quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sumiço de borboletas indica queda de biodiversidade na Europa

23/07/2013 - 13h19

Sumiço de borboletas indica queda de biodiversidade na Europa

DA DEUTSCHE WELLE
http://www1.folha.uol.com.br/dw/1315304-sumico-de-borboletas-indica-queda-de-biodiversidade-na-europa.shtml

Relatório indica intensificação da agricultura como um dos principais fatores para a diminuição das borboletas na região. Mudanças climáticas também contribuíram para sumiço de metade da população desses insetos.
Nas últimas duas décadas, a população de borboletas diminuiu 50% nas regiões de pradaria na Europa - principal habitat desses insetos no continente. Essa redução indica uma perda de biodiversidade preocupante na região, segundo o relatório da Agência Europeia do Ambiente, EEA, divulgado nesta terça-feira (23/07).
A pesquisa analisou dados de 1990 a 2011 sobre 17 espécies de borboletas em 19 países europeus. Esse tipo de inseto é um indicador importante para apontar tendências para outros insetos terrestres que, juntos, formam mais de dois terços de todas as espécies do planeta. Por isso, a agência usa as borboletas como base para medir a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas na Europa.
"Essa dramática redução de borboletas de pradaria é alarmante - em geral, esses habitats estão diminuindo. Se nós não conseguirmos mantê-los, nós poderemos perder muitas espécies no futuro", ressaltou Hans Bruyninckx, diretor executivo da EEA. Ele chama a atenção para a importância das borboletas e outros insetos na polinização. "O que eles carregam é essencial para os ecossistemas naturais e para a agricultura."
Das espécies analisadas, oito registram declíno, duas permaneceram estáveis e apenas a população de uma cresceu. O relatório não conseguiu observar a tendência das demais seis espécies examinadas.
AGRICULTURA
Os principais fatores para essa queda é intensificação da agricultura em regiões planas e de fácil cultivo, aponta o estudo. A prática deixa a terra estéril e prejudica a biodiversidade. Outros motivos seriam o abandono de terras em áreas montanhosas e úmidas, principalmente nas regiões sul e leste da Europa, devido à baixa produtividade. "Sem qualquer forma de administração nesses locais, a pradaria será gradualmente substituída por mato e floresta", indica o relatório.
Além disso, a intensificação e o abandono também são responsáveis pela fragmentação e o isolamento das regiões remanescentes. Dessa maneira, as chances de sobrevivência das espécies locais e de recolonização em áreas onde elas foram extintas ficam reduzidas.Os pesquisadores apontam o uso de pesticidas como outro vilão - levados pelo vento, eles acabam matando as larvas desses insetos.
"O Indicador Europeu de Borboletas de Pradaria pode ser usado para avaliar o sucesso de políticas agrícolas", afirma a EEA. Segundo o relatório, o financiamento sustentável de indicadores de borboletas pode contribuir para validar e reformar uma série de políticas e ajudar a atingir a meta dos governos europeus de reduzir a perda de biodiversidade até 2020.

CONTADORES DE BORBOLETAS
Estima-se que, das 436 espécies de borboletas presentes na Europa, 382 sejam encontradas em regiões de pradaria em pelo menos um país europeu. Desde de 1950, a vegetação sofre alterações devido ao uso do solo e, em alguns países, ela pode ser encontrada apenas em áreas de reserva natural atualmente.
Milhares de profissionais treinados e voluntários contribuíram para a realização do estudo: eles contaram borboletas em aproximadamente 3500 faixas de pradarias espalhadas pela Europa. Na região, o primeiro trabalho do tipo foi feito pelo Reino Unido, em 1976.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Oslo é uma cidade que importa lixo

18/06/2013 - 03h00

Noruega importa lixo para produzir energia

DO "NEW YORK TIMES"

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/06/1296446-noruega-importa-lixo-para-produzir-energia.shtml

The New York Times
Oslo é uma cidade que importa lixo. Parte vem da Inglaterra, parte vem da Irlanda e parte vem da vizinha Suécia. Ela inclusive tem planos para o mercado americano.

"Eu gostaria de receber alguma coisa dos Estados Unidos", disse Pal Mikkelsen em seu escritório, numa enorme usina na periferia da cidade, onde o lixo é transformado em calor e em eletricidade. "O transporte marítimo é barato."
Oslo, onde metade da cidade e a maioria das escolas são aquecidas pela queima do lixo -lixo doméstico, resíduos industriais e até resíduos tóxicos e perigosos de hospitais e apreensões de drogas-, tem um problema: o lixo para queimar se esgotou.
O problema não é exclusivo de Oslo. Em toda a Europa setentrional, onde a prática de queimar lixo para gerar calor e eletricidade disparou nas últimas décadas, a demanda por lixo é muito superior à oferta.
A meticulosa população do norte europeu produz apenas cerca de 136 milhões de toneladas de resíduos por ano, muito pouco para abastecer usinas incineradoras capazes de consumir mais de 635 milhões de toneladas.
"Mas os suecos continuam a construir [mais usinas], assim como a Áustria e a Alemanha", disse Mikkelsen, 50, engenheiro mecânico que há um ano é o diretor-gerente da agência municipal encarregada da transformação de resíduos em energia.
De navio e de caminhão, incontáveis toneladas de lixo viajam de regiões onde há excesso de resíduos para outras que têm capacidade para queimá-las e transformá-las em energia. A maioria das pessoas no país aprova a ideia.
Os ingleses também gostam. A empresa de Yorkshire que lida com a coleta de lixo no norte da Inglaterra atualmente embarca até 907 toneladas de lixo por mês para os países do norte da Europa, incluindo a Noruega, de acordo com Donna Cox, assessora de imprensa da prefeitura de Leeds. Um imposto britânico sobre os aterros sanitários faz com que seja mais barato enviar o lixo para lugares como Oslo.
The New York Times
Energia gerada com lixo em usina de Oslo aquece metade da cidade
Energia gerada com lixo em usina de Oslo aquece metade da cidade
Para alguns, pode parecer bizarro que Oslo recorra à importação de lixo para produzir energia. A Noruega está entre os dez maiores exportadores mundiais de petróleo e gás e tem abundantes reservas de carvão e uma rede de mais de 1.100 usinas hidrelétricas em suas montanhas, ricas em água.
Mikkelsen, no entanto,disse que a queima do lixo é "um jogo de energia renovável para reduzir o uso de combustíveis fósseis".
Já Lars Haltbrekken, presidente da mais antiga entidade ambientalista da Noruega, afirmou que, do ponto de vista ambiental, a tendência de transformar resíduos em energia constitui um grande problema, por gerar pressão pela produção de mais lixo.
Numa hierarquia de objetivos ambientais, disse Haltbrekken, a redução da produção de resíduos deveria estar em primeiro lugar, ao passo que a geração de energia a partir do lixo deveria estar no final. "O problema é que a nossa prioridade mais baixa conflita com a mais alta", disse ele.
Em Oslo, as famílias separam seu lixo, colocando os restos de comida em sacos plásticos verdes, os plásticos em sacos azuis e os vidros em outro lugar. Os sacos são distribuídos gratuitamente em mercearias e outras lojas.
Mikkelsen comanda duas usinas. A maior delas usa sensores computadorizados para separar os sacos de lixo codificados por cor.
A separação do lixo orgânico, incluindo os restos de comida, passou a permitir que Oslo produza biogás, o qual já abastece alguns ônibus no centro da cidade.
Outras áreas da Europa estão produzindo grande quantidade de lixo, incluindo o sul da Itália, onde lugares como Nápoles pagaram a cidades da Alemanha e da Holanda para que aceitem seus resíduos, ajudando a neutralizar uma crise napolitana na coleta do lixo. No entanto, embora Oslo tenha cogitado receber o lixo italiano, a cidade preferiu continuar com o inglês, considerado mais limpo e seguro. "É uma questão delicada", diz Mikkelsen.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Não comerás carne…

Ambiente
22/7/2013 - 08h40

TERRAMÉRICA – Não comerás carne…


http://envolverde.com.br/ambiente/nao-comeras-carne/

por Emilio Godoy*
VacasHolsteinBigstock TERRAMÉRICA   Não comerás carne...
Exemplares de gado Holstein submetidos a criação intensiva. Foto: Bigstock
Na obesa sociedade mexicana, o movimento Segunda sem Carne começa a sacudir os maus hábitos.
Cidade do México, México, 22 de julho de 2013 (Terramérica).- O décimo primeiro mandamento poderia ser: “não comerás carne… pelo menos um dia por semana”. Esse objetivo, modesto em um mundo cada vez mais carnívoro, é buscado por um movimento que ganhou força nos Estados Unidos em 2003 e que se estende lentamente na América Latina, com presença no México, Panamá e Brasil.
“É uma ferramenta para convidar as pessoas a variarem, de forma simples, sua dieta e diminuir o consumo de carne”, disse ao Terramérica a presidente do capítulo mexicano do Segunda sem Carne, Ana Arizmendi. “E chega em um momento muito conjuntural: o país tem uma crise de saúde pública, e tanto os indivíduos como as instâncias políticas e privadas estão muito receptivas a se abrirem a alternativas saudáveis”, acrescentou. Esse problema é a obesidade.
Este país com mais de 118 milhões de habitantes é um dos mais gordos do mundo, superando inclusive os Estados Unidos, afirma o documento O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação 2013, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A obesidade afeta 32,8% das pessoas adultas, e mais de 30% das crianças entre cinco e 11 anos são obesas ou têm sobrepeso, afirma a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição 2012. Pelo menos 6,4 milhões de mexicanos sofrem de diabete.
“A raiz da obesidade é multifatorial, e uma delas é balancear muito mais nossa alimentação e reduzir o consumo de carne e embutidos”, afirma a nutricionista, formada na Universidade de León, na Espanha, e responsável pela iniciativa no México desde 2011. O Segunda sem Carne tem uma origem remota, a Primeira Guerra Mundial (1914-1919), quando o governo dos Estados Unidos começou a promover uma queda no consumo popular de carne e de trigo para aumentar as reservas de suas tropas e aliados.
O ex-publicitário norte-americano Sid Lerner ressuscitou o conceito em 2003, em associação com o Center for a Livable Future, da Universidade Johns Hopkins. A campanha defende uma redução na ingestão de carne vermelha para minimizar o risco de diabetes, hipertensão, câncer e doenças cardiovasculares, e também para reduzir os impactos ambientais da pecuária intensiva.
A FAO estima que a indústria de carnes responda por um quinto dos gases-estufa liberados por atividades humanas. O gado necessita de muita mais água do que as hortaliças e os cereais e sua produção também implica grande consumo de combustíveis fósseis.
Além disso, na carne “muitas vezes se usa glutamato monossódico, e esse aditivo contém riscos para a saúde. Promovemos que se evite o consumo de alimentos e bebidas industrializadas, por conterem quantidades altíssimas de gordura, sal e açúcar”, disse ao Terramérica a pesquisadora em saúde alimentar da organização O Poder do Consumidor, Katia García. Para ela, se deveria retornar aos hábitos da dieta tradicional mexicana, “alta em fibra, vitaminas, minerais e proteínas de grande valor nutritivo, e consumo apenas de água potável”.
O Poder do Consumidor é uma das 22 organizações que formam a Aliança pela Saúde Alimentar que conduz a campanha contra bebidas gasosas intitulada “Você comeria 12 colheres de açúcar?”. A atenção com os diabéticos custou aos cofres mexicanos US$ 3,872 bilhões em 2012, segundo estimativas da Pesquisa Nacional. Contudo, não é fácil mudar os hábitos. “Não há um estilo alimentar único, nossa responsabilidade é encontrar o que nos mantenha saudáveis”, opinou Arizmendi, cujos pacientes são majoritariamente mulheres entre 25 e 45 anos.
Este ano, o Segunda sem Carne prepara um intenso programa de difusão por internet e redes sociais, junto com capacitação para promotores, cursos e painéis em escolas e restaurantes de empresas. “Ainda não conseguimos que algum município se comprometesse em ter segundas-feiras sem carne, mas agora queremos fazer esse tipo de difusão municipal e em empresas e escolas. É algo novo, e tem muito campo para percorrer”, ressaltou Arizmendi, que se declara onívora.
Nos Estados Unidos, o movimento organiza uma campanha dirigida à comunidade hispânica, que imitou os maus hábitos da mesa norte-americana, repleta de gorduras, sal, açúcar e farinhas. Deste lado da fronteira, o fenômeno se repete. Conforme melhorou a renda média das famílias mexicanas nas duas últimas décadas, aumentou o consumo de carnes, um símbolo de ascensão social.
Em 1970, o consumo de carnes era de 23 quilos por pessoa, em 1990 subiu para 34, e agora é de 63 quilos, segundo o Serviço de Informação Agroalimentar e Pesqueira. A carne de ave encabeça as preferências da dieta carnívora mexicana, com 29,5 quilos, seguida da bovina, com 17,4, e da suína, com 15 quilos. Na América Latina, o Uruguai é o campeão do consumo de carnes, com 98 quilos por pessoa, seguido de Argentina, com 96,9, Brasil, com 85,3, e Chile, com 73,9.
A variedade da gastronomia mexicana oferece muitas opções apetitosas e nutritivas. “Pode-se misturar um cereal e uma oleaginosa. Por exemplo, as proteínas da tortilha e do feijão se complementam e aumentam seu valor proteico. É importante o consumo de proteína para evitar algum tipo de deficiência, e a proteína vegetal tem maior benefício”, afirma García.
Muitas celebridades aderiram ao Segunda sem Carne, presente em mais de 23 países. E são várias as cidades que adotaram a iniciativa em hospitais, escolas, escritórios e restaurantes. O governo mexicano prepara uma política específica para a obesidade, que incluirá medidas reguladoras para os alimentos. Envolverde/Terramérica
* O autor é correspondente da IPS. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

É o sal de cozinha, e não a comida industrializada, a principal fonte de sódio dos brasileiros.

21/07/2013 - 02h01

Um quarto do sódio ingerido no Brasil vem de comida processada

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/07/1314065-um-quarto-do-sodio-ingerido-no-brasil-vem-de-comida-processada.shtml

É o sal de cozinha, e não a comida industrializada, a principal fonte de sódio dos brasileiros. Ele responde por 71,5% do total do nutriente ingerido no país.
A conclusão é de estudo da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) com base em dados do IBGE de 2008 e 2009, obtido com exclusividade pela Folha. Os resultados têm aval do Ministério da Saúde.
Cada brasileiro consome, em média, 4,46 gramas de sódio por dia-o equivalente a 11,38 gramas de sal. O limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde é menos da metade: 5 g de sal (equivalente a 2 g de sódio).
Editoria de Arte/Folhapress
O nutriente é associado a maior risco de pressão alta e de doença cardiovascular.
Os produtos da indústria responderam por 23,8% do total da ingestão de sódio. "Essa acusação pesada em cima de nós, de que respondíamos por 80% do sódio consumido, se mostrou inverídica. Os dados do IBGE são insuspeitos", afirma Edmundo Klotz, presidente da Abia.
Segundo ele, as constatações do estudo não alteram o acordo com o Ministério da Saúde de reduzir 20.491 toneladas de sódio dos alimentos processados até 2020.
Pelo cronograma, o macarrão instantâneo deve estar hoje com 32,4% a menos de sódio, e a margarina vegetal deve chegar ao fim do próximo ano 57% menos salgada.
Eduardo Nilson, coordenador substituto de alimentos e nutrição do Ministério da Saúde, diz que Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já está recolhendo amostras e verificando rótulos para checar se o acordo está sendo cumprido.
Para o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), as metas estabelecidas são "tímidas", mantendo o consumo de sódio elevado e com pouca alteração do cenário atual do mercado.
Danilo Bandeira/Editoria de Arte/Folhapress
Sophie Deram, nutricionista do ambulatório de obesidade infantil do HC da USP, levanta uma outra questão: alimentos que ficaram fora do acordo, como alguns refrigerantes e sucos diet e light.
"São supostamente saudáveis, mas estão cheios de sal. A indústria baixou os níveis, mas há ainda muito sódio escondido", afirma.
Nilson, do ministério, diz que, em um primeiro momento, houve a necessidade de priorizar alimentos industrializados mais consumidos, mas que outras categorias podem entrar em acordo futuro.
Segundo o estudo da Abia, a maior parte do sódio foi consumida nas residências, sendo 59,7% do sal de cozinha. Outros 11,8% vieram do sal adicionado à alimentação fora de casa.
"Foi uma surpresa a indústria responder só por um quarto do sódio, e o sal de cozinha ser o grande vilão", afirma o endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do HC.
Na sua opinião, fica evidente a necessidade de campanhas públicas para a redução do sal no preparo e no consumo de alimentos. O ministério diz que já existem campanhas do gênero voltadas para mães e escolares.
"A população tem tendência de colocar muito sal nos alimentos e ainda adicionar mais quando come fora", afirma Sophie Deram, francesa.
Alguns restaurantes de São Paulo já estão retirando o sal da mesa, e só o colocam à pedido do cliente. O advogado Carlos Nunes, 56, diz que se surpreendeu com a novidade em um restaurante do Itaim (zona oeste de São Paulo).
"Colocava sal antes mesmo de experimentar a comida. Agora penso duas vezes."
A região Norte registrou o maior volume de consumo de sódio do país, com 5,41 g por habitante por dia (13,8 g de sal). Só o sal de cozinha respondeu por 10,8 g. Já no Sudeste, os alimentos industrializados foram responsáveis por 29,6% do sódio ingerido.

sábado, 20 de julho de 2013

15 novas espécies de aves são descritas na Amazônia

15 novas espécies de aves são descritas na Amazônia


Publicação conjunta de quatro grupos de pesquisadores traz a maior quantidade de espécies inéditas de uma vez só desde 1871

17 de julho de 2013 | 2h 07

Giovana Girardi - O Estado de S.Paulo
Choquinha-do-rio-roosevelt (Epinecrophylla dentei), achada na região do Rio Aripuanã - Fabio Schunck/Divulgação
Fabio Schunck/Divulgação
Choquinha-do-rio-roosevelt (Epinecrophylla dentei), achada na região do Rio Aripuanã
De uma tacada só, 15 novas espécies de aves foram descritas na Amazônia brasileira em uma edição especial doHandbook of the Birds of the World, uma espécie de enciclopédia com todas as aves conhecidas do mundo.

Lançada no fim de junho, a publicação traz as descobertas que quatro grupos de ornitólogos do Brasil e do exterior fizeram nos últimos anos. 

A quantidade surpreende. Desde 1871 não eram descritas tantas espécies de aves brasileiras de uma vez só, em uma única obra. Não é à toa. Apesar de na Amazônia não ser raro de vez em quando descobrir um bicho novo, as aves são o grupo animal mais bem conhecido em todo o mundo. Então não é de se esperar tantas novidades.

Foi justamente para causar esse choque que os pesquisadores resolveram juntar seus esforços e fazer uma publicação conjunta. "A verdade é que, ao publicar uma por uma, a informação passa por baixo do radar. E ninguém percebe o grande quadro que é: estamos em um momento muito especial na Amazônia, uma fase explosiva de descobertas", afirma o ornitólogo Mário Cohn-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

"Nossa ideia foi passar o recado de que a Amazônia ainda tem muita coisa nova", diz. Segundo ele, mais de uma dezena de novas aves deve ser descrita nos próximos anos.

Os achados. A maior parte dos achados ocorreu na porção entre o sul do Pará, o norte de Mato Grosso e o sudeste do Amazonas, região que inclui o chamado arco do desmatamento, o que coloca os animais em ameaça. Chama a atenção o caso de cinco espécies que foram encontradas em um local nunca antes estudado, no sul do Amazonas, entre os Rios Aripuaná e Roosevelt. O local fica próximo da fronteira com Rondônia, por onde a fronteira agrícola avança. De acordo com o pesquisador Luís Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, são endêmicas dali - ou seja, não ocorrem em nenhum outro local. 

"Em todo o mundo, por ano, são descobertas milhares de espécies de insetos, uma centena de peixes, mas aves são menos de uma dezena. Porque a maioria já foi detectada. Mas, se o grupo mais bem conhecido do mundo ainda traz tantas novidades na Amazônia, imagina o resto. É um alerta para usarmos a Amazônia de um modo mais inteligente", diz Silveira.
Confira abaixo algumas das espécies descobertas:



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Pista que absorve a poluição atmosférica, uma realidade holandesa

16/7/2013 - 11h45

Pista que absorve a poluição atmosférica, uma realidade holandesa

http://envolverde.com.br/noticias/pista-que-absorve-a-poluicao-atmosferica-uma-realidade-holandesa/

por Redação do EcoD
pista 300x183 Pista que absorve a poluição atmosférica, uma realidade holandesa
A pavimentação foi tratada com dióxido de titânio polvilhado no concreto. Foto: reprodução
Para solucionar o problema da poluição em grandes centros urbanos, cientistas da Universidade de Tecnologia da Eindhoven, na Holanda, estão desenvolvendo uma substância especial que poderia ser aplicada em estradas para ajudar a cortar as concentrações elevadas de gases poluentes lançados na atmosfera.
Chamada de pavimento fotocatalítico, a tecnologia já está sendo testada na zona urbana da cidade de Hengelo, no leste da Holanda. Segundo a BBC, a pavimentação foi tratada com dióxido de titânio polvilhado no concreto o que conseguiu reduzir o dióxido de carbono no ambiente em até 45%.
O único lado negativo, até então detectado, está no preço. Ele pode subir em até 50% em relação a uma pista comum. No entanto, para um representante do Partido Verde holandês, se for pensar nos custos da poluição do ar para a cidade, pode-se economizar muito dinheiro, ele afirma ainda para a BBC que é mais barato investir no pavimento do que em atendimentos hospitalares causados pela poluição.
Mortes prematuras
Dados da ONU revelam que o problema da poluição do ar pode ser maior que se imagina. “Estima-se que existam 3,5 milhões de mortes prematuras causadas todo ano pela poluição do ar doméstico, e 3,3 milhões de mortes todo ano causadas pela poluição atmosférica”, comentou Maria Neira, Diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, durante a mais recente reunião da Coalizão para o Clima e o Ar Limpo (CCAC, na sigla em inglês), realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em Paris, em abril de 2013.
Não à toa, países como China, África do Sul e Estados Unidos já demonstram interesse no potencial desta nova tecnologia. Será mesmo que vale a pena?
* Com informações da BBC.
** Publicado originalmente no site Ecod.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Estudo inédito mapeia DNA da onça pintada em Sorocaba

Notícias e Histórias das Cidades de São Paulo
Onça pintada Vagalume recebe prótese dentária - Divulgação
Onça pintada Vagalume recebe prótese dentária – Divulgação
Pela primeira vez o genoma da onça pintada, um dos mamíferos mais ameaçados do planeta, será mapeado pela ciência. O animal escolhido para a pesquisa foi a onça Vagalume, um macho de 16 anos que desde filhote vive no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, de Sorocaba.
Pesquisadores de instituições brasileiras como a Universidade de São Paulo (USP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Minas Gerais, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Pró-Carnívoros estão na cidade para elaborar o mapa genético do maior felino de nossa fauna.
A caracterização genética do animal, com base no estudo do DNA, ajudará a desvendar a natureza da onça e desenvolver estratégias que contribuirão para sua preservação. A onça Vagalume foi escolhida para o estudo por ser exemplar bem representativo da espécie. O animal chegou ao zoo com 45 dias de vida, na companhia de dois irmãos, após escapar do cerco de caçadores em Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.
De acordo com o diretor do zoo, Rodrigo Teixeira, o mapa genético será útil em qualquer estudo que envolva a espécie, como a análise da estrutura populacional, ou até mesmo para definir a procedência geográfica de animais apreendidos.
Além de ceder material para a pesquisa genética, a onça de Sorocaba passou por um tratamento dentário que recompôs os dois caninos que o espécime havia perdido. Uma cirurgia delicada, com a onça anestesiada, envolveu ainda o tratamento do canal de um dos dentes.
Os dois caninos implantados foram feitos do mesmo material usado para implantes em pessoas. Com os novos caninos, a onça terá mais facilidade para se alimentar e ganhará qualidade de vida. Onze veterinários participam dos estudos e cuidados com o felino.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Empresa lança acervo online de material sustentável para arquitetos e engenheiros

Diferente| 06 de julho de 2013 | 17h 57

Empresa lança acervo online de material sustentável para arquitetos e engenheiros

Empresa conseguiu financiar R$ 33,5 mil para a iniciativa em site de colaboração
LAURA MAIA DE CASTRO, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

Designers, arquitetos, engenheiros e profissionais do mundo da moda agora contam com um acervo online gratuito de materiais brasileiros que possuem indicadores de sustentabilidade. A 'materioteca', como foi batizada a plataforma, traz informações sobre mais de 160 materiais que têm baixo impacto ambiental e podem ser utilizados para construção, mobília, decoração, isolamento acústico, entre outras finalidades. Além de identificar as características e as vantagens no uso do material, a plataforma indica os fornecedores.
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O projeto, que está em fase de expansão, foi criado pela Matéria Brasil, empresa de consultoria ambiental nas áreas de material, design, inovação e certificação. Há pouco mais de um mês, a Matéria Brasil arrecadou R$ 33,5 mil por meio de financiamento colaborativo no Catarse para investir em melhorias da plataforma. “O dinheiro será exclusivamente investido na materioteca e na premiação dos colaboradores. A ideia é conseguir listar online 800 materiais que já identificamos e tornar a plataforma cada vez mais colaborativa e bilíngue”, afirmou Thiago Vedova, um dos sócios da empresa. 
Com escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo, a Matéria Brasil surgiu no primeiro semestre desse ano a partir da união entre as empresas Sistema Assessoria Ambiental e a Fibra Design. Em 2012, as empresas faturaram juntas R$1,5 milhão de reais e, para este ano, as expectativas são otimistas. “Nós acreditamos em aumento de 33% no faturamento de 2013, que deve chegar a R$ 2 milhões”, disse Bernardo Ferracioli, outro sócio da Matéria Brasil. Além das consultorias pagas, a empresa investe na livre disseminação do conhecimento como ferramenta para alcançar as mudanças sócio ambientais que acredita. 
Materiais. Compensado de pupunha, mármore sintético, tapete de garrafa pet ou tinta biodegradável. Quem entra na materioteca navega por um mundo de materiais que foram selecionados pelos profissionais da Matéria Brasil. Após as informações cedidas pelos fornecedores, engenheiros da própria Matéria Brasil analisam o material para entendê-lo e observá-lo a partir de critérios de sustentabilidade definidos pela empresa e identificados na plataforma. Nada é cobrado dos fornecedores para estarem expostos no portal, uma vez que a ideia é ser uma plataforma livre entre os profissionais das áreas de criação e os fornecedores. 
Segundo os sócios da empresa, o objetivo é tornar a plataforma cada vez mais colaborativa e interativa. “A ideia é que os próprios fornecedores possam disponibilizar os materiais online, mas passando pelo nosso crivo”, afirma Thiago Vedova. Por parte dos profissionais que acessam a plataforma, é necessário apenas o login do Facebook. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O futuro da aviação poderá ser elétrico (e silencioso)

2050 | 07/07/2013 08:35

O futuro da aviação poderá ser elétrico (e silencioso)


Consórcio aeroespacial europeu EADS projetou, em parceria com a Rolls-Royce, um avião movido a propulsão híbrida que pode reduzir o consumo de combustível, emissões e ruídos



EADS
Projeto do avião elétrico E-Thrust



São Paulo – Atenta às pressões ambientais crescentes, a indústria da aviação vem desenvolvendo soluções para tornar sua atividade mais ecofriendly. Os projetos variam do uso de biocombustível à energia solar. Mas uma nova empreitada almeja eletrificar os voos do futuro e torná-los mais silenciosos.
O consórcio aeroespacial europeu EADS revelou planos para criar um avião híbrido, o E-Thrust, o que poderia transformar radicalmente a aviação comercial em 2050. Projetado em parceria com a Rolls-Royce, o conceito utiliza um sistema de propulsão híbrido que pode reduzir o consumo de combustível, emissões e ruído.
Descrito como um passo intermediário no caminho para aeronaves totalmente elétricas, o E-Thrust conta com uma “propulção distribuída”, composta por vários ventiladores elétricos dispostos ao longo do comprimento de cada asa.
Já a bateria, que fornece energia de saída para o funcionamento das turbinas e decolagem, é alimentanda por um sistema a gás, razão pela qual a EADS está chamando o protótipo de híbrido.
O projeto foi concebido como parte do chamado "Flightpath 2050", um plano organizado pela Comissão Europeia para melhorar a eficiência dos voos na região nas próximas décadas. O continente tem metas de redução de 75% das emissões de C02 das aeronaves, juntamente com a redução de emissões de óxidos de azoto, em 90%, e dos níveis de ruído, em 65%, comparado aos níveis de do ano 2000.





quinta-feira, 11 de julho de 2013

Polícia apura morte por envenenamento de 200 animais em Minas Gerais

08/07/2013 - 17h02

Polícia apura morte por envenenamento de 200 animais em Minas Gerais


GISELE BARCELOS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE UBERABA

Um envenenamento em massa de cães e gatos é alvo de investigação policial em Rio Paranaíba (359 km de Belo Horizonte). A Polícia Civil estima cerca de 200 mortes até agora, incluindo animais domésticos e de rua.
Os casos começaram a surgir em maio, quando foram constatadas 50 mortes. Desde então, o número de envenenados não para de crescer.
Para matar os animais, são utilizados pedaços de carne ou outros alimentos contaminados por um veneno conhecido popularmente como chumbinho, de acordo com a polícia.
Segundo a investigação policial, há cinco suspeitos de cometer os crimes. O investigador Paulo Meireles Dias afirmou que ainda não há informação se os crimes foram praticados por uma pessoa ou se existe uma quadrilha envolvida.
A motivação do crime também continua misteriosa.
Para tentar esclarecer o crime, policiais já foram remanejados de outras operações.
Paralelamente à investigação policial, a Associação dos Defensores do Meio Ambiente espalhou cartazes na cidade para oferecer recompensa no valor de R$ 2.000 a quem apresentar provas da autoria dos crimes.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Curso de medicina passará de 6 para 8 anos de duração a partir de 2015

Curso de medicina passará de 6 para 8 anos de duração a partir de 2015

Medida anunciada por Dilma incluirá dois anos de atuação obrigatória em serviços públicos de saúde na formação dos médicos

08 de julho de 2013 | 15h 02


Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O curso de medicina passará de 6 para 8 anos a partir de 2015. A mudança integra um pacote de medidas anunciado nesta segunda-feira, 8, pela presidente Dilma Rousseff para ampliar a oferta de médicos no País e melhorar a formação dos profissionais. Definida numa Medida Provisória, a ampliação deverá ser regulamentada pelo Conselho Nacional de Educação, num prazo de 180 dias.

O programa, batizado de Mais Médicos, inclui ainda o recrutamento de profissionais estrangeiros para trabalhar em áreas prioritárias, a abertura de 11.447 novas vagas para graduação e outros 12.376 postos de especialização em áreas consideradas prioritárias até 2017. O novo formato do curso de Medicina é inspirado no modelo existente em países como Inglaterra e Suécia, diz o Ministério da Saúde. 
Concluído o curso de seis anos, o estudante passa para um segundo ciclo, de dois anos, onde terá de atuar em serviços públicos de saúde. A exigência do segundo ciclo será universal: tanto para estudantes de instituições da rede pública quanto privada da ensino.
No período em que trabalharem nos serviços públicos de saúde, estudantes receberão uma bolsa, financiada pelo Ministério da Saúde. Os valores ainda não foram definidos. O governo calcula, no entanto, que ela ficará entre o que é concedido para as residências médicas (R$ 2,9 mil mensais) e o que é pago para profissionais inscritos no Provab (R$ 8 mil). 

No primeiro ano, estudantes vão atuar na rede de atenção básica. No segundo ano, o trabalho será feito nos serviços de urgência e emergência. Os alunos continuarão vinculados à instituição de ensino onde foi feita a graduação e, assim como ocorre com a residência, serão avaliados. A carga horária ainda não foi definida. 

Pela proposta, o segundo ciclo poderá ser aproveitado para abater um ano de curso de residência em especialidades básicas, como medicina de família, ginecologia, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral. Há também a possibilidade de o período ser incluído na contagem para cursos de mestrado. A forma como isso será feito também está nas mãos do Conselho Nacional de Educação.

O formato de oito anos poderá ser revisto num curto prazo. Há a possibilidade de o primeiro ciclo, atualmente de seis anos, ser reduzido para cinco. O assunto, no entanto, ainda terá de ser debatido pelo Conselho Nacional de Educação. A intenção é se aproximar do modelo inglês, onde a duração do primeiro ciclo varia entre 4 a 6 anos, treinamento supervisionado dura outros dois anos e a especialidade médica, 3 a 8 anos.

Para atuar no segundo ciclo, os alunos receberão um registro provisório. A instituição de ensino deverá estar ligada a uma rede de serviços públicos de saúde, onde seus alunos vão desempenhar as atividades. Caberá à instituição definir o local de trabalho do estudante.

A ideia é que o aluno seja supervisionado por professores. A forma como isso será feito também será definida pelo Conselho Nacional de Educação. Também não está acertado como será feito o reembolso das instituições de ensino pelo trabalho de supervisão.

O aluno receberá o diploma somente depois de completar os oito anos de formação. Só aí receberá a inscrição permanente. De acordo com o Ministério da Saúde, o modelo proposto prevê que o profissional com registro provisório, mesmo sem diploma, responderá caso cometa uma infração ética ou erro no atendimento do paciente.

A criação do segundo ciclo não vai dispensar o internato, realizado atualmente no quinto e sexto ano. Nesta etapa, o estudante não tem autonomia. Durante o treinamento da segunda etapa, o estudante aos poucos ganha mais autonomia.

A expansão da duração do curso de medicina, de acordo com o governo, não tem como objetivo principal a ampliação da oferta de médicos. A meta, de acordo com ministérios da Saúde e da Educação, é ampliar a formação do profissional e driblar um problema que o governo julga enfrentar atualmente, que é a especialização precoce. Na avaliação do governo, a partir do 4º ano, estudantes concentram suas atenção nas áreas com que têm mais afinidade, deixando de lado pontos considerados essenciais para o atendimento do paciente. 

Embora detalhes ainda não estejam definidos, o governo já decidiu que durante o ciclo de dois anos, o estudante terá permissão para atuar apenas nos locais indicados pela instituição de ensino a que ele está ligado. Não será permitida a realização de plantões ou atuação em outros serviços.




Arena Mané Garrincha ganha prêmio de sustentabilidade. Parabéns Gui Castagna!

02/07/2013 às 11:16 (0 comentários)

Arena Mané Garrincha ganha prêmio de sustentabilidade
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/projeto-de-infraestrutura-verde-do-estadio-mane-garrincha-em-brasilia-recebe-premio-von-martius-de-sustentabilidade-2013/

Em meio aos protestos pelo uso ético e racional dos impostos pagos por toda a população em transportes, saúde e educação, e às críticas aos investimentos do dinheiro público em estádios e infraestrutura destinados ao futebol (Copa 2014), chama a atenção a premiação do projeto de “Manejo integrado de águas pluviais do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha” (26/06). De autoria da Fluxus Design Ecológico, a proposta foi finalista do Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2013 da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo.
Prêmio Von Martius

Criado no ano 2000 pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo, o prêmio visa incentivar iniciativas de empresas, organizações não governamentais, indivíduos, governos e instituições nacionais que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural alinhado ao conceito de desenvolvimento sustentável. O pesquisador alemão Carl Friedrich Phillip von Martius (1794 – 1868) fez pesquisas científicas em quase três anos viajando pelo Brasil, entre 1817 e 1820, e contribuiu para o conhecimento e a valorização do ambiente natural e cultural de nosso País.

O engenheiro civil Guilherme Castagna, sócio-fundador da Fluxus Design Ecológico, coordenou o plano de manejo de água do novo estádio, finalista do prêmio Von Martius na categoria Tecnologia. Guilherme acredita que a reforma do estádio nacional ficará mesmo como um “legado” da Copa, independentemente de qualquer crítica que se possa fazer – o “Mané Garrincha” recebeu a abertura da Copa das Confederações de 2013 e será palco de várias partidas da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Para o profissional, mais do que um projeto de engenharia, a obra é também um projeto educativo, “e cumprirá esse papel muito além da Copa, ainda mais em se tratando de uma cidade que sofre enormemente com a aridez causada em grande parte pela forma de ocupação da região”. Guilherme explica que o projeto será executado em fases, “e só estará completo ao término da Copa (no que foi chamado de “Legado da Copa”).
A reforma completa do “Mané Garrincha” teve um cunho iminentemente ecológico. O objetivo último dos responsáveis pela arquitetura ecológica (a Castro Mello Arquitetos) é fazer dele o primeiro estádio no mundo a receber a certificação LEED Platinum – Leadership in Energy and Environmental Design (ou Liderança em Design de Energia e Meio-Ambiente) do Green Building Council – Conselho de Construções Sustentáveis (EUA). Para alcançarem o selo de excelência, os planejadores não cuidaram apenas da EcoArena, mas envolveram todos os serviços oferecidos a visitantes, durante e depois da Copa (os estádios têm vida útil entre 50 e 70 anos, e os custos da manutenção de um modelo não racional de desperdícios com energia e água podem ser o pior legado desse mega investimento). A gestão da reforma do “Mané Garrincha” foi do governo do DF.
Os custos para sediar a Copa 2014

Se a África do Sul gastou R$ 7,7 bilhões de reais para fazer sua Copa de futebol, o Japão despendeu R$ 10,1 bilhões, e a Alemanha R$ 10,7 bilhões, é justo perguntar porque o Brasil deverá despender R$ 28,1 bilhões em obras relacionadas a Copa até o início dos jogos em 2014, segundo a previsão atual do comitê organizador. Aí estão incluídos 327 projetos que vão desde obras de infraestrutura básica, como aeroportos e corredores exclusivos para ônibus, até gastos diretamente ligados ao torneio de futebol.

A justificativa oficial é de que muito desse dinheiro será gasto em obras de infraestrutura e mobilidade urbana necessárias no País, com ou sem o torneio. E as empresas e Estados envolvidos na adequação dos estádios alegam que o padrão Fifa ajuda a encarecê-los. O imbróglio piora se consideradas as alegações sobre o uso de recursos públicos em tais obras e as isenções fiscais que beneficiam empresas e governos dentro do programa Recopa. O que se estende à Fifa, que deixaria de pagar em torno de R$1 bilhão de impostos.
No artigo “De onde vem o dinheiro da Copa”, publicado pela BBC Brasil, Holger Preuss, professor de Economia do Esporte na Universidade Johannes Gutenberg-University (Alemanha), que estudou o impacto econômico das duas últimas Copas, afirma que o problema não está em gastar muito, mas em “garantir que, em cada caso, os recursos estejam sendo usados da maneira mais eficiente possível”.
Especializado em “Wetlands” (sistemas de tratamento de águas baseados na utilização de plantas aquáticas), Guilherme Castagna foi premiado por ter integrado o paisagismo e o sistema de drenagem do Mané Garrincha, em um sistema que retém, purifica e utiliza a drenagem de águas externas e de chuvas em lagos e cisternas, dentro e fora do estádio. Ao final, a água reaproveitada no Mané Garrincha deverá cobrir 100% do consumo em eventos ao longo do ano.
Sob uma persectiva mais ampla, o projeto do estádio foi sistematizado como parte do trabalho desenvolvido pelo programa Cidades e Soluções, da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), do qual fazem parte a Fluxus Design Ecológico e FCTH/USP (Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica). Segundo Guilherme, os materiais produzidos pelo grupo serão destinados a construtoras e prefeituras de pequenos municípios.
Mas a reconstrução do Estádio Nacional de Brasília não considerou apenas a ecologia da água. Reerguido com concreto e aço reutilizados do antigo estádio, o local terá 2,5 milhões de m2 de espaços verdes, incluindo os tais “wetlands” (jardins purificadores de água), fauna nativa e estacionamento para bicicletas. O projeto é 100% eficiente e autossuficiente em energia – usa lâmpadas LED em seu consumo e milhares de placas fotovoltáicas na cobertura para a produção de 2 MWatts/ano (equivalente ao consumo de cerca de 1 mil casas/dia); o excedente poderá ser revertido para a rede pública do DF. A fachada aberta da EcoArena trará conforto térmico pela ventilação natural e a cobertura funcionará como um grande chapéu protegendo a torcida da chuva e do sol forte de Brasília.

Leia o bate-bola com Guilherme Castagna, coordenador do projeto premiado, “Manejo integrado de águas pluviais do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha”

Isabel Gnaccarini - O que significa o Prêmio em sua carreira e para a preservação e uso racional da água e dos recursos naturais?
Guilherme Castagna – A maior importância do prêmio é a visibilidade que ele irá proporcionar a esse novo olhar de cuidado com a água. Um olhar que oferece a oportunidade de enxergar a água como um recurso precioso, trazendo-o ativamente à infraestrutura da cidade de forma a nos integrar de forma positiva ao ciclo hidrológico local. No que se refere à água de chuva, após a conclusão do nosso projeto, o estádio passará a ser um pólo produtor de água limpa, além de gerador de sua própria água, o que reconfigura completamente a forma como são convencionalmente construídas edificações de qualquer porte, em que consumimos água limpa a um alto custo ambiental e energético, devolvendo água suja. Pela contaminação dos mananciais locais com o esgoto e a poluição difusa (advinda da drenagem) precisamos recorrer à água limpa de locais cada vez mais distantes, dependendo de grandes e custosas estações de captação, tratamento e bombeamento de água. Em resumo, enquanto o padrão que engolimos hoje em dia é o de consumir água limpa e devolver água imunda, o estádio produzirá sua própria água limpa para consumo não-potável, com a recarga dos lençóis freáticos, melhoria do microclima com o aumento da umidade, redução das ilhas de calor, devolução de água limpa à rede de drenagem, e redução de custos de operação, com o atendimento de 100% do consumo não-potável apenas com água de chuva.
IG - O que representou poder fazer isso num estádio de futebol (e para a Copa)?
GC – Nosso projeto será executado em fases, e só estará completo ao término da Copa, no que foi chamado de “Legado da Copa”, deixado como herança deste evento. Mais do que um projeto de engenharia, é também um projeto educativo, e que cumprirá esse papel muito além da Copa, o que para nós serviu de tremenda inspiração, ainda mais em se tratando de uma cidade que sofre enormemente com a aridez causada em grande parte pela forma de ocupação da região.
IG – O que você diria sobre as críticas a respeito dos custos de estádios e obras da Copa levantados nas recentes manifestações populares que vimos nas ruas de todo o Brasil?
GC – Creio que chegamos num momento da história do país em que os cidadãos finalmente começaram a despertar sobre a necessidade de levantarmos nossas vozes, e mostrar a indignação com relação à forma como os investimentos públicos são conduzidos no nosso país. Penso que há uma série de questões a refletir a respeito da realização da Copa, e dos altos custos envolvidos com a criação da infraestrutura necessária à realização dos jogos. Acredito que o primeiro passo seja exigir transparência na forma como foram investidos, não só os recursos deste evento em especial, como de fato são todos os investimentos públicos, para que possamos nos apropriar melhor desses números e avaliar o impacto e a efetividade desses investimentos, exigindo ajustes junto aos nossos representantes. Como projetista, afirmo com tranquilidade, que a busca que fazemos por projetos funcionais, de baixo custo de execução, operação e manutenção pautou o plano de manejo integrado de águas pluviais do estádio de Brasília.
IG – Quais seus planos profissionais para o futuro e como você acredita que esse trabalho poderá contribuir para o bem-estar no planeta?
GC – Seguindo a experiência do projeto do estádio estamos ampliando a escala dos nossos trabalhos, desenvolvendo modelos sistêmicos de manejo integrado de água em projetos de loteamentos, agroindústrias, estabelecimentos de hotelaria e meios de hospedagem, com disposição especial em trabalhar com pequenos municípios, onde compreendemos que há uma abertura e uma maior facilidade na reorganização da infraestrutura dos serviços de água com baixos investimentos.
Estamos ainda nos preparando para um tour educativo em faculdades de engenharia e arquitetura de São Paulo, compartilhando essa visão inspiradora de trabalho com a água no ambiente construído. Estamos também fortalecendo nossa afinidade com o EPEA Brasil, escritório que representa a metodologia de Design Ecológico Cradle to Cradle (Berço ao Berço) no país, que, tenho certeza, sinaliza um roteiro técnico muito claro para o estabelecimento de produtos e sistemas projetados de forma alinhada à um futuro de plenitude e abundância, assim como cartilhas práticas dedicadas à pessoas sem formação acadêmica, com base na permacultura, oferecendo dicas de soluções simples e de baixo impacto para as questões relacionadas ao manejo de água em suas casas.
Se onde há água há vida, então acreditamos que nosso trabalho possa melhorar de forma positiva a qualidade de vida de todos, por meio da reestruturação da forma como a sociedade convive com a água.
(Isabel Gnaccarini/ Mercado Ético)