quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Filme científico feito no Brasil mostra 'paixão' e perigo dos raios

10/10/2013 07h00 - Atualizado em 10/10/2013 15h00

Filme científico feito no Brasil mostra 'paixão' e perigo dos raios

'Fragmentos de paixão' será exibido nos cinemas a partir desta sexta (11).
Documentário apresenta relatos de brasileiros impactados por raios.


Eduardo CarvalhoDo G1, em São Paulo
Raio corta o céu de Campinas, no interior de São Paulo, durante tempestade noturna (Foto: Jácomo Jackdimmit Piccolini/Elat-INPE )Raio corta o céu de Campinas, no interior de São Paulo, durante tempestade (Foto: Jácomo Jackdimmit Piccolini/Elat-INPE )
Um levantamento feito por pesquisadores brasileiros do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) mostrando que 80% das mortes causadas por raios no país poderiam ter sido evitadas foi o principal mote para a produção do filme “Fragmentos de paixão”. O longa estreia nesta sexta-feira (11) nas salas da Rede Cinemark de São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Porto Alegre e São José dos Campos, no interior paulista.
  • Você sabia que:
- O período que vai de outubro até março é considerado a temporada de raios no Brasil?
- Norte, Sul e Centro-Oeste deverão receber mais descargas elétricas na primavera; e Nordeste e Sudeste serão mais impactados no verão?
A falta de informação sobre como se proteger das descargas elétricas chamou a atenção do pesquisador Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe.
Segundo ele, o percentual é alto e preocupante. "Se é por falta de informação [que as mortes acontecem], nós temos que agir", disse o cientista.
O estudo em questão mostrava que na década passada, dos 1.332 óbitos causados por raios no país, 80% ocorreram com pessoas que estavam em um campo aberto durante uma tempestade elétrica, se esconderam debaixo de árvores ou faziam atividades como dirigir tratores ou andar com enxadas em lugares desprotegidos.
Dirigido por Iara Cardoso, jornalista e filha do pesquisador, o documentário traça um paralelo entre as descargas elétricas e a história do Brasil, país que está em primeiro lugar na lista de ‘alvos’ de raios em todo o mundo por registrar anualmente 57,8 milhões de raios, segundo o Elat. São 14,8 milhões a mais que o segundo lugar no ranking, a República Democrática do Congo, que recebe 43 milhões de descargas ao ano.
Segundo Osmar, a explicação para o “título mundial” é simples: "somos o país com maior extensão tropical do planeta", região considerada a mais quente da Terra e, consequentemente, a que mais forma tempestades ao longo do ano.
Vidas afetadas
O filme mostra histórias verídicas, atuais e que ocorreram há muitos anos, de seis brasileiros impactados de alguma forma pelos raios.
O título faz menção à paixão do cientista pelos raios e às seis vidas relatadas, no caso, os fragmentos.
Desde um pajé que vive em uma aldeia em Ubatuba (SP), e considera as luzes como um tipo de proteção -- e não ameaça (veja vídeo ao lado), ao relato de um funcionário aposentado do Inpe que, ao voltar do trabalho de bicicleta em um dia chuvoso, foi atingido por uma descarga e socorrido por uma mulher. Anos depois, ela se casou com ele.
“A ideia do filme é mostrar os perigos dos raios e levar informações para o público de forma atraente, com uma linguagem mais simples possível para que a pessoa possa entender o que acontece”, explica Osmar.

Foco na divulgação científica
Segundo Iara Cardoso, após sua exibição na telona, “Fragmentos” deve ser divulgado na televisão brasileira e do exterior. Segundo ela, já há uma versão do filme traduzida para o inglês. “Já inscrevemos o filme em alguns festivais e há um interesse pelo assunto lá fora, já que nunca houve um documentário sobre raios feito no Brasil. Havia interesse, mas não tempo de trabalhar em um material, já que demoraria anos para capturar as imagens dos raios”, explica.
Ela comenta ainda que o fato de exibir o filme em salas comerciais de cinema, abrindo portas para um novo tipo de divulgação científica no país, é um impulso para a pesquisa brasileira.

“Estamos abrindo caminho. As pessoas falam que ninguém quer saber de história e ciência, mas eu não acredito nisso. A ciência parece distante, mas não é. [O filme] deve abrir portas para resgatar a história do país e, no caso da ciência, para que as pessoas conheçam mais a respeito”, explica.
Perigo que vem do céu
Levantamento feito pelo Elat, a partir de dados da Defesa Civil, do Ministério da Saúde e reportagens veículadas em jornais aponta que 2.640 pessoas de todo o país morreram atingidas por descargas entre 1991 e 2010.
No mesmo período, segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, divulgado em 2012 pelo Centro universitário de estudos e pesquisas sobre desastres (Ceped), ligado à Universidade Federal de Santa Catarina, morreram 2.475 brasileiros vítimas de enchentes de deslizamentos de terra.
Os números de mortes por raios podem aumentar no futuro caso se eleve a incidência de raios no país, possibilidade que pode acontecer devido à urbanização e aos efeitos da mudança climática, provocada pelo aumento da temperatura global.
Raio é uma descarga elétrica de grande intensidade que ocorre na atmosfera. A intensidade típica de um raio é de 30 mil ampères, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico. Por ano, morrem 130 pessoas vítimas de raios no Brasil, segundo dados do Elat
De acordo com Osmar, cidades médias (500 mil habitantes) e grandes metrópoles poderão se tornar alvos frequentes de raios devido às ilhas de calor, fenômeno responsável pela sensação de abafamento e resultante do processo de adensamento urbano e impermeabilização do solo.
Materiais como asfalto, concreto armado, cimento e o excesso de prédios dificultam a circulação do ar, o que faz com que o calor se concentre em determinados pontos.
Além disso, existe a hipótese de que cada grau a mais de aquecimento da temperatura média global resulte em alta de 10% a 20% na incidência de raios. Quanto maior o calor, maior é a formação de chuvas na região dos trópicos. “Ainda não se consegue perceber um aumento dos raios em função da temperatura. Isso vai se manifestar aos poucos, nas próximas décadas”, explica.
Ainda segundo o Elat, o período que vai de outubro até março é considerado temporada de raios no Brasil, devido ao aumento de tempestades. De acordo com o grupo de pesquisas, Norte, Sul e Centro-Oeste deverão receber a maior quantidade de descargas durante a primavera, enquanto o Nordeste e o Sudeste serão mais impactados no verão.

Biogasolina é produzida por bactérias pela primeira vez

Biogasolina é produzida por bactérias pela primeira vez

Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/10/2013

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Biogasolina é produzida por bactérias pela primeira vez. 07/10/2013. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=biogasolina. Capturado em 12/10/2013. 
Biogasolina é produzida por bactérias pela primeira vez
Diagrama mostra a cadeia para a produção de alcanos de cadeia curta (biogasolina) a partir de biomassa renovável.[Imagem: KAIST]
Gasolina sustentável
Yong Choi e Sang Lee, do Instituto KAIST, da Coreia do Sul, conseguiram um feito inédito no campo dos biocombustíveis.
Eles produziram 580 mg de biogasolina por litro de cultura microbiana in vivo.
A gasolina tradicional, derivada do petróleo, é uma mistura de hidrocarbonos, aditivos e agentes misturadores.
Os hidrocarbonos, chamados alcanos, são formados apenas por átomos de carbono e hidrogênio, dispostos em moléculas de diversas configurações, que podem ter entre 4 e 12 átomos de carbono.
Outros pesquisadores já haviam usado bactérias geneticamente modificadas para desenvolver rotas metabólicas para a produção de alcanos de cadeias longas - entre 13 e 17 átomos de carbono - que são adequados para substituir o diesel.
Agora, pela primeira vez, os dois pesquisadores conseguiram usar bactérias E. coli para produzir alcanos de cadeias mais curtas - essencialmente uma biogasolina.
Segundo eles, seu processo pode ser modificado para produzir outros produtos, como ésteres e álcoois.
"É apenas o começo do trabalho em direção à produção sustentável de gasolina," disse o professor Sang Yup, destacando que agora o trabalho se concentrará no aumento do rendimento do processo.
Bibliografia:

Microbial Production of Short-chain Alkanes
Yong Jun Choi, Sang Yup Lee
Nature
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature12536

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Países assinam convenção para controlar o uso de mercúrio

10/10/2013 08h12 - Atualizado em 10/10/2013 08h12

Países assinam convenção para controlar o uso de mercúrio

Objetivo de acordo é reduzir emissões de mercúrio, tóxicas para a saúde.
Mercúrio pode trazer problemas psicológicos, digestivos e respiratórios.

Da AFP
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 Ministro do Meio Ambiente do Japão Nobuteru Ishihara (dir.) e Achim Steiner (esq.), diretor executivo do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep) depositam flores no monumento pelas centenas de vítimas de envenenamento por mercúrio na cidade de Minamata; local sediou pior episódio de intoxicação industrial do país. (Foto: AFP Photo/Jiji Press)Ministro do Meio Ambiente do Japão Nobuteru Ishihara (dir.) e Achim Steiner (esq.), diretor executivo do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep) depositam flores no monumento pelas centenas de vítimas de envenenamento por mercúrio na cidade de Minamata; local sediou pior episódio de intoxicação industrial do país. (Foto: AFP Photo/Jiji Press)
Os representantes de quase 140 países assinaram nesta quinta-feira (10) no Japão a "Convenção Minamata" sobre o uso e as emissões de mercúrio, que leva o nome da cidade japonesa que sofreu o mais grave envenenamento por este metal altamente tóxico.
A Convenção Minamata foi assinada em uma reunião organizada pela ONU em Kumamoto, perto de Minamata, depois de ter sido elaborada e adotada em janeiro em Genebra.
O objetivo do acordo é reduzir a nível mundial as emissões de mercúrio, muito tóxicas para a saúde e o meio ambiente, assim como a produção e o uso do mercúrio, em especial durante a fabricação de produtos e nos processos industriais.
Uma vez ratificado por 50 Estados, o tratado entrará em vigor, o que poderia levar de três a quatro anos.b'Precisamos que muitos países em desenvolvimento ratifiquem o tratado para que entre em vigor o mais rápido possível', declarou o ministro do Meio Ambiente japonês, Nobuteru Ishihara.
O mercúrio é um metal pesado muito tóxico para os seres vivos. Uma exposição intensa ao mercúrio prejudica o sistema imunológico e pode provocar problemas psicológicos e digestivos, assim como a perda de dentes, problemas cardiovasculares ou respiratórios.
A convenção prevê sobretudo que até 2020 os produtos que utilizam mercúrio, como os termômetros, desapareçam do mercado e em um prazo de 15 anos o fim do uso na mineração.
Mas os grupos de defesa do meio ambiente temem que a convenção não consiga deter o uso do mercúrio nas pequenas minas de ouro artesanais.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), nos últimos 100 anos, a quantidade de mercúrio presente nos 100 primeiros metros de profundidade dos oceanos, procedente de emissões relacionadas com a atividade humana, dobrou e em águas profundas aumentou 25%.

Sustentabilidade: As casas sustentáveis, na visão de cientista do MIT

Sustentabilidade: As casas sustentáveis, na visão de cientista do MIT

O fundador e diretor do laboratório de mobilidade do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), o italiano Federico Casalegno, afirmou que, no futuro, as casas serão sustentáveis e capazes de tomar decisões sozinhas sobre consumo de água, energia e geração de lixo.
Durante palestra no InfoTrends, Casalegno mostrou alguns projetos de inovação desenvolvidos pelo laboratório que dirige, entre eles a “casa conectada”, construída na cidade de Trento, no norte da Itália. Segundo o pesquisador, a casa sustentável deve terá sensores nas paredes, cômodos e espelhos e os objetos vão comunicar-se entre si. “O refrigerador trocará dados com o telhado da casa e a TV receberá informações da lavadora”, diz. Neste cenário, o usuário poderá ver as luzes se ascenderem conforme seu deslocamento pela casa, mas não terá o desconforto de ver as luzes se apagarem caso ele esteja parado lendo, como ocorreria se fossem usados só sensores de movimento. “É preciso explorar algoritmos para entender o comportamento dos moradores e reagir a eles. Isso é o que chamamos de arquitetura cognitiva robótica”, explicou. Além dis so, disse Casalegno, o imóvel deve combinar sistema de iluminação orgânico, com janelas inteligentes autônomas e autogeração de energia, para alimentar automóveis e eletrodomésticos.
“É preciso desenvolver interfaces capazes de produzir interação entre os objetos e as coisas. Essa será uma das formas de mudar o futuro”, disse ele, após apresentar uma tábua para corte de alimentos capaz de se comunicar com tablets.
O pesquisador disse ainda que, em qualquer pesquisa, é preciso convidar os usuários comuns para testá-las e fazer sugestões. “As pessoas dão usos criativos e inesperados para coisas que foram criadas para diferentes fins. Isto é muito rico e deve ser aproveitado”, disse. Para suportar sua afirmação, Casalegno mostrou fotos curiosas de pessoas usando bicicletas e motos para fins não imaginados por seus fabricantes, como o transporte de mobiliário e animais vivos.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Carros movidos a energia solar percorrem 3 mil km na Austrália

10/10/2013 10h14 - Atualizado em 10/10/2013 10h14

Carros movidos a energia solar percorrem 3 mil km na Austrália

Competição que dura uma semana tem percurso do norte ao sul do país.
Equipes têm várias paradas obrigatórias e acampam durante a noite.

Do G1, em São Paulo
Começou nesta segunda-feira (7) na Austrália o Desafio Solar Mundial (World Solar Challenge), competição em que carros movidos a energia solar devem percorrer mais de 3 mil quilômetros em até uma semana, segundo a agência "AP".
O percurso começou na cidade de Darwin, no norte da Austrália, e vai terminar, no próximo domingo, na cidade de Adelaide, no sul do país. Segundo as regras da competição, toda a energia utilizada durante o percurso deve ser solar ou recuperada da própria energia cinética do veículo.
As equipes avançam no percurso por um período determinado durante dia e acampam durante a noite.
 Foto tirada na terça-feira (8) mostra o carro Indupol One, do time belga, durante o percurso.  (Foto: AP Photo/Geert Vanden Wijngaert)Foto tirada na terça-feira (8) mostra o carro Indupol One, do time belga, durante o percurso. (Foto: AP Photo/Geert Vanden Wijngaert)
 Foto de quarta-feira (9) mostra equipe suíça em uma pausa para manutenção durante a corrida. (Foto: AP Photo/Geert Vanden Wijngaert)Foto de quarta-feira (9) mostra equipe suíça em uma pausa para manutenção durante a corrida. (Foto: AP Photo/Geert Vanden Wijngaert)
 Carro da equipe belga estaciona em um dos pontos de parada nesta terça-feira (8). (Foto: AP Photo/Geert Vanden Wijngaert)Carro da equipe belga estaciona em um dos pontos de parada nesta terça-feira (8). (Foto: AP Photo/Geert Vanden Wijngaert)

Complexo de Piscicultura: desenvolvimento com sustentabilidade

Complexo de Piscicultura: desenvolvimento com sustentabilidade

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Em breve o governo do Acre vai inaugurar 100% das obras do Complexo Industrial de Piscicultura, um investimento nunca antes feito no Acre e que se tornou modelo para o Brasil.
Referência em gestão e em sustentabilidade, o Complexo de Piscicultura do Acre oferece impacto praticamente zero ao meio ambiente. As três indústrias que compõem o complexo são: Centro de Produção de Alevinos, fábrica de ração e frigorífico, que irão trabalhar de forma integrada, onde insumos produzidos por uma serão usados pela outra.
Toda a estrutura foi pensada para garantir a sustentabilidade (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
Toda a estrutura foi pensada para garantir a sustentabilidade (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
Segundo Jaime Brum, assessor da Peixes da Amazônia, empresa pública, privada e comunitária que constrói e irá administrar o Complexo, tudo foi pensado e construído atendendo às legislações ambientais brasileiras. Segundo ele, todo o resíduo produzido será reutilizado. “No Centro de Produção de Alevinos não há resíduos, o grande insumo que se trabalha é água, pouco de fertilizantes, rações e peixes vivos", comentou.
Brum também esclareceu que o frigorífico será  o que mais produzirá resíduo, mas tudo será 100% utilizado na fábrica de ração, que por sua vez não produz nenhum resto, tudo que entrar no local será transformado em ração.
“No frigorífico haverá um volume grande de resíduos. Receberá peixes inteiros, que serão processados. Vão sobrar vísceras, cabeças, escamas, mas tudo isso será utilizado pela fábrica, que vai transformar tudo em ração”, completou.
Quanto à agua utilizada no Complexo, Brum complementa, afirmando que será totalmente filtrada, decantada, tratada com efluentes, e levada novamente  ao rio, sem nenhum risco ao meio ambiente.
Noutro momento do processo de tratamento da água serão usados peixes vivos das espécies Tamuatá e Tambaqui. Na parte da frente do Complexo, ao lado da administração, terá lagoas de tratamento de efluentes, em que esses peixes serão usados, técnica já utilizada por empresas do mundo inteiro.
“O processo da Peixes da Amazônia para tratar os seus efluentes vai ser tão moderno e limpo, sem odores, que é algo para ser mostrado e não para ser escondido, por isso vai estar ao lado da administração, na entrada do Complexo”, frisou Brum.
O secretário de Indústria e Comércio, Edvaldo Magalhães, entusiasta do projeto, afirma que desde a sua concepção, as questões ambientais sempre foram tratadas com prioridade.
“Um dos objetivos do governador Tião Viana com o Complexo de Piscicultura é também a exportação, e hoje em dia, nenhuma empresa alcança os mercados europeu, asiático se não tiver em dia com as questões ambientais. Atendemos todas as exigências dos mercados modernos,  e depois de um ano de funcionamento já teremos a certificação ambiental”, afirmou Magalhães.

País não precisa importar engenheiros

Segunda, 07 de Outubro de 2013 às 10:30

País não precisa importar engenheiros


País não precisa importar engenheiros
Defensora de uma política consistente para garantir a formação de mais engenheiros no País, o que considera medida estratégica ao desenvolvimento, a FNE incluiu a proposta no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, ainda em 2006. A entidade vem também alertando para o equívoco de se importarem esses profissionais como saída a suposta escassez que já existiria hoje. Em correspondência à presidente Dilma Rousseff, em 12 de agosto último, o presidente da federação, Murilo Pinheiro, ressaltou: “É preciso aproveitar a mão de obra qualificada disponível no País.” A posição da entidade é corroborada por levantamento a partir de estudos sobre o tema e dados de empresas contratantes.
Dos 663.583 profissionais da categoria ativos no País, 1.029 registrados são diplomados no exterior, com a devida revalidação. A informação, relativa a 2013, é do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), segundo o qual houve um aumento de mão de obra importada nos últimos cinco anos. O dado acompanha o quadro geral em relação a autorizações concedidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego a trabalhadores temporários e permanentes. Entre janeiro e outubro de 2012, teria havido incremento de 5%. Até 30 de junho último, foram 29.486 estrangeiros que receberam o aval para atuar no Brasil, não apenas em setores tecnológicos, mas nas diversas áreas. O pano de fundo a explicar a vinda de profissionais seria a crise financeira global inaugurada em 2008 e as boas perspectivas com a expansão econômica nacional, que, contudo, agora se estabilizou.
Para José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), “estamos ajudando a resolver os problemas especialmente em Portugal e Espanha”. Ele critica: “Tem havido a participação de engenheiros que captam serviços aqui e os levam para serem feitos fora. Não somos contra a vinda dessa mão de obra, não é xenofobia, fechar fronteiras, mas é preciso haver transferência de conhecimento e tecnologia.” Na sua opinião, seria melhor que empresas brasileiras contratassem via consórcios essa mão de obra ou recrutassem profissionais experientes, mas não é o que está acontecendo. Hoje, estrangeiros concorrem com recém-formados e não há nenhuma contrapartida ao País, lamenta.

Cenário estável

Além disso, ao contrário do que comumente é veiculado na mídia convencional, não há necessidade de trazer engenheiros do exterior para suprir a demanda no mercado de trabalho nacional. A avaliação é compartilhada por entidades patronais e pelo Confea. Segundo esse órgão, a análise fundamenta-se nos seguintes fatores: crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) menor do que o sinalizado há dois anos, o que teria estabilizado a demanda por essa mão de obra. Por outro lado, houve maior número de matriculados nas engenharias nas universidades e reintegração à área de profissionais que passaram a atuar, sobretudo nas “décadas perdidas” de 1980 e 1990, em segmentos como o financeiro.

Relativo a 2012, o estudo “Tendências e perspectivas da engenharia no Brasil”, publicado pelo Observatório da Inovação e Competitividade (OIC) do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), confirma: de 2001 a 2011, houve elevação da oferta de cursos de engenharia em todas as regiões do País, na média, de 12% ao ano. “As matrículas passaram de 180.497 no ano 2000 para 596.416 em 2011. Isso representa um crescimento de 230% no período, ou 10,5% ao ano, um aumento muito expressivo frente ao crescimento populacional (13% no período)”, indica. O documento aponta ainda tendência de queda na evasão em engenharia: de 21% em 2001 para 17% dez anos depois. Embora o mercado de trabalho continue demandante, segundo o estudo, a evolução na formação de profissionais da categoria teve comportamento similar, “com uma tendência de crescimento sustentado”. Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta que entre 2011 e 2012 houve aumento de 16,6% nas matrículas em engenharia no País.
Análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de fevereiro de 2011 também não teria vislumbrado escassez generalizada dessa mão de obra.
“Em 2010 se cogitou bastante a vinda de engenheiros de fora, havia um volume grande de empreendimentos e falta de pessoal qualificado. Na construção civil, pelo menos nesse instante, não se percebe isso”, corrobora Haruo Ishikawa, vice-presidente de relações capital-trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP). Ele complementa: “Não existe restrição em termos de formação técnica a estrangeiros, os países desenvolvidos estão alinhados com nossas tecnologias. Mas o número de engenheiros formados nos últimos anos, a mão de obra que foi qualificada e a economia propiciaram estabilização.”

Sem impedimentos

Os estrangeiros, independentemente da nacionalidade, não encontram objeção por parte do Confea à entrega do registro, atesta o órgão. Basta seguir os critérios legais vigentes no País. Segundo Marcelo Cerri, gerente de projetos da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o trâmite abrange ser admitido por empresa brasileira, apresentar documentação no Consulado do Brasil no país de origem para legalização e enviá-la à contratante, a qual a apresentará com tradução juramentada à Coordenação-Geral de Imigração (CGIg) do Ministério do Trabalho e Emprego, que tem 30 dias para analisar o processo. “Em caso de aprovação, a CGIg concede a autorização de trabalho e informa o Ministério das Relações Exteriores. Por sua vez, o Itamaraty envia ao Consulado a autorização para emissão de visto de trabalho.” Conforme ele, caso a profissão a ser exercida seja engenharia, é preciso entrar com reconhecimento de diploma e, posteriormente, filiar-se ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do respectivo estado em que atuará.

A SAE está formulando uma proposta de mudança na legislação de imigração, como informa Cerri, para “agilizar, desburocratizar e simplificar o processo de emissão de vistos de trabalho, além de estender os direitos do imigrante no Brasil”. Atualmente, explica, “como 96% dos estrangeiros que vêm trabalhar o fazem por meio de visto temporário (dois anos), é praticamente inviável que venham para atuar como engenheiros, já que o prazo para reconhecimento de diploma muitas vezes supera um ano de espera”. (Por Soraya Misleh)

Fonte: Jornal Engenheiro da FNE, Edição 137

Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos

Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos

Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/10/2013

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos. 03/10/2013. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=matematica-ajuda-cerveja-gelar-45-segundos. Capturado em 12/10/2013. 
Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos
A tecnologia se baseia em um efeito conhecido como vórtex Rankine, um modelo matemático de um redemoinho usado para simular tornados.[Imagem: V-Tex]
Gela na hora
Um projeto financiado pela União Europeia resultou em uma nova tecnologia capaz de gelar latas e garrafas de cerveja ou refrigerantes em poucos segundos.
O objetivo do projeto RapidCool (resfriamento rápido, em tradução livre) era encontrar uma alternativa para o sistema de freezers e geladeiras dos supermercados, que precisam manter centenas de latas e garrafas geladas o tempo todo, inclusive à noite, independentemente de quando serão vendidas.
Segundo os pesquisadores que participaram do projeto, os refrigeradores e freezers comerciais em funcionamento na Europa consomem cerca de 85 TWh (terawatts-hora) de eletricidade, o equivalente à energia gerada por nove usinas nucleares de última geração.
A solução veio na forma de um equipamento que gela o produto na hora. Assim, o cliente pode gelar apenas as garrafas e latas que irá levar.
A tecnologia já está sendo licenciada para vários parceiros, e pelo menos uma empresa já anunciou o lançamento de geladeiras domésticas de resfriamento rápido.
Matemática do frio
O sistema de gelamento rápido é autônomo e modular, o que significa que ele pode ser usado para gelar desde uma lata ou garrafa individual até conjuntos e embalagens inteiras.
Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos
A tecnologia já está incorporada em pelo menos um produto de uso doméstico com previsão de lançamento comercial imediato. [Imagem: V-Tex]
Latas e garrafas a temperatura ambiente chegam aos 4°C em cerca de 45 segundos, com uma economia de energia de 90% em comparação com as geladeiras domésticas.
Um equipamento comercial, capaz de gelar 200 latas de 500 ml por dia, teria uma economia de 54% em comparação com os equipamentos tradicionalmente usados em supermercados e bares.
A tecnologia se baseia em um sistema de rotação, batizado de V-Tex - uma referência a vórtex - que gira a garrafa ou lata para que o superfrio aplicado externamente à embalagem não resulte em resfriamento desigual - de fora para dentro - o que poderia levar ao congelamento ou causar a efervescência da cerveja ou refrigerante quando a embalagem é aberta.
O efeito utilizado é conhecido como vórtex Rankine, um modelo matemático de um redemoinho criado em um líquido, que garante uma difusão perfeita da temperatura devido a um vórtice forçado no centro, que gira como um disco, e um vórtice livre ao seu redor, cuja velocidade é inversamente proporcional à distância do centro - esse modelo é usado para fazer simulações de tornados.
Na geladeira rápida, é como se o frio fosse "sugado" para o interior do tornado, fazendo com que o líquido gele por igual.
Embora tenha sido projetado para funcionar como uma unidade autônoma, a câmara de resfriamento também pode ser integrada nas geladeiras atuais.
Esta é a verdadeira inovação, de acordo com a equipe, já que permitirá substituir a maioria, se não todos, os refrigeradores abertos utilizados em todo o mundo.