quinta-feira, 12 de julho de 2012

APPs (Áreas de Preservação Permanente) nas cidades


09/07/2012 - 18h19

Áreas de preservação em cidade se tornam mais um impasse para código


MÁRCIO FALCÃO
KELLY MATOS
DE BRASÍLIA

Mais um impasse entre o governo e a bancada ruralista, desta vez, sobre a preservação de áreas nas cidades, contribuiu para o adiamento, pela terceira vez, da apresentação do parecer do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) sobre a MP (Medida Provisória) que reformula o Código Florestal.
A medida foi enviada ao Congresso após a presidente Dilma Rousseff vetar parte do projeto aprovado pelos parlamentares.
O texto deveria ter sido analisado nesta segunda-feira na comissão mista do Congresso (com deputado e senadores) que discute a MP. Sem apoio para as mudanças realizadas, Luiz Henrique cancelou a discussão e prometeu entregar o relatório amanhã.
Diante da resistência do governo e um racha na bancada ruralista, a análise do parecer pode ficar para o segundo semestre, depois do recesso parlamentar.
A ministra Izabela Teixeira (Meio Ambiente) não quis dar detalhes das negociações, mas defendeu a manutenção do texto da MP. "A posição do governo é favorável ao texto da MP. Se a gente quisesse fazer qualquer coisa diferente, teria incluído na MP", afirmou a ministra à Folha.
A área ambiental do governo ficou incomodada com uma mudança feita pelo relator que deixa apenas para o Plano Diretor dos municípios a decisão sobre o limite que terá que ser preservado nas chamadas APPs (Áreas de Preservação Permanente) nas cidades.
A MP determina que, em áreas urbanas, as faixas de qualquer curso d´água natural terão sua largura delimitada pela lei de uso do solo "sem prejuízo" do que já prevê o código, considerando o tamanho de cada rio. No código, os limites vão de 30 metros a 500 metros, dependendo da dimensão do rio.
O governo argumenta que as faixas pretendem normatiza o uso das terras para evitar desastres naturais.
"Os radicais da bancada ruralista estão cometendo um crime", disse o senador Jorge Viana (PT-AC), que relatou o código no Senado. "Querem tirar a proteção ambiental das cidades. Isso é um absurdo. É preciso lembrar que 84% da população vivem nelas", completou.
Luiz Henrique disse que não vê problema na mudança. "Não é que fica sem lei, sem norma. As cidades terão que obedecer o que determina a lei municipal, terão que ser ouvidos os Conselhos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente", justificou.
O relator terá uma reunião no Planalto maraca para esta terça-feira com os ministros envolvidos na discussão. Ontem, além de Izabella, as ministras Gleisi Hoffman (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) dispararam telefonemas para Luiz Henrique pedindo mais tempo para analisar seu parecer preliminar.
Nem mesmo a solução apresentada pelo peemedebista para o reflorestamento de margens de rios em propriedades rurais médias foi confirmada.
Como a Folha mostrou hoje, o relator iria manter a determinação de recompor 20 metros de APP para margens de rios de 10 metros, desde que não ultrapassasse 25% do total do imóvel. A ideia recebeu aval de técnicos dos ministérios.
Ontem, parte dos ruralistas rejeitou a proposta e insistiu baixar para 15 m a recuperação de fazendas de 4 a 10 módulos.
Sem sustentação, Luiz Henrique disse que vai buscar uma nova saída. "Fica equilibrado dar um gatilho de 20% para os médios produtores".

Toneladas de ouro e prata vão parar no lixo



SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Toneladas de ouro e prata vão parar no lixo. 06/07/2012. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=toneladas-ouro-prata-vao-parar-lixo. Capturado em 10/07/2012. 

Com informações da Agência Fapesp - 06/07/2012




Tesouro desprezado
O lixo eletrônico é um problema sério, mas também é um recurso valioso.
Segundo instituições ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 320 toneladas de ouro e 7,5 mil toneladas de prata são utilizadas anualmente para a produção de aparelhos eletrônicos como computadores, tablets e celulares.
O valor dos metais empregados soma cerca de US$ 21 bilhões - US$ 16 bilhões em ouro e US$ 4 bilhões em prata - a cada ano.
E, quando os aparelhos são descartados, menos de 15% do ouro e da prata são recuperados.
O resultado do acúmulo constante é que o lixo eletrônico mundial contém "depósitos" de metais preciosos de 40 a 50 vezes mais ricos do que os contidos no subsolo, de acordo com dados apresentados na semana passada em reunião organizada pela Universidade das Nações Unidas e pela Global e-Sustainability Initiative (GeSI) em Gana, África.
Ouro e prata no lixo
As quantidades de ouro e prata que vão parar no lixo aumentam à medida que crescem as vendas de aparelhos como os tablets, cujas vendas em 2012 deverão chegar a 100 milhões de unidades em todo o mundo, número que deverá dobrar até 2014.
Produtos elétricos e eletrônicos consumiram 197 toneladas em 2001, equivalentes a 5,3% da oferta mundial do metal.
Em 2011, foram 320 toneladas, com 7,7% do total disponível.
Apesar do crescimento de cerca de 15% na oferta de ouro na última década, o preço do metal disparou, aumentando cinco vezes entre 2001 e 2011, segundo o levantamento.
Lixo eletrônico como recurso
"Em vez de olharmos para o lixo eletrônico como um fardo, precisamos encará-lo como uma oportunidade", disse Alexis Vandendaelen, representante da Umicore Precious Metals Refining, da Bélgica, durante o evento.
De acordo com os especialistas, além de melhores padrões de consumo sustentável, os sistemas de reciclagem precisam melhorar para lidar com o novo tipo de lixo, mais valioso, porém mais difícil de trabalhar do que plástico ou papel.
De acordo com o levantamento feito pela GeSI e pela iniciativa Solving the E-Waste Problem (StEP) - que envolve organizações da ONU, da sociedade civil e empresas -, cerca de 25% do ouro é perdido e não pode ser recuperado por conta dos processos de desmanche empregados nos países mais desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, o total inviabilizado chega a 50%.
Metais no lixo eletrônico
Para os especialistas presentes na reunião em Gana, o lixo eletrônico não deve ser encarado como lixo, mas como recurso, uma vez que representa uma importante fonte de renda e sua reciclagem é fundamental para a preservação do ambiente e para o desenvolvimento sustentável.
E isso não se aplica apenas ao ouro e à prata, mas a diversos outros metais, como cobre, paládio, platina, cobalto ou estanho, contidos nos produtos eletrônicos descartados.
"Precisamos recuperar elementos raros de modo a poder continuar a fabricar produtos de tecnologia da informação, baterias para carros elétricos, painéis solares, televisores de tela plana e uma infinidade de outros produtos populares", disse Ruediger Kuehr, secretário executivo da StEP.
"Um dia - espero que mais cedo do que tarde -, as pessoas vão olhar para trás e perguntar como foi que nós conseguimos ser tão cegos e desperdiçar tanto nossos recursos naturais", disse Kuehr.

Construções sustentáveis em Londres


10 de Julho de 2012

Ministro conhece construções sustentáveis em Londres


Ministro conhece construções sustentáveis em Londres
O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, participou, nesta segunda-feira (09;07) em Londres, de várias reuniões no Building Research Estabilishment (BRE) para conhecer e discutir sobre as inovações tecnológicas na construção civil. As experiências desenvolvidas pelo Building Research Estabilishment (BRE), instituto criado em 1921 voltado para o desenvolvimento de tecnologias para a construção civil, com foco na sustentabilidade, conforto e qualidade de vida dos seus moradores.



As técnicas de sustentabilidade indicadas pelo BRE foram utilizadas na construção do Estádio Oíimpico, centro dos principais jogos da Olimpiadas de Londres. Com pequenas mudanças na compra de materiais para a obra, foi possível reduzir em 33% a emissão de carbono. “Vamos estudar a forma de ampliar a parceria entre o Brasil e o Reino Unido nesta área de construção sustentável e na oportunidade de investimento para os dois países”, disse o ministro durante a visita. 



Os técnicos do BRE apresentaram todos os estágios de construção sustentável: novos materiais, testes e monitoramento e métodos modernos de construção. Uma delas é construir casas com paredes erguidas com camadas de lã de carneiro e caucário misturado com resíduos da agricultura. O BRE já desenvolve no Brasil um projeto de construção de um parque tecnológico, em Brasília, para inovações tecnológicas para habitação de interesse social. “Temos especial interesse no desenvolvimento deste projeto”, disse o ministro.    


Ainda no BRE, o ministro conheceu o projeto de casas sociais desenvolvido pela Fundação do Príncipe, apoiada pelo príncipe Charles. O diretor da fundação Tim Goodwin, disse que a casa tem modelo sustentável e atende ao padrão inglês de moradia, por exigência do príncipe. Materiais reciclados também foram utilizados na construção dos móveis e outros equipamentos da casa.



O ministro também visitou a casa construída com PVC, Cub House, também com padrões sustentáveis, qualidade e conforto. Além de projetos de construção que produz energia elétrica a partir do movimento de caminhar dos moradores. A visita foi acompanhada pela secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, e o secretário Nacional de Acessibilidade, Leodegard Tiscoski. “Vamos estudar as experiências para ver como podemos adaptá-las a nossa realidade”, disse o ministro. 


A agenda desta segunda-feira em Londres, terminou com um rápido encontro com o ministro de Comércio e Investimento, Lord Green. Nesta terça (10), o ministro Aguinaldo Ribeiro inicia sua agenda com uma reunião com o ministro para a Descentralização e Cidades, Greg Clark, e a diretora de Habitação, Terrie Alafat. À tarde, ele estará com os técnicos da Aecom, empresa que ganhou a concorrência para desenvolver o Plano Diretor do Parque Olímpico do Rio de Janeiro e Londres. Na pauta, temas como desenvolvimento urbano e projetos de revitalização dos projetos olímpicos, água, resíduos e saneamento básico, além de desenvolvimento sustentável e estratégias de energia. 


China será líder em energia limpa até 2017


http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/5160

Postado em 09/07/2012 às 10h12

Fazenda eólica de Goldwind em Urumqi, na China l Foto: Pzavislak/Domínio Público
Um dos países mais poluidores do mundo, a China, liderará o crescimento na produção de energia renovável. Este progresso ocorrerá nos próximos cinco anos e o país ficará à frente de Estados Unidos, Índia e Alemanha.
O crescimento será de 40% em geração de energia sustentável, afirma um estudo publicado pela Agência Internacional de Energia (AIE). O número representa cinco vezes mais que a progressão esperada nos Estados Unidos, sete vezes mais que a da Índia, oito vezes mais que a da Alemanha e 18 vezes mais que a da França.
Estima-se que a capacidade de produção elétrica da China até 2017 seja de 710 gigawatts. Deste total, 270 gigawatts de fazendas eólicas e outros parques solares serão conectados na China. "A China é o mercado de desenvolvimento central", afirma Didier Houssin, diretor da prospectiva de mercados de energia da AIE. Segundo ele, o país é impulsionado "pela explosão da demanda de eletricidade e das inquietações políticas sobre a segurança energética que impulsionam a diversificação das fontes".
Atualmente, há 10 fabricantes mundiais principais de módulos fotovoltaicos, sendo que sete são chineses e mais quatro indústrias no setor eólico, de acordo com o relatório da AIE. Devido à crise financeira, a Europa vive o processo inverso. A tendência é que o crescimento diminua nesta área.
Por exemplo, a Espanha deve desacelerar o seu crescimento de produção de energia eólica, sendo que o país é um dos pioneiros europeus neste setor. Já na França, a capacidade em geração de energia renovável deve aumentar. Em especial, a eólica e a solar.
Em geral, a produção de energia sustentável pode aumentar 5,8% a cada ano. O crescimento da produção de energia eólica ou solar registra uma progressão de 14%. Com informações do Terra.

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Indicadores de sustentabilidade


Indicadores de sustentabilidade
Utilizar esses parâmetros na hora de construir pode colaborar para o futuro da Construção Civil


Vanessa Gomes


Redação AECweb / e-Construmarket


Desenvolvidos com um objetivo específico, os indicadores são parâmetros ou derivados que fornecem informações sobre determinado evento. Suas principais características são reduzir o número de medidas, bem como os parâmetros necessários para descrever determinada situação. “Consequentemente, o número de índices e o nível de detalhamento contido num conjunto de indicadores têm de ser limitados. Por um lado, um índice único ou um número demasiadamente pequeno de indicadores podem ser insuficientes para prover a informação necessária ou podem incorrer em dificuldades metodológicas que crescem com o nível de agregação de informações. Por outro, um número excessivo de índices tende a distorcer a visão geral que o conjunto supostamente deveria fornecer”, explica Vanessa Gomes, professora livre-docente da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Outra característica dos indicadores é simplificar o processo de informação por meio do qual os resultados dessas medidas chegam ao usuário final.

O estabelecimento de metodologias de avaliação de sustentabilidade pressupõe a utilização de indicadores de sustentabilidade confiáveis, representativos, comparáveis e rastreáveis. “Para ser útil, um indicador deve, portanto, permitir uma explicação das razões das mudanças em seu valor ao longo do tempo, ser suficientemente simples na maneira com que descreve problemas frequentemente complexos, e usar definições comuns de componentes-chave e normalização para permitir comparações”, explica Gomes. Os indicadores de sustentabilidade descrevem os impactos ambientais, econômicos e sociais de edifícios para os proprietários, usuários dos edifícios e demais partes interessadas da indústria de construção. Tais métricas são necessárias para simplificar e comunicar informações complexas, e podem ser utilizadas para avaliação, diagnóstico, comparação e monitoramento.


FUNÇÕES DOS INDICADORES


Os indicadores de sustentabilidade capturam tendências para informar os agentes de decisão, orientar o desenvolvimento e o monitoramento de políticas e estratégias, e facilitar o relato das medidas adotadas para implementação do desenvolvimento sustentável. “Ao fornecerem as informações e retroalimentação necessárias para a tomada de decisões, eles facilitam o estabelecimento de metas e o desenvolvimento de padrões de referência para avaliação e monitoramento de desempenho (benchmarking); de medir ou descrever o desempenho (aderência às metas estabelecidas) de programas, ações, edifícios e projetos, de diferentes agentes do processo de construção ou de diferentes regiões ou países; monitorar periodicamente o progresso em direção à sustentabilidade; propiciar comunicação com clientes e demais partes interessadas; e derivar benefícios diretos de relato de sustentabilidade e de benchmarking do desempenho”, explica a professora.

Para Gomes deve ficar claro que, mesmo sendo utilizado, um indicador não é um número, mas sim uma variável à qual pode ser medido ou atribuído um valor – quantitativo ou qualitativo. “Convém esclarecer também que, apesar de influenciarem o desempenho com relação a vários itens de sustentabilidade, recomendações práticas ou diretrizes para a seleção de materiais, produtos e sistemas não são indicadores. Eles possuem natureza mais genérica, enquanto os valores a eles atribuídos são específicos para cada caso. Já as recomendações práticas, que favorecem determinado tipo de soluções técnicas, dependem de circunstâncias geográficas (clima) e tecnológicas, e podem ser validadas com a ajuda de indicadores”, diz.

Indicadores de sustentabilidade surgiram primeiro na esfera das nações, em resposta à Agenda 21 “No entanto, métricas são necessárias em todos os níveis, pois podem não só apontar o caminho, como também mostrar se e de que maneira ocorre o movimento da sociedade, do setor de construção, de uma organização e da produção de edifícios em direção às metas nacionais de desenvolvimento sustentável. Os índices definidos em esfera de avaliação mais restrita – edifício ou ambiente construído – devem alinhar-se aos indicadores e metas de desenvolvimento sustentável definidos em âmbito nacional e mundial”, explica Gomes, dizendo que apesar de fundamentais para ajudar a unificar a tomada de decisão econômica, social, ambiental e institucional, indicadores por si não são capazes de promover melhoria de performance. “Metas de desempenho e benchmarks(desempenhos de referência) para cada indicador são igualmente necessários, para, de um lado, calibrar a análise (definir a escala de desempenho) e permitir a avaliação do progresso e, de outro, encorajar a alocação apropriada de recursos para alcançar a taxa de progresso desejada. Finalmente, para ser utilizado, um indicador deve ser acompanhado, ainda, de uma explicação quanto ao modo e à fonte de informação utilizada para atribuir valor a ele”, diz.


INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE PARA O SETOR DE CONSTRUÇÃO


Em 1995, a CIB Working Commission W82 “Future Studies in Construction”(CIB W82) criou o projeto Construction Related Sustainability Indicators – CRISP (1999-2001) para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade para o setor de construção, numa cooperação entre Japão, Malásia, Canadá, Estados Unidos e a EC CRISP Network, que congrega 24 membros em 16 países europeus. Dentre os objetivos iniciais pretendia-se desenvolver uma estrutura de indicadores organizados com base no modelo dose-estado-resposta (DSR) e em categorias/etapas processuais em cinco níveis de abrangência crescente: edifício, urbano, regional, nacional e global. “Os objetivos do Projeto CRISP eram definir e validar indicadores – quantitativos e qualitativos – de sustentabilidade relacionados ao setor de construção, incluindo aspectos ambientais, econômicos, sociais, culturais e institucionais. Eles deveriam considerar todo o processo de produção do edifício, que começa no início do projeto e termina no fim do ciclo de vida da facilidade, incluindo demolição e eventual tratamento posterior.


INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS



Gomes conta que existem diferenças fundamentais entre o conceito puro de indicadores de sustentabilidade e os índices utilizados – ou passíveis de utilização neste momento – em sistemas de avaliação de edifícios. “Os métodos de avaliação ambiental de edifícios disponíveis tipicamente não abordam os aspectos sociais e econômicos da sustentabilidade e são dirigidos a edifícios individuais. Já a discussão de indicadores de sustentabilidade (particularmente, de indicadores sociais e econômicos) relaciona-se a medidas mais gerais da sociedade, como redução de pobreza, analfabetismo e PIB, que não são facilmente relacionadas à escala organizacional ou de um edifício”, diz a professora.

Apesar de os edifícios serem bens de longa vida útil, se comparados a outros bens de consumo, a maioria dos fenômenos naturais e culturais significativos mostra longas tendências que não são nem mesmo percebidas no curto prazo; e a escala temporal, até que ocorra um realinhamento significativo em direção a um mundo sustentável, será certamente medida em gerações. “O desempenho ambiental de edifícios é relativo, avaliado em relação a desempenho 'típico', seja explícita ou implicitamente. Ao longo do tempo, edifícios individuais, assim como as práticas de vanguarda e práticas típicas melhoram. Consequentemente, a pontuação de desempenho é válida apenas no ponto particular no tempo em que foi realizada a avaliação”, revela Gomes.

O Brasil já conta com alguns esforços para estabelecer indicadores de sustentabilidade, que, no entanto, variam largamente e são definidos de acordo com critérios e metodologias não necessariamente replicáveis. “Para que o país possa avançar no desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade de seu ambiente construído é preciso definir uma metodologia consensual para estruturar indicadores, coletar dados, definir parâmetros nacionais alinhados às tendências internacionais, assim como um bloco dos índices locais relevantes em cada caso; medir ou atribuir valores; interpretar e, eventualmente, agregar indicadores. Uma base de dados robusta deve ser criada e mantida atualizada e amplamente acessível”, diz Gomes.


Redação AECweb / e-Construmarket



COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

 VANESSA GOMES é arquiteta e urbanista graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestre e Doutora em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Bolsista de produtividade do CNPq. Fulbright fellow 2009-2010. Professora Associada Livre-Docente da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde coordena o Centro de Pesquisa em Construção Civil e Meio Ambiente e lidera o Grupo de Pesquisa "Qualidade e Sustentabilidade do Ambiente Construído". Vice-presidente da International Initiative for Sustainable Building Environment(iiSBE). Líder da equipe brasileira participante do Green Building Challenge (GBC). Membro fundador e coordenadora nas Américas da comissão de trabalho WC116 (Smart and Sustainable Built Environments), doInternational Council for Research and Innovation in Building and Construction (CIB). Assessora do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP), nos temas análise do ciclo de vida e políticas públicas para eficiência energética de edificações, e do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, em avaliação ambiental estratégica.

Bigtainer: Lixeira do futuro


Esta é a lixeira do futuro

POR GIZMODO

Publicado em 5 de julho de 2012


http://www.iengenharia.org.br/site/noticias/exibe/id_sessao/4/id_noticia/6850/Esta-%C3%A9-a-lixeira-do-futuro-




Como você joga fora seu lixo? Provavelmente você não usa um cartão magnético para ativar a lixeira do bairro, que guarda os detritos num enorme contêiner subterrâneo. Mas é assim que será no futuro. Na verdade, já é assim em São Paulo. 


A coleta mecanizada já existe em algumas cidades brasileiras, como Itu (SP) e Caxias do Sul (RS). Basicamente, você joga o lixo em contêineres na rua, em vez de deixá-los na lixeira da sua calçada – ou pior, na rua. Aí chega o caminhão de lixo, pega o contêiner de forma (semi-)automática, e leva o lixo embora. 



Mas na cidade de São Paulo, a coleta high-tech vai além: no condomínio Nova União, na zona norte, o contêiner de lixo é tão gigante que fica enterrado na calçada. Ele comporta até 20m³ de detritos, e tem um sistema para compactar o lixo. A solução se chama Bigtainer, e foi criada pela portuguesa TNL. 



Acima do contêiner ficam as lixeiras, que se abrem com um cartão magnético distribuído para os moradores jogarem seu lixo. Você fecha a lixeira manualmente. E quando o contêiner estiver cheio? O Jornal da Tarde explica o que acontece: 



O lixo é depositado no contêiner subterrâneo, que possui sensores para medir sua capacidade. Quando estiver quase cheio, um sinal é enviado à central da Loga e um caminhão é direcionado ao local. É preciso só apertar um botão de um controle remoto para acionar o levantamento do piso e do contêiner, que é substituído por outro vazio. 



O Bigtainer já é usado em Abu Dhabi e na África do Sul. A cidade de São Paulo já tem instaladas outras duas lixeiras como esta: uma na Rebouças/Faria Lima, e outra no Mercado Municipal. Ambas devem começar a funcionar ainda este mês. 



Esta é uma evolução muito bem-vinda para o descarte do lixo. Como o lixo fica num contêiner fechado, isso elimina ratos e baratas. O caminhão de lixo não precisa vir todo dia, e não é necessária uma equipe de lixeiros para sair catando sacos pela rua. Na verdade, o Bigtainer nem precisa de lixeiros: basta o motorista do caminhão de lixo, que pega o contêiner e o leva para seu destino. Só fico meio preocupado com a tampa da lixeira, que não se fecha sozinha: se alguém esquecê-la aberta, pode entrar água da chuva no contêiner, por exemplo. Mas não consigo deixar de pensar que esta é, sim, a lixeira do futuro. 


Brasileiros reconhecem que desperdiçam água e estimam problemas de abastecimento no futuro


28/6/2012 - 10h30



por Alana Gandra, da Agência Brasil
água Brasileiros reconhecem que desperdiçam água e estimam problemas de abastecimento no futuro
Rio de Janeiro – Pesquisa divulgada hoje (26) pela organização não governamental WWF-Brasil revela que é grande o desperdício de água entre os brasileiros. “Mais de 80% dos brasileiros consultados em 26 estados da Federação reconheceram que vão ter problemas de abastecimento de água no futuro e, desses, 68% reconheceram que o desperdício de água é a principal causa desse problema”, disse o coordenador do Programa Água para a Vida da WWF-Brasil, Glauco Kimura de Freitas.

A sondagem chama a atenção para o desconhecimento da maioria da população sobre o real consumo de água no Brasil. Na pesquisa, 81% dos entrevistados apontaram a indústria e o setor residencial como os vilões do gasto de água quando, na verdade, o setor agrícola, em especial a irrigação, é o maior consumidor do insumo (69%). A pecuária consome 11% de água; as residências urbanas, também 11%; e a indústria, 7%.
“Como 80% da população brasileira vivem nas cidades, a percepção do cidadão é muito voltada aos problemas da água que ele enfrenta nas metrópoles. Somente 1% das pessoas reconheceu que o problema de água está na zona rural também. Ou seja, que aquela água que sai da torneira dele vem de uma nascente que está, às vezes, a quilômetros da sua casa”, disse Freitas.
De acordo com a pesquisa, só 1% dos consultados admitiu que o desmatamento e a degradação dos sistemas naturais causam problemas de água. “Isso mostra que o cidadão tem uma visão bastante limitada da torneira para frente. Da torneira para trás, há um desconhecimento muito grande”.
O desperdício é elevado nas residências. Cerca de 48% dos entrevistados reconheceram que desperdiçam água em suas casas, o que revela crescimento em relação aos cinco anos anteriores, quando essa parcela atingia 37%. “Mais de 45% reconheceram que não adotam nenhuma medida de economia de água nas suas casas”.
Segundo Freitas, falta coerência entre o discurso e a atitude. Do total de consultados, 30% disseram tomar banhos demorados, de mais de dez minutos. Em 2006, essa parcela era 18%.
Freitas atribuiu costumes como não fechar a torneira enquanto se escova os dentes ou lavar a calçada com mangueira à cultura de abundância que existe, de forma geral, no Brasil, devido à sua dimensão continental e à abundância de florestas e rios. Com isso, a cultura da abundância acaba levando ao desperdício. “Infelizmente, o brasileiro começa a sentir o problema quando ele já está instalado. Ou seja, quando tem racionamento, escassez”.
A sondagem revelou ainda que 67% dos lares pesquisados enfrentam escassez de água. No Nordeste brasileiro, 29% dos domicílios sofrem esse problema. O consumo médio diário de água por brasileiro, da ordem de 185 litros, está próximo ao da União Europeia (200 litros per capita). Segundo Freitas, “a média mascara uma desigualdade”, uma vez que o Semiárido do Brasil apresenta consumo médio de água diário inferior a 100 litros, aproximando-se, portanto, de regiões da África Subsaariana, onde o consumo é abaixo de 50 litros/dia por pessoa.
“O problema no Brasil não é questão de falta d’água. É a má distribuição. Existe um descompasso entre a demanda e a oferta”. Freitas destacou que, no Nordeste, que concentra um grande contingente da população brasileira, já existe escassez de água, enquanto em regiões como o Centro-Oeste e o Norte, que concentram menos de 10% da população, há mais abundância do recurso.
A pesquisa servirá de base para a elaboração de novas campanhas de educação e conscientização dos cidadãos sobre a necessidade de preservação dos mananciais de água na zona rural.
* Edição: Lana Cristina
** Publicado originalmente no site da Agência Brasil.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Rio+20 falhou (também) com as mulheres


Envolverde Rio + 20
28/6/2012 - 10h10

http://envolverde.com.br/ips/inter-press-service-reportagens/rio20-falhou-tambem-com-mulheres/?utm_source=CRM&utm_medium=cpc&utm_campaign=28



por Anayeli García Martínez*

IPS35 Rio+20 falhou (também) com as mulheres
Cidade do México, México, 28/6/2012 (IPS/Cimac) – A resolução final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) negou a conquista feminina de decidir livremente sobre a maternidade, pelo triunfo de uma agenda “conservadora”. Com o aval da ONU Mulheres, dos Estados Unidos e do Brasil, a Rio+20 terminou no dia 22 com a exclusão do documento final de referências aos direitos sexuais e reprodutivos, segundo as organizações feministas presentes, ou não, na cúpula realizada no Rio de Janeiro.

Lydia Alpízar, diretora no México da Associação para os Direitos da Mulher e o Desenvolvimento (Awid), alertou que a declaração da Rio+20 falou das mulheres, mas sem mencionar claramente seus direitos. Segundo Alpízar, que esteve presente na cúpula, Vaticano, Egito e Síria lideraram um bloco de países que promoveram que na resolução final ficassem termos como “planejamento familiar” e não direitos sexuais. Isto significa, afirmou a ativista, que em nível global persiste uma “visão conservadora”, pela qual o único papel das mulheres é a reprodução, e que, portanto, exercer sua sexualidade não é considerado um direito.
O documento final da Rio+20 gerou grande polêmica entre mulheres de organizações civis de todo o mundo que participaram da Cúpula dos Povos, o fórum paralelo à conferência oficial. De fato, a sociedade civil se declarou frustrada pelo “completo fracasso” da cúpula. No caso das mulheres, as maciças críticas obrigaram a diretora da ONU Mulheres, a chilena Michelle Bachelet, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e a presidente e anfitriã do encontro, Dilma Rousseff, a se pronunciarem a respeito.
Bachellet reconheceu que se poderia ter melhorado a redação da agenda, mas que “a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em todos os contextos institucionais fazem parte do resultado final do documento. Clinton garantiu que na declaração foi incluído “o essencial”, e, diante de um grupo de descontentes, afirmou que “as mulheres têm que ter o poder de tomar decisões sobre quando e onde desejam ter filhos”. Acusada de “trair” o movimento feminista, Dilma afirmou que “no Brasil estamos investindo para superar dificuldades e precariedades no acesso aos serviços públicos de saúde, com pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos”. Pior do que na Cúpula da Terra.
À enxurrada de Vaticano, Egito e Síria contra iniciativas de incluir os direitos das mulheres, somaram-se os governos de Chile, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, República Dominicana e Rússia, segundo denunciaram os grupos de mulheres. Como resultado, a declaração final da Rio+20 contrastou negativamente com o alcançado em favor dos direitos da população feminina há 20 anos, na Cúpula da Terra, organizada pela ONU também no Rio de Janeiro. Há 20 anos, o movimento de mulheres conseguiu que o documento final, conhecido como Agenda 21, incluísse um capítulo exclusivo para as mulheres. Este ano não foi assim.
Na Agenda 21 foi assegurado que os compromissos seriam alcançados por meio de políticas, diretrizes nacionais e planos que garantissem a igualdade em todos os aspectos da sociedade, incluindo a participação ativa das mulheres na tomada de decisões e no manejo ambiental. O capítulo específico sobre mulheres, o 24, tem o título Medidas mundiais a favor da mulher para conseguir um desenvolvimento sustentável e equitativo. Ali se pede aos governos o fim de obstáculos constitucionais, jurídicos, administrativos, culturais, sociais, econômicos e de comportamento, que impedem a plena participação das mulheres no desenvolvimento sustentável e na vida pública.
Já na declaração final da Rio+20 não só inexiste um capítulo sobre as mulheres como há apenas referências a elas em 50 ocasiões, sem nunca falar de seus direitos específicos, criticaram organizações sociais. O parágrafo 45 do documento diz que as mulheres podem contribuir para se alcançar o desenvolvimento sustentável, e se reconhece a função de sua liderança. Os governos signatários afirmam que promoverão a igualdade entre os gêneros e o empoderamento da mulher. No 145 se destaca a necessidade de proporcionar acesso universal à saúde reprodutiva, incluído o planejamento familiar e a saúde sexual, e de integrar a saúde reprodutiva nas estratégias e nos programas nacionais.
Entretanto, acusaram as feministas da sociedade civil, não se falou do conceito “direitos sexuais e reprodutivos”, nem do direito de as mulheres exercerem livremente sua maternidade e o espaçamento entre o nascimento dos filhos. A acadêmica da Universidade Autônoma do México, Gloria Carega, qualificou de “alarmante” o ocorrido no Rio de Janeiro. Segundo disse, teme-se que o desconhecimento na declaração final dos direitos das mulheres como fator de desenvolvimento influenciem na próxima grande conferência e também que nela seja dado um passo atrás quanto às demandas femininas recolhidas na declaração final.
Em 2014, a ONU realizará a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, conhecida como Cairo+20, porque na capital egípcia nesse ano será avaliado o andamento das políticas duas décadas após a cúpula anterior sobre esse tema. Em 1994, a conferência concluiu com um plano de ação que representou uma grande mudança no debate internacional sobre a vinculação entre população e desenvolvimento, porque foram estabelecidas normas de atuação e se foi além do controle demográfico. A conferência do Cairo assentou as bases para que as políticas de população sejam abordadas com uma perspectiva social, que leve em conta a condição da mulher e seus direitos em matéria de saúde reprodutiva. Envolverde/IPS
* Uma versão deste artigo foi publicada originalmente pela agência mexicana de notícias de Comunicação e Informação da Mulher AC, Cimac.
(IPS) 

Economia verde divide a Ásia


Envolverde Rio + 20
28/6/2012 - 09h43

http://envolverde.com.br/ips/inter-press-service-reportagens/economia-verde-divide-asia/?utm_source=CRM&utm_medium=cpc&utm_campaign=28



por Marwaan Macan-Markar, da IPS
Slide112 300x223 Economia verde divide a Ásia
Bangcoc, Tailândia, 28/6/2012 – A cúpula Rio+20 fez ressaltar o descontentamento de ativistas e de alguns governos da Ásia com os conceitos de “economia verde” e “crescimento verde”, considerados uma fachada para manter um modelo que depreda os recursos naturais. A Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico (Cespap), agência regional da Organização das Nações Unidas (ONU) integrada por 58 países, é favorável a empregar esses enfoques, mas gigantes como China, Índia, Irã e Rússia são contra.

A economia verde promove transformações nas formas de produção e de consumo para atender as problemáticas ambientais, mediante a inovação tecnológica e atribuindo valor econômico aos bens naturais. Ativistas afirmam que este enfoque só reforça o atual modelo de desenvolvimento, baseado na produção e no consumo excessivos. Esta divergência ficou evidente nos dias finais da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada este mês no Rio de Janeiro.
O embaixador chinês na Tailândia, Guan Mu, publicou no dia 21 uma longa coluna no jornal The Nation, de Bangcoc, destacando a importância do desenvolvimento sustentável, mas evitando sempre usar conceitos como “economia verde” ou “crescimento verde”. “A China não só encontrou o caminho para um desenvolvimento sustentável adequado às suas condições nacionais, como fez importantes contribuições ao desenvolvimento sustentável em todo o mundo”, afirmou. “A China está disposta a fortalecer a cooperação e a unir esforços com outras partes para fazer mais contribuições ao desenvolvimento sustentável global sob o princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas”, destacou.
No dia anterior, em Manila, ativistas liderados pela Kalikasan, uma rede de grupos ambientalistas com sede nas Filipinas, protestaram diante da embaixada dos Estados Unidos contra a economia verde porque “enriquece as corporações”. “Nós, o povo, a quem não permitem falar na Rio+20 e que vemos nossos direitos pisoteados, não nos calaremos”, afirmou durante o protesto a secretária-geral da Asia Pacific Research Network, Lyn Pano. “Fortaleceremos nossas fileiras e lutaremos de forma constante” para rechaçar a economia verde, enfatizou.
Enquanto isso, o discurso da Cespap na Rio+20 sugeria que os países da Ásia e do Pacífico estavam a favor de adotar a economia verde em seus planos. “Estamos satisfeitos pelo fato de as políticas da economia verde serem reconhecidas como uma ferramenta importante para o desenvolvimento sustentável e para a erradicação da pobreza”, afirmou a secretária-executiva da agência, Noeleen Heyzer, durante uma reunião de alto nível.
A pressa das agências da ONU, incluindo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), para adotar as políticas de economia verde ignora temores asiáticos de que “sejam usados para prejudicar o marco aceito de desenvolvimento sustentável”, alertou Shalmali Guttal, pesquisadora principal do centro de estudos Focus on the Global South, com sede em Bangcoc. “Preocupa que esta seja uma tentativa dos países industrializados, os maiores poluidores do mundo, para imporem o protecionismo verde no mercado internacional”, declarou Guttal à IPS. “As nações em desenvolvimento da Ásia têm uma razão para estarem nervosas, porque este é outro esforço dos países industrializados de evitar os compromissos que assumiram de ajudar as nações do Sul a cumprirem suas metas de desenvolvimento”, ressaltou. “Os órgãos da ONU deveriam ouvir o povo, a que, supõe-se, estão ajudando”, acrescentou.
Os desacordos entre a Cespap e alguns governos da região sobre economia verde já havia ficado evidentes na sexta Conferência Ministerial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Ásia e do Pacífico (MCED-6), realizada no Cazaquistão em outubro de 2010. O comunicado de imprensa final desse encontro teve que ser reformulado. China, Índia, Irã e Rússia objetaram a expressão “economia verde” que tinha um grande destaque no texto e inclusive no título. O comunicado a mencionava como a estratégia apoiada pelos ministros asiáticos. A Cespap foi obrigada a divulgar novo comunicado de imprensa identificando o crescimento verde como “um enfoque (a mais) de desenvolvimento sustentável”.
Para um diplomata asiático em Bangcoc que pediu para não ser identificado, “este é um tema que se tornou polêmico. A partir de então, fiscalizamos a forma com a Cespap emprega os termos crescimento verde e economia verde sem seus documentos”, contou. “No âmbito interno, a maioria dos países contribui para o desenvolvimento de alternativas baixas em carbono e investimentos em tecnologia verde. Contudo, resistimos a sermos pressionados para apoiar a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável”, afirmou o diplomata.
A Cespap estava, de fato, na vanguarda do debate sobre crescimento verde, reconhecendo-o como uma alternativa de desenvolvimento sustentável. O conceito foi promovido na MCED-5, realizada na Coreia do Sul, em 2005. Três anos depois, após a crise financeira de 2008, muitos outros também apoiaram o conceito de economia verde, desde o Pnuma até o Grupo dos 20 países industrializados e emergentes.
“Os países asiáticos enfrentam a restrição de recursos, o preço do combustível sobe e isto é um impedimento ao seu desenvolvimento”, afirmou Rae Kwon Chung, diretor de meio ambiente e desenvolvimento da Cespap. “A pobreza não pode ser erradicada sem se resolver essa falta de recursos. As recentes crises energética e alimentar devem desatar uma grande mudança. Os países em desenvolvimento requerem um sistema energético distinto. A economia verde é uma das estratégias para pôr em prática o desenvolvimentos sustentável”, explicou à IPS.
A necessidade dessa mudança é evidente quando se observa que para produzir um dólar a região consome três vezes mais recursos naturais do que o resto do mundo, segundo informe da Cespap divulgado pouco antes da Rio+20. Muitas economias da Ásia e do Pacífico são importadoras de recursos e matérias-primas e sensíveis às altas de preços. Em 2011, as altas dos alimentos e do petróleo afundaram na pobreza 42 milhões de pessoas, enquanto no ano anterior 19 milhões haviam tido a mesma sorte.
Grandes nações, como China e Índia, e outras menores, como Camboja e Vietnã, são elogiadas no informe por adotarem programas para “reverdecer suas economias”. No entanto, as maiores economias regionais erguem uma bandeira vermelha quando o crescimento verde é colocado em outro contexto, como uma nova receita internacional e vinculante para o desenvolvimento sustentável do Sul global. “Isto continuará sendo um tema de divisão e as sessões da Cespap vão refletir isso. Alguns governos já disseram basta”, afirmou a fonte diplomática. Envolverde/IPS
(IPS) 

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Todos somos céticos


09/7/2012 - 08h41

http://envolverde.com.br/ambiente/artigo/todos-somos-ceticos/

por André Trigueiro*
Andre Trigueiro Todos somos céticos
André Trigueiro. Foto: Divulgação
A absurda “teoria da conspiração” em favor do aquecimento global.
Jornalista não é cientista, mas, quando cobre os assuntos da ciência, precisa entender minimamente os procedimentos e valores que regem esta comunidade. O que segue abaixo – em tópicos – é um resumo daquilo que me parece importante destacar sobre a cobertura dos assuntos ligados às mudanças climáticas.
Quem são os “céticos”?
A boa ciência, por princípio, tem o ceticismo como precioso aliado. São céticos todos os cientistas que norteiam seus trabalhos sem visões preconcebidas, dogmas ou interpretações pessoais da realidade desprovidas da correta investigação científica. É equivocado, portanto, chamar de “céticos” apenas aqueles que hoje se manifestam contra a hipótese do aquecimento global, ou da interferência da humanidade nos fenômenos climáticos.
A diferença entre opiniões pessoais e trabalhos publicados
Todo cientista tem o direito de compartilhar opiniões, impressões ou análises superficiais sobre o assunto que bem entender. Para a ciência, isto é tão importante quanto a opinião manifestada por qualquer leigo. Neste meio, vale o que foi publicado em revistas especializadas, de preferência as que adotam o modelo de revisão pelos seus pares, oupeer review em inglês (como a Science ou Nature, para citar apenas as mais famosas), onde o conselho editorial é composto por cientistas que indicarão outros cientistas. Estes terão o cuidado de aferir se a nova hipótese para a explicação de um determinado fenômeno seguiu rigorosamente os protocolos de investigação que regem o método científico. Sem isso, o conteúdo em questão – ainda que emitido por um cientista – se resume à categoria de mera opinião.
Na cobertura jornalística, em havendo controvérsia sobre um determinado assunto, convém verificar a quantidade e a qualidade dos trabalhos publicados. Até o momento, os estudos sobre mudanças climáticas se concentram majoritariamente em favor da hipótese do aquecimento global. As duas correntes científicas, neste caso, não são equivalentes nem proporcionais. Embora ambas mereçam respeito.
A ciência do clima
Essa é uma área nova de investigação científica extremamente complexa e imprecisa. Não há certezas absolutas (em ciência, pode-se dizer, nunca haverá 100% de certeza já que a hipótese prevalente pode um dia ser invalidada diante do surgimento de novas evidências) e a controvérsia alimenta o debate na busca daquilo que venha a ser a melhor explicação para o fenômeno observado. O próprio IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas)  reconhece em seus relatórios as várias incertezas ainda existentes. As modelagens do clima não explicam totalmente as variações de temperatura em função das emissões de gases-estufa. Ainda assim, há hoje mais certezas do que dúvidas de que o planeta está aquecendo e que os gases-estufa emitidos pela humanidade contribuem para esse fenômeno.
As oscilações naturais de temperatura do planeta em eras geológicas, a interferência do Sol nos fenômenos climáticos e todas as outras possibilidades que explicariam o que está acontecendo hoje são objeto de inúmeros estudos e pesquisas. Mesmo assim, segundo a corrente majoritária de cientistas, não há, até o momento, outra explicação mais convincente e embasada para explicar as mudanças climáticas do que a interferência humana.
Foi por isso que a maioria dos países assinou em 1992 o Acordo do Clima (que reconhece essa interferência no fenômeno climático), consolidou em 1997 o Protocolo de Kyoto (que estabeleceu prazos e metas para a redução das emissões até 2012), e definiu em 2011 o Mapa do Caminho de Durban (que estabelece o prazo limite de 2015 para que todas as nações apresentem seus compromissos formais de redução dos gases-estufa para implementação a partir de 2020).
Teoria da conspiração
Soa leviano – quase irresponsável – resumir o endosso à tese do aquecimento global de numerosos contingentes de cientistas e pesquisadores de algumas das mais importantes e prestigiadas instituições do mundo a uma conspiração que teria por fim “impedir o crescimento econômico dos países pobres ou emergentes no momento em que eles poderiam queimar muito mais combustíveis fósseis” ou “privilegiar setores da indústria, especialmente europeias, que desenvolveram patentes de novas tecnologias para a produção de energia mais limpa e renovável”. É incrível ver como declarações nesse sentido são repetidas à exaustão por pessoas que, em alguns casos, se dizem cientistas.
Com toda franqueza: como imaginar que a maioria absoluta dos países (ricos, emergentes e pobres) com suas muitas diferenças políticas, ideológicas, econômicas e sociais, sejam manipulados de forma tão grosseira em favor de uma gigantesca farsa que teria o poder de burlar a vigilância de suas respectivas comunidades científicas? Essa absurda teoria conspiratória relega a segundo plano a idoneidade, a honestidade intelectual e a autonomia de pessoas físicas e jurídicas do mais alto gabarito, em quase 200 países, que avalizam publicamente a hipótese do aquecimento global, e com influência humana. Em se tratando apenas de personalidades brasileiras, deve-se mais respeito a figuras como José Goldemberg, Paulo Artaxo, Carlos Nobre, Luis Pinguelli Rosa, Roberto Schaeffer, Suzana Kahn, Gylvan Meira, entre tantos outros que são reconhecidos dentro e fora do país, inclusive pela produção acadêmica que lhes afere enorme credibilidade.
Como imaginar que esse suposto “movimento orquestrado em favor do aquecimento global” seja ainda mais poderoso do que o lobby dos combustíveis fósseis (ou mesmo das empresas do setor automobilístico), a quem a hipótese da elevação da temperatura do planeta pela queima de óleo, carvão e gás tanto incomoda por razões óbvias? É inegável o poder que as companhias de petróleo ainda possuem para financiar campanhas, definir políticas públicas e os resultados de Conferências da ONU, como foi o caso recentemente da Rio+20, onde não se conseguiu reduzir em um único centavo aproximadamente US$ 1 trilhão anuais em subsídios governamentais para os combustíveis fósseis no mundo inteiro.
A justiça é cega?
Merecem registro decisões históricas da Justiça norte-americana – baseadas única e exclusivamente no conhecimento científico já construído sobre o aquecimento global – de que o dióxido de carbono (CO2) é um “gás poluente” (Suprema Corte/abril de 2007) e que o governo federal tem competência para regular as emissões de gases-estufa (Tribunal de Apelações, semana passada, por unanimidade). Como os juízes não são especialistas no assunto, foram buscar a informação mais confiável e balizada possível na literatura, junto a peritos e instituições renomadas acima de quaisquer suspeitas. Neste caso, o trabalho dos juízes se confunde com o dos jornalistas na busca pela informação mais confiável.
O risco
Se não há 100% de certeza de que os gases-estufa emitidos pela humanidade – especialmente pela queima progressiva de óleo, carvão e gás – contribuem efetivamente para o aquecimento global, por que se deveria apressar investimentos em mitigação (redução das emissões) e adaptação (prevenir risco de mortes e importantes perdas materiais em função dos eventos extremos, elevação do nível do mar, etc.)? A resposta é simples e leva em conta a mesma lógica que determina a opção por um seguro de vida, da casa ou do carro. Em todas essas modalidades de seguro, a probabilidade de acontecer algo indesejado é muito menor do que aquela que os cientistas apontam em relação ao clima. Ainda assim, muitos de nós consideram sensato recorrer a companhias de seguro para se precaver de eventuais riscos, por mais remotos que sejam.
Há outra questão importante: todas as recomendações do IPCC para que evitemos os piores cenários contribuiriam para um modelo de desenvolvimento mais inteligente e saudável. Reduzir as emissões de gases poluentes, combater os desmatamentos, tratar o lixo e o esgoto, promover a eficiência energética, priorizar investimentos em transportes públicos de massa, entre outras medidas, geram mais qualidade de vida, saúde e bem-estar. São as chamadas “políticas de não arrependimento”. Se em algum momento for proposta outra hipótese robusta para as variações do clima, o que se preconiza agora como “o certo a fazer” não deixará de ser “o certo a fazer”. Mudaria apenas o senso de urgência para que os mesmos objetivos sejam alcançados.
Qual é a prioridade?
Num mundo onde ainda há tanta pobreza, fome e miséria, pode-se defender como prioridade a canalização de recursos para a solução imediata destes problemas. É um pensamento legítimo. Mas o caminho do desenvolvimento pode ser sustentável e inclusivo. Uma agenda não exclui a outra. Uma questão dada como certa por boa parte dos cientistas é que o não enfrentamento das mudanças climáticas tornará a situação dos pobres e miseráveis ainda mais angustiante e aflitiva. Melhor agir, e logo.
* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina Geopolítica Ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livroMundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio, pela Editora FEB, 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.
** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.
(Mundo Sustentável)