domingo, 4 de dezembro de 2011

Conheça 10 animais que podem desaparecer em breve no Brasil


O bugio-marrom ( Alouatta guariba guariba ) sofre com a venda ilegal como animal de estimação, o que pode levar ao desaparecimento da espécie. Foto: Ironmanbr/Divulgação O bugio-marrom (Alouatta guariba guariba) sofre com a venda ilegal como animal de estimação, o que pode levar ao desaparecimento da espécie
Foto: Ironmanbr/Divulgação

Você sabia que o Brasil abriga 13% de todas as espécies já descritas pela ciência? E que aproximadamente 40% das florestas tropicais do mundo estão aqui? E você sabia que mais de 600 animais estão ameaçados de extinção no país? Esses são dados do Ministério do Meio Ambiente que mostram o lado obscuro da vasta biodiversidade brasileira.
O estudo que mapeia a nossa fauna em risco de extinção assusta. A Lista Vermelha brasileira registra 627 espécies que podem deixar de existir nos próximos anos. São 394 animais terrestres e 233 aquáticos. Todas as informações estão reunidas no Livro Vermelho, elaborado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio), segundo o qual, 64% dos animais em extinção estão na Mata Atlântica - resultado de desmatamentos, ocupação territorial pela população humana e poluição de rios e oceanos.
O que é ruim pode ficar pior: algumas espécies ainda ganham o carimbo CR ao lado de seus nomes, sigla em inglês para criticamente em perigo, ou criticamente ameaçado de extinção. No total, são 125 nesta situação.
Conheça agora 10 animais que estão criticamente em perigo e algumas medidas que podem evitar sua extinção nos próximos anos:
1 - Cuíca-de-colete (Caluromysiops irrupta)
A cuíca-de-colete pode morrer pela "preguiça". Com movimentos lentos e passando 70% do seu tempo em descanso, este mamífero tem sido alvo fácil para caças tornando-se uma das espécies ameaçadas de extinção no Brasil.
O animal vive no norte dos Estados do Maranhão e Ceará e se alimenta basicamente de frutas. Os machos são negros, com as extremidades dos membros, cauda e parte do dorso em tom ruivo e a lateral com pelos dourados. Já a coloração das fêmeas é, na maioria das vezes, pardo-amarelada, com uma tonalidade olivácea.
É o que explicam os biólogos Marcelo Marcelino de Oliveira e Juliana Gonçalves Ferreira, ambos do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros (CPB) que afirmam que em algumas localidades, como na serra da Ibiapaba (CE), parece existir uma caça preferencial por esses animais. No município de Cocal (PI), as últimas populações já estão condenadas a desaparecer muito em breve.
O que pode ser feito
Oliveira e Juliana salientam a importância da localização e do mapeamento das populações remanescentes da espécie, assim como a avaliação sobre a situação de ameaça em cada localidade. De acordo com eles, a fiscalização contra a caça é a principal estratégia de ação para a maioria das localidades, especialmente ao longo da serra da Ibiapaba (CE).
Em áreas muito fragmentadas, como as matas remanescentes no vale do rio Longá (PI), a criação de um conjunto de Unidades de Conservação é necessária para uma ação mais efetiva contra a caça, envolvendo principalmente as áreas de mata das fazendas desapropriadas para reforma agrária, tanto pelo governo federal quanto pelo estadual. Os pesquisadores afirmam que as populações que habitam a Área de Proteção Ambiental da Foz do Rio Parnaíba (PI) e a Reserva Extrativista da Foz do Rio Parnaíba (MA) já estão protegidas.
2 - Baleia-azul (Balaenoptera musculus)
Com o título de maior animal do planeta, a baleia-azul pode desaparecer do Brasil justamente por seu tamanho. Esses mamíferos medem entre 25 m e 30 m - sendo as fêmeas maiores e mais pesadas do que os machos. Todo este tamanho proporcionava um alto rendimento à atividade comercial baleeira até os anos 60, quando passou a ser protegida pela Comissão Internacional Baleeira (CIB).
Apesar de a baleia não ser mais capturada nos dias de hoje, segundo os biólogos Eduardo Sehhci, do Laboratório de Mamíferos Marinhos (Morg) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), e Paulo Ott, do grupo de estudos de mamíferos aquáticos do Rio Grande do Sul (GEMARS), a grande caça do passado é a principal responsável por sua extinção. Eles ressaltam que só nos anos de 1930 e 1931, mais de 30 mil exemplares foram caçados no mundo. Além disso, as capturas acidentais em equipamentos de pesca, colisão com embarcações e degradação do hábitat (poluição química e sonora) são outros fatores que representam risco para este mamífero.
Os pesquisadores afirmam que o animal migra sazonalmente para regiões polares ou subpolares, onde se alimenta no verão e início do outono, indo para os trópicos e subtrópicos para a reprodução no inverno e na primavera. No Hemisfério Sul, a localização precisa das áreas reprodutivas da espécie é ainda desconhecida. Mas já houve registos de sua aparição no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e na Paraíba, onde dois exemplares foram capturados comercialmente.
O que pode ser feito
Os pesquisadores salientam que, por se tratar de uma espécie migratória, sua conservação depende de acordos e esforços de proteção nacionais e internacionais. Dentre elas, pode-se destacar a necessidade de avaliar, em nível global, o número de capturas acidentais em atividades pesqueiras; atividades sísmicas e extrativistas (gás natural e petróleo); colisões com embarcações; degradação do hábitat; estimativas de parâmetros reprodutivos e taxas de crescimento populacional e determinação de rotas migratórias e áreas de concentração.
3 - Mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus)
O mico-leão-preto vive na Mata Atlântica e, em breve, pode desaparecer. Esta espécie de macaco está ameaçada devido à alteração do seu habitat natural, principalmente por desmatamentos. Os biólogos Claudio Padua e Cristiana Saddy, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), afirmam que a maior população da espécie ocorre no Morro do Diabo (SP). Esta Unidade de Conservação, gerenciada pelo Instituto Florestal de São Paulo (IF), abriga cerca de mil exemplares, que vivem em 37 mil hectares de floresta.
De acordo com os pesquisadores, este mamífero é considerado um fauni-frugívoro (que se alimenta de frutas), mas tem uma dieta influenciada pela sazonalidade de seu ambiente, que apresenta estações bem marcadas, utilizando os recursos alimentares de acordo com sua disponibilidade. São excelentes predadores, capturando aves e pequenos vertebrados. Com peso de cerca de 600g e atingindo a maturidade aos 18 meses de vida, o mico-leão-preto tem um período de gestação de cerca de 125 dias. Além disso, o gênero é considerado monógamo, e a reprodução ocorre sazonalmente.
O que está sendo feito
Um programa de conservação da espécie, chamado de Programa Integrado de Conservação do Mico-Leão-Preto, que inclui a criação de uma população de cativeiro, além do manejo genético e demográfico. Lá as principais resoluções para a espécie concentram-se em três tópicos básicos: a necessidade de manejar as pequenas populações isoladas como uma só, a fim de garantir sua sobrevivência; a expansão e criação de áreas protegidas para as espécies e melhor gerenciamento das já existentes; e o estabelecimento de programas com as comunidades locais, visando melhoria da qualidade de vida e ações de desenvolvimento sustentável.
4 - Bugio-marrom (Alouatta guariba guariba)
Pense duas vezes antes de comprar um bicho exótico para colocar de enfeite na sua casa. A fragmentação da Mata Atlântica, o desmatamento de grandes porções da cobertura vegetal nativa e, principalmente, o comércio ilegal do animal, que é vendido como bicho de estimação, podem resultar no desaparecimento do primata bugio-marrom da Mata Atlântica.
O biólogo André Hirsch, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) explica que a dieta deste mamífero é basicamente folívora, que se alimenta de folhas. Além disso, ele salienta que sua principal característica é o fato de as populações viverem em grupos de três a oito indivíduos. Hirsch afirma que a caça ilegal e os incêndios florestais, comuns na Mata Atlântica, têm resultado no desaparecimento do animal.
O que pode ser feito
De acordo com o pesquisador, as principais propostas para estratégias de conservação são estudos para o levantamento de possíveis populações remanescentes, principalmente no leste de Minas Gerais, vale do médio e baixo rio Jequitinhonha e centro-sul da Bahia. Com isso, deve ocorrer o desenvolvimento de um programa de criação em cativeiro, com cruzamento de indivíduos procedentes de localidades diferentes da área para aumentar a variabilidade genética.
5 - Rato-do-mato (Wilfredomys oenax)
Rato que não come queijo e nem vive escondido nas paredes da sua casa. Já viu? O Wilfredomys oenax é uma espécie encontrada em São Lourenço (RS), no Paraná e em São Paulo. O biólogo Rui Cerqueira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que este animal se alimenta somente de vegetais, folhas e frutos, e ainda mora na floresta. Grande roedor, esse mamífero pode sumir nos próximos anos.
Medindo cerca de 11 cm, com mais 2,5 cm de cauda, e pesando 1 kg, esta espécie está ameaçada principalmente por desmatamentos e destruição de seu habitat. Cerqueira afirma que ainda faltam mais estudos sobre este animal para que ele possa ser protegido de forma efetiva. Apesar de uma fêmea dar a luz até 10 ninhadas por ano, a possibilidade de extinção ainda é alta.
O que está sendo feito
Novos exemplares devem ser coletados para estudos citogenéticos e moleculares que permitam compreender melhor a espécie. O pesquisador afirma que a única informação ecológica é a sua ocorrência em florestas e um esforço deve ser feito nas poucas matas restantes para que se possa compreender melhor a biologia do animal. Segundo ele, no Uruguai um esforço de coleta de 4,4 mil armadilhas por noite resultou na captura de somente quatro exemplares. "Talvez um esforço maior de coleta permita a obtenção de mais exemplares e de estimativas de densidades populacionais. Só com essas informações uma estratégia efetiva de conservação é possível", diz.
6 - Lambari Hyphessobrycon taurocephalus
Ou esta espécie de peixe lambari já está extinta ou ela é muito tímida e anda se escondendo nas águas do rio Iguaçu (PR). Esta é a principal dúvida dos pesquisadores, que hoje se debruçam para achar e estudar a espécie em águas brasileiras. Este peixe é onívoro e seu tamanho médio é entre 10 e 15 cm de comprimento. O corpo é prateado, e as cores das nadadeiras variam, sendo mais comuns os tons de amarelo, vermelho e preto.
Hyphessobrycon taurocephalus é uma espécie pequena de lambari (até 5,5 cm de comprimento total). De acordo com os biólogos Luiz Fernando Duboc e Vinicius Abilhoa, do Museu de História Natural Capão da Imbuia (MHNCI), apesar do considerável esforço para conseguir amostras, nos últimos anos na bacia do rio Iguaçu, a espécie não foi reencontrada. Contudo, ainda restam muitas localidades na bacia do rio a serem adequadamente pesquisadas. Por conta disso, esta espécie tanto pode estar já extinta, como pode ocorrer em habitat muito específico.
A construção de barragens é um dos principais problemas enfrentados no rio Iguaçu, uma vez que resulta na perda de habitats. Além disso, as construções resultam em cursos de água menores que são prejudicais à espécie em função de volume reduzido de água e maior interface com o meio terrestre.
O que está sendo feito
Segundo os pesquisadores, atualmente os esforços são voltados para estudos sobre o conhecimento de aspectos biológicos e de distribuição atual da espécie, tendo em vista a incerteza quanto à sua real área de ocorrência.
7 - Cação-bico-doce (Galeorhinus galeus)
Caracterizado pelo pequeno tamanho da segunda nadadeira dorsal (bem menor que a primeira e semelhante ao da nadadeira anal) e pelos dentes fortemente serrilhados, este peixe vive na costa sudeste-sul do país e corre risco de extinção devido à pesca.
As biólogas Carolus Vooren, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Rosangela Lessa, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), explicam que o cação-bico-doce tem um ciclo de vida longo, podendo chegar até os 33 anos de idade. Atingindo comprimento máximo de 175 cm (machos) e 195 cm (fêmeas), esta espécie apresenta uma longa história de exploração em diversos países, para aproveitamento da carne e do óleo. No Atlântico Sul Ocidental, existe uma população regional distribuída desde o Rio Grande do Sul até a costa norte da Patagônia. A população migra para a Plataforma Sul no inverno, quando é alvo da pesca industrial com redes de arrasto e de emalhe.
Relatório do grupo de especialistas em tubarões (SSG, 2004) aponta que esta espécie apresenta colapso de seus estoques no Pacífico Oriental e no Brasil, enquadrando-a como espécie globalmente ameaçada. A espécie ainda sofre com a degradação de seu habitat. Os declínios populacionais mais marcados têm ocorrido no Brasil e no Uruguai, onde a Captura por Unidade de Esforço (CPUE), que consiste na pesca que mede a quantidade de espécie de peixe encontrada em determinada região, caiu para níveis próximos de zero.
O que está sendo feito
As pesquisadoras afirmam que atualmente não há medidas de conservação ou manejo estabelecidas no Brasil. Mas a proibição da captura do cação-bico-doce é recomendada em nível regional, envolvendo Brasil, Uruguai e Argentina.
8 - Borboleta Actinote zikani
O Brasil pode ficar menos colorido caso se confirmem os riscos de extinção das borboletas. Esse inseto é o que mais possui espécies ameaçadas na lista dos CR (criticamente em perigo) no Livro Vermelho. Ao todo são 20 tipos de borboletas, todas sem nome popular específico. Uma delas é a Actinote zikani.
De acordo com os biólogos André Freitas e Keith Brown Jr, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Actinote zikani é uma espécie bastante ligada a áreas de topo. No Brasil, ela habita uma área estreita da Serra do Mar, entre o alto da serra de Cubatão e Salesópolis (SP). Com as asas em tom de preto e amarelo queimado, essa borboleta deve desaparecer nos próximos anos por causa da poluição.
Freitas e Brown Jr afirmam que a degradação do habitat é o principal problema, sendo a poluição do Parque Industrial de Cubatão (SP) o maior deles, já que pode ter sido o responsável pelo desaparecimento da colônia dessa borboleta do Alto da Serra paulista.
O que está sendo feito
Os pesquisadores afirmam que atualmente ocorre uma manutenção de toda a faixa de floresta para garantir um habitat favorável à espécie na Serra do Mar, em São Paulo.
9 - Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)
A plumagem da cabeça e do pescoço é azul-esverdeada, o anel perioftálmico (região da cabeça) é amarelo e o resto do corpo é azul. Com as cores da bandeira do Brasil, a arara-azul-de-lear corre o risco de sumir do nordeste da Bahia, onde habita. O motivo? A captura para comércio ilegal.
De acordo com Yara Barros, da Coordenação de Proteção de Espécies da Fauna (Cofau) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a espécie foi descoberta na natureza apenas em 1978, no nordeste da Bahia, ao sul do Raso da Catarina, onde vive até hoje. Estimativas atuais indicam que a população é de aproximadamente 500 exemplares. A principal ameaça à espécie é a captura para o comércio ilegal, que tem sido muito frequente, principalmente pela ausência de ações de fiscalização regulares.
Há ainda outra razão para seu possível desaparecimento. O principal alimento da arara-azul-de-lear é o coco da palmeira licuri (Syagrus coronata), que está escasso. A falta deste alimento é um dos motivos de sua possível extinção, já que se estima um consumo diário de 350 cocos por arara adulta. O que ocorre é que há pouca regeneração da palmeira do licuri, principalmente por causa das queimadas e derrubadas para plantio de roças. A diminuição na quantidade de licuri disponível faz com que as araras busquem alimento em plantações de milho, onde acabam sendo alvejadas pelos produtores.
O que está sendo feito
Instituições como o Instituto Chico Mendes (ICMBio) realizam ações protetivas, como o fortalecimento da legislação vigente de proteção da fauna, em especial aquela referente à proteção da espécie e seu habitat. Entre elas, incentivo a práticas agrícolas eficazes e de baixo impacto ambiental, ampliação da extensão de áreas protegidas dentro da área de ocorrência da espécie, fiscalização efetiva, pesquisa biológica, incluindo manejo de ninhos, busca por novas populações, monitoramento do status populacional, mapeamento, monitoramento e manejo das áreas de alimentação. Além disso, estão sendo desenvolvidas ações como o estabelecimento de novos centros de reprodução em cativeiro, que conta atualmente com 39 exemplares dispersos pelo Brasil, Qatar e Inglaterra. A estratégia do programa é aumentar a população desta ave em laboratórios.
10 - Pato mergulhão (Mergus octosetaceus)
Esta ave é uma das mais ameaçadas de extinção em toda região neotropical por causa da interferência do homem em seu habitat. Já extinta na Argentina e Paraguai, o Mergus octosetaceus ainda existe no Brasil, mas somente em quatro Estados: Paraná, Minas Gerais, Goiás e Tocantins. Estima-se que existam menos de 250 aves no País.
De acordo com o biólogo Luís Fábio Silveira, da Universidade de São Paulo (USP), o pato-mergulhão é o único representante da Tribo Mergini em que o macho auxilia no cuidado com os filhotes. Alimenta-se principalmente de peixes, que pesca com o auxílio de seu bico serrilhado, em mergulhos feitos principalmente nos remansos. Silveira salienta que esta é uma espécie altamente exigente com relação à qualidade de seu habitat, necessitando de águas límpidas e não tolerando bem a presença humana. Segundo ele, este é o principal motivo que ameaça a vida dessas aves: não existe mais um habitat totalmente limpo.
O biólogo explica que as atividades de mineração, drenagem e agricultura foram desastrosas para a espécie. A construção de barragens, que altera todo o regime hidrológico dos rios, tem efeitos drásticos sobre estes animais, que não vive em lagos ou outros ambientes lênticos, onde a massa de água apresenta-se parada, sem correnteza. Isso foi o golpe final nas populações argentinas e paraguaias, e tal situação pode se repetir no Brasil, especialmente nas populações que ainda sobrevivem nas bacias dos rios Tocantins e Paraná.
O que está sendo feito
Apesar de sua raridade, só recentemente o pato-mergulhão foi objeto de iniciativas mais sérias com vistas à sua conservação. O Instituto Terra Brasilis conduz, desde 2001, um programa de pesquisas e educação ambiental na região do Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), onde vivem cerca de 40 casais da espécie. As principais estratégias para a conservação dessa ave referem-se à procura por novas populações e pesquisas sobre a sua história. São também importantes a criação de áreas protegidas nos locais onde a espécie ocorre, especialmente nos estados da Bahia e Tocantins. A ampliação dos limites do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) e a retomada dos limites do Parque Nacional da Serra da Canastra também são medidas importantes para a conservação desta espécie.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Entenda o que é a conferência do clima na África do Sul


30/11/2011 - 11h26

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1014319-entenda-o-que-e-a-conferencia-do-clima-na-africa-do-sul.shtml


A COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), que começou nesta segunda-feira na cidade sul-africana de Durban, enfrenta grandes desafios para manter viva a luta contra a mudança climática.



Veja as principais questões para entender a conferência:
1. Que é o COP-17?
É a 17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas. Realizada em Durban de 28 de novembro a 9 de dezembro, é o fórum multilateral mais amplo (com 195 países) para discutir e adotar medidas contra o aquecimento global.
2. Quais foram os resultados da COP-16 (cúpula anterior), realizada em 2010 em Cancún, no México?
A cúpula de Cancún devolveu a esperança de se obter um acordo internacional para a luta contra a mudança climática depois do fracasso da edição de Copenhague (COP-15).
Apesar de não ter apresentado solução à questão mais complexa --a renovação de um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto--, a reunião mexicana conseguiu despertar a vontade dos países emergentes de se comprometer com a redução das emissões, uma das principais exigências das economias ocidentais.
Além disso, foi criado o Fundo Verde para o Clima, que disponibilizará aos países em desenvolvimento US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 voltados para energias mais "limpas" e ao combate das alterações climáticas.
Cancún designou um Comitê Transitório para traçar os mecanismos do fundo, que canalizará as contribuições dos países ricos aos em desenvolvimento, cujo objetivo é criar um novo marco econômico em que todos concorram em igualdade de condições.
3. Quais são os grandes debates em Durban?
A renovação do Protocolo de Kyoto
O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que entrou em vigor em 2005, estabeleceu compromissos legalmente vinculativos de redução de emissões de gases do efeito estufa para 37 países desenvolvidos e a União Europeia. O acordo não foi ratificado pelos Estados Unidos e não obriga que China, Índia e Brasil o cumpram por serem economias emergentes.
O protocolo expira em 2012 e os negociadores estudam um segundo período de compromisso que sirva de transição para um novo acordo internacional juridicamente vinculativo.
Os países em desenvolvimento consideram imprescindível que as economias ocidentais ratifiquem esse segundo período de compromisso do Protocolo, enquanto Rússia, Japão e Canadá anunciaram que não renovarão o tratado enquanto seus concorrentes comerciais, China, Índia e Estados Unidos não assumirem compromissos similares.
A capitalização do Fundo Verde para o Clima
O Comitê de Transição, estabelecido por mandato da cúpula de Cancún e formado por especialistas de diferentes âmbitos, trabalhou durante este ano no desenvolvimento dos mecanismos do Fundo Verde.
As desavenças sobre as fontes de financiamento, a forma de acesso aos fundos, a participação da iniciativa privada e as ações que poderiam se beneficiar desses recursos acabaram impedindo um acordo a mais de um mês antes da reunião de Durban, com a recusa dos EUA e da Arábia Saudita em assinar o texto.
Os negociadores devem resolver suas diferenças para conseguir liberar as contribuições econômicas necessárias e estimular as economias em desenvolvimento a adotar compromissos.
A redução de emissões para limitar o aquecimento global a 2 graus centígrados
Os cientistas situam o limite máximo de aquecimento global em 2 graus centígrados sobre a temperatura anterior à era industrial como ponto ideal para que não haja consequências climáticas fatais. Para chegar a esse objetivo, os países devem analisar como reduzir ainda mais a emissão de gases causadores do aquecimento global.
4. E após Durban?
Os países voltarão a se reunir no Catar (COP-18) ao final de 2012. No entanto, caso não se acerte em Durban um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, ele expirará em 2012, invalidando o único acordo de vínculo legal para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Polvo sai da água e se arrasta em terra seca nos Estados Unidos


26/11/2011 - 12h08


DE SÃO PAULO


Polvo fora da água? Apesar de ser raro, o polvo costuma se aventurar em curtos passeios "terrestres".
A aventura foi gravada por uma família na Reserva Marina Fitzgerald em São Francisco, na Califórnia (EUA).
As pessoas não acreditavam no que viam. Espantadas, elas começaram a perguntar para o polvo: "Onde você está indo?".
O polvo ficou cerca de dois minutos fora da água e deixou para trás um caranguejo morto.
O vídeo já foi visto por mais de 3,8 milhões de internautas, principalmente, nos Estados Unidos, Canadá e Austrália.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ano de 2011 é o 10º mais quente; degelo no Ártico é recorde


29/11/2011 - 09h57




O aumento na temperatura tornou 2011 o décimo ano mais quente da história, segundo a WMO (World Meteorological Organization).
O relatório da agência de meteorologia ligada à ONU, que fornece um panorama do clima em nível global, indica também que a extensão do gelo ártico é o segundo menor.
Os dados, divulgados nesta terça-feira durante a COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), mostram que a temperatura sofreu uma pequena redução pela ação do La Niña, fenômeno que costuma provocar o resfriamento das águas do oceano Pacífico, mas ainda assim 2011 foi considerado quente para os padrões.
"Nossa ciência é sólida e prova inequivocadamente que o mundo está se aquecendo, e esse aquecimento é em razão da atividade humana", comentou o secretário-geral da WMO, Michel Jarraud.
Jarraud acrescentou que as emissões de gases-estufa estão em seus níveis mais altos, fazendo com que haja um aumento de 2 a 2,4 graus Celsius na temperatura global.
Segundo estimam cientistas, esse cenário pode levar a mudança profundas e irreversíveis do planeta Terra, da sua biosfera e de seus oceanos.
A WMO também alertou para o degelo que ocorre no Ártico. Em 9 de setembro deste ano, a área do gelo chegou ao patamar de 4,33 milhões de quilômetros quadrados.
O número é 35% inferior à média registrada entre 1979-2000 e um pouco mais do que o recorde mais baixo já registrado em 2007.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Senado aprova lei Antifumo para todo o país


http://noticias.r7.com/record-news/2011/11/24/direto-da-redacao-124/


O projeto proíbe fumar em locais fechados e prevê o aumento no preço do cigarro. A lei ainda precisa ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff.

Sr. Spock: Procura-se um novo planeta para moradia dos terráqueos poluidores...


Estudo identifica planetas com mais chance de vida extraterrestre


Atualizado em  24 de novembro, 2011 - 13:40 (Brasília) 15:40(Foto: Lynette Cook/ Nasa)


A lua de Saturno Titã e o exoplaneta Gliese 581g estão entre os planetas e luas mais propensos à existência de vida extraterrestre, segundo um artigo científico publicado por pesquisadores americanos.


O estudo da Universidade de Washington criou um ranking que ordena os planetas e satélites segundo a sua semelhança com a Terra e de acordo com condições para abrigar outras formas de vida.


Segundo os resultados publicados na revista acadêmica Astrobiology, a maior semelhança com a Terra foi demonstrada por Gliese 581g, um exoplaneta – ou seja, localizado fora do Sistema Solar – de cuja existência muitos astrônomos duvidam.
Em seguida, no mesmo critério, veio Gliese 581d, que é parte do mesmo sistema. O sistema Gliese 581 é formado por quatro – e possivelmente cinco – planetas orbitando a mesma estrela anã a mais de 20 anos-luz da Terra, na constelação de Libra.






Índice de Similaridade (Terra = 1)


Gliese 581g – 0,89


Gliese 581d – 0,74


Gliese 581c – 0,70


Marte – 0,70


Mercúrio – 0,60


HD 69830d – 0,60


55 Cnc c – 0,56


Lua – 0,56


Gliese 581e –







Condições favoráveis 


Um dos autores do estudo, Dirk Schulze-Makuch, explicou que os rankings foram elaborados com base em dois indicadores.


O Índice de Similaridade com a Terra (ESI, na sigla em inglês) ordenou os planetas e luas de acordo com a sua similaridade com o nosso planeta, levando em conta fatores como o tamanho, a densidade e a distância de sua estrela-mãe.


Já o Índice de "Habitabilidade" Planetária (PHI, sigla também em inglês) analisou fatores como a existência de uma superfície rochosa ou congelada, ou de uma atmosfera ou um campo magnético.

Também foi avaliada a energia à disposição de organismos, seja através da luz de uma estrela-mãe ou de um processo chamado de aceleração de maré, no qual um planeta ou lua é aquecido internamente ao interagir gravitacionalmente com um satélite.


Por fim, o PHI leva em consideração a química dos planetas, como a presença ou ausência de elementos orgânicos, e se solventes líquidos estão disponíveis para reações químicas.







Índice de Habitabilidade (Terra =1)


Titã – 0,64


Marte – 0,59


Europa – 0,49


Gliese 581g – 0,45


Gliese 581d – 0,43


Gliese 581c – 0,41


Júpiter – 0,37


Saturno – 0,37


Vênus – 0,37


Enceladus – 0,35


Fonte: Astrobiology


'Habitáveis'


No critério de habitabilidade, a lua Titã, que orbita ao redor de Saturno, ficou em primeiro lugar, seguida de Marte e da lua Europa, que orbita Júpiter.


Os cientistas acreditam que Europa contenha um oceano aquático subterrâneo aquecido por aceleração de maré.


O estudo contribuirá para iniciativas que, nos últimos tempos, têm reforçado a busca por vida extraterrestre.


Desde que foi lançado em órbita em 2009, o telescópio espacial Kepler, da Nasa, a agência espacial americana, já encontrou mais de mil planetas com potencial para abrigar formas de vida.


No futuro, os cientistas creem que os telescópios sejam capazes de identificar os chamados "bioindicadores" – indicadores da vida, como presença de clorofila, pigmento presente nas plantas – na luz emitida por planetas distantes.

Seminário da politica estadual de educação ambiental - Processo integrado para regulamentação


Estudante australiano cria moto ecológica movida a ar comprimido


28/11/2011 - 09h05



DA EFE


O protótipo de uma moto ecológica que funciona com ar comprimido e pode atingir uma velocidade de 100 km/h foi a estrela do salão internacional da motocicleta na Austrália.
Batizada de O2 Pursuit, a moto foi projetada pelo estudante australiano Dean Benstead no curso de desenho industrial da Universidade RMIT em Melbourne, no sul do país.
O jovem afirmou na apresentação que os testes com o protótipo, similar a uma moto de cross convencional de 250 cc e motor de ar comprimido de dez quilos, demonstram que o uso do ar é uma alternativa aos combustíveis fósseis e à eletricidade.

Agredir o meio ambiente também é desrespeitar o consumidor; ouça


28/11/2011 - 10h07

http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/1011997-agredir-o-meio-ambiente-tambem-e-desrespeitar-o-consumidor-ouca.shtml

DE SÃO PAULO

A colunista e blogueira da Folha, Maria Inês Dolci comenta como o recente vazamento de petróleo em uma área operada pela petrolífera americana Chevron, também representa um desrespeito ao consumidor.
"Desrespeitar o consumidor não significa somente atrasar a entrega de um produto, fazer um serviço incompleto ou cobrança indevida. Agredir o meio ambiente, também, porque vivemos todos no mesmo planeta", alerta a colunista.

Rogério Santana/Divulgação/Governo do Estado do Rio
Dolci ainda afirma, no podcast acima que o que a Chevron fez "é inaceitável" e merece "o repúdio do consumidor à sua marca, em todos os seus produtos".

Poluição do lago Shkodra


27/11/2011 - 10h00

Maior lago dos Bálcãs é devastado pela poluição



O lago Shkodra, o maior dos Bálcãs, localizado na fronteira da Albânia com Montenegro, sofre degradação devido ao acúmulo de resíduos industriais e de esgoto.
A poluição crescente ameaça a fauna e flora do lago, como atestam os pescadores locais. Para salvar o lago, a União Europeia e o Banco Mundial financiam projetos de despoluição.

Produtividade deverá compensar perdas com novo Código Florestal


27/11/2011 - 10h48

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1012681-produtividade-devera-compensar-perdas-com-novo-codigo-florestal.shtml

MAURO ZAFALON
COLUNISTA DA FOLHA


As acirradas discussões sobre o Código Florestal podem estar chegando perto do fim. Os problemas de adaptação às novas regras continuarão.
As perdas propaladas tanto por ruralistas como por ambientalistas, no entanto, não devem ocorrer.
Os parreirais da Serra Gaúcha e os cafezais dos morros do Espírito Santo não voltarão a ser reflorestados, o que seria ilógico se ocorresse. Mas também os elevados custos que os produtores anunciavam ter com a preservação ambiental não vão ocorrer.
Um dos pontos positivos da aprovação do novo Código Florestal será o de eliminar a insegurança jurídica do setor. O produtor terá regras claras e o poder público poderá exigir o cumprimento delas.
Pelo menos 3,5 milhões de produtores, entre pequenos e médios, poderão regularizar sua situação ambiental com as novas regras.
As áreas a serem recompostas, tanto as de beira de rios e de encostas de morros como as de reserva legal, não serão um grande peso para os produtores.
Na avaliação do ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, os pequenos produtores de grãos poderão recuperar pelo menos 60% da produção com aumentos de produtividade e cuidados maiores com a lavoura.
No caso dos grandes produtores, que têm tecnologias mais avançadas, o aumento de produtividade poderá compensar pelo menos 90% da perda de áreas que serão destinadas à preservação.
Os dados mostram que o país vem registrando forte aumento de produção, sem crescimento correspondente de área. Desde 1990, o país elevou em 28% a área agrícola e em 180% a produção.
A situação da pecuária é ainda mais favorável. Stephanes avalia que a busca de uma melhora nas pastagens pode levar a uma compensação de 100% das áreas que serão utilizadas para preservação ambiental.
José Vicente Ferraz, diretor da consultoria Informa Economics FNP, diz que o aumento de produtividade na pecuária é mais rápido e factível. Na agricultura, os aumentos de produtividade deverão ocorrer de forma mais lenta.
Na avaliação do ex-ministro, ganham todos: produtores e preservação ambiental. Os produtores tiveram exigências menores, principalmente nas áreas de preservação permanente, mas agora terão de respeitar esses limites. Se não houver a recomposição das áreas, as multas retornam, diz Stephanes.
Luciano Vacari, secretário-executivo de uma associação que representa pecuaristas de Mato Grosso, diz que "o setor terá de fazer correções de rumo, mas que os que descumprirem a lei terão de arcar com as consequências".
Ferraz não descarta que os efeitos das exigências do novo código possam chegar aos consumidores. O setor terá de fazer investimentos, e isso gera custos.
André Nassar, diretor-geral do Icone (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais), diz que a recomposição de áreas deverá ocorrer em pastagens não aptas à agricultura.
Isso pode estimular, ainda, produtores que têm áreas disponíveis para alugar a outros que precisarão de terras para regularizar sua situação.

Editoria de Arte/Folhapress

sábado, 26 de novembro de 2011

Que produtos químicos?


26/11/2011 - 11h43

Com alta de câncer, vizinhos de fábrica do RS querem indenização



Atualizado às 16h23.
Uma incidência anormal de casos de câncer entre vizinhos levou moradores de Triunfo (75 km de Porto Alegre) à Justiça contra as empresas de energia do Rio Grande do Sul.
A informação é de reportagem de Felipe Bächtold, publicada na edição deste sábado daFolha (íntegra
disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

As companhias CEEE e AES Sul mantiveram na cidade uma unidade de produção de postes de madeira que consumia pesados produtos químicos. A fábrica funcionou até 2005 e se transformou em uma espécie de depósito de resíduos industriais.
Os vizinhos contam que durante décadas não houve nenhum tipo de alerta sobre o risco do local, que só foi cercado recentemente. Até crianças brincavam no terreno.
A CEEE diz que não existe "comprovação direta" de que os produtos químicos tenham causado danos à saúde. Já a AES Sul disse que, em 2004, após saber da possibilidade de haver resíduos no solo "provenientes de antigos processos da usina", fez estudos técnicos que apontaram a necessidade de fechar a fábrica. No ano seguinte, a empresa isolou o local, sinalizou e comunicou as autoridades.

Felipe Bächtold/Folhapress
Portão da fábrica desativada em Triunfo (75 km de Porto Alegre); vizinhos pedem indenização por danos à saúde na Justiça
Portão da fábrica desativada em Triunfo (75 km de Porto Alegre); vizinhos pedem indenização por danos à saúde

Vizinhos de fábrica do RS querem indenização

Local tem indício de quantidade anormal de casos de câncer
Companhias de energia mantinham unidade de produção de postes na cidade de Triunfo; área virou depósito de resíduos

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/11293-vizinhos-de-fabrica-do-rs-querem-indenizacao.shtml

FELIPE BÄCHTOLD
ENVIADO ESPECIAL A TRIUNFO (RS)
Uma incidência anormal de casos de câncer entre vizinhos levou moradores no interior do Rio Grande do Sul à Justiça contra as empresas de energia do Estado.
As companhias CEEE e AES Sul mantiveram em Triunfo (75 km de Porto Alegre) uma unidade de produção de postes de madeira que consumia pesados produtos químicos.
A fábrica funcionou até 2005 e se transformou em uma espécie de depósito de resíduos industriais.
Nas proximidades, moram famílias de classe média baixa. Segundo os moradores, em quase todas há ao menos um caso de câncer.
"A maioria das viúvas é de marido que morreu de câncer", diz Carmen Silva da Rosa, 32. O pai dela também morreu devido à doença.
Os vizinhos contam que durante décadas não houve nenhum tipo de alerta sobre o risco do local, que só foi cercado recentemente. Até crianças brincavam no terreno.
Uma pesquisa que envolve várias instituições do Estado, com o apoio do CNPq, já apontou indícios de uma quantidade anormal de vítimas de câncer no local.
Um grupo da área de saúde foi montado para orientar a população a tomar medidas preventivas, como não consumir água de poços ou frutas das árvores.

INDENIZAÇÃO
Até agora, 69 famílias já ajuizaram pedidos de indenização contras as empresas.
O Ministério Público também foi à Justiça e pediu indenização de R$ 6 milhões. Há um mês, a Justiça concedeu liminar determinando que as empresas removam todo o material e o solo afetado. Segundo os promotores, houve dano também ao lençol freático. O prazo para que se comece o trabalho vence no final de dezembro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Austrália planeja criar maior parque marinho do mundo


25/11/2011 - 10h25

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1011887-australia-planeja-criar-maior-parque-marinho-do-mundo.shtml

DA REUTERS, EM CANBERRA

A Austrália decidiu nesta sexta-feira criar o maior parque marinho do mundo, a fim de proteger uma vasta extensão do mar de Coral, que banha o nordeste do país, e onde foram travadas acirradas batalhas na Segunda Guerra Mundial.
O ministro do Meio Ambiente, Tony Burke, disse que o parque terá quase 1 milhão de quilômetros quadrados --equivalente à França e Alemanha juntas-- e que protegerá peixes, arrecifes e locais de desova de aves marítimas e da tartaruga verde.
"O significado ambiental do mar de Coral está na sua diversidade de recifes de coral, bancos de areia, cânions e planícies abissais", disse Burke. "Ele contém mais de 20 exemplos excepcionais de isolados recifes tropicais, bancos de areia e ilhas."
O novo parque abrangerá também navios naufragados durante a Batalha do Mar de Coral, uma série de confrontos navais entre forças japonesas, norte-americanas e australianas, em 1942, no que foi considerada a primeira batalha envolvendo porta-aviões.
Pelo menos três navios dos EUA estão naufragados ali --USS Lexington, US USS Sims e USS Neosho--, segundo Burke.
O governo vai detalhar dentro de 90 dias os limites do parque, que ficará dentro da zona econômica marítima australiana. Atualmente, o maior parque marítimo do mundo fica em torno do arquipélago de Chagos, possessão britânica no Índico.