domingo, 18 de novembro de 2012

O Poder das Pessoas vs Indústrias Petrolíferas


Postado:  16 novembro 2012

http://www.avaaz.org/po/make_shell_pay_rb/?bTuSBdb&v=19286


Em poucos dias, o parlamento da Nigéria pode aprovar uma multa de 5 bilhões de dólares para a gigante poluidora Shell por conta de um derramamento de óleo que devastou a vida de milhões de pessoas, e aprovar uma lei para responsabilizar empresas petrolíferas por poluição e pilhagem. Esse é um momento crítico, e a menos que nos pronunciemos a respeito, as gigantes petrolíferas vão destruir essa oportunidade. 

Finalmente a indústria de petróleo terá que pagar por destruir terras férteis e gerar violência. O presidente Goodluck Jonathan apoia a aplicação dessa multa, e senadores progressistas estão fazendo pressão por regulamentações rígidas na legislação, mas as indústrias petolíferas poderão escapar facilmente, pois sem um grande apoio internacional, os parlamentares poderão se curvar diante da pressão da indústria de petróleo. 

Os políticos estão decidindo, neste exato momento, de que lado vão ficar. Assine esta petição urgente para o parlamento nigeriano multar a Shell e apoiar o projeto de lei e, em seguida, encaminhe esse email para todos. Quando chegarmos a 1 milhão de assinaturas levaremos nosso clamor global sem precedentes para a porta de entrada do parlamento da Nigéria. 


Para todos os membros da Assembleia Nacional da Nigéria:

Como cidadãos globais, nós pedimos que vocês imponham a multa de 5 bilhões de dólares à Shell para financiar as operações de limpeza e danos das pessoas afetadas pelo derramamento de óleo de 2011, em Bonga. Pedimos a vocês para acabar com a impunidade endossando a emenda NOSDRA que mantém poluidores responsáveis ​​com penas claras, e apoia o projeto de lei da Indústria do Petróleo com transparência, prestação de contas e disposições ambientais para a reforma do setor de petróleo da Nigéria.
 
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Resíduos eletroeletrônicos são negócio de empresa incubada no ES





Revertec recebe e separa componentes de geladeiras, computadores, celulares, entre outros; empreendimento incubado integra cadeia de logística reversa
Descrição da imagem
Vanessa Brito
Vitória – Reaproveitar componentes de geladeiras, equipamentos de refrigeração, computadores, impressoras, celulares, telefones, entre outros, é uma atitude ambientalmente correta e lucrativa.
Materiais valiosos como cobre, níquel, prata e até ouro fazem parte da estrutura deles, e se forem devidamente separados e diluídos, podem retornar ao processo produtivo como matéria-prima de um novo ciclo. A grande vantagem desse procedimento é reduzir a exploração de recursos naturais para produzir novos objetos de consumo. Todo esse processo, que envolve atitudes sustentáveis, empresas especializadas, normas e ética, se chama logística reversa e tem sido considerado a saída para um dos grandes impasses do século 21: a escassez de recursos naturais para acompanhar o crescimento frenético do consumo.
Esse é o negócio da Revertec, uma integrante da incubadora de econegócios (Incubalix) da Marca Ambiental, empresa responsável pelo primeiro aterro sanitário privado do Espírito Santo, referência em práticas sustentáveis e ações socioambientais. Dirigida pelos jovens Marcelo Henrique Silva Souza, Vitor e Luana Romero, o empreendimento ocupa galpão de 500 m² e conta com três funcionários. Atualmente a produção da Revertec é de 25 ton/mês.
Marcelo conta que a ideia surgiu ao constatarem a dificuldade em descartar corretamente equipamentos de refrigeração em desuso em 2005. Na época, ele trabalhava no Instituto Ideias e Vitor no programa de Eficiência Energética do estado capixaba. Pesquisaram e viram que só havia empresa especializada nesse serviço na capital paulista. Em 2007, começaram a desenvolver o projeto da Revertec para apresentar à Marca Ambiental. Em novembro de 2010, o empreendimento se tornou integrante da Incubalix.
“ Sabíamos das vantagens de ser incubado: redução de custos; estar dentro da Marca Ambiental; contar com o apoio do Sebrae, o que abriria portas pra gente”, justifica Marcelo. Ele revela que o licenciamento ambiental não foi fácil e levou praticamente dois anos para conseguir.
Mercado
O empresário lamenta que o serviço de destinação final de resíduos eletroeletrônicos ainda é desconhecido no mercado, apesar da legislação em vigor. “As pessoas não se sentem responsáveis por dar destinação correta ao material. Descartam no lixo normal. Além disso, há concorrência desleal nesse mercado, por exemplo, tem gente que recolhe gratuitamente, sem estar licenciado para isso”, relata.
A Revertec cobra pela destinação e armazena obrigatoriamente informações sobre os equipamentos descartados, como número de fabricação, nota fiscal e também emite certificado respectivo de destinação, com data, etc. O órgão ambiental fiscaliza os registros da empresa , informa. A Revertec não recebe: pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes.
Todo o material separado pela Revertec é vendido para empresas de São Paulo e Rio de Janeiro, que exportam depois. Alguns dos materiais são reciclados apenas na Bélgica, segundo Marcelo. A meta da Revertec é exportar diretamente, futuramente, mas para isso será preciso crescer, contar com mais capital de giro, espaço e funcionários.
“Quando a Política Nacional de Resíduos Sólidos pegar, aí teremos mais negócios, porque as grandes e médias empresas terão de procurar empresas licenciadas como a nossa para descartar. Por enquanto, há muita concorrência de empresas de fora ou sem registro. Mas acreditamos que o mercado vai melhorar com a legislação”, prevê o Marcelo.

Orelhão ecológico une tecnologia e inovação

17/11/2012 - 18h58

Orelhão ecológico une tecnologia e inovação

MACAPÁ - Inventor apresenta criações no Amazontech, o maior evento de negócios sustentáveis da Amazônia...

Agência Sebrae

MACAPÁ - Quem via Jecefran Martins com um de telefone de orelhão sem fio no colo, conversando na porta de um hotel no interior do Maranhão, em 2010, o chamava de maluco. Ao percorrer o interior do estado como técnico em fibra ótica de uma operadora de telefonia, ele era obrigado a dar baixa no serviço diariamente às 17h. Mas, muitas vezes não conseguia encontrar um telefone público da própria operadora funcionando para falar com a chefia.

Criativo desde criança, decidiu então juntar sucatas de orelhão, restos de carrinho de controle remoto, telefone sem fio e placas de calculadora solar. Nascia ali o “orelhão ecológico”, telefone sem fio abastecido com a energia do sol que, junto a outras criações sustentáveis, é apresentado no Amazontech 2012, maior evento de sustentabilidade da região.

Jocefran foi parar no Amazontech com o apoio do Sebrae, responsável pelo evento, que acontece no Complexo Meio do Mundo, na capital do Amapá, até este sábado (17). Lá, também apresenta luminosos de táxi sem fio e abastecidos com energia solar ou eólica; uma tomada que não dá choque, mesmo em contato com material metálico; e um letreiro luminoso alimentado pela luz do sol.

“Minhas ideias são todas renováveis, sustentáveis e eficientes”, diz o inventor de 36 anos, com a paciência de quem não se cansa de explicar a cada visitante suas criações, que mais parecem sair da cabeça do Professor Pardal, famoso personagem dos quadrinhos.

O orelhão ecológico foi testado em municípios isolados do Maranhão, onde existe luz elétrica, mas a comunicação telefônica ainda é precária. E funcionou com perfeição. O aparelho não precisa de cabos nem bateria e faz chamadas ao custo de uma ligação convencional. Basta meia hora exposto ao sol para que fique abastecido por até cinco horas.

Outra vantagem é que o orelhão serve também como captador de sinal de telefonia celular. “É só aproximar o aparelinho do orelhão que a placa transmissora de GSM capta o sinal à distância de até 30 km de uma antena de telefonia móvel”, explica Jocefran. No estande da tomada anti-choque, ele também mostrou a eficácia do dispositivo, encorajando os visitantes a colocar o dedo na tomada. “Com o meu invento, o menino curioso, a pessoa desastrada ou o velho que voltou a ser criança não tem chance de levar choque”, brincou.


Perspectivas

Todas as invenções de Jocefran Martins já estão patenteadas à espera apenas de um investidor capaz de financiá-las. Depois que a empresa de telefonia descobriu seu invento – e ele se recusou a contar o segredo – acabou sendo demitido. Desempregado, sonha em cursar Engenharia Florestal. “Basta aparecer um empresário interessado em investir nas minhas ideias que eu estudo para aperfeiçoá-las. Afinal, cabeça não foi feita só para separar orelha”.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Empresa disponibiliza neutralização de CO2 para construções

http://atitudesustentavel.uol.com.br/blog/2012/11/07/empresa-disponibiliza-neutralizacao-de-co2-para-construcoes/


Empresa disponibiliza neutralização de CO2 para construções

Empresa disponibiliza neutralização de CO2 para construções

A empresa Neutralize Carbono disponibiliza neutralização de CO2 para construção civil
 
Por Gisele Eberspacher às 11h15 de 07/11/2012
 
A Neutralize Carbono oferece para o setor de construção civil uma maneira de neutralizar as emissões de CO2. O processo é o único no Brasil com o processo certificado UNFCCC, um orgão da ONU para questões climáticas.
“O cálculo das emissões de carbono geradas durante uma obra, é feito através de um acompanhamento dos processos de construção, onde são levantados dados de consumo como o total de combustível de máquinas e equipamentos utilizadas na obra, a energia elétrica utilizada no período, o transporte de funcionários até o local dentre outros fatores monitorados. A metodologia utilizada para realizar este cálculo segue os preceitos da norma ISO14.064 e são utilizados fatores de emissão disponibilizados pelos Ministério de Ciência e Tecnologia e Ministério de Minas e Energia”, explica Henrique Mendes, Gerente de Negócios da Neutralize Carbono.
Um exemplo de empresa que já usa esse serviço é a construtura D2F Engenharia, que usa o processo para neutralizar os fases emitidos durante as reformas e construções dos prédios comerciais da rede Starbucks, em São Paulo. Em três lojas atendidas, cerca de nove toneladas de CO2 já foram neutralizados.

A neutralização pode ser feita em obras de vários tamanhos e características, e o cálculo é sempre adaptado para cada caso. Segundo Henrique, a Neutralize Carbono já trabalhou “com clientes que realizam diferentes tipos de obras, residenciais, comerciais, condomínios habitacionais ou mesmo pequenas residências. Esta é uma iniciativa concreta de responsabilidade ambiental e que pode ser adotada por todos as empresas do setor da construção”.
A neutralização é feita a partir de créditos de carbono. “Esses são verificados por entidades independentes e tem origem em diversas atividades distintas, entre elas, o sequestro de carbono por evitar desmantamento ou recuperar áreas degradadas, projetos de energias renováveis, tratamento de resíduos, etc. Assim, mais importante que a atividade – plantio, eficiência energética ou processo industrial – é saber qual o rigor da certificação, a credibilidade das instituições que mantém a certificação, etc. O aquecimento global é, como o próprio termo já diz, global e assim deve ser combatido, ou seja, tanto faz onde se reduzem as emissões, isso é bom para o mundo inteiro: esse é um paradigma a ser superado. Se há uma plantação aqui próxima ou um projeto de energia renovável, que impede emissões de combustíveis fósseis do outro lado do mundo, para o combate ao aquecimento global o efeito é o mesmo”, completa Henrique.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Estádio Mané Garrincha sustentável

http://atitudesustentavel.uol.com.br/blog/2012/11/08/reformas-devem-trazer-mais-sustentabilidade-para-estadio-mane-garrincha/


Reformas devem trazer mais sustentabilidade para estádio Mané Garrincha


Reformas devem trazer mais sustentabilidade para estádio Mané Garrincha

Obras preparam o estádio para os jogos da Copa do Mundo de 2014
Por Gisele Eberspacher às 11h05 de 08/11/2012
Reformas no estádio Mané Garrincha, Brasília, pretendem deixar o espaço mais sustentável. As obras são feitas para melhoria de infraestrutura do espaço para a Copa de 2014. A nova construção terá capacidade de abrigar 72.000 pessoas.
Um dos objetivos da obra e fazer com que o estádio gaste cerca de 50% a menos de energia do que um empreendimento desse porte normalmente gastaria. Para isso, o escritório de arquitetura Castro Mello, responsável pelas obras, usou o software AutoCAD 2012, que permite uma análise de energética da obra. Assim, a equipe de arquitetos pode medir o desempenho e o comportamento ambiental do projeto e projetar o sistema de maneira mais eficiente.
Além disso, outros detalhes são importantes para atingir o nível máximo da certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Índice: Brasil está pouco preparado para mudanças climáticas




http://envolverde.com.br/ambiente/brasil/indice-brasil-esta-pouco-preparado-para-mudancas-climaticas/

Brasil
05/11/2012 - 08h02

por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
a7 300x204 Índice: Brasil está pouco preparado para mudanças climáticas
Enchente no Paquistão em 2010 deixou mais de seis milhões de desabrigados. Foto: Oxfam
Ranking que classifica nações conforme sua resiliência ao clima apresenta Dinamarca e Suíça no topo e coloca o Brasil em 58 de 176 países, devido às condições ruins de urbanização, infraestrutura e governança.
O Brasil, apesar de possuir água e comida em abundância, uma economia sólida e ser politicamente estável, está deixando a sua população em uma situação muito perigosa em caso de eventos climáticos extremos. Isto por causa de sua fraca infraestrutura, da falta de investimentos públicos e privados, da corrupção e do crescimento desordenado das cidades.
Esta é a conclusão que se pode tirar do GAIN Index 2012, um ranking criado pelo Instituto de Adaptação Global (GAIN, em inglês) que classificou 176 países conforme sua resiliência às mudanças climáticas. Desta lista, o Brasil aparece em 58o no geral, sendo que ficou 47o em vulnerabilidade e apenas em 71o em prontidão.
O resultado mediano em vulnerabilidade reflete as qualidades naturais do país, como grandes bacias hidrográficas, gigantesca produção de alimentos e estar localizado em uma região que não é passagem tradicional dos piores eventos climáticos, como furacões. Se apenas isso fosse levado em conta, o Brasil estaria entre os menos vulneráveis. Porém, também são analisadas questões de infraestrutura e urbanização, é aí que a situação se complica.
O histórico de décadas de crescimento desordenado das cidades deixam os brasileiros, especialmente os mais pobres, mais vulneráveis do que deveriam estar. Ocupação de encostas são um problema em diversas partes do país e a cada ano novas tragédias acontecem para nos lembrar disso.
No quesito de prontidão, são analisados a economia, os dados sociais e a governança. Mesmo com sua grande economia, a sexta maior do planeta, o Brasil aparece muito mal na classificação por causa da fraca atuação do governo. Pouco ainda se pensa em mudanças climáticas e não se investe o suficiente em ações de adaptação e de defesa civil. Fatores como corrupção e o pequeno engajamento do setor privado também pesam.
Entretanto, a avaliação final do GAIN é de que o Brasil possui boas condições para realizar ações de mitigação e adaptação, inclusive sem depender da ajuda internacional.
Desde que começou a ser divulgado o ranking, em 1995, o Brasil tem flutuado entre as posições 57 a 70. No ano passado, o país ficou em 63º.
Segundo o GAIN, as dez nações mais resilientes do mundo são: Dinamarca, Suíça, Austrália, Noruega, Reino Unido, Nova Zelândia, Irlanda, Finlândia, Países Baixos e Suécia.
A posição final no ranking é estabelecida após o cálculo de sua prontidão menos o valor designado para a sua vulnerabilidade. Assim, mesmo países localizados em áreas de risco podem estar melhor no índice porque já possuem políticas de adaptação.
O presidente do GAIN chama a atenção para a realidade das mudanças climáticas, cujos efeitos já são sentidos por todo o planeta.
“Nos últimos anos estamos vendo pessoas sofrendo, companhias sendo fechadas e postos de trabalhos sendo perdidos por causa de eventos climáticos. Da Tailândia até os Estados Unidos, as mudanças climáticas são uma ameça para a vida e para a economia”, afirmou Juan José Daboub.
A entidade aponta alguns exemplos de como o clima fora do comum prejudicou milhares de pessoas nos últimos anos.
No fim de 2011, uma enchente sem precedentes na Tailândia matou mais de 700 pessoas, resultou no fechamento de 800 fábricas e provocou a demissão de 450 mil trabalhadores, o que teve impactos nos preços de equipamentos para computador no mercado internacional. Outras enchentes semelhantes também causaram mortes e destruição nas Filipinas e no Paquistão. Já na Austrália e nos Estados Unidos o problema foi a seca, que elevou os preços dos alimentos em todo o planeta.
Aqui no Brasil, enchentes e deslizamentos se repetem a cada verão resultando em centenas de mortes. Agora, em 2012, o país registrou as mais altas temperaturas já vistas no mês de outubro e está atravessando o ano mais seco desde 1929, com grandes impactos econômicos e para a geração de energia.
“Podemos somar nesta lista de eventos extremos recentes o furacão Sandy. A maior tempestade a atingir a região de Nova York na história deve causar prejuízos de mais de US$ 20 bilhões”, declarou Daboub.
Os números mais recentes sobre os impactos do Sandy apontam para 74 mortos e a possibilidade de uma queda do crescimento econômico dos EUA no último trimestre de 2012 dos previstos 1,6% para até 1%.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil) 

domingo, 11 de novembro de 2012

Assim não dá




Artigo
05/11/2012 - 11h24




por Marina Silva*
a5 Assim não dá
Marina Silva. Foto: Divulgação
Em Rio Branco (AC), o folclore político e a genialidade de um cronista inventaram que os candidatos derrotados descem o rio numa balsa, sem comida, devorados pelos insetos, até aportarem, dias depois, em Manacapuru (AM), onde ficam sentados à beira d’água escutando o choro do surubim, esperando para subir outra vez o rio e tentar melhor sorte nas eleições seguintes.
Acostumada a “pegar balsa” nos anos 80, quando minha geração se iniciava na política, construí um conceito diferente. É possível “perder ganhando”, quando se consegue avançar nos ideais, e é possível “ganhar perdendo”, quando se abandona os ideais em acordos puramente pragmáticos.
Não vejo problema em embarcar em diversas balsas pelo Brasil adentro, desde que seja possível construir compromissos pelos ideais do desenvolvimento sustentável e pela ampliação da democracia.
Mas notei, nestas eleições, uma atitude agressiva, de intolerância e preconceito, arraigando-se no Brasil. A polarização PT x PSDB se aproxima, em virulência, das corrosivas polarizações bipartidárias anteriores, soterrando o debate sob o ressentimento. Basta ler a troca de desaforos entre “petralhas” e “tucanalhas” (é como uma parte deles chama a outra) na internet.
Uma novidade nada alegre parece surgir: uma “terceira via”, que recusa os partidos e candidatos da polarização. Ela precisa, porém, evitar a mesma intolerância: para uma parcela dos
insurgentes, petistas e peessedebistas são descritos como um mal absoluto e ninguém entre eles é digno de qualquer consideração. E qualquer compromisso passa a ser satanizado, inviabilizando qualquer aproximação.
Mas dá esperança ouvir, de todos os lados, que “do jeito que está não dá mais” e “algo precisa ser feito para mudar”.
Para enfrentar o sectarismo maniqueísta enraizado em nossa política, é preciso uma mudança. Que não ocorrerá nas disputas eleitorais, mas nos intervalos. Precisa, antes, sobrevir no cotidiano político entre os membros dos partidos, lideranças e forças políticas. Não em enunciados de “boas” intenções e vazias de compromisso, mas naquilo que, como disse C. S. Lewis, “se deduz de milhares de conversas, por um princípio revelado em centenas de decisões relativas a assuntos menores”.
Já os viciados no jogo do poder, mal terminada a apuração, contabilizam o “cacife” e fazem apostas para 2014. As cidades, os cidadãos e a cidadania não mais importam, eram meros ícones de propaganda.
Que tal outro exercício: esquadrinhar os programas dos candidatos e os seus compromissos? É possível que em alguns lugares, ganhando ou perdendo, um avanço civilizatório tenha dado mais um passo rumo à sustentabilidade política em nossa democracia. Há lugar para todos nessa balsa.
* Marina Silva é ambientalista, ex-senadora, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à Presidência da República em 2010.
** Publicado originalmente no site Folha de S. Paulo.
(Folha de S. Paulo) 

sábado, 10 de novembro de 2012

Brasil emerge como um ator principal na ONU

Inter Press Service - Reportagens
09/11/2012 - 09h38

 

 

por Thalif Deen, da IPS
Dilma Brasil emerge como um ator principal na ONU
A presidente Dilma Rousseff foi a primeira mulher a abrir o período ordinário de sessões da Assembleia Geral. Foto: UN Photo/Marco Castro
 
Nações Unidas, 9/11/2012 – Quando um país-membro da Organização das Nações Unidas (ONU) decide realizar uma conferência do fórum mundial em seu território, tem o privilégio de presidir o encontro e também de ser o primeiro orador. Contudo, desde a criação da ONU há 67 anos, o Brasil sempre abriu as sessões da Assembleia Geral em Nova York, uma prerrogativa que, na realidade, caberia aos Estados Unidos, país anfitrião, que participa em segundo lugar. Graças a esta tradição, sem explicação lógica inclusive dentro da ONU, a presidente Dilma Rousseff se converteu na primeira mulher desde a fundação das Nações Unidas a abrir o período ordinário de sessões em setembro deste ano. Foi imediatamente seguida pelo presidente norte-americano, Barack Obama.
Na última década, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), o Brasil participou de nove missões de paz da ONU, foi anfitrião de importantes conferências multilaterais (em particular a cúpula Rio+20, em junho de 2012) e contribuiu ativamente com discussões sobre a reforma do fórum mundial. Também trabalhou para fortalecer o Conselho Econômico e Social (Ecosoc) e fomentou maior protagonismo da ONU na promoção do desenvolvimento.
O Brasil também é membro fundador do Grupo dos 77, a maior coalizão de países em desenvolvimento dentro do sistema das Nações Unidas, e é o décimo maior contribuinte para o orçamento regular da ONU, com US$ 38 milhões no último ano fiscal. Considerado uma das novas potências emergentes, o Brasil tem um papel fundamental em duas das mais poderosas coalizões internacionais: Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e Brics (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul).
O presidente do Fórum de Reitores do Rio de Janeiro, Cândido Antônio Mendes de Almeida, disse à IPS que o papel do Brasil na comunidade internacional está estreitamente vinculado à emergência do Brics, “fora das clássicas periferias e com uma crescente influência na África, especialmente nos países de idioma português”. “O assento permanente no Conselho de Segurança será uma consequência inevitável para o Brasil”, afirmou Antônio Mendes, autor de mais de 30 livros, delegado brasileiro em várias conferências internacionais e secretário-geral da Academia de Latinidade.
Junto com Alemanha, Índia e Japão, o Brasil é parte do Grupo dos Quatro (G-4) e um dos favoritos para ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança, ofuscando a Argentina, outro potencial competidor da América Latina. “Ao mesmo tempo, o novo enfoque brasileiro na América Latina incluiu uma forte condenação ao golpe de Estado no Paraguai, uma alternativa à escalada antinorte-americana dos Estados bolivarianos e um comércio bilateral em expansão com a Argentina”, acrescentou Antônio Mendes.
O G-4 continua trabalhando estreitamente para alcançar a meta de “um Conselho de Segurança mais representativo, democrático e transparente, em linha com as atuais realidades geopolíticas”. O grupo acredita que a reforma é uma conta pendente e que uma demora maior pode afetar a capacidade do Conselho para enfrentar os novos desafios e afetar a efetividade e legitimidade de suas decisões.
“O Brasil acredita que a reforma do Conselho de Segurança é perfeitamente realizável e que se pode obter um resultado positivo no futuro próximo”, disse à IPS um porta-voz da missão brasileira na ONU. “É nossa esperança que as negociações intergovernamentais na Assembleia Geral (atualmente em marcha) ganhem impulso nos próximos meses, e que isso possa ter resultados concretos nos principais aspectos da reforma”, acrescentou.
Como membro não permanente, o Brasil integrou por dez vezes o Conselho de Segurança. E, até o mês passado, forneceu 2.200 soldados e policiais para nove missões de manutenção da paz da ONU, em Chipre, Costa do Marfim, Haiti, Líbano, Libéria, Saara Ocidental, Sudão, Sudão do Sul e Timor Leste. As maiores contribuições foram as missões no Haiti (1.894 soldados) e Líbano (268).
Embora o Ibas sempre procure impulsionar a cooperação Sul-Sul e fortalecer as relações econômicas e comerciais entre as nações em desenvolvimento, conseguiu maior influência quando os três países, por coincidência, ocuparam assentos não permanentes no Conselho de Segurança, em 2011. Diante dos desafios sem precedentes da Primavera Árabe e no contexto da crise econômica global, os membros do Ibas mantiveram um diálogo muito estreito nesse órgão da ONU.
Os três países também articularam uma posição comum frente ao processo de paz palestino-israelense. Esta postura ficou expressa na Declaração de Tshwane, de 2011, e no primeiro comunicado conjunto do Ibas em um debate na Assembleia Geral nesse mesmo ano sobre a questão palestina. Por outro lado, o Fundo Ibas, para o alívio da pobreza e da fome, apoia projetos em Timor Leste, Guiné-Bissau, Laos, Palestina, Serra Leoa, Sudão, Sudão do Sul e Vietnã.
Com relação à crise na Síria, o Ibas adotou uma postura comum em julho-agosto de 2011, transmitindo uma proposta ao regime em Damasco, baseada em uma clara condenação à violência contra civis, em um chamado pelo fim das hostilidades e por um verdadeiro compromisso com um diálogo político para o pleno respeito dos direitos humanos e das liberdades básicas. Como disse Dilma Rousseff à Assembleia Geral: “Não há solução militar para a crise síria. A diplomacia e o diálogo não são apenas nossa melhor opção, mas a única opção”.
Quando o Brasil avançou em alguns dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, incluindo o alívio da fome e da pobreza, o ensino primário universal, combate ao HIV/aids e na sustentabilidade ambiental, ficou para trás em uma meta crucial: o empoderamento de gênero. Como recordou um diplomata brasileiro a delegados na ONU no mês passado, pela primeira vez na história uma mulher assumiu a Presidência de seu país.
No entanto, as mulheres continuam tendo escassa representação nos postos de tomada de decisões no Brasil. Embora representem cerca de 52% dos eleitores brasileiros, as mulheres só têm representação de 10% no Poder Legislativo. E apenas dez dos 38 ministérios são encabeçados por mulheres. Porém, o diplomata assegurou que Dilma Rousseff reconheceu como uma prioridade “fortalecer a participação das mulheres em altos níveis de tomada de decisões”. Envolverde/IPS
(IPS)