terça-feira, 11 de outubro de 2011

Se não fosse o "se"...


10/10/2011 - 17h15

UE só assinará novo Protocolo de Kyoto se EUA e China aderirem

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/988460-ue-so-assinara-novo-protocolo-de-kyoto-se-eua-e-china-aderirem.shtml


Ministros de Meio Ambiente de países que pertencem à União Europeia sinalizaram nesta segunda-feira que seus governos pretendem assinar um segundo Protocolo de Kyoto se as nações mais poluentes também o fizerem --no caso, os Estados Unidos, a China e a Índia.
Entenda importância do Protocolo de Kyoto contra o efeito estufa
A linha de ação que será adotada pela UE na próxima conferência mundial sobre mudanças climáticas --marcada para novembro em Durban, na África do Sul-- foi acordada em uma reunião que acontece nesta semana em Luxemburgo.
"Qual a razão de se manter algo vivo se você está lá sozinho?", disse à agência de notícias Reuters o comissário de Ambiente da UE, Connie Hedegaard.
Ele comentou que deve haver maior colaboração dos países mais poluentes, que respondem por 89% das emissões, contra os 11% dos países da UE.
O Protocolo de Kyoto em vigor, que prevê medidas de combate contra o aquecimento global, vai expirar em 2012 e até o momento não possui nenhum novo texto formulado.
Os EUA são um dos países poluentes que assinaram o Protocolo de Kyoto, mas nunca ratificaram sua participação, motivo pelo qual é criticado mundialmente. As nações em desenvolvimento também foram excluídas do pacto original de 1997, mas hoje se enquadram entre os poluentes.
Na metade deste ano, representantes de 180 países se reuniram para tratar de Kyoto, mas

não houve avanços nas duas semanas de conversações e o assunto mais uma vez foi postergado sem solução.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Moradores do Cingapura não sairão e querem ajuda do MP




Com a decisão da Justiça de São Paulo de interditar e remover os cerca de 3.000 moradores do conjunto residencial Cingapura Zaki Narchi, na zona norte da capital paulista, moradores se revoltaram. Além de manifestações na frente do local, a associação de moradores entregou um abaixo assinado para o Ministério Público e para a Prefeitura pedindo que o Cingapura não seja interditado. 

10/10/2011 22h13 - Por UOL Notícias

 

 http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2011/10/10/04028D99366CD8892326.jhtm?moradores-do-cingapura-nao-sairao-e-querem-ajuda-do-mp-04028D99366CD8892326


Piquenique-se nos parques e praças da Cidade



O Piquenique-se é uma campanha do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, para comemorar o dia do Consumo Consciente, que oficialmente acontece no dia 15 de outubro. Para incentivar as pessoas em todo o Brasil a fazer piqueniques, como oportunidade de experimentar um estilo de vida mais feliz e mais sustentável.
Se você quer aproveitar e organizar seu piquenique sustentável em alguma praça ou parque é muito simples. Cada grupo será organizador de seu piquenique, não há controle. A ideia é justamente não ter controle, mas convidar o cidadão a curtir um dia com mais qualidade de vida, a partir da convivência com as pessoas de que gosta e procurando praticar o consumo consciente.
No site da do Akatu (www.akatu.org.br) você pode consultar o guia com cuidados e dicas práticas para um piquenique de consumo consciente. Três aspectos do consumo são importantíssimos para a sensibilização e a conscientização das pessoas: a compra (com planejamento prévio e execução), o uso dos produtos e o descarte.
Aproveite que é domingo e tire sua bicicleta da garagem ou dê preferência ao transporte público para chegar no parque.


Piso permeável e calçadas verdes acessíveis

Piso permeável como alternativa

http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/16/materia/273473

Quarta, 04 de maio de 2011, 04h00

Josana Salles  / Da Redação 
 
Os pisos drenantes ou permeáveis estão cada vez mais ocupando espaço em Cuiabá, uma das capitais brasileiras com alto índice de chuvas nos primeiros meses do ano. A impermeabilização de áreas abertas contribui para a ocorrência de inundações. Porém, novas tecnologias,como os pavimentos permeáveis, são uma alternativa para permitir a infiltração da água para o solo. O material pode ser utilizadas em calçadas, parques, praças, quadras poliesportivas, estacionamentos e até em ruas de tráfego leve.
O pavimento permeável já é utilizado com sucesso há mais de 30 anos nos Estados Unidos e em países europeus, como Inglaterra e Alemanha. Em Cuiabá, a indústria Braston, que utiliza o concreto incorporado com fibras naturais e agregados minerais produz peças premoldadas com grande capacidade de drenagem.
O empresário cuiabano, Narciso Bosaipo, um dos sócios da Braston ressalta o índice de 97% de absorção dos pisos, retirando a água do solo em três segundos. "Em seguida a água passa por uma base de pedra, pedrisco e areia e é levada para o lençol freático. Os pisos são resistentes e aderentes, atérmicos, confortáveis e antiderrapante", diz.
O produto é feito com granito, vidro temperado, pedras e fibra de coco, tudo triturado. A fábrica produz pisos em mais de 20 cores, peças formadas por placas porosas com cinco tamanhos diferentes. Rogério Cazaroti, um dos empresários da Braston diz que a produção chega a 300 metros/dia de piso, podendo chegar a 600 metros.
O piso foi utilizado no Jardim da Contemplação, na Casa Cor Mato Grosso 2010, em Cuiabá. Foi empregado também nos estacionamentos de agências bancárias e espaços em condomínios.
Na hora de aplicar, não exige mão-de-obra especializada. As peças podem ser colocadas e retiradas uma a uma com extrema facilidade. O piso Megadreno permite um processo de intervenção no subsolo mais simples, rápido e seguro. Seu lançamento oficial ocorreu na Casa Cor São Paulo, em 2006, no Jockey Club, no ambiente Calçada Viva, projetado pelo conceituado arquiteto e paisagista Benedito Abbud.

Fornecedores:

http://www.braston.com.br/site/portal/

http://www.gyotoku.com.br/



Guia Prático para
a Construção de Calçadas
 
 Fonte e guia:

http://www.creaba.org.br/ftp/Guia_Pratico_Construcao_de_Calcadas.pdf



 CALÇADAS VERDES E ACESSÍVEIS
 

Melhoram a mobilidade, a permeabilidade e embelezam a paisagem urbana

Fonte e guia:
http://www.uniagua.org.br/public_html/website/livro_calcada.pdf

Lixo proibido vem de longe

Lixo 'útil' poupa recursos naturais e energia, mas importação ainda é tabu

Tipos de lixo não aproveitáveis e proibidos entram no País 'disfarçados' de recicláveis e atrapalham importação de material reutilizado na cadeia produtiva da indústria; em 2010, o Brasil importou 201 mil toneladas de resíduos para reúso

08 de outubro de 2011 | 15h 10
 
Karina Ninni - O Estado de S. Paulo
A importação de resíduos é estratégica para alguns setores industriais brasileiros, com destaque para a siderurgia, a indústria do alumínio, do papel e do PET. A indústria usa as sobras do processo produtivo em sua cadeia novamente, o que reduz a quantidade de matéria-prima retirada do planeta e as emissões relativas a esse processo. Mas o tráfico ilegal de lixo considerado perigoso, que entra junto com alguns tipos de resíduo, atrapalha a indústria da reciclagem e perpetua o preconceito contra a importação desse material, considerado pela indústria como insumo.
O País importou no ano passado 201.075 toneladas de sucata de ferro, aço e alumínio, resíduos de PET em flocos e aparas de papel. Segundo o relatório Lixo Sem Fronteiras na União Europeia, de 2009, a produção de alumínio com base em matéria reciclada usa 5% da energia necessária para a obtenção do produto partindo da bauxita. A produção de 1 quilo de papel a partir do papel reciclado gasta a metade da energia.
"Sucata de aço e ferro é considerada matéria-prima importantíssima. Seu uso reduz as emissões de CO2 e o consumo de recursos como água e energia", afirma Cristina Yuan, diretora de assuntos institucionais e sustentabilidade do Instituto Aço Brasil. Segundo ela, tudo pode voltar para a cadeia produtiva. "De prego a restos de navios. É a nossa vantagem sobre outros materiais."
Cristina afirma que, além de aproveitar as sobras do processo produtivo e de comprar no mercado brasileiro, às vezes é preciso importar sucata. "Geralmente trazemos de países da América Latina. Quanto mais perto, mais barato", resume.
No caso do alumínio, exemplo bem-sucedido de reciclagem no Brasil, as latinhas representam 50% dos resíduos importados.
"Há 3 anos, importávamos 100 mil toneladas de sucata por ano. No ano passado, foram 52 mil", afirma Henio De Nicola, coordenador da comissão de reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Ele diz que a projeção para 2011 é de importação de 40 mil toneladas.
"Nós estamos trazendo da Colômbia e de países da América Central, como o Panamá. E também da Malásia, da Coreia, da Inglaterra e da Alemanha", esclarece De Nicola.
Grande produtora de chapas e folhas de alumínio, a Novelis confecciona, no Brasil, 400 mil toneladas por ano. "Disso, 50% é feito de alumínio reciclado. Até 2020, teremos de confeccionar 80% da produção com reciclados", diz Carlos Roberto de Morais, diretor de reciclagem. Dos reciclados usados pela empresa, 15% são importados.
Outro resíduo que entrou a uma média de 10 mil toneladas por ano nos últimos três anos são os flocos de PET. As empresas recicladoras no Brasil trabalham com capacidade ociosa de 30%, pois, com o deficiente sistema de coleta seletiva do País, a matéria-prima não chega a elas.
Contaminantes. Embora o comércio transfronteiriço de resíduos seja vital para esses setores, é quase inevitável não conectá-lo a uma cena que se tornou frequente na mídia nos últimos tempos: a entrada de contêineres com todo tipo de lixo, incluindo lixo doméstico e hospitalar, etiquetados como aparas para reciclagem.
Segundo a Receita Federal, boa parte do "lixo proibido" disfarçado de resíduos para reciclagem entra no País como apara de plástico, de resíduo têxtil, de papel e de borracha.
"Esse tipo de conduta passa pelo operador do mercado nacional. Quando ele começa no mercado, tem um período de quarentena. O desvio de conduta começa depois da quarentena", explica Dario da Silva Brayner Filho, coordenador-geral de administração aduaneira da Receita Federal.
Silva afirma que os casos de entrada de lixo proibido junto com resíduos destinados à reciclagem são pontuais e acontecem pouco. Mas Auri Marçon, da Abipet, discorda.
"Desde 2008, esse tráfico ilegal começou a crescer de forma descontrolada. Sabemos que muita coisa entra como resíduos de PET. Venho reclamando há pelo menos cinco anos", diz ele. Marçon afirma que não existe uma orientação clara para os órgãos de fronteira de que esse tipo de material tem de ter autorização prévia do governo.
"Qualquer resíduo sólido cujas características possam causar dano ao meio ambiente ou à população é proibido", afirma Fernando da Costa Marques, diretor de qualidade ambiental do Ibama, citando a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O Brasil proíbe a importação de resíduos que considera perigosos desde 1996, por uma resolução do Conama. A PNRS instituiu a proibição por força de lei.
Henio De Nicola, da Abal, afirma que no ramo da sucata de alumínio a presença de contaminantes é pequena. "É um mercado maduro, a gente já sabe de quem compra. Agora, é preciso exigir do fornecedor um grau mínimo de pureza e especificar a maneira pela qual essa carga deve chegar aqui. Se o comprador não exige, Deus sabe o que pode vir junto com aquilo que ele pediu", explica.
Ele lembra que no passado teve problemas com contaminantes. "Antigamente, às vezes vinha chumbo nas latinhas, para fazer peso. Mas hoje o preço do chumbo na bolsa de Londres está quase alcançando o do alumínio, não vale mais a pena."
Na Novelis, os caminhões carregados com resíduos passam, antes da descarga, por um sistema de detecção de resíduos perigosos, incluindo os radioativos. "Temos um sistema muito eficaz", diz Carlos Roberto de Morais. "Se algo é detectado, a carga nem é aberta."
"O Césio 137 foi encontrado num depósito de sucata", lembra De Nicola, da Abal. "Aquilo foi um alerta. Toda a indústria de alumínio que usa resíduos hoje toma esse tipo de cuidado."
 
Legislação rígida  favorece ‘tráfico de lixo’. Crescimento do comércio mundial para reciclagem levou países a buscar alternativas para driblar proibição de manuseio de resíduos perigosos
O crescimento do comércio transnacional de resíduos para reciclagem e reúso do lixo "útil" acabou gerando um problema: o tráfico ilícito de resíduos considerados perigosos.
A iniciativa de controle do movimento transfronteiriço surgiu primeiramente nos países da União Europeia, nos anos 90.
"Os países desenvolvidos queriam reaproveitar sucatas que continham gases tóxicos, como motores de geladeiras, por exemplo. Então, como tinham leis impedindo o manuseio desses gases, mandavam para países subdesenvolvidos desmontarem os aparelhos. É o chamado tráfico", explica a consultora Ângela Cardoso, gestora da unidade de segurança e meio ambiente da Key Associados.
Ângela diz que resíduo é diferente de lixo. "O lixo é o último estágio de um produto. O resíduo é reaproveitável", completa.
O lixo recolhido nas casas que, vez por outra, entra no País disfarçado de resíduo para reciclagem é considerado, pela Convenção da Basileia, como resíduo que requer especial atenção. A convenção é um acordo global, ratificado por mais de cem países-membros, para regular os problemas do comércio transnacional de resíduos - sobretudo aqueles considerados perigosos.
A convenção distingue os tipos de operações de eliminação em dois: recuperação/reciclagem e disposição final.
O último relatório mundial publicado sobre movimentos transfronteiriços de resíduos pela Convenção da Basileia mostrou que, em 2006, 80% do lixo não perigoso que circulava pelo mundo tinha como fim a reciclagem e/ou a reutilização.
Eletrônicos. Hoje, a comunidade internacional está particularmente preocupada com os resíduos eletroeletrônicos, que crescem com grande rapidez. Somente na Europa, 8 milhões de toneladas são descartadas todo ano.
O Brasil produz entre 500 e 680 gramas per capita por ano, sendo o maior produtor per capita de resíduos eletrônicos entre os países emergentes, segundo recente estudo da ONU. Boa parte nós exportamos.
"O Brasil exporta eletroeletrônicos para países como Bélgica, China, Cingapura e Índia", diz o consultor Adriano Assi, um dos organizadores da Exposucata, feira de negócios de material pós-consumo. "Sucata eletrônica é reciclável e tem alto valor de mercado. Eu, como reciclador de eletrônicos, adoraria importar. Mas é um vespeiro: de um lado interessa economicamente; do outro, tem a Convenção da Basileia", resume.
Artesanal. A cidade chinesa de Guiyu é considerada a capital mundial do lixo eletrônico. "A China tem um processo de reciclagem altamente arcaico e poluente", diz Assi. No entanto, recebe lixo eletrônico dos EUA, da Europa, Canadá, Japão e de emergentes, como o Brasil.
 
PARA LEMBRAR - Lixo proibido vem de longe
Em agosto de 2009, 2 toneladas de resíduos sólidos não tratados da Grã-Bretanha vieram parar no Brasil. Os contêineres, interceptados em portos no RS e em SP, estavam identificados como polímeros de etileno e resíduos plásticos para reciclagem. Mas eram fraldas usadas, pilhas, seringas usadas, lixo doméstico... A história se repetiu em agosto de 2010 e no mês passado, com uma carga vinda da Espanha para o Porto de Itajaí (SC). Em todos os casos, a carga estava identificada como aparas de plástico para reciclagem.
"Multamos a empresa que importou, a que transportou e mandamos a carga de volta. O ônus é de quem trouxe", diz Fernando da Costa Marques, do Ibama. A carga britânica, por exemplo, foi multada em R$ 3 milhões. "É difícil haver casos de reincidência", diz Dario da Silva, da Receita Federal.

domingo, 9 de outubro de 2011

Myfuncity, a primeira rede social privada do mundo focada em cidadania

Uma rede em busca da cidadania

A Myfuncity tenta fazer com que o cidadão descubra uma maneira de atuar politicamente, sem a necessidade de agir dentro dos moldes da política tradicional

http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/uma-rede-em-busca-da-cidadania
 
Branca Nunes
Myfuncity
Em 19 de outubro, o aplicativo estará disponível para iPhones e iPads (Reprodução)
As estatísticas e o consolidado das avaliações são enviados a prefeituras, secretarias, jornais, emissoras de rádio, revistas ou qualquer outra entidade cadastrada
“Você se sente seguro na sua região?”, “As vias estão limpas?”, “O trânsito está fluindo?”, “Você está satisfeito com os parques”. Imagine opinar sobre questões como essas enquanto caminha pela cidade. Imagine se as respostas chegassem diariamente ao conhecimento do poder público. Imagine se o governo e a prefeitura passassem a levar essas informações em consideração no momento de decidir para qual direção ampliar as linhas de ônibus, onde instalar novas lixeiras ou em que lugar plantar uma árvore. É exatamente essa a proposta do Myfuncity, a primeira rede social privada do mundo focada em cidadania.
“É uma ferramenta de transformação para grandes e pequenas causas”, explica o publicitário Mauro Motoryn, um dos idealizadores do projeto, que deixou o cargo de CEO da agência 141 Soho Square para se dedicar em tempo integral à empreitada – que será exportada para os Estados Unidos e a Europa até o ano que vem. “Vamos conectar milhares de pessoas que compartilham opiniões e querem contribuir para mudar a cidade onde moram”.
A ideia é simples. Depois de se cadastrarem, os usuários são convidados a avaliar a região onde estão naquele momento. Também é possível deixar um comentário e colocar fotografias, que podem ser compartilhados via Facebook ou Twitter, de forma anônima ou abertamente. Entre os 12 temas abordados, limpeza pública, transporte, saúde, educação e lazer. Todos os dados ficam armazenados e disponíveis para serem consultados por outros usuários de internet que estejam num raio de um quilômetro daquele local. No fim do dia, as estatísticas e o consolidado das avaliações são enviados a prefeituras, secretarias, jornais, emissoras de rádio, revistas ou qualquer outra entidade cadastrada.
“É uma forma de usar a tecnologia como suporte da cidadania, a serviço da mobilização da sociedade”, acredita Oded Grajew, fundador da Rede Nossa São Paulo e um dos parceiros do projeto. “Embora o direito de se obter informação sobre a qualidade dos serviços públicos seja garantido por lei, diversos municípios brasileiros não cumprem essa determinação. Com esse aplicativo poderemos ter uma ideia melhor do que acontece na cidade sob o ponto de vista dos cidadãos”.
Outras mídias - Até agora, só é possível acessar o Myfuncity pelo Facebook. Em 19 de outubro, o aplicativo estará disponível para iPhones e iPads com um recurso de geolocalização que indicará automaticamente onde está o usuário. O dia também marca o lançamento em três cidades dos Estados Unidos. No fim do mês, será a vez dos celulares com sistema operacional Android, do Google.
O questionário tem 12 perguntas que mudam de hora em hora – a única que permanece a mesma é: “Qual é seu humor hoje”, para que se possa ter um “grau de confiabilidade” nas respostas. Até agora, foram elaboradas 96 questões. “Também será possível criar perguntas voltadas para uma cidade específica, caso alguma prefeitura tenha o interesse de saber a opinião da população sobre determinado tema”, explica Motoryn.
O objetivo principal do Myfuncity é possibilitar, através das novas tecnologias, que o cidadão descubra uma maneira de atuar politicamente, sem a necessidade de agir dentro dos moldes da política tradicional – tratada com repulsa por grande parte das novas gerações. “É hora de reinventar e inovar os moldes de ação”, acredita Alexandre Le Voci Sayad, diretor do Myfuncity. “O barateamento das tecnologias abriu caminho para uma geração de jovens antenados, com instrumentos capazes de promover uma verdadeira revolução . Embora banal, a pergunta ‘Que cidade você deseja?’ jamais foi feita ao cidadão. Nós queremos fazê-la. O Myfuncity abre um canal de expressão precioso para a construção de políticas públicas”.
O público e o privado - Além da maior interação com o poder público, a rede espera criar canais de diálogo entre os internautas, que poderão “curtir” – botão popularmente conhecido no Facebook que permite indicar um conteúdo – e “comentar” as opiniões dos usuários. “Pessoas que tenham interesses em comum poderão se comunicar e, por que não, organizar ações que efetivamente mudem a realidade daquela região da cidade”, anima-se Motoryn.
O projeto, que vem sendo desenvolvido há dois anos por Motoryn e Sayad, nasce com a parceria de mais de 700 entidades, por meio da Rede Nossa São Paulo, Rede Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, Cidade Escola Aprendiz, Catraca Livre e do Museu da Pessoa. A fonte de receita virá de anunciantes e, até o fim de 2012, o Myfuncity pretende reunir cerca de 10 milhões de usuários no Brasil e 50 milhões no mundo.
Embora na teoria o Myfuncity funcione bem, ainda é preciso saber o que acontecerá na prática. Para dar certo, é fundamental não só a participação de um grande número de pessoas, mas o bom uso dos recursos disponíveis para que o aplicativo não se transforme em mais um dos infinitos jogos criados diariamente nas redes sociais. As ferramentas estão postas na mesa. Resta descobrir o que será feito com elas.

Um exemplo para todos os parques! Sucesso do mutirão na 18ª ECOMOBILIZAÇÃO em Mairiporã.



fotos: Parques Sustentáveis




















Programa Ciclo Reciclar participa da 18ª Ecomobilização em Mairiporã
http://www.institutoholcim.org/index.php?option=com_content&view=article&id=146&catid=3&Itemid=21








Em outubro, aconteceu a 18ª Ecomobilização - mutirão de limpeza com coleta de materiais recicláveis a ser destinado ao Programa Ciclo Reciclar e plantio de mudas no entorno da represa Paiva Castro.


Promovida pela Sabesp, Projeto Navega São Paulo, Prefeitura de Mairiporã, através da Secretaria de Educação, Cultura e Esportes, esta edição da Ecomobilização fez parte das comemorações do Dia Mundial da Ecologia e teve como objetivo promover o uso consciente da represa.


Durante o evento foi retirado uma tonelada de entulhos e recicláveis, destinados à Associação de Catadores pelo Programa Ciclo Reciclar.


A 18ª Ecomobilização contou com a participação do prefeito Antonio Aiacyda, representantes da Sabesp, Holcim Brasil, Schwing Stetter, Programa Ciclo Reciclar, alunos das escolas públicas de Mairiporã, entre outros. 




Escócia anuncia pequeno vazamento radioativo em usina nuclear


08 de outubro de 2011 • 06h53 • atualizado às 06h59 

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5400528-EI8142,00.html

A Agência de Proteção do Meio Ambiente da Escócia (Sepa, na sigla em inglês) informou neste sábado de um pequeno vazamento radioativo em uma antiga usina nuclear em Caithness, no nordeste escocês.
Segundo a Sepa, a radiação não chegou a vazar para fora da instalação de Dounreay, que está em processo de desligamento avaliado em 2,6 bilhões de libras.
A empresa Dounreay Site Restoration Limited, que opera a usina, indicou que o pequeno vazamento não representa um risco para a saúde. A central foi construída há cerca de 50 anos, mas não gera eletricidade desde 1994. Segundo os especialistas, às vezes este tipo de incidente acontece quando se limpa o reator e o equipamento nucleares.

SWU

06.10.2011

Fórum Global de Sustentabilidade SWU

http://pagina22.com.br/index.php/2011/10/forum-global-de-sustentabilidade-swu/

O 2º Fórum Global de Sustentabilidade SWU, que acontece entre os dias 12 e 14 de novembro em Paulínia (SP), anuncia a participação de mais quatro palestrantes: o escritor, professor e cineasta americano M.K. Asante; a educadora Dagmar Garroux, fundadora da Casa do Zezinho; a cientista Milena Boniolo, que ganhou o Prêmio Jovem Cientista (2006) com trabalho de tratamento de efluentes radioativos; e Manoel da Cunha, presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros.
Eles se juntam a um time de palestrantes que já conta com os músicos Neil Young e Bob Geldof, a Nobel da Paz Rigoberta Menchú, a ex-ministra Marina Silva e os ambientalistas Céline Cousteau e David de Rothschild, entre outros.
Em sua segunda edição este ano, o Fórum Global de Sustentabilidade SWU promove, mais uma vez, três dias de debates e discussões em torno de ideias, experiências e propostas para a sustentabilidade, contemplando os seus três pilares (social, ambiental e econômico). O evento acontece no Theatro Municipal de Paulínia, dentro da área onde será montado o festival SWU. O objetivo do encontro é fomentar debates em torno da sustentabilidade através do exemplo e da experiência de pessoas, empresas e organizações que já contribuem para um modo de vida mais sustentável.
M. K. Asante
O americano M.K. Asante é um premiado cineasta, escritor e professor, ganhador do 2009 Award Langston Hughes. Suas obras abordam os movimentos populares, o ativismo social, o hip hop e a cultura afro-americana.
Nascido no Zimbábue e criado na Filadélfia, Asante tem divulgado seu trabalho na África, Europa, América do Sul, Caribe e Estados Unidos. Seu último livro, “It’s Bigger Than Hip Hop”, foi classificado pelo jornal Los Angeles Times como “um livro poderoso capaz de movê-lo para a ação e questionar os problemas da América”. Seus outros dois títulos, “Beautiful. And Ugly Too” e “Like Water Running Off My Back”, são de poesia, sendo o último vencedor do Academy of American Poets Jean Corrie Prize.
Asante também escreveu, dirigiu e produziu o filme “The Black Candle”, narrado por Maya Angelou e vencedor de Melhor Documentário no Festival de Cinema Documentário Mundial da África. Escreveu e produziu ainda “500 Years Later”, vencedor de cinco prêmios internacionais: o prêmio de melhor documentário no Festival de Cinema Pan Africano, no Festival de Cinema de Bridgetown, no Festival de Cinema Internacional de Harlem, assim como o título de melhor filme no Festival de Cinema de Berlim e o prêmio Breaking the Chains, das Nações Unidas.
Asante estudou na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, na Lafayette College e na UCLA School of Film and Television, em Los Angeles. É também professor de cinema e criação no Departamento de Inglês e Artes da Linguagem da Morgan State University, em Maryland.
Dagmar Garroux
Dagmar Garroux é educadora e criadora da Pedagogia do Arco Íris, uma pedagogia centrada em ideias de interesse social de pleno desenvolvimento humano para crianças e jovens da baixa renda. Em 1994, à frente de um grupo de educadores identificados com sua proposta, fundou a Casa do Zezinho em uma região de extrema violência na periferia da zona sul de São Paulo – o chamado “Triângulo da Morte”, área de entroncamento entre Capão Redondo, Jardim São Luiz e Jardim Ângela.
Desde a sua fundação, a organização não parou de crescer e hoje abriga 1800 jovens e crianças, com vários programas sociais que incluem as famílias. Com uma crença inabalável em uma educação de reciprocidade e de escuta, “Tia Dag”, como é chamada, reúne milhares de histórias nos 16 anos de existência da Casa do Zezinho.
Milena Boniolo Milena cursou Química nas Faculdades Oswaldo Cruz. Apesar da pouca idade, tem posições bastante firmes em relação ao universo acadêmico, que conhece bem de perto, e a necessidade da academia rever suas relações com a indústria, os setores produtivos e sociedade em geral. Reconhecida como pesquisadora de talento extraordinário, ganhou o Prêmio Jovem Cientista, edição 2006, na categoria graduados, com o trabalho “Uso da casca de banana para tratamento de efluentes radioativos”. Atualmente, é doutoranda em química pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos, no interior paulista).
Manoel da Cunha
Manoel da Cunha é presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros. Nasceu no Amazonas e até os 24 anos viveu em um regime de semi-escravidão, trabalhando como seringueiro na floresta amazônica. Foi um dos ativistas pelas mudanças nas condições do trabalho na região, através do Movimento de Educação de Base (MEB). Aprendeu a ler graças à própria força de vontade e nunca estudou. Em 1997, ele e um grupo de seringueiros criaram a primeira reserva extrativista do Estado do Amazonas, no Médio Juruá. Toda a produção da reserva é vendida por meio da associação de seringueiros ou da cooperativa. A comunidade já fornece de 15 a 20 toneladas de óleo diretamente para as grandes empresas do país.
Fórum 2011
Além de M. K. Asante, Dagmar Garroux, Milena Boniolo e Manoel da Cunha, o 2º Fórum Global de Sustentabilidade terá como palestrantes os músicos Neil Young e Bob Geldof; a ex-senadora Marina Silva; o professor José Eli da Veiga (especialista em desenvolvimento sustentável); John Rose (criador da ONG Waves4Water); Virgílio Viana (diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável); Mario Mantovani (diretor da SOS Mata Atlântica); Julia Craik (ativista e diretora do estúdio de música sustentável Premises Studios); Anna Gabriel (filha do músico Peter Gabriel e uma das criadoras do Voice Project) e seu marido, Hunter Heaney; a estilista americana Donna Karan; William McDonough e Michael Braugart, da empresa de design sustentável Cradle to Cradle; Céline Cousteau (neta do historiador marítimo Jacques Cousteau e defensora dos oceanos e do meio ambiente); David de Rothschild, que comandou uma expedição pelo Pacífico com um barco feito 100% de plástico; o cientista israelense David Cahen (chefe do Departamento de Energia Alternativa do Instituto Weizmann de Ciências de Israel); o presidente da ONG britânica SolarAid, Steve Andrews; e a cineasta Lais Bodansky, entre outros.
Sobre o SWU
O SWU (Starts With You – Começa Com Você) é um movimento que convida a repensar atitudes, trazendo o debate sobre sustentabilidade para a esfera individual de ação – demonstrando como as nossas escolhas diárias podem contribuir para um mundo mais sustentável. Idealizado pelo Grupo Totalcom, de Eduardo Fischer, o movimento teve início em junho 2010 com uma plataforma de ações de comunicação e engajamento que teve como seu primeiro grande marco de celebração o SWU Music and Arts Festival.

Serviço

Data: 12 e 14 de novembro de 2011
Local: Paulínia, SP

sábado, 8 de outubro de 2011

Permacultura é...Wetlands, banheiro ecológico seco...

http://g1.globo.com/videos/globo-news/cidades-e-solucoes/v/jardins-filtrantes-fazem-despoluicao-da-agua-na-franca/1638209/#/programas/page/1

Jardins filtrantes fazem despoluição da água na França



Controle de qualidade de água através de sistemas de Wetlands construidos

fonte: 
http://www.fbds.org.br/Apresentacoes/Controle_Qualid_Agua_Wetlands_ES_out06.pdf




Quer conhecer um aqui em São Paulo?

Visite o Parque/Praça Victor Civita:
http://pracavictorcivita.org.br/




Papel Verde Nacional: Compensação ambiental na BOVESPA?


Código Florestal pode dar incentivo econômico a quem preservar floresta

Relator da reforma do Código no Senado sugere criação de um ‘papel verde nacional’, que poderia ser comprado na Bolsa de Valores por empresas que precisam desmatar

08 de outubro de 2011 | 0h 04
Afra Balazina, de O Estado de S.Paulo
O senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), relator de duas comissões do Senado pelas quais a reforma de Código Florestal ainda será analisada, afirmou na sexta-feira, 7, que incluirá no projeto de lei incentivos econômicos para quem preservar florestas.
Reserva Terra Grande-Pracuúba (PA), onde famílias foram selecionadas para receber a bolsa verde - Wilson Pedrosa/AE - 9/8/2011
Wilson Pedrosa/AE - 9/8/2011
Reserva Terra Grande-Pracuúba (PA), onde famílias foram selecionadas para receber a bolsa verde
Em teoria, a ideia é vista com simpatia tanto por ruralistas quanto por ambientalistas. O senador disse na sexta-feira, em evento para debater o Código em São Paulo, que estuda várias sugestões de beneficiar quem mantiver as árvores em pé em suas propriedades e deu exemplos do que pode ser colocado na lei.
De acordo com Silveira, uma das sugestões, a de criar um “papel verde nacional”, partiu da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). “Se um estudo de impacto ambiental determinou que o projeto de uma indústria vai gerar um impacto ambiental X, essa indústria então compraria papéis verdes de um cidadão que tem uma floresta. Ou seja, transforma-se a floresta num bem econômico ou, mais simplesmente, faz a árvore em pé valer mais que a árvore cortada.”
Ele compara com a negociação de créditos de carbono. E, segundo ele, quem cortou a vegetação irregularmente e estiver sendo multado também poderia converter a multa na compra desse papel de preservação. “Esse papel é negociável em bolsa, cria-se um ativo circulante para o País. Hoje, apesar de termos a maior floresta do mundo, só obtemos 4% do seu valor econômico.”
Outra ideia em avaliação partiu do senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Ele sugere criar um fundo a partir de recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), cobrada sobre combustíveis, dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e outras fontes tributárias para remunerar os pequenos produtores rurais.
“O eixo dessa lei, hoje, é a do comando e controle. Ela estabelece normas e procura a preservação por meio de ameaças punitivas. Vamos mudar e o eixo principal será o econômico. O homem se move pelo bolso”, afirma.
Para Raul Telles do Valle, do programa de Política Pública do Instituto Socioambiental (ISA), é fundamental diferenciar quem cumpre a lei de quem não a respeita. E ele considera muito importante premiar, dar benefícios concretos, a quem preserva a floresta.
Em sua opinião, inicialmente, num período de transição, poderiam ser beneficiados aqueles que cumprem a lei. “Na situação atual, em que uma grande parte não respeita a lei, já poderíamos premiar quem a cumpre. Depois, poderíamos passar a premiar aqueles que fazem mais do que a lei exige”, afirma. Valle considera que um dos problemas do projeto de lei já aprovado pela Câmara é que hoje o texto “faz o contrário, permite que qualquer um (que desmatou) se regularize”. “Ele está igualando todo mundo, é antipedagógico.”
Na visão de Assuero Doca Veronez, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), “há uma simpatia quase unânime pela proposta”. “Mas eu temo que seja mais um dispositivo que acabe virando letra morta lá na frente.”
A ideia pode emperrar na falta de recursos, avalia. Ou beneficiar somente os menores produtores. “Existem cerca de 94 milhões de hectares de floresta dentro das propriedades. Se pagassem R$ 200 por hectare por ano, por exemplo, precisaríamos de R$ 20 bilhões por ano. Não existe esse dinheiro.” Por causa disso, Veronez prevê que os possíveis benefícios sejam colocados no Código de uma forma genérica. Depois, o assunto deverá ser melhor trabalhado.
Imposto. O representante da CNA defende a criação de um imposto próprio para beneficiar quem protege a floresta, mas acha a ideia pouco factível no cenário atual, já que o País tem uma altíssima carga tributária.
Para ele, os produtores da Amazônia deveriam ter um tratamento diferenciado, pois precisam manter 80% da floresta dentro das propriedades. No Cerrado, a reserva legal obrigatória cai para 35% e, nos demais biomas, para 20%. Para Veronez, os proprietários que preservam nascentes e têm práticas sustentáveis, como o plantio direto na palha (que protege o solo e reduz a erosão), deveriam ser premiados.

Código Florestal não é 'jabuticaba', diz relatório


07/10/2011 - 08h34


http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/987031-codigo-florestal-nao-e-jabuticaba-diz-relatorio.shtml

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

 


Responda rápido: qual é o país do mundo que tem 69% de suas florestas preservadas e uma lei ambiental rigorosa, na qual o governo determina o que proprietários privados podem ou não podem fazer com a mata em suas terras? Sim, você acertou: a Suécia.
Um relatório divulgado ontem por organizações ambientalistas comparou a proteção florestal em 12 países e afirma que o Brasil não apenas está longe de ser a nação que mais preserva, como tampouco é o único no qual a conservação é imposta pelo governo a donos de terras.
Com 56% de sua cobertura florestal preservada, o Brasil fica atrás dos desenvolvidos Suécia e Japão (69% de florestas em pé), e não muito à frente da Indonésia.
O arquipélago asiático, segundo país do mundo com maior cobertura de floresta tropical e visto como desmatador insaciável, mantém 52% de suas matas preservadas. A taxa de devastação brasileira, porém, é maior do que a da Indonésia.
A análise foi feita pela ONG paraense de pesquisas Imazon e pela britânica Proforest, por encomenda do Greenpeace. "Queríamos saber se leis de defesa da floresta são mesmo uma 'jabuticaba', como a bancada ruralista afirmou durante a discussão do Código Florestal", afirmou Paulo Adário, diretor do Greenpeace na Amazônia.






Luciano Silva/Ibama/Divulgação





Trator usado para derrubar árvores pela raiz; Brasil tem apenas 56% de cobertura florestal preservada
Trator usado para derrubar árvores pela raiz; Brasil tem apenas 56% de cobertura florestal preservada
Parlamentares ligados ao agronegócio têm dito que só o Brasil tem tanta floresta, que os países europeus já desmataram tudo e que o Código Florestal, lei que impõe a proprietários de terras o ônus da conservação em suas próprias fazendas, é uma "jabuticaba" --ou seja, uma entidade exótica que só existe no Brasil.
O estudo do Imazon mostrou que, entre os países analisados, apenas a Holanda acabou com todas as suas matas --e mesmo assim hoje tem 11% de cobertura florestal plantada.
A França detém 29% de seu território florestado (mais do que os Estados da mata atlântica brasileira), 90% disso com matas primárias ou regeneradas naturalmente.
Os EUA, que como o Brasil são um grande produtor de alimentos, têm 33% de suas florestas preservadas, e não tiveram um palmo de desmatamento desde 1950. Na Europa, na Índia e na China, as florestas aumentaram desde aquele ano.
"Há, sim, regras fortes para a manutenção de florestas nesses países, com imposições sobre as propriedades privadas", disse Adalberto Veríssimo, do Imazon, coautor do estudo.
Na França, por exemplo, qualquer desmatamento maior o que 4 hectares precisa de licenciamento. Nos EUA, a conversão de florestas nativas é proibida.
Segundo Veríssimo, todos os países analisados seguiram uma curva na qual o desmatamento começa por razões econômicas (madeira, terras ou combustível), a cobertura florestal declina até o "fundo do poço" e a floresta começa a retornar depois.
"No Brasil, a entropia gerada com o Código Florestal permite que a curva continue ladeira abaixo", disse.
AGENDA DO BOI
Segundo o pesquisador, os 56% de florestas que sobram no Brasil hoje deveriam ser considerados o "fundo do poço", ou o limite abaixo do qual não cabe mais desmatamento. "Se o Brasil fosse para 62% [de cobertura florestal], ainda sobraria um grande estoque de terras abertas."
Isso porque o grosso do desmatamento no país foi feito para a pecuária, que tem produtividade média de apenas 1,1 cabeça por hectare.
"Existe no debate do código uma contaminação da agenda da pecuária, que se impõe sobre dois setores competitivos, o de grãos e o de florestas plantadas, que não precisam do desmatamento para se expandir", afirmou Veríssimo.
Segundo ele, é possível triplicar a produtividade da pecuária no Brasil e ainda assim manter a carne barata, liberando áreas para a agricultura e a silvicultura.
O pecuarista Assuero Veronez, vice-presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) diz que o estudo é "simplista". "O instituto da reserva legal na propriedade sem compensação ao produtor só existe no Brasil e, de uns tempos para cá, no Paraguai", disse. "Na França as restrições são muito menores."
Veronez concorda em que é possível ampliar a produtividade da pecuária, mas diz que, em alguns lugares, como o Acre, isso implica em um custo adicional que elimina a competitividade. "Você sai do mercado."
Segundo ele, a liberação de áreas de pasto para a agricultura é possível, mas não depende só da melhora dos pastos: "Existem questões de logística e de fontes de insumos", explica. "E transformar o pecuarista em agricultor não é fácil, a menos que você esteja na União Soviética, onde o governo determina e as pessoas têm de fazer."