quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Tratamento do tabagismo para as próximas gerações

Tratamento do tabagismo para as próximas gerações
Novas medidas adotadas pelo governo reduzem gradativamente o número de fumantes no país; cenário é visto com otimismo por especialistas da área

 Postada em: 04/11/2013 ás 12:50:44






A proibição de campanhas publicitárias, a nova lei antifumo, o aumento no preço mínimo do cigarro e o uso de imagens de advertência sobre os riscos do tabagismo nas embalagens de cigarro são exemplos de iniciativas que vêm sendo tomadas visando diminuir o número de fumantes e também evitar que novos apareçam. Com estas medidas, especialistas apostam na redução do uso de tabaco nas próximas gerações.

Prova disso é o fato da prevalência do tabagismo vir diminuindo gradativamente nos últimos anos: de acordo com dados do Ministério da Saúde, a população fumante caiu 20% nos últimos seis anos. Outra pesquisa, realizada pela Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), mostra que, em 2012, 12% dos brasileiros eram fumantes; em 2006, o índice era de 15%. 

Os números mostram que as ações de prevenção e controle, além da oferta de tratamento para os fumantes, têm sido eficientes na luta antifumo, avalia a presidente da Comissão de Tabagismo da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), dra. Maria Vera Castellano, que acredita que, nas próximas gerações,deve haver uma queda ainda maior no número de fumantes, bem como manutenção nos índices de prevalência do tabagismo, apesar de ainda ser alta a taxa de iniciação por parte dos jovens.

“Os tratamentos como o uso de repositores de nicotina (adesivos e chicletes) e o uso de antidepressivos ou de drogas específicas (vareniclina) continuarão sendo eficientes nas próximas gerações, mas a grande novidade para o futuro pode ser uma vacina que vem sendo desenvolvida por pesquisadores para pessoas que desejam parar de fumar. Esta vacina cria anticorpos que fazem com que o fumante não sinta nenhuma sensação de prazer ao fumar, tornando o ato ‘sem graça’ e reduzindo as chances de recaída. Porém, a vacina ainda não foi lançada no mercado, mas promete ser um método eficiente”, revela a especialista.

Outra boa notícia é que em 2013, o acesso a tratamento para fumantes foi ampliado. A medida faz parte do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ), do Ministério da Saúde, e permitirá a ampliação em até 10 vezes do número de unidades e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferecem tratamento para pessoas que pretendem abandonar o uso do tabaco.

O governo ainda pretende lançar campanhas contra o tabaco com o objetivo de que a população fumante brasileira não passe de 9% até 2022. Essa ação faz parte de um Plano do Ministério da Saúde que inclui ações de prevenção e cura do tabagismo, adequação de leis, aumento de impostos dos produtos derivados do tabaco, além de reforçar as ações educativas voltadas para a prevenção e redução do uso de tabaco através do Programa Saúde na Escola (PSE).
Foto: Acontece Comunicação e NotíciasFonte: Acontece Comunicação e NotíciasPostador: Chris Rodrigues




Perspectivas do meio ambiente no Brasil

GEO BRASIL
Perspectivas do meio ambiente no Brasil


Páginas Iniciais
Capítulo 1.  Introdução
Capítulo 2 . O estado do meio ambiente no Brasil
Dinâmicas Territoriais
Biodiversidade
Solos
Subsolos
Recursos Hídricos
Florestas
Atmosfera
Ambientes Marinhos
Pesca
Desastres
Áreas Urbanas
Saúde e Meio Ambiente
Capítulo 3.  Respostas de políticas
Capítulo 4.  Cenários para Gestão Ambiental
Capítulo 5.  Recomendações
Anexo 1. Estatísticas e dados - IBGE
Anexo 2. Principais conexões econômicas e ambientais - IPEA
Anexo 3. Biodiversidade
Anexo 4. Compilação da legislação
Colaboradores e Bibliografia

Brasileiros finalmente debatem testes em animais

Brasileiros finalmente debatem testes em animais

30/10/2013   -   Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil

País parece ter acordado para a questão do uso de animais para o desenvolvimento de remédios, cosméticos e no treinamento de profissionais da saúde



O caso da invasão do Instituto Royal, em São Roque, São Paulo, por ativistas buscando "libertar" Beagles na semana passada trouxe à tona um tema que estava distante das rodas de conversas: os testes em animais.

Utilizados na indústria farmacêutica, de cosméticos e na academia – em faculdades como Medicina, Biologia e Veterinária –, os testes em animais costumam ser defendidos por pesquisadores, médicos e empreendedores como necessários para garantir que os efeitos de determinadas substâncias sobre os humanos não sejam prejudiciais e no treinamento acadêmico de profissionais.
Porém, muitas pessoas acabam por questionar a necessidade desse procedimento e o conhecimento que é gerado por ele. Elas argumentam que os testes não são válidos, usam extrema crueldade e que o ser humano não tem o direito de causar sofrimento a outros animais.
Vídeos e relatos dessas cenas estão por toda a parte, e seria impossível dizer que não há abuso em vários casos.
No caso do documentário ‘Não Matarás’, do Instituto Nina Rosa, a situação se mostra realmente chocante – como em testes de toxicidade em que 50% dos animais morrem em 24 horas ou em outros em que cosméticos são testados nos olhos de um coelho – e diversos especialistas argumentam sobre a quantidade de informações divergentes da alegação de que não há alternativas e de que não seria crueldade. 
Uma das práticas mais combatidas é a vivissecção, quando são realizadas intervenções em animais vivos com propósitos científicos, como por exemplo a observação de fenômenos fisiológicos ou comportamentais a partir da administração de substâncias químicas.

Em ‘Não Matarás’, um estudante descreve um inesquecível episódio em que, para demonstrar o efeito da estricnina, um rato foi aberto (vivissecção) e ao ser injetada em seu estômago, a substância provocou uma forte convulsão no animal. Após procedimentos como este, os animais geralmente são mortos e descartados.
Segundo a ONG PETA, anualmente mais de 100 milhões de animais (ratos, camundongos, sapos, cães, gatos, coelhos, macacos, porcos, aves) são mortos apenas nos laboratórios dos Estados Unidos para lições de biologia, medicina, experimentações e testes farmacêuticos e de cosméticos.
Mas, de pouco em pouco, parece que cenário tende a mudar. Além do reconhecimento da senciência – capacidade de sentir dor física e psíquica – dos animais, em meados de 2007 neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas têm consciência. Ou seja, possuem a noção de si mesmos, do ambiente que os cerca e do outro, de sua espécie ou de espécie diferentes.
Ao ser perguntado por jornalistas se as conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento, o renomado neurocientista canadense Philip Low respondeu: "Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento." (Leia a entrevista) 
"O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade", lamentou Low.
Legislação
A prática de testes em animais é permitida de acordo com a lei nº 11.794, editada em 2008 pelo deputado Sérgio Arouca, sendo chamada de Lei Arouca. Ela permite o uso de animais para ensino e pesquisa, desde que respeitadas acomodações, regras sanitárias e que não haja crueldade.
De acordo com a lei, os testes em animais são regulamentados pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI).  O conselho deve estabelecer procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação e laboratórios onde há experimentação animal.
Para que o credenciamento ocorra no Concea, é necessário que a instituição crie sua própria Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA). No caso da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a única cadeira da CEUA ocupada por uma entidade civil é da Associação Catarinense de Proteção aos Animais (ACAPRA).
E, infelizmente, o que a ONG denuncia é que a aplicação dos protocolos aprovados da CEUA não é fiscalizada.
Além da ausência de monitoramento das atividades, a Advogada Renata Fortes, especialista na proteção judicial dos animais, ressalta que a Lei Arouca é inconstitucional diante do sistema legal de proteção à fauna – ponto reforçado pela liminar concedida pelo Juiz Marcelo Krás Borges, da Comarca de Florianópolis, na Ação Civil Pública 009684-86.2013.404.7200/SC contra a UFSC.
Ela argumenta que a legislação nacional, desde 1934, possui normas legais de proteção aos animais, colocando-os como sujeitos de direito, e que isso foi reforçado a partir da Constituição Federal de 1988, "já que a ordem democrática baseia-se em regras de natureza ética, onde o direito à vida é privilegiado em todas as relações".
“Eticamente, não é certo usarmos os animais como meio para atingirmos finalidades que somente a nós interessam, vivemos em uma democracia que repudia a exploração de qualquer ser pelo uso da força. Animais, comprovadamente, possuem o mesmo interesse em viver que nós”, nota.
“Além disso, eles não têm a propensão de se revoltar pela condição de confinamento ou tortura. Da mesma forma que respeitamos idosos ou crianças, devemos fazer com os animais” continua a advogada.
Nesta linha, a Declaração Universal dos Direitos dos Animais (ONU, 1978), da qual o Brasil é signatário, coloca que “todos os animais nascem iguais perante a vida e possuem o mesmo direito à existência”.
Fortes explica que apenas lendo a Constituição Federal é possível notar o quanto a Lei Arouca é equivocada.
Por exemplo, o Artigo 225, discorre que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida” e que para assegurar a efetividade desse direito, o Poder Público deve “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade”.
“Nesse artigo, a Constituição Federal prevê o direito fundamental dos animais ao tratamento livre de crueldade, e para nós o poder público tem o dever de garanti-lo,” ressalta Fortes.
A CF também traz em seu artigo 3º como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil “construir uma sociedade livre, justa e solidária” e “promover o bem de todos”.
O Artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98) define penas para quem “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” – ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
Ou seja, quando para determinado experimento houver um método substitutivo, o animal não poderá ser utilizado.
“Mas, mesmo que haja essa previsão de crime pelo uso de animais quando houver um método substitutivo, pela leitura da Constituição Federal não há como interpretar de forma diversa: qualquer teste em animal significa uma prática cruel, mesmo com o uso de anestesia, ou seja, viola-se a norma constitucional. É fácil percebermos isso, basta trocarmos um animal por uma criança, não seria crueldade?”, pondera a advogada.
No âmbito governamental, a questão começou a ganhar foco com a criação da Rede Nacional de Métodos Alternativos (RENAMA) ao uso de animais, através da portaria nº 491 de 03.07.2012 do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 
O órgão ainda está sendo implementado, porém é importante ficar claro que há o reconhecimento da validade dos métodos alternativos já que o Ministério da Educação (MEC) homologa os diplomas de universidades que os aplicam.
No caso da UFSC – onde a universidade teve que suspender temporariamente o uso de animais –, citando duas decisões de Tribunais superiores sobre a proibição de animais em circo, o juiz Marcelo Krás Borges afirmou que a retaliação de animais para fins cirúrgicos constitui tratamento ainda mais cruel do que a utilização de animais em circos.
Numa das decisões, o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, relator do Recurso Especial 1.115.916, diz na ementa: ‘‘A condenação dos atos cruéis não possui origem na necessidade de equilíbrio ambiental, mas sim no reconhecimento de que são dotados de estrutura orgânica que lhes permite sofrer e sentir dor.’’ 
Ensino

O uso dos animais no ensino ainda é extremamente disseminado no Brasil, e também altamente criticado.

Há denúncias que mostram o medo dos estudantes em expressar sua rejeição a esses métodos, já que são notoriamente repreendidos por professores e colegas. A “dessensibilização” dos alunos, para afastar qualquer desconforto, começa com o animal sendo rotulado com termos como “peça”, “modelo”, “material de estudo” e com argumentos como que ele estaria ali para isso.
"O uso de animais expõe o estudante muita vezes a contradições, como a de matar para salvar, ou desrespeitar para respeitar. Impõe a muitos estudantes a decisão de cumprir com a tarefa e deixar para trás seus princípios éticos e/ou minimizar suas condições emocionais", critica Thales Tréz, coordenador da Interniche Brasil e professor da Universidade Federal de Alfenas, Minas Gerais, no livro 'Alternativas ao uso de animais vivos na educação'. 
A publicação é de autoria de Sérgio Greif, Biólogo, mestre em Alimentos e Nutrição e um dos principais ativistas pelos direitos animais no Brasil.
"Desconsiderar as diferenças relacionadas à resistência tecidual, coeficiente de sangramento, disposição e tamanhos dos órgãos, reação a anestésicos e outros aspectos fundamentais não pode garantir que estudantes que obtenham sucesso através do treinamento em quadrúpedes o tenham quando o apliquem em seres humanos", ressalta Trés.
Um exemplo da aplicação de métodos alternativos, no caso do ensino, é o da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAMED/UFRGS), que em abril de 2007 tornou-se a primeira faculdade de medicina do Brasil a abolir totalmente o uso de animais na graduação, no que foi seguida logo depois pela Faculdade de Medicina do ABC (SP).
A mudança na UFRGS resultou na implantação de um Laboratório de Técnica Operatória, que funciona apenas com réplicas artificiais das partes do corpo humano, explica o diretor. O projeto todo, com reforma de instalações e aquisição dos modelos, importados, custou cerca de R$ 300 mil, contrapondo o argumento de que seria inviável financeiramente a transição.
“Abolimos o uso de animais porque hoje não se precisa mais disso”, destaca o diretor da FAMED, o médico endocrinologista Mauro Antônio Czepielewski (Leia mais na Ecoagência). 
A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo também não utiliza mais animais vivos, apesar de isso se restringir às disciplinas de técnica cirúrgica e ortopedia.
A professora Júlia M. Matera coloca, no documentário ‘Não Matarás’, que antes da decisão ela utilizaria uma média de 260 a 300 cães ou coelhos por ano e agora a média é de 50 cadáveres.
Nos Estados Unidos, cerca de 90% das faculdades de medicina não usam mais animais, a exemplo das Universidades de Harvard, Princeton e Yale.
A escola de veterinária da Western University of Heath Sciences, nos Estados Unidos, foi criada em 1998 sob o princípio de reverência à vida e com o comprometimento de nunca utilizar animais vivos no ensino. 
Pesquisas
No caso das pesquisas, o problema parece ser ainda mais complexo, e a resistência a mudanças, mais arraigada.
Em uma declaração posterior ao caso dos Beagles, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP lançou uma nota: "Atualmente, não existem alternativas viáveis para a substituição de todos os testes em animais. Em algumas áreas e dependendo da finalidade da pesquisa, há a possibilidade de realizar procedimentos in vitro".
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) declarou que, "nas condições atuais, a ciência não pode prescindir do uso de animais em experimentação". Em 2012 A Fiocruz e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criaram o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM), que atuará em conjunto com a Renama.
De acordo com José Mauro Granjeiro, membro do Concea, a Rede prioriza, em sua etapa inicial, a implementação dos métodos validados e recomendados pela Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD, na sigla em inglês).
“A implantação desses métodos permitirá capacitar pessoal para realizá-los e disseminá-los no país, contribuindo para a maior oferta de laboratórios aptos a fazer os testes para as empresas”, informou ao Jornal da Ciência. 
Ainda que no Brasil as alternativas não sejam bem disseminadas, universidades do mundo todo estão trabalhando em novos processos.
O Insituto Wyss de Engenharia Inspirada Biologicamente, da Universidade de Harvard, está desenvolvendo tecidos que imitam funções biológicas de órgãos como o coração, pulmão e intestino para melhorar a forma como se testam novos fármacos.
"Há uma necessidade enorme de métodos alternativos para substituir modelos tradicionais usando animais, já que esses testes nem sempre preveem acuradamente como humanos reagirão à nova medicação", declarou o Instituto. 
Ativistas dos direitos animais defendem que, mesmo com algumas deficiências na área de pesquisa, a transição para métodos sem o uso de animais seria gradativa e, contando com maior apoio financeiro, poderia evoluir rapidamente. Com uma regulamentação mais rígida, as empresas também seriam pressionadas a buscar alternativas.
Por exemplo, a União Europeia proibiu no início de 2013 a venda de novos cosméticos testados em animais. A decisão se aplica a todos os novos produtos e seus ingredientes vendidos no bloco de 27 membros, independentemente do local no mundo onde o teste é realizado. 
Dentro da Europa, o teste de produtos cosméticos como perfume, pasta de dente e xampu em animais já havia sido proibido desde 2004, porém por pressão das empresas apenas agora a decisão foi ampliada.
Efetividade
Além dos questionamentos éticos, regulatórios e práticos, a real aplicabilidade dos testes em animais também é colocada na berlinda por muitos cientistas e ativistas.
Em um artigo publicado no ‘The Journal of the American Medical Association’, pesquisadores concluíram que tratamentos médicos desenvolvidos em animais raramente se traduziam aos humanos e alertaram que deveria haver cautela ao extrapolar as descobertas provenientes de pesquisas com animais para tratar doenças humanas. 
Um caso que ficou conhecido ao redor do mundo foi a administração da Talidomida, introduzida no final dos anos 1950 no Brasil em gestantes – responsável por deformidades em recém-nascidos.
Porém, o escândalo não foi o único desastre verificado em medicamentos que foram exaustivamente testados em animais. A filósofa Sônia Felipe traz em sua obra ‘Ética e Experimentação Animal’ uma lista com mais de 20 substâncias que causaram malefícios aos seres humanos e foram retiradas de circulação.
Felipe informa, ainda, que pelo menos 124 remédios foram retirados do mercado, entre 1968 e 1993, depois de terem recebido certificado público de segurança fornecido pelos laboratórios, ou seja, após terem sido testados em animais.

Crédito imagem: Peta.org

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Seis dicas para prolongar a vida útil dos alimentos

28/10/2013 - 13h42

Seis dicas para prolongar a vida útil dos alimentos


DA BBC BRASIL

Ouvir o texto
A rede multinacional de supermercados Tesco revelou essa semana que mais de dois terços de seus sacos de salada acabam no lixo. O mesmo acontece com 40% de suas maçãs, e com um pouco menos da metade de seus itens de padaria.
Para evitar mais desperdício e dinheiro jogado no lixo, a repórter da BBC Kathryn Westcott reuniu seis dicas para ajudar a prolongar a vida útil dos alimentos.
PÃO
Umedeça com um pouco d'água o pão que ficou duro e coloque-o no forno a uma temperatura de 180º C por cinco ou dez minutos, indica o escritor de gastronomia Stefan Gates.
Na casa de Gates, as baguetes envelhecidas são cortadas em fatias de meio centímetro e colocadas em forno quente (cerca de 50°C) por cerca de 15 a 20 minutos. "O resultado são torradinhas para comer com queijo", diz Gates. "E podem ser armazenadas em saco plástico selado."
BISCOITO
Os biscoitos que ficaram moles podem voltar a vida em apenas cinco minutos se colocados em forno bem quente (180ºC). Mas essa sensação de biscoito fresco não dura muito, por isso é preciso consumir rapidamente.
ALFACE
Há uma série de truques para manter a alface fresca e crocante.
O site Lovefoodhatewaste.com, que dá dicas de como não desperdiçar comida e dinheiro, recomenda separar as folhas e armazená-las em um recipiente com água na geladeira. A água deve ser trocada a cada dois dias.
O blog The Kitchn, que dá dicas de gastronomia, recomenda uma forma mais sofisticada, o chamado "método da toalha de banho", que consiste em cortar as folhas, lavá-las, secá-las com um secador de salada, e espalhá-las sobre uma toalha limpa e deixar secar por algumas horas. Em seguida, enrole a toalha com as folhas dentro, prendendo-a com um elástico de borracha. Retire apenas a quantidade necessária para o dia, e enrole novamente a toalha..
"A alface de saco é mantida em embalagem com gás, por isso quando ele começa a estragar nada pode trazê-la de volta à vida", diz a chefe de cozinha Clarissa Dickson Wright.
No entanto, a alface pode ser revivida deixando-a em água muito fria, podendo adicionar alguns cubos de gelo, durante a noite.
Se isso não funcionar, sopa de alface é uma ótima solução, recomenda a chefe. "Frite um pouco de cebola e alho, adicione o caldo e coloque as folhas de alface. Sirva com croutons feitos de pão velho".
PEPINO
O pepino também pode ser salvo logo antes de ficar completamente ruim.
Se quiser aproveitá-lo por mais alguns dias, corte as pontas que ficaram moles, e coloque o pepino em pé em um pote com água fria, aconselha o site Lovefoodhatewaste.com.
LATICÍNIOS
O site recomenda congelar leite e queijo para prolongar a vida útil desses laticínios.
Rale o queijo antes de congelar, e coloque-o direto do freezer em saladas, lasanhas, e onde mais for desejado.
BANANA
Se suas bananas começarem a escurecer, não se desespere.
Dickson Wright também tem uma solução para aproveitar o máximo da fruta.
A chefe sugere congelar as bananas para fazer sorvete. Primeiro tire a casa e em seguida coloque-a em um processador de alimentos.

Brasil é o melhor país para se visitar em 2014

29/10/2013 - 16h52

Brasil é o melhor país para se visitar em 2014, diz Lonely Planet


DA BBC BRASIL

Ouvir o texto


O famoso guia turístico "Lonely Planet" colocou o Brasil como o melhor país para se visitar no ano de 2014 em uma lista divulgada nesta terça-feira (29).
Em seu ranking anual com sugestões dos melhores destinos, chamado Best in Travel 2014, o guia colocou o país à frente da Antártida (que, apesar de não ser um país, foi incluído na lista), em segundo lugar, da Escócia, em terceiro, da Suécia e do Malauí, respectivamente em quarto e quinto lugares.
O guia destaca, entre outras coisas, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, como motivos que tornam o Brasil mais atraente para os turistas no ano que vem.
"Como se a infinita costa banhada de sol, as montanhas coloridas com os tons verdes da floresta tropical, algumas das mais lindas vilas coloniais do mundo e a vida selvagem já não se somassem a sua fatia injusta de paraíso, o Brasil ainda conseguiu garantir dois dos mais cobiçados eventos esportivos do mundo, começando com a Copa do Mundo da Fifa em 2014 e seguindo, dois anos depois, com a Olimpíada de 2016", disse o gerente de comunicações do Lonely Planet, Adam Bennett.
"Acrescente uma economia que conseguiu sair da recessão e pronto! O Brasil é a bola da vez", acrescentou.
"O Rio de Janeiro tem feito imensos avanços no combate ao crime e agora oferece aos visitantes uma palpável sensação de segurança nas suas famosas praias de Copacabana, Ipanema e Leblon; outras cidades que serão sedes da Copa como São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Manaus seguem o mesmo caminho."
Além dos eventos esportivos, o "Lonely Planet" destaca como bons motivos para visitar o Brasil algumas viagens que já são conhecidas dos brasileiros, como "caminhadas pelas grandes dunas varridas pelo vento e salpicadas de lagoas nos Lençóis Maranhenses, explorar igrejas coloniais douradas em cidades congeladas no tempo como Ouro Preto ou nadar em rios que parecem aquários perto de Bonito".
"A diversidade do Brasil deixará você de queixo caído", diz o site do "Lonely Planet".
Paulo Whitaker - 30.jun.2013/Reuters
Estádio do Maracanã recebe a final Brasil x Espanha no Maracanã
Estádio do Maracanã recebe a final Brasil x Espanha no Maracanã
CRITÉRIOS
Os destinos mostrados no livro foram selecionados por alcançarem certos padrões, diz o guia.
"Pode ser que (o destino escolhido tenha) algo especial que vá acontecer naquele ano; pode ser que houve um acontecimento recente e se falou muita coisa sobre o lugar, ou que nós pensamos que (o país escolhido) está em alta e sugerimos que os viajantes o visitem antes que as multidões cheguem lá", afirmou uma porta-voz do "Lonely Planet".
Depois do Brasil, o segundo lugar, a Antártida, foi escolhido pelo guia por ele proporcionar uma chance de se "seguir o caminho de intrépidos exploradores". O ano que vem marca o centenário do início da tentativa frustrada do explorador Ernest Shackleton de cruzar o continente gelado.
Em terceiro lugar ficou a Escócia, devido ao calendário de eventos no país, que vai sediar os Jogos da Comunidade Britânica em Glasgow, e também devido à arquitetura de suas cidades e sua beleza natural.
O guia também fez um ranking das melhores regiões para se visitar em 2014 e a região de Sikkim, no norte da Índia, ficou no topo. Entre as melhores cidades para se visitar no ano que vem, Paris foi a vencedora, em uma lista que inclui também Cidade do Cabo, Xangai e Chicago.
As Ilhas Gregas foram eleitas como melhor destino turístico em termos de custo-benefício, e a Dinamarca foi escolhida como melhor destino para famílias em 2014.

Curso gratuito: “Projetos de Gerenciamento de Solos para Agricultura Sustentável: Monitorando o Carbono no Solo”.

Banco Mundial oferece cursos gratuitos online sobre desenvolvimento e clima

30/10/2013   -   Autor: Fabiano Ávila   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil



O e-Institute foi criado pelo Banco Mundial para promover, através da educação a distância, temas como o gerenciamento de riscos climáticos e instrumentos para o desenvolvimento de baixo carbono.

Qualquer pessoa pode se inscrever em seus cursos, que são em inglês e apenas são pagos nos raros casos em que haja envio de material. A seleção dos alunos leva em conta o alinhamento de cada candidato com o tema do curso.
As inscrições para esse curso estão abertas até o dia 8 de novembro, e o público alvo são pessoas relacionadas com atividades agrícolas ou com monitoramento de carbono.
Também no dia 18 começará o “Desenvolvimento de Baixo Carbono: Planejamento e Modelagem”, http://einstitute.worldbank.org/ei/course/low-carbon-development que buscará trabalhar conceitos como planejamento dos setores de transporte e energia no sentido de diminuir as emissões de gases do efeito estufa.
Entre os cursos que já foram realizados, podemos destacar “Sistemas de comércio de emissões: utilizando mercados para promover baixas emissões” e “Monitoramento de carbono em projetos florestais no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
Existem ainda aulas que podem ser assistidas em qualquer momento, sem que haja necessidade de inscrição, exigindo apenas um registro no portal. 
Vale a pena acompanhar o e-Institute, não são comuns cursos gratuitos sobre assuntos tão específicos.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Apartamento sustentável?

Apartamento 'estilo Tóquio' chega a SP com 19 m²

Comum no Japão e tendência em Nova York, unidades micro ganham agora mercado da capital; apesar de pequeno, residencial vai custar R$ 266 mil



03 de novembro de 2013 | 2h 01

ADRIANA FERRAZ - O Estado de S.Paulo
O produtor de eventos Renato Ferraz vive hoje no menor apartamento já construído em São Paulo, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Ele ocupa uma unidade de 21 m² em um prédio da Rua Bela Cintra, região da Avenida Paulista. Mas o imóvel onde Renato mora vai perder o posto de mais enxuto. Em 2016, a capital terá modelos de 19 m², no melhor estilo japonês.
Com consultoria do canadense Graham Hill, que é considerado o guru do conceito "life edited", o apartamento faz parte de um projeto da Vitacom Construtora, com lançamento programado para os próximos dias. O prédio será erguido na Vila Olímpia, zona sul, e terá unidades de até 52 m². Mas a baixa metragem não quer dizer baixo custo. O imóvel de 19 m² tem preço estimado em R$ 266 mil.
Ali perto, no Morumbi, um apartamento só poderia comportar até 64 unidades de 19 m² . É a maior unidade padrão já construída na cidade, segundo o mesmo levantamento da Embraesp. São 1.223 m² de espaço, com 12 vagas de garagem, biblioteca, academia, dois quartos de empregada e uma suíte principal com 230 m². E, para quem acha que é pouco, no mesmo prédio, um proprietário adaptou a planta e alcançou 1.975 m².
Na cidade dos contrastes, o mercado imobiliário se adapta. Depois do boom dos imóveis com sacada gourmet, a tendência agora é erguer microapartamentos. Segundo o Secovi, sindicato da habitação, o número de unidades de um dormitório vendidas no primeiro semestre deste ano cresceu 330%: foram 964 unidades de janeiro a junho de 2012, contra 4.147 neste ano.
Esses imóveis têm em comum a boa localização, perto de corredores de ônibus e metrô. A intenção é atender a um público jovem, que fica pouco tempo em casa e que não necessariamente usa o carro.
"O estilo de vida mudou muito. Todos querem praticidade no dia a dia. Ninguém tem tempo mais para cuidar da casa ou dinheiro para pagar empregada. As pessoas também não acumulam tantas coisas, armazenam tudo de forma digital e assim aproveitam melhor os espaços", diz o presidente da Vitacom Construtora, Alexandre Frankel, responsável pelo empreendimento. Antes mesmo de seu lançamento, a lista de interessados passa de 200.
Para quem vive em locais compactos, organização é a palavra-chave. "Com o tempo, a gente se acostuma e acha até melhor ter pouco espaço. Mas não vejo como tirar mais 2 m² do meu apartamento", diz o analista de sistemas Lucas dos Santos, que vive com Renato nos 21 m² da Bela Cintra.
Integração. O VN Quatá, com imóveis a partir de 19 m², ainda terá um café aberto ao público no térreo, para promover integração com o espaço público. O prédio não terá muros nem grades. "As pessoas querem viver a cidade. Buscam mobilidade. Nossa ideia é colaborar com essa busca", diz Frankel.
Para Luiz Antonio Pompéia, diretor da Embraesp, a gama de opções de São Paulo reflete os contrastes da cidade. "E também quanto as pessoas estão dispostas a pagar para viver por aqui." O metro quadrado do VN Quatá custará pelo menos R$ 14 mil - valor que não difere muito do praticado em projetos de alto padrão, como o apartamento de 1.223 m². Lá, uma unidade vale mais de R$ 20 milhões.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Fundo de compensação para índios

Dilma tenta reforçar discurso ambiental com fundo de compensação para índios

Engavetada há anos, medida passou a integrar a agenda do Planalto com o objetivo de fazer frente às críticas da ex-ministra Marina Silva; plano de atenção às comunidades atingidas por hidrelétricas deve valer apenas para pacote de novas usinas



04 de novembro de 2013 | 7h 37

João Villaverde - O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff estuda criar um fundo de compensação para índios que vivem em áreas próximas às hidrelétricas previstas no plano de energia do governo para 2021. Também prepara a regulamentação de um artigo da Constituição que obriga o poder público a consultar as comunidades indígenas antes de operar essas usinas.
Trata-se de uma estratégia para reforçar o discurso do governo no embate com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, uma crítica da política de desenvolvimento do País, que segundo ela não é sustentável.
Ex-petista, Marina se aliou ao projeto presidencial do governador Eduardo Campos (PSB) e poderá até disputar a sucessão do ano que vem na condição de vice do pernambucano.
As duas medidas que o governo tenta agora reativar por causa do "efeito Marina Silva" ficaram paradas por quase 11 anos de gestão do PT no Planalto.
A primeira delas, o fundo, é uma antiga reivindicação dos índios. Ele seria criado com dinheiro da Compensação Financeira pela Utilização dos Recursos Hídricos (CFURH), paga pelas empresas que exploram as hidrelétricas. A verba equivale a 6,75% do valor total de energia mensal produzida pelas usinas. Só entre janeiro e setembro deste ano, foram repassados R$ 1,3 bilhão da seguinte forma: 45% para os municípios atingidos pelos reservatórios, 45% distribuídos aos Estados onde estão as usinas e 10% para a União.
Uma das propostas que circula no governo, elaborada pelo Instituto Acende Brasil, voltado ao setor elétrico, prevê que a União abra mão de metade do que recebe, e os Estados abram mão de 22% da sua cota.
O Plano Decenal de Energia 2021 do governo federal prevê a construção de 34 hidrelétricas na Região Norte do País. Atualmente elas estão em fase inicial ou ainda só no papel. Nesse plano, para o qual valeriam as novas regras de compensação dos índios, não estão incluídas as polêmicas usinas de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, alvos de constantes embates entre as comunidades atingidas e o governo federal.
Consultas. A segunda medida prevista no pacote pró-indígenas de Dilma se refere ao artigo 231 da Constituição, que prevê que os potenciais energéticos oriundos de recursos hídricos só podem ser aproveitados após consulta às comunidades que vivem no local de instalação do empreendimento. Segundo integrantes do governo, essa medida já é considerada urgente no Palácio do Planalto.
Adicionalmente, o governo também vai regulamentar a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário desde 2003. Essa convenção também estabelece critérios para consulta aos índios.
Em Belo Monte, por exemplo, as comunidades atingidas dizem não ter sido consultadas. Já o governo diz que fez a consulta. Ao estabelecer um critério, a ideia é acabar com polêmicas assim. "Os povos indígenas têm suas próprias formas de debater temas sobre seu futuro, e nossa regulamentação precisa dar conta disso, quer dizer, vamos criar um mecanismo que absorva o protocolo de cada povo, de cada etnia", diz o secretario nacional de articulação social da Secretaria Geral da Presidência, Paulo Maldos.