sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pesquisador pedala 4.000 km do interior de SP ao Ushuaia


02/05/2013 - 03h30

Pesquisador pedala 4.000 km do interior de SP ao Ushuaia


DEPOIMENTO A
GABRIEL TOUEG
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM SÃO PAULO

O pesquisador paulista Raphael Fortes Marcomini, 32, realizou um sonho que tinha desde que era pequeno: pedalou 4.000 km, de São Carlos ( a 232 km de São Paulo), até Ushuaia, no extremo sul da Argentina. Em quatro meses, ele passou por 60 cidades, cruzou cinco Estados brasileiros e passou por Uruguai, Chile e Argentina.
*
Após anos sonhando e lendo relatos de viagens, vi que teria finalmente a chance de viver a minha aventura.
O primeiro passo foi levar a bicicleta para uma revisão geral. Em cicloturismo, não basta o ciclista estar preparado. A bicicleta seria minha casa durante quase todo o período e deveria ter uma mecânica robusta para não falhar no caminho.
Arquivo Pessoal
Raphael com a bicicleta reclinada, que foi sua 'casa' durante a viagem
Raphael com a bicicleta reclinada, que foi sua 'casa' durante a viagem
Como sempre há imprevistos, coloquei na bagagem ferramentas para reparos simples, como câmara de ar, cola para remendos, chave inglesa universal, canivete etc.
Além desses apetrechos, levei um saco de dormir, para ser usado em casos de emergência, porque pretendia sempre dormir em albergues.
Juntei à bagagem minha flauta -não queria ficar tanto tempo sem estudar música. Além disso, seria de grande valor se eu precisasse de dinheiro, pois poderia tocar nas praças para tentar ganhar alguma coisa.
No fim das contas, nas poucas vezes em que toquei para alguém, devo ter arrecadado em torno de R$ 120 e um chocolate quente.
No espaço que sobrou na mochila, levei poucas roupas -uma bermuda, uma calça, duas camisetas, três pares de meia, três cuecas, duas bermudas e duas camisetas para pedalar e uma toalha- objetos de higiene pessoal, meu tablet, uma câmera fotográfica digital e um guia de estradas atualizado.
O plano era simples. Comecei pedalando entre São Carlos (SP) e São João da Boa Vista (SP), um trecho que eu já conhecia bem.
Carolina Daffara/Editoria de Arte/Folhapress
Depois, seguiria pelo Caminho da Fé para aproveitar a estrutura de pousadas -e porque queria conhecer Minas Gerais. Na região de Pouso Alegre (MG), mudaria para a Estrada Real e, de lá, para o mundo.
Mesmo não conhecendo as condições de pedalagem nesses trechos, sabia que são turísticos e que provavelmente teriam boa estrutura para cicloturistas -e condições favoráveis para alguém inexperiente, como era meu caso.
Os primeiros dias foram marcantes. Saí de São Carlos sob chuva. No segundo dia, tentando seguir por trechos de terra, me perdi. Um trajeto de 20 km acabou se tornando um trecho de 50 km sob chuva intensa. O pneu furou duas vezes e meu porta-bagagem rompeu.
A partir daí, decidi que só escolheria estradas de terra em caso de a via asfaltada ser muito movimentada.
Arquivo Pessoal
Laguna Mirim, no RS
Laguna Mirim, no RS
Como já havia previsto, toda cidadezinha possuía ao menos uma bicicletaria. Comprei um pneu novo e segui viagem. Depois de chegar a São João da Boa Vista, uma nova parte da viagem se iniciaria, por regiões totalmente desconhecidas.
O mapa do meu guia de estradas indicava as rotas, mas só os habitantes locais conheciam de fato as condições da estrada, se havia acostamentos ou vias secundárias.
Aconselho que sempre se converse com as pessoas no caminho. Elas têm dicas realmente preciosas sobre o percurso e sobre atrações nas cidades, que elas conhecem melhor que qualquer mapa.
Assim, de cidade em cidade, um pouco por dia, percorri as serras mineiras, as planícies do Mato Grosso do Sul, as paisagens paranaenses, o pampa gaúcho, o litoral uruguaio e o deserto argentino, até chegar a Ushuaia, no extremo sul do continente.
Lá, fiquei durante 20 dias, vivendo em um albergue e explorando as trilhas locais.
Na última etapa da pedalada, o vento era tão forte e cortante que eu mal conseguia caminhar. Seguir na bicicleta ficou bastante difícil.
A maior parte dos meus gastos ficou na hospedagem -procurei sempre dormir em pousadas ou albergues nas cidades que visitei, algumas por três ou quatro noites.
Fazia as refeições em restaurantes, onde podia comer à vontade por até R$ 10. Nos locais onde parava, buscava sempre uma conexão gratuita com a internet para poder publicar as fotos, em pousadas ou outros locais. E também para falar com amigos e familiares.
O contato com diferentes sotaques e culturas foi a melhor experiência da viagem. Ouvir histórias, notar as diferenças e semelhanças que existem nesta região da América do Sul.
Percebi que muita gente simpatiza com o cicloturismo e enxerga a experiência como uma forma de ter liberdade.
De fato, quando se viaja de bicicleta, estamos expostos a tudo, nos tornamos parte da paisagem, sentimos o vento, observamos o movimento das nuvens e nos perdemos completamente no tempo.
Arquivo Pessoal
Laguna Esmeralda, Ushuaia
Laguna Esmeralda, Ushuaia
Em alguns trechos, precisei viajar de ônibus. Funcionários de algumas empresas estranhavam a carga excedente, mas nunca me impediram de embarcar com a bicicleta.
Outras vezes, decidi seguir de carona. Viajava na boleia conversando com os caminhoneiros e a bicicleta ia atrás, na carroceria, com a carga. Uma vez, peguei carona em um motorhome.
A bicicleta foi sempre comigo, me acompanhou do começo ao fim do percurso de quase 4.000 quilômetros.
Em alguns momentos durante o percurso, pensava que já tinha chegado longe o bastante, mas continuava só para ver o que aconteceria.
Ainda bem que não parei. Conheci lugares e pessoas que jamais imaginei conhecer. Senti-me pequeno diante das distâncias e das tempestades, me deliciei com o voo dos pássaros e com o cheiro da terra.
Foi uma experiência única, que não vou esquecer. Espero que não seja a última. Já estou pensando em partir para o norte da América do Sul.
Preparação
- A maior preparação tem de ser mental
- Qualquer pessoa com um mínimo de boa saúde consegue pedalar bastante
- O bacana é passear, conhecer as pessoas no caminho
Equipamentos e bagagem
- A bicicleta não precisa ser muito especial, basta ser uma boa montain bike
- Alforjes (bolsas para transporte presas à bicicleta) são muito importantes: o ideal é que sejam impermeáveis
- Leve o mínimo de roupa, e pense nas estações, saiba onde vai estar quando
- Para dormir, barracas de alumínio, que são leves, valem a pena
- Ideal é que a bicicleta e o equipamento não excedam dois terços do peso do ciclista
- Só leve equipamentos e ferramentas que usará em reparos na estrada, em emergências
Alimentação
- Leve o suficiente para um dia de autonomia, para o caso de não conseguir comida
- É muito importante hidratar-se bastante, com sopas e frutas no final do dia
- Durante o percurso, eu levava 4 litros de água
- A saída é adaptar-se à alimentação dos locais por onde você passa
Documentação
- Leve passaporte válido e RG (países do Mercosul não exigem passaporte)
- Pense com antecedência na questão dos vistos
Segurança
- Nunca se afaste da bicicleta quando não estiver pedalando
- As pessoas param o ciclista muito mais para ajudar do que para fazer mal, mas fique atento

Indicadores de Sustentabilidade Urbana




Indicadores de Sustentabilidade Urbana 


Megacity Sustainability Indicators



Carlos Leite
versão completa I download gratuito I Fundação Dom Cabral I Núcleo de Sustentabilidade na Construção I Coordenação do trabalho: Carlos Leite e Rafael Tello:

english version I synthesis I coord: Carlos Leite:






more info: info@stuchileite.com 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Após 23 anos, Estado de SP adota padrão mais rígido de qualidade do ar...e o cigarro?


Após 23 anos, Estado de SP adota padrão mais rígido de qualidade do ar

Mudança. Novos valores foram estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2005; número de dias em que a poluição oferece risco à saúde deve aumentar, assim como as exigências para empresas. Especialistas cobram mais políticas públicas

25 de abril de 2013 | 2h 05


CAIO DO VALLE - O Estado de S.Paulo
Com novo sistema, deve aumentar o número de dias em que a qualidade do ar em SP será inedequada - Clayton Souza/Estadão
Clayton Souza/Estadão
Com novo sistema, deve aumentar o número de dias em que a qualidade do ar em SP será inedequada
Os padrões de qualidade do ar ficaram mais rígidos em São Paulo. Um decreto publicado ontem pelo governo do Estado reduz os índices considerados adequados para oito tipos de poluentes atmosféricos, entre eles o monóxido de carbono, os materiais particulados e o ozônio. É a primeira mudança feita no padrão desde 1990.
Os valores adotados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foram estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2005. Antes, eram usados critérios do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). São Paulo foi o primeiro Estado do mundo a discutir a adoção dos novos padrões, em 2010. Para se ter uma ideia, o padrão é mais rígido do que o previsto para ser adotado pela União Europeia até 2015.
Com o novo sistema, deve aumentar o número de dias em que a qualidade do ar no Estado será considerada inadequada - em 2012, a poluição por ozônio bateu recorde na Região Metropolitana. Também serão ampliadas as exigências para empresas que buscam licenças ambientais. Para os dias mais poluídos, estão mantidas as várias restrições já possíveis, incluindo limitação de aulas de educação física, do tráfego de veículos de carga, da redução da atividade industrial e da ampliação do rodízio de veículos.
A norma estabelece três níveis de gravidade: atenção, alerta e emergência. Cada patamar tem de estar associado a condições desfavoráveis à dispersão dos poluentes nas últimas 24 horas. A Cetesb declara o estado de atenção; o secretário do Meio Ambiente, o de alerta; o governador, o de emergência.
A expectativa agora é de que o poder público também comece a adotar políticas para diminuir a emissão dos poluentes. Segundo Carlos Eduardo Komatsu, gerente do Departamento de Qualidade Ambiental da Cetesb, os níveis foram estabelecidos com esse objetivo. Mas não há um prazo para que os parâmetros sejam atingidos, o que, segundo ambientalistas, pode tornar ineficazes os novos padrões.
Pedágio urbano. O texto publicado fala em estudos voltados à "restrição da circulação de veículos automotores", o que pode, na prática, virar um embrião para programas como o pedágio urbano, por exemplo. No entanto, na avaliação do ambientalista Maurício Waldman, pós-doutorado em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), essa prática - similar ao rodízio adotado na capital - é paliativa. "É preciso, na verdade, repensar a mobilidade urbana, a forma como as pessoas vivem e a dependência do carro", afirma.
O professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), concorda. "Os remédios que temos adotado até agora para lidar com a poluição atmosférica, como a inspeção veicular, ajudam a controlar o problema só perifericamente, têm um papel menor." Para o médico, "a questão central é repensar o uso e a ocupação das vias".
Segundo ele, a cada ano, 4 mil pessoas morrem na capital paulista por causa dos efeitos nocivos da poluição.

SP ganhará 4 grandes centrais de reciclagem


SP ganhará 4 grandes centrais de reciclagem

As primeiras unidades, de Bom Retiro e Santo Amaro, deverão ser entregues no ano que vem; especialista critica concentração do serviço

24 de abril de 2013 | 2h 02


Tiago Dantas - O Estado de S.Paulo
Até junho do ano que vem, a Prefeitura pretende colocar em funcionamento duas megacentrais de triagem de material reciclável. Outras duas devem ficar prontas em 2016. A previsão é de que cada equipamento tenha capacidade para processar 250 toneladas de lixo por dia. A quantidade é um pouco maior do que as 240 toneladas que são processadas diariamente nas 20 centrais espalhadas pela capital.
Hoje, só 1,8% do lixo do Município é reciclado - Paulo Liebert/Estadão
Paulo Liebert/Estadão
Hoje, só 1,8% do lixo do Município é reciclado
Para viabilizar o projeto, a Secretaria Municipal de Serviços firmou um acordo com as duas empresas que fazem a coleta de lixo. O contrato que a Loga e a Ecourbis têm com a Prefeitura já previa que elas construíssem mais 17 pequenas centrais.
A proposta do governo foi trocá-las por quatro unidades maiores. As primeiras duas unidades ficarão em Santo Amaro, na zona sul, e no Bom Retiro, no centro. As outras megacentrais ficarão em São Mateus, zona leste, e na Vila Guilherme, zona norte.
O secretário de Serviços, Simão Pedro, acredita que a mudança pode ajudar o governo a atingir a meta proposta pelo prefeito Fernando Haddad (PT) de aumentar de 1,8% para 10% a quantidade de lixo reciclado no Município. "Para atingir a meta, vamos ter de ampliar o serviço e a velocidade da coleta", afirma o secretário. "Hoje, dos 96 distritos, só 72 têm coleta seletiva. Temos de levar a todo o Município."
Críticas. Embora seja necessário aumentar a porcentagem de lixo reciclado na capital, a construção de centrais de triagem muito grandes podem causar prejuízos, segundo o presidente do Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni, que é consultor da ONU para gestão de resíduos sólidos. "A iniciativa é muito boa, mas o ideal é descentralizar o tratamento do lixo para evitar o custo de deslocamentos pela cidade."
Calderoni afirma que, em geral, um terço de tudo o que se gasta com a gestão do lixo vai para o transporte do material. "Uma central capaz de tratar 250 toneladas por lixo por dia é muito grande. É praticamente o que produz uma cidade de médio porte, com cerca de 300 mil habitantes. O mais indicado é ter pequenas centrais. Por seu tamanho, São Paulo poderia ter centenas delas."
Custo. As novas centrais devem custar cerca de R$ 6 milhões, além de ter despesa mensal de manutenção de R$ 300 mil, segundo Pedro. Por outro lado, a venda do material reciclado pode render até R$ 2 milhões por mês, segundo cálculos da secretaria. "Esse valor deve ser dividido para todo o sistema de coleta, não só para a cooperativa que operar a central."
Cada equipamento seria destinado a uma cooperativa de catadores de material reciclável, mas a renda pode ser dividida. Cinco cooperativas aguardam autorização da Prefeitura para trabalhar. Além das quatro megacentrais, a Secretaria de Serviços estuda a construção de nove unidades menores.

Prefeitura de São Paulo deverá doar R$ 20 mil a mais para o Minha Casa, Minha Vida

30/Abril/2013

Prefeitura de São Paulo deverá doar R$ 20 mil a mais para o Minha Casa, Minha Vida, diz secretário


http://www.piniweb.com.br/construcao/habitacao/prefeitura-de-sao-paulo-devera-doar-r-20-mil-a-288106-1.asp

Somado ao valor fornecido pelo Casa Paulista (R$ 20 mil), as construtoras que realizarem obras para faixa 1 do programa receberão R$ 40 mil de aporte


Aline Mariane e Romário Ferreira, da revista Construção Mercado


João Silva/Divulgação Prefeitura de São Paulo

O secretário municipal de Habitação de São Paulo, José Floriano de Azevedo Marques Neto, afirmou que a prefeitura está discutindo um modelo que prevê a doação de R$ 20 mil, além dos R$ 20 mil do Casa Paulista, para empreendimentos da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com a condição de que o empresário já tenha o terreno. O secretário foi um dos participantes do workshop sobre o programa promovido na última segunda-feira (29) pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP).
                                                 
Outra novidade contada pelo secretário é que a secretaria de Licenciamentos de São Paulo já foi separada da secretaria de Habitação. "A secretaria de Licenciamentos está hoje subordinada à secretária Paula Motta, que já tem um grupo de trabalho formatado para aprovações de habitações de interesse social (HIS)", contou. Ainda segundo ele, esse grupo foi constituído há cerca de três semanas e o prefeito Fernando Haddad já autorizou a contratação de mais 70 funcionários de nível superior - engenheiros ou arquitetos - para reforçar a velocidade dessas aprovações.

"Esse grupo terá as várias secretarias que envolvem as aprovações, como a secretaria do verde e do meio ambiente, a secretaria de transporte, para que um projeto, principalmente de HIS, seja aprovado num tempo muito curto. A ideia é de que esse período não ultrapasse 30 dias depois que todo esse planejamento tiver sido bem treinado e administrado", disse o secretário.

Norma de Desempenho
O aporte de R$ 40 mil em São Paulo poderá ajudar as construtoras a adaptarem as construções à Norma de Desempenho, que entrará em vigor em 19 de julho. José Urbano Duarte, vice-presidente de governo e habitação da Caixa, disse durante o evento que, em algumas cidades, esse apoio será fundamental para cumprir a nova norma, mas "não se pode desprezar os atuais valores do programa". A diretora do departamento de produção habitacional do Ministério das Cidades, Maria do Carmo Avesani, afirmou que "o programa hoje já exige um bom desempenho e, em princípio, não existe nenhuma previsão [do governo federal] de revisão ou de reajuste de preços em função de Norma de Desempenho".

quarta-feira, 1 de maio de 2013

E o Green goal?


Haddad diz que vai usar a Copa do Mundo de 2014 para estimular o esporte em São Paulo

Prefeito, que abriu a 11ª edição dos Jogos da Cidade no Pacaembu, ainda prometeu realizar um grande evento no ano que vem

01 de maio de 2013 | 14h 34


Mônica Reolom - Estadão
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, prometeu realizar em 2014 os maiores Jogos da Cidade da história. Em evento no Estádio do Pacaembu da abertura da 11ª edição dos jogos na manhã desta quarta-feira, dia 1° de maio, o prefeito disse que vai aproveitar a Copa do Mundo na Brasil para estimular o esporte em São Paulo.

“Eu desafiei o Celso Jatene (secretário municipal de Esportes) a, em 2014, fazer o maior dos Jogos da Cidade desde o seu início. Porque nós vamos ter o ano da Copa e ele pode ser o catalisador de um grande evento aqui na cidade de São Paulo”, afirmou, acrescentando que seria o maior em número de inscrições e de jogos. “Temos que promover cada vez mais o esporte na nossa cidade, aproveitando os dois eventos importantes que vão acontecer em 2014 e 2016 (Olimpíadas no Rio).”
O prefeito ainda disse que, com a inauguração das novas arenas do Plameiras (Nova Arena) e do Corinthians (Itaquerão), é preciso dar um novo uso ao Pacaembu. “Se o Pacaembu não for repensado, o nosso risco é que ele degrade.” Segundo Haddad, o secretário de Esportes está elaborando diretrizes para lançar um projeto com novas atribuições ao estádio.

Jogos da cidade

Maior evento de esporte amador do Brasil, os Jogos da Cidade entram na sua 11ª edição nesta quarta-feira. De acordo com o secretário municipal de Esportes, Celso Jatene, quase 30 mil atletas, divididos em 2 mil equipes, vão disputar campeonatos nas modalidades de futebol, basquete, vôlei, handebol e futsal. Os atletas representam as 31 subprefeituras de São Paulo.

Ciclista é atropelado por carro na zona norte do Rio


01/05/2013 - 10h29

Ciclista é atropelado por carro na zona norte do Rio


O ciclista Alberto da Silveira Júnior, 40, foi atropelado por um carro na manhã desta quarta-feira (1°), por volta das 6h45, na avenida Radial Oeste, altura da Praça da Bandeira, zona norte do Rio. Testemunhas disseram à polícia que o motorista não prestou socorro.
Júnior foi levado pelos bombeiros para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele sofreu uma fratura no tornozelo e algumas escoriações, mas passa bem. Por volta das 10h, realizava exames de avaliação no setor de ortopedia. A previsão é que ele receba alta no início da tarde.
Os bombeiros afirmaram que o ciclista é triatleta da equipe Navegantes e costuma fazer o percurso na zona norte para treinar. Depois do acidente, dois motoristas, que passavam pelo local, prestaram socorro à vítima. O condutor do carro que atropelou Júnior, no entanto, não parou.
Este é o terceiro caso, divulgado pela imprensa, de ciclista atropelado só no mês de abril. Na terça-feira (30), o triatleta e dentista Pedro Nikolay, 31, foi atropelado e morto na avenida Vieira Souto, em Ipanema, zona sul do Rio.
O dentista participava de um treinamento que reunia cerca de 20 atletas, por volta das 5h50, quando foi atingido por um ônibus. Por volta das 10h15, o corpo dele estava sendo velado no Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária. A previsão é que seja cremado às 15h.
No dia 1º de abril, a ciclista e produtora do programa "Amor e Sexo" da TV Globo, Gisela Matta, morreu após ser atropelada por um ônibus, na esquina das ruas General San Martin e Bartolomeu Mitre, no Leblon, também na zona sul.

terça-feira, 30 de abril de 2013

E agora?


30/04/2013 - 19h01

Justiça ordena quebra de sigilo de ex-diretor de órgão da Prefeitura de SP


A Justiça determinou a quebra de sigilo de um ex-diretor do Ilume (Departamento de Iluminação Pública de São Paulo) durante a gestão Gilberto Kassab (PSD) investigado por suposto recebimento de propina para beneficiar duas empresas que conseguiram contratos com a prefeitura. Os sigilos das empresas Consladel e Trópico também foram quebrados.
Paulo Candura, que é funcionário de carreira da prefeitura e atualmente assessor da Secretaria de Planejamento, nega as acusações.
De acordo com investigação do Ministério Público --que pediu a quebra de sigilo-- o nome de Candura aparece numa suposta lista de propina paga pelas empresas. Segundo testemunhas ouvidas pelo promotor Silvio Marques, Candura facilitaria as licitações para prestação de serviços de iluminação para as empresas, inserindo cláusulas que dificultassem a vida de concorrentes.
As denúncias partiram de Gilberto Faour Auad, ex-sócio da Trópico e ex-diretor da Consladel. A Trópico --que já foi responsável pelo contrato de iluminação do túnel Ayrton Senna, pertence a Labib Faour, irmão de Gilberto. O denunciante disse que foi retirado da empresa após se desentender com o irmão por causa dos negócios. Ele afirmou que Candura recebia uma espécie de "premiação" por ajudar empresa. Segundo ele, "era como se Candura oferecesse assessoria técnica".
Outra testemunha, ligada às empresas, disse à Promotoria que recebia ordens para entregar o dinheiro que seria destinado a Candura.
O advogado de Candura, Paulo Porto, disse que no ano passado o servidor colocou suas contas bancárias à disposição do Ministério Público. "Nem fomos notificados ainda da quebra de sigilo, que não era necessária, já que ele colocou as contas à disposição. Ele nega qualquer tipo de participação nesse esquema", disse Porto.
Sobre a suposta lista de propina, o advogado disse que trata-se de uma xerox, sem nenhum timbre ou alguma assinatura que identifique a autoria das tabelas. Em relação à acusação de que ele incluiria cláusulas nas licitações para facilitar a participação das empresas, Porto afirmou que não era função de Candura cuidar de contratos. "São acusações sem provas e que podem gerar uma ação de danos morais no futuro", disse Porto.
Folha não conseguiu localizar os proprietários da Trópico e da Consladel.
O prefeito Fernando Haddad (PT) disse que Candura pode ser alvo de investigação interna. (GIBA BERGAMIM JR.)

Pesquisadores suíços tentam descobrir toalete "do século"


Pesquisadores suíços tentam descobrir toalete "do século"


Por Alexander Thoele, swissinfo.ch
23. Abril 2012 - 11:00

Instalação sanitária à céu aberto em uma favela da África do Sul.
Instalação sanitária à céu aberto em uma favela da África do Sul. (Keystone)












Estima-se que 2,6 bilhões de pessoas no mundo não tenham acesso ao saneamento básico. Instalações sanitárias ajudam a combater doenças comuns como diarreia, cólera ou hepatite. Mas como solucionar o problema em países pobres, onde não há recursos para oferecer canalização, água ou energia?


A Fundação Bill e Melinda Gates criou um concurso para ajudar a encontrar uma solução ao desafio. Uma das ideias vem da Suíça.
Considerado o maior bairro de lata na África subsaariana, Kibera (em Nairóbi, capital do Quênia) é uma favela onde vivem cerca de um milhão de pessoas. "Banheiros voadores" (Flying toilet) é uma expressão típica empregada pelos seus habitantes. Na vida precária que levam, sem acesso a qualquer forma de saneamento básico, os habitantes costumam defecar e urinar em sacos plásticos e depois jogá-los por cima dos tetos dos barracos.

Essa realidade, também comum nas favelas brasileiras, "townships" da África do sul ou em grandes metrópoles da Índia, tem suas consequências para a saúde humana: segundo cálculos das Nações Unidas, a diarreia é responsável por 1,5 milhões de mortes por ano, especialmente crianças menores de cinco anos. Seria uma criança a cada vinte segundo.

Porém outras doenças são provocadas pela falta de higiene e acesso a toletes como cólera, disenteria, febre tifoide e hepatite A. Só no rio Ganges, na Índia, despeja-se 1,1 milhão de litros de esgoto por minuto, uma calamidade levando-se em conta que um grama de fezes pode conter 10 milhões de vírus, um milhão de bactérias, mil cistos de parasita e 100 ovos de verme, escreve o site do Instituto Trata Brasil.

Toalete do futuro 

Na primavera de 2011, a Fundação Bill e Melinda Gates decidiu atacar o problema e lançou um concurso científico aberto a pesquisadores de todas as partes do mundo. As condições eram duras: desenvolver um toalete "do futuro", que seja robusto, aplicável tanto no campo como nas cidades, fácil de limpar e que funcione sem água, canalização ou acesso à energia. Além disso, os excrementos humanos precisam ser facilmente eliminados ou reaproveitáveis e o custo de manutenção diário não pode ser maior do que 0,5 centavo de dólar por dia por pessoa.

Ao final, 21 universidades foram convidadas a participar e dessas, oito tiveram os projetos aprovados, das quais uma é o Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática (Eawag). "Com a aprovação, recebemos inicialmente 400 mil dólares, o que nos permitiu contratar três jovens pesquisadores para continuar o desenvolvimento das nossas ideias", afirma a coordenadora Tove Larsen. Essa engenheira química de origem dinamarquesa não vê a hora de poder apresentar um novo modelo de toalete pessoalmente a Bill Gates, o fundador da Microsoft, em 14 de agosto em Seattle, nos Estados Unidos.

O conceito desenvolvido pela Eawag é uma versão melhorada do chamado "sanitário seco com desvio de urina" (urine diverting dry toilet), ou seja, um toalete onde a urina é separada das fezes, mas a água é utilizada para limpeza.

A urina, composta de 95% de água e o restante de ureia, ácido úrico, sal e outras substâncias, é processada por um método criado pelos pesquisadores no instituto sediado em Dübendorf, vilarejo vizinho à Zurique, para extrair nitrogênio, fósforo e potássio em pó, utilizados posteriormente como adubo (ler artigo "Urina humana pode ser utilizada para fertilizar solos").

As fezes poderiam ter uma utilização variada. "Elas podem ser aproveitadas como biomassa ou mesmo também para a produção de adubos, após o tratamento adequado", completa Larsen.

Testes na África 

Com os recursos da fundação de Gates, Larsen pretende desenvolver ainda mais o projeto. Além da água de limpeza, sua equipe de pesquisadores também quer melhorar a aceitação. "Por isso trabalhamos em conjunto com o designer Harald Gründl da EOOS para desenvolver esse novo tolete", revela a dinamarquesa, citando a empresa austríaca de design, conhecida por projetar lojas para marcas conhecidas como Giorgio Armani e Adidas, dentre outros.

Além disso, o novo sistema também deve poder reciclar a água utilizada no toalete através de membranas especiais como filtros. "Então ela volta novamente ao ciclo e permite as pessoas de lavar suas mãos ou de limpar o vaso."

Sem revelar mais detalhes do projeto, pois a surpresa deve ocorrer na apresentação nos EUA, Tove Larsen adiante que um dos objetivos é também permitir a viabilidade econômica do super-toalete para as populações que poderão utilizá-lo. "Com o custo de 0,5 centavos por dia por toalete, acreditamos que é possível criar um aproveitamento econômico pelas pequenas empresas que irão oferecer esses serviços. Elas poderiam não apenas cobrar para oferecer o saneamento, mas também pelos adubos vendidos ou produção de biogás."

Para a pesquisadora, importante é garantir a separação adequada dos excrementos. "Na China já se aplica há muito tempo a utilização de excrementos humanos para adubar a terra, mas sem nenhuma segurança, o que faz com que muitas pessoas por lá tenham vermes", lembra Larsen. No toalete desenvolvido pela Eawag, tanto a urina como as fezes são separadas e armazenadas em compartimentos dentro do "móvel". Cada unidade deve atender duas famílias, com dez pessoas. Os produtos de cem unidades são recolhidos duas vezes por semana e levados para os locais de processamento.

E com que energia essas unidades de processamento funcionariam? "Soluções como painéis solares ou mesmo o biogás produzido pelos excrementos seriam fontes de energia barata para manter o funcionamento das máquinas", responde a pesquisadora. A confiança com que explica o projeto mostra que ela e sua equipe são fortes candidatos a convencer Bill Gates em pouco mais de quatro meses. Porém ela se mantém realista frente aos desafios do projeto. "Nós estamos apenas ainda no começo de encontrar uma solução, mas acreditamos estar no caminho correto."
Alexander Thoele, swissinfo.ch

PARQUE SUBTERRÂNEO


PARQUE SUBTERRÂNEO


13 out 2011

Aproveitando o sucesso do The High Line park (Um parque no elevado) o projetoDelancey Underground pretende transformar um terminal de bondes abandonado no primeiro espaço verde subterrâneo de NY.
O projeto pretende utilizar canais de fibra ótica para permitir que a luz solar seja transferida para a área subterrânea, permitindo que plantas e árvores sobrevivam. Estas são algumas imagens geradas por computador que simulam como os idealizadores pretendem transformar o espaço:
Inevitavelmente o projeto já ganhou o apelido de “The Low Line”. Não é bacana?

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Banheiro ecológico seco finlandês: Biolan Naturum para compostagem urbana

Na casa da lua, mas de olho no sol


Na casa da lua, mas de olho no sol



Por Mirela Tavares, swissinfo.ch
29. Janeiro 2013 - 11:00

Vista a partir da pousada Porto da Lua
Vista a partir da pousada Porto da Lua (Mirela Tavares)












Enquanto tomam um farto café da manhã em uma das pousadas do vilarejo da Praia do Forte, na Bahia, os hóspedes são cumprimentados por um senhor de forte sotaque estrangeiro, mas de português claro. É o dono.
Seu nome, Markus Real, engenheiro suíço doutorado pela Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH), e pioneiro no desenvolvimento de tecnologia de energia solar e eólica como fontes de geração elétrica. Conhecimento que o tornou referência mundial sobre energia renovável desde a década de 80.
Quando tinha uns vinte e poucos anos, idade em que normalmente os jovens "andam com a cabeça na lua", Markus Real focava seus estudos no sol. Foi atento a todo o potencial dessa estrela sobre o planeta, que se tornou responsável por projetos como a implantação da primeira usina fotovoltaica na Europa e a integração dessa energia na rede elétrica europeia.

Depois de quase três décadas como pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Nuclear da Suíça, hoje Instituto Paul Scherrer, e depois à frente da sua própria empresa, a Alpha Real AG, ele abriu mão dessa rotina para aceitar uma oferta de negócio no Brasil e começar a se dedicar a outro "astro". Assim, há 13 anos, Real é dono do hotel-pousada Porto da Lua, a cerca de 80 km da capital baiana, Salvador.

Mas não se enganem os que pensam que ele mudou de vida apenas pela beleza natural brasileira. Real mantém uma rotina árdua de trabalho para garantir a qualidade dos serviços da pousada, assim como para se dedicar a outros projetos, entre os quais alguns voltados para energia renovável.

Em entrevista exclusiva à swissinfo.ch, ele conta sua trajetória, fala dos motivos da sua mudança e, claro, da importância mundial da expansão do uso de energia renovável. Um tema fundamental para o Brasil, que apesar do grande potencial energético, ainda é refém de "apagões" e de ameaças de racionamento.

swissinfo.ch: O que o levou ao comando de uma pousada na Bahia?

Markus Real: Era um cliente fiel da Porto da Lua, uma construção com arquitetura estupenda, em um local estupendo e com pessoas estupendas. Quando Wilson Reis Netto, o arquiteto idealizador, me fez a oferta para vendê-la, achei que seria um caminho para deixar de me envolver com a falta de política da Suíça sobre uso de energia solar.

swissinfo.ch: Por que?

M.R.: Na Suíça, assim como na Europa, em geral, o consumidor pode optar se quiser usar energia solar em casa. Isso ajuda o desenvolvimento da tecnologia, mas não vai mudar nossa matriz de fontes energéticas, que é baseada em 80% de hidrogênio carburado, como petróleo, gás e carvão. É um percentual alto, com grandes impactos: poluição, alterações climáticas, preços flutuantes de combustível, guerras e muito mais. Breve, esse custo terá de ser pago pelas próximas gerações.

swissinfo.ch: Na Suíça, a questão da energia solar não é a quantidade de terreno?

M.R.:A falta de terrenos livres e baratos realmente não permite implantar no solo usinas solares em uma quantidade suficiente. Por isso, desde 1978 instalamos a primeira usina elétrica no teto de uma casa. O conjunto de todos os telhados de casas permite a utilização de placas fotovoltaicas para produzir um terço da eletricidade consumida no país. Hoje, as modernas casas suíças são pequenos milagres da tecnologia: consumem entre 10% e 20% de energia se comparadas as casas de 30 anos atrás. E muitas delas produzem mais energia no teto e nas paredes do que o que consomem o ano todo.

swissinfo.ch: Qual a expectativa para as energias renováveis a curto prazo no Brasil?

M.R.: Dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) demonstram que o Brasil terá de encarar números de crescimento de energia impressionantes até 2021. A previsão de demanda requer aumentar em quase 50% nos próximos 10 anos. Em termos de energia renovável, o Brasil já é um exemplo mundial: 75% da geração de energia elétrica são de hidrelétricas, ou seja, renovável. No setor de combustível de automóveis, nos carros que estão nas ruas brasileiras, o equivalente a 25% é movido a etanol (extraído da cana-de-açúcar). Já há matriz privilegiada para a energia renovável, que a longo prazo também é mais econômica. Realmente não conheço um país tão privilegiado para usar o sol, o vento e a água como o Brasil. 

swissinfo.ch: Mas mesmo entre as energias renováveis há polêmicas?

M.R.: Sim, o álcool como fonte renovável tem problemas e, seguramente, seus limites. Não tenho dúvida, porém, que o fotovoltaico é uma revolução. É uma tecnologia que precisa de muito cuidado na produção industrial, mas uma vez pronta é muito fácil de usufrui-la.

swissinfo.ch: Não é preciso um certo cuidado na produção industrial das placas fotovoltaicas?

M.R.: Se você se refere a placa fotovoltaica baseada em silício, não vejo nenhum elemento que possa se tornar resíduo tóxico e contaminar o ambiente. Há uma linha de produção, no entanto, que usa cádmio, que descartado incorretamente pode causar sérios danos ao meio ambiente. Essa linha é questionável. Já o silício, seguramente não causa problemas. É areia.

swissinfo.ch: O que te inspirou a trabalhar com energia solar?

M.R.: Depois de 20 anos, com a tecnologia pronta, mas sem efetivamente uma política que pudesse explorá-la, senti que precisava mudar. Lembrei do que o meu tio Theodor Real, fundador da Força Aérea Suíça, dizia. Depois de conhecer o avião, em 1911, ele foi a Berna convencer as lideranças militares da importância dessa tecnologia para o futuro, mas sempre o respondiam: "Isso parece muito bom, senhor Real, mas já temos a cavalaria". Todas as vezes quando voltava de trem de Berna para Zurique, depois de conversas com políticos, me lembrava dessa frase: "já temos a cavalaria". Mas a Alpha Real ainda existe, no entanto, fundei outra empresa, a Edisun Power AG, voltada para planejar, financiar e operacionalizar usinas solares.

swissinfo.ch: A energias solar e eólica já estão ganhando reconhecimento no Brasil?

M.R.: A porta está sendo aberta. Mas como disse: o Brasil tem de aumentar o parque gerador de eletricidade, terá de encarar um crescimento de energia impressionante até 2021. Um número enorme que nem dá para ser atendido por um setor só. Para dar uma ideia, a hidrelétrica de Itaipu tem 15 GW, então nos próximos 10 anos é preciso instalar 4 Itaipus. Como fazer? Com todo respeito pela Petrobras, é impossível tirar tanto gás nesse período, assim como construir tantas hidrelétricas. Usina nuclear, então, nem pensar. Não há dúvida quanto a importância das contribuições eólica e fotovoltaica. Mas ainda há desafios.

swissinfo.ch: Quais exatamente?

M.R.: No Brasil, o preço da tecnologia eólica e fotovoltaica é até duas vezes maior do que na Alemanha, por conta de fatores como taxa de juros para financiar as usinas fotovoltaicas e eólicas, taxa de importação, além dos custos da burocracia. Se as condições fossem as mesmas das termoelétricas ou hidrelétricas, o preço da energia produzida seria, já hoje, quase igual. Mas sou otimista. É indiscutível que nos próximos anos haverá um crescimento no setor. O Brasil já demonstrou sua capacidade de liderança e na próxima década estará entre os dez principais países líderes no uso de novas fontes renováveis de energia.
Mirela Tavares, swissinfo.ch


Expectativa para energias eólica e solar

“Uma nova tecnologia precisa de 50 a 100 anos para substituir outra existente. O carvão precisou de 100 anos para substituir a madeira, mesmo tempo que o petróleo para substituir o carvão. A tecnologia nuclear, depois de 60 anos de suporte de governos dos países mais ricos, produz menos de 2% de energia de uso, ou 5% de energia primaria. As fontes renováveis também precisam de tempo - 30 anos já se passaram. A boa notícia é que as tecnologias eólicas e fotovoltaicas estão prontas para serem aplicadas em grande escala.”