segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Paulínia vai abrir Conferência Mundial sobre 'Cidades Inteligentes Saudáveis'

Paulínia vai abrir Conferência Mundial sobre 'Cidades Inteligentes Saudáveis'



Paulínia vai abrir Conferência Mundial sobre 'Cidades Inteligentes Saudáveis'
EVENTO CONTARÁ COM A PARTICIPAÇÃO DO MINISTRO DA SAÚDE ALEXANDRE PADILHA
Paulínia  vai realizar a abertura oficial da SDPS World Conference 2013, que contará com a presença do Ministro da Saúde Alexandre Padilha. A abertura inicia-se no dia 28 de outubro às 9h39 no Theatro de Paulínia e a continuidade as congresso será no The Royal Palm Plaza em Campinas entre os dias 28 e 31 de Outubro.

A SDPS World Conference 2013 trata-se de um evento científico-acadêmico que tem como objetivo discutir mudanças de paradigmas na gestão de saúde pública e fomentar descobertas e práticas de desenvolvimento de sistemas e processos de inovação colaborando com a solução de problemas complexos nas áreas social, saúde, gestão, sustentabilidade, urbanismo, gestão de recursos financeiros, operacionais, tecnológicos e humanos. 

O tema que será trabalhado na SDPS World Conference de 2013 é “Cidades Inteligentes Saudáveis” (Smart Healthy Cities), e serão apresentados modelos, indicadores e resultados de ações em municípios que tiveram sua realidade melhorada após a implementação de sistemas e processos para gestão de saúde, segurança, meio ambiente, transporte público e educação. O fórum irá estabelecer relações entre tecnologias, modelos de gestão, pesquisas científicas, suas aplicações e contribuições para construção de cidades e comunidades saudáveis. O evento incluirá também a apresentação de teorias, sistemas metodológicos e técnicos como ferramentas para a gestão de inteligência, elementos necessários à realização de projetos. O resultado do programa criará fóruns permanentes mundiais para discussões temáticas e aplicações de políticas com o objetivo de criar cidades-referência em saúde e gestão pública pelo mundo.

No Brasil a aplicação do projeto será realizada na cidade de Paulínia, nos próximos anos, e terá como foco a educação e remodelação da gestão de saúde, visando melhorar a qualidade e expectativa de vida da população. A expectativa é de criar na cidade de Paulínia um modelo que sirva de referência de mudança de paradigma em gestão de saúde e gestão pública para o mundo.

A conferência contará também com a presença de autoridades representantes do  Ministério do Planejamento, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Educação. Também participarão Governo de Estado, prefeitos, gestores públicos da área de saúde, saneamento, planejamento urbano e gestão integrada, além de diretores e líderes de decisão da indústria, agências internacionais, institutos de pesquisa Nacionais e Internacionais, Acadêmicos dos campos de Educação, Saúde, Engenharias e TI e pesquisadores associados da SDPS em todo o mundo.

A programação do evento será disponibilizada através do sitewww.sdps.com.br/conference.

Conferência Nacional do Meio Ambiente pede fim dos lixões

Lixo | 20/10/2013 11:33

Conferência Nacional do Meio Ambiente pede fim dos lixões


Acabar com os lixões até 2014 e aumentar percentual de reciclagem é uma das principais metas da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente

Ana Cristina Campos, da 
Roosewelt Pinheiro/ABr
Lixão
O Brasil tem 2.906 lixões em atividade e das 189 mil toneladas de resíduos sólidos produzidas por dia apenas 1,4% é reciclado
Brasília - O Brasil tem 2.906 lixões em atividade e das 189 mil toneladas de resíduos sólidosproduzidas por dia apenas 1,4% é reciclado. Mudar esse quadro –  acabando com os lixões até 2014 e aumentando o percentual de reciclagem – é uma das principais metas da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, que este ano vai discutir a geração e o tratamento dos resíduos sólidos. O evento ocorre em Brasília, de 24 a 27 de outubro.
O tema ganhou relevância após a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei 12.305, de 2010, que determina que todos os municípios tenham um plano de gestão de resíduos sólidos para ter acesso a recursos financeiros do governo federal e investimento no setor.
Os 1.352 delegados debaterão a PNRS com base nas propostas apresentadas nas 26 etapas estaduais e na etapa distrital e nas 643 conferências municipais e 179 regionais que mobilizaram 3.602 cidades e 200 mil pessoas. A conferência terá quatro eixos temáticos: produção e consumo sustentáveis, redução dos impactos ambientais, geração de emprego e renda e educação ambiental.
Na etapa nacional, será produzido um documento com 60 ações prioritárias, sendo 15 por eixo. “O governo vai deter sua atenção nessas ações demandadas pela conferência para implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos,” disse o diretor de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Geraldo Abreu. Esses resultados constarão na carta de responsabilidade compartilhada da 4ª CNMA.
Pela Lei 12.305, após 2014 o Brasil não poderá mais ter lixões, que serão substituídos pelos aterros sanitários. Além disso, os resíduos recicláveis não poderão ser enviados para os aterros sanitários e os municípios que desrespeitarem a norma podem ser multados.
O desafio é grande: existem quase 3 mil lixões no Brasil para serem fechados no prazo fixado na PNRS, apenas 27% das cidades brasileiras têm aterros sanitários e somente 14% dos municípios brasileiros fazem coleta seletiva do lixo. “Precisamos transformar os resíduos em matéria-prima para que o meio ambiente não seja tão pressionado. Perdemos potencial econômico com a não reutilização dos produtos”, explicou Abreu. Segundo o MMA, se os resíduos forem reaproveitados podem valer cerca de R$ 8 bilhões por ano.
“A gestão de resíduos sólidos, até a publicação da lei, se deu de forma muito desordenada, trazendo uma série de prejuízos à população. Vimos proliferar lixões por todo o Brasil, com desperdício de recursos naturais que, pela ausência de um processo de reciclagem, acabam indo para esses locais inadequados”, disse Abreu.
A conferência vai discutir, entre outras medidas, o fortalecimento da organização dos catadores de material reciclável por meio de incentivos à criação de cooperativas, da ampliação da coleta seletiva, do fomento ao consumo consciente e da intensificação da logística reversa, que obriga as empresas a fazer a coleta e dar uma destinação final ambientalmente adequada dos produtos.

domingo, 20 de outubro de 2013

Festival de Gastronomia Orgânica - Vegeterianismo e Sustentabilidade

SP: aberto ao público, Festival de Gastronomia Orgânica vai até domingo


Espaguete bicolor da chef Leila D Foto: Divulgação
Espaguete bicolor da chef Leila D
Foto: Divulgação
Acontece em São Paulo, até domingo (20), a quarta edição do Festival de Gastronomia Orgânica - Vegeterianismo e Sustentabilidade. O objetivo do evento é trazer mais informações sobre a cadeia alimentar orgânica, desde a produção até o consumo, e apresentar a culinária vegetariana como uma opção acessível. 
Neste sábado, os visitantes contam com oficina de culinária para crianças, feiras gastronômicas com cardápios veganos e feira de produtos, entre outros eventos. No domingo, último dia, apresentação de pratos dos chefs e campanha Segunda Sem Carne fazem parte da programação, assim como a feira de produtos e a gastronômica.
O evento, idealizado por Leila D, chef especializada em gastronomia orgânica, é aberto ao público em geral e recebe profissionais das áreas de saúde, nutrição, agricultura, gastronomia e educação. O Festival de Gastronomia Orgânica estima receber a visita de 10 mil pessoas nesta edição, que acontece no Parque da Água Branca.

30 MBAs para quem quer trabalhar com sustentabilidade

Educação | 19/10/2013 08:00

30 MBAs para quem quer trabalhar com sustentabilidade


Além da reciclagem: Conheça as escolas de negócios que mais se preocupam com o meio ambiente e preparam seus alunos para preservá-lo

Divulgação
Schulich School of Business
Schulich School of Business: a que melhor prepara para sustentabilidade 
São Paulo - Na lista das profissões do (e com) futuro, as profissões ligadas à área desustentabilidade, como gestor de ecorrelações e engenheiro ambiental, são destaque. Não é para menos. As empresas perceberam que investir em ações de preservação do meio ambiente, além de politicamente correto, também traz retorno - financeiro inclusive.

Neste cenário, nada mais justo do que o tema ter mais espaço dentro dos programas deMBA. E, neste sentido, o curso da canadense Schulich School of Business é a que mais prepara seus futuros alunos para atuar na área, segundo ranking da Corporate Knights.

Para chegar aos nomes, a publicação levou em conta os programas que a escola mantém voltados para o tema (como estágios, pesquisa e eventos), iniciativas dos alunos relacionados a sustentabilidade e o peso do assunto no currículo. 
RankingEscolaPaís
1Schulich School of Business, York UniversityCanadá
2John Molson School of Business, Concordia UniversityCanadá
3University of Exeter Business SchoolReino Unido
4Haskayne School of Business, University of CalgaryCanadá
5Nottingham University Business SchoolReino Unido
6Korea Advanced School of Science and TechnologyCoreia do Sul
7Desautels School of Management, McGill UniversityCanadá
8Palumbo-Donahue School of Business, Duquesne UniversityEstados Unidos
9Lundquist College of Business, University of OregonEstados Unidos
10Copenhagen Business SchoolDinamarca
11School of Management, Boston UniversityEstados Unidos
12Heller School for Social Policy & Management, Brandeis UniversityEstados Unidos
13Presidio Graduate SchoolEstados Unidos
14Sauder School of Business, University of British ColumbiaCanadá
15École des sciences de la gestion, Université du Québec à MontréalCanadá
16Leeds Business School, University of Colorado BoulderEstados Unidos
17Graduate School of Management, Clark UniversityEstados Unidos
18Mannheim Business School, University of MannheimAlemanha
19La Trobe Business SchoolAustrália
20Audencia Nantes School of ManagementFrança
21College of Business Administration, University of Detroit MercyEstados Unidos
22University of San Francisco School of ManagementEstados Unidos
23Guanghua School of Management, Peking UniversityChina
24Loyola University Chicago Quinlan School of BusinessEstados Unidos
25Rowe School of Business, Dalhousie UniversityCanadá
26School of Management, Royal Holloway, University of LondonReino Unido
27Central European University Business SchoolHungria
28International Institute for Management DevelopmentSuíça
29Scheller College of Business, Georgia Institute of TechnologyEstados Unidos
30ESSEC Business SchoolFrança

sábado, 19 de outubro de 2013

Mega biodiversa, Amazônia tem paisagem homogênea

Igapó ao longo do rio Jaú, no Parque Nacional do Jaú, na região central da Amazônia brasileira (@ Hans ter Steege)
Atualizada às 20h40
A floresta mais biodiversa do mundo apresenta uma paisagem homogênea. É o que descobriu uma força-tarefa que reuniu mais de cem pesquisadores em torno de algumas perguntas aparentemente simples, mas que até então não tinham resposta: Quantas árvores existem na Amazônia? De que espécies? E quais são as mais comuns?
A partir da contagem de indivíduo por indivíduo em 1.170 áreas espalhados por toda a floresta, os cientistas estimaram que nos 6 milhões de km² da bacia ocorrem cerca de 390 bilhões de árvores, de aproximadamente 16 mil diferentes espécies. O número que mais surpreendeu, porém, foi o da última pergunta. Somente 227 espécies respondem por metade de todas as árvores do bioma.
O trabalho, divulgado na edição de hoje da revista americana Science, mostra que o todo da vegetação se segura nesse conjunto muito pequeno de espécies, só 1,4% do total, quantidade menor do que a flora de árvores norte-americana.
“Isso nos surpreendeu. Em qualquer ecossistema, poucas espécies são comuns e muitas são raras. Mas não esperávamos que fosse um número tão pequeno. Imaginávamos que algo entre 5% a 10% das espécies seriam dominantes”, disse ao Estado Hans ter Steege, da Universidade de Utrecht (Holanda), líder do trabalho.
“Mas isso não muda o fato de que a Amazônia é a mais rica área florestal no mundo. Só nos mostra que a distribuição de indivíduos dentro das espécies é um pouco diferente do que imaginávamos”, complementa.
O estudo apontou que entre as mais comuns – ou hiperdominantes, como apelidaram os pesquisadores – estão espécies bastante simbólicas do Brasil, como a castanha do Pará, o cacau, a seringueira. A palmeira do açaí (Euterpe precatoria) é a campeã, com 5,21 bilhões de indivíduos.
Não à toa, são justamente as árvores cultivadas há milênios pelas populações locais e que até hoje tem amplo uso econômico. Esse aproveitamento, sugerem os pesquisadores, pode ser um dos motivos para elas terem se espalhado tanto.
Essa hiperdominância, porém, não ocorre do mesmo modo em toda a Amazônia. Ela se dá de acordo com a afinidade com os cinco tipos florestais que ocorrem dentro do bioma – terra firme, várzea, floresta de areia branca, pântanos e igapó – e com a região. Somente uma das espécies foi observada nas seis regiões estudadas (a Eschweilera coriacea, conhecida popularmente como matamatá) e nenhuma delas ocorre nos cinco tipos de floresta.
A maior parte das espécies, por outro lado, ocorre de modo muito restrito e endêmico. Sendo que mais de um terço das espécies (36%, ou 5.800) são extremamente raras, com populações com menos de mil indivíduos. De acordo com os autores, essa ocorrência tão irrisória é suficiente para dizer que essas espécies estão globalmente ameaçadas. Juntas elas respondem por somente 0,0003% de todas as árvores da Amazônia.
Inventário. Esta é a primeira vez que se consegue fazer um levantamento tão amplo para toda a Amazônia. Outras contagens já tinham sido feitas em escala regional, mas os cientistas nem sequer sabiam quais eram as espécies mais comuns em todo o bioma.
Para fazer o inventário, Steege convocou uma centena de pesquisadores que já trabalhavam na região e criou a Rede de Diversidade de Árvores da Amazônia. Dados que vinham sendo coletados desde 1934 (até 2011) foram aproveitados.
Um dos principais colaboradores foi o botânico brasileiro Rafael Salomão, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que contribuiu com mais de 100 parcelas de levantamento florístico. Em linhas gerais, isso consiste em mapear, em áreas de 1 hectare (equivalente a um campo de futebol), quantas árvores com mais de 10 centímetros de diâmetro de tronco estão ali e de quais espécies.
Salomão conta que os seus inventários já davam uma ideia dessa hiperdominância. “Tinha observado que cerca de um terço das espécies apresentavam por parcela apenas um único indivíduo.”
O problema dessa raridade, diz, é que cerca de 5 mil espécies ainda não foram descritas pela ciência – conforme estima a pesquisa – e podem não ser justamente porque é muito difícil achá-las. “E para descrevê-las é preciso que elas tenham flor e fruto, o que realmente precisa de muita sorte”, diz.
As descobertas são importantes para esforços de conservação. “Com nossas estimativas de população podemos identificar quais são as espécies mais vulneráveis, onde elas estão e quanto de sua população já foi perdida”, afirma Steege. Esses dados, por exemplo, podem nortear políticas de criação de áreas protegidas.
Para Salomão, outra importância do trabalho se dá no contexto do Código Florestal, lei que estabelece que propriedades privadas que tenham desmatado ilegalmente precisam recuperar essas áreas com mata nativa.
“É provável que as espécies hiperdominantes favoreçam o desenvolvimento das outras, informação que pode ser útil ao recuperar um passivo ambiental”, diz. “Se o proprietário não tiver muita informação sobre o que havia na área anteriormente, pode usar algumas dessas espécies. Com certeza elas vão ter sucesso na restauração.”

Estações do Conhecimento oferecem palestras gratuitas em cinco temáticas estratégicas para gestão

Estações do Conhecimento oferecem palestras gratuitas em cinco temáticas estratégicas para gestão

Publieditorial, 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Manejo de água no país é crítico, afirmam pesquisadores

Manejo de água no país é crítico, afirmam pesquisadores


09/10/2013
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – A gestão de recursos hídricos no Brasil representa um problema crítico, devido à falta de mecanismos, tecnologias e, sobretudo, de recursos humanos suficientes para gerir de forma adequada as bacias hidrográficas do país. A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do “Seminário sobre Recursos Hídricos e Agricultura”, realizado no dia 2 de outubro, na FAPESP.
O evento integrou as atividades do 58º Prêmio Fundação Bunge e do 34º Prêmio Fundação Bunge Juventude que, neste ano, contemplaram as áreas de Recursos Hídricos e Agricultura e Crítica Literária. Na área de Recursos Hídricos e Agricultura os prêmios foram outorgados, respectivamente, aos professores Klaus Reichardt, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da Universidade de São Paulo (USP), e Samuel Beskow, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
“O Brasil tem problemas de gestão de recursos hídricos porque não há mecanismos, instrumentos, tecnologias e, acima de tudo, recursos humanos suficientemente treinados e com bagagem interdisciplinar para enfrentar e solucionar os problemas de manejo da água”, disse José Galizia Tundisi, pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), convidado a participar do evento.
“É preciso gerar métodos, conceitos e mecanismos aplicáveis às condições do país”, avaliou o pesquisador, que atualmente dirige o programa mundial de formação de gestores de recursos hídricos da Rede Global de Academias de Ciências (IAP, na sigla em inglês) – instituição que representa mais de cem academias de ciências no mundo.
De acordo com Tundisi, as bacias hidrográficas foram adotadas como unidades prioritárias de gerenciamento do uso da água pela Política Nacional de Recursos Hídricos, sancionada em 1997. Todas as bacias hidrográficas do país, contudo, carecem de instrumentos que possibilitem uma gestão adequada, apontou o pesquisador.
“É muito difícil encontrar um comitê de bacia hidrográfica [colegiado composto por representantes da sociedade civil e responsável pela gestão de recursos hídricos de uma determinada bacia] que esteja totalmente instrumentalizado em termos de técnicas e de programas para melhorar o desempenho do gerenciamento de uso da água”, afirmou.
Modelagem hidrológica
Segundo Tundisi, alguns dos instrumentos que podem facilitar a gestão e a tomada de decisões em relação ao manejo da água de bacias hidrográficas brasileiras são modelos computacionais de simulação do comportamento de bacias hidrográficas, como o desenvolvido por Beskow, professor do Departamento de Engenharia Hídrica da UFPel, ganhador da atual edição do Prêmio Fundação Bunge Juventude na área de Recursos Hídricos e Agricultura.
Batizado de Lavras Simulation of Hidrology (Lash), o modelo hidrológico foi desenvolvido por Beskow durante seu doutorado, realizado na Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, com um período na Purdue University, dos Estados Unidos.
“Há vários modelos hidrológicos desenvolvidos em diferentes partes do mundo – especialmente nos Estados Unidos e Europa –, que são ferramentas valiosíssimas para gestão e tomada de decisões relacionadas a bacias hidrográficas”, disse Beskow.
“Esses modelos hidrológicos são úteis tanto para projetar estruturas hidráulicas – pontes ou reservatórios –, como para fazer previsões em tempo real de cheias e enchentes, como para medir os impactos de ações do tipo desmatamento ou mudanças no uso do solo de áreas no entorno de bacias hidrográficas”, afirmou.
De acordo com o pesquisador, a primeira versão do Lash foi concluída em 2009 e aplicada em pesquisas sobre modelagem de chuva e vazão de água para avaliação do potencial de geração de energia elétrica em bacias hidrográficas de porte pequeno, como a do Ribeirão Jaguará, em Minas Gerais, que possui 32 quilômetros quadrados.
Em razão dos resultados animadores obtidos, o pesquisador começou a desenvolver, a partir de 2011, a segunda versão do modelo de simulação hidrológica, que pretende disponibilizar para os gestores de bacias hidrográficas de diferentes dimensões.
“O modelo conta agora com um banco de dados por meio do qual os usuários conseguem importar e armazenar dados de chuva, temperatura e umidade e uso do solo, entre outros parâmetros, gerados em diferentes estações da rede de monitoramento de uma determinada bacia geográfica e, que permitem realizar a gestão de recursos hídricos”, contou.
Uma das principais motivações para o desenvolvimento de modelos e de simulação hidrológica no Brasil, segundo o pesquisador, é a falta de dados fluviométricos (de medição de níveis de água, velocidade e vazão nos rios) das bacias hidrológicas existentes no país.
É baixo o número de estações fluviométricas cadastradas no Sistema de Informações Hidrológicas (HidroWeb), operado pela Agência Nacional de Águas (ANA), e muitas delas estão fora de operação, afirmou Beskow.
“Existem pouco mais de cem estações fluviométricas no Rio Grande do Sul cadastradas nesse sistema, que nos permitem obter dados de séries temporais de até dez anos”, disse o pesquisador. “Esse número de estações é muito baixo para fazer a gestão de recursos hídricos de um estado como o Rio Grande do Sul.”
Uso racional da água
Beskow e Klaus Reichardt – que também é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) – destacaram a necessidade de desenvolver tecnologias para usar a água de maneira cada vez mais racional na agricultura, uma vez que o setor consome a maior parte da água doce prontamente disponível no mundo hoje.
Do total de 70% da água encontrada na Terra, 97,5% é salgada e 2,5% é doce. Desse percentual ínfimo de água doce, no entanto, 69% estão estocados em geleiras e neves eternas, 29,8% em aquíferos e 0,9% em reservatórios. Do 0,3% prontamente disponível, 65% são utilizados pela agricultura, 22% pelas indústrias, 7% para consumo humano e 6% são perdidos, ressaltou Reichardt.
“No Brasil, temos a Amazônia e o aquífero Guarani que poderão ser explorados”, afirmou o pesquisador que teve projetos apoiados pela FAPESP.
Reichardt ganhou o prêmio por sua contribuição em Física de Solos ao estudar e desenvolver formas de calcular o movimento de água em solos arenosos ou argilosos, entre outros, que apresentam variações. “Isso foi aplicado em vários tipos de solo com condutividade hidráulica saturada em função da umidade, por exemplo”, contou.
O pesquisador vem se dedicando nos últimos anos a realizar, em colaboração com colegas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tomografia computadorizada para medida de água no solo. “Por meio dessa técnica conseguimos desvendar fenômenos muito interessantes que ocorrem no solo”, disse Reichardt.
Custo da inanição
O evento contou com a presença de Eduardo Moacyr Krieger e Carlos Henrique de Brito Cruz, respectivamente vice-presidente e diretor científico da FAPESP; Jacques Marcovitch, presidente da Fundação Bunge; Ardaillon Simões, presidente da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e José Antônio Frizzone, professor da Esalq, entre outras autoridades.
Em seu pronunciamento, Krieger apontou que a Fundação Bunge e a FAPESP têm muitas características em comum. “Ao premiar anualmente os melhores pesquisadores em determinadas áreas, a Fundação Bunge revela seu cuidado com o mérito científico e a qualidade das pesquisas”, disse Krieger.
“A FAPESP, de certa forma, também faz isso ao ‘premiar’ os pesquisadores por meio de Bolsas, Auxílios e outras modalidades de apoio, levando em conta a qualidade da pesquisa realizada.”
Brito Cruz ressaltou que o prêmio concedido pela Fundação Bunge ajuda a criar no Brasil a possibilidade de pesquisadores se destacarem na sociedade brasileira por sua capacidade e realizações intelectuais.
“Isso é essencial para se construir um país que seja dono de seu destino, capaz de criar seu futuro e enfrentar novos desafios de qualquer natureza”, disse Brito Cruz. “Um país só consegue avançar tendo pessoas com capacidade intelectual para entender os problemas e criar soluções para resolvê-los.”
Por sua vez, Marcovitch avaliou que o problema da gestão do uso da água no país pode ser enfrentado de duas formas. A primeira parte da premissa de que o país está deitado em berço esplêndido, tem recursos naturais abundantes e, portanto, não precisaria se preocupar com o problema. A segunda alerta para as consequências da inação em relação à necessidade de se fazer gestão adequada dos recursos hídricos do país, como Tundisi vem fazendo, para estimular pesquisadores como Beskow e Reichardt a encontrar respostas.
“[Nós, pesquisadores,] temos a responsabilidade de elevar a consciência da sociedade sobre os riscos e o custo da inação em relação à gestão dos recursos hídricos do país”, disse.