domingo, 17 de abril de 2011

Relatório de Sustentabilidade 2010 foi o tema da 26ª Audiência de Sustentabilidade da SABESP




Acesse RS2009 da SABESP: http://site.sabesp.com.br/uploads/file/sociedade_meioamb/RS_2009_Portugues.pdf


26ª Audiência de Sustentabilidade

"Painel de Engajamento com a Sociedade para Discussão do Novo Relatório de Sustentabilidade"


Foto: Parques Sustentáveis


No dia 15 de abril, sexta-feira, a Sabesp realizou mais uma audiência para abordar estratégias com a sociedade para o novo relatório de sustentabilidade RS2010.



O evento aconteceu no auditório Tauzer Quinderé - Rua Nicolau Gagliardi, 313 - Pinheiros.



Dentre as discussões estão o Programa de Responsabilidade Social da Sabesp, a Evolução da Gestão Ambiental, Dimensão Econômico - Financeira, Governança e Sustentabilidade além de um debate sobre o próximo relatório de sustentabilidade.





A hora de relatar






Respostas concretas são o aspecto essencial do relatório




O relatório de sustentabilidade é a principal ferramenta voluntária de comunicação do desempenho ambiental e social, complementados as informações econômicas, normalmente apresentadas no Relatório Anual, das organizações, sejam elas privadas, públicas ou não-governamentais (ONG). O Relatórios também servem como divulgação dos princípios de boa governança. A maioria das empresas que optam pela produção desses relatórios optam pelos critérios da Global Reporting Initiative (GRI), Organização Não Governamental Internacional, com sede em Amsterdã, na Holanda, que trabalha em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente na validação de projetos de sustentabilidade. O trabalho da GRI também está alinhado ao Pacto Global das Nações Unidas, iniciativa da ONU que procura fomentar boas práticas de sustentabilidade em organizações privadas, o Relatório de Sustentabilidade com base nas diretrizes da GRI é considerado compatível com os princípios do Pacto e exclui a necessidade de elaboração de outras ferramentas para Comunicação de Progresso, obrigatória as empresas signatárias.



Criado com o objetivo de elevá-los ao nível dos relatórios financeiros em importância estratégica para as empresas, o modelo GRI transformou-se na principal referência mundial para se avaliar e comparar o desempenho social, ambiental e econômico das organizações, ao conferir periodicidade e legitimidade às informações.



Na prática, porém, poucas organizações compreendem que o relatório de sustentabilidade é um testemunho da gestão e um mecanismo de transparência , dos critérios de sustentabilidade incorporados à estratégia organizacional. Ou seja, as empresas coletam dados, investem na impressão de relatórios, mas nem sempre conseguem perceber que possuem uma ferramenta de gestão em suas, na prática, é gerenciar riscos e oportunidades de forma adequada – um conjunto de tarefas que precisam ser adequadamente comunicadas ao público.



Após a definição dos indicadores, deve-se estruturar o método de coleta, acompanhamento e mensuração dos dados para tornar efetiva a real função de um relatório de sustentabilidade: contribuir não apenas como ferramenta de comunicação, mas para a evolução das práticas de gestão. Caso esses objetivos sejam frustrados, o relatório será apenas mais uma publicação a descansar na prateleira dos escritórios.



Poucas empresas analisam os dados compilados, observando, por exemplo, que suas taxas de acidentes são as maiores do setor ou que, ano após ano, as taxas crescem, sem exercitar a comparabilidade que os indicadores da GRI fornecem, e muito menos o exercício de reflexão que a coleta dos dados oferecem. Em resumo: dados são coletados, gasta-se com a impressão de relatórios e, tudo posto, não percebem os problemas de gestão a serem resolvidos. Sustentabilidade, na prática, é gerenciar riscos e oportunidades de forma adequada, sendo o relatório um instrumento fundamental nesta missão.



A elaboração de relatórios tendo como objetivo melhorar a imagem da corporação perante o público interno e aos stakeholders, ocasionam uma peça de comunicação e não de gestão, pressionadas por áreas preocupadas apenas com a imagem e não a sua reputação as empresas decidem por esse caminho, optando pela elaboração dos textos sem ter em mãos dados consistentes e compilados em conformidade com as diretrizes do GRI. Além disso, as empresas não contam com maturidade e autocrítica para interpretar os resultados apresentados no documento, bem como os recursos e a determinação para enfrentar os dilemas neles indicados. Exemplo: ao produzir o relatório, uma empresa X pode ter a indicação, em números, do quanto suas ações socioambientais estão aquém dos padrões estabelecidos pelo Benchmark do setor. Por isso essa postura é fundamental para que as ações concretas sejam desenhadas para superar a situação, mas nem sempre as empresas levam adiante essa etapa do processo.



De nada adianta seguir o protocolo da GRI para definir os indicadores materiais e determinar o equilíbrio da informação se a empresa não consegue olhar para esse relatório e interpretá-lo de acordo com suas práticas internas, com os interesses estratégicos e as necessidades de seus stakeholders. Assim, o primeiro passo para uma empresa que deseja fazer um relatório de sustentabilidade efetivo é definir quais são os principais temas a partir de seu corebusiness e de suas práticas de gestão. A partir daí, surgem os principais dilemas realmente materiais e a busca por ações para solucioná-los. Respostas concretas são o aspecto essencial dos relatórios de sustentabilidade efetivos.



Acompanhando esse processo de evolução e percebendo que as empresas estão mais preocupadas com o Marketing do que efetivamente com a melhoria da gestão, a GRI, a partir desse ano, adotou algumas mudanças no processo para utilização do selo com o nível de aplicação da GRI.

Agora, as empresas podem declarar que o relatório equivale a um relatório A, B ou C, mas não utilizar os famosos selos, que são visualmente bonitos e chamam atenção como um troféu ou uma premiação.



Para utilizar os selos, as empresas devem obrigatoriamente encaminhar o relatório para verificação da GRI e determinação do nível de aplicação. Essa mudança ocorre principalmente para forçar as empresas a utilizar as diretrizes da GRI em sua plena essência, como uma ferramenta de gestão e não como uma peça de Marketing e auto promoção.



Outra recomendação significativa é a declaração dos indicadores respondidos parcialmente, muitas empresas continuam respondendo por vários anos alguns indicadores de forma parcial e não demonstram o seu compromisso com a evolução do processo de gestão. Ao submeter o relatório para a GRI as empresas precisam agora, demonstrar esse compromisso, assumindo prazos para relatar os indicadores parciais de forma integral. Criando assim um histórico do relato e conseqüentemente de seus compromissos.



Um relatório de Sustentabilidade cumprirá efetivamente sua real função, no momento em que a alta direção das organizações fará dele uma ferramenta estratégica de dialogo procurando dessa maneira, observar os principais riscos e oportunidades a serem enfrentados assim como a definição clara do seu posicionamento perante aos seus diferentes públicos.



*Marcos Torres é consultor da Unidade de Negócios de Sustentabilidade da Keyassociados (mtorres@keyassociados.com.br).



(Keyassociados)