segunda-feira, 18 de março de 2013

Perdoar seu atropelador...


18/03/2013 - 03h00

Ciclista atropelado na avenida Paulista diz que motorista furou sinal


TALITA BENDINELLI
DE SÃO PAULO

O motorista Alex Siwek, 21, que no último 10 de março atropelou o ciclista David Santos Sousa, 21, atravessou o semáforo no vermelho antes de acertar o rapaz numa esquina da avenida Paulista.

A afirmação foi feita por David, que está há uma semana em uma cama no Hospital das Clínicas. A defesa do atropelador disse que vai aguardar a perícia para se manifestar.
Com o impacto, o braço do ciclista foi decepado e ficou no carro de Alex, que fugiu e jogou o membro num rio, impossibilitando o reimplante.
"Eu vi os carros parados no farol, mas ele passou no vermelho em alta velocidade. Tentei desviar, mas não deu tempo", disse David. "Não lembro de mais nada. Acho que morri por um instante."
Apesar da dor, ele afirma que perdoa seu atropelador porque "ninguém deve guardar mágoa de ninguém".
O ciclista conta que há cinco meses havia sofrido outro acidente de bicicleta, na esquina da casa onde mora na divisa de São Paulo com Diadema (Grande São Paulo).
Reprodução/Facebook
O ciclista David Santos Sousa, 21, que teve o braço decepado, no Hospital das Clínicas
O ciclista David Santos Sousa, 21, que teve o braço decepado, no Hospital das Clínicas
"Virei a esquina da minha rua e fui atropelado por um carro que fazia a conversão. O motorista olhava para o outro lado", conta. Ele não ficou machucado, mas a bicicleta ficou bastante danificada.
Após o acidente, o rapaz decidiu investir R$ 650 em uma Caloi 10 nova, mais leve e fina, que facilitaria o percurso de cerca de 20 km que fazia diariamente entre sua casa e o trabalho, no Instituto do Câncer (zona oeste da cidade) --ele escalava o prédio para limpar os vidros.
A bicicleta era o meio de transporte preferido, pois diminuía pela metade o tempo do percurso. De transporte público, a distância levava 1h30. Pedalando, 45 minutos.
Para pagar dívidas, como a feita com a nova bicicleta, o rapaz, contratado para trabalhar de segunda a sábado, resolveu fazer turnos extras, aos domingos. No domingo em que foi atingido por Alex, David já trabalhava havia duas semanas, sem folga.
Desde o acidente, ativistas realizam protestos para chamar a atenção para a insegurança nas ruas -ontem foram dois, um deles com a presença da mãe de David. Para ajudar outros ciclistas, o rapaz decidiu criar a Associação de Proteção ao Ciclista.

Acidente com ciclista na avenida Paulista

Marcelo Oliveira/Leitor


Ciclista perde o braço em acidente na avenida Paulista, em São Paulo Leia mais

Animais recebem microchip contra doenças no interior de SP


16/03/2013 - 03h15

Animais recebem microchip contra doenças no interior de SP


PAULA SIEPLIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PRESIDENTE PRUDENTE

A cidade de Presidente Prudente (a 550 km de São Paulo) aposta em um aliado do tamanho de um grão de arroz para controlar a população de cães e gatos, e combater doenças: um microchip.
O aparelho é colocado por baixo da pele, na área do dorso. Nele são armazenadas informações do dono e do pet.
Nessa espécie de "censo" animal, o Centro de Controle de Zoonoses espera identificar 42 mil cachorros e 10 mil gatos. Até o momento, foram inseridos chips em cerca de 60 cães --os gatos só entram em uma segunda fase.
A cada dois meses, um novo bairro é percorrido para a implantação dos microchips. A previsão é que a aplicação seja finalizada até 2017.
O serviço é gratuito e obrigatório. Os donos de animais ficam sujeitos à intimação e, se em 30 dias não os levarem, pagam multa de R$ 478 --o valor é reajustado a cada ano.
Segundo o diretor do Centro de Zoonoses, Célio Nereu Soares, as informações do animal com chip são incluídas em um banco de dados no órgão municipal.
Ficam disponíveis ali as características do bicho, nome e endereço do dono e histórico de vacinações.
A intenção é que, depois de feito o implante, técnicos possam identificar quais animais encontrados na rua possuem dono e quais serão colocados para adoção.
Outro foco é prevenir e controlar doenças. No ano passado, houve 26 casos de leishmaniose em cães, sendo 13 autóctones --contraídos dentro do município-- e 13 importados. Não há registro de casos de raiva na cidade.
O investimento inicial da prefeitura no censo é de R$ 60 mil. Cada chip custa cerca de R$ 15 --só no início deste ano, 4.000 foram adquiridos.
Divulgação/Prefeitura de Presidente Prudente
Agentes do Centro de Controle de Zoonoses implantam microchip em cachorro em Presidente Prudente; chip armazena dados do animal e do proprietário
Agentes do Centro de Controle de Zoonoses implantam microchip em cachorro; chip armazena dados do animal e do dono

Rios e Ruas


17/03/2013 - 03h50

A cinza e árida São Paulo 'esconde' a história de 300 cursos de rios


AMANDA KAMANCHEK
DE SÃO PAULO

Quem diria que a São Paulo árida e cinza tem uma grande história sobre um rio. Uma não, 300 histórias de rio, segundo o geólogo Luiz de Campos Jr., 51, que coordena o projeto Rios e Ruas.
Segundo ele, esses cursos de água têm 3.500 km de extensão. "Não se anda mais de 200 metros na cidade sem passar por um desses cursos", diz Campos.
Vamos contar a história de um rio que tem nome de pássaro: o Saracura. Ele nasce escondido, atrás da avenida Paulista, e escorre pela avenida Nove de Julho, depois segue pelo vale do Anhangabaú, até chegar ao rio Tamanduateí, ao lado do Mercado Municipal.
Para vê-lo, somente seguindo as pistas que restaram sob prédios e rodovias. São as galerias pluviais, os bueiros e os fundos de vale que trazem essas evidências.
Na pequena rua sem saída Garcia Fernandes, atrás do hotel Maksoud, impera outro clima. Menos luz, umidade latente e temperatura amena indicam que ali nasce o Saracura.
A água é conduzida até uma galeria pluvial e segue assim até chegar ao Tamanduateí. É o que acontece com 99% desses cursos de água.
Moacyr Lopes Junior/Folhapress
O rio Anhangabaú, que é canalizado para desviar da sua rota, deságua no poluído rio Tamanduateí
O rio Anhangabaú, que é canalizado para desviar da sua rota, deságua no poluído rio Tamanduateí
Em dias de chuva, quando transbordam os bueiros, é possível ver uma água translúcida descendo pela rua Rocha, onde fica o lavador de táxis Onofre Sabino, 81. Ele puxa por uma mangueira parte da água da nascente, que brota num terreno, para lavar carros desde 1986.
"Nunca faltou água em todos esses anos", diz Sabino. O lavador diz saber que ali há uma nascente e que ela é sua principal fonte de renda.
Dali, ele explica, a água desce pela rua Rocha até a praça 14 Bis, no Bixiga -- bairro onde viviam os negros recém-libertos, nos anos 1930, e que hoje abriga a escola de samba Vai-Vai.
"Aqui foi um brejo até os anos 1960. Quem morava na região era muito pobre", diz Fernando Penteado, 66, diretor de Harmonia da Vai-Vai. "Nadei no Saracura até o fim dos anos 1950, quando começaram a canalizar o rio", diz.

Nos períodos de chuva, o Saracura faz aparições, inundando a praça 14 Bis. "Brincamos que de vez em quando o Saracura se invoca e diz: 'tô aqui'", afirma o sambista.
Ao chegar à praça das Bandeiras, ele se junta aos rios Itororó (que vem da av. 23 de Maio) e Bixiga. Os três formam o rio Anhangabaú, que segue dali até a rua 25 de Março e deságua no poluído rio Tamanduateí, na avenida do Estado. É o fim da história do Saracura.
Editoria de arte/Folhapress

Peixes mortos na lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio


16/03/2013 - 16h21

72 toneladas de peixes mortos são retiradas de lagoa na zona sul do Rio


MAÍRA RUBIM
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO

Na tarde deste sábado, a Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) finalizou o trabalho de remoção dos peixes mortos na lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio. Do local, foram retiradas 72 toneladas de peixes mortos, a maioria da espécie Savelha.
A mortandade foi registrada desde a última terça-feira (12). A suspeita é de que a forte chuva do último fim de semana tenha carregado uma grande quantidade de carga orgânica (lixo, esgoto e folhas), o que pode ter provocado a redução do oxigênio da água e a mortandade dos animais.
As mortes foram registradas após a qualidade da água atingir seu nível crítico entre as tardes de segunda-feira e terça-feira (12). As medições são feitas diariamente pela Secretaria de Meio Ambiente do Rio.
Marcelo Sayão/Efe
Milhares de peixes mortos flutuavam na Lagoa Rodrigo de Freitas, devido à contaminação da água, e o cheiro é forte
Milhares de peixes mortos flutuavam na Lagoa Rodrigo de Freitas, devido à contaminação da água, e o cheiro é forte
Para o trabalho de remoção dos peixes, foram mobilizados 194 garis que tiveram o apoio de quatro embarcações, caminhões e Kombis lava-jato. Os funcionários retiraram pequenos peixes que ficaram presos na vegetação para garantir que o problema do mau cheiro seja resolvido.
O forte odor no local atrapalhou atletas que, nos últimos dois dias, participaram da seletiva sul-americana de remo na Lagoa.

domingo, 17 de março de 2013

Green goal contra?


Secretário nomeia ex-assessores para comando de parques

Ao menos 15 áreas, a maioria na zona leste, já tiveram seus administradores substituídos pela nova gestão
Ricardo Teixeira (PV), que deve ser candidato a deputado em 2014, nega o aparelhamento da secretaria do Verde
DE SÃO PAULO
Ao menos 15 parques de São Paulo, quase todos da zona leste da cidade, já tiveram seus administradores trocados pela atual gestão.
Alguns deles se queixam de terem sido retirados do cargo sem receberem explicações da prefeitura.
Segundo funcionários dos parques ouvidos pela Folha, novos "síndicos" não têm familiaridade com o tema. Seus currículos mostram que a maioria não possui experiência em gestão ambiental.
O responsável pelo troca-troca é o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Ricardo Teixeira.
Vereador licenciado pelo do PV, Teixeira nomeou para administrar os parques Santa Amélia e Benemérito Brás dois de seus ex-assessores parlamentares na Câmara.
Teixeira -que deve ser candidato a deputado estadual em 2014- nega o aparelhamento da secretaria.
"Muitos foram trocados porque não trabalhavam direito. Alguns deles nem era m encontrados com frequência em seus locais de trabalho", afirmou, sem citar nomes.
Teixeira era a segunda opção do prefeito Fernando Haddad (PT) para a pasta. O primeiro escolhido, o também vereador Roberto Trípoli (PV), desistiu antes da posse.
Teixeira e Trípoli são do mesmo partido de Eduardo Jorge, que comandou a pasta entre 2005 e 2012, nas gestões de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD).
Entre os novos administradores dos parques, apenas um tem formação superior na área ambiental.
Os outros, apesar de terem curso superior, não possuem experiências no setor.
Cursos listados nos currículos dos administradores foram feitos pela internet, alguns deles com duração de cerca de 40 horas.
De acordo com a legislação em vigor, todos os administradores de parques precisam ter formação superior. Em alguns casos, dependendo do local, eles precisam ter formação específica na área ambiental.
A legislação, entretanto, é vaga, e não determina que tipo de curso na área é necessário. Os salários para o cargo variam entre R$ 2.800 a R$ 4.000. A região e o tamanho do parque é que influenciam no valor recebido.
"O nosso RH disse que são legais os cursos apresentados. Não precisa ser curso superior na área ambiental", diz Teixeira. "Vamos fazer uma boa gestão dos locais."
Até agora, Teixeira já exonerou mais de cem pessoas na Secretaria do Verde.(EDUARDO GERAQUE E EVANDRO SPINELLI)

    Juiz proíbe protestos até em rede social contra prédio na Vila Mariana


    Juiz proíbe protestos até em rede social contra prédio na Vila Mariana

    Decisão impede que ativista faça manifestação no Facebook e num raio de 1 km da construção
    Militante diz que obra é em área de proteção; empresa nega e diz que ação de ambientalista "passou dos limites"
    PEDRO IVO TOMÉCOLABORAÇÃO PARA A FOLHAVANESSA CORREADE SÃO PAULO
    O engenheiro agrônomo e advogado Ricardo Fraga Oliveira, 49, foi proibido pela Justiça de São Paulo de protestar contra a construção de um condomínio na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
    De acordo com a decisão, Oliveira está impedido de fazer qualquer manifestação, "discursos com megafones, ou em carros de som, afixação de cartazes e faixas", em um raio de 1 km ao redor do do empreendimento, que ele alega estar sendo erguido em área de proteção ambiental.
    O engenheiro também não pode publicar qualquer comentário na internet contestando a criação das três torres com 162 apartamento na rua Conselheiro Rodrigues Alves. Os imóveis estão à venda.
    Oliveira é fundador do movimento "O outro lado do muro -intervenção coletiva", responsável por protestos nos muros da construção. O movimento tem uma página no Facebook com 1.241 seguidores.
    Desde junho de 2011, ele e a Mofarrej Empreendimentos, responsável pelo futuro condomínio, estão em guerra por causa do projeto.
    A briga foi parar nos tribunais, quando a construtora pediu uma indenização por dano moral. De acordo com a Mofarrej, as manifestações "passaram do limite".
    "Ele está lá praticamente todo sábado, já contratou escola de samba e interceptava compradores, dizendo 'não compre'", diz Daniel Sanfins, advogado da Mofarrej.
    Na decisão, o juiz Adilson Aparecido Rodrigues Cruz, da 34ª Vara Cível, diz que o ativista provoca "estardalhaço" e atrapalha a comercialização de empreendimento cuja obra está autorizada.
    O movimento e a construtora discutem a existência de um córrego no terreno, o que impediria a construção.
    No ano passado, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, na qual Oliveira trabalha, suspendeu a autorização da obra após pedido de moradores da região.
    Em fevereiro, porém, a empresa conseguiu uma liminar para voltar a construir.
    A decisão foi baseada em um parecer da Cetesb (agência de preservação ambiental do Estado), que constatou a inexistência do córrego.
    Oliveira diz que vai recorrer. "Fui alijado do direito de me manifestar."

    Dia Mundial da Água e incentiva consumo consciente


    09/03/2013 - 08h00

    Exposição marca Dia Mundial da Água e incentiva consumo consciente

    DE SÃO PAULO

    http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/1241043-exposicao-marca-dia-mundial-da-agua-e-incentiva-consumo-consciente.shtml

    O consumo consciente da água é tema de exposição que abre no domingo (10) na estação Clínicas do Metrô de São Paulo. A mostra "Gotas", da artista plástica Andrea Laybauer, marcará também as comemorações do Dia Mundial da Água, em 22 de março.
    "Pretendemos com este evento levar a questão da conservação da água para o público em geral", diz a diretora da Editora Cultura Sub, Ana Carolina Xavier, responsável pela organização da mostra.
    A exposição terá 26 imagens --11 delas inéditas-- criadas pela artista por meio da macrofotografia, técnica que consiste no congelamento do exato momento do choque de uma gota d'água em uma superfície líquida e a reflexão da imagem.

    Mostra marca Dia Mundial da Água

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    Divulgação
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    Exposição no metrô Clínicas terá obras da artista Andrea Laybauer; exposição terá 26 imagens, das quais 11 são inéditas
    As obras conseguem trazer para o espectador elementos que existem, mas que não são percebidos por serem detalhes pequenos, alguns milimétricos, que acontecem em frações de segundos.
    As imagens da artista também ressaltam o objetivo da mostra: conscientizar o público sobre a escassez de água no planeta.
    "Queremos alertar a sociedade para o consumo consciente de água", afirma Béatrice de Toledo Dupuy, gerente de marketing e comunicação da Veolia Water, empresa de tratamento de água que patrocina a exposição.
    "Uma pessoa precisa, em média, de 50 litros de água por dia para viver. No Brasil, o consumo é acima desse valor, já que consumimos diariamente cerca de 180 litros", diz Béatrice.
    "Os brasileiros estão começando a usar a água de maneira consciente, mas ainda tem de melhorar porque, por exemplo, ainda tem muita gente que varre a calçada com a mangueira em vez de usar uma vassoura", ressalta a gerente. "No dia a dia são as pequenas coisas que podem se transformar em grandes prejuízos"
    Exposição Gotas. Estação Clínicas (Linha 2 - Verde do Metrô). Av. Dr. Arnaldo, 555, Pacaembu, zona oeste, São Paulo, SP. De 10/3 a 30/4. Dom. a sex.: das 4h40 às 00h18. Sáb.: das 4h40 à 1h. Entrada gratuita.
    CONFIRA ABAIXO ALGUMAS DICAS PARA ECONOMIZAR ÁGUA
    • Tome banhos mais curtos. Um banho de 15 minutos, em uma casa, consome 135 litros de água. Um de 5 minutos, apenas 45 litros.
    • Diminua a vazão das válvulas de descarga.
    • Prefira usar regador à mangueira em jardins e hortas.
    • Não lave calçadas com água; use uma vassoura.
    • Equipamentos como o restritor de vazão, a popular "peneirinha", instalados em torneiras, reduzem, em média, 50% do consumo de água.
    • Caso use lavadora de roupa, procure utilizá-la cheia e ligá-la no máximo três vezes por semana.
    Fonte: Sabesp

    sábado, 16 de março de 2013

    Mais empregos ou salários menores?


    16/03/2013 - 03h00

    Brasil reconhecerá diploma de engenheiros e arquitetos portugueses

    http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1247099-brasil-reconhecera-diploma-de-engenheiros-e-arquitetos-portugueses.shtml

    FLÁVIA FOREQUE
    DE BRASÍLIA

    Engenheiros e arquitetos portugueses poderão ter o diploma reconhecido de forma quase automática no Brasil.
    A mudança, no primeiro momento, ficará restrita a um grupo de universidades federais --cabe às instituições públicas reconhecer o diploma de graduação estrangeiro. É um primeiro passo que pode repercutir em outros cursos.
    A intenção é assinar convênio entre universidades nacionais e portuguesas na próxima semana, durante visita ao Brasil do ministro de Educação e Ciência de Portugal, Nuno Crato. O Ministério da Educação brasileiro apoia a iniciativa.
    Na prática, a alteração será sentida "em três, quatro meses", estima o reitor da UFScar (Universidade Federal de São Carlos), Targino Araújo, presidente da comissão de Relações Internacionais da Andifes (associação de reitores). "É para facilitar esse processo. A questão da internacionalização [dos profissionais] é um fato."
    Nos anos 1990, restrições a dentistas brasileiros em Portugal criaram rusgas diplomáticas. O imbróglio levou dez anos para ser resolvido.
    A demanda para acelerar o reconhecimento de diplomas portugueses é antiga, mas ganhou força diante da crise econômica na Europa.
    A revalidação não garantirá ao profissional o direito de atuar no país: isso depende de registro profissional dado pelos conselhos regionais. O Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) diz que não fará objeção ao pedido de registro de portugueses.
    Em média, a entrega do registro acontece em três meses, independentemente da nacionalidade do profissional.
    A entidade reconhece que o ritmo de formação de engenheiros está abaixo da demanda dos próximos anos, com investimentos em Copa e Olimpíadas. Pondera, porém, que a procura por cursos de exatas tem sido cada vez maior.

    SISTEMA ONLINE
    Quando um estrangeiro quer revalidar seu diploma no Brasil, independentemente do curso, o processo cabe às universidades públicas. A Andifes quer criar um sistema online para que essas instituições tenham acesso a processos em análise em todo o país e, assim, reduzam o tempo gasto.
    Exemplo: uma universidade no AM poderá ver que outra do RS já revalidou diploma de jornalismo de uma faculdade estrangeira. Esse histórico poderá acelerar o trâmite do pedido de outro aluno da mesma instituição.
    "Se o currículo do aluno já foi analisado antes, será rapidíssimo", diz Araújo.

    Veja a lista de universidades que integrarão o acordo entre Brasil e Portugal
    Brasil
    UFScar (Universidade Federal de São Carlos)
    UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
    UFAL (Universidade Federal de Alagoas)
    UFPA (Universidade Federal do Pará)
    UFG (Universidade Federal de Goiás)
    UFPR (Universidade Federal do Paraná)

    Portugal
    Universidade de Coimbra
    Universidade de Lisboa
    Universidade do Porto
    Universidade Técnica de Lisboa
    Universidade Nova de Lisboa
    Universidade de Aveiro
    Universidade do Minho
    Universidade de Évora
    Universidade de Açores
    Universidade do Algarve
    Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
    Universidade da Beira Interior
    Universidade da Madeira
    Universidade Aberta
    Universidade Católica Portuguesa

    Obras de acessibilidade nos municípios paulistas ganham linha de crédito sem juros

    15/Março/2013

    Obras de acessibilidade nos municípios paulistas ganham linha de crédito sem juros


    http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/obras-de-acessibilidade-nos-municipios-paulistas-ganham-linha-de-credito-279388-1.asp

    Iniciativa da Desenvolve SP pretende viabilizar intervenções para inclusão social em municípios carentes


    Gustavo Jazra


    Konstantin Yolshin/Shutterstock
    Na última quinta-feira (14), a Agência de Desenvolvimento Paulista lançou uma linha de crédito sem juros para a implantação de planos de acessibilidade em prédios e espaços públicos municipais. Denominado Linha de Acessibilidade Urbana, o programa conta com juros subsidiados pelo governo estadual e prazo de até 72 meses para prefeituras e órgãos da administração municipal.
    A nova linha contempla o financiamento de projetos de acessibilidade a pessoas com deficiência visual, física, motora ou intelectual nos espaços públicos. Além de melhorias nos prédios e espaços públicos, como reformas e adequações que promovam acessibilidade, a linha prevê a implantação de sistemas de iluminação, sonorização ou comunicação visual, aquisição de máquinas e equipamentos.
    De acordo com o presidente da Desenvolve SP, Milton Luiz de Melo Santos, a iniciativa pretende oferecer oportunidade aos municípios que não têm condições de executar obras que proporcionam a inclusão social das pessoas com deficiência.
    A liberação do crédito depende do resultado da análise financeira e da capacidade de endividamento da prefeitura, além da aprovação da secretaria do Tesouro Nacional, usando como garantias as cotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Autarquias e fundações instituídas ou mantidas pelos municípios podem ter acesso à linha de crédito.

    sexta-feira, 15 de março de 2013

    GBC põe em prática projeto piloto para referencial de casas sustentáveis

    4/Março/2013

    GBC põe em prática projeto piloto para referencial de casas sustentáveis


    http://www.piniweb.com.br/construcao/sustentabilidade/gbc-poe-em-pratica-projeto-piloto-para-referencial-de-casas-278868-1.asp

    Nove habitações com diferentes sistemas construtivos serão avaliadas ao longo do ano para a criação de selo de sustentabilidade. Três obras já estão em execução


    Gustavo Jazra

    Três dos nove projetos piloto para o Referencial de Casas Sustentáveis do Green Building Council (GBC) Brasil já entraram em fase de execução, e os outros seis deverão iniciar as obras em breve. As casas devem ser entregues no final de 2013, independente dos sistemas construtivos utilizados, que variam de sistema em EPS, na Vila Maresias, em São Sebastião, a Steel Frame em Brasília, passando por estruturas de madeira, alvenaria comum e sistema de tijolo solo-cimento.

    Divulgação

    O projeto lançado em setembro do ano passado, com o objetivo de criar parâmetros nacionais de sustentabilidade para residências, deve confirmar as estimativas da organização para encarecimento de 1% a 7% no valor para casas sustentáveis, garantindo certa viabilidade econômica e conscientização dos envolvidos no setor. "Este aumento de valor depende sempre de como as equipes se organizam e quais materiais são especificados", afirma a coordenadora técnica do GBC Brasil, Maria Carolina Fujihara.
    Ainda de acordo com a coordenadora, este relativo acréscimo no orçamento das obras é revertido rapidamente durante a operação das residências, uma vez que terão consumo de água e energia mais baixos do que em casas tradicionais. "Além disso, quando o proprietário ou investidor quiser vender esta residência, ela terá um valor maior embutido por ter sido projetada e construída com princípios de sustentabilidade, ainda dispondo de um selo que ateste essa vantagem", disse.
    A iniciativa de um sistema de referência nacional na construção de casas sustentáveis surgiu a partir da alta demanda pelas avaliações de edificações que se encaixam na categoria. Com base em leis a normativas brasileiras, e projetos em três das cinco regiões, o referencial tem a pretensão de ser totalmente adaptável a qualquer clima e região do território nacional. "Ele conta não somente com a função de atender ao mercado habitacional, mas também de estimular a criação de leis e incentivos fiscais para toda construção que contenha itens de sustentabilidade", explica Fujihara sobre o fomento da indústria verde.
    Além de servir como referência para casas, o sistema vai avaliar um apartamento na cidade de São Paulo, proporcionando assim a certificação de apartamentos únicos ou até de prédios inteiros.
    O selo só valerá para novas construções ou grandes reformas, em decorrência da maior dificuldade de se avaliar casas já construídas. Apesar disso, o GBC Brasil planeja lançar um referencial que avalia operação e manutenção de construções residenciais.
    Confira os projetos escolhidos pelo Green Building Council Brasil para participar do Referencial da Casas Sustentáveis:
    Residência Sustentável de Brasília - Brasília (DF)

    Divulgação

    Residência Hilgert Silveira - Viamão (RS)

    Divulgação

    Vila Maresias - São Sebastião (SP)
    Apartamento Sustentável - São Paulo (SP)
    Casas Doke - Sumaré (SP)

    Divulgação

    Casa Madagascar - Brasília (DF)
    Casa da Chapada - Chapada Guimarães (MT)
    Catuçaba Ecovila - São Luiz do Paraitinga (SP)

    Divulgação

    Green Loft - São Roque (SP)

    Usina que faz o lixo desaparecer




    Por Luiz Sugimoto, do Jornal da Unicamp - Uma usina que faz o lixo da cidade simplesmente desaparecer. Pesquisa de doutorado apresentada na Unicamp analisa os aspectos econômicos e socioambientais da implantação da WPC – Waste Processing Center, ou Central de Processamento de Lixo – em municípios brasileiros. O processo permite a separação e a correta destinação dos resíduos (materiais recicláveis) hoje depositados em lixões e aterros e, mais que isso, a utilização dos rejeitos (o lixo propriamente dito)
    como matéria-prima para a geração de energia elétrica, bem como o tratamento e reuso da água extraída neste processo. O processo WPC é um desenvolvimento avançado do sistema WTE – Waste to Energy, ou Energia a partir do Lixo – que já está bem disseminado na Europa, Japão, China e Estados Unidos, ao passo que no Brasil esta opção sequer começou a ser discutida.

    “A usina é a melhor maneira de aproveitar o lixo hoje”, diz convicto o engenheiro Sérgio Augusto Lucke, que defendeu a tese na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), sob a orientação do professor Carlos Alberto Mariottoni. “A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, homologada em 2010, traz uma revolução em termos ambientais. Os prefeitos não podem mais ficar omissos em relação ao lixo, pois se tornou obrigatória a sua coleta e proibido o seu descarte em lixões”, acrescenta o autor, sugerindo que os municípios têm nestas usinas uma ótima alternativa para cumprir as novas normas.
    Lucke afirma que a legislação faz uma clara distinção entre rejeitos (aquilo que não pode mais ser processado) e resíduos (o
    que pode ser reciclado). “Tudo estava indo para lixões, aterros controlados ou aterros sanitários, que agora devem receber apenas
    os rejeitos, enquanto os resíduos precisam ter destinação e processamento adequados. A lei também é clara quanto à inclusão
    social de milhares de pessoas que ganham a vida no lixão, através da promoção do emprego formal, com carteira assinada e demais
    benefícios. Outro grande diferencial é o incentivo à logística reversa.”

    Segundo o engenheiro, as prefeituras que descumprirem a legislação não terão acesso aos mecanismos de financiamento do governo. “Foram estabelecidos metas e prazos, cumpridos por apenas 10% dos municípios, que apresentaram inventários sobre a geração de lixo e planos de ação. Os 90% que não realizaram este trabalho passam a ser questionados pelos governos estadual e federal: se não há
    planos e inventários, para quê financiamento?”.

    Sérgio Lucke informa que 12% do lixo gerado nas mais de 5 mil cidades brasileiras deixam de ser coletados; do que é coletado, a
    metade vai para lixões e aterros controlados e outra metade para aterros sanitários. “A cidade de São Paulo gera 16 mil toneladas de
    lixo por dia; em Campinas, são mil toneladas/dia. O que estamos colocando nestes depósitos é um material valioso: recursos e
    energia. Um cálculo referendado no ano passado pelo Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] é de que o país desperdiça, com isso, aproximadamente 4 bilhões de dólares por ano, aí considerando os recicláveis.”

    O processo - Do lixo urbano que chega à WPC, conforme explica o pesquisador, são separados os resíduos para as empresas
    recicladoras, enquanto os rejeitos são processados para retirada da umidade. “O lixo urbano possui cerca de 40% do seu peso em água, que é tratada e parcialmente utilizada na própria usina, podendo ainda ser disponibilizada ao poder público e indústrias da
    vizinhança. Sobra uma massa quase seca, cuja combustão aquece a água na caldeira e produz o vapor que vai pela turbina movimentar o gerador, obtendo-se na ponta a energia elétrica que é colocada na rede. Outra opção é aproveitar o gás da combustão.”

    aterro sanitário
    Lucke calcula que Campinas, por exemplo, teria 15% a mais de energia elétrica em relação ao que consome, caso contasse com uma
    usina para incinerar suas 1.050 toneladas diárias de lixo. “Existe ainda a vantagem de ser uma geração local, pois não se está
    produzindo energia aqui para enviar a outros estados. Com isso, não se sobrecarrega tanto as linhas de transmissão, quando o governo
    diz que o problema não é gerar, mas transmitir e depois distribuir energia. Se a margem para evitar o risco de apagão é de 3% ou 4%,
    15% oferecem muita segurança.”

    Para chegar a este e tantos outros resultados, o pesquisador colheu dados dos 645 municípios do Estado de São Paulo (de 2005 a 2010), além de previsões até 2020, analisando aspectos como geração de lixo, PIB e população de cada um deles. Ao mesmo tempo, levantou os investimentos e custos de instalação de usinas de variados portes, considerando equipamentos, construção civil, logística, operação, manutenção e folha de pagamento, entre outros. “Uma usina média, com capacidade para 260 toneladas/dia, custaria ao redor de 290 milhões de reais. Ela poderia gerar 120 megawatt/dia, atendendo de 40 a 50 mil habitantes e oferecendo 120 empregos diretos, além dos indiretos e do estímulo à economia regional.”
    Consórcios - Sérgio Lucke concluiu logo de início que a maioria dos municípios paulistas não tem porte suficiente para acomodar uma usina, dando o exemplo de Borá, que mal chega a 1.000 habitantes e gera 200 gramas de lixo per capita – na Capital o índice beira 1,5 quilo. “É necessário formar consórcios para que cidades de uma região atinjam um volume de lixo comum a ser processado. Mas isso pede novos cálculos, pois se no início o custo maior é de investimento, depois passa a ser de logística: conforme aumenta o
    número de consorciados, aumenta a distância entre as cidades, advindo problemas como de transporte e mão-de-obra. É preciso
    dosar, otimizando o processo.”

    Pelas projeções do autor da tese, o ideal seria que o Estado de São Paulo implantasse usinas de forma descentralizada, sejam pequenas,
    médias ou grandes, a fim de atender a diferentes demandas de suas 15 regiões administrativas. A própria Capital precisaria de um
    mínimo de 10 usinas descentralizadas para processar o lixo gerado.

    “Fato é que precisamos resolver o problema do lixo, que em outros países já vem sendo inclusive exportado. O lixo de Nova York é
    transportado em containers embarcados em trens para um percurso de 1.000 a 2.000 quilômetros até o interior do país, onde é em parte aterrado, em parte incinerado. Os Estados Unidos gastam 26 bilhões de dólares só nesse tipo de logística, sem contar o custo do
    processamento.”

    A implantação - Lucke assegura que o Brasil detém tecnologia para implantar usinas de processamento de lixo imediatamente. E
    acrescenta que não fala como teórico, mas como um empresário que tem 40 anos no mercado, sendo 15 anos nesta área específica.
    Formado em engenharia mecânica pela Unicamp em 1973, ele partiu para três anos de especialização profissional na Alemanha, onde
    absorveu bastante de uma mentalidade sobre meio ambiente que na época já era bem avançada. Depois de duas décadas consolidando a vida empresarial, retomou contato com pesquisadores alemães e suíços, desenvolvendo trabalhos conjuntos nesta área desde 1998.

    “Estamos agregando o conhecimento dos parceiros europeus ao nosso e adequando-os ao mercado brasileiro, que apresenta enorme potencial para aplicação desta tecnologia”, observa o pesquisador. “Já desenvolvemos muitos equipamentos e podemos fabricar aqui os outros que forem necessários. Importaríamos apenas a parte de controle de emissões, mais sensível e precisa, a fim de garantir o cumprimento das normais ambientais. Seria possível começar a implantar uma usina daqui a meia hora”, assegura o pesquisador.
    Da incineração poluidora aos benefícios ambientais - O engenheiro Sérgio Lucke recorda que o Japão, enfrentando sérios problemas de espaço para depositar o lixo urbano, foi o primeiro país a incinerá-lo em caldeiras gigantescas, aterrando as cinzas em alguma ilha mais isolada – e nisso foram seguidos pelos americanos. Partiu dos alemães, ao perceberem que se estava queimando gás e óleo para queimar lixo, a idéia de recuperar a energia (WTE). Hoje existem cerca de 700 usinas de incineração com geração de energia WTE espalhadas por Europa, Japão, China e Estados Unidos.
    Entretanto, como observa o pesquisador, as primeiras instalações deixaram o estigma de que incineração é poluição, visto que a
    preocupação não era a mesma de hoje e elas não sofriam um controle rígido. “Muitos componentes das emissões só foram descobertos após a instalação das plantas, como dioxinas e furanos. Mas, nos últimos 15 anos, a evolução tecnológica tornou a incineração o processo mais seguro existente, tanto que o maior nível de emissões das usinas não chega a 20% do valor exigido pelas normas. Há usinas queimando até mil toneladas de lixo por dia, mesmo no centro de cidades como Viena, Osaka e Zurique, sem qualquer problema de odor ou poluição. Um aterro hoje polui muito mais que uma usina.”

    Na opinião de Sérgio Lucke, as centrais de processamento de lixo também ajudariam a amenizar os problemas representados pelos
    aterros, a começar pelos relacionados à saúde. “O Estado de São Paulo gasta 380 milhões de dólares por ano para atender pessoas
    afetadas por problemas de saúde oriundos do lixo, como água contaminada pelo chorume e contato direto ou indireto com os
    vetores de doenças como ratos e insetos. Na verdade, esta tecnologia pode ser aplicada inclusive para recuperar áreas de
    aterros desativados ou em operação, fazendo-se a mineração e processamento de todo o material ali depositado. Considerando que a
    cada dez toneladas de lixo perde-se um metro quadrado de terreno, ganharíamos muito espaço para fins mais nobres, como de lazer e
    habitação.”

    Publicações
    Tese: “O resíduo sólido urbano como fonte renovável para geração de energia elétrica: aspectos econômicos e sócio-ambientais”
    Autor: Sérgio Augusto Lucke
    Orientador: Carlos Alberto Mariotoni
    Unidade: Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC)

    Fotos: Antonio Scarpinetti