segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Destruição ambiental prejudicará as exportações brasileiras

26/12/11 - 00:00 

Para José Eli da Veiga, destruição ambiental prejudicará as exportações brasileiras


As mudanças na legislação sobre as florestas, aprovadas no Congresso e avalizadas por uma parte do governo de Dilma, estão na direção contrária à de algumas políticas governamentais - como o Plano Brasil Maior - que tentam colocar o País na trilha da economia do conhecimento - São Paulo

As mudanças no Código Florestal pelo Congresso Nacional são um "tapa na cara" do Plano Brasil Maior, um dos dois pilares da estratégia que está sendo elaborada no Ministério da Ciência e Tecnologia para tentar recuperar o tempo perdido e colocar o Brasil na trilha da economia do conhecimento. A avaliação é do professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa), José Eli da Veiga (fotos abaixo). "O País precisa urgentemente produzir mais inovação, investir mais em pesquisa. Esse esforço começa a ser feito com mais ênfase por uma parte do governo, mas outra parcela do governo está do lado de um caminho bem diverso daquele: o que privilegia a exportação de grãos, carne bovina e minérios e, em consequência, vende barato ao exterior nossos recursos naturais, entre eles a água", afirma o especialista, que também é autor de vários livros sobre a questão do desenvolvimento sustentável.



Veiga cita a expressão cunhada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, para ilustrar seu pensamento: "O Brasil da 'Fama' briga com o Brasil do 'Vaco'". "Fama" é a sigla de "fazenda, mineração e maquiadoras" (indústrias meramente montadoras, pois importam componentes para finalizar o processo de produção no País). E o Brasil do "Vaco" é o do "valor agregado e do conhecimento". "É como se estivéssemos em uma encruzilhada, um grande confronto entre dois projetos para o Brasil", completa, lembrando que o Plano Brasil Maior prevê uma série de ações para tornar a indústria mais competitiva. De acordo com ele, a bancada ruralista, que se mobilizou para aprovar no Senado o "perdão" a desmatadores e outras flexibilizações na legislação atual, "quer o Brasil da 'Fama', direcionando a economia para agronegócio, mineração e maquiadoras.





Caminho do futuro

Do outro lado estão o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Ministério da Ciência e Tecnologia e os setores produtivos, conscientes do valor da proteção dos recursos naturais no comércio mundial. "Esta turma está tentando construir um planejamento que insira o Brasil de modo diferente na economia internacional, cada vez mais intensiva em conhecimento. É o que determinará o futuro das nações e o grau de desenvolvimento que poderão alcançar, diz Veiga. "Infelizmente, para atender à parcela da produção brasileira refugiada no Ministério da Agricultura, as alterações no atual Código Florestal vão no sentido contrário à perspectiva do futuro." 



Os ruralistas estão gostando muito dos privilégios incluídos na legislação sobre o uso das florestas nas propriedades privadas, mas as futuras gerações terão de apresentar certificação ambiental da produção, especialmente nos mercados dos países desenvolvidos. "E ter Áreas de Proteção Permanente, elas são básicas nisso. Os ruralistas podem argumentar que hoje isso não é problema, mas estão prejudicando o futuro dos próprios filhos", assinala o professor.



Por isso, na opinião de Veiga, não recompor integralmente os 55 milhões de hectares desmatados e facilitar a destruição de novas áreas florestais é literalmente um tiro no pé. "Não dá nem para dizer que só o curtíssimo prazo foi considerado, mas o passado", sublinha. Não se trata mais daquela concepção de defender a preservação das florestas apenas pensando que as gerações atuais precisam deixar um legado ambiental para as próximas, acrescenta. Tanto que, ainda de acordo com Veiga, a indústria não deverá requerer "isonomia" de tratamento com o agronegócio, buscando retroceder a legislação ambiental vigente que culminou com o recente Plano Nacional de Resíduos Sólidos. 



Este plano, que levou vários anos para ser aprovado no Congresso e ainda está em fase de regulamentação, obriga indústria, comércio e consumidores a destinar corretamente os materiais descartados. "Os setores produtivos mais avançados, até do agronegócio, já entenderam que sustentabilidade é uma oportunidade de novos produtos, novos mercados, e que não adianta ir contra essa tendência mundial. Houve um momento em que até resistiram, mas depois os empresários mais modernos entenderam e passaram a adotar em seus processos de produção técnicas que consomem menos recursos naturais", comenta. 



Sem veto

Assim como o Palácio do Planalto terá argumentos para justificar a provável concordância de Dilma à anistia aos desmatadores, o governo dará um jeito de se desculpar perante o mundo na Rio +20, a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, agendada para junho próximo no Rio, e considerada um dos maiores eventos políticos deste início de século. "A Dilma não vai vetar nada no texto, apesar da promessa de campanha de não aceitar a anistia. Se um cara como o senador Jorge Viana [do PT do Acre, relator das mudanças no Código no Senado], um dos mais atuantes parlamentares da bancada dos ambientalistas, diz que não é anistia, então por que a presidente vetaria? Do mesmo jeito vai ser possível explicar aos demais países as mudanças. Afinal, temos 65% de florestas - o que nenhum outro país tem", ressalta. 



"Se for para criticar o Brasil, é muito mais pelas emissões do que pelo Código Florestal. Excluído o desmatamento, o Brasil ocuparia o nono lugar no ranking dos países que mais emitem gases de efeito estufa. Mas considerando o desmatamento, somos o terceiro maior emissor, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Até temos uma matriz energética limpa perto dos demais países, mas a destruição das florestas tem efeitos terríveis", lembra Veiga. 



O relevante, entretanto, é que as alterações no Código feitas até agora - e que provavelmente serão avalizadas na Câmara dos Deputados e depois seguirão para sanção presidencial - vão na direção contrária à do documento do Brasil apresentado à Rio+20 e ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas, observa Veiga. "O compromisso do Brasil é reduzir o desmatamento para diminuir a principal causa da emissão de carbono, o desmatamento. Ninguém duvida que a legislação vai dificultar o cumprimento das metas que o próprio País estipulou para os próximos anos", diz.



Enterro do Código

O Código Florestal, criado em 1965, está sendo enterrado, na avaliação de Veiga. "O que está sendo feito não é mais um código florestal. O atual é um código porque trata do assunto em geral - inclui todos os aspectos das florestas, inclusive terras indígenas e unidades de conservação. Agora já existe uma lei específica para unidades de conservação, outra para terras indígenas, e assim por diante. O que estava faltando era uma lei que regulasse melhor a gestão das florestas dentro das propriedades particulares, apenas essa parte. Na nova lei não aparece a palavra 'código'", explica. "O Código será enterrado de qualquer jeito."



A discussão é se o enterro pelo menos resolverá algumas questões pendentes. "Infelizmente, os problemas são inúmeros, a começar pelo tamanho do texto, que aumentou umas quatro vezes", observa Veiga. De 18 páginas, passou para 60 - e para tratar apenas do uso das florestas nas propriedades particulares. O primeiro "absurdo" é a definição da data para separar o que a bancada ruralista chamou de passivo ambiental (o passado) das regras que vão valer no futuro. O texto fixou 22 julho de 2008, não de 1998, como defendem os ambientalistas. Em julho de 2008, decreto do então presidente Lula previu multas a proprietários rurais que descumpriram a lei por desmatamento. O decreto, que venceu no dia 11 de dezembro, foi prorrogado por Dilma até 11 de abril de 2012 para dar tempo à Câmara de finalizar a tramitação das mudanças no Código. 



"O Código foi promulgado em 1965, no governo de Castelo Branco, mas depois os governos - inclusive a ditadura militar - mudaram de atitude em relação à proteção das florestas e não só ignoraram a lei como incentivaram a migração para a Amazônia, onde se desmatava no menor tempo possível e sem o menor constrangimento", comenta. Na época, muitos agricultores descumpriram o Código, "mas de boa fé, porque foram induzidos a isso, pois o próprio governo ignorou a lei". 



Mas, na avaliação de Veiga, isso começou a mudar com a Constituição de 1988, que tem um capítulo avançado sobre meio ambiente. "O Congresso se mobilizou e votou uma a Lei dos Crimes Ambientais, amplamente debatida e divulgada. A partir de 1999, quem derrubou, sobretudo em Áreas de Preservação Permanente (APP), que abrangem beiras de rio, encostas, nascentes, ou em reservas legais, praticou um crime conscientemente", observa Veiga. 



Nas APPs o desmatamento é muito mais grave do que nas reservas legais, onde o Código determina a preservação de determinado percentual de cada bioma - varia de 20%, no sudeste, a 80%, na Amazônia -, sem levar em conta se a terra é inteira de solos de altíssima aptidão agrícola, o que torna irracional a manutenção da mata, como argumentam os ruralistas. "Os agricultores até têm certa razão ao reclamar das reservas legais, mas destruir florestas em APP é algo que prejudica toda a sociedade, inclusive os agricultores. No entanto, foram desmatados 55 milhões de hectares de APPs no Brasil. 



Deste total, 11 milhões de hectares por lavouras e é preciso reconhecer que parte dessas lavouras cumpre as funções da mata, ou seja, não causam erosão, assoreamento. Não faria sentido eliminar arrozais no Rio Grande do Sul nem plantações de maçã em Santa Catarina ou cafezais em Minas, nas encostas. Nesse sentido, as mudanças viriam consolidar, atualizar o Código", defende. 



Indulto ao desmatamento

Mas não. Quem desmatou APPs entre 1998 e 2008 não será anistiado, mas beneficiado por um indulto. "Anistia é quando existe dúvida sobre a situação em que a ilegalidade aconteceu. No entanto, quando o crime foi constatado, julgado e com sentença, mas existe o perdão, isso é indulto. Quem desmatou entre 1998 e 2008 vai receber um indulto, muito pior que anistia", alfineta Veiga. 

Inaceitável, portanto, é o "indulto" concedido pelos congressistas aos responsáveis pelo desmatamento de 44 milhões de hectares de APPs para a formação de pastagens, condena Veiga. "É crime de lesa-humanidade. E se uma lei faz isso, pode ser até constitucional, mas é criminosa. Qualquer pessoa que tem o 'beabá' da agronomia sabe disso", sublinha o especialista. Ele considera "ilógico" que os ruralistas tenham aceitado recompor parte das reservas legais destruídas, mas se recusaram a essa reparação no caso das APPs.



Veiga admite alguma flexibilização - como a trazida em relação às reservas legais, que permite o proprietário compensar fora do imóvel a mata derrubada, e até mesmo em condomínio. "Em terras de maior aptidão agrícola, é mais vantagem utilizar toda a terra para produção e pagar outro proprietário, em terras mais fracas, para fazer reserva. Mil vezes melhor deixar a floresta lá", explica. "A lei que disciplina a floresta deveria justamente orientar para essa racionalidade. Os congressistas aceitaram manter altos percentuais de reservas legais e liberaram geral nas APPs."



O segundo "absurdo", segundo Veiga: dos 44 milhões hectares de floresta roubados pela pecuária, só cerca de 10% serão reconstituídos, segundo levantamento de cientistas, nos 15 metros de cada lado dos rios. O terceiro problema é a nova lei ter estendido a todos os imóveis rurais de até quatro módulos fiscais a liberação dada à agricultura familiar. "Desobrigar todos os imóveis desse tamanho de ter reservas e proteger APPs só seria justo se todos fossem de pequenos agricultores, mas muitos deles são chácaras de lazer e não se enquadram nos critérios que caracterizam a propriedade familiar", diz Veiga. Além do tamanho, a propriedade deve ser a principal fonte de renda da família. 

A madeira em tempos de sustentabilidade


A madeira em tempos de sustentabilidade-IV

A madeira em tempos de sustentabilidade-IV
Silvio Colin

Quando o tema da sustentabilidade entrou na pauta dos arquitetos mais conscientes, a utilização da madeira na arquitetura passou a ser encarada com certa desconfiança. Afinal de contas, poderíamos estar indiretamente contribuindo para o desmatamento de nossas reservas, indo enfim de encontro às agendas progressistas relacionadas com o nosso ecossistema.
File:Tjibaou cultural center.jpg
Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou. Nova caledônia. 1991-98. Arquiteto Renzo Piano.
Uma das mais inspiradas utilizações da madeira na grande arquitetura.
Esta desconfiança, entretanto, é absolutamente injustificável. A madeira possui excelentes qualidades ambientais. Tem baixa energia incorporada[1], se comparada com o aço, alumínio e concreto. È, ainda, dentre os materiais utilizados na construção, o único renovável. Isto quer dizer, com a utilização do manejo florestal sustentável, a floresta de origem continuará oferecendo suas riquezas para as gerações futuras. O mesmo não se poderá dizer do concreto, pois seus componentes agregados, a areia e a pedra britada, são retirados da natureza e transformados de tal maneira que a ela não poderão voltar. Isto sem falar do cimento, grande consumidor de combustíveis fósseis, responsável por grande parcela das emissões de gás carbônico. Isto quer dizer, altíssima energia incorporada.
Casa Helio Olga
Casa Helio Olga, São Paulo, 1990. Arquiteto Marcos Acayaba.
Entretanto, talvez seja o fantasma do desmatamento de nossas reservas florestais, da exploração irracional, predatória e ilegal que assusta aqueles que desejam especificar a madeira em seus projetos. Afinal, o desmatamento é um dos grandes inimigos da sustentabilidade. Tem graves conseqüências além da perda direta dos recursos naturais, como a alteração climática, a extinção da biodiversidade, degradação do solo, influência nas águas, alterando o regime das enchentes, secas e erosões, provocando o deslocamento das culturais locais.
Afinal de contas, historicamente, o Brasil tem o próprio nome ligado à extração predatória da madeira. Lembremos que ainda no primeiro século de vida, o país viu serem extintas as suas reservas de pau brasil, na Mata Atlântica, para fornecer corante para tecidos na Europa.
Casa ConverseyCasa Conversey. Grachaux, França. Arquitetos B. Quirot e O. Vichard.
Um primeiro controle nos vem dos tempos do Império. A conhecida expressão “madeira de lei”, que em sentido amplo designa madeiras que, por sua qualidade e resistência, principalmente ao ataque de insetos e umidade, são empregadas em construção civil, naval, confecção de móveis de luxo, instrumentos musicais e artigos de decoração[2], tem origem remota, em uma lei imperial que, apesar de muito conhecida, não tem definição técnica. A Carta de Lei de 15 de outubro de 1827, incumbia aos juizes de paz das províncias a fiscalização das matas e zelar pela interdição do corte das madeiras de construção em geral, por isso chamadas madeiras de lei. A circular de 5 de fevereiro de 1858 designa as madeiras cujo corte era reservado, mesmo em terras particulares. Portanto, o corte de madeiras de construção, comumente denominadas madeiras de lei, estava interditado quer em terras particulares, quer em terras devolutas.[3] A expressão madeira de lei chegou até nossos dias ainda como sinônimo de madeira de construção, civil e naval, ou seja, conforme o dicionário Aurélio: “madeira dura ou rija, própria para construções e trabalhos expostos às intempéries”. Madeira de lei pode, ainda, se referir àquelas madeiras de alto valor no mercado.
Casa Bandeira de Mello, Itu SP, 2003. Arquiteto Mauro Munhoz.
Casa Bandeira de Mello, Itu SP, 2003. Arquiteto Mauro Munhoz.
Há que considerar, porém, que a madeira utilizada para construção, seu uso mais nobre, é apenas uma parte das árvores abatidas nas nossas florestas, aproximadamente 30% do total de toras. 37% são consumidas como carvão vegetal e 17 % como lenha industrial, o uso mais servil. Lâminas e compensados são responsáveis por 7%.[4]
Pode entretanto o arquiteto se precaver contra a utilização de madeira ilegal especificando, recomendando, exigindo, dependendo da etapa do empreendimento, madeira certificada, isto é, oriunda de processos sustentáveis de extração.
madeira 20004
Casa Loblolly. Ilha Taylors, Maryland. Arquiteto Kieran Timberlake.
Mas o que é madeira certificada? É a madeira que possui um atestado de um órgão reconhecido que garante ser oriunda de um processo produtivo manejado de forma correta. A certificação serve também para orientar o consumidor ou empresário a escolher um produto diferenciado e com grande valor agregado, que contribui para o desenvolvimento social e econômico das comunidades florestais.
Dentre os vários sistemas de certificação, o FSC (Forest Stewardship Council- Conselho de Manejo Florestal) é hoje o selo verde mais conhecido e aceito em mais de 75 países de todos os continentes. Este conselho foi criado como resultado de uma iniciativa para a conservação ambiental e desenvolvimento sustentável das florestas do mundo inteiro. Seu objetivo é difundir o uso racional da floresta, garantindo sua existência no longo prazo e certificar que o produto foi resultado de um manejo florestal sustentável.
Casa na Praia Brava, Ubatuba SP, 2007. Dal Pian Arquitetos.
Casa na Praia Brava, Ubatuba SP, 2007. Dal Pian Arquitetos.
Por sia vez, “manejo florestal sustentável” consiste em um controle rigoroso do processo extrativo da madeira. Começa com a seleção árvores a explorar: somente as árvores sadias, de diâmetro igual ou superior a 45 cm podem ser abatidas. As árvores remanescentes são reservadas para o ciclo de corte seguinte. Durante o corte, a queda da árvore é ajustada de maneira a evitar que ela venha a danificar outras. Estabelece-se também os ramais de arraste para levar as árvores extraídas até o pátio.
madeira 20001 - Cópia - Cópiamadeira 20001 - Cópia
Casa Península Vitória. Austrália. Arquiteto Sean Godsell.
O tratamento pós-exploratório consiste nos cuidados com a área de onde foi retirada a árvore. São chamados tratamentos silviculturais. Consistem em limpeza, desbaste de árvores não comerciais, plantio de enriquecimento com espécies comerciais. Estes tratamentos podem aumentar significativamente o crescimento e valor das árvores, podendo mesmo até ser o crescimento duplicado. È avaliado também o impacto sobre a floresta remanescente e sobre o solo, o desperdício, e aplicadas medidas de proteção florestal, proibindo a caça, pesca e qualquer atividade extrativa. Incluem também o controle de incêndios e invasões. A infra estrutura estabelecida para o manejo, pátios, estradas primárias e secundárias, bueiros, pontes etc. fica como um acervo da região.
Parafraseando a anedota pecuária, que diz que do boi somente se perde o berro, da madeira não se perde nada. É um excelente material estrutural, que durante séculos foi o único que admitia o serviço de flexão, versatil e resistente material para acabamentos externo, utilizável em toras, tábuas, “shingles” e réguas; pode ser utilizado como material de cobertura, e é ainda é o mais belo e utilizado material de revestimento interno, em lambris de réguas e folheados. Com os devidos cuidados, pode o arquiteto desfrutar deste material, de sua beleza, de suas propriedades estáticas e de sua versatilidade, sem nenhuma culpa.


A madeira em tempos de sustentabilidade – III


Madeira transformada

A indústria de transformação da madeira produz diversos tipos de produto, dos quais citamos a seguir os principais.
Madeira compensada – Pode ser laminada ou sarrafeada. No primeiro caso, as lâminas são retiradas do lenho das árvores em um torno desenrolador depois de amolecido com água ou vapor. Estas folhas são coladas cm resinas sintéticas, alternando o sentido das fibras. No segundo caso, o miolo da chapa é composto de sarrafos, e não de folhas. A madeira compensada é utilizada para, mobiliário, revestimento de tetos e paredes, esquadrias e divisórias, formas de concreto.
Compensado sarrafeado e compensado laminado. Imagens e
Madeira reconstituída - O tecido lenhoso é primeiramente reduzido a fitas, lascas ou flocos depois reconstituído por pressão usando como ligante a uréia, a caseína ou resinas sintéticas ou mesmo sem ligante, contando apenas com a lignina, própria das fibras. Estes produtos têm suas propriedades químicas e físicas controladas, podendo ser mais ou menos densas, mais ou menos resistentes a ataque de agentes químicos ou biológicos, e tendo em vista a aplicação a que se destina. Atualmente é grande a diversidade de produtos de madeira transformada, sobretudo na forma de painéis para uso na construção civil e indústria moveleira, resultado sobretudo da necessidade de preservação das reservas florestais nativas e imposição legal da obrigatoriedade de reflorestamento para a comercialização da madeira.
Diversas são as classificações adotadas para as madeiras transformadas, que variam quanto ao processo de fabricação, propriedades físicas e químicas e destinação. Damos a seguir uma descrição dos produtos mais importantes.
1 – Madeira compensada
Durante muitos anos o compensado foi o painel de madeira mais importante produzido e consumido no Brasil. Com instalação inicial no Sul do país por volta dos anos 40, a indústria deste setor baseava-se nas florestas naturais de Araucária, embora tenha atingido níveis significativos de produção apenas na década de 70. Os compensados surgiram em escala industrial após o desenvolvimento de um sistema capaz de laminar, ou folhear, a madeira.

Moveis de compensado
O painel compensado tradicional é composto por três ou mais lâminas torneadas, unidas uma perpendicularmente à outra com adesivo ou cola, sempre em número ímpar, de tal forma que algumas propriedades físicas e mecânicas se tornem superiores às de madeira original (a contração, por exemplo, é quase totalmente eliminada).
Quanto à matéria-prima utilizada, estima-se que 60% do compensado nacional seja produzido com madeira tropical, enquanto que os outros 40% seja produzido com madeira de florestas plantadas nas regiões Sul e Sudeste (particularmente o Pinus), incluindo o tipo “combi” (face em madeira tropical e miolo em madeira de Pinus).
Criação original utilizando compensado. Imagem
Os maiores consumidores de compensados são os fabricantes de móveis e os construtores civis. O valor desse produto varia de acordo com as espécies e a cola utilizada, com a qualidade das faces e com o número de lâminas que o compõe. Há compensados tanto para uso interno, com colagem a base de resina uréia-formol, utilizados pela indústria moveleira, quanto externo, com colagem à base de fenol-formol, utilizados normalmente na construção civil. Chapas finas de compensado apresentam algumas vantagens sobre as demais madeiras industrializadas, pois são maleáveis e podem se curvar. Na indústria moveleira são empregados principalmente na produção de armários, roupeiros, tampos de mesa, laterais de móveis, braços de sofá, fundos de armários e de gavetas, prateleiras, pisos e portas residenciais internas.
Os painéis compensados apresentaram um acentuado declínio em seu consumo, no ano 2000, provocado pela perda de mercado para o MDF e para o aglomerado. O crescimento da produção foi absorvido pelas exportações, uma vez que o produto brasileiro tem expressiva participação no mercado mundial.
No Brasil, os compensados são tradicionalmente divididos conforme sua fabricação em dois tipos[1]: multilaminados (plywood), formado por lâminas de madeira). e sarrafeados (blockboard), formado por duas lâminas de madeira externas e miolo sarrafeado.
Segundo as normas brasileiras, conforme o local de utilização, as chapas de compensado podem ser classificadas em: IR (interior), IM (intermediário) e EX (exterior). Além desta classificação, há uma outra que atende às normas e que também é utilizada pelo mercado em geral. Nessa classificação, os compensados são subdivididos quanto ao seu uso, conforme apresentado a seguir:
Compensados de uso geral – São chapas de madeira compensada, multilaminada ou sarrafeada, e cujo adesivo empregado na sua fabricação a restringe ao uso interno, utilizando o adesivo uréia-formaldeído. Este tipo de chapa tem grande aplicação na indústria moveleira. Os painéis tem espessura mais comuns variando entre 3mm e 25mm, podendo chegar até 35mm. As dimensões usuais são: 2,20m x 1,60m.

Compensado para formas de concreto. Imagem
Forma de concreto – São chapas de madeira compensada, multilaminada, e cuja colagem é à prova d’água, à base de adesivo fenol-formaldeído admitindo-se portanto o uso exterior. Este produto é largamente empregado na construção civil. São fabricados com acabamentos distintos relacionados com sua destinação e uso. São fabricados nas seguintes dimensões: 1,10 x 2,20 m, espessuras 6, 10, 12, 14, 17 e 20 mm. 1,22 x 2,44 m, espessuras – 6, 10, 12, 15, 18, 21 mm. Podem ser: Plastificados, permitindo uma maior reutilização (cerca de sete vezes); Resinados, permitindo cerca de duas reutilizações.
Formas para concreto de compensado. Imagem
Decorativo (compensado laminado) – Estas chapas recebem na sua superfície uma lâmina de madeira considerada como decorativa, e a colagem deve ser do tipo intermediária, ou seja, podem ser utilizadas em locais de alta umidade relativa, e eventualmente entrar em contato com a água. O uso final deste produto é principalmente na fabricação de móveis.

Compensado decorativo. Imagem < woodenconcepts.net>
Industrial – A chapa do tipo industrial é aquela que possui a menor restrição em termos de aparência da superfície, mas é exigida boa resistência mecânica e o adesivo utilizado deve ser do tipo à prova d’água. A utilização do produto é muito ampla, destacando-se a embalagem.
Naval – São chapas classificadas genericamente como de uso exterior, colagem é à base de adesivo fenol-formaldeído (cola à prova d’água), com alta resistência mecânica e montagem perfeita. Destinam-se normalmente ao uso em aplicações que exigem o contato direto com a água.
Painel estrutural – Utilizado em construção civil, na chamada “construção seca”, para paredes divisórias externas e internas e mesmo lajes de mezaninos. É composto de miolo de madeira maciça, laminada ou sarrafeada, contraplacado em ambas as faces por lâminas de madeira e externamente por placas cimentícias em CRFS (Cimento Reforçado com Fio Sintético) prensadas. O processo de industrialização dos painéis constitui-se da prensagem especial dos componentes a alta temperatura, resultando em um produto de características técnicas de comprovada qualidade. A principal vantagem do painel estrutural é a maior resistência do painel à flexão estática no sentido paralelo ao seu comprimento. Dimensões 2,50 x 1,20 m, cm espessura de 40 mm.
Painel estrutural
Piso de mezanino feito com compensado estrutural. Imagem
2 – Madeira reconstituída

Aglomerado. Imagem
Aglomerado (Particleboard – Painel de partículas) – São painéis compostos de partículas de madeira ligadas entre si por resinas sintéticas (geralmente uréia-formaldeído). Sob ação de pressão e temperatura, a resina polimeriza, garantindo a coesão do conjunto. As partículas mais finas são depositadas na superfície, enquanto que aquelas de maiores dimensões são depositadas nas camadas internas. No Brasil, é utilizada principalmente a madeira de Pinus na fabricação do aglomerado, embora em princípio não haja restrições quanto ao uso de outras espécies. Dimensões mais comuns 1,83 x 2,75 m e 2,10 x 2,75 m, com espessuras variando de 9 a 25 mm.
MDF. Imagem Wikipedia
MDF (Medium Density Fiberboard) – painel de fibras de média densidade) – São painéis reconstituídos formados a partir da redução de madeira a dimensões básicas (fibras). Essa redução ocorre através de processo termo-mecânico, procedendo-se, posteriormente, ao reagrupamento dessas fibras através da adição de adesivo (resinas sintéticas), para então, através da prensagem, serem formados os painéis. Semelhante ao aglomerado, o MDF produzido no Brasil utiliza-se basicamente de madeira de florestas de Pinus. Dimensões mais comuns 1,83 x 2,75 e 2,10 x 2,75 com espessuras variando de 3 a 35 mm.
OSB
OSB (Oriented Strand Board – painel de flocos orientados) – São painéis produzidos a partir de flocos (ou lascas) de madeira relativamente finos,aproximadamente 1 mm, com larguras e comprimentos variando entre 10 e 50 mm. As chapas são formadas geralmente de várias camadas, sendo que nas camadas externas, os flocos apresentam o mesmo sentido, enquanto que na camada interna a orientação dos flocos é perpendicular às camadas da superfície ou aleatória. No Brasil, o OSB é produzido também em madeira de Pinus. Dimensões 2,40 x 1,20 m e 2,50 x 1,25, com espessuras de 9,12, 15, 18 e 25 mm.

Chapa de Fibra (Hardboard) – As chapas duras ou chapas de fibra são painéis de alta densidade produzidos por processo úmido utilizando-se calor e pressão sem a adição de resina. Dentre os painéis de madeira reconstituída é o menos consumido mundialmente e sua tecnologia de fabricação é considerada poluente e obsoleta. São utilizados pelas indústrias moveleiras, de construção civil e automobilística. No Brasil a madeira utilizada para a fabricação desse painel é o eucalipto, proveniente de florestas plantadas. O processo produtivo das chapas de fibra envolve um elevado volume de água que é adicionado à fibra de madeira de eucalipto e, depois, retirado com a ação de calor e pressão, fazendo com que as fibras do eucalipto fiquem consolidadas em chapas de madeira. É um processo termomecânico, sem a adição de resinas que não a lignina, resina natural do eucalipto. As chapas de fibra fabricadas têm espessura que varia de 2,0 a 6,0 mm, e as dimensões das placas são 1,85 x 2,44 m, 1,85 x 2,75 m ou 1,85 x 3,05. Podem ser apresentadas lisas, perfuradas, com pintura a base de água em uma das faces ou com pintura melamínica.


domingo, 25 de dezembro de 2011

Aldeia da Paz retorna a Porto Alegre para o FST 2012

http://www.ecoagencia.com.br/index.php?open=noticias&id=VZlSXRlVONlYHZFVT1GdWJFbKVVVB1TP








EcoAgência - NEJ/RS





FSM volta a Porto Alegre em 2012


Encontro que ocorre na capital gaúcha, entre os dias 24 e 29 de janeiro, prepara a articulação das práticas dos movimentos ecológicos, ecovilas, espirituais, indígenas e artísticos. 



A Aldeia da Paz é o ponto para articulação das práticas dos movimentos ecológicos, ecovilas, espirituais, indígenas e artísticos. A Aldeia tem histórico de participação nos FSM: Tenda Galáctica - POA/2003; Caravana Ahimsa – Mumbay/2004; Aldeia da Paz – POA/2005; Caracas/2006; Belém do Pará/2009; Novo Hamburgo/2010; Pontal do Sul/2011. A consolidação de um espaço integrado Altermundista se materializará novamente, desta vez em Porto Alegre em janeiro de 2012, durante o Fórum Social Temático: Justiça Social e Ambiental, preparatório para o Rio+20.

Apresentamos à organização dos Fóruns a possibilidade de integrarmos um trabalho que demonstre, durante o desenrolar do Fórum, uma proposta articulada de Eco-Aldeia da Paz com caráter transdisciplinar, aplicando na prática as ferramentas para a construção desse novo mundo possível, transitando seu foco entre ciência, arte e espiritualidade.

O desenvolvimento e integração das diversas propostas e projetos em rede a partir do impulso da Tenda Galáctica em 2003, com sua positiva conseqüência, possibilitaram a expansão de idéias e afinidades, sincronizando coletivos, ong’s, redes e indivíduos de forma acelerada e orgânica, no Brasil e exterior.

A área para a construção da Eco-Aldeia que estamos pleiteando junto da orla do Guaíba é onde tudo começou. Os trabalhos, que iniciarão no inicio de Janeiro de 2012, estão sendo coordenados por integrantes da Aldeia via e-mail.

Dentro de nossa proposta para o encontro, na Eco-Aldeia, este ano estamos oferecendo atividades praticas e teóricas nos seguintes 8 eixos temáticos:

A Eco-Aldeia reservará espaços para os Círculos de Visões direcionados ao planejamento, formulação e difusão dos eixos temáticos da Eco-Aldeia da Paz

1. Ecopedagogia e a práxis da Cultura da Sustentabilidade

2. Comunidades e assentos humanos sustentáveis

3. Espiritualidade e Política, uma integração necessária

4. Consumo Sustentável como ferramenta de emancipação socioambiental

5. Medicina e Terapias Integrais para a cura individual e planetária

6. Mudanças Ambientais e Climáticas Globais: Como lidar com o irremediável.

7. As redes de Cultura de Paz e suas ações glocais (global-local)

8. Software Livre, Hardware Livre, Conhecimentos Livres e Cultura Digital Sustentável

Uma Aldeia auto gestionada e sustentável para os acampados.

O acampamento mais uma vez será a grande arena global para a manifestação de toda esta NOVA CULTURA. A proposta é para que a EcoAldeia, a exemplo do ultimo FSM, seja um espaço oficial e mapeado do Acampamento, auto gerido pelo coletivo responsável pela mesma e com o apoio imprescindível do Comitê do FSTJSA2012 e do Comitê Porto Alegre.

Temáticas abordadas na Aldeia:

O limiar da fronteira da tão esperada transformação planetária se aproxima, e cada vez mais se faz necessário potencializar as chaves para a mudança global de paradigmas.

Construímos hoje as bases para a nova realidade sustentável do amanhã, vivenciamos em nossos coletivos o trabalho pela reconstrução planetária. As ferramentas para a construção do outro mundo possível já se encontram disponíveis e o caminho é de convergência e ação.

Com uma visão otimista na construção de um espaço vivêncial dentro do FSM, busca-se integrar na Eco-Aldeia, redes e entidades que trabalham com objetivos convergentes aos eixos propostos, que dialogarão de forma transdisciplinar experimentando na prática o processo de autogestão criativa.

Entendemos a proposta da Eco-Aldeia da Paz como um espaço para a convergência e integração de movimentos e coletivos que trabalham com a visão da ecologia, movimento de comum unidades, economia solidária, arte, ecumenismo e Cultura de Paz.

As Atividades propostas:

Terapias Alternativas e Alimentação Integral

Yoga e vivências (Mente, Corpo e Espírito)

Meditações e Rituais

Tempo é Arte (Oficinas)

Eco-Arte-Educação

Divulgação da Bandeira da Paz

Agroecologia, Bioconstrução e Permacultura

Economia Solidária (Feira de Trocas, Moedas sociais, Consumo Sustentável, alimentação consciente, práticas solidárias, etc)

Ecologia Social e Cultura de Paz Permanente

Atividades com jovens e crianças

Banco de Boas Práticas -> Documentação didática das técnicas utilizadas na construção da Aldeia da Paz

Banco de Produtos e Serviços -> Cadastro dos produtos e serviços ofertados pelos coletivos/indivíduos integrantes da Aldeia.

Acervo Cultural -> Registro multimídia das atividades realizadas na Aldeia

Os 11 pontos de Convergência da EcoAldeia da Paz

1- Tenda Galáctica

A ecumênica tenda de cor branca será a estrutura central das atividades na Eco-Aldeia como: Círculos de Visões, Atrações Musicais, Danças Circulares, Oficinas, Vivências e espontaneidade afins.

2 –Temazcal - “Sauna Sagrada”

Espaço para rituais sagrados de equilíbrio energético, conhecido como Tenda Indígena do Suor ou Sauna Sagrada. Ali serão realizados rituais de purificação e limpeza.

3- Tenda da Cura

Área destinada ao intercambio de práticas, ensinamentos, cursos e curas que visem o resgate da medicina integrada com a tríade: mente, corpo e espírito. Serão praticadas técnicas de massagens, Reiki, Florais, Fito terapia, entre outras vivências (individuais ou grupais).

4- Tenda da Lua

Espaço para a reunião da energia feminina, compartilhando de forma sagrada e ritualística suas experiências, conhecimentos e visões.

5- Flor das Abelhinhas

As crianças representam a nova consciência e serão os futuros guardiões do Planeta. Na Eco-Aldeia, reservaremos um espaço para as mães, pais e crianças, onde se desenvolverão atividades ecopedagógicas, oficinas, brincadeiras, jogos e apresentações infantis.

6- Cozinha Mundi

Espaço aberto para a manifestação dos diversos coletivos e indivíduos da Aldeia.

Baseada na Alimentação Natural e Orgânica, a cozinha comunitária será autogerida pelos Aldeões da Paz e sustentada pelo chapéu mágico.

7- Vila Biorregional

Área da gestão interna da Aldeia onde irão permanecer acampados os “FOCALIZADORES das ATIVIDADES da Eco-Aldeia da Paz“. Serão encaminhados temas como a gestão do lixo seco e compostagem, segurança, sinalização, saneamento, água, saúde, disposição das barracas, comunicação e programação interna da aldeia.

8- Espaço Solidário

Ponto de convergência de trocas e comercialização de produtos artesanais, roupas, bens culturais e alimentação natural produzida na Eco-Aldeia.

Acontecerá o Mercado de Trocas Solidário, utilizando a moeda social Cristal (criada durante a concepção do Encontro Internacional Chamado

do Beija Flor), difundindo assim, uma das principais praticas da Economia Solidária.

9- Fogo Sagrado

No espaço da “Fogueira Central da Eco-Aldeia ” serão realizados círculos e rituais ecumênicos. O fogo permanecerá acesso durante todo o funcionamento da Aldeia.

10- Palco Equipado

Principal espaço da Eco-Aldeia, se constituindo no pólo principal para apresentação de shows, danças circulares, conselhos de visões, seminários e saraus culturais.

11 - Produtora Cultural Colaborativa

Espaço destinado a comunicação livre e colaborativa. Participantes deste espaço serão responsáveis por registrar a construção da aldeia e elaborar os conteúdos educativos e de registro que serão incorporados ao Acervo e ao Banco de Boas Práticas.

Acordos gerais de convivência na eco-aldeia da paz:

A EcoAldeia da Paz funciona como um Conselho das Visões dos coletivos e pessoas que fazem parte dela, e pelo tanto temos certos acordos para o publico geral e para a imprensa que gostaríamos dar a conhecer e serem respeitados.

Território livre de álcool, não são consumidas carnes ou derivados do leite e ovos, animais são animais, não comida. Nossa alimentação é vegana e é “paga” através do chapéu mágico, que é passado junto com as refeições, onde cada um deposita o valor que dispõe para sua refeição, alguns que tem mais colaboram com aqueles que tem menos.

Não usar cigarros químicos, somente cigarros artesanais e evitar fumar nos espaços comunais e nas refeições.

Acampar somente nos bairros e usar os caminhos e as trilhas.

Resolução de conflitos por via pacifica, território livre de armas.

O Fogo Sagrado, é aceso antes do início do Fórum e fica aceso ao longo deste, sendo apagado somente após o final.

Diariamente nas rodas, são tomadas decisões coletivas e de escolha de voluntários para os trabalhos diários: buscar lenha, fazer as composteiras, limpar os banheiros secos, escolher ajudantes da cozinha, etc.

A impressa é bem vinda a Eco-Aldeia da Paz, sempre que seja respeitosa dos seus acordos internos. As equipes que entram na Eco-Aldeia devem ser acompanhadas do pessoal de Comunicações da Aldeia. Antes de fotografar, gravar o filmar onde se encontram moradores da Eco-Aldeia, deve solicitar autorização dos mesmos. No caso de algumas delas não aceitar, elas podem sair da cena, para permitir que o trabalho da impressa seja realizado. Tem áreas que a Eco-Aldeia da Paz define como livres de serem fotografadas, e outras que não são. Favor de respeitar esses espaços.

Seguindo a idéia central da Aldeia da Paz, de ser um espaço demonstrativo de novas possibilidades de construção coletiva, a rede de trocas que é realizada está alicerçada nos princípios da economia solidária – comunitária. São sementes crioulas, produtos de higiene biodegradáveis, artesanatos variados, CD's, livros, instrumentos musicais, terapias holísticas, alimentos orgânicos e outros produtos, sendo ofertados dentro da lógica de um outro mercado, formado por produtores e consumidores conscientes.
FSM 2012 - EcoAgência

sábado, 24 de dezembro de 2011

Parques são opção de lazer para o domingo de Natal


24/12/2011 - 17h54

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1025944-parques-sao-opcao-de-lazer-para-o-domingo-de-natal.shtml

O comércio em São Paulo fez "hora extra" neste sábado (24) para atender aqueles que ainda não fizeram as compras de Natal.
Alguns serviços e opções de lazer, porém, serão fechados no domingo de Natal, como museus e o Mercadão.
Quem ficou na cidade pode optar por visitar algum dos parques.
Veja mais detalhes do que abre e o que fecha no feriado:

Bombeiros resgatam cerca de 20 animais em incêndio na favela


23/12/2011 - 16h13

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1025528-bombeiros-resgatam-cerca-de-20-animais-em-incendio-na-favela.shtml

MARINA GAMA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Gato com o bigode queimado durante o incêndio que atingiu um terço da favela do Moinho, na região central de São Paulo
Moacyr Lopes Júnior/Folhapress
Gato teve o bigode queimado durante o incêndio que atingiu um terço da favela do Moinho, na região central de SP


Cerca de 20 animais, entre cães e gatos, foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros durante o incêndio que atingiu a favela do Moinho, região central de São Paulo, na quinta-feira (22). Até a tarde desta sexta, os bombeiros haviam encontrado dez corpos de animais, que não conseguiram fugir e morreram queimados.



Moradores lamentavam a perda dos seus animais enquanto os bombeiros tentavam conter o fogo na tarde de ontem. Marina Aparecida Meneses, 56, disse que o fogo se alastrou muito rápido no prédio onde ela morava. Ela foi uma das 11 pessoas resgatadas pelo helicóptero da Polícia Milita.

"Eu não sabia se pegava o gatinho que estava dormindo na minha cama ou se pegava meus documentos. O gatinho ficou, acho que morreu. Um minuto que você vai salvar alguma coisa, você pode morrer", disse.
A auxiliar de limpeza Maria Aparecida Novais, 50, abandonou o trabalho após ver na televisão que o edifício onde morava estava em chamas. "Eu estava no meu trabalho e quando cheguei aqui tudo já estava tomado pelo fogo. Perdi tudo tudo tudo! Meus quatro gatinhos morreram também. Não pude socorrê-los", contou, chorando.


Dez viaturas e 34 bombeiros estavam esta manhã na favela e continuam o trabalho de rescaldo e inspeção hoje.
A Defesa Civil mantém a área da linha férrea interditada e seu entorno devido ao risco de desabamento do prédio atingido pelo incêndio.

INCÊNDIO

A favela do bairro Campos Elíseos fica próxima ao viaduto Engenheiro Orlando Murgel, que liga as avenidas Rudge e Rio Branco. O fogo começou antes das 10h e só foicontrolado pelos bombeiros cerca de três horas depois.
Uma grande quantidade de fumaça se espalhou pela região e pôde ser vista até do aeroporto de Congonhas, a 15 km de distância. Foram usados 40 veículos no combate às chamas, com cerca de 200 mil litros de água.
O vento forte e o material inflamável dos barracos espalharam o fogo, que atingiu área de 6.000 m2. A fumaça podia ser vista a 15 km de distância, de Congonhas.
Ao todo, 120 homens foram mobilizados. Helicópteros da Polícia Militar resgataram 11 pessoas ilhadas pelas chamas e as levaram até a quadra de uma escola próxima. Segundo os bombeiros, três pessoas ficaram feridas e foram levadas para hospitais. Dois corpos foram encontrados no edifício atingido.
Um bombeiro também ficou ferido quando uma TV caiu em cima de sua cabeça, ao inspecionar um barraco que não era atingida pelo fogo. Ele foi levado para o Hospital da Clínicas.
A Defesa Civil municipal afirma que metade da favela foi consumida pelo fogo, mas o Corpo de Bombeiros diz que um terço dos barracos queimaram. Segundo o comandante Luiz Humberto Navarro, a área atingida pelo fogo foi de 6.000 m².
A favela do Moinho tem dois tipos de ocupação: uma, de barracos no chão; outra, de habitações precárias instaladas dentro do prédio abandonado do Moinho Matarazzo.
Editoria de Arte/Folhapress
As chamas chegaram próximas da linha férrea da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e provocaram a interrupção da circulação nas linhas 7-rubi e 8-diamante.
De acordo com dados do Censo, a favela possuía no ano passado cerca de 530 barracos, onde viviam 1.656 pessoas. Já o coordenador da Defesa Civil municipal, Jair Paca de Lima, diz que no local moravam 2.500 pessoas.
LINCHAMENTO
Uma mulher apontada pelos moradores da favela como responsável pelo incêndio teve que ser escoltada para fora da comunidade na noite de ontem.
Ela foi arrastada por cerca de 200 pessoas pelas vielas da favela, sob os gritos de "Lincha, lincha". Moradores dizem que ela botou fogo no barraco em que vivia, e as chamas se alastraram pela favela.
A associação de moradores local impediu o espancamento com um cordão de isolamento e a moça saiu de lá com a Guarda Civil.
Três ministros do governo federal que acompanhavam a presidente Dilma Rousseff em visita à São Paulo estiveram no local do incêndio: Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome).

Terras raras podem ser novo filão brasileiro


24/12/2011 - 10h00

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1025752-terras-raras-podem-ser-novo-filao-brasileiro.shtml


FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE

Uma crise no abastecimento de um conjunto de metais está levando empresas brasileiras e o governo a tentar iniciar um novo tipo de exploração mineral, voltada para o ramo de alta tecnologia.
Usados na fabricação de uma variada gama de produtos, de tablets a carros elétricos, os metais de terras raras --um conjunto de 17 elementos químicos-- são explorados praticamente em regime de monopólio pela China.
Os chineses, no entanto, vêm aumentando as restrições à exportação dessa matéria-prima, o que pôs em risco o abastecimento de diversos tipos de indústrias e gerou uma corrida mundial por alternativas.
O preço chegou a subir até 4.000% desde 2008. Naquele ano, a produção da China foi de 120 mil toneladas, em um mercado estimado em até US$ 3 bilhões.
O valor de venda pelos chineses costumava ser tão baixo que a exploração comercial das terras raras em outras partes do mundo não compensava. Agora, com a maior demanda pela matéria-prima e a escalada dos preços, a situação mudou.
O Brasil tem reservas inexploradas desse conjunto de minérios em Estados como Goiás e Amazonas.
O grupo canadense MBAC divulgou, no começo do mês, que uma área sua em Araxá (MG) tem um "dos mais altos níveis de óxidos de terras raras" no mundo.
Outras indústrias trabalham para obter esse conjunto de metais por meio do processamento de resíduos de outros minérios.
A Mineração São Francisco de Assis, que explora estanho em São Félix do Xingu (PA), tenta obter terras raras em seus próprios rejeitos. A empresa pretende começar uma unidade-piloto já no próximo ano. A CSN, por meio de uma subsidiária, também tem um projeto.
O governo federal tenta atrair a Vale e sua estrutura em mineração para o ramo das terras raras. Também cogita usar financiamentos do BNDES para estimular novos projetos desses minérios.
PROBLEMAS AMBIENTAIS
Durante a mineração, dois elementos radioativos, o tório e o urânio, costumam vir com as terras raras. É preciso separá-los dos outros minerais explorados.
Isso faz com que a indústria precise montar um esquema de alta proteção ambiental, encarecendo o trabalho.
Almir Clemente, dono da Resind, diz que gerir o tório e o urânio é "o maior obstáculo" para a produção. Ele pretende começar a produzir 50 toneladas por mês de terras raras a partir de fevereiro em São João del Rei (MG).
Com o aumento das restrições na China, EUA e Austrália também já anunciam investimentos no setor.

Companhias aéreas terão de pagar pelas emissões dos aviões na Europa


 

Todas as companhias aéreas, europeias ou estrangeiras, cujos voos têm partida ou chegada nos países do continente europeu terão de pagar pela poluição atmosférica que produzem na Europa a partir de 1º de janeiro de 2012, segundo decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (UE), com sede em Luxemburgo, que confirmou a validade da medida que inclui o setor aéreo no sistema de intercâmbio de cotas de emissão.
O objetivo da UE é aliviar o impacto da aviação no aquecimento global, uma vez que as emissões do setor representam 3% dos gases de efeito estufa gerados pelo bloco formado por 27 países, e são as que mais crescem no continente, segundo argumentou à AFP a comissária para as mudanças climáticas da UE, Connie Hedegaard.
No entanto, a decisão promete causar muita polêmica, isso porque a medida contraria uma demanda dos Estados Unidos, país que discorda da obrigatoriedade de as companhias aéreas pagarem por cada tonelada de dióxido de carbono (CO2) emitida, uma exigência do Programa de Comércio de Emissões (Emissions Trading System, ETS).
As principais companhias do setor nos Estados Unidos (American, Continental e United Airlines) denunciaram a legislação europeia na justiça britânica, que, por sua vez, consultou o Tribunal de Justiça da UE. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pediu à UE em uma carta enviada em 16 de dezembro, que o bloco europeu renunciasse ao plano, pois, caso contrário, os Estados Unidos adotariam “medidas apropriadas”. Igualmente insatisfeita, a China ameaçou com represálias contra a indústria aeronáutica europeia.
As companhias aéreas norte-americanas argumentam que impor o ETS às empresas fora da UE viola a lei internacional. Os Estados Unidos pedem, portanto, que se contabilize apenas a emissão de CO2 sobre o espaço aéreo comunitário, e não levando-se em conta todo o trajeto.
A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) concorda com esta opinião. O diretor geral da entidade, Tony Tyler, considerou que a medida extrapola as competências territoriais da UE ao afetar empresas não europeias.
Mas o tribunal europeu sustentou na quarta-feira, 21 de dezembro, que o plano não é discriminatório, pois será aplicado tanto às companhias do continente como às estrangeiras. O projeto foi aprovado em 2008 com o objetivo de reduzir em 20%, no mínimo, as emissões de gases que provocam o efeito estufa até 2020.
As empresas que voam entre continentes argumentam que a medida aumentará os custos para a indústria da aviação global que já enfrenta uma severa crise. Para 2012, a Iata, que representa 240 companhias aéreas e 84% do tráfego aéreo mundial, reduziu as estimativas de lucros a US$ 3,5 bilhões, contra US$ 4,9 bilhões previstos anteriormente, e avaliou as perdas em US$ 8,3 bilhões se a Europa não conseguir superar a crise da dívida.
A nova medida poderá elevar os preços das passagens entre 1,8 e 9 euros em voos de ida e volta dentro da UE e em quase 12 euros em viagens entre continentes, caso as empresas repassem aos clientes os custos das novas restrições. Em um primeiro momento, as companhias aéreas estarão isentas de pagar por 85% das emissões. A Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci) apoiou as reclamações das empresas norte-americanas.

Companhia francesa cria barco sustentável movido a água


http://exame.abril.com.br/economia/meio-ambiente-e-energia/noticias/companhia-francesa-cria-barco-sustentavel-movido-a-agua

Invenção, da empresa francesa Quimperié, ajuda a reduzir a emissão de poluentes e a acabar com a dependência do uso de combustíveis fósseis

                    Divulgação
Barco sustentável
MIG 675 tem sistema LED de navegação, câmeras e controle touch screen

São Paulo - Imagine um barco em que a água seria o principal combustível. Uma tecnologia sustentável como esta já existe na França e deve chegar ao mercado em 2012. Trata-se do barco MIG 675 que ainda agrega sistema LED de navegação, câmeras e controle touch screen.
A invenção, da empresa francesa Quimperié, ajuda a reduzir a emissão de poluentes e a acabar com a dependência do uso de combustíveis fósseis. No barco, de 22 pés de comprimento, há um gerador de hidrogênio responsável por todo abastecimento elétrico.
Os criadores do barco se preocuparam em não deixar as comodidades de lado. No equipamento há GPS, câmeras, controle touch screen de dez polegadas, bar, mesa retrátil elétrica, entre outras tecnologias.
A mesma água utilizada para gerar o hidrogênio funciona como o combustível. Esta água abastece os compartimentos elétricos e o barco pode chegar a uma velocidade máxima de 113 km/h com um motor de 500 HP. Devido à atração direta da água para o motor do MIG 675 não há necessidade de tanques compressores como a maioria dos motores a hidrogênio.
Ao mesmo tempo em que o veículo consome a água, ele é abastecido. A única coisa que o barco MIG 675 emite é o próprio vapor produzido pela água. O barco de luxo tem capacidade para três pessoas.
Estima-se que o barco chegará ao mercado, no próximo ano, custando cerca de US$ 329.000, em torno de R$ 615.000.

Os 7 erros do jogo da sustentabilidade


http://www.adnews.com.br/pt/publicidade/os-7-erros-da-sustentabilidade-por-walter-longo.html

Por Marcelo Gripa

21 de dezembro de 2011 · 18h02

Livro de Walter Longo

Ele não acredita que a reciclagem de lixo e banhos mais rápidos resolvam o problema do meio ambiente. Também acha distorcida a ideia de que o uso de sacolas plásticas seja a chave para a salvação do planeta. Em um livro futurista, Walter Longo, mentor de estratégia do Grupo Newcomm, critica muitos dos conceitos atuais sobre o tema e reúne argumentos em "Os 7 erros do jogo da sustentabilidade".
Disponível em português e inglês, a publicação adota o tom controverso desde a capa: "o que ninguém viu ainda e as visões alternativas que farão a diferença". Ele diz que as boas propostas devem surgir da criatividade, inovação e estrutura, e não de movimentos "leves" como os praticados atualmente. "Somente as inovações tecnológicas e comportamentais podem, efetivamente, proteger o planeta e todos nós", escreve em um trecho.
Entre outras afirmações, o autor propõe um "rodízio de pessoas", que também pode ser apropriado para o horário das refeições. Ele sugere menos concentração de pessoas para que as cidadades melhor aproveitem sua estrutura, ociosa em grande parte do dia. Mas Longo é totalmente contra a ideia de que as megalópoles são as vilãs desta história toda. "As grandes cidades possuem um acervo de informações que amplifica o raciocínio humano e aumenta as probabilidades de inovação", argumenta.
A publicação é uma síntese de um projeto transmídia maior que busca estimular uma nova visão sobre como a quebra de paragimas e a inovação ajudam neste sentido.

Leia abaixo os 7 erros apontados:

1 - Afirmar que a solução para o aquecimento global depende de reeducar pessoas e empresas para que limitem seu impacto ambiental.
2 - Convocar os habitantes do planeta a descentralizar-se e reorganizar-se em cidades menores, argumentando que as megalópoles são as maiores vilãs do clima.
3 - Partir do princípio de que as atuais edificações são responsáveis pelo problema e devem ser substituídas por novas estruturas mais adaptadas ao meio ambiente.
4 - Defender que temos de reduzir a produção e o consumo, ou seja, estabelecer um patamar de desempenho inferior para a economia e os negócios.
5 - Crer, acima de qualquer dúvida, que todas as inovações possíveis para resolver o problema climático já foram resolvidas.
6 - Pressupor que parar de desperdiçar e começar a reciclar tudo em larga escala bastará para resolver todo o problema.
7 - Confiar em que o diagnóstico atual é preciso e que os herois e vilões da sustentabilidade estão corretamente identificados.