domingo, 6 de dezembro de 2015

Projeto da prefeitura pretender transformar o cemitério da Vila Formosa em parque, preservando a área de sepultamento

Piquenique e... velório: SP pode ter um cemitério-parque

Projeto da prefeitura pretender transformar o cemitério da Vila Formosa em parque, 

preservando a área de sepultamento


  • Fábio Santos
  • Elisa Feres
  • Victoria Matsumoto
Fábio Santos, Elisa Feres e Victoria Matsumoto
São Paulo
3 AGO2015
07h41
atualizado às 09h13
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Mais de 760 mil m². Quase 120 mil sepulturas e 105 mil ossários. Média de 60 enterros a cada 24 horas – número que faz os outros índices aumentarem dia após dia. Convenhamos, gerenciar e administrar o Vila Formosa não é tarefa fácil. Tanto que diversos problemas estruturais podem ser encontrados durante uma visita ao local. Parte deles tem sido enfrentada pelos responsáveis diretos, os administradores Antônio Targino da Silva (Formosa I) e Roberto Batista Ferrarezi (Formosa II), mas outra parte cabe ao Serviço Funerário do Município de São Paulo (SFMSP) – que garante ter projetos inovadores para a maior necrópole da capital.


Área de sepultamento do cemitério da Vila Formosa
Área de sepultamento do cemitério da Vila Formosa
Foto: Fábio Santos / Terra
Nesta gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), o Departamento de Cemitérios do setor é comandado por Frederico Jun Okabayashi, de 58 anos. Em entrevista à reportagem, o engenheiro – que antes atuava na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) – detalhou alguns dos planos que logo devem ser colocados em prática. E todos eles têm um ponto em comum: a busca pela sustentabilidade.
“Os cemitérios são responsáveis pela segunda maior área verde da cidade. Perdem apenas para os parques. Isso tem que ser aproveitado. Nossa ideia é utilizar o Vila Formosa o máximo que pudermos, inclusive como espaço de lazer. Queremos mudar o conceito dele para deixar de ser apenas necrópole e se transformar em cemitério-parque. Já estamos implantando sistemas de compostagem, sistemas de cisternas. E inauguramos também o ossário comunitário sustentável”, disse.
Aqui vale abrir parênteses. O processo de exumação funciona assim: após três anos, os restos mortais devem ser retirados da cova e encaminhados pela família a um ossário particular (taxa de R$ 47,38 por cinco anos de locação) ou ao ossário geral (sem custo). Atualmente, a estrutura desse último consiste em uma enorme caixa enterrada no solo, onde são depositados os ossos, acondicionados em sacos.


Ossários particulares no cemitério da Vila Formosa
Ossários particulares no cemitério da Vila Formosa
Foto: Terra
“Como só existe esse alçapão, ele é um depósito comum. Para os trabalhadores, o manuseio é difícil e o serviço pode ser insalubre. O novo sistema é, na verdade, um contêiner marítimo que fica acima do solo. Ele tem duas portas enormes que podem auxiliar na localização dos sacos de ossos e é mais iluminado e mais ventilado. Além disso, apoiamos a estrutura em troncos de eucalipto e a envolvemos com vegetação para integrá-la à natureza”, contou Frederico. Por enquanto, o sistema começou a ser implantado no Vila Formosa e no Campo Grande.
Mais para frente, novos projetos serão iniciados, entre eles a transformação em um cemitério vertical, ainda sem data prevista, e a demarcação de uma área de preservação ambiental.
“O Vila Formosa foi construído para atender o maior número de pessoas possível, especialmente entre a população mais carente. Entendemos que ele precisa ser melhorado em termos de estética. Eu gostaria de modificá-lo todo em termos paisagísticos e aproximá-lo dos particulares. É nosso objetivo maior. Precisamos modernizar”, concluiu Frederico.

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  • Bióloga explica 
    O discurso da bióloga da prefeitura Luciana Amorim está alinhado ao do diretor do SFMSP. Segundo ela, um dos principais desafios da atual administração é mesmo fazer com que essas áreas deixem de ser conhecidas apenas como zonas de sepultamento – e o Vila Formosa é uma das principais apostas do município. “O cemitério da Vila Formosa tem a característica de um cemitério-parque. O nosso desejo é que a população possa usufruir desse parque, contemplando a fauna e a flora do local”, disse.

    Se você passar pela região no início da manhã ou no fim da tarde, verá que isso já é uma realidade para alguns moradores do bairro, que se utilizam das áreas mais planas do terreno para caminhar e andar de bicicleta. Luciana acredita que essa é uma postura que deve ser incentivada, já que a cidade é tão carente de área verde.
    “Essa já é uma prática que vemos em outros países e é uma questão que será apresentada para a população. Com essa finalidade, vamos criar a primeira trilha ambiental, com a qual vamos convidar a população e até escolas para discutir as questões ambientais”, argumentou. “A área de trilha será dada em toda a parte de área verde onde não ocorrem enterros. Como o cemitério é muito grande, haverá espaço para todos os frequentadores com tranquilidade, sem que haja interferência na área de sepultamento”, completou.
    Terra

    domingo, 29 de novembro de 2015

    Relembre os principais desastres ambientais ocorridos no Brasil

    Relembre os principais desastres ambientais ocorridos no Brasil

    Criado em 28/11/15 15h00 e atualizado em 29/11/15 10h19 
    Por Portal EBC


    Considerado por especialistas e pelo próprio governo federal como a “maior tragédia ambiental da história do Brasil”, o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), no último dia 5, provocou a liberação de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos e a formação de uma onda de lama de aproximadamente 10 metros de altura, que deixou um rastro de destruição e morte. “É a maior catástrofe ambiental do país, isso é inegável. Eu vi o acidente. É impressionante o impacto na flora e nas atividades econômicas”, considerou a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira.

    Especialistas destacam que a grandiosidade dos danos se deve à amplitude dos impactos ambientais, bem como à variedade e à extensão atingida. “Trata-se de um desastre que além de trazer incalculáveis prejuízos ambientais, também acarreta prejuízos sociais, econômicos e culturais”, avalia Gustavo Souto Maior, do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília (UnB). “São várias as dimensões do desastre, que ainda está ocorrendo. Não consigo ver na história do Brasil nada parecido em termos de proporção”, complementa o especialista. Na lista abaixo, relembre outros desastres ambientais que ocorreram no Brasil e saiba porque o de Mariana é considerado o mais grave até hoje:

     

    1984, incêndio na Vila Socó

    Em fevereiro, um falha em dutos subterrâneos da Petrobras espalhou 700 mil litros de gasolina nos arredores da Vila Socó, em Cubatão (SP). Após o vazamento, um incêndio destruiu parte da favela. Foram contabilizados, oficialmente, 93 mortos.

    1987, Césio 137 em Goiânia

    Em setembro, um dos mais graves casos de exposição à radiação do mundo ocorreu em Goiânia (GO), por meio da contaminação pelo material radioativo Césio 137. Na ocasião, dois catadores de lixo arrobaram um aparelho radiológico nos escombros de um antigo hospital e encontraram um pó branco que emitia luminosidade azul. Os catadores levaram o material radioativo a outros pontos da cidade, contaminando pessoas, água, solo e ar. Pelo menos quatro morreram devido à exposição, e centenas de outras desenvolveram doenças. Em 1996, a Justiça condenou, por homicídio culposo, três sócios e um funcionário do hospital abandonado. A pena foi de três anos e dois meses de prisão. Porém, as penas foram trocadas por prestação de serviços voluntários.

    2000, vazamento de óleo na Baía de Guanabara

    Em janeiro, o Ibama aplicou duas multas à Petrobras, uma de R$ 50 milhões e outra de R$ 1,5 milhão, após o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo in natura na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (RJ). Um acidente com um navio petroleiro resultou no vazamento. O incidente causou morte da fauna local e poluiu também o solo em vários municípios, como Magé.

    2000, vazamento de óleo em Araucária


    Em julho, o Ibama aplicou três multas à Petrobras, totalizando R$168 milhões, pelo vazamento de quatro milhões de litros óleo na refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária (PR).

    2003, vazamento de barragem em Cataguases

    Em março, ocorreu o rompimento de barragem de celuluse na região de Cataguases (MG), com vazamento de 520 mil m³ de rejeitos compostos por resíduos orgânicos e soda cáustica. Os resíduos atingiram os rios Pomba e Paraíba do Sul, originando prejuízos ao ecossistema e à população ribeirinha, que teve o abastecimento de água interrompido. O incidente também afetou áreas do Estado do Rio de Janeiro. O Ibama aplicou multa de R$ 50 milhões à Florestal Cataguases e Indústria Cataguases de papel.

    2007, rompimento de barragem em Miraí

    Houve rompimento de barragem de mineração na região de Miraí (MG), com vazamento de 2.280.000 m³ de água e argila (lavagem de bauxita). O órgão estadual aplicou multa de R$ 75 milhões à empresa Mineração Rio Pomba Cataguases.

    2011, Chuvas na região serrana do Rio

    Em janeiro, em decorrência de um elevadíssimo nível de chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, uma série de deslizamentos e enxurradas destruiu casas nas regiões de encosta. Foram totalizadas aproximadamente 800 mortes. As chuvas, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, costumam ser as grandes causadoras de acidentes naturais. Em 2008, a região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, sofreu uma grande enchente, que resultou em mais de 100 mortes.

    2011, vazamento de óleo Bacia de Campos


    Em novembro, houve o vazamento de uma grande quantidade de óleo da Chevron na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro (RJ). O Ibama aplicou duas multas à empresa, uma de R$ 50 milhões e outra de R$ 10 milhões, pelo vazamento de 3,7 mil barris de óleo no Campo de Frade. Estima-se que a mancha provocada pelo vazamento no mar tenha chegado a 162 km², o equivalente a metade da Baía de Guanabara. Especialistas registraram uma grande quantidade de animais mortos nas áreas afetadas pela mancha. A empresa americana Chevron, responsável pela perfuração do poço que vazou, foi condenada a pagar uma indenização de R$ 95 milhões ao governo brasileiro para compensar os danos ambientais causados.

    2015, incêndio na Ultracargo

    Em abril, após incêndio no Terminal Alemoa, em Santos (SP), a empresa Ultracargo foi multada pelo órgão estadual de meio ambiente em R$ 22,5 milhões por lançar efluentes líquidos no estuário, em manguezais e na lagoa contígua ao terminal. A Ultracargo foi multada por lançar efluentes líquidos no estuário de Santos, em manguezais e na lagoa ao lado do terminal, além de emitir efluentes gasosos na atmosfera, colocar em risco a segurança das comunidades próximas, dos funcionários e de outras instalações localizadas na mesma zona industrial

    2015, rompimento da barragem de Mariana


    Barragem de Mariana - antes e depos
    Creative Commons - CC BY 3.0 - Barragem de Mariana - antes e depos
    Google Earth/ Divulgação
    Em novembro, o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) provocou a liberação de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos. “O Rio Doce já estava razoavelmente comprometido antes desse desastre, por fatores como poluição e assoreamento. Agora, com esta quantidade de lama acho muito difícil que muitos danos sejam reparados”, avalia Souto Maior.
    Em Minas Gerais, só nos últimos 14 anos, ocorreram “acidentes” na Mineração Rio Verde, em Nova Lima (2001), na Mineração Rio Pomba Cataguases, em Miraí (2007), e na Mineração Herculano, em Itabirito (2014).
    Por enquanto, a Samarco, responsável pelas operações de mineração, já recebeu cinco multas do Ibama, que somam R$ 250 milhões, e arcará com todos os custos indenizatórios individuais e coletivos e mais a recuperação ambiental da área impactada, de duração imprevisível.