficácia potencial das avaliações para mover os mercados rumo a resultados mais sustentáveis.
O desafio que o GISR se propõe é acelerar a integração das dimensões ambiental, social e de governança e os respectivos indicadores para orientar melhor as decisões de invesitmento. Para fazer isso, está formulando um novo padrão de medida que dê aos investidores, àas companhias e aos afetados pelas ações das empresas (stakeholders) uma ferramento para reconhecer a verdadeira excelência em sustentabilidade corporativa.
– O objetivo do GISR’s é criar um marco padrão de referência (benchmark) para excelência que aumente a confiança do investidor nas avaliações de sustentabilidade – disse Mark Tulay, diretor de programa do GISR.
A Versão Beta dos 12 Princípios, do modelo que será utilizado para acreditar as avaliações, que incluem: Transparência, Imparcialidade, Melhoria Contínua, Inclusividade, Confiabilidade, Materialidade, Abrangência, Contexto da Sustentabilidade, Horinzonte de Longo Prazo, Cadeia de Valor, Equilíbrio e Comparabilidade está disponível para análise no site: www.ratesustainability.org. O período de comentários públicos será aberto no dia 1o de Junho e fechará no dia 31 de Julho.
* Publicado originalmente no site Ecopolítica. 
(Ecopolítica) 

E eu com isso?


10/05/2013 - 16h13

Nível de gás carbônico no ar atinge marca histórica


DO GUARDIAN
DE SÃO PAULO


Pela primeira vez na história humana, a concentração do dióxido de carbono na atmosfera passou a marca das 400 ppm (partes por milhão). A última vez que tanto gás-estufa estava no ar foi há muitos milhões de anos, quando o Ártico não era coberto de gelo, o Saara era coberto por savana e o nível do mar era até 40 metros mais elevado do que hoje.
A medição não significa que, instantaneamente, haverá mais problemas ou doenças relacionadas ao CO2. A questão tem todo um contexto simbólico.
Nas últimas décadas, os cientistas assinalaram que, para evitar um aquecimento excessivo da Terra, esse limite não deveria ser ultrapassado. O resultado de agora demonstra, em um certo sentido, que os esforços para controlar as emissões de carbono provocadas pelo homem estão falhando.
Editoria de Arte/Folhapress
Para Rajendra Pachauri, chefe do IPCC (painel do clima das Nações Unidas), atingir os 400 ppm é um marco "que nos lembra a rapidez com a qual aumentamos a concentração de gases-estufa na atmosfera".
"No começo da industrialização, a concentração de CO2 era de 280 ppm. A esperança é que cruzar esse marco vá trazer consciência da realidade científica da mudança climática e de como a humanidade deve lidar com esse desafio."
"É simbólico, é um ponto para parar e pensar sobre onde estamos e para onde estamos indo", afirmou Ralph Keeling, que supervisiona as medições feitas em um vulcão no Havaí e que foram iniciadas pelo pai dele em 1958.
"É como fazer 50 anos: é um alerta para tudo o que está acontecendo na sua frente o tempo todo."
As estações de monitoramento no topo do vulcão Mauna Loa, no Havaí, são comandadas pelo US National Oceanic and Atmospheric Administration e pelo Instituto de Oceanografia Scripps.
Os dados divulgados nesta sexta (10) mostram que a média diária ultrapassou 400 ppm pela primeira vez nesse meio século de medições.
Os níveis de CO2 sofrem picos a cada ano sempre em maio.
Análises de ar fóssil, que fica preso no gelo, indicam que esse nível de gás carbônico não é visto na Terra há cerca de 3 milhões de anos, desde o Plioceno. Naquela época, a média global de temperaturas era de três a quatro graus mais alta do que hoje e oito graus mais elevada nos polos.
Os corais sofreram um processo grande de extinção, enquanto que as floresta cresceram perto do Ártico, onde hoje existe tundra.
"Acho que é possível que essas mudanças de ecossistema se revertam", afirmou Richard Norris, que trabalha com Keeling no instituto Scripps.
O clima terrestre leva tempo para se ajustar ao calor aprisionado pelos altos níveis de gases-estufa e pode levar centenas de anos até que as calotas polares derretam até terem o tamanho pequeno que tinham no Plioceno e até o nível do mar se elevar.
Mas a rapidez com a qual os níveis de gás carbônico estão subindo --talvez 75% mais rápido do que no período pré-industrial-- nunca havia sido vista em recordes geológicos e alguns efeitos da mudança climática já estão sendo vistos, com ondas de calor extremas e inundações mais prováveis de ocorrer. O recente verão úmido e frio na Europa foi ligado a mudanças nas correntes de ar de grande altitude, por sua vez ligadas ao derretimento mais rápido do gelo no Ártico, que bateu sua marca mais baixa em setembro.
"Estamos criando um clima pré-histórico em que sociedades humanas enfrentarão riscos enormes e potencialmente catastróficos", disse Bob Ward, diretor do Instituto Grantham de Pesquisa de Mudança Climática, da Escola de Economia de Londres.
"A marca de 400 ppm é uma marca grave e deveria servir de alerta para todos nós apoiarmos tecnologias de energia limpa e reduzir as emissões dos gases-estufa antes que seja muito tarde para nossos filhos e netos", disse o cientista Tim Lueker.

NO BRASIL
O pesquisador Jefferson Simões, diretor do Centro Polar e Climático da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), diz que a marca de 400 ppm já era esperada e que, no atual nível de emissões, a tendência é que a curva não pare de subir.
"Na verdade, havia até uma espécie de aposta entre os observatórios para ver quem faria a primeira medição da média de 400 ppm", disse o pesquisador.
"O importante disso não é o número em si. Ele é mais uma comprovação de que estamos provocando alterações sérias no ambiente", diz ele.
Segundo o cientista, não costuma levar muito tempo para que as concentrações de dióxido de carbono se equilibrem em toda a Terra. Ou seja: em breve a concentração maior do gás deve ser detectada nos outros observatórios, inclusive nos que são operados por pesquisadores brasileiros.
"Nós acompanhamos esses dados todos os dias na Antártida. E já percebemos esse aumento. Estamos muito próximos dos 400 ppm também."

Beber 340 ml de refrigerante açucarado por dia pode aumentar a incidência de diabetes tipo 2 em cerca de 22%



sexta-feira, 03 de maio de 2013
Atalho: 6YLS3NK

Beber 340 ml de refrigerante açucarado por dia pode aumentar a incidência de diabetes tipo 2 em cerca de 22%, sugere estudo publicado pelo jornal Diabetologia



Beber 340 ml de refrigerante açucarado por dia pode aumentar a incidência de diabetes tipo 2 em cerca de 22%, sugere estudo publicado pelo jornal Diabetologia
O objetivo da presente análise foi investigar a associação entre o consumo de bebidas adocicadas (ou seja, sucos e néctares de fruta, refrigerantes açucarados e refrigerantes adoçados artificialmente) e a incidência de diabetes tipo 2 em uma coorteEuropeia, no EPIC-InterAct Study.
O consumo de bebidas adocicadas e o aumento na incidência dodiabetes mellitus tipo 2 tem sido demonstrado principalmente em populações americanas. O EPIC-InterAct Study avaliou esta associação em adultos europeus e foi publicado pelo periódico Diabetologia da European Association for the Study of Diabetes(EASD).
Dados do estudo longitudinal European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC) foram usados e os pesquisadores estabeleceram uma coorte com 12.403 casos incidentes de diabetes tipo 2 e uma subcoorte aleatória de 16.154 indivíduos. Modelos de riscos proporcionais de regressão de Cox (modificados para o estudo de caso-coorte) e meta-análises de efeitos aleatórios foram utilizados para estimar a associação entre o consumo de bebidas adocicadas (dados obtidos a partir de questionários dietéticos validados) e a incidência do diabetes tipo 2.
Os resultados mostraram que, após os ajustes necessários, o consumo de 340 ml de refrigerantes açucarados por dia está associado ao aumento da incidência do diabetes tipo 2, mas a associação do consumo de refrigerantes adoçados artificialmente e o diabetes tipo 2 tornou-se estatisticamente não significativa. O consumo de suco ou néctar de fruta não foi associado ao aumento na incidência da doença.
Este estudo corrobora a associação entre o aumento da incidência de diabetes tipo 2 e o alto consumo de refrigerantes açucarados em adultos europeus.

NEWS.MED.BR, 2013. Beber 340 ml de refrigerante açucarado por dia pode aumentar a incidência de diabetes tipo 2 em cerca de 22%, sugere estudo publicado pelo jornal Diabetologia. Disponível em: . Acesso em: 9 mai. 2013.

terça-feira, 14 de maio de 2013

ONU lança desafio sobre a sustentabilidade no turismo


ONU lança desafio sobre a sustentabilidade no turismo

12.05.2013


Vice-secretário-geral das Nações Unidas defende que o setor turístico seja uma força motriz para a economia
Genebra. O vice-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Jan Eliasson, incentivou esta semana os governos, a indústria do turismo e as comunidades locais para, juntos, enfrentar o desafio de alcançar o desenvolvimento sustentável no crescente processo de urbanização e turismo.


O vice-secretário-geral ressaltou que a movimentação turística internacional cresceu de 25 milhões em 1950 para mais de 1 bilhão em 2012. As receitas do turismo internacional também aumentaram significativamente FOTO: DIVULGAÇÃO



No pronunciamento no Almoço de Trabalho sobre o Desenvolvimento Sustentável Urbano e o Turismo, organizado pela Missão Permanente da China nas Nações Unidas, Eliasson observou que o crescimento da urbanização e do turismo é uma consequência natural de um mundo globalizado.



Segundo ele, grande parte do crescimento nas últimas décadas foi liderado pela China e por outros países asiáticos.



O vice-secretário-geral ressaltou que a movimentação turística internacional cresceu de 25 milhões em 1950 para mais de 1 bilhão em 2012. As receitas do turismo internacional também aumentaram significativamente, superando o marco de 1 trilhão de dólares em 2011.



"Por trás das estatísticas está uma história ainda maior - o crescimento das cidades e turismo na Ásia e no Pacífico", acrescentou Eliasson, observando que a movimentação de turistas internacionais na Ásia e no Pacífico cresceu de apenas 23 milhões em 1980 para um total de 233 milhões em 2012.



"Enquanto celebramos esta dinâmica de crescimento, devemos também fazer uma pausa e perguntar: pode este notável aumento da urbanização e do turismo ser sustentado, economicamente, socialmente e ambientalmente? Quais são as implicações para o desenvolvimento sustentável em todo o mundo?", questionou o vice-secretário-geral das Nações Unidas.



Planejamento



Ele disse que, no plano econômico, é necessário trabalhar em conjunto para garantir que o desenvolvimento urbano sustentável e o turismo tornem-se uma força motriz para o crescimento econômico através da criação de emprego, investimentos e através do impacto da urbanização sustentável e do turismo em outros setores da economia.



No mês passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse em um evento sobre o tema em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que "esverdear" a indústria é crucial para o futuro do planeta.



"No ano passado, chegamos a uma marca histórica: mais de um bilhão de turistas cruzaram fronteiras internacionais. Temos de garantir que esses movimentos sejam uma força transformadora, uma força que constrói a paz, estimula a economia, preserva o meio ambiente e promove valores universais", disse Ban Ki-moon.



Realização de eventos



O Brasil teve o quinto maior crescimento na captação de eventos internacionais em 2012, na comparação com o ano anterior. É o que aponta levantamento divulgado na última quarta-feira (8), pelo International Congress & Convention Association (ICCA). O estudo mostra que o Brasil subiu de 304 para 360 eventos internacionais o ano passado. O crescimento é superior ao da Itália, França, Alemanha e Reino Unido. Com o resultado, o Brasil manteve a 7ª posição no ranking internacional do ICCA.



"Atrair eventos internacionais para o Brasil é uma estratégia que ajuda o aumento da chegada de turistas estrangeiros e consequentemente a ampliação de divisas", disse o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Valdir Simão.



Para o presidente da Embratur, Flavio Dino, os números mostram que, em média, o País recebeu um evento internacional por cada dia do ano de 2012. "Tenho certeza que, com esse crescimento robusto no número de eventos, caminhamos com segurança para subir à 5ª posição nos próximos anos", disse.



Ramificação nos estados



O estudo mostra ainda a manutenção do movimento de ramificação dos eventos internacionais em diferentes cidades brasileiras. Alguns municípios tiveram grande crescimento, como Bento Gonçalves (150%), Belo Horizonte (117%), Foz do Iguaçu (100%) e Búzios (80%). As capitais também tiveram crescimento, como Brasília (69%), Fortaleza (60%), São Paulo (27%) e Rio de Janeiro (20%).



De acordo com o levantamento apresentado pelo International Congress & Convention Association, o Rio de Janeiro subiu duas posições e é o segundo lugar nas Américas (só perdendo para Buenos Aires) e o 25º no mundo, à frente de cidades como Nova York e São Paulo. A capital carioca recebeu 83 eventos no ano passado. 

PARQUES SUSPENSOS




PARQUES SUSPENSOS


SUSTENTABILIDADEpor Joanna Guinle

A cidade de São Paulo é especialista em recuperar áreas degradadas, com ajuda privada, e transformá-las em locais de lazer e uso público. São os casos do Parque do Povo, do Parque Raposo e da Praça Victor Civita.
Por esse motivo, o projeto de demolição do Elevado Costa e Silva (conhecido como minhocão), apresentado em 2010 pelo então prefeito Gilberto Kassab, causa espanto.
No início deste ano, a prefeitura do Rio de Janeiro começou a demolição da Avenida Perimetral no centro da cidade. Como qualquer projeto deste tipo, não falta polêmica. De um lado estão os amantes da cidade, que pouco utilizam a Via e corretamente acham que ela "enfeia" a paisagem; do outro, estão os que a utilizam e veem nas obras um caos no já complicado trânsito carioca.
O que falta para todos os lados, inclusive para os que tramitam o projeto do Kassab é, na minha opinião, bom senso.
Só a primeira fase da demolição da Perimetral custará aos cofres públicos R$ 1 bilhão. 
Por que falta bom senso? Por que enquanto demolimos, destruindo patrimônio, gerando lixo e a um custo muito alto, em outros países como França e Estados Unidos, por exemplo, prefeituras dão show em transformar.
High Line Park, em Nova York era, até 2004, uma linha de trem abandonada com data marcada para ser demolida. Graças à um grupo de moradores da região, O "Friends of the High Line", o projeto de demolição foi abandonado e outro, de preservação da ferrovia, dando lugar à um parque, começou a ser desenhado. Em 2011 foi aberto ao público o High Line Park. A transformação da estrada de ferro em um parque urbano tem estimulado o desenvolvimento imobiliário nos bairros que ficam ao longo da linha, além de trazer turistas para uma área antes esquecida da cidade.
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High Line Park
A ideia do High Line veio do bem sucedido projeto Promenade Planté, em Paris, que em 1989 trouxe um parque para a cidade, numa região onde também passava uma linha de trem. A Promenade segue uma faixa de 4,7 km e é considerada o maior cinturão verde de Paris.
Outros projetos semelhantes estão saindo do papel, o Bloomingdale Trail, em Chicago, que também prevê a transformação de uma ferrovia em parque e o Low Line que tem como objetivo transformar uma antiga e abandonada estação de metrô subterrânea num parque com energia solar. 
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Da esquerda para a direira: Bloomingdale Trail e Promenade Planté
Quem sabe não nos juntamos e formamos um grupo para tentar salvar o minhocão e transformá-lo numa versão paulista do High Line, caso o projeto de demolição seja aprovado? 

Metrópole inteligente na Ásia custará menos que Copa do Mundo de 2014


Metrópole inteligente na Ásia custará menos que Copa do Mundo de 2014

Redação do Site Inovação Tecnológica - 08/05/2013
SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Metrópole inteligente na Ásia custará menos que Copa do Mundo de 2014. 08/05/2013. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=metropole-inteligente-asia-custara-menos-copa-mundo. Capturado em 11/05/2013. 
Metropóle inteligente na Ásia custará menos que Copa do Mundo
Mas será que o caminho é realmente investir em cidades? Parece que sim, desde que sejam cidades concebidas em novos formatos. [Imagem: Divulgação]

Cidades do futuro
Iskandar Malásia - este é nome da primeira "metrópole inteligente" do sudeste asiático.
A cidade está sendo construída com fundações firmes em princípios de integração social, baixas emissões de carbono, economia verde, tecnologias verdes, sustentabilidade e todos os demais conceitos relacionados com uma nova economia mundial.
Mas será que o caminho é realmente investir em cidades? Parece que sim, desde que sejam cidades concebidas em novos formatos.
As Nações Unidas estimam que a população humana passará dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões até 2050 - e mais de 6 bilhões vão viver em ambientes urbanos, um número que é quase o dobro de hoje.
Esse aumento exigirá a construção de uma cidade de 1 milhão de habitantes a cada semana até 2050, segundo cálculos dos especialistas.
Além disso, o estresse ambiental causado por esse intenso crescimento urbano será imenso - mais de 70% das emissões de CO2 hoje se relacionam com as necessidades das cidades.
É por isso que especialistas internacionais afirmam que Iskandar e outros empreendimentos do tipo são modelos para o desenvolvimento urbano sobretudo nos países emergentes, com populações que crescem a taxas mais altas.
Metropóle inteligente na Ásia custará menos que Copa do Mundo
De 2006, quando o projeto foi iniciado, até junho de 2012, Iskandar atraiu US$ 31,2 bilhões em investimentos estrangeiros. [Imagem: Divulgação]
Opções para o futuro
E dinheiro para isso também parece não faltar.
Iskandar já se mostrou um poderoso ímã para o investimento privado, incluindo enormes estúdios da Pinewood Films, o primeiro parque temático Legoland da Ásia, e campi remotos de diversas universidades ocidentais, incluindo Universidade Newcastle do Reino Unido, Universidade de Southampton e Marlborough College, todas localizadas na "edu-city" de 140 hectares.
De 2006, quando o projeto foi iniciado, até junho de 2012, Iskandar atraiu US$ 31,2 bilhões em investimentos, 38% dos quais vindos de fontes estrangeiras.
Isso é menos do que custará a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
A diferença é que, em vez de consumo de recursos públicos e estádios sem utilização, a cidade de Iskandar deverá ter um PIB de US$ 93,3 bilhões em 2025, um aumento de 465% em relação a 2005, antes do início do projeto - um PIB per capita de US$ 31.100 dólares.
Além da "metrópole inteligente" de Iskandar, a Malásia está criando "aldeias inteligentes" e "eco-cidades", constituídas de casas a preços acessíveis, instalações educacionais, de formação e de lazer de alta tecnologia e um sistema agrícola criativo, em circuito fechado, proporcionando alimentos e renda suplementar aos moradores das pequenas cidades.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O que é (e o que não é) sustentabilidade


Economia
07/5/2013 - 11h00

Oded Grajew: O que é (e o que não é) sustentabilidade



por Oded Grajew*
globo 300x225 Oded Grajew: O que é (e o que não é) sustentabilidade
Embora em voga, o conceito de sustentabilidade ainda é pouco compreendido tanto por quem fala sobre ele quanto por quem o ouve.
Nos últimos anos, intensificou-se a discussão a respeito do aquecimento global e do esgotamento dos recursos naturais. São preocupações legítimas e inquestionáveis, mas que geraram distorção no significado de sustentabilidade, restringindo-o às questões ambientais.
Não é só isso. A sustentabilidade está diretamente associada aos processos que podem se manter e melhorar ao longo do tempo. A insustentabilidade comanda processos que se esgotam. E isso depende não apenas das questões ambientais. São igualmente fundamentais os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.
A sustentabilidade e a insustentabilidade se tornam claras quando traduzidas em situações práticas.

Esgotar recursos naturais não é sustentável. Reciclar e evitar desperdícios é sustentável.
Corrupção é insustentável. Ética é sustentável. Violência é insustentável. Paz é sustentável.
Desigualdade é insustentável. Justiça social é sustentável. Baixos indicadores educacionais são insustentáveis. Educação de qualidade para todos é sustentável.
Ditadura e autoritarismo são insustentáveis. Democracia é sustentável. Trabalho escravo e desemprego são insustentáveis. Trabalho decente para todos é sustentável.
Poluição é insustentável. Ar e águas limpos são sustentáveis. Encher as cidades de carros é insustentável. Transporte coletivo e de bicicletas é sustentável.
Solidariedade é sustentável. Individualismo é insustentável.
Cidade comandada pela especulação imobiliária é insustentável. Cidade planejada para que cada habitante tenha moradia digna, trabalho, serviços e equipamentos públicos por perto é sustentável.
Sociedade que maltrata crianças, idosos e deficientes não é sustentável. Sociedade que cuida de todos é sustentável.

Dados científicos mostram que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável e ameaça a sobrevivência inclusive da espécie humana.
Provas não faltam. Destruímos quase a metade das grandes florestas do planeta, que são os pulmões do mundo. Liberamos imensa quantidade de dióxido de carbono e outros gases causadores de efeito estufa, num ciclo de aquecimento global e instabilidades climáticas.
Temos solapado a fertilidade do solo e sua capacidade de sustentar a vida: 65% da terra cultivada foram perdidos e 15% estão em processo de desertificação.
Cerca de 50 mil espécies de plantas e animais desaparecem todos os anos e, em sua maior parte, em decorrência de atividades humanas.
Produzimos uma sociedade planetária escandalosa e crescentemente desigual: 1.195 bilionários valem, juntos, US$ 4,4 trilhões –ou seja, quase o dobro da renda anual dos 50% mais pobres. O 1% de mais ricos da humanidade recebe o mesmo que os 57% mais pobres.
Os gastos militares anuais passam de US$ 1,5 trilhão, o equivalente a 66% da renda anual dos 50% mais pobres.
Esse cenário pouco animador mostra a necessidade de um modelo de desenvolvimento sustentável. Cabe a nós torná-lo possível.
Oded Grajew é empresário, coordenador da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo, presidente emérito do Instituto Ethos e idealizador do Fórum Social Mundial.
** Publicado originalmente no site Rede Nossa São Paulo.
(Rede Nossa São Paulo) 

PISCINA BIOLÓGICA




PISCINA BIOLÓGICA


SUSTENTABILIDADEpor Joanna Guinle


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Um dia desses visitando uma obra para a qual presto consultoria, conheci uma categoria completamente nova para mim, a das piscinas biológicas. Um mix entre piscina tradicional e lago, a piscina biológica é uma espécie de lago ornamental artificial, impermeabilizado, com uma parte destinada a banhos e outra destinada à depuração da água.


O tratamento é puramente biológico, ou seja, feito pela atividade natural de seres vivos que, através de processos de autodepuração da água, garantem a sua qualidade durante todo o ano.


Perfeita para quem não quer cloro, nem químicos na água!


Trata-se de uma opção natural e mais bucólica para áreas aquáticas, mas é preciso projetá-la com cuidado. A geometria, topografia do terreno, isolamento do solo, tipos de plantas aquáticas e pedras precisam ser estudadas e escolhidas a dedo para garantir o sucesso e purificação da água.


O investimento inicial ainda é um pouco maior do que o de uma piscina tradicional, mas é amortizado pelo baixo custo de manutenção. Manutenção esta que se dá apenas no cuidado com as plantas, para que estejam vivas e viçosas.


A única restrição à este tipo de piscina é para quem não gosta de bichos, os repteis que nela nascem ajudam a eliminar os mosquitos e evitam algas, que interferem no processo de purificação da água.


O ideal para quem deseja incluir uma piscina desse tipo em seu projeto é unir paisagista e o fornecedor da piscina em si, assim a garantia de harmonia com o jardim e eficiência são certas!


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domingo, 12 de maio de 2013

Telhado verde...


TETO VERDE


SUSTENTABILIDADEpor Joanna Guinle


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Basta dar uma olhada pelo Google Earth sobre qualquer grande cidade do hemisfério norte para ver que cada vez mais edificações optam pelo telhado verde, como alternativa ao quase sempre cinza.

Na Alemanha, por exemplo, cerca de 10% dos telhados são verdes. Na Suíça, em Toronto e em Tokyo, a legislação exige que, em novas construções, certa porcentagem do telhado seja plantada.
 
As principais vantagens do telhado verde são: facilitar a drenagem, fornecer isolamento acústico e térmico, além, é claro, de produzir um diferencial estético e ambiental. Em tempos de calor infernal, os telhados verdes resfriam casas e escritórios em até 3ºC.
 
Ter um desses não é nada complicado. As técnicas são diversas, pode se optar por plantas ornamentais, plantas nativas e até uma horta. O importante é garantir uma boa impermeabilização. Não é necessário nenhum tipo de autorização de órgãos públicos, tão pouco trata-se de um investimento alto como muitos pensam. Não é necessário nenhum tipo de manutenção, já que, diferente de um jardim comum, quanto maiores as plantas e a forração, mais eficaz ele será e, na "terra da garoa", água para irrigação não falta.
 
O edifício Matarazzo (na foto, no canto direito de baixo), onde funciona a prefeitura de São Paulo, no centro, é um exemplo muito bem sucedido de telhado verde.
 
Várias empresas se especializaram nesse tipo de serviço. Caso você goste da ideia e queira tentar um desses em sua casa ou empresa, aqui vão minhas dicas de fornecedores: