quinta-feira, 11 de outubro de 2012

COP-11: Brasil levará à Convenção de Hyderabad proposta em favor de um esforço coletivo entre os 193 países-membros na captação de recursos em defesa da biodiversidade







Pursuant to decision X/46, the eleventh meeting of the Conference of the Parties (COP 11) will be held in Hyderabad, India, from 8 to 19 October 2012.





COP 11 will include a high-level ministerial segment organized by the host country in consultation with the Secretariat and the Bureau. The high‑level segment will take place from 17 to 19 October 2012. More »



This meeting will take place during the United Nations Decade on Biodiversity (UNDB) as declared by the United Nations General Assembly through Resolution 65/161. The United Nations Decade on Biodiversity will serve to support and promote implementation of the objectives of the Strategic Plan for Biodiversity and the Aichi Biodiversity Targets.





Its goal is to mainstream biodiversity at different levels. Throughout the United Nations Decade on Biodiversity, governments are encouraged to develop, implement and communicate the results of national strategies for implementation of the Strategic Plan for Biodiversity.




Rumo à Índia


http://www.mma.gov.br/informma/item/8620-rumo-%C3%A0-%C3%ADndia

Sexta, 24 Agosto 2012 19:13 Última modificação em Terça, 28 Agosto 2012 19:05



Brasil levará à Convenção de Hyderabad proposta em favor de um esforço coletivo entre os 193 países-membros na captação de recursos em defesa da biodiversidade.



Luciene de Assis



A Convenção sobre Diversidade Biológica reúne 193 países, que estarão representados na 11ª Conferência das Partes, a COP-11, na cidade de Hyderabad, na Índia, durante a primeira quinzena de outubro. O Brasil pertence a este grupo e apresentará propostas bem definidas, no que se refere à conservação dos seus recursos naturais. Desenvolverá uma estratégia tendo por base os recursos que já investiu e o que está mobilizado em biodiversidade, no momento, estabelecendo uma estimativa, dentro do grau de confiança possível, para o que será necessário ao alcance das Metas de Aichi.



Para o secretário de Biodiversidade e Florestas (SBF) do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Roberto Cavalcanti, o Brasil irá dialogar com os outros países-membros da Convenção com o objetivo de obter o máximo de investimentos, num esforço coletivo, para mobilizar os recursos necessários. O fato de o Congresso Nacional brasileiro estar analisando o pedido do Poder Executivo para ratificar o Protocolo de Nagoia, no qual se inserem as 20 Metas de Aichi, é o fator positivo para o país.



A preocupação do governo é avançar na concretização das 20 metas nacionais, ainda em construção, a partir da colaboração de vários setores da sociedade civil organizada e da elaboração do plano de ação governamental. Em entrevista ao Portal MMA, o secretário esclarece: “Estamos no estágio inicial, mas indispensável, de elaboração de uma árvore de problemas e soluções, com o mapeamento, para a realidade brasileira, de onde estão os pontos de estrangulamento e de oportunidades para que as metas sejam efetivamente atingidas”.





PORTAL MMA - O que é a COP-11 e que relação ela tem com as Metas de Aichi?



ROBERTO CAVALCANTI - A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) definiu, por meio do seu artigo 23, que uma Conferência das Partes (COP) seria estabelecida para a convenção. Até o momento, já foram realizadas dez COPs, sendo a última em Nagoia, Japão, em outubro de 2010. A COP-11 se refere, portanto, à décima primeira reunião da Conferência das Partes da CDB e será realizada em Hyderabad, na Índia, de 8 a 19 de outubro de 2012. Durante o evento, os países deverão apresentar, entre outros, os avanços obtidos em relação às 20 Metas de Aichi, aprovadas na COP-10, em Nagoia, no Japão. As Metas integram o Plano Estratégico de Biodiversidade 2011-2020, da Convenção sobre Diversidade Biológica. Na COP-11, os 193 países-parte deverão explorar as melhoras formas de mobilizar os recursos financeiros para a implantação do Plano Estratégico de Biodiversidade, particularmente no que tange à implantação das Metas de Aichi.



Qual a expectativa em relação à COP-11?



A Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica visa, fundamentalmente, implantar a convenção. Essa tem sido a grande prioridade dada pelo novo secretário da CDB, o brasileiro Bráulio Dias. Além de verificar a situação relativa à ratificação do Protocolo de Nagoia nos diferentes países e de avaliar os progressos relacionados à criação das metas nacionais e estabelecimento das estratégias e planos de ação para a implementação das metas, a COP-11 tratará, como prioridade, as negociações que dizem respeito à mobilização de recursos financeiros para a efetiva implantação das metas nacionais, que incluem ações de capacitação, comunicação, educação, percepção pública, transferência de tecnologia e cooperação. Discutirá, também, entre outros temas, a revisão do Programa de Trabalho de Biodiversidade de Ilhas; conhecimentos tradicionais; restauração de ecossistemas; biodiversidade marinha e costeira; situação da biodiversidade em relação às mudanças climáticas; biodiversidade de águas interiores; uso sustentável da biodiversidade; espécies exóticas invasoras; e agrobiodiversidade, temas são de elevada prioridade para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e para o país.



O que o Brasil pretende apresentar na COP-11?



Os avanços logrados em relação à ratificação do Protocolo de Nagoia sobre Acesso a Recursos Genéticos e Repartição Justa e Equitativa dos Benefícios Derivados da sua Utilização. Após oito anos de intensas negociações, o Protocolo de Nagoia foi aprovado durante a COP-10. Esse documento representa a conclusão bem-sucedida de um longo processo negociador, desencadeado em Johanesburgo, na África do Sul, em 2002, por ocasião da Rio+10. Foi aí que se iniciaram as discussões visando a construção de um Regime Internacional de Acesso e Repartição de Benefícios. Esse acordo representa um avanço histórico e tem importância estratégica para a implantação da Convenção sobre Diversidade Biológica. O Brasil desempenhou papel decisivo para o avanço das negociações e a aprovação desse documento, que foi aberto para assinaturas na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, no dia 2 de fevereiro de 2011. E o Brasil foi um dos primeiros países a assinar o Protocolo, demonstrando a disposição do país de implantar o acordo. Nesse contexto, o país comunicará, na Índia, que a presidente Dilma Rousseff encaminhou ao Congresso Nacional, em 5 de junho deste ano, mensagem para sua ratificação.



Qual é a expectativa sobre as metas do plano estratégico para biodiversidade?



Na Índia, o Brasil anunciará, em relação ao Plano Estratégico de Biodiversidade 2011–2020 e às Metas de Aichi, que o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), WWF-Brasil e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), conduziu a iniciativa Diálogos sobre Biodiversidade: construindo a estratégia brasileira para 2020, que gerou, de forma participativa, um documento relativo às metas nacionais. Esses diálogos envolveram consultas presenciais aos diversos segmentos da sociedade: governos federal e estaduais; organizações não-governamentais; povos indígenas e comunidades tradicionais; setor empresarial; e setor acadêmico-científico. Além de o documento ter sido submetido à consulta pública, foi, ainda, amplamente debatido no âmbito da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). Portanto, o Brasil pretende apresentar o resultado de todo esse trabalho na COP-11. Além disso, a delegação brasileira informará que o MMA, em parceria com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e o Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG), deu início à construção do Plano de Ação para a Implantação da Estratégia Nacional de Biodiversidade.



O que são as Metas de Aichi?



No processo de elaboração do novo Plano Estratégico de Biodiversidade 2011–2020, o Secretariado da Convenção propôs que se estabelecesse um novo conjunto de metas, na forma de objetivos de longo prazo, que foram materializados em 20 proposições, todas voltadas à redução da perda da biodiversidade em âmbito mundial. Denominadas de Metas de Aichi para a Biodiversidade, elas estão organizadas em cinco grandes objetivos estratégicos: tratar das causas fundamentais de perda de biodiversidade, fazendo com que as preocupações com a biodiversidade permeiem governo e sociedade; reduzir as pressões diretas sobre a biodiversidade e promover o uso sustentável; melhorar a situação da biodiversidade, protegendo ecossistemas, espécies e diversidade genética; aumentar os benefícios de biodiversidade e serviços ecossistêmicos para todos; e aumentar a implantação, por meio de planejamento participativo, da gestão de conhecimento e capacitação. O Brasil teve um papel decisivo na definição e aprovação das Metas de Aichi e, agora, pretende exercer, com responsabilidade e eficiência, um papel de liderança na sua implantação.



Quando as metas foram estabelecidas?



Durante a 10ª Conferência das Partes da CDB, realizada em Nagoia. Foi aprovado, na ocasião, o Plano Estratégico de Biodiversidade para o período 2011 a 2020. Contempla 20 metas, acordadas entre os países-parte que integram a CDB, ou seja, 193 países e a União Europeia. As Partes da CDB concordaram em trabalhar juntas para implementar as 20 metas até 2020. Um primeiro conjunto de objetivos foi estabelecido para período 2002-2010 e um plano estratégico foi criado para orientar a implementação das metas, tanto em nível global, nacional ou regional.



Por que é interessante para o Brasil adotar essas metas?



O Brasil, mesmo com os avanços alcançados na conservação de sua biodiversidade, por ser considerado o país que mais contribuiu, nas últimas décadas, para ampliação da rede de áreas protegidas no mundo, enfrenta uma série de obstáculos para que essa rede funcione plenamente. Deve-se reconhecer, obviamente, que esse é um problema global. E o plano estratégico prevê a significativa redução das atuais taxas de perda de biodiversidade, tanto no âmbito global quanto nas esferas regional e nacional. Vale ressaltar que persiste o declínio de genes, espécies e ecossistemas, uma vez que as pressões sobre a biodiversidade se mantêm inalteradas ou aumentam de intensidade, em grande parte como consequência das ações do homem (antrópicas).



Isso significa que o Brasil está deixando de fazer o dever de casa?



Mesmo com maior compreensão das ligações existentes entre a biodiversidade, os serviços ecossistêmicos e o bem-estar humano, o valor da biodiversidade ainda não se reflete amplamente nas políticas públicas e nos sistemas de incentivos. O Brasil é considerado o país da maior biodiversidade do planeta. Estima-se que, das espécies existentes, o Brasil detenha, pelo menos, 20% do total mundial, bem como 30% das florestas tropicais do mundo. Entretanto, a biodiversidade ainda não tem sido tratada com a ênfase necessária nas estratégias de desenvolvimento, e isso leva à perda gradual de um diferencial importante para o país. E a elaboração do Plano Estratégico de Biodiversidade 2011–2020 para o país e a implementação e internalização das Metas de Aichi são fundamentais para a inclusão definitiva da biodiversidade no contexto nacional e nas estratégias de desenvolvimento do país. As metas são importantes instrumentos orientadores que facilitarão o resgate, pelo país, dos compromissos assumidos em âmbito internacional, bem como para orientar e avaliar a efetividade das ações relacionadas à conservação da biodiversidade e conduzidas no território brasileiro. São, sem dúvida, ambiciosas, o que traz uma preocupação com sua factibilidade. Entretanto, a experiência anterior será fundamental para o sucesso da sua implementação no país. A participação da sociedade brasileira, além de dar legitimidade a esse processo, será fundamental para o êxito dessa empreitada.



O Brasil já ratificou o acordo?



De acordo com o artigo 34 da CDB, os protocolos aprovados no âmbito da convenção estão sujeitos à ratificação, aceitação ou aprovação pelos estados. Os instrumentos de ratificação, aceitação ou aprovação devem ser depositados na Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque. Nesse contexto, o acordo que, atualmente, depende de ratificação do país no âmbito da CDB é o Protocolo de Nagoia sobre Acesso a Recursos Genéticos e Repartição Justa e Equitativa dos Benefícios Derivados da sua Utilização, em análise pelo Congresso Nacional. No que diz respeito ao Plano Estratégico de Biodiversidade 2011–2020, que inclui as Metas de Aichi, este não depende de ratificação do país, já que se refere apenas a uma decisão tomada no âmbito das Partes da Convenção, durante a 10ª Conferência das Partes da CDB. O Brasil, sendo uma das partes contratantes da CDB, integra as Conferências das Partes e, consequentemente, participa de cada decisão tomada.



Já existe uma proposta brasileira para adequar essas metas à realidade nacional?



A partir da aprovação do Plano Estratégico de Biodiversidade 2011 – 2020, que contempla as Metas de Aichi, o Brasil, por meio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), deu início ao processo de internalização e de definição das metas nacionais. Para tanto, o MMA organizou uma parceria com a UICN, a WWF-Brasil e o Instituto IPÊ, e criou a iniciativa Diálogos sobre Biodiversidade: construindo a estratégia brasileira para 2020. Esse processo de diálogo envolveu consultas presenciais aos diversos segmentos da sociedade e com o setor governamental. Como resultado dessa iniciativa, foram realizados, entre abril de 2011 e maio de 2012, 12 eventos nacionais, com o envolvimento de mais de 280 instituições e 400 participantes. Um conjunto de documentos foram gerados a partir desse processo. Com base nesses documentos foi realizada uma consulta pública virtual, que ampliou ainda mais a participação da sociedade. Trata-se da maior consulta conduzida por um país para a construção de metas nacionais de biodiversidade, um processo excepcional de consenso intersetorial, que oferece ao Governo brasileiro um conjunto de 20 metas nacionais a serem alcançadas até 2020. O resultado mostra o grande comprometimento e a boa-vontade de todos os setores da sociedade em concatenar ideias, abrir mão de interesses individuais e se colocar à disposição para assegurar uma década promissora para a biodiversidade no Brasil. Os resultados desse trabalho estão, agora, sendo analisados pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).



Há prazo para a implantação das metas?



Não existe prazo específico, mas vale ressaltar que, em Nagoia, o Brasil assumiu o compromisso de implementar essas metas até 2020. Assim, e considerando que o prazo é bastante exíguo, o país deve priorizar ao máximo a tomada de decisões relacionadas à implantação das metas. Caso contrário, correremos o risco de não implementá-las no tempo devido.



Como é possível controlar as perdas da biodiversidade no Brasil?



As perdas de biodiversidade decorrem, basicamente, da fragmentação dos ecossistemas; da presença de espécies exóticas invasoras; da sobreexplotação [tirar proveito econômico de determinada área, sobretudo quanto aos recursos naturais nela existentes, provocando o esgotamento desse recurso]; e das mudanças climáticas. Um dos importantes avanços para a redução das atuais taxas de perda de biodiversidade diz respeito à integração das políticas e ações conduzidas no âmbito dos governos federal e estaduais. No que se refere à Mata Atlântica, por exemplo, é necessário efetivar a Lei da Mata Atlântica. No que tange ao bioma Cerrado, há necessidade de integrar as políticas públicas referentes ao Plano de Combate ao Desmatamento, a exemplo do Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento (PPCDAm), estabelecido para Amazônia, promovendo, nos últimos anos, uma acelerada queda no desmatamento da região. Na Caatinga, precisa-se de maior atuação nos diferentes setores da cadeia produtiva que se utilizam de recursos da biodiversidade. Para essa finalidade específica, são utilizados recursos financeiros do Fundo Sócio-Ambiental da Caixa Econômica Federal.



Essas ações são suficientes?



O combate às perdas de biodiversidade envolve uma série de ações que implicam na integração e articulação com os diversos setores da sociedade. Entre estes podem ser citados a utilização de um modelo sustentável de uso da terra; adoção de um modelo de produção e consumo sustentáveis; eliminação da exploração insustentável da biodiversidade nativa; manutenção da integridade dos ecossistemas, controlando o desmatamento, a desertificação, os incêndios florestais, a poluição e a descaracterização de ecossistemas aquáticos; aumento do conhecimento, fiscalização, controle e monitoramento de espécies exóticas invasoras; aumento da valorização da agrobiodiversidade e da sociobiodiversidade; e disseminação dos valores da biodiversidade e promoção do seu uso, como forma de melhorar a conservação e uso sustentável.



Como se pode definir a biodiversidade?



Biodiversidade é um conceito relativamente recente, que ganhou caráter oficial com a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), realizada em 1992 no Rio de janeiro, quando as nações reconheceram a gravidade da crise ambiental e como ela poderia afetar os principais desafios de desenvolvimento do planeta. Nessa oportunidade, foram firmados vários acordos, com destaque para a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). A CDB definiu que “diversidade biológica significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos, e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo, ainda, a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.



O que pode acontecer se não preservarmos a diversidade biológica do país?



A diversidade biológica tem sido reconhecida como fundamental para assegurar a sobrevivência do homem e para a manutenção do equilíbrio ecológico, a exemplo da regulação do clima e da proteção do solo contra erosão. Podemos, inclusive, citar a importância da biodiversidade para a agricultura, a pecuária, a saúde. Não existe agricultura se não houver agentes de controle biológico (inimigos naturais de pragas) e organismos para garantir a fertilidade do solo. Se não existir um mínimo de conservação, a agricultura deixa de existir. Aqui, no Brasil, existem muitas paisagens degradadas que perderam sua função. Por exemplo, no Vale do Paraíba, nos séculos XIX e XX, existiam grandes plantações de café. O solo, porém, perdeu-se em decorrência da erosão, foi deslocado para os rios, que tiveram sua capacidade comprometida. Temos muitos exemplos de produção predatória, com perdas significativas da cobertura vegetal. Os diferentes elementos da biodiversidade interagem entre si, formando uma complexa rede de interações, a qual se inter-relaciona e é interdependente. Há uma relação íntima entre a floresta e a água. As árvores funcionam como esponjas que abastecem as reservas subterrâneas. A carga de água dos rios está relacionada à existência de florestas e pode ficar seriamente comprometida se continuarmos no processo de devastação das áreas verdes do planeta. A eliminação das florestas favorece o acúmulo de gases de efeito estufa. O solo, as águas, as florestas, os oceanos, a fauna, a flora e as paisagens são recursos naturais insubstituíveis e vitais, que interessa preservar e transmitir às gerações futuras, não só pelo seu valor produtivo (fornecimento de alimentos, medicamentos, materiais de construção, combustível, fibra, entre outros), como também pelos seus valores culturais, educacionais, estéticos e turísticos. Para muitos povos, a natureza assume ainda grande simbolismo, sendo palco de rituais e tradições. A destruição da biodiversidade em escala global significa alterar as condições para a qual a própria natureza evoluiu. A conservação da diversidade biológica é essencial à manutenção da vida no planeta e à melhoria da qualidade de vida das populações.



A preservação da biodiversidade tem relação com o desenvolvimento do país e com o grau de pobreza da população?



A diversidade biológica tem forte relação com a sociodiversidade, com a diversidade de sociedades e de culturas e suas formas únicas de interação e interdependência com os elementos da biodiversidade. Além de moldarem a biodiversidade, e serem moldados por ela, os seres humanos fazem parte dos processos evolutivos. A diversidade de espécies, genes e ecossistemas, a abundância de animais e plantas, a extensão de ecossistemas, a exemplo das florestas e recifes de corais vivos, são componentes críticos do capital natural, que é a base da nossa economia. Os resultados da conservação e promoção do uso sustentável da biodiversidade são revertidos em benefícios econômicos, sociais e ambientais. O desenvolvimento do país e a redução da pobreza dependem da manutenção do fluxo de benefício dos ecossistemas e da proteção do meio ambiente, fundamentado em uma economia sólida, que inclua seu reconhecimento explícito, a alocação eficiente e a distribuição justa dos custos e dos benefícios da conservação e do uso sustentável dos recursos naturais. Os atributos relativos à quantidade, tanto quanto à qualidade da biodiversidade, são importantes quando se considera as relações entre a natureza, a atividade econômica e o bem estar humano. O investimento no capital natural pode criar e resguardar empregos e sustentar o desenvolvimento econômico e assegurar possibilidades econômicas inexploradas, a partir de processos naturais e recursos genéticos. Em relação à pobreza, vale enfatizar que famílias mais pobres, especialmente as que vivem em áreas rurais, enfrentam perdas desproporcionais decorrentes da degradação do capital natural devido à sua elevada dependência de serviços ecossistêmicos proporcionados pela biodiversidade. A conservação da biodiversidade e a gestão sustentável dos ecossistemas são elementos-chave em estratégias que visam a eliminação da pobreza, bem como devem servir de metas para políticas de redução da pobreza.



A iniciativa privada também pode colaborar com a implantação das metas? De que forma?



O plano estratégico e os planos de ação para implementar as metas nacionais deverão ser conduzidos, nos próximos anos, de modo que o Brasil responda pelos compromissos assumidos na esfera internacional, cuidando para que essas ações não percam força e credibilidade. Para tanto, as estratégias nacionais, a comunicação do plano e a definição dos meios para atingi-los devem incluir os diversos atores sociais. Diferentemente das metas para 2010, o atual plano estratégico define uma estratégia que visa influenciar e envolver todos os setores que geram impactos à biodiversidade. Um dos objetivos estratégicos prevê incorporar a valoração da biodiversidade nas contas nacionais. Atualmente, não se quantificam as perdas da biodiversidade na realização de obras, os chamados impactos socioambientais. Espera-se que as empresas internalizem a valoração da biodiversidade e as políticas de governo para que as metas sejam efetivadas. Verifica-se, hoje, muitos prejuízos ambientais causados por empresas, sem que isto seja de alguma forma compensado. A iniciativa privada deve incorporar o alcance das metas em seu plano diretor, visando não apenas a geração de produtos e serviços, mas também a proteção e o manejo sustentável da biodiversidade.







IX JORNADA LUSO-BRASILEIRA DE DIREITO DO AMBIENTE DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA ECONOMIA VERDE





Nos dias 29, 30 e 31 outubro de 2012 ocorrerá, no Salão Nobre do Prédio Histórico, da Faculdade de Direito da USP, a IX Jornada Luso Brasileira de Direito do Ambiente - Desafios Contemporâneos para Implementação da Economia Verde. O evento será gratuito e contará com a presença de juristas internacionais.

O GEAMA - Grupo de Estudos Aplicados ao Meio Ambiente, do Departamento de Direito Civil da Faculdade de Direito da USP e o ILDA – Instituto Lusíada para o Direito do Ambiente, em parceria com as seguintes instituições: Escola Paulista da Magistratura, Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, Instituto O Direito por um Planeta Verde e Procuradoria Geral do Estado, promovem essa Jornada Internacional.
O evento contará com pesquisadores europeus e brasileiros, que discutirão assuntos relevantes no que se refere à proteção do meio ambiente.
Serão abordados os seguintes temas: Estratégias para resíduos sólidos; Cidades sustentáveis e seus desafios; Economia verde e seus mecanismos (abordagem dos tributos ambientais e pagamento por serviços ambientais); Mudanças climáticas e seus impactos nas atividades econômicas; Água e energia no contexto da economia verde; Mecanismos legais no contexto da economia verde: Responsabilidades penal e civil.


Endereço: Largo São Francisco, 95, São Paulo, SP.


Para inscrição para apresentação de teses e participação no evento, favor enviar e-mail exclusivamente para: comunicacao@iee.usp.br





Furnas entra para A3P

Quarta, 03 Outubro 2012 16:00 Última modificação em Segunda, 08 Outubro 2012 16:21


http://www.mma.gov.br/informma/item/8731-furnas-entra-para-a3p
Empresa passa por processo de modernização que inclui pesquisas sobre energias alternativas – eólica, solar e das ondas do mar



Letícia Verdi



Nesta quarta-feira (03/10), a empresa de economia mista Eletrobras Furnas assinou termo de adesão à Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília. “A adesão é um sinal do setor elétrico de que a questão ambiental não passa só pelo licenciamento”, afirmou a ministra Izabella Teixeira durante a assinatura. “A A3P faz parte de uma cultura de modernização da gestão”, disse.



Segundo análise do Tribunal de Contas da União (TCU), é possível alcançar uma economia anual de R$ 240 milhões, apenas com eletricidade, por meio das ações da A3P implementadas na administração federal. A Agenda conta atualmente com 161 parceiros.



“Estamos fazendo uma mudança profunda na empresa, o que inclui pesquisas em energia eólica, solar e das ondas do mar”, disse o presidente de Furnas, Flavio Decat. “Sustentabilidade e transparência estão nas nossas prioridades”. Segundo ele, os funcionários Furnas receberão em breve coletores seletivos de lixo para começar a incorporar o novo comportamento em casa.



Ao assinar o termo de adesão, Furnas se compromete a reduzir o consumo de energia elétrica, água e papel em suas instalações; combater desperdícios; fazer uma gestão adequada dos resíduos sólidos; e adotar uma política de aquisição de bens e contratação de serviços com critérios de sustentabilidade.



Mesmo antes de ter a adesão formalizada, a estatal enviou três projetos para concorrer ao IV Prêmio da A3P, que encerrou as inscrições nesta terça-feira (02/10). Um dos projetos trata do recolhimento de lixo com barcaças movidas a hidrogênio nas cidades em torno ao Lago de Furnas, que tem 1.440 m² e é conhecido como “Mar de Minas”.



O QUE É



A Eletrobras Furnas é uma empresa de geração e transmissão de energia, de economia mista, subsidiária das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - Eletrobras, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Possui um complexo de empreendimentos responsável por 10% da geração de energia elétrica do país. São 15 usinas hidrelétricas, duas termelétricas, aproximadamente 20 mil km de linhas de transmissão e 52 subestações. De toda a energia consumida no Brasil, mais de 40% passam pelo Sistema Eletrobras Furnas.



A A3P é uma ação prioritária do Projeto Esplanada Sustentável, criado pela Portaria Interministerial nº 244, de 6 de junho de 2012, que tem como objetivo integrar ações que promovam ao uso racional dos recursos públicos e a inserção da variável socioambiental no ambiente de trabalho. É também um dos programas de referência para a implementação do Decreto Nº 7.746, de 5 de junho de 2012 que estabelece critérios, práticas e diretrizes para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável.



Os eixos temáticos da A3P são: gestão adequada dos resíduos; licitação sustentável; qualidade de vida no ambiente de trabalho; sensibilização e capacitação dos servidores; e uso racional dos recursos.





Mineração urbana pode ser fonte de ouro no lixo, diz relatório




Da BBC Mundo em Londres


Atualizado em 9 de outubro, 2012 - 08:38 (Brasília) 11:38 GMT

Lixo eletrônico

Lixo eletrônico pode ser fonte de metais preciosos após reciclagem


Anahí Aradas




http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121009_ouro_lixo_eletronico_dg.shtml  

Um relatório da organização ambientalista Greenpeace afirma que no ano passado os argentinos jogaram no lixo o equivalente a 228 kg de ouro, 1,7 mil kg de prata e 81 mil kg de cobre, por falta de reciclagem.



Segundo o Greenpeace, o material está presente em dez milhões de celulares que são jogados fora por ano no país, e que – para piorar – poluem a terra, o ar e a água.



Notícias relacionadasEngenheiro transforma carros velhos em máquinas de preservativos em Serra LeoaONG constroi casas com embalagens e garrafas plásticas no MéxicoFotos mostram riscos de reciclagem manual de lixo eletrônico em comunidades pobres

Tópicos relacionadosAmérica Latina, Economia, Argentina, Meio AmbienteO relatório chama atenção para um setor conhecido como mineração urbana, uma atividade muito pouco difundida na América Latina, mas que na Europa, no Japão e na Coreia do Sul está se transformando em um importante gerador de emprego e riqueza, comparável até à mineração tradicional.



Ouro inexploradoMineração urbana é a reciclagem de materiais de valor presentes em resíduos eletrônicos, como ouro, prata, cobre, platina, alumínio, aço, terras raras e até mesmo plástico.



O ouro é um dos diversos componentes de computadores e celulares devido às suas propriedades de condução e estabilidade.



Um estudo recente da Universidade das Nações Unidas no Japão estima que a fabricação de equipamentos tecnológicos receba o equivalente a US$ 16 bilhões de ouro e US$ 5 bilhões de prata. De acordo com a pesquisa, apenas 15% deste material é reaproveitado via reciclagem.



A proliferação de dispositivos eletrônicos e o curto período para que eles se tornem obsoletos geram milhões de toneladas de resíduos. O número de depósitos para lixo eletrônico cresce exponencialmente por ano.



A reciclagem ainda é limitada, mas alguns analistas acreditam que exista neste setor uma grande oportunidade de negócios.



Um estudo da empresa Frost & Sullivan destaca que a mineração urbana gerou US$ 1,42 bilhões em 2011. A expectativa – segundo o relatório "Oportunidades globais no mercado dos serviços de reciclagem de lixo elétrico e equipamento eletrônico" – é que este mercado alcance um valor de US$ 1,8 bilhões até 2017.



O mercado crescente é o dos países emergentes. Mas na América Latina, este tipo de reciclagem ainda é incipiente.



RecenteDados da Plataforma Regional de Resíduos Eletrônicos na América Latina e Caribe – uma iniciativa chilena com financiamento canadense – mostram que países como Brasil, Chile, Argentina, Peru e Colômbia ainda não têm a infraestrutura necessária para a reciclar mais resíduos eletrônicos.



O índice chileno de reciclagem deste tipo de resíduo é de 1,5% a 3%. Na Argentina, o percentual chega a 10%.



"A Argentina é um dos países que mais destacou a reciclagem de lixo eletrônico", disse Verônica Calona, da empresa de reciclagem Silke, ao serviço em espanhol da BBC.



"Nós somos operadores 100% de resíduos de aparelhos eletrônicos. O resto [do mercado] são empresas que trabalham com outro tipo de atividade e foram incluindo isso pouco a pouco. Há metais que comercializamos no mercado interno e material das placas eletrônicas que exportamos, porque não existem na Argentina empresas de tecnologia que reciclem este tipo de material."



"A mineração urbana é muito recente, é preciso esperar e ver se a atividade vai evoluir um pouco."



Terras rarasAlém das perdas econômicas por falta de reciclagem, ambientalistas alertam para os crescentes riscos de poluição.



Nos Estados Unidos, a agência ambiental do governo EPA estima que o lixo eletrônico é 70% da fonte de contaminação de rios e do ar por metais pesados como mercúrio, cádmio, chumbo, bromo e selênio.



"Na Argentina, se descartam 10 milhões de celulares por ano e um milhão de computadores, e a metade termina em lixões", diz Lorena Pujó, do Greenpeace na Argentina.



A entidade produziu um relatório especial sobre a Argentina em um momento em que o Congresso do país discute uma legislação especial sobre resíduos eletrônicos.



"Estamos tentando expor publicamente a falta de sentido de todo esse sistema. Por um lado estamos esgotando recursos naturais finitos com a mineração, mas jogamos no lixo um monte de recursos sem reciclagem."



Com intuito de mudar esta situação, vários países como Costa Rica, Peru e Colômbia contam com leis que regulam a gestão de resíduos eletrônicos.



Um novo fator pode contribuir para o aumento da reciclagem no futuro: o fato de que a indústria de eletrônicos depende cada vez mais de terras raras – minerais especialistas que estão concentrados na China. Atualmente, 97% das reservas conhecidas de terras raras estão na China.



Neste contexto, a reciclagem de resíduos eletrônicos pode se transformar em um novo "eldorado" para investidores.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Embrapa usa imagens de satélite para avaliar arborização urbana de Campinas

Embrapa usa imagens de satélite para avaliar arborização urbana de Campinas

Por Alexandre Scussel

10h41, 08 de Outubro de 2012

http://mundogeo.com/blog/2012/10/08/embrapa-usa-imagens-de-satelite-para-avaliar-arborizacao-urbana-de-campinas/


Um levantamento sobre a arborização urbana viária em Campinas (SP), realizado pela Embrapa Monitoramento por Satélite, verificou que o município tem hoje cerca de 120 mil árvores em suas ruas e avenidas. Com base em imagens de satélite de alta resolução espacial, geoprocessamento e verificações em campo, foi possível estimar e espacializar esse número, verificando a distribuição da arborização na cidade, bairro a bairro.

Coordenado pelo pesquisador Ivan André Alvarez, o levantamento contempla árvores, arbustos, palmeiras e mudas. Condomínios fechados, praças, parques e remanescentes florestais, como matas, não foram contabilizados, somente arborização com responsabilidade de manejo da gestão pública. O método utilizado é inédito e o estudo deverá ter continuidade, proporcionando análises qualitativas a partir da base de dados gerada. Segundo Alvarez, a iniciativa representa um importante instrumento para apoiar a gestão e a elaboração de políticas públicas para o município, visando a melhoria da qualidade de vida da população. “Instrumentos como esse são fundamentais para estabelecer um convívio sustentável entre urbanização e vegetação”, completa.

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Arborização urbana de Campinas. Clique na imagem para ampliar. Fonte: Embrapa

Os resultados mostram a distribuição irregular da arborização viária na cidade, destacando regiões em que a prioridade para a recuperação é alta, como o sul e o centro da cidade onde é bastante esparsa a presença de árvores. Na situação oposta, há bairros como a Cidade Universitária, no Distrito de Barão Geraldo, que são exemplos de localidades com uma boa taxa de árvores por quilômetro. Nestes casos, a atenção deve voltar-se para o tratamento e manejo adequados para que essa realidade mantenha-se estável ou mesmo para torná-la ainda melhor.



Tomando como base o Guia de Arborização Urbana de Campinas (GAUC), o déficit de árvores para todo o município é alto. Campinas deveria ter uma árvore a cada 10 metros de calçada, mas para alcançar esse número ideal seria necessário plantar 365 mil novas árvores. Do número total de árvores registradas pelo estudo da Embrapa, 24% são palmeiras e arbustos, espécies que trazem benefícios limitados. Segundo o GAUC, a recomendação é que sejam utilizadas árvores de porte médio e grande. Além das 120 mil árvores contabilizadas, outras 7 mil foram registradas como mudas recém implantadas. Em números globais, o município tem hoje uma árvore para cada nove pessoas.



Para o pesquisador, o sistema de arborização urbana de uma cidade é eficiente à medida que cumpre os papéis referentes aos seus benefícios. “Um desses benefícios, facilmente percebido em dias quentes e secos, tem relação com o microclima gerado pela vegetação, melhorando as taxas de umidade relativa do ar, amenizando os riscos para a saúde e contribuindo para o bem estar das pessoas”, lembra Alvarez.



Fonte: Empraba Monitoramento por Satélite





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First Care Without Harm: Uma ideia saudável!


Hospitais criam rede por práticas 'verdes'

Ações sustentáveis incluem tratamento de resíduos e redução do consumo de energia

07 de outubro de 2012 | 3h 07


CLARISSA THOMÉ / RIO - O Estado de S.Paulo
Uma rede de hospitais "saudáveis e verdes" está sendo construída no Brasil. Iniciativa da organização internacional First Care Without Harm (Saúde sem Dano), a ideia é reunir as instituições que se comprometem a tratar resíduos, reduzir consumo de água e energia, substituir substâncias químicas perigosas e construir prédios sustentáveis, entre outras ações.
Hospital São Vicente de Paulo, no Rio: projeto sustentável inclui 'telhado verde' - Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE
Hospital São Vicente de Paulo, no Rio: projeto sustentável inclui 'telhado verde'
Vinte e cinco hospitais, entre eles o Sírio-Libanês, e redes de assistência, como Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), Amil, Santa Casa de São Paulo e Pró Saúde aderiram à rede, fundada no mês passado.
Essas instituições se comprometem a cumprir metas sustentáveis. A expectativa é alcançar 700 dos 7 mil hospitais brasileiros em dois anos.
"Nós não certificamos o hospital, o que exige um rigoroso sistema de auditoria. Para entrar na rede, as instituições têm de cumprir ao menos dois dos dez objetivos e assumir o compromisso de forma séria de ampliar a atuação para se tornar um hospital sustentável", afirma o coordenador do conselho consultivo do Projeto Hospitais Saudáveis, Vital Ribeiro.
A proposta da rede é que as instituições - públicas e particulares - troquem experiências e encontrem soluções locais para problemas comuns.
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) será o primeiro hospital federal a ingressar na rede. Entre as metas cumpridas está o banimento de mercúrio. Termômetros e instrumentos para medir pressão que utilizavam o metal pesado foram substituídos por aparelhos digitais.
Outros objetivos foram alcançados: mais de 20 toneladas de lixo foram recicladas em 6 meses, o resíduo biológico, que chegava a 30% do lixo, foi reduzido para 11%, o consumo de energia e água baixou. "Há um esforço mundial para termos hospitais saudáveis e verdes. Para ingressar na rede, precisávamos cumprir dois objetivos; alcançamos quatro", diz o gerente de resíduos de saúde, Robson Monteiro.
Tendência. Cresce no setor de saúde iniciativas de hospitais sustentáveis. Reaproveitamento de água e iluminação natural já são corriqueiros nas novas obras. Mesmo os mais antigos se adaptam. No Hospital São Vicente de Paulo, na zona norte do Rio, erguido no fim dos anos 1970, a solução foi criar tetos verdes, que reduzem a temperatura interna entre 6°C e 8°C. Nas reformas, árvores nativas foram mantidas e incorporadas ao projeto arquitetônico.
Em dezembro, será inaugurado no Rio o primeiro hospital certificado pelo Green Building Council, organização que atesta se prédios são sustentáveis, desde a construção à operação. O Hospital Unimed-Rio, na zona oeste, custou R$ 100 milhões - entre 15% a 20% empregados em materiais e equipamentos com suficiência energética.
"Há uma questão de consciência pela sustentabilidade, mas também uma redução nos custos de operação", afirma Flávio Kelner, sócio diretor da RAF Arquitetura, que desenvolveu projetos de prédios verdes no Rio e em São Paulo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Civilização maia tinha método sustentável para gerenciar água. E o esgoto?


26/09/2012 - 16h00

Civilização maia tinha método sustentável para gerenciar água

RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1159596-civilizacao-maia-tinha-metodo-sustentavel-para-gerenciar-agua.shtml


Os antigos maias construíram um sistema hidráulico sofisticado e sustentável que foi sendo aperfeiçoado por mais de mil anos para servir a uma população crescente. O colapso posterior dessa civilização da América Central tende a ofuscar sucessos anteriores como esses.
Os detalhes desse sistema de coleta e armazenamento de água foram revelados por uma escavação arqueológica nas ruínas da antiga cidade de Tikal, na Guatemala, por uma equipe internacional de pesquisadores coordenados por Vernon Scarborough, da Universidade de Cincinnati, em Ohio, e descritos em artigo recente na revista científica "PNAS".
As descobertas incluem a maior represa antiga da área maia; a construção de uma barragem ensecadeira para fazer a dragagem do maior reservatório de água em Tikal, a presença de uma antiga nascente ligada ao início da colonização da região, em torno de 600 a.C., e o uso de filtragem por areia para limpar a água dos reservatórios. O sistema também tinha uma estação que desviava a água para os diferentes reservatórios de acordo com a estação e incluía um segmento de canal cortado na pedra.
Divulgação/Science
Templo no reino de Tikal, um dos mais importantes do perí­odo clássico da civilização maia
Templo no reino de Tikal, um dos mais importantes do perí­odo clássico da civilização maia

Também há evidências de reparos e ampliação do sistema, assim como plantio de vegetação para impedir a erosão do solo em torno dos reservatórios.
Com isso os maias, em torno do ano 700, podiam prover de água uma população estimada em 80.000 em Tikal. Há estimativas de que haveria 5 milhões de pessoas na região das planícies maias ao sul, uma população "uma ordem de grandeza da que é suportada na região hoje", escreveram Scarborough e colegas.
Durante uma sessão de escavação, mesmo na estação seca, a água ainda percolava em um dos locais de teste, e os trabalhadores locais preferiam tomar essa água em vez daquela disponível sua vila.
A área foi abandonada no final do século 9. Os motivos do colapso maia ainda são debatidos entre os pesquisadores.
"É um tópico muito difícil. Pode haver tantas explicações como existem arqueólogos trabalhando no campo. Minha visão pessoal é que o colapso envolveu diferentes fatores que convergiram de tal modo nessa sociedade altamente bem sucedida que agiram como uma 'perfeita tempestade'. Nenhum fator isolado nessa coleção poderia tê-los derrubado tão severamente", disse Scarborough à Folha.
"É importante lembrar que os mais não estão mortos. A população agrícola que permitiu à civilização florescer ainda é muito vital na América Central", diz ele; "o que entrou em colapso foi o seu nível de complexidade social.
Ele elenca entre as causas a mudança climática seca; "como eles eram muito dependentes dos reservatórios preenchidos pela chuva sazonal, vários anos de seca repetidos significariam desastre", diz o pesquisador. E justamente por serem inteligentes e criado um sistema hidráulico sofisticado, a população pode ter crescido muito além da capacidade do ambiente, dadas as limitações tecnológicas da civilização.
Além disso, diz o arqueólogo, é provável que a elite local não tomasse decisões sábias. "Aqui nos Estados Unidos parece que nós temos as três forças se repetindo-- e se nós no Ocidente tivermos um período de 1.500 anos de sobrevivência e sucesso como os maias, eu ficarei espantando", conclui Scarborough.

E o cigarro?

http://radio.estadao.com.br/audios/audio.php?idGuidSelect=72CA2D57736C4993847D4BA25988DCAB



Em 20 anos, redução em 10% da poluição em SP levaria à economia de US$ 10 bi com gastos em saúde

Pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP, Paulo Saldiva, responsável pelo estudo, diz que seria possível evitaria a mortalidade prematura de seis mil pessoas por ano.
Tópicos: poluicaosaude

PARQUE LINEAR TIQUATIRA



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Pedalada para a morte...


07/10/2012-05h30

Zona leste tem maior número de mortes de ciclistas em SP


COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DE SÃO PAULO

Um aviso para quem anda de bicicleta por São Paulo: a zona leste é a região mais perigosa da cidade para os ciclistas. Foram 55 casos de acidentes fatais entre 2009 e 2011, o índice mais alto da cidade. Ao todo, 159 ciclistas morreram na capital nesse período.
A pior situação foi registrada no bairro Jardim Helena, onde os acidentes já levaram à morte sete ciclistas.
Na sequência do ranking, aparecem as zonas sul e norte. O menor índice está na zona oeste e no centro.
Para o consultor de mobilidade urbana André Pasqualini, 38, a concentração de acidentes em regiões periféricas não chega a surpreender.
"São locais pontuais que não são preparados para bicicletas, mas concentram um número grande de ciclistas."
Para Pasqualini, a redução de acidentes passaria por usar os dados de onde eles ocorrem e precisar suas causas. "Deveria existir um plano viário concreto, baseado em educação, fiscalização e infraestrutura. Só assim os ciclistas poderiam se sentir mais seguros."
Joel Silva - 3.mar.2011/Folhapress
Ciclista anda pela movimentada avenida 23 de maio em maio, próximo ao Parque do Ibirapuera, em Sao Paulo
Ciclista anda pela movimentada avenida 23 de Maio, próximo ao Parque do Ibirapuera, em Sao Paulo
Entre as vias mais perigosas estão a rodovia Fernão Dias e a avenida Raimundo Pereira de Magalhães (zona oeste), com três mortes cada uma, e a avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na zona leste, com duas mortes.
SEGURANÇA
Considerando o total de acidentes com ciclistas, foram 1.727 entre 2009 e 2011, a maioria com carros ou ônibus.
O ciclista Daniel Freitas, 26, conta que se envolveu em um acidente leve na avenida Eliseu de Almeida (zona oeste) após discutir com o motorista de um ônibus por causa de uma "fina" que o veículo teria tirado da bicicleta.
"Parei na frente do ônibus para filmar a placa e ele me empurrou até derrubar a bicicleta", diz.
Para Freitas, a situação seria mais segura para os ciclistas se houvesse mais ciclovias na cidade -atualmente, são 60,4 km. Como comparação, Amsterdã, na Holanda, tem 400 km de ciclovias. (THIAGO AZANHA E VANESSA CORREA)
Editoria de Arte/Folhapress

'Não quero ser rotulado pelo símbolo da reciclagem'


02/09/2012-03h00

'Não quero ser rotulado pelo símbolo da reciclagem', diz designer





GARY ANDERSON
DEPOIMENTO PARA O "FINANCIAL TIMES"


Estudei engenharia na Universidade do Sul da Califórnia em um período nos EUA em que treinar jovens engenheiros era uma prioridade.
Foi nos anos que se seguiram ao Sputnik, e a filosofia era a de que o país corria risco de ficar para trás da Rússia na arena técnica. Isso posto, acabei trocando de curso e fui estudar arquitetura, que era mais tangível. Formei-me em 1971, e entrei no mestrado.
Foi mais ou menos nessa época que vi um cartaz divulgando um concurso para criar um símbolo que representasse o papel reciclado. Um dos meus cursos havia sido de design gráfico, por isso achei que podia arriscar.
Divulgação
Gary Anderson, à direita, com o símbolo que criou nos anos 1970
Gary Anderson, à direita, com o famoso triângulo de três setas, símbolo criado pelo arquiteto nos anos 1970
Não demorei muito a criar meu design --um dia ou dois. Odeio admitir, mas já tinha feito uma apresentação sobre papel reciclado e criado um gráfico do fluxo da água, por isso já tinha em mente as setas, arcos e ângulos.
O problema com meu design inicial era que ele parecia chato, bidimensional. Quando decidi me inscrever no concurso, lembrei de uma visita que tinha feito com a escola à gráfica de um jornal, onde vimos o papel acomodado àqueles grandes rolos de impressão.
Aquela imagem me inspirou --as três setas de meu esboço final pareciam tiras de papel. Eu as desenhei a lápis, depois tracei os contornos com tinta preta. Hoje, com os softwares gráficos, é raro um design seco como aquele.
Se me entusiasmei? Bem, sim --mas não muito. Acho que, àquela altura da vida, eu me achava importante demais. Parecia-me evidente que ganharia o concurso!
Quando concluí meus estudos, que queria trabalhar com planejamento urbano e me mudei para Los Angeles.
Realmente minimizava minha vitória naquele concurso. Tinha medo de que ela me fizesse parecer mais um designer que um planejador urbano. Nem a mencionava em meu currículo.
O símbolo tampouco ganhou força na hora. Lembro de tê-lo visto na fatura de um banco, mas depois ele desapareceu. Anos depois, em certo verão, viajei a Amsterdã de férias, e jamais vou me esquecer: ao desembarcar do avião, vi o meu símbolo, em um grande receptáculo para reciclagem em formato de iglu.
E o desenho era enorme! Fiquei realmente impressionado: tinha tirado aquele símbolo da memória por anos, e lá estava ele, na minha cara. Isso aconteceu há muito tempo. Depois, fiz meu doutorado e trabalhei para algumas empresas.
No momento, comando a filial de Baltimore de uma pequena companhia que trabalha para o Departamento de Defesa, o que é estranho, porque, quando jovem, eu não gostava dos militares.
Com relação ao movimento ambiental, tenho de admitir que minha carreira em geral esteve mais concentrada em pagar as contas.
No meu trabalho é ocasionalmente frustrante esbarrar em regulamentações ambientais. Não me entenda mal: é bom que elas existam. Mas excesso de regulamentação pode sufocar a inovação.
Hoje, me sinto mais próximo ao símbolo da reciclagem do que no passado. Talvez ele seja parte maior do que eu imaginava de minha contribuição ao mundo, mas ainda assim não gosto de imaginar que toda a minha vida de trabalho será definida por ele.
Fiz mais do que criar o símbolo da reciclagem.

Texto de Katie Engelhart, tradução de Paulo Migliacci.

Conheça as ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas de São Paulo


06/10/2012-14h55

Conheça as ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas de São Paulo


COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Os 11 milhões de habitantes de São Paulo contam com 60,4 km de ciclovias. São 203,7 km de infraestrutura cicloviária, incluindo ciclofaixas, em que uma faixa da rua é exclusiva para ciclistas, e ciclorrotas, que não são exclusivas para bikes.
A ciclorrotas é um percurso já consagrado pelos ciclistas, onde a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) implanta sinalização vertical com placas de regulamentação e advertência e pintura de solo, indicando aos ciclistas e motoristas que a via é uma rota para bicicletas na qual a atenção deve ser redobrada e a velocidade reduzida.
Quanto às ciclofaixas, existem 3,3 km que são definitivas, com funcionamento 24h todos os dias, no bairro de Moema e 67 km que são operacionais, com funcionamento aos domingos e feriados nacionais, das 7 às 16h.
Editoria de arte/Folhapress

Meta de proteção chega a US$ 600 bi


'Meta de proteção chega a US$ 600 bi'

Conferência da Biodiversidade começa hoje, na Índia, com objetivo de aprovar compromissos financeiros

08 de outubro de 2012 | 8h 43


GIOVANA GIRARDI - O Estado de S.Paulo
Começa hoje em Hyderabad, na Índia, a 11.ª conferência das partes da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) com o desafio de aprovar compromissos financeiros dos países para financiar metas de proteção da biodiversidade. Na reunião anterior, há dois anos, em Nagoya, no Japão, os 192 países-membros mais a União Europeia concordaram com as chamadas metas de Aichi (mais informações nesta página). São 20 compromissos, a serem atingidos até 2020, que têm como objetivo conter a perda de biodiversidade.
Cálculos feitos pela CDB, que serão apresentados durante a conferência, consideram que, em um pior cenário, os custos podem chegar a algumas centenas de bilhões de dólares. A mais cara das metas - a que prevê que 17% das áreas terrestres e 10% das marinhas e costeiras sejam protegidas (hoje o mundo tem cerca de 12,7% e 4%, respectivamente) - poderia chegar a US$ 600 bilhões. Isso se não houver políticas públicas que incentivem o desenvolvimento sustentável, explica Braulio Dias, secretário executivo da convenção.
Na entrevista a seguir, o brasileiro, que assumiu o cargo neste ano, explica como esses valores podem ser reduzidos.
Há dois anos, a conferência da biodiversidade terminou com o festejado protocolo de Nagoya, que definiu regras básicas para o acesso aos recursos genéticos da natureza e a repartição de benefícios provenientes de sua exploração. Na época, esperava-se que hoje ele já tivesse sido ratificado por 50 países para entrar em vigor. Mas, até agora, só o foi por 6. Isso é um mau sinal?
Acho que é natural. A ratificação de qualquer convenção ou protocolo internacional leva alguns anos, porque é preciso fazer consultas internas dentro do país aos vários setores que serão afetados, tem de fazer avaliações do marco legal nacional para ver a necessidade de fazer ajustes. Os países estão avançando internamente nessas discussões e a gente espera que até o final do ano mais uma dúzia de países tenha ratificado, atingindo um terço da quantidade necessária. A minha expectativa é de que, se continuarmos nesse ritmo, até a próxima conferência, em 2014, talvez consigamos alcançar as 50 e o protocolo entrará em vigor.
E como estão caminhando as metas de Aichi?
A implementação também não é uma tarefa fácil. O primeiro compromisso que os países assumiram foi de revisar as estratégias de planos nacionais de biodiversidade para alinhá-los com o novo plano estratégico da convenção e adotar metas nacionais de biodiversidade para 2020. Mas poucos países conseguiram concluir essa revisão. Paralelo a isso, iniciamos uma discussão sobre mobilização de recursos financeiros, porque se os recursos não forem dispostos vai ser muito difícil implementar essa agenda. Desde a COP-9 (em Bonn), em 2008, a gente vem conseguindo avançar. Na ocasião, aprovamos uma estratégia para mobilizar recursos, mas não incluía metas nem indicadores. Em Nagoya foi possível negociar indicadores, mas não metas financeiras.
Há uma estimativa de quanto custaria implementar todas as 20 metas?
Nós contratamos um estudo para tentar identificar quais seriam as necessidades de implementação das metas de Aichi que demandariam apoio do GEF, que é o fundo mundial para o meio ambiente e o mecanismo financeiro da convenção. Esse relatório vai ser apresentado agora para ser apreciado pelos países. Ele fala em algumas centenas de bilhões de dólares. O estudo olha meta por meta, tentando identificar quanto cada uma custaria para ser implementada, levando em conta diferentes cenários, dos mais aos menos otimistas. Porque esses custos dependem das condições políticas e econômicas de cada lugar. Só para ter uma ideia, para implementar a meta 11, que é a de áreas protegidas, a estimativa é que serão precisos até US$ 600 bilhões. Esse é o limite superior para a meta mais cara de implementação, considerando o cenário de business as usual, sem ajuda de políticas públicas voltada para um desenvolvimento sustentável. Entendendo que essa meta não é só expandir a representatividade dos sistemas nacionais de áreas protegidas, mas dar efetividade a todas as unidades de conservação. No entanto, se os países avançarem em promover reformas para que as políticas públicas cada vez mais promovam um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, o custo da implementação das metas de Aichi vai cair muito. Entre os esforços estão, por exemplo, a implementação de critérios de sustentabilidade nas contas públicas na compra de produtos da biodiversidade e a reforma de instrumentos econômicos que dão incentivos na área de pesca, de agricultura, de mineração. Mas, se não houver esse esforço, o custo será muito alto.
Até porque os países não estão muito dispostos a dar dinheiro para essas questões. Esse será o maior desafio da COP?
Certamente vai. Um dos resultados esperados da COP-11 é ter metas financeiras. Só que, infelizmente, isso está coincidindo com a crise econômico-financeira que ainda persiste. Então vai ser um grande desafio, vamos precisar de muita criatividade e boa vontade dos países para chegar num acordo.
O senhor falou que vai precisar de criatividade.
Acho que boa parte da solução para a mobilização dos recursos financeiros vai depender do nosso sucesso em dar mais centralidade e também transversalidade à questão. Fazer com que a biodiversidade receba uma atenção adequada nos outros setores. Não pode ser apenas a área ambiental que vai cuidar disso. Os setores que usam ou impactam a biodiversidade têm de assumir sua parcela de responsabilidade e, com seus recursos, ajudar a reduzir esses impactos. Estou falando de setor agrícola, de pesca, de floresta, de produção de energia, setor de mineração, petróleo e gás, transporte. Se tiver sucesso nisso, aí a gente divide os custos e passa a ser mais viável implementar essa agenda.
Como o senhor avalia a posição do Brasil nesse contexto?
Acho que o Brasil vem mostrando que é possível avançar, mas é preciso compromisso político dos governantes, participação e cobrança da sociedade civil e cada vez mais contar com a participação do setor privado.
Braulio Dias é biólogo.
Antes de assumir a CBD,
em janeiro, foi secretário de Biodiversidade e Florestas
do Ministério
do Meio
Ambiente.