sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dez razões para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente


Diminuição do desmatamento da Mata Atlântica, redução da emissão de gases e energia elétrica gerada do lixo são alguns dos dados positivos


5 JUN2015 07h30 atualizado às 11h03


O caminho para um mundo ecologicamente sustentável ainda é longo. Nem todas as notícias são boas: o Brasil continua desmatando muito e os países industrializados emitindo muitos poluentes.
Mas nesta sexta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, há conquistas a serem celebradas. E para dar mais ânimo aos ambientalistas e para que cada um continue a fazer sua parte, selecionamos 10 boas notícias no Brasil e no mundo.

1. Desmatamento da Mata Atlântica cai 24%
Apesar do descontentamento com o impasse na implementação do Código Florestal por parte de ONGs, existem conquistas a serem comemoradas. De acordo com estudo divulgado em maio pela Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento da região teve uma queda de 24% no período de 2013 a 2014. Baseado na análise de imagens de satélites, o levantamento registrou que os Estados que menos desmataram foram São Paulo, seguido de Rio Grande do Sul e Pernambuco.
Mesmo o campeão do desmatamento, o Piauí, teve um aumento no número de hectares preservados. Em entrevista concedida a veículos de comunicação, a diretora executiva da fundação, Marcia Hirota, afirmou que “preservar o que restou e restaurar o que se perdeu precisa ser uma agenda estratégica para o País”.
 Foto: Eco Desenvolvimento


2. Cresce o número de produtores orgânicos
Você já compra produtos orgânicos? Embora ainda mais caros, o mercado está em crescimento, e quanto mais gente consumir, a tendência é baratear. A adesão de produtores brasileiros aos orgânicos cresceu cerca de 51,7% entre janeiro de 2014 e janeiro deste ano. Além de alimentos mais saudáveis, os orgânicos promovem a conservação e a recomposição dos ecossistemas. Por região, o Nordeste é o que mais possui unidades de produção, seguido do Sul e Sudeste. A área total de produção orgânica no Brasil já chega a quase 750 mil hectares. Procure a feirinha orgânica perto da sua casa!
3. Compromissos para reduzir emissões de gases
Com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP21) em Paris no horizonte, países estão se comprometendo desde já a reduzir suas emissões de poluentes. A União Europeia (UE) propôs oficialmente corte de pelo menos 40% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2030, em relação a 1990. A UE foi um dos primeiros blocos a declarar proposta de redução de gases para o novo tratado global, que deve ser implementado em 2020. De acordo com a rede Observatório do Clima, o México foi o primeiro país em desenvolvimento a registrar a sua contribuição para o acordo. Os mexicanos se propõem a reduzir, também até 2030, 22% de seus gases de efeito estufa em relação ao que emitiriam se nada fosse feito. A COP21 ocorre em dezembro deste ano.
4. Mais energia solar
Hoje, menos de 1% da população brasileira usa a energia solar dentro de casa. Mas a previsão para os próximos anos é mais animadora: até 2050, ou seja, daqui 35 anos, cerca de 13% das casas no país utilizarão esse tipo de energia que, além de mais barata, é sustentável. Os dados foram divulgados neste ano pelo Plano Nacional de Energia 2050.
Ainda de acordo com o levantamento, estima-se que, até 2050, 24% do aquecimento de água dos domicílios seja feito usando o calor do sol, contra os atuais 5%. Com isso, o uso de eletricidade para esse fim cairá de 88%, em 2013, para 38% em 2050, liberando essa energia para outros usos.
 Foto: Eco Desenvolvimento
Em 2050, 13% das casas no Brasil utilizarão energia solar
Foto: Eco Desenvolvimento
5. Frigoríficos pelo Desmatamento Zero
Há alguns anos, foi lançado um levantamento pela ONG Greenpeace que mostra a relação entre empresas frigoríficas e o desmatamento da floresta amazônica. Após a divulgação, os três maiores frigoríficos do Brasil (JBS, Marfrig e Minerva) assumiram um compromisso de negociarem carne e couro apenas com fazendas que não recorressem ao desmatamento, uso de trabalho escravo ou invasão de áreas protegidas.
De acordo com a ONG, em 2015 as empresas divulgaram uma parte dos resultados do trabalho mais consciente, que mostra que eles têm cortado relações comerciais com fazendas que apresentam esse tipo de trabalho. Em depoimento ao site da ONG, Adriana Charoux, que faz parte da campanha, afirma que os frigoríficos têm equipes dedicadas a monitorar diariamente as fazendas de forma mais precisa.
6. EUA na liderança do debate climático
Maior economia e historicamente o maior emissor de poluentes, os Estados Unidos estão mudando de papel no debate climático. Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, os últimos anúncios referentes à redução de emissão de gases do país devem ser celebrados. Os EUA apresentaram um conjunto de ações com o objetivo de reduzir as emissões de metano, que hoje representam cerca de 10% dos gases de efeito estufa emitidos na região. As reduções prometidas vão de 40% a 45% até o ano de 2025, em relação aos índices de 2012. A Agência de Proteção Ambiental do país também deve introduzir normas específicas para novas instalações petrolíferas e de gás. As propostas serão feitas neste ano e as regulamentações devem começar a valer em 2016.
Em relação ao compromisso com a Cop21, em Paris, os Estados Unidos apresentaram às Nações Unidas sua proposta de contribuição. De acordo com a rede Observatório do Clima, o documento registra a meta, anunciada ainda em 2014, do corte de 26% a 28% das emissões do país em relação a 2005, sendo o prazo final o ano de 2025.
7. Gás gerado a partir do lixo vira energia no sul do País
Nesta semana, o Estado do Rio Grande do Sul recebeu a primeira usina de geração de energia feita a partir do gás de aterro sanitário do Estado. A construção está localizada em Minas do Leão, a cerca de 80 km de Porto Alegre. O projeto está habilitado pela ONU para a venda de créditos de carbono. Estima-se que 3,5 mil toneladas de resíduos sólidos que são recolhidos diariamente em cidades gaúchas sejam transformadas em energia limpa. A usina terá capacidade para abastecer uma cidade de até 80 mil habitantes e contou com investimento de R$ 30 milhões.
 Foto: Palácio Piratini / Divulgação
Usina no aterro sanitário em Minas do Leão pode abastecer cidade com 80 mil pessoas
Foto: Palácio Piratini / Divulgação
8. China pune usinas siderúrgicas poluidoras
A China, um dos países que mais geram poluentes ao planeta, também tomou medidas em 2015. O ministério do Meio Ambiente da China ordenou que governos locais em duas importantes regiões produtoras de aço tomem medidas mais duras contra usinas poluidoras como parte dos esforços feitos no país para a melhora da qualidade do ar. Segundo a agência de notícias Reuters Brasil, empresas chinesas teriam violado leis ambientais e até fornecido dados ambientais falsos. A China colocou em vigor uma nova legislação ambiental a partir deste ano e agora pode impor multas ilimitadas e penas de prisão a autoridades do país que não entrarem em conformidade com os novos padrões exigidos.
 Foto: Eco Desenvolvimento
Nova legislação ambiental na China permite impor multas ilimitadas e penas de prisão para quem desrespeitá-la
Foto: Eco Desenvolvimento
9. Investimentos em energia eólica
O Brasil deve alcançar, no próximo ano, a segunda ou terceira colocação no ranking de países que mais investem no aproveitamento dos ventos como fonte de energia, podendo subir para a sexta posição mundial em capacidade instalada. A previsão é da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).
De acordo com o relatório anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), no ano passado, o Brasil foi o quarto país no ranking de aumento da capacidade eólica. Em relação à capacidade instalada, ocupava a décima posição, subindo três colocações em relação a outros anos. Segundo o estudo, o Brasil é um dos mercados mais promissores para a energia eólica para os próximos cinco anos.
 Foto: Eco Desenvolvimento
Brasil foi o quarto país no mundo que mais aumentou a capacidade eólica.
Foto: Eco Desenvolvimento
10. Painéis solares mais baratos
Ter um painel solar na sua casa vai ficar mais barato. A isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a tecnologia é uma das conquistas deste ano. A possibilidade de gerar sua própria energia de maneira mais sustentável e democrática depende que seu Estado esteja entre os que aderiram à medida, como Pernambuco, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Informe-se: se o seu Estado não está na lista, é hora de pressionar o governo.


































5 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente

5 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente

O momento é de ação


O Planeta chega ao Dia Mundial do Meio Ambiente em momento crítico. É preciso agir e agir agora, para minimizar os impactos da sociedade de hoje sobre as futuras gerações.
Num momento em que a Natureza se apresenta especialmente inquieta, com manifestações causadas ou não pelo Homem – mas que cobram um preço alto em vidas –, tais como furacões furiosos, enchentes devastadoras, deslizamentos letais, invernos glaciais, chegamos ao Dia Mundial do Meio Ambiente chamando não somente à reflexão, mas, principalmente, à ação de todos em defesa da vida.

Todos temos como contribuir – direta ou indiretamente – para que as sociedades caminhem rumo à sustentabilidade e para que a harmonia entre o desenvolvimento socioeconômico e a conservação da natureza deixe de ser mera utopia.

Atitudes individuais e coletivas, como o consumo consciente no dia a dia e a exigência, pela população, do cumprimento das leis por órgãos governamentais em todos os níveis são fundamentais.

À iniciativa privada cabe não somente investir em conservação do meio ambiente, mas, principalmente, assumir uma postura de responsabilidade socioambiental, trabalhando de dentro para fora, com adequação de suas cadeias produtivas e meios de produção, distribuição etc.

À sociedade civil organizada, em especial às ONGs socioambientalistas como o próprio WWF-Brasil, cabe conceber e aplicar soluções, realizar campanhas, mobilizar e facilitar o engajamento de indivíduos, governos e iniciativa privada num esforço conjunto para o bem comum das gerações de agora e do futuro.

E tudo isto tem que ser feito agora.  A Natureza já nos envia seus sinais de alerta.

domingo, 31 de maio de 2015

Painéis solares fotovoltaicos

Painéis solares fotovoltaicos: conversores da luz do sol em energia elétrica

Quer saber mais sobre painéis solares? Entenda tudo sobre seus tipos, funções e vantagens

Já pensou em uma maneira mais sustentável de se obter energia? Uma das fontes alternativas e renováveis que vem crescendo e ganhando cada vez mais espaço entre os brasileiros é a solar. O Brasil é um excelente mercado para o setor energético, pois a radiação solar média que incide sobre a superfície do país é de até 2300 quilowatt-hora por metro quadrado (kWh/m²), conforme o Atlas Solarimétrico da Cepel.
Apesar de alguns incentivos à utilização deste tipo de energia renovável (importante por possibilitar uma diminuição das preocupações em relação aos reservatórios das usinas hidrelétricas, que nos últimos anos têm sofrido com a falta de chuvas e com o excesso de sol), ainda podem ser observadas algumas dúvidas nos consumidores e interessados em aplicar esse sistema em suas residências ou em suas empresas. Como ele funciona? Qual o custo de sua instalação? O retorno financeiro é vantajoso? Onde comprar? As perguntas são muitas. Bem, vamos às respostas!
Um sistema de energia solar fotovoltaico (ou “sistema de energia solar” ou ainda “sistema fotovoltaico”) é um modelo em que os componentes de seu kit funcionam de forma a realizar a captação da energia solar, e sua conversão em eletricidade. A energia produzida pode ser então utilizada no abastecimento da rede elétrica em larga escala, como acontece em usinas solares (setor energético comercial), mas também pode ser gerada em escalas menores, residenciais (energia solar para utilização doméstica). Além do sistema solar para geração de energia elétrica, há também aquele para energia térmica, que tem por objetivo a utilização da radiação solar para o aquecimento de água.
Os sistemas de energia solar fotovoltaica possuem alguns componentes básicos, agrupados em três diferentes blocos: o bloco gerador, o bloco de condicionamento de potência e o bloco de armazenamento. Cada grupo é formado por componentes com funções específicas.
• Bloco gerador: painéis solares; cabos; estrutura de suporte.
• Bloco de condicionamento de potência: inversores; controladores de carga.
• Bloco de armazenamento: baterias.

Os painéis solares são considerados o coração dos sistemas fotovoltaicos e fazem parte do primeiro bloco, o de geração de energia. Sua função específica é a de converter a energia solar em eletricidade. O número de painéis necessários varia de acordo com a demanda de energia da residência.

Como funciona?

Os painéis solares geram energia elétrica a partir do sol de forma muito simples. Além da energia fotovoltaica ser considerada limpa por não gerar resíduos para além das placas e não causar danos ao meio ambiente, os painéis que realizam a transformação da luz solar em energia elétrica demandam manutenção mínima. Um painel solar é formado por um conjunto de células fotovoltaicas que possuem elétrons (partículas de carga negativa que giram ao redor dos núcleos dos átomos) e esses, por sua vez, ao serem atingidos pela radiação solar, se movimentam gerando uma corrente elétrica. Por esse motivo, são necessárias inspeções periódicas para verificar se há acúmulo de poeira, folhas ou outros interferentes (como detritos de pássaros) sobre o painel. Geralmente a chuva é o suficiente para manter o painel livre de detritos, mas, quando não for, basta limpá-lo com um pano úmido e detergente neutro, sempre utilizando luvas de borracha e checando os fios soltos ou oxidados (o que acontece principalmente em regiões mais úmidas ou com maresia) para evitar acidentes.

Tamanho e vida útil

Os tamanhos e pesos dos painéis solares são bastante variáveis. Há vários tipos e variações, mas um painel possui, em média, aproximadamente um metro quadrado, e pesa pouco mais de 10 quilos. Um painel destas proporções possui cerca de 36 células fotovoltaicas, sendo capaz de produzir por volta de 17 volts, e uma potência de até 140 watts.
Os modelos existentes geralmente variam de cinco até 300 watts de potência máxima, dependendo da finalidade de seu uso, e da tecnologia adotada. Além disso, podem ser instalados diversos painéis fotovoltaicos, que podem ser organizados de formas diferentes, possibilitando que se trabalhe com muitas variações de sistemas de energia solar. Um painel solar tem vida útil de aproximadamente 25 anos, sendo bem prático por não precisar de manutenção pesada (lembrando que outros componentes do sistema podem ter uma vida útil maior ou menor em comparação a esse). O tempo de retorno doINVESTIMENTO, no sistema fotovoltaico é variável, e depende da quantidade de energia que o imóvel demanda. Apesar disso, a vantagem do sistema caseiro é a economia: uma vez atingido este tempo de retorno, a conta de energia não precisará mais ser paga. Energia do sol que se transforma em eletricidade “grátis”! Uma boa grana pode acabar indo para a poupança em vez de ser gasta sem trazer muitos benefícios.

Existem três tipos básicos de painéis solares fotovoltaicos

• Painéis solares monocristalinos
Apresentam alto rendimento, e são feitos de células monocristalinas de silício, ou seja, cada célula é formada por um único cristal desse elemento. O processo de fabricação desses painéis é complexo, pois exige a produção de cristais únicos de silício de alta pureza para cada célula fotovoltaica.

• Painéis solares policristalinos
Menos eficiente que o painel anterior; nos policristalinos, as células são formadas por diversos cristais, e não somente por um. O resultado final é uma célula fotovoltaica com aparência de vidro quebrado.

• Painéis de filme fino
O material fotovoltaico é depositado diretamente sobre uma superfície (podendo ser de metal ou de vidro), para formar o painel. Apesar de serem mais baratos, possuem uma eficiência energética muito menor, fazendo com que seja necessária uma área bem maior para compensar.

Como escolher?

A escolha do tipo e da quantidade de painéis a serem instalados depende então de diversos aspectos, tais como:
• Demanda de energia;
• Finalidade de uso da energia;
• Local da instalação do sistema;
• Espaço disponível.

Onde instalar?

Os painéis solares residenciais são geralmente instalados nos telhados (rooftop), porém, deve-se estar atento a algumas recomendações:
• A geração de eletricidade pelos painéis solares pode ser prejudicada por ventos, sombras e superfícies reflexivas, que interferem, diminuindo a eficiência do processo.
• É importante que haja uma boa circulação de ar no local, para que as células não superaqueçam.
• O telhado deve ser resistente ao peso dos painéis.
• A inclinação e a orientação dos painéis também podem interferir em sua eficiência. No caso do Brasil, localizado no hemisfério sul da Terra, o painel solar instalado deve ter a face orientada para o norte verdadeiro (que não é o mesmo norte dado pela bússola). Para países do hemisfério norte, o painel solar deve estar orientado para o sul verdadeiro. O norte magnético, para onde uma bússola padrão aponta, está alinhado com os pólos da Terra e está em constante movimento, apesar de leve. O norte real é o que você vê em um mapa de papel e é constante.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Instalação do primeiro ossário comunitário sustentável






14/05/2015 14h46

Instalação do primeiro ossário comunitário sustentável

cemitério Campo Grande

Imagem do post

O cemitério Campo Grande, zona sul da capital, recebeu, no último dia 9 de maio, o primeiro ossário comunitário sustentável para abrigar ossos exumados, o outro será instalado no próximo dia 19 de maio. Tendo em vista que a necrópole não tem mais espaço físico para armazenamento ou construção de ossário comunitário em concreto armado ou em alvenaria, os dois ossários comunitários sustentáveis terão capacidade para acomodar, aproximadamente, 7.000 ossadas, sendo que cada contêiner metálico tem 6 metros de comprimento, 2,44m de largura e 2,60m altura.
A superlotação dos ossários comunitários em concreto armado de todos os cemitérios ocorre por conta de que mais de setenta mil pessoas são sepultadas anualmente e, passados três anos, os corpos devem ser exumados, conforme previsto por lei. Entretanto, grande parte dos familiares não procura a administração para formalizar a exumação, seja para cremação ou para contratação de ossário individual, etapa que findaria o processo biológico. Assim, os corpos são exumados e seguem, com identificação, para os ossários comunitários, à medida que precisam ser liberadas as quadras para novos sepultamentos.
O ossário comunitário proposto é sustentável porque ele é transportável, mais rápido para se instalar, o material é reciclável, é mais econômico com relação ao ossário convencional, além de estar aterrado contra as descargas atmosféricas, possui maior iluminação e ventilação, portanto o ambiente interno é mais salubre e integra à paisagem verde do cemitério. A instalação de ossário comunitário sustentável se estenderá para outros cemitérios, assim como projeto paisagístico será adotado para os mesmos, visando integrá-lo ao cenário local. A medida inédita compõe o plano da gestão de encontrar soluções sustentáveis para os cemitérios municipais, tornando esses locais cada vez mais convidativos para a apropriação da população do entorno para uso desses espaços como parques, uma vez que agora integram o sistema de áreas verdes da cidade de São Paulo.

autor do projeto: Fred Okabayashi

sábado, 9 de maio de 2015

EM DEFESA DA ENGENHARIA

EM DEFESA DA ENGENHARIA - Manifesto das entidades independentes e representativas sobre o momento que atravessa a engenharia


Instituto de engenharia
A Nação Brasileira conseguiu desenvolver uma Engenharia de ponta, responsável por projetar e construir toda a infraestrutura do País e que acumulou tecnologia com competitividade excepcional, inclusive ao nível internacional. 
A Engenharia Brasileira, porém, encontra-se sob o ataque de alguns setores, que buscam identificá-la como a responsável pelos recentes acontecimentos, portanto entender quais são as causas que favorecem estes acontecimentos é o primeiro passo para conquistar a sua erradicação. 
Destacam-se, entre essas causas, a falta de planejamento no setor público e a não utilização da engenharia, com a contratação de obras sem estudo de projetos favorecendo os desvios e gerando problemas de toda ordem. O projeto de engenharia, contratado previamente, tendo como parâmetro a melhor solução técnico-econômica, com prazo e preço adequados ao seu desenvolvimento e embasados em estudos de todas as suas circunstâncias, é o instrumento básico para garantir uma obra de qualidade, construída no prazo e no custo adequado. 
A lei de licitação deve ser adequada e específica à contratação de obras e serviços de Engenharia. Projetos contratados pelo menor preço e sem distinção de qualidade, com prazos exíguos para o seu desenvolvimento e preços inadequados ao seu detalhamento, sem a identificação de interdependências e de interferências, entre outras questões correlacionadas, geraram e irão continuar a gerar empreendimentos que não saem do estágio inicial do projeto ou são paralisadas, como consequências desse modelo equivocado e repetido à exaustão pela administração pública. 
A valorização da etapa de projeto, contratado pela melhor solução técnico-econômica, com o prazo e preço adequados ao seu desenvolvimento e antes da execução do empreendimento, é o antídoto de que o Brasil precisa para evitar desvios e obras mal acabadas. 
Além disso, o Estado, sendo principal contratante de obras de infraestrutura, sofre ainda com a influência do processo político, que imprime uma visão de curtíssimo prazo, de olho no calendário eleitoral e incompatível com as necessidades da boa engenharia. 
Assim, corre-se o risco de se perderem os enormes esforços e a tecnologia e conhecimentos acumulados durante a realização das inúmeras obras de infraestrutura espalhadas por este País e que representam um capital inestimável para o Brasil, fatores imprescindíveis ao desenvolvimento e à competitividade internacional. 
Entretanto, a situação atual pode ser também a impulsionadora e a motivadora das mudanças necessárias e destinadas a valorizar a engenharia e a corrigir as imperfeições nas contratações de obras públicas. 
Os desvios e práticas nocivas ao interesse público devem ser corrigidos. Porém, em defesa dos interesses da sociedade, é fundamental preservarmos a nossa capacidade tecnológica e empresarial, visando ao desenvolvimento de nossa infraestrutura, à manutenção de empregos e da renda de milhares de brasileiros. 
Propomos mudanças nos procedimentos dos órgãos contratantes da administração pública, que, aplicadas, poderão em muito ajudar a Nação. 

• É preciso que as contratações sejam precedidas de estudos e projetos adequados. Os processos políticos e decisórios devem respeitar essas etapas iniciais. Os estudos de planejamento, viabilidade técnica, anteprojetos e projetos básicos e executivos devem ser realizados até o nível satisfatório para cada tipo de obra. 
• As licenças ambientais e exigências legais devem ser atendidas e obtidas com antecedência. Para isso, é necessário que se façam previamente todos os estudos ambientais, sociais e geofísicos necessários. 
• É essencial que as áreas a serem atingidas pelas obras sejam liberadas previamente. 
• Os órgãos contratantes devem conhecer antes as condições comerciais e os preços a serem pagos pelos serviços a serem adquiridos. Só assim teremos preços justos e obras concluídas. 
• Os órgãos de controle e fiscalização precisam adotar procedimentos realistas e ter conhecimento das condições de execução, evitando análises simplistas e controversas, que em geral conduzem a intermináveis demandas judiciais com custos elevadíssimos, resultando em obras inacabadas, danos financeiros irreparáveis, prejuízos para a sociedade e destruição das empresas. 
• Reduzir ao mínimo as contratações pelo menor preço, substituindo-o pelo critério de preço justo derivado dos anteprojetos e projetos básicos realizados de forma prévia e independente dos contratados para a sua execução. 
• Evitar a contratação por “pacotes” de obras, porém quando realizados por uma única empresa, subempreitar empresas menores por preços justos. Para isso, é preciso que os órgãos contratantes mantenham equipes técnicas de elevado conhecimento e capacitação, tal como, no passado recente as empresas estatais possuíam. 
• Todas as obras devem ser contratadas com o equacionamento financeiro definido, para que os pagamentos possam ser realizados em dia. Em casos de atrasos, que os encargos financeiros legais sejam assumidos pelo órgão contratante. 
• Nos casos de paralisação de obras, por problemas dos contratantes, que os custos fixos sejam também indenizados. 
• Valorizar a competência técnica da engenharia nacional, que sempre demonstrou capacidade em todos os desafios a que foi submetida. 
• Valorizar a engenharia consultiva ou de projetos, que é a fonte de modernização tecnológica do setor e permite a racionalização de todo o processo de implantação. 
• Valorizar a história das empresas e de sua solidez financeira, evitando-se o direcionamento de obras ou exigências descabidas para as contratações de obras públicas. 
• Rever, complementar e adequar os planos existentes; estruturar novos planejamentos e elaborar os projetos completos para as futuras contratações. 
• Liberar a execução de projetos, básicos ou executivos, para beneficiar a todos os atores do setor: aos profissionais, que teriam garantido sua remuneração e sobrevivência; às empresas, que teriam possibilidade de atravessar esse período crítico; e aos contratantes (governos, estatais e privados), que teriam assegurada uma biblioteca de projetos com quantitativos definidos, permitindo orçamentos mais precisos e menor risco quando da contratação dos empreendimentos. 
• Eliminar definitivamente a modalidade de pregão. 
• É imprescindível a adoção de novos paradigmas, que interrompam o ciclo de planejamento com cronogramas político-eleitorais ou de governo e iniciem uma nova fase mais realista. 

Essas são providências que poderão melhorar os processos de contratação, equalizar o custo das obras, evitar paralisações ou atrasos tão danosos à sociedade e imprimir transparência a todo o processo. E, ainda, que se faça um esforço em nível nacional para a solução das pendências e obras paralisadas para que a sociedade possa delas se beneficiar. 

Mas, importante e, sobretudo destacar, que todo esse ciclo de ineficiência só poderá ter fim, se também estiver amparado pelo devido reconhecimento e valorização da Engenharia como mola de progresso e desenvolvimento da sociedade, posto que o segmento seja indissociável do crescimento econômico do Brasil. 


São Paulo, 24 de Abril de 2015. 


Eng. Camil Eid 
Presidente do INSTITUTO DE ENGENHARIA (IE) 

Eng. Luiz Ary Romcy 
Presidente do CLUBE DE ENGENHARIA DO CEARÁ (CE-CE) 

Eng. Daniel de Oliveira Sobrinho 
Presidente do CLUBE DE ENGENHARIA DO PARÁ (CE-PA) 

Eng. Alexandre Jose Ferreira dos Santos 
Presidente do CLUBE DE ENGENHARIA DE PERNAMBUCO (CE-PE) 

Eng. Francis Bogossian 
Presidente do CLUBE DE ENGENHARIA DO BRASIL (CE-BRASIL) 

Eng. Nelson Luiz Gomez 
Presidente do INSTITUTO DE ENGENHARIA DO PARANÁ (IEP) 

Eng. Hilário Pires 
Presidente da SOCIEDADE DE ENGENHARIA DO RIO GRANDE DO SUL (SERGS) 

Eng. Augusto Celso Franco Drummond 
Presidente da SOCIEDADE MINEIRA DE ENGENHEIROS (SME)