quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Como identificar os falsos produtos sustentáveis

Como identificar os falsos produtos sustentáveis



Nem sempre a consciência ambiental e as práticas sustentáveis mostradas nos rótulos dos produtos são verdadeiras. Veja os 6 pecados da armadilha chamada de Greenwashing

Lygia Haydée, de 
Divulgação
Cartaz sobre campanha Greenwashing
Cartaz sobre campanha Greenwashing: é preciso cuidado com as armadilhas dos falsos produtos ecosustentáveis
São Paulo – Diante da crescente preocupação com a interferência do homem no meio ambiente, o mercado ecosustentável, em todas as suas formas, vem atraindo a atenção dos consumidores. O problema é que o crescimento não vem sendo aproveitado da maneira necessariamente devida por todas as empresas. Essa prática é conhecida como greenwashing.
O termo inglês se refere a falsos benefícios ambientais oferecidos por empresas de produtos ou serviços, uma espécie de máscara colocada nos rótulos para induzir a compra de forma enganosa. Como não cair neste erro? 
Foi pensando nisso que a TerraChoice criou um relatório dos pecados cometidos quando o assunto é greenwashing (veja lista abaixo), que funciona desde 2007 como um manual para se prevenir dessas práticas.
“Como o consumidor ficou muito sensibilizado com as questões ambientais e éticas, a forma como uma empresa gerencia seus impactos tornou-se um dos pontos que trazem reputação para a marca no mercado”, ressalta Natalia Pasishnyk, consultora sênior da Keyassociados.
Característricas genéricas como "verde", "natural", "sem produtos agrotóxicos” também podem ser utilizadas de maneira imprecisa.
“O falso sustentável pode ser reconhecido pela ausência de informações críveis no rótulo do produto, tais como ausência de selos de certificação de origem orgânica, comércio justo ou outra forma de rastrear a cadeia produtiva daquele bem", esclarece Clarissa Lins, sócio-fundadora da Catavento Consultoria em Gestão e Negócios em Sustentabilidade.
Outra forma de tentar enganar o consumidor é financiar ONGs com atividades ambientais para esconder que a marca promove impactos pesados, como desmatamento e poluição. Desta forma, as atenções se voltam para a boa prática, deixando as políticas incorretas em segundo plano. Em todos os casos, o marketing é a maneira mais fácil de induzir o consumidor ao erro.  
Veja abaixo as regras para não cair nas mentiras do mercado.
1. O custo ambiental camuflado
Ocorre quando a empresa até resolve um problema ambiental, mas a sua ação acaba acarretando outro problema, sendo necessária uma escolha do consumidor. Ou, mais grave, a marca prefere abordar uma questão ambiental em detrimento de outras muito mais sérias. “Por exemplo, uma indústria intensiva em poluição do ar fala que usa papel reciclado nos seus escritórios, mas evita falar dos principais impactos causados por sua atividade”, explica Natalia, da Keyassociados.
2. A falta de prova
De que adianta a empresa trazer afirmações ambientais que não têm respaldo de provas ou certificações? Em alguns casos, a empresa até reconhece seus principais impactos, porém de forma que não permite que o consumidor entenda o contexto e a escala do problema. “Aqui a marca informa que reduziu as emissões de gases de efeito estufa em 10 mil toneladas sem dizer o que isso representa de fato”, afirma Natalia.
3. Incerteza
Muitas empresas usam essa estratégia. É bastante fácil colocar uma palavra que remeta a algo ecosustentável. Mas se o termo não fizer sentido, de nada adianta usá-lo. Por exemplo, empregar a palavra “natural” pode se referir até ao urânio e ao mercúrio, que também são naturais, apesar de danosos. “Normalmente, esse pecado aparece para distrair a atenção do consumidor, usando algumas palavras genéricas que fazem sentido apenas em certos setores, como um "verde" vago”, diz Natalia. É preciso ter uma explicação junto com o termo usado.
4. Culto a falsos rótulos
Esse é um dos pecados mais usados pelos marketeiros. A marca cria uma falsa imagem dando a entender que aquele produto tem certificação como produto verde. Cuidado para não confundir um selo de certificação do programa ambiental da própria empresa com os que são feitos por entidades reconhecidas no mercado.
5. Irrelevância
Quando ler algo nos rótulos sobre um problema ambiental, sempre questione se a afirmação é realmente substancial. Não adianta alegar que um produto é isento de CFC quando isso já é proibido por lei, por exemplo.
6. O menor de dois males
Este pecado está divido em dois pontos: o pecado do “Menos Pior” aparece quando um produto de uma categoria que não tem benefícios ambientais se classifica como verde, caso dos cigarros orgânicos; já o pecado da mentira ocorre nos casos em que a empresa faz alegações ambientais falsas. “Geralmente os resultados informados não são verificáveis, ou seja, nenhuma terceira parte os classificou como válidos”, ressalta a consultora sênior da Keyassociados.

Lições australianas

Lições australianas


05 de janeiro de 2014 | 2h 02

Jairo Bouer - O Estado de S.Paulo
Quando você compra um maço de cigarros no Brasil você se incomoda com as imagens que trazem informações sobre os riscos que fumar pode trazer para sua saúde? Já pensou se o maço todo fosse uma advertência sobre os perigos do tabagismo, tivesse uma cor pouco atraente, marca discretamente exposta e sem logotipo? A embalagem toda como uma espécie de campanha contra aquilo que você está adquirindo? Além disso, ela estaria escondida nos pontos de venda, longe do alcance dos olhos, e um pacote custaria algo como R$ 40.
Essas medidas completaram um ano em dezembro na Austrália e fazem parte de um plano do governo para reduzir o número de fumantes e os efeitos nocivos do cigarro. Os impostos sobre o valor do cigarro aumentaram 25%, legislação foi criada para impedir anúncios na internet e dinheiro foi investido em campanhas contra o cigarro - boa parte desse valor foi dirigido para alertar grupos mais vulneráveis, mais difíceis de serem alcançados pelas campanhas tradicionais.
As pesquisas indicam que o novo empacotamento aumentou a percepção e a lembrança da população sobre as mensagens de risco, reduziu os riscos de o consumidor acreditar que um produto é menos perigoso do que outro e diminuiu a atração que os maços de cigarro podem ter sobre adultos, jovens e crianças.
Andando pelas ruas de Sydney há uma semana, noto, de fato, um número muito menor de fumantes do que em grandes cidades da Europa ou do Brasil, mesmo em áreas abertas, onde o fumo é permitido. As leis antitabagistas variam de uma região para outra no país. Em Queensland (no leste), onde estão a cidade de Brisbane e as praias famosas da "Golden Coast", não se pode fumar em espaços públicos abertos e a exposição do cigarro nos pontos de venda é ainda mais restritiva.
Muitos australianos que viajam para essa parte do país chegam a levar acessórios de reposição de nicotina (adesivos, cigarro) para segurar a vontade de fumar em praias e ruas. Os especialistas acreditam que essas dificuldades levam cada vez mais fumantes a buscar ajuda para parar de fumar ou, ainda, são um desestímulo à experimentação.
No Brasil, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda implementar um modelo de embalagem semelhante ao australiano. Quando o atual modelo de imagens de advertência foi autorizado no País, em 2002, a iniciativa ainda era relativa novidade no mundo e foi bastante elogiada pelos especialistas e autoridades. A medida, junto com o maior esclarecimento sobre os riscos de fumar, além das leis que vetaram a publicidade de cigarro e o fumo em locais fechados, entre outras, foram responsáveis por diminuir drasticamente o número de fumantes nas duas últimas décadas.
A Nova Zelândia também avalia introduzir embalagens semelhantes e, no Reino Unido, os novos maços podem ser implementados em 2015. Em julho, a União Europeia esboçou considerações sobre o tema e sugeriu proibir as embalagens com menos de 20 cigarros, que podem facilitar o consumo dos jovens.
Para terminar, uma outra lição dessa parte do mundo. Na semana em que o governador Sergio Cabral, do Rio, sancionou a lei que proíbe o consumo de bebida no interior de transporte público em todo o Estado, por aqui o álcool é proibido em boa parte das áreas públicas, como parques, praias e ruas. Em teoria, as pessoas não podem beber nesses espaços, devendo consumir as bebidas alcoólicas em bares, baladas, restaurantes ou em suas casas. Alguns países europeus adotam posição semelhante. A medida parece ser interessante, embora esteja longe de resolver as complexas dinâmicas que envolvem o abuso do álcool. Muito ainda há para se pensar e fazer no Brasil em relação às duas substâncias que mais causam impactos para a saúde pública do País.
*Jairo Bouer é psiquiatra. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Confluence: Bairro francês é modelo de sustentabilidade e qualidade de vida.

Bairro francês é modelo de sustentabilidade e qualidade de vidahttp://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2014/01/05/interna_ciencia_saude,406325/bairro-frances-e-modelo-de-sustentabilidade-e-qualidade-de-vida.shtmlAcesso fácil ao transporte público, ciclovias, fontes de energia limpa e áreas residenciais voltadas para todas as camadas sociais fazem do distrito de Le Confluence, em Lyon, um bairro ecológico modelo

Publicação: 05/01/2014 08:00 Atualização:

O bairro sustentável fica em uma península cercada pelos rios Rhône e Saône: 25% das moradias do distrito sustentável são destinadas à habitação social (Metrhispanic/Reprodução - 27/12/13)
O bairro sustentável fica em uma península cercada pelos rios Rhône e Saône: 25% das moradias do distrito sustentável são destinadas à habitação social
Lyon — A península era um pântano que foi aterrado e se transformou num bairro industrial que caiu em decadência e que está se transformando num modelo de bairro ecológico, sustentável e misturado — escritórios, comércio, turismo, cultura, lazer, gastronomia e moradias. Misturado mesmo, porque, embora seja uma região que está atraindo moradores em busca de mais qualidade de vida com responsabilidade ambiental, 25% das residências são destinadas à habitação social. Trata-se do distrito de Le Confluence, em Lyon, segunda maior cidade da França em área urbana.


Confrontado com o fracassado exemplo de Brasília, cujo plano original de Lucio Costa previa a mistura de ricos, remediados e pobres nas superquadras do Plano Piloto, o diretor de Comunicação da SPL Lyon Confluence, Benoít Bardet, respondeu em estilo francês. Mas antes repetiu com uma interjeição: “Oui, Costá!”, identificando o brasileiro que, nos anos 1950, projetou a capital do Brasil. Em seguinte, marcou posição: Na França, não há possibilidade de um plano do gênero não dar certo. “O Estado é jacobino. É forte e poderoso e se impõe à eternidade.” As habitações populares funcionam em regime de aluguel social, instrumento previsto por lei e garantido pelo Estado.




Desde o início da recuperação e da transformação do antigo distrito industrial decadente, ficou decidido que o Le Confluence teria de ser habitado também pelas populações de menor poder aquisitivo. A proporção média de habitação social já atingiu os 25% das unidades habitáveis.



Reconhecido como bairro ecológico exemplar pela organização ambiental WWF, o Confluence é uma área de 150 hectares (1,5 mil quilômetros quadrados, pouco mais de um terço do Plano Piloto de Brasília) que se forma na confluência dos rios Rhône e Saône até que eles se encontram na extremidade sul da península em forma de folha. Até os anos 1770, Lyon terminava antes da península, porção de terra que estava submersa.

2014

Como Isaac Asimov previu que seria 2014, 50 anos atrás



Postado em 01 Jan 2014
asimov

Em 1964, durante a Feira Mundial de Nova York, o New York Times convidou o escritor de ficção científica e professor de bioquímica Isaac Asimov a fazer previsões de como seria o mundo 50 anos depois, ou seja, este ano. Asimov escreveu mais de 500 trabalhos, entre romances, contos, teses e artigos e sempre se caracterizou por fazer projeções acuradas sobre o futuro. As previsões do escritor, que morreu em 1991, são surpreendentes.
O artigo do Times e a acurácia das previsões foram temas de um texto do site Open Culture.

Cozinha

Asimov prevê que os equipamentos de culinária pouparão a humanidade de fazer trabalhos tediosos. “As cozinhas estão equipadas para fazer “auto-refeições”. “Almoços e jantares serão feitos com comidas semi-preparadas, que poderão ser conservadas em freezer. Em 2014, as cozinhas terão equipamentos capazes de preparar uma refeição individual em alguns poucos segundos”.  Só faltou mesmo ele usar a palavra “microondas”.

Computadores

O escritor previu um mundo repleto de computadores capazes de fazer as mais complexas tarefas. “Em 2014,  haverá mini computadores instalados em robôs”, escreve ele, no que parece ser uma alusão aos chips. E garantiu que será possível fazer traduções com uma dessas máquinas, como se previsse a existência do Google Translator.

Comunicação

As ligações telefônicas terão imagem e voz, garantiu Asimov em seu texto. “As telas serão usadas não apenas para ver pessoas, mas também para estudar documentos e fotos e ler livros”. E prevê que satélites em órbita tornarão possível fazer conexões telefônicas para qualquer lugar da Terra e até mesmo “saber o clima na Antártica”. Mas em Terra haverá outras soluções. “A conexão terá que ser feita em tubos de plástico, para evitar a interferência atmosférica”, escreve ele, como se já conhecesse a fibra ótica.

Cinema

Asimov previu que em 2014 o cinema seria apresentando em 3-D, mas garantiu que algumas coisas nunca mudariam: “Continuarão a existir filas de três horas para ver o filme”.

Energia

Ele previu que já existiriam algumas usinas experimentais produzindo energia com a fusão nuclear. Errou. Mas acertou quando vaticinou a existência de baterias recarregáveis para alimentar muitos aparelhos elétricos de nossa vida cotidiana. Mais ainda: “Uma vez usadas, as baterias só poderão ser recolhidas por agentes autorizados pelos fabricantes” — o que deveria acontecer, mas nem sempre acontece.

Veículos

Asimov erra feio nas suas previsões relacionadas ao transporte.
Ele acreditou que carros e caminhões pudessem circular sem encostar no chão ou água, deslizando a uma altura de “um ou dois metros”. E que não haveria mais necessidade de construir pontes, “já que os carros seriam capazes de circular sobre as águas, mas serão desencorajados a fazer isso pelas autoridades”.

Marte

Para o escritor, em 2014 o homem já terá chegado a Marte com espaçonaves não tripuladas, embora “já estivesse sendo planejada uma expedição com pessoas e até a formação de uma colônia marciana”. O que nos faz lembrar da proposta pública de uma viagem a Marte só de ida, feita recentemente, para formar a primeira colônia no planeta.

Televisão

Asimov cita a provável existência de “televisões de parede”, como se pudesse prever as telas planas, mas acredita que os aparelhos serão substituídos por cubos capazes de fazer transmissões em 3-D, visíveis de qualquer ângulo.

População

O escritor previu que a população mundial seria de 6,5 bilhões em 2014 (já passou dos 7 bilhões) e que áreas desérticas e geladas seriam ocupadas por cidades — o que não é exatamente errado. Mas preconizou, também, a má divisão de renda: “Uma grande parte da humanidade não terá acesso à tecnologia existente e, embora melhor do que hoje, estará muito defasada em relação às populações mais privilegiados do mundo. Nesse sentido, andaremos para trás”, escreve ele.

Comida

“Em 2014 será comum a ‘carne falsa’, feita com vegetais, e que não será exatamente ruim, mas haverá muita resistência a essa inovação”, escreve Asimov, referindo-se provavelmente aos hambúrgueres de soja.

Expectativa de vida

O escritor preconizou problemas devido à super população do planeta, atribuindo-a aos avanços da medicina: “O uso de aparelhos capazes de substituir o coração e outros órgãos vai elevar a expectativa de vida, em algumas partes do planeta, a 85 anos de idade”. A média mundial subiu de 52 anos em 1964 para 70 anos em 2012. Em alguns países, como Japão, Suíça e Austrália, já está em 82 anos.

Escola

“As escolas do futuro”, escreve Asimov, “apresentarão aulas em circuitos fechados de TV e todos os alunos aprenderão os fundamentos da tecnologia dos computadores”.  O que ele não previu foi a possibilidade de os alunos ensinarem os professores quando se trata de uso de computadores — como, aliás, ocorre em algumas escolas públicas brasileiras.

Trabalho

Asimov previu uma população entediada, como sinal de uma doença que “se alastra a cada ano, aumentando de intensidade, o que terá consequência mentais, emocionais e sociais”. Depressão?  “Ouso dizer”, prossegue ele, “que a psiquiatria será a especialidade médica mais importante em 2014. Aqueles poucos que puderem se envolver em trabalhos mais criativos formarão a elite da humanidade”.

Site que permite criar petição gratuita foi destaque


Site que permite criar petição gratuita foi destaque


Publicado por Consultor Jurídico - 2 dias atrás
15
Entrar na Justiça de forma rápida, sem advogado, de graça e ganhar até R$ 13,5 mil. É isso que oferece o site Processe Aqui, que permite ao consumidor criar sua petição em apenas quatro passos. Com isso, diz o site, a pessoa pode, sozinha, ingressar nos juizados especiais com pedidos de indenização de até 20 salários mínimos limite estabelecido pela Lei 9.099/1995 para ingressar com ação sem assistência de advogado. Para os criadores do Processe Aqui, dar a oportunidade de o cidadão brasileiro criar uma petição na hora e de graça significa democratizar a Justiça e contribuir para uma melhor qualidade dos serviços e produtos do país. Porém, as entidades de advocacia não concordam com essa visão romântica do negócio. Cliqueaqui para ler a notícia.

Notícias

PROCESSE AQUI

Site permite que consumidores criem petições gratuitas






Entrar na Justiça de forma rápida, sem advogado, de graça e ganhar até R$ 13,5 mil. É isso que oferece o site Processe Aqui, que permite ao consumidor criar sua petição em apenas quatro passos. Com isso, diz o site, a pessoa pode, sozinha, ingressar nos juizados especiais com pedidos de indenização de até 20 salários mínimos — limite estabelecido pela Lei 9.099/95 para ingressar com ação sem assistência de advogado.
Processe aqui [Divulgação/Facebook]
Para os criadores do Processe Aqui, dar a oportunidade de o cidadão brasileiro criar uma petição na hora e de graça significa democratizar a justiça e contribuir para uma melhor qualidade dos serviços e produtos do nosso país. Porém, as entidades de advocacia não concordam com esta visão romântica do negócio.
Para a seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, trata-se de estímulo do exercício indevido da profissão e mercantilização da advocacia. De acordo com o procurador geral da OAB-RJ, Luiz Gustavo Bichara, a entidade ingressará com ações contra este e todos os sites que oferecem serviços semelhantes — como já vem fazendo. 
“A orientação do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, é que a procuradoria seja implacável com essas empresas que desvirtuam a profissão da advocacia e terminam por iludir os potenciais clientes. Elas claramente mercantilizam a profissão, quando não incidem no exercício ilegal da advocacia, porque muitas delas nem advogado têm. Têm funcionários atuando como advogados”, afirmou Bichara, informando que entrará com uma ação assim que terminar o recesso do Judiciário.
Serviço diferenciado
No caso do Processe Aqui, realmente não há advogados trabalhando nas petições — é tudo automático —, assim como não há qualquer tipo de cobrança. O serviço é gratuito. Para um dos sócios do site, o advogado Geovani dos Santos, essas são duas características que diferem o Processe Aqui dos demais serviços já oferecidos. No caso, além de não ter advogado, a petição é gerada sem intervenção de qualquer pessoa. “É inteligência artifical, um sistema que usa os dados fornecidos pelo cidadão para gerar as petições”, explica. De acordo com ele, o site pretende ser rentável com as publicidades, apesar de ainda não ter nenhuma.

O domínio do site está registrado em nome do escritório de advocacia de Geovani, apesar disso, ele garante que o site não tem nenhuma conexão com seus serviços, somente o registro. “Recebemos, por exemplo, um e-mail informando que o consumidor havia sido lesado em R$ 30 mil. Respondemos informando que ele deveria procurar um advogado de sua confiança. Quem trata disso não é o escritório. Pode vasculhar minha OAB, do escritório inteiro, tem pouquíssimos casos de juizado especial.  Minha área é mais de empresas, [Direito] Previdenciário, Militar, de Família... Juizado foi feito para cidadão, não foi feito para advogado” afirma.
Geovani dos Santos conta que o serviço oferecido por seu site não difere muito do atendimento prestado nos juizados especiais. “Se você chegar no balcão e contar seu problema, o atendente vai preencher um formulário e te dar o papelzinho para marcar audiência. Se entrar no site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tem modelos de peças”, explica.
No site do TJ-RJ, por exemplo, é possível imprimir um formulário de reclamação do consumidor específico para aeroportos. Nele o consumidor preenche os campos obrigatórios como dados pessoais, empresa que causou o dano, problemas encontrados e o valor a ser pedido. O campo de fundamento jurídico é opcional.
Para a advogada de relações de consumo Fabíola Meira, do Braga Nascimento e Zilio, porém, o serviço oferecido pelo site não possui semelhança com o ofertado nos juizados especiais. "Não basta o consumidor incluir estas informações na petição, pois ele não tem conhecimentos do que pode ser pedido ou não, ou seja, se tem realmente direitos ou não. Diferentemente de quando ele se dirige ao Juizado Especial em demandas de até 20 salários mínimos, onde um funcionário já explica e informa se ele tem direito, quais documentos precisa apresentar, o que deve fazer etc. Da mesma forma, acontece com as reclamações administrativas perante o Procon, onde o funcionário, na maioria das vezes está habilitado para auxiliar", conclui.
Engano ao consumidor
No site Processe Aqui, além do serviço de petição, há também uma sessão de notícias que mostram casos em que os consumidores venceram suas ações e uma área de dúvidas, explicando quando o consumidor pode ou não entrar com ação e apontando qual o direito foi lesado.

Além disso, o site também publica nas redes sociais textos e vídeos — assista ao lado — incentivando o litígio, o que vai contra o Código de Ética da OAB. O artigo 2º da norma lista os deveres do advogado, entre eles estimular a conciliação, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios e aconselhar o cliente a não ingressar em aventura judicial.
Para o presidente seccional de São Paulo da OAB,Marcos da Costa, o site engana o consumidor ao fazê-lo acreditar que está sendo socorrido em busca de Justiça e não está. “Como regra, esses sites que preparam formulários para serem preenchidos, como se tivessem através desse formulário garantindo um direito são um engodo. Não é um formulário padrão que vai permitir que o cidadão possa efetivamente exercer esse direito que ele acredita que tenha sido descumprido”, diz.
Segundo Marcos da Costa, o cidadão, quando crê que tenha sido violado qualquer direito dele, seja em relação de consumo ou não, precisa procurar alguém preparado tecnicamente para esclarecer se ele tem aquele direito, qual o limite do direito que ele tem, qual o caminho mais adequado para o exercício desse direito e não apenas preencher um formulário, como se a partir daquele formulário pudesse haver a reparação ao direito dele.
Orientação profissional
Opinião semelhante tem o presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp), Sérgio Rosenthal. Para ele, o serviço oferecido pelo site é perigoso para o cidadão que, por não possuir conhecimento técnico e experiência na área jurídica, poderá ser gravemente prejudicado. “O processo não se exaure em uma simples inicial e a orientação de um profissional habilitado é imprescindível em qualquer caso, ainda que aparentemente de baixa complexidade”, afirma. 

Maria Helena Bragaglia, sócia do Demarest Advogados, também aponta a importância do auxílio de um advogado. “Exatamente por conhecer a dinâmica da Justiça, as leis aplicáveis e bem assim a questão probatória de opera, tende a ‘facilitar’ a vida do consumidor, seja ajudando-o a estruturar o pedido, seja na organização dos documentos e provas para instruir a ação”, diz.