quinta-feira, 16 de maio de 2019

Será mesmo possível construir uma civilização sustentável?

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Será mesmo possível construir uma civilização sustentável?. 22/06/2018. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=apocalipse-alienigena-civilizacao-superar-limites-seu-proprio-planeta. Capturado em 10/02/2019. 


Apocalipse alienígena: Uma civilização pode superar os limites do seu próprio planeta?
Da Ilha de Páscoa para o Universo: modelos encaram possibilidade de vida sustentável no cosmos. [Imagem: Michael Osadciw/University of Rochester]
Perspectiva astrobiológica
Diante das mudanças climáticas, do desmatamento e da perda da biodiversidade, criar uma versão sustentável da nossa civilização é uma das tarefas mais urgentes da humanidade.
Mas, quando decidimos encarar esse desafio imenso, raramente nos fazemos aquela que pode ser a questão mais crucial de todas: Como saber se a sustentabilidade é mesmo possível?
Os astrônomos já fizeram um inventário considerável de planetas fora do Sistema Solar e tem havido muita discussão em torno dos exoplanetas habitáveis e das possíveis civilizações extraterrestres.
A pergunta a seguir é: Existem planetas com civilizações sustentáveis? Ou todas as civilizações que surgiram no cosmos duraram apenas alguns poucos milênios antes de sucumbir nas próprias mudanças climáticas que desencadearam?
Estas foram as perguntas levantadas por uma equipe formada por Adam Frank e Jonathan Nellenback (Universidade de Rochester - EUA), Marina Alberti (Universidade de Washington - EUA) e Axel Kleidon (Instituto Max Planck de Biogeoquímica - Alemanha).
E eles se propuseram a dar os primeiros passos para respondê-las adotando o que chamam de uma "perspectiva astrobiológica".
Apocalipse alienígena: Uma civilização pode superar os limites do seu próprio planeta?
A chave parece estar em encontrar um equilíbrio entre ambiente e população - qualquer que seja seu número, contudo, essa população deverá fazer uso racional dos recursos. [Imagem: Adam Frank et al. - 10.1089/ast.2017.1671]
Contexto cósmico
A equipe justifica sua abordagem argumentando que as discussões sobre as mudanças climáticas raramente ocorrem nesse contexto mais amplo, que leva em conta a probabilidade de que esta pode não ser a primeira vez na história cósmica que um planeta e sua biosfera evoluíram para algo parecido com o que criamos na Terra.
"O ponto é reconhecer que a mudança climática pode ser algo genérico," explica Frank. "As leis da física exigem que qualquer população jovem, construindo uma civilização intensiva em energia como a nossa, vai receber feedback do seu planeta. Ver a mudança climática nesse contexto cósmico pode nos dar uma melhor visão do que está acontecendo conosco agora e como lidar com isso."
À medida que a população de uma civilização cresce, ela usa mais e mais recursos. Ao consumir os recursos, a civilização muda as condições do planeta. Em suma, civilizações e planetas não evoluem separadamente um do outro, eles evoluem interdependentemente. E o destino da civilização depende de como os recursos do planeta são usados.
Pensando em civilizações e planetas - incluindo exoplanetas e civilizações alienígenas - como um todo, os pesquisadores acreditam ser possível prever melhor o que pode ser necessário para o projeto humano de fazer com que sua civilização sobreviva. "Se não somos a primeira civilização do universo, isso significa que provavelmente haverá regras sobre como o destino de uma civilização jovem como a nossa progride," disse Frank.
Para ilustrar como os sistemas planeta-civilização coevoluem, Frank e seus colegas desenvolveram um modelo matemático para mostrar caminhos pelos quais uma população tecnologicamente avançada e seu planeta poderiam se desenvolver juntos.
Usando seu modelo matemático, a equipe chegou a quatro cenários que podem ocorrer em um sistema planeta-civilização:
Apocalipse alienígena: Uma civilização pode superar os limites do seu próprio planeta?
Gráficos do quatro cenários construídos pela equipe (veja o texto). [Imagem: Michael Osadciw/University of Rochester]
Sucumbir
A população e o estado do planeta (indicado por algo como sua temperatura média) aumentam muito rapidamente. Eventualmente a população atinge seu pico e declina rapidamente à medida que a temperatura planetária crescente torna as condições de sobrevivência mais difíceis. Finalmente alcança-se um nível populacional estável, que é apenas uma fração da população no seu pico. "Imagine se 7 em cada 10 pessoas que você conhece morressem rapidamente," detalha Frank. "Não está claro se uma civilização tecnológica complexa poderia sobreviver a esse tipo de mudança."
Sustentabilidade
A população e a temperatura aumentam, mas acabam chegando a valores estáveis sem nenhum efeito catastrófico. Este cenário ocorre nos modelos em que a população reconhece que está tendo um efeito negativo no planeta e migra de recursos de alto impacto - o petróleo é um bom exemplo - para recursos de baixo impacto - como a energia solar.
Colapso sem mudança de recursos
A população e a temperatura aumentam rapidamente, até que a população atinge um pico e cai de forma drástica. Nesses modelos, a civilização entra em colapso, embora não esteja claro se a espécie é completamente extinta.
Colapso com mudança de recursos
A população e a temperatura aumentam, mas a população reconhece que está causando um problema e muda de recursos de alto impacto para recursos de baixo impacto. As coisas parecem se estabilizar por um tempo, mas a resposta acaba chegando tarde demais, e a população entra em colapso de qualquer maneira.
Apocalipse alienígena: Uma civilização pode superar os limites do seu próprio planeta?
Para encontrar civilizações alienígenas, os aglomerados estelares parecem ser um bom ponto de partida. [Imagem: ESO/J. Emerson/VISTA]
Exemplo da Ilha de Páscoa
Os pesquisadores construíram seus modelos baseando-se, em parte, em estudos de casos de civilizações extintas, como os habitantes da Ilha de Páscoa. Os dados disponíveis indicam que o ser humano começou a colonizar a ilha entre 400 e 700 da nossa era, e atingiram uma população de pico de 10.000 habitantes em algum momento entre 1.200 e 1.500. No século XVIII, no entanto, os habitantes haviam esgotado seus recursos e a população caiu drasticamente para cerca de 2.000 pessoas.
A extinção da civilização da Ilha de Páscoa está relacionada a um conceito chamado capacidade de carga, ou o número máximo de espécies que um ambiente pode suportar. "Se você passar por uma mudança climática realmente forte, sua capacidade de carga pode diminuir, porque, por exemplo, a agricultura em grande escala pode ser fortemente prejudicada. Nós não poderíamos cultivar alimentos e nossa população diminuiria," detalha Frank.
Será que o mesmo irá acontecer conosco em escala planetária? A resposta a essa questão dependerá dos caminhos escolhidos - tudo o que os modelos construídos pela equipe fazem é mostrar possibilidades. "Esses modelos mostram que não podemos simplesmente pensar em uma população evoluindo por conta própria. Temos que pensar em nossos planetas e civilizações coevoluindo," conclui Frank.
A equipe pretende agora desenvolver modelos mais detalhados dos modos pelas quais os planetas podem se comportar quando uma civilização consome energia de qualquer forma para crescer.

Bibliografia:

The Anthropocene Generalized: Evolution of Exo-Civilizations and Their Planetary Feedback
Adam Frank, Jonathan Carroll-Nellenback, Marina Alberti, Axel Kleidon
Astrobiology
Vol.: 18 (5): 503
DOI: 10.1089/ast.2017.1671

sábado, 4 de maio de 2019

A engenharia precisa estar onde o povo está

A engenharia precisa estar onde o povo está

Fonte: http://www.seesp.org.br/site/index.php/comunicacao/noticias/item/18220-a-engenharia-precisa-estar-aonde-o-povo-esta

Rosângela Ribeiro Gil


Ele tem 62 anos de idade e há 34 é engenheiro na Prefeitura do Município de São Paulo, e está prestes a se aposentar. Frederico Jun Okabayashi formou-se em Engenheira Civil pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1979. Antes do serviço público, trabalhou, logo que se formou, na iniciativa privada. “Fui para Recife trabalhar na construção de Suape (complexo portuário e industrial de Pernambuco) empregado numa multinacional japonesa.” Esse contato, avalia, lhe trouxe uma experiência forte na área, porque “a engenharia japonesa já era muito avançada na questão da organização, disciplina e resiliência”.

Frederico, todavia, se “encontrou” no fazer a profissão no setor público. “Consegui unir a técnica ao meu dever humano de oferecer o meu trabalho de forma correta e responsável para a sociedade”, observa com muita retidão e certeza. Para ele, esse conhecimento técnico precisa estar “onde o povo está”. “Nas ´cidades invisíveis´, aquela onde os moradores da periferia sofrem e não aparecem como deveriam”, indica.

É esse, inclusive, o legado que ele quer deixar às novas gerações de profissionais que venham a ocupar o cargo de engenheiros nas administrações públicas, em todos os níveis de governo (federal, estadual e municipal). “O povo precisa da engenharia humanizada”, enfatiza.

Diplomado na área, qual foi o seu primeiro emprego?
Quando me formei o País também estava em crise econômica. Consegui uma oportunidade de trabalhar na área somente numa multinacional japonesa lá no porto de Suape, no Recife (PE), que estava ainda na fase de projeto e licitação. Trabalhei com dragagem de portos. Fiquei um ano e meio por lá. Tive facilidade para a vaga por conta do idioma japonês. Aprendi muito com eles (os japoneses).


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Depois de Suape, como você ficou?
Fiquei desempregado e voltei para São Paulo, trabalhei como autônomo na área. Depois prestei o concurso público para engenheiro da Prefeitura do Município de São Paulo. Fui aprovado em 1984 e tomei posse em julho de 1985.


Como foi ser engenheiro no poder público da grande metrópole brasileira?
Comecei com manutenção de prédios escolares. À época, eram 675 escolas, hoje tem mais de 3 mil. Fazia vistorias. Éramos dez engenheiros, e acabamos nos especializando em manutenção predial.


Como você se reinventou durante esses 34 anos de prefeitura?
Foram em dois momentos especificamente. O primeiro foi com a necessidade de fazer um curso de Direito na FDSBC (Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo), em 1994, para me defender porque acabei sendo perseguido após enfrentar a corrupção no cumprimento do meu dever de ofício. E, depois, quando me tornei delegado sindical do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), em 2013, para lutar pela valorização da nossa carreira.


Quais projetos inovadores desenvolvidos na sua atividade junto à Prefeitura de São Paulo?
Tivemos diversos momentos nessa questão. Na Secretaria de Educação, por exemplo, elaboramos um manual de manutenção de prédios escolares. Na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, conseguimos implementar a operação defesa das águas; na da Habitação, o antigo Contru (Departamento de Controle do Uso de Imóveis), foi o RIA online, que é o Relatório de Inspeção Anual de Elevadores. Os engenheiros da casa desenvolveram com a Prodam (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo) um sistema de cadastramento e controle de segurança de elevadores pela internet. Os responsáveis técnicos das empresas cadastravam os elevadores e conseguimos acabar com as empresas clandestinas de manutenção desse equipamento. Eram quase 80 mil elevadores na cidade. O número de acidentes reduziu muito.


Outra atuação importante foi no Serviço Funerário do Município de São Paulo com a humanização do trabalho devido à aquisição de quatro miniescavadeiras. Isso melhorou a produtividade e as condições de trabalho dos funcionários do setor. Manter a saúde e segurança dos trabalhadores foi fundamental. Também modernizamos e pintamos as salas de velório com diversas cores como o Araçá, e isso agradou muito as famílias dos homenageados, antes era tudo “apagado”.

Por que a engenharia pública é importante para o desenvolvimento das cidades?
Na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente conseguimos trazer aos poucos a discussão da construção sustentável, desde 2012, que visa o baixo custo de manutenção, como a eficiência energética e o uso racional da água. Tudo isso é muito trabalhado e adotado nos órgãos públicos, mas existe um tempo diferente com relação à iniciativa privada por conta da lei das licitações. Tivemos inovações que partiram do setor público, como a iluminação LED que começou a ter uma aceitação maior por conta da iniciativa do poder público nas vias da cidade. Isso trouxe também uma economia considerável no consumo de energia elétrica e fez com que a população acreditasse mais nessa tecnologia.


Tudo está atrelado à questão do custo e benefício. Mas a engenharia é muito importante porque o mundo está globalizado, e a tendência é termos cidades sustentáveis e inteligentes. A engenharia pública está sempre presente nas ações da administração pública.

A engenharia no setor público é devidamente valorizada?
Não. Isso se deve a diversos fatores: as chefias muitas vezes não são do ramo, não são profissionais concursados, então, todo acervo técnico é limitado a uma determinada gestão. Não existe memória do trabalho realizado durante os quatro anos de um mandato. Não se avança como deveria por conta dessa interrupção. Mas temos uma Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia que traz um processo voltado à informática e às mídias sociais que podem tornar os avanços irreversíveis. Precisamos ter a consolidação desse trabalho.


Nesse sentido, vemos o quanto é importante a proposta de criação da carreira de Estado para a engenharia. Projeto que tramita há anos no Congresso Nacional.
Sim. Manteríamos, assim, os técnicos à frente dessas ações, com autonomia para decidir o chamado Ato Discricionário Técnico, e não ficar um projeto ou obra nas mãos de alguém fora da área. Teríamos a independência para atuar em diversos órgãos públicos, em todos os níveis de governo (federal, estadual e municipal). Hoje, quem discute sobre isso quando ocorre um acidente são os Promotores de Justiça, mas quem deveria decidir é o profissional da Engenharia. Tudo em prol da sociedade e da engenharia nacional também.

Qual o legado que você quer deixar às gerações futuras?
Que os engenheiros entendam que a nossa profissão é muito importante para os moradores da periferia. É para eles que trabalhamos, para quem mora em área de risco, de enchentes, de desmoronamento, onde não tem infraestrutura. São eles que mais precisam da nossa engenharia. Deixo essa mensagem: que eles continuem trabalhando para proporcionar melhor qualidade de vida para esses moradores carentes.


A engenharia precisa ser o viés socioambiental: voltado ao meio ambiente e às pessoas que não têm moradia, emprego, saúde, educação e habitação. Que estão marginalizadas. É importante trabalhar com essa perspectiva de que a cidade, o Estado e o País cresçam para melhorar a qualidade de vida de toda a população. A engenharia é pragmática acima de tudo.

Foto: Beatriz Arruda/SEESP
600 Itaim Paulista OportunidadesRegião do Itaim Paulista sofre com falta de infraestrutura e é atingida por enchentes regulares.

O que é a cidade invisível?
É aquela em que os moradores da periferia sofrem e não aparecem como deveriam para o poder público. Isso não é contabilizado em nenhuma estatística formalmente, só querem mostrar as pontes, os viadutos, a Avenida Paulista e outras edificações. A parte que ninguém quer ver é que chamo de cidade invisível. Uma população que só tem “valor” em época de eleição.


Você pode nos contar a história de um prefeito lhe chamar de “barão vermelho”?
Foi quando fazia a interdição de escolas por riscos iminentes de ruptura, principalmente escolas infantis e também muros de arrimo. À época, o prefeito era Jânio Quadros (1986-1989). Ele chegou a montar uma junta técnica para avaliar as minhas decisões. A junta confirmou que elas estavam corretas. Meu chefe perguntou qual o critério que utilizava para esses encaminhamentos de interdição. Respondi que usava dois: o técnico, claro, porque eu tinha trabalhado com cálculo de estruturas, identificava a gravidade do problema na estrutura; e o outro é o humanístico, eu sempre pensava se tinha coragem de deixar minhas filhas estudando naquela escola. Eu não pensava duas vezes: preenchia o termo de interdição e pedia para a diretora esvaziar a escola. Hoje não temos mais essa autonomia.


Uma vez, interditei um muro de arrimo junto à quadra de esportes de uma escola municipal, numa sexta-feira; na segunda-feira fiquei sabendo que o muro ruiu devido a chuvas no domingo. O engenheiro público tem a responsabilidade de tomar uma atitude efetiva, é o ato discricionário técnico, o que não temos mais. Hoje temos de fazer o encaminhamento via chefia, por meio de memorando e ofício para os órgãos competentes para providências.

Nunca tive dúvida qual decisão tomar entre colocar em risco a população e ser questionado depois; prefiro a segunda opção. Durante a minha carreira sempre agi dessa forma, e tudo dentro da boa técnica, legalidade e interesse público.

terça-feira, 26 de março de 2019

Edifício pré-fabricado de 57 andares em 19 dias! Sustentável! Sem entulhos!

Mais Alto Edifício Pré-fabricado do Mundo Construído na China em Apenas 19 Dias

10 Março, 2015.

fonte: https://www.engenhariacivil.com/edificio-pre-fabricado-mais-alto-mundo

Mais Alto Edifício Pré-fabricado do Mundo Construído na China em Apenas 19 Dias
O grupo chinês de engenharia e construção, Broad, que ficou mundialmente conhecido por desenvolver técnicas de execução ultra-rápida de estruturas recorrendo a pré-fabricação, acaba de anunciar a conclusão da construção do edifício pré-fabricado mais alto do mundo. Localizada em Changsha, capital da província de Hunan, a torre residencial de 57 pisos foi construída a um ritmo impressionante de 3 pisos diários.
O novo edifício, batizado de Mini Sky City, em alusão ao projeto Sky City One (um edifício de 200 andares, com 838 m de altura, cuja construção deveria demorar apenas 90 dias) é constituído por 800 apartamentos, com capacidade para 4 mil pessoas e irá albergar os operários da empresa e respetivas famílias. Possui também 19 átrios centrais, cada um com 10 metros de altura.
Uma característica peculiar da geometria interna da torre é aquilo a que a Broad chamou Sky Street, uma rampa contínua que liga os vários pisos. Esta rampa, que tem um comprimento total de 3.6 quilómetros, funciona como uma verdadeira estrada vertical, permitindo o acesso de bicicletas ou pequenos veículos elétricos a qualquer andar do edifício.
Devido à má qualidade do ar na zona de Changsha, o edifício foi equipado com tecnologias avançadas de purificação que permitem a retenção de 99.9% das partículas e a renovação total do volume de ar do edifício cerca de sete vezes por hora.
O sistema de ar condicionado instalado é 80% mais eficiente que o de um edifício convencional.

O processo de execução do novo edifício da Broad pode ser acompanhado no vídeo seguinte.
Reprodutor de vídeo
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Fonte, Vídeo e Imagens (adaptadas): via Broad Group

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Descoberta falha em técnica de tratamento de água

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Descoberta falha em técnica de tratamento de água. 04/06/2018. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=descoberta-falha-tecnica-tratamento-agua. Capturado em 10/02/2019. 



Descoberta falha em técnica de tratamento de água
Pesquisadores da USP já desenvolveram um reator solar para extrair os fenóis da água.[Imagem: USP]



Limpeza que gera mais sujeira
Compostos químicos potencialmente tóxicos presentes na água potável das cidades podem ser criados, ironicamente, durante o próprio processo de tratamento da água.
Para limpar a água de compostos que já sabemos que são tóxicos, as estações de tratamento de água usam métodos para oxidar esses compostos, transformando-os em outras substâncias químicas, supostamente menos nocivas, chamadas de "produtos de transformação".
"Normalmente, consideramos esses produtos de transformação como sendo menos tóxicos, mas nosso estudo mostra que isso nem sempre acontece," explicou Carsten Prasse, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. "Nossos resultados destacam que isso é apenas metade da história e que os produtos de transformação podem ter um papel muito importante quando pensamos na qualidade da água tratada."
Fenóis na água
Prasse optou por estudar os fenóis, uma classe de produtos químicos orgânicos que estão entre os mais comuns no abastecimento de água, uma vez que estão presentes em quase tudo, de corantes a produtos de higiene pessoal, produtos farmacêuticos, pesticidas e produtos químicos que ocorrem naturalmente na água.
O problema é que os fenóis, durante o tratamento da água, são convertidos em produtos que incluem o 2-buteno-1,4-dial, um composto conhecido por seus efeitos negativos sobre as células humanas, incluindo danos ao DNA. Curiosamente, o furano, um composto tóxico presente na fumaça dos cigarros e na exaustão dos carros, também é convertido em 2-buteno-1,4-dial no nosso corpo, e pode ser essa conversão a responsável pela sua toxicidade.
"Os próximos passos serão investigar como esse método pode ser aplicado a amostras mais complexas e estudar outros contaminantes que provavelmente resultarão na formação de produtos transformacionais reativos semelhantes," diz Prasse. "Aqui nós olhamos para os fenóis. Mas nós usamos produtos domésticos que contêm cerca de 80.000 compostos químicos diferentes, e muitos deles vão parar nas águas residuais. Precisamos ser capazes de rastrear vários produtos químicos de uma só vez. Esse é o objetivo maior."
Novas técnicas de tratamento de água
A purificação da água é um processo extraordinariamente desafiador, uma vez que os contaminantes vêm de inúmeras fontes diferentes - bactérias, plantas, agricultura, águas residuais etc - e nem sempre fica claro o que está sendo gerado no processo de retirada de cada contaminante identificado.
Além disso, embora subprodutos de processos de tratamento de água como a cloração venham sendo analisados há anos, não se sabe muito sobre os produtos formados durante alguns dos processos mais modernos, como a oxidação com peróxido de hidrogênio e a luz ultravioleta (UV), que são especialmente relevantes nas tecnologias de reúso da água mais recentes.
Bibliografia:

Unexpected transformation of dissolved phenols to toxic dicarbonyls by hydroxyl radicals and UV light
Carsten Prasse, Breanna Ford, Daniel K. Nomura, David L. Sedlak
Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: 115 (10) 2311-2316
DOI: 10.1073/pnas.1715821115

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Mais manutenção, mais engenharia

Fonte: http://www.seesp.org.br/site/index.php/jornal-do-engenheiro/item/17921-opiniao-mais-manutencao-mais-engenharia

Publicado em JE 523 – Janeiro 2019

http://www.seesp.org.br/site/index.php/jornal-do-engenheiro/itemlist/category/1092-je-523-janeiro-2019

Carlos Eduardo de Lacerda e Silva e Frederico Jun Okabayashi

A ruptura do apoio do tabuleiro do viaduto na Marginal Pinheiros é bastante emblemática no que tange à falta de uma devida avaliação e manutenção das estruturas públicas na cidade de São Paulo. Após o incidente, a população toma conhecimento de que dezenas de outras pontes e estruturas, utilizadas por milhões de pessoas diariamente, encontram-se de alguma forma comprometidas e colocando sob risco os seus usuários, o que demanda urgência do poder público e custos maiores ao cofre municipal.

A responsabilidade pela manutenção municipal, todavia, abrange ainda muitos outros setores, como edificações, pavimentos, equipamentos públicos, redes de drenagem, áreas de risco, monitoramento de árvores. É certo que no período de chuvas, como se repete ano após ano, a cidade enfrentará o caos com alagamentos e queda de árvores, causando grandes transtornos à população, com vítimas, inclusive fatais, e danos materiais de grande monta. Ou seja, se os fatos decorrentes de fenômenos climáticos são devidamente previsíveis do ponto de vista técnico, sobretudo do pleno conhecimento de onde se dão essas ocorrências, não se justifica a ausência de uma política de manutenção que proporcione a devida segurança e qualidade de vida à população.

Tendo em vista acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelos engenheiros da Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), o SEESP sente-se no imperioso papel de alertar as autoridades sobre a necessidade de se investir na engenharia municipal.

Por que não se aplica a necessária prática de uma política de manutenção preventiva e corretiva?

A PMSP, em todas as suas instituições, dispõe de um corpo de engenheiros altamente capacitado, que conhece profundamente a cidade e seus problemas, não obstante aquém do contingente necessário. São servidores profissionais aptos a diagnosticar possíveis riscos, apontando e priorizando os serviços de manutenção preventiva e corretiva onde sejam necessários.

Um adequado programa de manutenção preventiva representará, sem dúvida, uma grande economia de recursos para a municipalidade e bem-estar e segurança para os munícipes.
Uma metrópole como São Paulo, com 12 milhões de habitantes e problemas complexos carentes de solução, demandará sempre mais investimentos em engenharia pública. Infelizmente, temos uma cultura política que busca priorizar os investimentos em obras novas e serviços que dão visibilidade aos seus gestores, relegando para um segundo plano a manutenção e modernização dos equipamentos públicos já existentes, muitos dos quais não visíveis, embora vitais. A necessidade está nos apontando um novo caminho a ser seguido.


Engenheiros Carlos Eduardo de Lacerda e Silva e Frederico Jun Okabayashi, diretores do SEESP e servidores municipais

domingo, 27 de janeiro de 2019

"TSUNAMI DE LAMA" EM BRUMADINHO-MG CAUSADO PELA VALE: O CONFEA E O CREA-MG NÃO VÃO SE MANIFESTAR TECNICAMENTE NA IMPRENSA?

Barragem da Vale se rompe em Brumadinho, MG

Mar de lama avançou sobre área administrativa da empresa e casas na área rural da cidade.


Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/01/25/bombeiros-e-defesa-civil-sao-mobilizados-para-chamada-de-rompimento-de-barragem-em-brumadinho-na-grande-bh.ghtml





·                   Há ao menos 37 mortos, 81 desabrigados e 23 feridos em hospitais, segundo os bombeiros; 192 sobreviventes foram resgatados.
·                   De acordo com a Defesa Civil, 287 pessoas - entre moradores locais e funcionários da Vale - não puderam ser contatadas. No sábado, a Vale divulgou uma lista com mais de 250 nomes de funcionários com os quais não conseguiram contato (veja);
·                   Familiares de desaparecidos buscaram informações no IML de BH. Uma força-tarefa foi formada, mas a identificação dos corpos é difícil;
·                   Dezesseis corpos foram identificados - veja aqui a lista;
·                   Bombeiros divulgaram lista de 183 nomes de pessoas que foram achadas vivas (veja);
·                   A Vale já teve três bloqueios de recursos, de R$ 1 bilhão, R$ 5 bilhões e R$ 5 bilhões (veja) e recebeu multas no total de R$ 350 milhões;
·                   As Polícias Federal e Civil abriram inquéritos sobre o rompimento (veja);
·                   O presidente Jair Bolsonaro, ministros, o governador Romeu Zema e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge sobrevoaram a área e prometeram ações de investigação, punição e prevenção;
·                   A ONU emitiu nota de pesar e ofereceu ajuda nos esforços de busca.
Reunião técnica

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, comandou uma reunião com técnicos
 neste domingo na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília. O encontro tentou 
reunir informações mais precisas sobre quatro pontos:
o     Qualidade da água do rio Paraopeba;
o     Qualidade da água do rio Paraopeba;
o     Previsões de avanço dos rejeitos da mina que rompeu;
o     Estabilidade da barragem 6;
o     Relatório de segurança de barragens de 2017.
o     Canuto classificou a tragédia em Brumadinho como “inacreditável”. 
o     “Realmente muitos desaparecidos, probabilidade de mortes aumentarem substancialmente”, disse.
Ajuda de Israel
Ao serem retomadas, as buscas devem contar com apoio de bombeiros de outros estados,  como do Rio de Janeiro, e também com a ajuda de profissionais israelenses. Um avião  com 130 soldados saiu de Israel em direção ao Brasil às 6h da manhã deste domingo,  no horário de Brasília. O reforço deve chegar por volta das 21h30.
Além dos soldados, Israel enviou ao Brasil sonares do tipo usado em submarinos  para localizar pessoas em grande profundidade com alta qualidade de recepção de  imagem e detectores de vozes e ecos. Cerca de 16 toneladas de equipamentos estão  sendo trazidas.
Segundo a repórter Gioconda Brasil, da TV Globo, o governo israelense enviará  também uma aeronave com equipe médica, especialistas e engenheiros. O apoio foi  oferecido pelo premiê Benjamin Netanyahu e aceito pelo presidente Jair Bolsonaro.

Impacto

O presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, diz que ainda não se sabe o  que causou o rompimento da barragem e que foi uma surpresa, porque as indicações  eram de que estava “tudo em ordem”.
A Vale afirma que a lama vazada não é tóxica. Especialistas dizem, porém, que há danos ambientais graves, como a contaminação do solo e da água por minério fino,  que fica na sobra dos rejeitos. Veja mais informações de especialistas.
A comunidade local já tinha alertado os órgãos ambientais do estado para o risco da  continuidade das operações na mina do Córrego do Feijão, que já estava esgotada.

Estima-se que a lama percorra 200 km de área e chegue ao rio São Francisco. Ela  está descendo a Serra dos Dois Irmãos, que é rica em Mata Atlântica, deve cair no rio  Paraopeba, que abastece um terço da região metropolitana de Belo Horizonte.





    Celeste Silveira

    Produtora Cultural, Pesquisadora, Revisora de textos, Parecerista de projetos culturais.

    "TSUNAMI DE LAMA"

    Publicado em 26 de jan de 2019

    O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) lamentam o rompimento de barragem da Mina do Feijão, ocorrido nesta sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
    Nesse momento, o Sistema Confea/Crea se solidariza com aqueles que sofrem com a perda ou a incerteza sobre a situação de amigos e familiares. Os Conselhos de Engenharia e Agronomia desejam assertividade e resiliência a todos os que estão envolvidos nos trabalhos de resgate e atendimento às vitimas, assim como na busca de sobreviventes e contenção de danos.
    O Confea e o Crea-MG colocam-se à disposição da sociedade brasileira para apurar as responsabilidades pela tragédia e para auxiliar os órgãos competentes na avaliação sobre o acontecimento, fornecendo os dados que detêm sobre o empreendimento.
    Os Conselhos reforçam a necessidade de discutir alternativas e protocolos técnicos capazes de minimizar riscos sociais e ambientais, assim como as políticas de licenciamento ambiental e de segurança de barragens. Para o Sistema Confea/Crea é imperativo trabalhar com demais órgãos técnicos na busca de soluções definitivas para que desastres como esse jamais voltem acontecer em nosso país.

    Crea-Minas disponibiliza modelo e reforça cobrança do registro da memória técnica de obras e serviços

    A partir da próxima terça-feira (22), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-Minas) vai inserir um novo campo na Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para que o profissional registrado declare conhecimento da obrigatoriedade do Livro de Ordem, documento que registra todas as atividades relacionadas à obra ou serviço. A presença do documento servirá como suporte para fiscalização do Crea-Minas.
    O gerente de Atendimento, Registro e Acervo do Crea-Minas, engenheiro civil Luis Carlos Pimenta, explica que a exigência do registro será mais uma segurança para o profissional e para a sociedade. “O Livro de Ordem é muito importante porque nele se registrará o dia a dia do empreendimento. Ele vai demonstrar se o responsável técnico realmente atuou naquele empreendimento, se colocou toda a sua técnica no desenrolar de cada atividade, podendo servir de ferramenta de consulta ou comprovação futura”, detalha Luis Pimenta.
    O Livro, que foi instituído pela Resolução n° 1.024, de 2009, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea),  é a memória escrita de todas as atividades relacionadas à obra ou serviço, e deverá conter o registro de todas as ocorrências relevantes do empreendimento onde houver a participação de profissionais das áreas abrangidas pelo Sistema Confea/Crea. O documento vai propiciar um melhor acompanhamento e controle da participação efetiva dos profissionais nas obras e serviços pelos quais são responsáveis técnicos. A ausência do documento impedirá que o profissional emita a Certidão de Acervo Técnico (CAT) do serviço prestado.
     O profissional pode acessar o modelo no site do Conselho – www.crea-mg.org.br. Os registros já existentes, como Boletim Diário, Livro de Ocorrências, Diário ou Caderneta de Obras, em uso pelas empresas e profissionais podem ser admitidos como Livro de Ordem, desde que atendam a exigência da Resolução 1094/2017, do Confea.
    A obrigatoriedade da adoção do Livro de Ordem atende a uma orientação da Controladoria Geral da União (CGU), que considera o documento instrumento auxiliar de fiscalização. Para a sociedade, principalmente em situações de acidentes, o registro será de grande valia para buscar indícios e meios de esclarecimento de suas causas.

    Perguntas e respostas
    1. O que é o Livro de Ordem?
    O Livro de Ordem de Obras e Serviços é a memória escrita de todas as atividades dos responsáveis técnicos relacionadas à obra ou serviço. Nele devem ser registradas todas as ocorrências relevantes do empreendimento, tanto técnicas quanto administrativas, que envolvam a participação de profissionais de engenharia, Agronomia e geociências.

    2. Quem é responsável pelo registro das ocorrências no Livro de Ordem?
    O registro das ocorrências é de responsabilidade do responsável técnico e demais profissionais intervenientes na obra ou serviço.

    3. Justificativa para a implantação do Livro de Ordem?
    A Resolução 1.094/ 2017, do Confea, dispõe sobre a obrigatoriedade de adoção do Livro de Ordem de obras e serviços de Engenharia e Agronomia. A norma foi elaborada porque a crescente complexidade dos empreendimentos impõe a adoção de novos mecanismos que propiciem eficiente acompanhamento e controle da participação efetiva dos profissionais nas obras e serviços pelos quais são responsáveis técnicos.
    O Livro de Ordem propiciará às partes envolvidas – contratantes, contratados e profissionais – formas mais eficientes de manter um controle sobre o empreendimento. Para a sociedade, o documento auxilia na identificação de falhas e maior transparência no uso dos recursos públicos.

    4. O que é registrado no livro de ordem?
    Serão, obrigatoriamente, registrados no Livro de Ordem:
    Dados do empreendimento, de seu proprietário, do responsável técnico e da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica;
    As datas de início e de previsão da conclusão da obra ou serviço;
    As datas de início e de conclusão de cada etapa programada;
    Posição física do empreendimento no dia de cada visita técnica;
    Orientação de execução, mediante a determinação de providências relevantes para o cumprimento dos projetos e especificações;
    Nomes de empreiteiras ou subempreiteiras, caracterizando as atividades e seus encargos, com as datas de início e conclusão, e números das ARTs respectivas;
    Acidentes e danos materiais ocorridos durante os trabalhos;
    Os períodos de interrupção dos trabalhos e seus motivos, quer de caráter financeiro ou meteorológico, quer por falhas em serviços de terceiros não sujeitas à ingerência do responsável técnico;

    Outros fatos e observações que, a juízo ou conveniência do responsável técnico pelo empreendimento, devam ser registrados.
    Todos os relatos serão datados e assinados pelo responsável técnico pela obra ou serviço.

    5. Qual o modelo de livro de ordem devo utilizar?
    O Crea-Minas disponibiliza um modelo que contempla as informações definidas na Resolução 1094/2017, do Confea. Baixe aqui o modelo.

    6. Já faço a memória técnica, mas em outra ferramenta. Como devo proceder?
    Os registros porventura já existentes, tais como Boletim Diário, Livro de Ocorrências Diárias, Diário de Obras, Cadernetas de Obras etc., em uso pelas empresas privadas, órgãos públicos ou autônomos, poderão ser admitidos como Livro de Ordem, desde que atendam às exigências da Resolução 1094/2017, do Confea.

    Clique e baixe o modelo do Livro de Ordem.

    A criação de um Grupo de Trabalho para acompanhar os desdobramentos do rompimento da barragem da Mina do Feijão, ocorrido nesta sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, será proposta ao Plenário do Crea-MG na próxima reunião, a ser realizada em 7 de fevereiro. 
     
    Esse foi um dos indicativos da reunião realizada na manhã de 28 de janeiro, na Sede do Crea-MG, com a participação do presidente, engenheiro civil Lucio Borges, diretores, coordenadores das Câmaras Especializadas, Câmara de Mediação e Arbitragem (CMA/Crea-MG), representantes de entidades e profissionais, além de gestores e assessores do Conselho.
     
    O presidente do Crea-MG destaca que o trabalho do Crea na fiscalização da barragem, em Brumadinho, foi feito e que o Conselho ainda tem a contribuir. "Fizemos o nosso papel de fiscalizar o exercício profissional, mas vamos atuar para além, contribuindo com a nossa técnica no que for preciso para a defesa da sociedade", enfatiza.
     
    Propostas de Engenharia - A composição e operacionalização do GT, segundo o coordenador da Câmara Especializa de Geologia e Engenharia de Minas, João Hilário, vai permitir sistematizar as informações e ampliar as discussões sobre o aprimoramento da segurança na atividade de mineração. João Hilário destacou que o Conselho já tem tido uma participação ativa nas discussões sobre legislação da área e que o GT poderia envolver ainda mais os conselheiros.
     
    O conselheiro João Paulo Sarmento propôs que o GT trabalhe no sentido de elaborar propostas da engenharia para aprimorar a segurança na atividade de mineração. Ele defende que o Crea-MG trabalhe, inicialmente, com a lista das barragens cuja estabilidade não está garantida, para entender a situação atual (os dados são de 2017) e as ações tomadas pelos empreendedores. “Precisamos saber a situação concreta, qual o motivo de não ter a estabilidade atestada, se os rejeitos são tóxicos ou não”, indica João Paulo.

    Só? 
    E as ARTs? 
    Precisam FISCALIZAR com rigor TODAS as barragens que ainda não romperam! 
    Pela Transparência e Eficiência!
    Mariana nunca mais!
    Brumadinho nunca mais!
    E?

    Gestão de barragens deve garantir segurança para a sociedade


    Feam realiza I Seminário Internacional de Tecnologia e Gestão de Barragens

    Segundo dados da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), em 2016, Minas Gerais tinha 738 estruturas de barragens, sendo que 439 são de mineração e 96 de tipologia industrial, reforçando o peso da mineração na economia de Minas Gerais. “A mineração é um dos pilares da nossa economia e propiciar um ambiente seguro, aliado à introdução de novas tecnologias, é o mínimo que se possa fazer para a realização dessa atividade”, enfatizou o superintendente de Relações Institucionais do Crea-Minas, engenheiro civil Marcos Gervásio na abertura do I Seminário Internacional de Tecnologia e Gestão de Barragens.
    O evento, promovido pelo Governo de Minas, por meio da Feam, foi realizado na sede do Crea-Minas nos dias 24 e 25 de janeiro de 2018 e reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros, representantes de órgãos fiscalizadores e do setor acadêmico, para discutir avanços e desafios no setor de barragens. 


    O engenheiro de minas José Fernando Coura, presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), reforçou que a preocupação central é a segurança da população e que debates e discussões sobre a gestão de barragens são necessárias para o bom exercício da engenharia. Ricardo Machado Ruiz, vice-presidente da Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi), compartilha dessa opinião e destacou que é preciso monitorar os desdobramentos das discussões realizadas. Nesse sentido, o embaixador do Reino dos Países Baixos Hans Peter adiantou aos participantes que foram convidadas 10 empresas holandesas para compartilhar experiências no monitoramento, modelagem e processamento de dados, avaliação de riscos e tomada de decisão, entre outros temas. “A Holanda tem grande experiência, já que metade do país fica abaixo do nível do mar, diques e barragens estão em nosso DNA˜, afirmou. 
    

O modelo de governança da Holanda em gestão de barragens e as tecnologias que subsidiam as tomadas de decisão foram fundamentais para a escolha do país para a troca de experiências durante o Seminário segundo Germano Luiz Gomes Vieira, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais. “Embora não seja da área de engenharia, destaco dois aspectos da tecnologia holandesa que considerei muito interessantes para a gestão de barragens. Um deles é a forma de monitoramento em que as empresas são responsáveis por compartilhar dados pari passu das barragens, em linguagem que permita o governo e toda população acompanhar o que ocorre. O segundo é minimizar a presença de água na composição do rejeito e o seu reuso no processo produtivo˜, citou o secretário.
    
Gestão de Riscos
    
O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UNB) André Pacheco de Assis acredita que o desastre de Mariana trouxe a oportunidade de refletir sobre os processos de gestão de barragens. “Houve acidentes maiores, mas o fato de ser uma empresa como a Samarco, reconhecida no mercado pela sua qualidade técnica, fez com que a indústria de minas mundial se mobilizasse para redefinir parâmetros na gestão de risco de barragens˜, explicou o professor. André Assis defende que haja uma gestão de risco em que se trabalhe com resultados probabilísticos e não determinísticos como é atualmente. Ele argumenta, ainda, que o risco de engenharia precisa ser monetizado para que as contratações de projetos e obras sejam mais seguras para a sociedade. “Uma vez que o risco é monetizado, ele entra para o orçamento da empresa e também facilita a tomada de decisão”, avalia.
    Órgãos de Fiscalização
    O primeiro painel tratou dos avanços e desafios na gestão de barragens na visão dos órgãos de fiscalização. Os palestrantes exprimiram os esforços de suas instituições para aperfeiçoar a gestão de barragens, principalmente após o rompimento da barragem em Mariana.
    O diretor de Gestão de Resíduos da Feam, o engenheiro químico Renato Brandão explicou a classificação de danos das estruturas utilizada pela Fundação para a estipulação de regras e auditorias e o superintendente estadual do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Pablo César de Souza, focou nos processos desenvolvidos pelo DNPM para uma inspeção confiável, destacando a atualização dos dados de todas as barragens brasileiras.
    Por sua vez, o engenheiro de Minas José Luiz  Amarante, diretor de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia, reforçou a importância das ações dos órgãos de fiscalização, enfatizando a escassez de recursos e ao impacto ambiental promovidos pela mineração, destacando a abundância de resíduos acumulados e o crescente consumo de minérios no Brasil.


    Tecnologias



    O segundo painel discutiu os avanços e desafios na implementação de tecnologias para gestão de barragens. A gerente de Gestão de Riscos Geotécnicos da Vale, Marilene Lopes, expôs o método de trabalho da Vale com a utilização de um sistema integrado de tecnologia e gestão de barragens, enfatizando a necessidade de se aliar o conhecimento técnico, a execução dos processos, a tecnologia e a governança.



    O engenheiro civil Leonardo Pereira Padula, gerente de Barragens da Kinross, apresentou experiências da empresa na gestão de barragens e disposição de rejeitos, apontando como desafios o aperfeiçoamento do sistema de monitoramento e a utilização de drenagens temporárias nas barragens, além da constante realização de treinamentos profissionais. Fechando o painel, a geóloga Silvana Brandão Fontes Cembranelli, da Mosaic Fertilizantes, abordou a experiência na aplicação de microssísmica e geofísica na avaliação de segurança de barragens de contenção de rejeitos.



    Experiência holandesa 
 
    
O segundo dia do Seminário foi dedicado à experiência da Holanda em tecnologia para a gestão de barragens. As empresas Deltares, Van Essen e Eijkelkamp abordaram o monitoramento, modelagem e processamento de dados, destacando o processo de monitoramento dos diques através da coleta de dados online, prevenção de riscos e o trabalho com sondagens e amostragens de rejeitos e água subterrânea.


    A avaliação de riscos, tomada de decisão, disposição de rejeitos, dragagem e desaguamento foram outros pontos discutidos pela Witteveen & Bos, Arcadis e Intech. Os representantes das empresas foram unânimes em afirmar que, para garantir adequada segurança na construção de uma barragem, é indispensável ter um projeto de engenharia adequado, desenvolver novas tecnologias, além de realizar inspeções e avaliações periódicas transparentes. 
    
Experiências relativas a disposição de rejeitos, dragagem e desaguamento foram compartilhadas pela Damen, De Boer e Hencon. Na dragagem, que consiste na remoção de materiais, sedimentos e rochas do fundo de rios e lagos, os especialistas apontam que os desafios são reduzir potencialmente os impactos ambientais, diminuir custos operacionais e recuperar bem os rejeitos.

    Confira as fotos do evento!




    #AGIRPORBRUMADINHO

    Mais uma vez, a Vale se preocupou mais com o lucro do que com a vida.
    Vamos transformar nossa indignação em ação.
    Conheça abaixo formas de agir por Brumadinho, agora.