terça-feira, 15 de outubro de 2013

País não precisa importar engenheiros

Segunda, 07 de Outubro de 2013 às 10:30

País não precisa importar engenheiros


País não precisa importar engenheiros
Defensora de uma política consistente para garantir a formação de mais engenheiros no País, o que considera medida estratégica ao desenvolvimento, a FNE incluiu a proposta no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, ainda em 2006. A entidade vem também alertando para o equívoco de se importarem esses profissionais como saída a suposta escassez que já existiria hoje. Em correspondência à presidente Dilma Rousseff, em 12 de agosto último, o presidente da federação, Murilo Pinheiro, ressaltou: “É preciso aproveitar a mão de obra qualificada disponível no País.” A posição da entidade é corroborada por levantamento a partir de estudos sobre o tema e dados de empresas contratantes.
Dos 663.583 profissionais da categoria ativos no País, 1.029 registrados são diplomados no exterior, com a devida revalidação. A informação, relativa a 2013, é do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), segundo o qual houve um aumento de mão de obra importada nos últimos cinco anos. O dado acompanha o quadro geral em relação a autorizações concedidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego a trabalhadores temporários e permanentes. Entre janeiro e outubro de 2012, teria havido incremento de 5%. Até 30 de junho último, foram 29.486 estrangeiros que receberam o aval para atuar no Brasil, não apenas em setores tecnológicos, mas nas diversas áreas. O pano de fundo a explicar a vinda de profissionais seria a crise financeira global inaugurada em 2008 e as boas perspectivas com a expansão econômica nacional, que, contudo, agora se estabilizou.
Para José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), “estamos ajudando a resolver os problemas especialmente em Portugal e Espanha”. Ele critica: “Tem havido a participação de engenheiros que captam serviços aqui e os levam para serem feitos fora. Não somos contra a vinda dessa mão de obra, não é xenofobia, fechar fronteiras, mas é preciso haver transferência de conhecimento e tecnologia.” Na sua opinião, seria melhor que empresas brasileiras contratassem via consórcios essa mão de obra ou recrutassem profissionais experientes, mas não é o que está acontecendo. Hoje, estrangeiros concorrem com recém-formados e não há nenhuma contrapartida ao País, lamenta.

Cenário estável

Além disso, ao contrário do que comumente é veiculado na mídia convencional, não há necessidade de trazer engenheiros do exterior para suprir a demanda no mercado de trabalho nacional. A avaliação é compartilhada por entidades patronais e pelo Confea. Segundo esse órgão, a análise fundamenta-se nos seguintes fatores: crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) menor do que o sinalizado há dois anos, o que teria estabilizado a demanda por essa mão de obra. Por outro lado, houve maior número de matriculados nas engenharias nas universidades e reintegração à área de profissionais que passaram a atuar, sobretudo nas “décadas perdidas” de 1980 e 1990, em segmentos como o financeiro.

Relativo a 2012, o estudo “Tendências e perspectivas da engenharia no Brasil”, publicado pelo Observatório da Inovação e Competitividade (OIC) do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), confirma: de 2001 a 2011, houve elevação da oferta de cursos de engenharia em todas as regiões do País, na média, de 12% ao ano. “As matrículas passaram de 180.497 no ano 2000 para 596.416 em 2011. Isso representa um crescimento de 230% no período, ou 10,5% ao ano, um aumento muito expressivo frente ao crescimento populacional (13% no período)”, indica. O documento aponta ainda tendência de queda na evasão em engenharia: de 21% em 2001 para 17% dez anos depois. Embora o mercado de trabalho continue demandante, segundo o estudo, a evolução na formação de profissionais da categoria teve comportamento similar, “com uma tendência de crescimento sustentado”. Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) aponta que entre 2011 e 2012 houve aumento de 16,6% nas matrículas em engenharia no País.
Análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de fevereiro de 2011 também não teria vislumbrado escassez generalizada dessa mão de obra.
“Em 2010 se cogitou bastante a vinda de engenheiros de fora, havia um volume grande de empreendimentos e falta de pessoal qualificado. Na construção civil, pelo menos nesse instante, não se percebe isso”, corrobora Haruo Ishikawa, vice-presidente de relações capital-trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP). Ele complementa: “Não existe restrição em termos de formação técnica a estrangeiros, os países desenvolvidos estão alinhados com nossas tecnologias. Mas o número de engenheiros formados nos últimos anos, a mão de obra que foi qualificada e a economia propiciaram estabilização.”

Sem impedimentos

Os estrangeiros, independentemente da nacionalidade, não encontram objeção por parte do Confea à entrega do registro, atesta o órgão. Basta seguir os critérios legais vigentes no País. Segundo Marcelo Cerri, gerente de projetos da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, o trâmite abrange ser admitido por empresa brasileira, apresentar documentação no Consulado do Brasil no país de origem para legalização e enviá-la à contratante, a qual a apresentará com tradução juramentada à Coordenação-Geral de Imigração (CGIg) do Ministério do Trabalho e Emprego, que tem 30 dias para analisar o processo. “Em caso de aprovação, a CGIg concede a autorização de trabalho e informa o Ministério das Relações Exteriores. Por sua vez, o Itamaraty envia ao Consulado a autorização para emissão de visto de trabalho.” Conforme ele, caso a profissão a ser exercida seja engenharia, é preciso entrar com reconhecimento de diploma e, posteriormente, filiar-se ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do respectivo estado em que atuará.

A SAE está formulando uma proposta de mudança na legislação de imigração, como informa Cerri, para “agilizar, desburocratizar e simplificar o processo de emissão de vistos de trabalho, além de estender os direitos do imigrante no Brasil”. Atualmente, explica, “como 96% dos estrangeiros que vêm trabalhar o fazem por meio de visto temporário (dois anos), é praticamente inviável que venham para atuar como engenheiros, já que o prazo para reconhecimento de diploma muitas vezes supera um ano de espera”. (Por Soraya Misleh)

Fonte: Jornal Engenheiro da FNE, Edição 137

Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos

Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos

Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/10/2013

SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos. 03/10/2013. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=matematica-ajuda-cerveja-gelar-45-segundos. Capturado em 12/10/2013. 
Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos
A tecnologia se baseia em um efeito conhecido como vórtex Rankine, um modelo matemático de um redemoinho usado para simular tornados.[Imagem: V-Tex]
Gela na hora
Um projeto financiado pela União Europeia resultou em uma nova tecnologia capaz de gelar latas e garrafas de cerveja ou refrigerantes em poucos segundos.
O objetivo do projeto RapidCool (resfriamento rápido, em tradução livre) era encontrar uma alternativa para o sistema de freezers e geladeiras dos supermercados, que precisam manter centenas de latas e garrafas geladas o tempo todo, inclusive à noite, independentemente de quando serão vendidas.
Segundo os pesquisadores que participaram do projeto, os refrigeradores e freezers comerciais em funcionamento na Europa consomem cerca de 85 TWh (terawatts-hora) de eletricidade, o equivalente à energia gerada por nove usinas nucleares de última geração.
A solução veio na forma de um equipamento que gela o produto na hora. Assim, o cliente pode gelar apenas as garrafas e latas que irá levar.
A tecnologia já está sendo licenciada para vários parceiros, e pelo menos uma empresa já anunciou o lançamento de geladeiras domésticas de resfriamento rápido.
Matemática do frio
O sistema de gelamento rápido é autônomo e modular, o que significa que ele pode ser usado para gelar desde uma lata ou garrafa individual até conjuntos e embalagens inteiras.
Matemática ajuda cerveja a gelar em 45 segundos
A tecnologia já está incorporada em pelo menos um produto de uso doméstico com previsão de lançamento comercial imediato. [Imagem: V-Tex]
Latas e garrafas a temperatura ambiente chegam aos 4°C em cerca de 45 segundos, com uma economia de energia de 90% em comparação com as geladeiras domésticas.
Um equipamento comercial, capaz de gelar 200 latas de 500 ml por dia, teria uma economia de 54% em comparação com os equipamentos tradicionalmente usados em supermercados e bares.
A tecnologia se baseia em um sistema de rotação, batizado de V-Tex - uma referência a vórtex - que gira a garrafa ou lata para que o superfrio aplicado externamente à embalagem não resulte em resfriamento desigual - de fora para dentro - o que poderia levar ao congelamento ou causar a efervescência da cerveja ou refrigerante quando a embalagem é aberta.
O efeito utilizado é conhecido como vórtex Rankine, um modelo matemático de um redemoinho criado em um líquido, que garante uma difusão perfeita da temperatura devido a um vórtice forçado no centro, que gira como um disco, e um vórtice livre ao seu redor, cuja velocidade é inversamente proporcional à distância do centro - esse modelo é usado para fazer simulações de tornados.
Na geladeira rápida, é como se o frio fosse "sugado" para o interior do tornado, fazendo com que o líquido gele por igual.
Embora tenha sido projetado para funcionar como uma unidade autônoma, a câmara de resfriamento também pode ser integrada nas geladeiras atuais.
Esta é a verdadeira inovação, de acordo com a equipe, já que permitirá substituir a maioria, se não todos, os refrigeradores abertos utilizados em todo o mundo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O nosso adeus e obrigado ao companheiro Laerte Mathias

Segunda, 14 de Outubro de 2013 às 11:31

O nosso adeus e obrigado ao companheiro Laerte Mathias



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Laerte em sua última atividade sindical, na 5ª Conferência Estadual das Cidades

O SEESP perdeu, no dia 12 de outubro último, aos 54 anos de idade, o seu vice-presidente Laerte Conceição Mathias de Oliveira, em acidente automobilístico no interior paulista. Atuante em várias frentes de luta, Oliveira, que era casado e tinha dois filhos, conquistou ao longo de tantos anos de militância sindical o respeito e a admiração dos que estiveram ao seu lado em diversos movimentos. A sua última participação ativa foi a 5ª Conferência Estadual das Cidades – realizada entre 26 e 28 de setembro, na Capital paulista para a qual deu contribuição fundamental.  “Laerte era um grande companheiro e um quadro fundamental para o nosso sindicato. É uma perda enorme, que deixa muita saudade, como dirigente e, principalmente, como um grande amigo. Sua lembrança estará sempre conosco”, afirma Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente do sindicato.

Desde 2004, era membro do Conselho Nacional das Cidades representando a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) no segmento dos trabalhadores e integrava o Comitê Técnico Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades e a Executiva Nacional no processo de organização da Conferência Nacional das Cidades. Em julho passado, participou de reunião com os ministros Miriam Belchior (Planejamento, Orçamento e Gestão) e Aguinaldo Silva (Cidades), em Brasília, para discutir o Pacto pela Mobilidade Urbana. Oliveira teve papel fundamental na elaboração e aprovação da Lei nº 12.587, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em janeiro de 2012, que instituiu as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana.


Foto: Beatriz Arruda/SEESP
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 “Laerte era um grande companheiro e um quadro fundamental para o nosso sindicato. 
É uma perda enorme”, lamenta Murilo Pinheiro, presidente do SEESP



Transporte como direito social
Atualmente, se mostrava confiante no avanço das discussões para que o transporte público fosse considerado como direito social, “mas não qualquer transporte, mas o de qualidade, pontualidade e não poluente”, observava. Defendia, ainda, um sistema de informação em tempo real para os usuários, assim como o controle social para que todos pudessem acompanhar toda parte de planilhas e planejamento de projetos. “É para que a sociedade fiscalize a gestão pública da área de mobilidade urbana, por meio da implantação de um Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano, que está em discussão na 5ª Conferência Nacional das Cidades.”

Outra frente de luta atual de Oliveira era o Fórum Suprapartidário por uma São Paulo Saudável e Sustentável criado para tratar de assuntos pertinentes à renovação do Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade paulista. O órgão, desde 2012, vem realizando importantes e representativos ciclos de debates sobre o tema. Engajado estava, também, no movimento que vem unificando os profissionais da Prefeitura Municipal de São Paulo por valorização com melhores salários e condições de trabalho. Veja aqui a homenagem do Fórum ao companheiro Laerte.
Engenheiro de produção mecânica graduado pela Universidade Metodista de Piracicaba em 1981 e pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Fundacentro e Escola de Engenharia Civil de Piracicaba no mesmo ano, Oliveira trabalhou por mais de 25 anos no Metrô de São Paulo. Ele foi fundador da Associação dos Engenheiros e Arquitetos dessa companhia em 1990 e presidente na gestão 2004-2006, tendo implementado a Semana de Tecnologia Metroviária e o primeiro grupo de delegados sindicais no Metrô em 1996. Coordenou o Fórum das Associações de Engenheiros das Empresas Estatais e a Divisão de Engenharia de Segurança no Instituto de Engenharia e presidiu a Associação Paulista de Engenheiros de Segurança do Trabalho. Foi ainda fundador e presidente da ONG ambientalista Apreservita, em Fartura e região.
Oliveira militava no movimento sindical dos engenheiros desde a década de 1990. No SEESP, ocupou cargos de Diretoria e Conselho Fiscal. Desenvolveu o Teleacidente e o projeto Seesmt (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho). Representou a entidade na FNE e no Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).



Rosângela Ribeiro Gil

Imprensa – SEESP
Edição Rita Casaro




Segunda, 14 de Outubro de 2013 às 12:34

Laerte na luta pela valorização profissional na Prefeitura de SP



O delegado sindical do SEESP junto à Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), Frederico Jun Okabayashi, presta, também, sua homenagem ao companheiro Laerte Conceição Mathias de Oliveira, vice-presidente do sindicato, morto em 12 de outubro último, em acidente automobilístico. Segue a mensagem:
“O engenheiro Laerte sempre acompanhou, apoiou e orientou os delegados sindicais nos momentos críticos na campanha salarial da PMSP de 2013. Todas as reuniões em que participou como coordenador, transcorreram num clima de tranquilidade e cordialidade graças à sua habilidade e carisma, buscando sempre o consenso entre as entidades parceiras.
A última reunião conosco foi na quinta-feira (10/10) e, com sua sabedoria e experiência, nos ensinou mais uma vez sobre paciência e resiliência para continuarmos a luta em defesa da nossa categoria e mantermos a unidade entre as entidades.
Muito obrigado Laerte por acreditar no nosso sonho e termos o Sindicato dos Engenheiros mais próximo da PMSP. Descanse em paz grande Laerte!”
 
LaertePMSPReunião dos profissionais da PMSP no dia 10 último, na sede do SEESP

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa - SEESP

Crianças e cigarro: maioria conhece marcas

Crianças e cigarro: maioria conhece marcas

Estudo foi realizado no Brasil, China, Índia, Nigéria, Paquistão e Rússia



09 de Outubro de 2013  11:00
Das crianças brasileiras que participaram do estudo, 59,3% reconheceram ao menos uma marca de cigarro
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Das crianças brasileiras que participaram do estudo, 59,3% reconheceram ao menos uma marca de cigarro
Aproximadamente 68% das 2400 crianças (com idades entre cinco e seis anos) participantes de estudo da Academia Norte-Americana de Pediatria foram capazes de reconhecer ao menos uma marca de cigarro. As entrevistas foram feitas na China, na Índia, na Nigéria, no Paquistão, na Rússia e no Brasil — onde o índice foi de 59,3%.
Pela metodologia aplicada, as crianças eram convidadas a relacionar imagens de produtos a 24 logotipos de empresas de diferentes categorias, incluindo oito marcas de cigarros – quatro delas internacionais e quatro nacionais. O maior grau de reconhecimento de marca aconteceu entre os chineses: 86% das crianças do país que participaram do estudo reconheceram ao menos uma marca de cigarro. O patamar mais baixo, 50%, foi registrado na Rússia.
A marca Marlboro, da Philip Morris, foi especificamente reconhecida por 16,1% das crianças brasileiras que participaram do estudo – número abaixo da média geral, que ficou em 21,7%. Na China, foram quase 43%.
Autoras do estudo, Dina Borzekowski e Joanna Cohen alertam para o fato de pesquisas anteriores demonstrarem que crianças mais expostas ao marketing da indústria de tabaco apresentam uma tendência maior de se tornar fumantes. 




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Insetos conseguem prever tempestades e ventanias

Insetos conseguem prever tempestades e ventanias

03/10/2013
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Na Índia e no Japão há um ditado popular que diz que “formigas carregando ovos barranco acima, é a chuva que se aproxima”. Já no Brasil, outro provérbio afirma que “quando aumenta a umidade do ar, cupins e formigas saem de suas tocas para acasalar”.
Um estudo publicado na edição do dia 2 de outubro da revistaPLoS One – realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), de Piracicaba (SP), em parceria com colegas da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava (PR), e da University of Western Ontario, do Canadá – comprovou que os insetos preveem mudanças climáticas e dão indicações disso com modificações no comportamento.
Os pesquisadores observaram que besouros da espécie Diabrotica speciosa – conhecido popularmente como “brasileirinho” ou “patriota”, por terem cor verde e pintas amarelas –, além de pulgões-da-batata (Macrosiphum euphorbiae) e lagartas da pastagem (Pseudaletia unipuncta), têm capacidade de detectar queda na pressão atmosférica – que, na maioria dos casos, é um sinal de chuva iminente. E, ao perceberem isso, modificam o comportamento sexual, diminuindo a disposição de cortejar e acasalar.
“Demonstramos que os insetos, de fato, têm capacidade de detectar mudanças no tempo por meio da queda da pressão atmosférica, de se antecipar e buscar abrigo para se proteger das más condições climáticas, como temporais e ventanias, por exemplo”, disse José Maurício Simões Bento, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.
“Certamente esses animais estão mais preparados para enfrentar as mudanças repentinas no tempo que, provavelmente, ocorrerão com maior frequência e intensidade no mundo nos próximos anos em razão das mudanças climáticas globais”, avaliou Bento, um dos pesquisadores principais do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Semioquímicos na Agricultura – um dos INCTs financiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Para realizar o estudo, os pesquisadores selecionaram três diferentes espécies de insetos – o besouro “brasileirinho”, o pulgão-da-batata e a lagarta da pastagem –, que pertencem a ordens bem distintas e que variam significativamente em termos de massa corpórea e morfologia.
O besouro “brasileirinho” tem estrutura mais robusta e possui cutícula dura e, por isso, é mais resistente a condições de tempo severas, como chuvas fortes e ventanias. Já o pulgão-da-batata tem estrutura mais frágil e é menos resistente a eventos climáticos extremos.
Como já existiam evidências de que os insetos ajustam seus comportamentos associados com o voo e com a alimentação às mudanças na velocidade dos ventos, os pesquisadores decidiram avaliar o efeito das condições atmosféricas especificamente sobre o comportamento de “namoro” e acasalamento dessas três espécies quando sujeitas a mudanças naturais ou manipuladas experimentalmente da pressão atmosférica.
Os experimentos em condições naturais (sem a manipulação da pressão) e sob condições controladas, em laboratório, revelaram que, ao detectar uma queda brusca na pressão atmosférica, por exemplo, as fêmeas diminuem ou simplesmente deixam de manifestar um comportamento conhecido como “chamamento”, no qual liberam feromônio para atrair machos para o acasalamento.
Os machos, por sua vez, passam a apresentar menor interesse sexual, não respondem aos estímulos das fêmeas e procuram abrigos para se proteger da mudança de tempo capaz de ocorrer nas próximas horas. Passado o mau tempo, os insetos retomam as atividades de cortejo, namoro e acasalamento.
“Esse comportamento de perda momentânea do interesse no acasalamento horas antes de uma tempestade representa uma capacidade adaptativa que, ao mesmo tempo, reduz a probabilidade de lesões e mortes desses animais – uma vez que são organismos diminutos e muito vulneráveis a condições climáticas adversas, como temporais, chuvas pesadas e ventanias – e assegura a reprodução e a perpetuação das espécies”, afirmou Bento.
 Experimentos
Os experimentos em condições naturais foram realizados na Esalq e no INCT de Semioquímicos na Agricultura, ambos em Piracicaba. Os pesquisadores utilizaram um olfatômetro com estrutura em Y, colocando uma fêmea em uma das duas extremidades menores e, na outra, um controle (que fica vago). Posteriormente, uma corrente de ar foi passada no interior do sistema, de forma que o feromônio fosse levado para a extremidade principal, onde o macho estava colocado.
Dependendo da direção seguida pelo  macho quando a corrente de ar com feromônio era liberada – a extremidade onde estava a fêmea ou a outra, do controle –, era possível avaliar se ele estava sendo atraído ou não pelo feromônio emitido pela fêmea.
Nos experimentos com o besouro “brasileirinho”, os pesquisadores constataram que, sob condições de pressão atmosférica estável ou crescente, o inseto caminhava normalmente em direção ao tubo por onde a corrente de ar com o feromônio da fêmea estava sendo liberado. Já na condição de queda de pressão, o inseto apresentava menor movimentação e interesse em seguir em direção à fêmea.
O grupo também observou que, quando mantido em contato direto com as fêmeas em condição de queda da pressão atmosférica, os machos também não empenharam esforço para acasalar. Tal comportamento, de acordo com Bento, pode ser explicado pela sensação de risco de vida do inseto.
“É como se, diante de uma situação de perigo iminente, esses animais colocassem a questão da sobrevivência em primeiro lugar – porque é o que garante a perpetuação da espécie – e deixassem o acasalamento para um segundo plano, por ser uma atividade que pode ser retomada após a passagem do mau tempo”, avaliou.
Os pesquisadores também avaliaram o número de vezes que o pulgão-da-batata e a lagarta da pastagem atenderam ao “chamamento” das respectivas fêmeas, sob diferentes condições atmosféricas. Os resultados foram semelhantes aos obtidos com o besouro “brasileirinho”.
O comportamento dos insetos estudados foi afetado significativamente por mudanças na pressão do ar, obtida pelos pesquisadores por meio de dados fornecidos de hora em hora pelo site do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Ao perceber que os dados fornecidos pela instituição indicavam uma queda ou aumento brusco da pressão atmosférica da região de Piracicaba, os pesquisadores davam início aos experimentos para verificar se os insetos apresentavam mudanças no comportamento de chamamento e de cópula e faziam as comparações com as condições de pressão estável.
“Conseguimos verificar, dessa forma, que o comportamento sexual dos insetos varia em função do efeito da pressão atmosférica, uma vez que todas as outras condições – como a temperatura, umidade e a luz – foram controladas nos experimentos”, afirmou Bento.
Após constatar essa mudança de comportamento sexual dos insetos em condições naturais, o grupo da Esalq fez uma parceria com colegas canadenses do Departamento de Biologia da University of Western Ontario para realizar novos ensaios comportamentais em laboratório, mais precisamente em uma câmara barométrica de grandes dimensões, que permite controlar a pressão atmosférica, além da temperatura, umidade e luz.
Segundo Bento, os testes conduzidos sob controle de pressão comprovaram as observações feitas em condições naturais.
Fênomeno extensivo
De acordo com o pesquisador, o fato de as três espécies de insetos analisadas no estudo terem modificado o comportamento sexual em resposta às alterações na pressão do ar sugere que o fenômeno pode ser extensivo, de maneira geral, às demais espécies de insetos, e que esses animais são adaptados para enfrentar as más condições meteorológicas.
“Já havia outros trabalhos científicos sugerindo mudanças de comportamento de animais em função das mudanças no tempo, mas foram realizados com uma única espécie, especificamente, e não poderiam ser generalizados para as demais espécies do grupo”, disse Bento.
“Nosso estudo demonstrou que, no caso dos insetos, esse fenômeno parece ser extensivo às outras espécies”, afirmou.
O grupo de pesquisadores da Esalq investiga agora os mecanismos que os insetos utilizam para detectar mudanças na pressão atmosférica e desenvolver o comportamento adaptativo de interromper o acasalamento ao pressentir mudanças no tempo.
O artigo Weather forecasting by insects: modified sexual behaviour in response to atmospheric pressure changes (doi: 10.1371/journal.pone.0075004), de Bento e outros, pode ser lido na PLoS One emhttp://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0075004

Índice de radiação em amostra colhida em Fukushima aumenta

10/10/2013 07h54 - Atualizado em 10/10/2013 07h54

Índice de radiação em amostra colhida em Fukushima aumenta

Segundo a empresa, obras de pavimentação provocaram aumento.
Nesta semana, seis funcionários tiveram contato com água contaminada.


Da EFE
Comente agora
Foto divulgada pela Tepco mostra funcionários checando um cano na unidade de descontaminação de água radioativa da usina nuclear Daiichi, em Fukushima. Foto divulgada pela Tepco mostra funcionários checando um cano na unidade de descontaminação de água radioativa da usina nuclear Daiichi, em Fukushima. (Foto: AFP Photo/Tepco)Foto divulgada pela Tepco mostra funcionários checando um cano na unidade de descontaminação de água radioativa da usina nuclear Daiichi, em Fukushima. (Foto: AFP Photo/Tepco)
A empresa responsável pela usina nuclear de Fukushima, Tokyo Electric Power (Tepco), detectou um aumento significativo nos índices de radiação em amostras de água do mar recolhidas em um dos poços de observação próximo dos reatores.
Um porta-voz da Tepco confirmou à Agência "EFE" nesta quinta-feira (10) que os dados mostram 'alta densidade de trítio e estrôncio' nesse ponto de observação, em que foram recolhidas amostras de água do mar da área do porto situado em frente à central nuclear.
Nas amostras recolhidas nesta quarta-feira na área do reator 2 foram detectados até 830 becquerels por litro de césio 137, o nível máximo em dois anos nesse ponto, e muito acima dos 64 becquerels por litro registrados no dia anterior.
A Tepco atribuiu esse aumento à possibilidade que os trabalhos para melhorar a pavimentação no lugar, onde aconteceu um vazamento com alta concentração radioativa há dois anos, tenham elevado as leituras.
Nos dois últimos anos, as amostras recolhidas neste ponto tinham caído consideravelmente, com a exceção de picos pontuais de alta radiação, detalhou o porta-voz.
Nos trabalhos mencionados pela Tepco, os técnicos de Fukushima injetaram produtos químicos no solo entre os reatores e o mar para solidificar o pavimento e evitar o vazamento de água subterrânea para o oceano, um trabalho que provavelmente movimentou a terra contaminada e elevou os índices radioativos da água.
No entanto, a empresa assegurou que 'vai continuar observando a situação', mesmo sem que ela tenha provocado 'uma mudança significativa' em outras áreas próximas dos reatores nucleares.
O porta-voz confirmou à "EFE" que, por enquanto, não 'há nenhuma novidade' em relação ao estado dos seis funcionários que ontem tiveram contato com a água contaminada proveniente de uma tubulação do sistema de filtragem da usina, por causa de um erro humano.
O incidente de ontem foi o quarto desse tipo na central em apenas uma semana, o que provocou fortes críticas da autoridade nuclear japonesa, exigindo um melhor controle e que a empresa resolva o grave problema dos vazamentos na usina.

domingo, 13 de outubro de 2013

Asfalto vegetal pode ser a solução para estradas de terra

Asfalto vegetal pode ser a solução para estradas de terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/01/2013
SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Asfalto vegetal pode ser a solução para estradas de terra. 29/01/2013. Online. Disponível em www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=bio-asfalto-vegetal-estradas-terra. Capturado em 12/10/2013. 

Bioasfalto vegetal pode ser a solução para estradas de terra
Wilson Smith se entusiasma com a coesão e a dureza apresentada pela mistura de poeira de estrada e lignina. [Imagem: KSU]
Bioasfalto
O asfalto parece ser a melhorsolução do mundo quando se é forçado a viajar por uma estrada de terra.
Mas Wilson Smith, estudante da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, defende que nenhum dos dois é o ideal: nem o asfalto é a solução para todas as estradas, e nem tampouco há que se resignar a viajar por estradas poeirentas e esburacadas.
Por isso ele decidiu trabalhar com um material de origem vegetal, na tentativa de criar uma alternativa que melhore as condições de tráfego das estradas não pavimentadas.
Smith está trabalhando com a lignina, o material que dá rigidez às células vegetais, para fazer um composto que possa dar rigidez à terra solta e aos pedregulhos das estradas vicinais.
Bioasfalto
O que torna a lignina um material particularmente valioso para essaaplicação é o seu comportamento adesivo quando é umedecida, com capacidade para agregar os materiais do solo, gerando uma coesão e criando uma espécie de "bioasfalto".
Isto torna a estrada de terra menos poeirenta, mais lisa e com uma menor necessidade de manutenção, sobretudo no período das chuvas.
A lignina está presente em todas as plantas, sendo rejeito de culturas comerciais, como no caso do bagaço da cana-de-açúcar, da palha de milho e de outros resíduos da agricultura, assim como da indústria do papel, o que a torna um material sustentável e renovável.
Depois de diversos experimentos, Smith selecionou cinco diferentes concentrações de lignina no solo, que se mostraram mais promissoras - 2%, 4%, 6% e 9% - e que agora estão sendo avaliadas na resistência da coesão do solo e, portanto, da diminuição da erosão da estrada.
Testes de campo
Com os bons resultados dos testes iniciais, a coordenadora do grupo, Dra Dunja Peric, selecionou novos estudantes para avaliar o uso do material em outras condições, o que inclui a secagem prévia e a aplicação direta da lignina no solo.
"Nós queremos fazer uma análise exaustiva de como a coesão varia quando você muda a concentração de lignina, a quantidade de água e a compactação," disse Smith. "Isso vai determinar, em estudos de campo, qual a porcentagem de lignina produz a maior estabilização do solo."
O grupo programou uma apresentação dos resultados da sua pesquisa para meados de Fevereiro, quando eles esperam fazer parcerias para os testes de campo, o que não deverá ser difícil, já que o Kansas é um estado agrícola, com quase dois terços das estradas sem pavimentação.

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL EM EMPRESAS DE SERVIÇOS COM FOCO EM CONSULTORIAS ESTRATÉGICAS: UM ESTUDO DE CASO MÚLTIPLO

SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL EM EMPRESAS DE SERVIÇOS COM FOCO EM CONSULTORIAS ESTRATÉGICAS: UM ESTUDO DE CASO MÚLTIPLO


O homem buscou sempre avançar, tanto nas técnicas como em sua própria essência, como ser dentro da sociedade. Hoje é possível observar que o coletivo foi deixado um pouco de lado em prol das grandes vantagens que as técnicas e a tecnologia oferecem. O planeta, então, se encontra em crise. A crise da sobrevivência, da incerteza do amanhã. Um dos assuntos mais comentados é, sem dúvida, a sustentabilidade. E o que se entende por sustentabilidade? Resumidamente, o conceito de sustentabilidade significa uma forma de progresso que atende às necessidades econômicas, sociais e ambientais do presente, sem comprometer as gerações futuras de quaisquer dessas demandas.
E nesse mundo em crise e constantemente se questionando sobre o amanhã, qual o papel das empresas? As indústrias têm, nos últimos anos, agido de forma eficaz no combate aos seus impactos ambientais e sociais, estruturando programas de diminuição de impacto e melhoria na qualidade de vida das comunidades em seu entorno. Além de um benefício para o meio ambiente e para a sociedade, ser sustentável se tornou um forte diferencial estratégico das empresas e uma forte alavanca para o aumento da lucratividade, tal como observado em empresas que passaram a agir de forma sustentável. E as empresas de consultoria, conseguem ter o mesmo impacto sustentável na sociedade e na natureza? Talvez, no pé ambiental, a possibilidade de ganhos ambientais seja pequena, já que os impactos não são grandes. Isso abre espaço para estas empresas atuarem com programas de responsabilidade social, os quais serão detalhados ao longo deste trabalho.
O estudo foi conduzido a partir do levantamento da literatura sobre desenvolvimento sustentável e seus diversos conceitos, analisando as melhores práticas de programas sociais das consultorias e empresas de serviços e, por fim, fazendo pesquisas para entendimento da percepção das pessoas sobre este assunto.
Palavras-chave em portugues: Sustentabilidade, Responsabilidade Social, Empresas de Consultoria, Setor de Serviços
Orientador: 
Data de Defesa: 

O discurso da sustentabilidade: construção de sentido para a comunicação interna

O discurso da sustentabilidade: construção de sentido para a comunicação interna

Wilma Pereira Tinoco Vilaça

http://www.revistaorganicom.org.br/sistema/index.php/organicom/article/view/584

Resumo


Resumo: Este artigo, um recorte da tese defendida pela autora na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), sob a orientação da Profa. Margarida Kunsh, busca analisar os discursos construídos nas organizações quando elas se pautam por uma política de sustentabilidade. Ao adotar como pressuposto que esses discursos precisarão fazer sentido para aqueles que o recebem – os funcionários –, a pesquisa procura entender se as pessoas têm realmente se mobilizado para as questões mais urgentes trazidas pela comunicação interna, em função dessa apreensão de sentido. As conclusões apontam que a comunicação interna tem sido capaz de promover a transformação necessária para a mudança de paradigma representada pela sustentabilidade.
PALAVRAS-CHAVE: COMUNICAÇÃO INTERNA • SUSTENTABILIDADE • ANÁLISE DO DISCURSO• MODELO
Abstract: This article, a clipping of the thesis defended by the author at the ECA-USP, seeks to analyze the discourses constructed in organizations when they adopt a sustainability policy. By adopting the assumption that these speeches need to make sense to those who receive them – the employees –, the research seeks to understand whether people have really mobilized towards the most pressing issues brought by the internal communication, on account of this apprehension of sense. The findings indicate that internal communication has been able to promote the necessary transformation for the change of paradigm represented by sustainability.
KEYWORDS: INTERNAL COMMUNICATION • SUSTAINABILITY • DISCOURSE ANALYSIS •MODEL
Resumen: Este artículo, un recorte de la tesis defendida por la autora en la ECA-USP, busca analizar los discursos construidos en las organizaciones cuando ellas pautan por una política de sustentabilidad. Al adoptar como presupuesto que esos discursos precisarán tener sentido para aquellos que lo reciben – los empleados –, la investigación busca comprender si las personas realmente se han movilizado a los problemas más urgentes presentados por la comunicación interna, en función de esa aprehensión de sentidos. Las conclusiones indican que la comunicación interna ha sido capaz de promover la tramitación necesaria para el cambio del paradigma representado por la sustentabilidad.
PALABRAS CLAVES: COMUNICACIÓN INTERNA • SUSTENTABILIDAD • ANÁLISIS DELDISCURSO • MODELO

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