quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Anna Laura Parques para Todos. dia 25 de janeiro, 10h.







Quem Somos


O Projeto ALPAPATO, Anna Laura Parque Para Todos, foi criado como uma homenagem a Anna Laura Petlik Fischer, uma menina alegre, linda, saudável e inteligente que nos deixou em 30/05/2012. Participam deste projeto várias pessoas, instituições e empresas.

Quem faz parte

Os pais de Anna Laura, Claudia Petlik Fischer e Rodolfo (Rudi) Henrique Fischer    

A Associação de Assistência à Criança Deficiente, AACD    



A arquiteta Ciça Gorski e seu escritório, responsável pelos projetos dos parques.    

Lao Engenharia, fabricante de brinquedos, na pessoa de seu presidente Lao Napolitano, responsável pelos equipamentos dos parques.    



Secretaria Municipal do verde e do Meio Ambiente - SVMA/PMSP na pessoa da arquiteta Brigitte Baum    
- Arq. Brigitte Baum
    Projetos de paisagismo, acessibilidade e playgrounds
    E-mail: brigbaum@gmail.com Tel: (11) 98070-5236

O artista plástico Fernando Velazquez, responsável pelo logo do projeto    

A empresa de desenvolvimento responsável pelo site, i10as    



O Instituto Olga Kos    



Fundado em 2007, o Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural (IOK) é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que atua nacionalmente contribuindo com a educação, inclusão social, cultural e geração de renda para jovens com deficiência intelectual, particularmente com Síndrome de Down.
Sob a filosofia “Arte é Cultura e Cultura é Educação”, o IOK é reconhecido em todo o país pelo trabalho de promoção, divulgação e participação em atividades socioculturais de diversas áreas, com a missão de resgatar e fortalecer a identidade cultural do Brasil.
Buscamos romper a barreira do preconceito, por acreditar que todos são capazes de, ao estabelecer o contato com a arte e o esporte, expor aquilo que nos torna únicos e especiais, a individualidade. O Instituto Olga Kos, por meio de suas atividades e projetos, busca promover a inclusão dessas pessoas, atuando nas áreas da Arte, Cultura e Esporte, além de outras ações, como inclusão no mercado de trabalho de nossos atendidos.

O Instituto Dorina Nowill    



A Associação Comunitária Despertar    



O engenheiro Ricardo Aidar

O consultor de acessibilidade Adelino Ozores    

A arquiteta Angela Lopes    

O engenheiro Miguel Bucalem    

O arquiteto Marcelo Rossa    

A conselheira gestora do Parque do Cordeiro, Beatriz Nogueira    

A administradora do Parque do Cordeiro, Patrícia Niza Maximiuc    

A coordenadora do setor educativo do MAM, Museu de Arte Moderna, Daina Leyton    



A CEO do Centro de Cultura Judaica, Yael Steiner    


A Guarda Civil Metropolitana, GCM e seu representante Comandante Gilson Menezes    






Energia lunar...

Tecnologia para gerar eletricidade na Lua à noite

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Tecnologia para gerar eletricidade na Lua à noite. 08/01/2014. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=tecnologia-gerar-eletricidade-lua-noite. Capturado em 13/01/2014. 

Redação do Site Inovação Tecnológica - 08/01/2014
Tecnologia para gerar eletricidade na Lua à noite
Refletores de Fresnel (azul e cinza escuro) concentram os raios solares em um coletor, abaixo do qual há um tubo cheio de fluido que se transforma em gás quando aquecido. Esse gás aquece a massa térmica ou um reservatório (caixa cinza), que pode transferir esse calor para um motor Stirling (objeto em forma de cruz) para produzir eletricidade. Um radiador (azul) pode aquecer rovers e tripulantes. A capa amarela é um protetor que impede o calor de se dissipar rapidamente.[Imagem: Blai Climent et al.]
Energia solar à noite
Quando se fala em energia solar, todos se lembram do seu grande inconveniente: a energia só é gerada durante o dia, e precisa ser armazenada de alguma forma para ser usada à noite.
O problema será muito maior quando se tratar de abastecer estações tripuladas na Lua.
A noite lunar dura 14 dias terrestres, período no qual as temperaturas chegam a -150 º C.
Isso complica o movimento de veículos e o funcionamento de equipamentos em uma estação lunar, o que exigiria o transporte de pesadas baterias da Terra ou o uso da energia nuclear - contudo, mesmo usando uma fonte de radioisótopos, o robô chinês Yutu precisa ser desligado durante a noite lunar.
Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade Politécnica da Catalunha, na Espanha, apresentou duas opções para armazenar a energia solar produzida na Lua durante o dia para uso durante suas longas noites.
Energia térmica
"O primeiro sistema consiste em modificar fragmentos de regolito, o solo lunar, incorporando elementos como o alumínio, por exemplo, de tal forma que ele se torne uma massa térmica," explica Ricard Gonzalez-Cinca, um dos autores das propostas.
Essa massa térmica seria aquecida pelo Sol durante o dia, e o calor seria usado para gerar eletricidade durante a noite.
O segundo sistema é similar, mas mais sofisticado, incorporando um conjunto de espelhos e um motor térmico.
Os espelhos são refletores de Fresnel, como os usados em algumas tecnologias de energia solar na Terra, que concentram os raios solares sobre um tubo cheio de líquido.
O calor converte o líquido em um gás, que é então usado para aquecer a massa térmica. Depois, durante a longa noite lunar, o calor é transferido para ummotor Stirling para produzir eletricidade.
"Este sistema é melhor equipado do que o modelo anterior para projetos lunares com maiores necessidades de energia, como uma missão tripulada que precise passar a noite na Lua," disse Gonzalez-Cinca.
A NASA já apresentou planos para usar um motor Stirling para impulsionar naves, mas ele seria alimentado por plutônio, e não por energia solar.
A propósito, a NASA andava totalmente desinteressada na Lua, mas as coisas podem mudar com os programas espaciais da China, Índia e Japão, que já anunciaram planos de enviar missões tripuladas ao satélite.
Bibliografia:

Heat storage and electricity generation in the Moon during the lunar night
Blai Climent, Oscar Torroba, Ricard Gonzalez-Cinca, Narayanan Ramachandran, Michael D. Griffin
Acta Astronautica
Vol.: 93, Pages 352-358
DOI: 10.1016/j.actaastro.2013.07.024

Jardim Botânico do Recife tem visitação recorde

13 DE JANEIRO DE 2014 - 8H22 

Jardim Botânico do Recife tem visitação recorde


Centenas de pessoas resolveram, neste domingo (12), deixar para trás a paisagem urbana e desfrutar das belezas naturais de um pedacinho de floresta atlântica localizado na Zona Oeste da capital. Ao longo do dia, o Jardim Botânico (JBR) recebeu mais de 900 visitantes. - See more at: http://www2.recife.pe.gov.br/jardim-botanico-do-recife-tem-visitacao-recorde/#sthash.9e7jXzB8.dpuf




Entre os que estiveram na reserva, 50 fizeram parte do passeio gratuito promovido pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. O circuito leva, aos domingos, a população do Parque da Jaqueira até o JBR, localizado no km 7,5 da BR 232, no Curado.

“Hoje (12), nós tivemos uma grande visitação que supera os meses de janeiro e fevereiro de 2013 juntos, quando registramos um total de 525 visitantes. Muitas pessoas vieram espontaneamente. Além disso, o primeiro dia do passeio foi um sucesso. Muita gente chegou cedo para se inscrever e todos voltaram satisfeitos. Acredito que agora o Jardim Botânico fará parte efetivamente da programação dos recifenses e dos turistas que chegam a nossa cidade”, avaliou a secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, Cida Pedrosa.

Com bastante disposição, o público explorou cada atrativo do JBR, conhecendo as coleções científicas, as trilhas ecológicas e os diversos jardins. Contudo, dois espaços foram mais disputados: o Jardim Sensorial e o orquidário. No primeiro, crianças e adultos se divertiram com a experiência de conhecer a flora brasileira aguçando os seus sentidos. Aqui, as plantas foram escolhidas para despertar uma maior proximidade com a natureza e, por isso, podiam ser tocadas e cheiradas livremente.

Já no orquidário, a beleza e o colorido das flores chamaram a atenção de quem passeava pelo parque. “As orquídeas são lindas. Têm uma beleza que encantam a gente. Para mim, é o espaço mais bonito”, frisou a psicóloga Geórgia Araújo, que caminhava com o marido e a filha pela reserva. O local também se tornou concorrido por abrigar uma área de contemplação e um pequeno mirante sobre o lago artificial. Todos queriam parar um pouco ali para tomar uma água e curtir uma bela vista da área verde.

Quem foi preparado para entrar nas trilhas teve uma experiência mais intensa. Isso porque, durante a caminhada, foi possível ver algumas espécies animais e vegetais típicos da mata atlântica. Entre as árvores, estão Amora-da-Mata; Sapucaia de Pilão; Coco de Fuso; Amescla Seca; entre outras. Com um pouco mais de sorte, pode-se deparar com preguiças, sagüis e diversos pássaros. “É um passeio maravilhoso. Pude ver até uma preguiça alimentando seu filhote. Adorei e vou indicar a outras pessoas”, disse Joel Datz, de 70 anos, após percorrer uma trilha, acompanhado pela Brigada Ambiental.

Passeios - Para estimular a visitação, a Prefeitura do Recife continuará realizando passeios ao Jardim Botânico, todos os domingos de janeiro e fevereiro. Os interessados devem se inscrever no dia em que acontece o circuito, sempre a partir das 8h, no estande da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, montado na área interna do Parque da Jaqueira. Pela manhã, haverá uma viagem, às 9h, com o retorno previsto para 11h. À tarde, a saída está programada para as 14h e a volta às 16h. Quem quiser ir por conta própria, poderá conferir as belezas da reserva, de terça a sexta, das 8h30 às 15h30; e nos sábados e domingos, das 9h às 15h30. A entrada é de graça.

Serviço

Jardim Botânico do Recife
Funcionamento: de terça a sexta, das 08h30 às 15h30.
Sábado e Domingo, das 09h às 15h30.
Entrada: Gratuita
Endereço: BR-232, Km 7,5 – Curado, Recife – PE
Telefones: 3355.0000 / 3355.0002


Atrativos do Jardim Botânico

1. Trilhas ecológicas
2. Orquidário
3. Jardim Sensorial
4. Jardim de Flores Tropicais
5. Jardim de Plantas Medicinais
6. Jardim de Palmeiras
7. Meliponário
8. Viveiro Florestal
9. Coleção de Cactáceas
10. Coleção de Bromélias
11. Núcleo de Educação Ambiental


O que usar e levar nas visitações

1. Vestir roupas leves e calça comprida
2. Usar meias e sapato fechado
3. Colocar repelente e chapéu
4. Levar lanche e água, pois não há comércio na área do parque. 

Fonte: Prefeitura do Recife

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

E-Book do Guia Completo das Tendências de 2014 para Sustentabilidade em Cursos



GRÁTIS: E-Book do Guia Completo das Tendências de 2014 para Sustentabilidade em Cursos (online e presencial) e Conteúdo multimídia!

Reunimos mais de 100 instituições de ensino com mais de 200 cursos/palestras em 2014 no formato presencial e online! Compilamos diversos cursos que abordarão os cinco macro-temas que serão tendência para 2014 – Economia Criativa e Inovação Social; Gestão Ambiental, Urbanismo e Mobilidade; Energias Renováveis; e Alimentação e Permacultura.
Para você ampliar seu conhecimento enquanto espera o início dos cursos, indicamos vídeos apresentados por pessoas fantásticas e inspiradoras que vão complementar o conteúdo dos cursos, e, para enriquecer ainda mais essa experiência, sugerimos algumas matérias e links de livros on line.

Faça o Download Grátis:

Preencha o formulário abaixo para iniciar o Download:
Informações Profissionais:
Profissão:

Você gostaria de se especializar em qual área?
Garantimos que não utilizaremos suas informações
de cont

Sem solução...

13/01/2014 - 01h30

Disputas de terras acirram focos de tensão com índios

Ouvir o texto

As disputas de terras entre índios e fazendeiros deverão ser motivo de dor de cabeça para a presidente Dilma Rousseff neste ano eleitoral.
A tensão em vários Estados do país vem se agravando, e os envolvidos apontam lentidão do Planalto na resolução de conflitos que podem estourar a qualquer momento. Entidades indigenistas culpam a permanência de fazendeiros em terras indígenas já homologadas e a paralisação no governo dos processos para demarcação de novas áreas.
"Sem política efetiva rumo a uma solução, o conflito tende a se agravar. Não dá mais para não ter estratégia clara", diz o ex-presidente da Márcio Santilli, coordenador do Instituto Socioambiental (ISA).
Os ruralistas apontam irregularidades nos processos de demarcação como responsáveis pelos conflitos, dizem que o modelo atual só beneficia os índios e acusam o governo de tolerar invasões. "Do jeito que está não tem como continuar. Esse tipo de posição cria insegurança jurídica", diz Carlo Coldibelli, assessor jurídico da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul.
A questão indígena voltou a chamar atenção em dezembro, quando a população de Humaitá (AM) atacou instalações da Funai e passou a hostilizar os índios tenharim, que acusaram pelo desaparecimento de três moradores.
Folha identificou focos de conflito iminente em pelo menos sete Estados, todos ligados a disputas entre os índios e proprietários rurais. Na Bahia, o problema é que a demarcação das terras indígenas não foi concluída. Em Minas Gerais, os índios querem ampliar suas reservas. Em Mato Grosso do Sul, no Maranhão e no Rio Grande do Sul, as terras já foram demarcadas, mas continuam ocupadas por fazendeiros.
A situação é mais delicada em Mato Grosso do Sul, Estado que tem a segunda maior população indígena do país depois do Amazonas. Terras com títulos de propriedade concedidos no século 19 são reivindicadas pelos índios. A federação dos produtores rurais do Estado estima que cerca de 80 fazendas estejam invadidas por índios.
Os conflitos se acentuaram em maio do ano passado, quando um índio terena morreu durante uma ação de reintegração de posse em uma fazenda na Terra Indígena Buritis, em Sidrolândia (MS).
No Maranhão, o clima é de tensão entre os awá-guajás e produtores rurais na região de São João do Caru. Na semana passada, o governo federal iniciou operação para retirar não índios da área, reconhecida oficialmente como terra indígena desde 2005. Moradores terão 40 dias para deixar o local, mas muitos já dizem que não sairão.
Na região Norte, conflitos estão relacionados sobretudo a obras de infraestrutura. O governo quer licitar hidrelétricas nos rios Teles Pires e Tapajós, no Pará, mas há resistência dos índios mundurucus, que vivem na região.
Diante do acirramento dos conflitos entre índios e fazendeiros em 2013, o governo Dilma suspendeu demarcações de terras indígenas em curso e prometeu novas regras para aumentar a transparência nesses processos e evitar a judicialização das disputas.
Editoria de Arte/Folhapress

Fiscais da Secretaria do Meio Ambiente estão em greve há 41 dias.

Fiscais da Secretaria do Meio Ambiente estão em greve há 41 dias

Os grevistas solicitam, desde agosto de 2013, a elaboração de um novo Plano de Cargos, Carreira e Salários.

10/01/2014 - Atualizado em 10/01/2014 16:30
Os Fiscais e Especialistas em Meio Ambiente da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Piauí (Semar) estão em greve há 41 dias, desde o dia 02 de dezembro de 2013. A greve foi suspensa por três dias, entre os dias 15 e 19 de dezembro, para um possível acordo, mas os profissionais permanecem sem negociação com a Secretaria Estadual de Administração.
Os grevistas solicitam, desde agosto de 2013, a elaboração de um novo Plano de Cargos, Carreira e Salários. Neste documento, eles buscam 1) o reconhecimento da função típica de Estado; 2) a fusão das carreiras de Fiscais Ambientais e Especialistas em Meio Ambiente para Agente Superior de Serviços e 3) a remuneração adequada, compatível com a carreira típica de Estado.
Em nota, a Comissão do Plano de Cargos, Carreira e Salários esclareceu que “entende-se como ‘carreira típica do Estado’ aquelas que exercem precipuamente funções de tributar, fiscalizar e punir. Logo, não há dúvidas de que Fiscais do Estado são carreiras típicas do Estado”. Além disso, a nota informou que “a remuneração atual dos cargos é idêntica e, é a mais baixa dentre as de carreira típica de Estado, sendo 63% da remuneração não incorporáveis. O impacto no orçamento da proposta apresentada não chega a 0,09% da margem prudencial do Estado”, finalizava a nota.
Foto:Marcela Pacheco/ODIA
A fiscal ambientalista da Semar, Assuena Alvarenga, afirmou que, atualmente, os fiscais e especialistas deste órgão são os que recebem a menor remuneração dentre os demais cargos típicos do Estado. Com relação à fusão de carreiras, Assuena Alvarenga esclareceu que a decisão foi motivada porque os dois cargos exercerem as mesmas atividades de fiscalizações, vistorias e pareceres. 
A SEMAR possui 21 técnicos (12 fiscais e 09 especialistas). Desses, são 14 com especialização, 06 com mestrado e 01 fazendo doutorado.  Os grevistas afirmaram que foram recebidos por três vezes pelo secretario estadual de Administração, Paulo Ivan Santos, que chegou a indicar alterações no Plano de Cargos, Carreira e Salários, mas as negociações com o governador do Estado, Wilson Martins, não ocorreram.
O secretario estadual de Administração, Paulo Ivan Santos, informou que a reunião de negociação com Wilson Martins deverá ocorrer na próxima semana, dependendo da agenda do governador do Estado. Na oportunidade, uma nova proposta governamental será apresentada aos grevistas. Paulo Ivan acrescentou que os profissionais da Semar foram os últimos a solicitar uma reunião, por isso a demora. No caso, existe uma ordem cronológica de pedidos e realizações de reuniões entre governador e trabalhadores. 
Repórter: Carlienne Carpaso- JornalODIA

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Se a oposição questionar o Bolsa Família, estará morta

"Se a oposição questionar o Bolsa Família, estará morta"



Eduardo Miranda e Paulo Henrique de Noronha   (eduardo.miranda@brasileconomico.com.br) e (paulo.noronha@brasileconomico.com.br)
13/01/14 10:06
enviar noticia

"Na era digital, é melhor para um partido ter uma sede ou um site?", questiona o cientista político Jairo Nicolau. Foto: Márcio Mercante

Comunidade

Partilhe: del.icio.us   Digg   Facebook   TwitThis   Google   Mixx   Technorati  
Cientista político e professor da UFRJ, Jairo Nicolau recomenda cautela nas críticas aos programas sociais no debate da eleição de 2014

O cientista político Jairo Nicolau acredita que a próxima eleição presidencial será bem diferente daquela que elegeu a presidenta Dilma Rousseff em 2010. Há muitas incógnitas desta vez: desde a candidatura de Eduardo Campos (PSB), um político ainda muito pouco conhecido nacionalmente, até a indefinição sobre o financiamento privado das campanhas - que ele condena, embora seja contrário à proibição de forma abrupta, em pleno ano eleitoral. "Temo por uma onda de caixa 2. A mudança deve ser gradual. E deve ser discutida pelo Congresso, não pelo Supremo".
Nicolau diz que a macroeconomia não deverá ser um tema dominante na campanha de outubro ("como não foi nas anteriores") e recomenda cautela nas críticas aos programas sociais do governo. "Candidatos da oposição que tentarem entrar numa discussão sobre o Bolsa Família estarão mortos", sentencia.
A eleição de 2014 será uma repetição de 2010?
A eleição da presidenta Dilma Rousseff praticamente repetiu o resultado de Lula, em 2006, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ou seja, concentração dos votos do PT nos municípios mais pobres do Nordeste e do Norte e dos votos do PSDB nos municípios mais ricos. Mas 2014 não deverá ser assim. Há uma série de diferenças, variáveis que não são decisivas, mas que são importantes. A saber: a definição do lugar de Marina Silva na chapa de Eduardo Campos (PSB); a candidatura ou não do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa; o vice da chapa de Aécio Neves (PSDB); a decisão do STF sobre a proibição do financiamento de campanhas por pessoas jurídicas; e a chegada do candidato do Psol, Randolfe Rodrigues, que poderá ter um desempenho em torno de 5 pontos percentuais.
Por que Randolfe é importante?
Há uma insatisfação por parte da esquerda brasileira com o governo Dilma Rousseff. Isso ficou explícito na greve de vários segmentos, em 2013. O Randolfe pode aglutinar um pouco da insatisfação que o atual governo gerou. Ele foi do PT e é crítico de algumas posições adotadas no ano passado, como as concessões. Numa eleição muito disputada, ele pode fazer certo estrago e viabilizar o segundo turno.
Quais seriam as consequências da proibição do financiamento privado de campanhas?
Independentemente do efeito jurídico, é preciso dizer que as campanhas no Brasil são caríssimas, particularmente para presidente, que custam mais de R$ 100 milhões. Uma campanha para governador está na faixa de R$ 15 a 20 milhões, dependendo do estado. Na última eleição, praticamente todos os deputados federais eleitos gastaram R$ 1 milhão cada. Nas próximas eleições, isso deve chegar a R$ 2 milhões. As consequências, caso a medida seja aprovada, é que as campanhas ficarão bem mais baratas e artesanais, e os marqueteiros terão que renegociar preços. Infelizmente, temo por uma onda de uso do caixa 2. Os candidatos se acostumaram a um certo padrão e não saberiam como se deslocar sem um jatinho, sem pesquisa qualitativa de área, sem um marketing padronizado para o país inteiro. É muito difícil cortar tudo isso da noite para o dia.
É claro que nós sabemos da criatividade nesse campo, você não precisaria necessariamente utilizar um caixa 2 como se via nos anos 80, com dinheiro sendo deslocado em sacos e malas. Mas você pode usar artifícios, como o de uma empresa imprimir panfletos de candidatos e dizer que imprimiu para uso próprio, ou pagar pesquisas e colocar gasolina no carro da campanha. Não estou discutindo o mérito da decisão do STF, que é equivocada para este contexto, com efeitos imediatos e avassaladores. A campanha de 2010 teve um valor total de R$ 5 bilhões, a de outubro deve custar R$ 7 bilhões. 80% disso vêm de empresas privadas. Significa tirar uns R$ 5 bilhões do mercado de campanha.
E a capacidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fiscalizar isso?
Não existe. O TSE não tem auditores suficientes, não tem capacidade técnica. A gente observa que as contas das campanhas demoram muito para serem aprovadas. Sabemos que o TSE tem muita dificuldade para fiscalizar a engenharia contábil dos milhares de candidatos.
Qual seria o melhor modelo?
Precisamos reformar o modelo de financiamento da política de um modo geral. Significa reformular o fundo partidário e mais o sistema de financiamento de campanha, que atualmente é privado, embora os candidatos tenham um tempo de TV - um grande benefício - invejado por candidatos do mundo inteiro. Nos Estados Unidos, as campanhas são caríssimas e os candidatos têm que comprar as inserções. O Brasil tem o sistema mais generoso de concessão de tempo de TV e rádio para os candidatos. Precisaríamos de uma nova legislação, com punições mais severas para quem a desrespeitasse, um sistema de fiscalização mais engenhoso - talvez por amostragem e não com essa obsessão de fiscalizar todos os candidatos. Temos que caminhar para o fim da doação de empresas privadas. Nos EUA, já se proibiu que as empresas dessem recursos diretamente para os candidatos desde 1907. Eu tenho muito simpatia pela lei francesa, aprovada no final dos anos 90, que tinha um sistema parecido com o nosso e migrou para a proibição, que é a posição da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a que o STF quer fazer da noite para o dia. A premissa é muito boa, mas num sistema onde há essa forte dependência, é preciso pensar numa transição. E isso deve ser discutido pelo Congresso, não pelo Supremo.
Após governar o país por oito anos, o PSDB perdeu espaço?
O PSDB está há 11 anos na oposição parlamentar e o que evitou o esvaziamento mais severo do partido foi o fato de ele governar Minas Gerais e São Paulo com governos mais ou menos bem-sucedidos. Além disso, ele tem uma bancada grande na Câmara e no Senado. É um desenho de polarização que se repete há cinco eleições: duas de FHC, duas de Lula e a última, da Dilma. Novamente, o PSDB vai ser um ator decisivo com chances de polarizar com a presidenta Dilma.
Eduardo Campos é um risco para o PT no Nordeste?
Se Eduardo Campos conseguir entrar com força no Ceará e na Bahia, ele pode, sim, afetar a eleição de Dilma. Mas ele é uma grande incógnita. Fora da política, é pouco conhecido da população. Eu, que acompanho política, conheço muito pouco das opiniões dele. Há outra incógnita: São Paulo, que é território do PSDB, é um estado que, pela primeira vez, vai votar num candidato tucano para presidente que não é de lá. Se São Paulo acolher bem o Aécio, ele terá força para enfrentar Dilma.
Aécio quebrou uma linha sucessória paulistana no PSDB...
As bases eleitorais mais fortes, tanto do PT quanto do PSDB, estão em São Paulo. O mesmo desafio encontrava o PT, mas várias lideranças naturais foram queimadas por conta dos escândalos - nomes como Antonio Palocci e José Dirceu eram a aposta de todos os analistas no primeiro governo Lula. Já o PSDB de São Paulo não tem uma liderança jovem, emergente. Os nomes ventilados seriam, novamente, o dos veteranos Geraldo Alckmin e José Serra. No caso do Alckmin, ele tem muito mais chances de se reeleger como governador de São Paulo do que numa disputa presidencial. Em 2010, o Aécio abriu mão da candidatura, agora, vem se tornando uma liderança natural.
Ainda existe esquerda e direita no Brasil?
As pesquisas de opinião mostram que, de um modo geral, o eleitor brasileiro não é ideológico, embora haja um segmento pequeno que se orienta ideologicamente. Por isso, chutei em 5% essa insatisfação ideológica com o governo Dilma migrando para o candidato do Psol. Nas últimas eleições, Lula e Dilma não foram para o segundo turno por conta de uma média de 4% dos votos. Com um candidato desses, repito, é possível viabilizar um segundo turno.
Alguns analistas disseram que o PSDB gostaria de ver no cenário uma candidatura de esquerda, ou mesmo Marina Silva, para provocar o segundo turno.
Se tivesse que apostar hoje, eu diria que vai haver segundo turno. E não digo isso pelas pesquisas, porque, em nenhuma eleição tivemos candidatos tão pouco conhecidos. Em segundo lugar, como o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse em entrevista ao Brasil Econômico, o calendário eleitoral está apertado por conta da Copa do Mundo aqui no Brasil. Com o desconhecimento dos nomes, as pesquisas servem agora para quase nada. Estou apostando no segundo turno pelo que aconteceu de 2002 para cá. As eleições presidenciais no Brasil têm tido resultados muito apertados. Dilma ganhou em 16 estados e perdeu em 11. Nunca um candidato à Presidência tinha perdido em tantos estados. E tudo isso logo depois de Lula sair da Presidência com altíssima aprovação. Agora, Dilma não terá a economia tão boa quanto em 2010, não terá Lula tão próximo dela como naquela campanha. Então, mesmo desconhecendo o potencial eleitoral de Eduardo Campos e Aécio Neves, eu aposto no segundo turno.
Faz sentido antecipar campanhas para compensar o calendário apertado?
Quem inaugurou isso foi o ex-presidente Lula, quando anunciou, no ano passado, a importância da reeleição da Dilma. Aquilo gerou na oposição a necessidade de correr um pouco. Percebo uma ansiedade em militantes do PSDB para uma definição mais forte do Aécio, porque ele não está muito convincente, não se porta muito como candidato. Mas, no atual cenário, não é tão grave. O momento, agora, é para viajar, tentar conquistar novos eleitores, conversar com o meio empresarial, criar redes com a imprensa, fazer costuras com os governos estaduais e alianças políticas.
A Dilma tem um favoritismo amplo nas pesquisas...
Mas acho que é um favoritismo artificial, como era artificial aquele favoritismo da Marina em 2010. Parte do voto em Marina deveu-se a uma mudança de última hora, um voto útil para viabilizar o segundo turno. Algo que aconteceu em menor escala, na eleição de 2006, com o Cristovam Buarque (PDT).
As manifestações de rua e o mensalão terão impacto na eleição?
O estrago maior do mensalão foi em 2006. Ali, o PT perdeu parte da classe média simpatizante do partido e isso se traduziu numa mudança do perfil da bancada. Naquele ano, lideranças de opinião do partido e vários outros tiveram votações menores. A bancada encolheu, perdeu muitos votos de legenda. Em relação às manifestações, quanto mais ficamos distantes delas, mais elas parecem que tiveram um efeito circunscrito no tempo. Naquele momento, a dúvida era se elas afetavam estruturalmente a política brasileira - um movimento de voto nulo, a criação de um partido que capitalizasse isso, algum nome que aparecesse etc. Só que esses fatores mais estruturais, apesar da rejeição aos partidos e ao Legislativo, não aconteceram. Os protestos tiveram conquistas pontuais, como a aceleração de algumas leis que tramitavam no Congresso e o impedimento do aumento das passagens de ônibus. Eles foram superestimados, na época, mas vimos que não deu certo no 7 de Setembro e em outras tentativas. Acho que, dificilmente, teremos manifestações naquela escala, embora meus alunos, que militam no movimento estudantil, digam que haverá novo ciclo. Havia um contraste inevitável na Copa das Confederações. Tínhamos temas variados nas reivindicações de junho e, ao mesmo tempo, estavam sendo inaugurados estádios que eram templos de conforto. Daí, surgiu a deliciosa expressão "Padrão Fifa". E todo mundo começou a exigir hospital, educação e transporte com o "Padrão Fifa". Esse contraste foi acachapante. Mas o simbolismo morreu, porque a Copa foi jogada, todo mundo foi aos estádios reformados e a piada ficou repetitiva.
Acho difícil que as manifestações aconteçam novamente com aquele mesmo magnetismo. Apoio popular, massivo, haverá apenas se algum tema capturar a população. Já o efeito desses protestos sobre a imagem de alguns governantes, esse parece ser definitivo. Sérgio Cabral e Eduardo Paes são exemplo. A Dilma sofreu muito, mas não havia um alvo claro em relação ao governo federal. Estive em algumas dessas manifestações e não lembro de ter lido nenhum cartaz contra a presidenta, pessoalmente. Mesmo assim, as pesquisas mostravam que todos os governantes, seja do Legislativo, do Executivo, das esferas municipal, estadual e federal, todos tiveram queda de popularidade. E os alvos foram muito mais as instituições públicas do que os símbolos econômicos - era mais contra a elite política. Nos Estados Unidos, houve o Occupy Wall Street. Aqui, o anticapitalismo das manifestações era, no máximo, quebrar agências bancárias.
Acha que Dilma se saiu bem ao responder aos protestos?
Ela foi bem avaliada ao se pronunciar em cadeia nacional. A taxa de preferência dela pelos eleitores em relação à de aprovação enquanto presidenta, hoje, está inflada porque ela é a candidata mais conhecida. Por isso, eu digo: parem tudo e esqueçam um pouco as pesquisas. Sei que é difícil, porque ficamos curiosos, mas nada aconteceu na opinião pública, está tudo mais ou menos parado.
Como fica o quadro dos estados?
Em Minas, sem o Aécio, e no Rio, sem o Cabral, elas ficam mais abertas, ainda que no estado mineiro o quadro seja mais previsível, porque lá existe a polarização partidária. O Rio não tem PSDB nem PT fortes. O PT já teve bons candidatos a governador, mas só passou para o segundo turno em 2002, na eleição da Benedita da Silva contra a Rosinha Garotinho. O PSDB chegou a governar o Rio. Curiosamente, tanto Eduardo Paes quanto Sérgio Cabral são egressos do partido. Mas, no Rio, o PSDB sempre foi muito frágil. Em Pernambuco, onde Eduardo Campos sai do governo com aprovação espetacular, ainda assim seu partido terá trabalho para enfrentar a candidatura do senador Armando Monteiro (PTB). Na Bahia, onde o PT está no governo e não foi muito bem avaliado, a eleição também será disputada. São Paulo também tem agora um candidato forte do PT, o Alexandre Padilha (ministro da Saúde). Há tempos, o PT não era tão competitivo naquele estado - justo agora que o governador Alckmin enfrenta seu pior momento. Quanto ao Rio, nunca vi uma eleição tão aberta. Lembra muito o pleito de 1992 para prefeito, quando Cesar Maia (DEM) passou ao segundo turno com 12%. Eram dezenas de candidatos, cada um com 5%. A eleição do Rio é completamente imprevisível.
Caso o Eduardo Campos faça um discurso mais à esquerda, como fica a Dilma? Aécio fará um discurso claro de direita?
O último debate de direita e esquerda que fez algum sentido para a população foi o de 2006, no segundo turno, com o discurso sobre as privatizações, que fez um estrago na candidatura do Alckmin. Ele demorou a responder e aquilo foi um diferencial. Lembro que o Francisco de Oliveira, um dos economistas mais críticos ao governo Lula, disse: "Olha, já que polarizou esquerda e direita, com todas as críticas que eu faço ao governo Lula, eu o apoio". Mas não acho que o eixo do debate político do Brasil seja uma agenda de esquerda contra direita. Até porque essas coisas ficaram muito confusas, ainda mais depois das concessões do último ano no governo Dilma, além das alianças do Planalto com setores da centro-direita. Certamente, a oposição tem que apostar no discurso de que está chegando ao fim um ciclo petista, que diminuiu a desigualdade, mas que o Brasil tem outros desafios, e vamos olhar para a frente. É um discurso da modernização, em áreas que, consensualmente, ficaram em segundo plano tanto no ciclo do PSDB quanto no ciclo petista. O PAC não teve o impacto que se imaginava, o sistema de saneamento das cidades brasileiras é caótico. Ou seja, se avançou muito pouco nesse pacote que se convencionou chamar de infraestrutura. A oposição precisa de uma nova agenda.
Já o governo deve ir em defesa de um discurso retrospectivo. Se pudéssemos resumir a agenda da eleição presidencial, ela seria um aprofundamento de uma agenda social. A macroeconomia não tem sido um grande tema das últimas eleições, por conta de um certo consenso a respeito das grandes diretrizes. Mantido o atual quadro econômico, que é o que todos estão desenhando, não vai haver uma piora na economia. Acredito que o debate será sobre o aprofundamento da melhoria da renda, da capacidade de compra e da redução das desigualdades. Os candidatos da oposição que tentarem entrar numa discussão sobre o Bolsa Família estarão mortos.
Nas suas palestras para empresários e economistas, o que tem ouvido sobre a política brasileira?
No primeiro semestre do ano passado, havia muito mais otimismo e uma avaliação positiva do governo Dilma. Do segundo semestre para cá, alguns segmentos da elite empresarial querem apostar em alternativas a esse governo.
Isso coincide com as manifestações de rua?
Acho que não. Tem mais relação com a política econômica, alguma política errática e demorada na área de privatizações. Sinto que houve uma degradação da avaliação do governo, focada nas políticas macroeconômicas e na equipe econômica. Eles têm uma visão muito pessimista da elite política brasileira e do sistema político brasileiro. Por outro lado, sabem que as coisas funcionam, que talvez não seja o partido que eles querem, mas o sistema funciona. Eles querem saber se a oposição pode ganhar, quais suas chances, não querem saber da política em si, querem saber da corrida presidencial. Há uma insatisfação difusa, mas não a ponto de criar um partido liberal clássico, ou de direita. Dificilmente, você terá um candidato de oposição dizendo que a questão central do Brasil é o tamanho da carga tributária, que é ter menos Estado na economia, fazendo as reformas liberalizantes, diminuindo os benefícios do seguro-desemprego, aumentando a idade da aposentadoria. Nós não temos uma direita liberal. Dos dois candidatos da oposição, um, Eduardo Campos, é egresso da base governista, sempre foi mais identificado com a esquerda moderada. E o Aécio a gente tem mais ou menos alguma ideia, porque conhecemos os economistas do PSDB, com políticas econômicas de direita que, na Europa, seriam consideradas de centro. Mas não temos uma explicitação de posições à direita.
Como os partidos brasileiros estão lidando com o envelhecimento dos quadros? Para onde a militância está migrando?
Infelizmente, não temos, no Brasil, pesquisas sólidas sobre o perfil dos partidos. Mas, minha observação - que é uma impressão e não uma pesquisa - é que os jovens que estão entrando hoje no "mercado político" aos 20 anos de idade são muito diferentes por razões de toda ordem. São mais escolarizados que as gerações anteriores, mais informados e totalmente socializados digitalmente. Eles falam da política como se fosse um mundo totalmente alheio, remoto. E, para o bem ou para o mal, programas de TV como "Pânico" e "CQC", ao retratarem os políticos como verdadeiros imbecis, acabaram agravando esse sentimento e essa imagem da política tradicional. A política partidária e parlamentar não é um atrativo para essa juventude. Os jovens que conheço e querem fazer alguma coisa vão para atividades religiosas ou filantrópicas, porque os resultados são rápidos. Ser professor de um pré-vestibular comunitário, por exemplo, permite a eles ver um resultado imediato. Os partidos são uma invenção do século XIX, não podemos esquecer disso, e terão muitas dificuldades nos próximos anos. Eles conseguiram se atualizar para a era da TV e do rádio, mas ainda não conseguiram se modernizar para serem organizações da era digital.
O sr. vê a Rede Sustentabilidade como uma tentativa de adaptação a essa era?
Estamos no final de uma transição da TV para outra forma de comunicação entre Estado, sociedade e partidos. No passado, partido tinha que ter uma sede. Mas, agora, o partido vai ter que ter uma sede ou um site? Ou uma página no Facebook? A gente não sabe mais. O fato é que, para esses jovens, o partido é muito pouco atraente. O PSDB e o PT têm esse desafio. Dilma deverá ser a última presidente do Brasil que se socializou na agenda da ditadura. Depois dela, todos terão sido socializados na agenda da transição e, daqui a pouco, na agenda da democracia. Quando olhamos para o PSDB de São Paulo, que governou o estado por 20 anos, qual é o quadro expressivo na faixa de 40 anos que eles criaram para a política nacional? Nenhum. Isso é grave. O Lula percebeu isso numa entrevista: "Não dá para sair novamente com a Marta (Suplicy) para a prefeitura de São Paulo, nós precisamos renovar esse partido". E o PT do Rio, com o Lindbergh (Farias), pode ser bem sucedido nessa renovação também. É um enorme desafio e, por enquanto, não vejo nenhum partido à altura para responder a esse novo cenário.