domingo, 22 de março de 2015

Se economizar, não vai faltar...

Dinamarca reduziu consumo per capita de água nos últimos 20 anos

Até a década de 80, cada cidadão dinamarquês consumia, em média, 60 mil litros de água por ano, cerca de 164 litros por dia


http://www.otempo.com.br/capa/mundo/dinamarca-reduziu-consumo-per-capita-de-%C3%A1gua-nos-%C3%BAltimos-20-anos-1.1012345
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Agência Brasil
Desperdício de água
PUBLICADO EM 20/03/15 - 16h26
A falta de água já foi um problema para a Dinamarca, que hoje, com a Alemanha, encabeça a lista das nações consideradas referência na Europa no que diz respeito ao sistema de abastecimento. Depois de enfrentar um período de escassez do recurso, na década de 70, o país nórdico vivenciou uma ampla reforma no setor, que gerou melhorias na qualidade da água e na eficiência do sistema, a queda no percentual de perda por vazamentos e uma redução de 35% no consumo per capita de água por ano.

Até a década de 80, cada cidadão dinamarquês consumia, em média, 60 mil litros de água por ano, cerca de 164 litros por dia. Atualmente, o consumo médio é 39 mil litros de água por ano, 107 litros por pessoa/dia. No Brasil, o consumo médio atual chega a 166,3 litros per capita/dia.
Para o especialista em políticas ambientais da Universidade de Aarhus, Mikael Skou Andersen, o ponto central da reforma conduzida pelo governo foi o repasse do custo real da água para os consumidores, o que, na Europa, é chamado de “preço cheio da água”. Além de pagar pelo que consome, o cidadão, na Dinamarca, paga taxas ambientais e de serviços. “Com a elevação no preço, pudemos observar uma redução considerável no consumo”, enfatiza o pesquisador que acompanhou o processo de mudança no país.
A diretiva-quadro sobre água da União Europeia (principal instrumento do bloco em relação à gestão da água), lançada em 2000, estipula a introdução do chamado “preço cheio da água” em todos os países-membros, como forma de estimular o uso racional do recurso. Entretanto, muitos deles ainda não conseguiram cumprir o estabelecido. Na Irlanda, por exemplo, onde a água era fornecida gratuitamente aos cidadãos até outubro do ano passado, a escassez de água levou à implementação de um sistema de cobrança, o que tem gerado amplos protestos populares.
“A água é um recurso limitado e a implementação gradual do preço cheio é um incentivo ao uso consciente e à melhoria das instalações. Países com sistema de preço adequado, como a Dinamarca, conseguiram reduzir o consumo para algo em torno de 100 litros por pessoa, por dia, sem perda de conforto para o consumidor”, garante Skou. Para um consumo de 50 mil litros por ano, um cidadão dinamarquês que vive sozinho paga hoje mais de dez vezes o que pagaria em 1980: em torno de 3,5 mil coroas por ano (R$ 1,5 mil por ano, ou R$ 125 por mês).
O pesquisador acredita que o modelo aplicado na Dinamarca poderia ser seguido por países maiores, como o Brasil. “Para balancear, o governo poderia optar pela redução de outras taxas, ou mesmo oferecer um subsídio, o que chamamos de cheque verde, para famílias de baixa renda.”
Para ampliar a eficiência do sistema, a legislação prevê que as companhias de abastecimento mantenham o percentual de perda de água por vazamentos abaixo de 10%, do contrário, não são autorizadas a repassar a taxa ambiental aos consumidores, tendo, assim, que pagá-la ao Estado. A perda, que era de 15% na década de 80, hoje é de 6%, uma das menores do mundo. No Brasil, essa taxa varia de 30% a 40%, dependendo do município.
A reportagem da Agência Brasil visitou a Companhia de Água de Aarhus, segunda maior cidade da Dinamarca, com cerca de 330 mil habitantes. A diretora de produção do Departamento de Água Potável, Pia Jacobsen, conta que o percentual de perda de água por causa de vazamentos em Aarhus, hoje, chega a 6%, e que a meta é reduzir para 5% até 2030. “O aumento desse percentual para acima de 10% é inadmissível, pois representaria um custo muito alto para a companhia”, observa ela, em referência ao que prevê a legislação.
A companhia de Aarhus conta com 1,5 mil quilômetros de rede, a maior da Dinamarca. Todos os anos, em média, 15 quilômetros de redes velhas ou com defeito são trocadas ou renovadas. O chefe de operações do Departamento de Água, Michael Rosenberg Pedersen, diz que o segredo da eficiência é investimento em manutenção e monitoramento 24 horas. “Dividimos a cidade em zonas e fazemos um monitoramento especial, com equipamentos modernos. Quando um problema é detectado, enviamos uma equipe imediatamente ao local para checagem”, explica. Ele enfatizou que, para a empresa, “perder água é perder dinheiro”. “É o nosso produto que estamos jogando fora”, diz.
Desde a seca enfrentada na década de 70, a Dinamarca passou a retirar toda a água que consome dos lençóis freáticos, e não da superfície. Nas estações de tratamento, ela passa por processos de filtragem e aeração (adição de oxigênio) e, de lá, vai direto para as torneiras. No país nórdico, é proibido fazer o tratamento da água potável com cloro ou outros aditivos, como se faz no Brasil. O governo prefere trabalhar para combater a contaminação, por meio de um monitoramento rigoroso da qualidade e da pureza de sua água subterrânea.
O resultado é uma água de alta qualidade, que sai da torneira direto para o copo dos dinamarqueses. A estudante mineira Fernanda Bartels, que mora em Aarhus há seis meses, conta que levou um tempo para tomar, com naturalidade, água da torneira. “Eu desconfiava, achava que não era pura de verdade e que iria me fazer algum mal”, lembra.
A água de torneira é servida em restaurantes e hotéis dinamarqueses. O país tem ainda um concurso anual, o Danish Water Grand Prix, em que provadores de vinho, os sommeliers, provam a água de 30 companhias de abastecimento localizadas em diferentes regiões do país e indicam qual é a mais saborosa. Os organizadores do concurso garantem que o sabor da água varia bastante de região para região, de acordo com os minerais presentes em sua composição.
Para o especialista em políticas ambientais da Universidade de Aarhus, apesar do sucesso das reformas na Dinamarca, ainda há desafios a serem enfrentados. “Os mais significativos são o controle dos níveis dos lençóis freáticos, o combate à contaminação por pesticidas, à poluição, e o controle das consequências das mudanças climáticas”, aponta.
Ele destaca, entretanto, que a população dinamarquesa aprendeu a valorizar a água e avalia que esse é o caminho para os demais países. “A água é um recurso escasso e não dá mais para adotar medidas paliativas. As nações precisam encontrar um melhor balanço entre a oferta e a demanda”, acredita.

Dia Mundial da Água

BBC
22/03/2015 08h41 - Atualizado em 22/03/2015 08h54

Dia Mundial da Água: sociedade civil se mobiliza para torneira não secar

Em meio a mais grave crise hídrica já vivida por São Paulo, cidadãos agem de forma inédita para pressionar o poder público e conscientizar a população sobre falta d'água.


BBC
Edison Urbano criou uma minicisterna de baixo custo e agora ensina outros a construí-la (Foto: BBC Brasil)Edison Urbano criou uma minicisterna de baixo custo e agora ensina outros a construí-la (Foto: BBC Brasil)
Edison Urbano ainda estranha ser chamado de professor, mesmo quando está diante de uma turma em uma sala de aula em um centro cultural na zona norte de São Paulo.
Na quinta-feira (19), ele ensinava moradores da região a captar água da chuva para usar se a torneira secar - algo comum em muitas partes da capital paulista desde meados do ano passado, quando foi aplicada uma diminuição da pressão na rede de abastecimento.
Urbano aprendeu por conta própria a fazer uma minicisterna com tonéis, tubos de PVC e telas de mosquito para coletar, filtrar e armazenar a água da chuva.
Há cinco meses, dedica-se quase integralmente a ensinar como montar este sistema como um dos coordenadores do Movimento Cisterna Já, uma das várias organizações sociais criadas em São Paulo desde que a água começou a faltar, no ano passado.
Os reservatórios baixaram a níveis inéditos e, neste domingo (22), o estado passa pelo segundo Dia Mundial da Água - celebrado todo 22 de março - consecutivo em meio a uma crise hídrica sem precedentes.
"Quis agir para reverter ou amenizar a situação. Temo que, sem água, a gente acabe em uma guerra civil, porque vai faltar alimento também. É esse medo que me move", afirma Urbano.
"Já o que me move é o desespero", diz a psicóloga Camila Pavanelli, autora do Boletim da Falta D’Água, um blog em que ela reúne e comenta em postagens semanais as mais recentes informações sobre a crise hídrica.
Esse trabalho começou em outubro passado, quando Pavanelli decidiu listar em um post no Facebook o que havia lido sobre o assunto. Em meio a curtidas e compartilhamentos, também vieram pedidos para que disponibilizasse a pesquisa de uma forma que fosse mais fácil encontrá-la. Para quem já tinha um blog pessoal, fazer outro sobre a falta de água foi natural.
"Fazer o blog me faz sentir viva. Não cogito morar em São Paulo e não discutir este problema", diz Pavanelli.
Sinal de alerta
Estas iniciativas são recentes em São Paulo. A cidade já tinha ONGs voltadas para temas como moradia, combate à violência, mobilidade, educação e saúde, entre outros.
Mas tamanha mobilização social em torno da água é novidade, porque “só agora se faz necessária”, como explicou Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas da USP, em aula sobre a crise hídrica realizada no fim de fevereiro no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), palco de nove em cada dez manifestações na região central da cidade.
O primeiro alerta soou em dezembro de 2013, quando choveu 72% abaixo do normal. Aquele foi o verão mais quente desde 1943, quando começaram as medições. Nos dois meses seguintes, a média de chuvas foi 66% e 64% menor, respectivamente, fazendo com que São Paulo enfrentasse a estiagem mais intensa desde o início do registro de chuvas, em 1930.
Em fevereiro de 2014, o nível do Sistema Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, atingiu 14,6%, o mais baixo desde sua criação, em 1974.
A Sabesp, empresa de abastecimento de São Paulo, informou à BBC Brasil que vem realizando uma série de medidas para ampliar a disponibilidade de água e reduzir a dependência da região metropolitana do Cantareira. Em comunicado, a empresa ainda afirma "seguir rigorosamente as determinações de órgãos reguladores".
Uma destas medidas foi a autorização para usar duas cotas do volume morto do Cantareira, nome dado à água que ficava abaixo do nível de captação. Mas, na ausência de chuvas capazes de recompor o sistema, seu nível continuou a baixar a patamares inéditos.
Mobilização
No entanto, para Ortellado, existe uma percepção por parte de alguns de que as autoridades não agiram de modo adequado em relação à crise, o que teria catalisado a mobilização social em torno da água.
"Se as pessoas acreditam que não é possível contar com o governo, isso cria um sentimento de urgência que faz a sociedade civil agir por conta própria, usando suas habilidades em prol desta causa", afirma Ortellado.
Marussia Whately coordena a Aliança pela Água, organização que reúne mais de 40 ONGs (Foto: BBC Brasil)Marussia Whately coordena a Aliança pela Água, organização que reúne mais de 40 ONGs (Foto: BBC Brasil)
Para a urbanista Marussia Whately, isso significa coordenar o trabalho de mais de 40 ONGs reunidas pela Aliança pela Água, organização criada em outubro passado para cobrar ações do governo, elaborar projetos para atenuar o impacto da falta de água e informar a população de seus desdobramentos.
Especializada em gestão de recursos hídricos, ela já atuou como consultora de ONGs, como a Imazon e o Instituto Socioambiental, e à frente da Aliança Pela Água tornou-se uma das principais vozes da mobilização da sociedade civil em torno da crise.
"Tínhamos organizações muito dispersas. A Aliança cria o espaço para elas interagirem e criarem uma agenda mínima de ações e propostas, além de uma força-tarefa para monitorar o respeito aos direitos dos cidadãos e impedir um retrocesso das conquistas", diz Whately.
Para ela, o fato de São Paulo passar por uma situação sem precedentes torna a solução ainda mais complexa, na qual a participação de cidadãos é imprescindível.
"O debate não pode ficar restrito ao que a Sabesp planeja fazer. O problema vai muito além das represas”, diz Whately. "Temos que engajar a sociedade e fazer com que as pessoas revejam sua postura política e seus hábitos. Por ser uma crise grave, a solução não virá de um único ator."
Minicisterna
Urbano diz acreditar que está fazendo sua parte com os cursos sobre a minicisterna. Nesta semana, ele deu dois dias de aula para uma turma de 20 pessoas, entre jovens, adultos e idosos, que moram na Zona Norte de São Paulo, uma das regiões mais afetadas pela falta de água.
Primeiro, Urbano ensina a teoria, que inclui conceitos de sustentabilidade, saúde pública e hidrologia, enquanto vai construindo a minicisterna diante dos alunos. “Não fiquem esperando uma ação do governo. Tomem uma atitude, porque é nossa saúde que está em risco", diz para a turma.
Urbano criou este sistema por necessidade. Técnico em eletrônica, ele viu seu trabalho minguar com a "chegada dos aparelhos da China". Acabou demitido e, com dificuldade para conseguir um emprego, decidiu criar formas de economizar dinheiro.
Inventou um aquecedor de água com energia solar, um sistema de horta caseira e uma série de outros projetos que passou a divulgar por meio do site Sempre Sustentável, enquanto também dava cursos.
No ano passado, aceitou a sugestão de um amigo, o engenheiro Guilherme Castagna, de adaptar a minicisterna de acordo com as normas técnicas de reuso de água e ensinar como construí-la. Cinco meses depois, exibe com orgulho as fotos enviadas por ex-participantes do curso com suas próprias minicisternas.
"Fico muito grato. Sinto que estou fazendo alguma coisa. Se você reunir todas as minicisternas já feitas, vira uma cisterna gigante que eu não conseguiria construir sozinho", diz ele.
Já Camila Pavanelli diz que contribui para sanar a crise ao organizar a "loucura de informações" em torno da crise hídrica. No início, ela publicava seu boletim diariamente, mas, desde o início do ano, mudou a tática. Passou a reunir reportagens e documentos por meio de uma conta no Twitter e a dedicar o domingo e parte da segunda-feira a escrever um post semanal.
"Não existe um interesse em se informar e há uma dificuldade em perceber que faltam políticas públicas para a água,assim como ocorre com a violência, por exemplo. Quero que as pessoas se mobilizem mais", afirma Pavanelli.
"Seria arrogante pensar que vou conseguir fazer isso. Tem quem me critique. Mas também há muita gente que me agradece por usar meu tempo para fazer este trabalho."

A psicóloga Camila Pavanelli publica semanalmente um boletim com as informações mais recentes da crise (Foto: BBC Brasil)A psicóloga Camila Pavanelli publica semanalmente um boletim com as informações mais recentes da crise (Foto: BBC Brasil)

Desafios
Pablo Ortellado, da USP, diz que a mobilização social é importante para canalizar a insatisfação da sociedade civil e impedir que ela gere uma "selvageria, com quebra-quebra e saque de água", como ocorreu em Itu, no interior de São Paulo, no ano passado. No entanto, também afirma que as organizações criadas em torno da crise hídrica enfrentam algumas dificuldades.
"É difícil mobilizar a população quando a insatisfação está mal distribuída pela cidade, já que falta água em alguns bairros e em outros não. E, como nunca vivemos uma crise assim, falta um grupo de referência, com legitimidade para mobilizar, como ocorre com outras questões sociais", afirma o especialista.
"As pessoas só vão para rua quando confiam nas organizações que se manifestam por isso. É importante que estes grupos comecem a construir essa legitimidade para representar a insatisfação da população."
Em meio à crise e a mobilização provocada por ela, surgiram boas notícias. Chuvas acima da média histórica em fevereiro fizeram o nível dos principais sistemas que abastecem São Paulo voltar a subir. Atualmente, os reservatórios do Cantareira estão em 16%. Com isso, a Sabespafirmou que a região metropolitana está livre de racionamento até o segundo semestre.
No entanto, Urbano, do Cisterna Já, diz ter "plena consciência de que a situação vai piorar” - opinião compartilhada por Whately, da Aliança pela Água. "Vamos chegar à estação da seca numa situação igual ou pior do que no ano passado, porque as represas estarão com um nível mais baixo”, diz Whately.
O desafio para estas organizações agora é conseguir mobilizar a população, já que o interesse pelo tema diminui diante de um aparente risco menor de restrição no abastecimento. O Movimento Cisterna Já teve de cancelar um curso, porque o número de inscritos foi insuficiente. Por sua vez, o Boletim da Falta D’Água, que chegou a ter posts compartilhados 1,5 mil vezes, hoje não atinge 200.
"Ninguém mais quer saber de falta de água. Não consegui nem convencer meus vizinhos a instalar uma cisterna no prédio", diz Pavanelli, que ainda assim não pretende abandonar o blog.
"Sinto-me um fracasso completo, mas isso me motiva. Outro dia, encontrei um vídeo dizendo que o Cantareira está cheio e que a crise é uma farsa. Foi visto por mais de 1 milhão de pessoas. Enquanto isso existir, é sinal de que preciso continuar. Se eu não fizer, quem vai fazer?"
Urbano planeja aumentar o número de cursos gratuitos para driblar a falta de interesse e aumentar a divulgação do projeto.
Por sua vez, Whately se diz otimista: "Trabalho há vários anos com a questão da água e finalmente começo a ver pessoas sabendo que Cantareira não é apenas o nome de uma serra, revendo seus hábitos e mais ligadas em um assunto tão importante. Ainda temos mais dois anos de crise pela frente pelo menos. A mobilização só começou."

Próxima estação: Hortas Urbanas!

Tóquio tem hortas urbanas nas estações de metrô

12 de Março de 2015 • Atualizado às 08h52


As hortas urbanas estão cada vez mais populares em todo o mundo. No Japão, o projeto Soradofarm, incentiva a criação de jardins e hortas nos telhados das estações de trem e metrô. A alternativa também funciona como uma válvula de escape para a correria do dia-a-dia.
O aproveitamento de espaços públicos ou telhados para o plantio é uma das poucas alternativas que os moradores de grandes cidades têm para driblar a falta de espaço livre. Tóquio está entre as cidades que sofrem com este problema, por isso a ideia de aproveitar as estações se torna tão importante e genial.

Foto: Divulgação
O projeto conta com o apoio da companhia local de metrô e da Ekipara, uma companhia responsável pelo entretenimento e comércio dentro das estações. O funcionamento é simples, mas ao contrário das hortas comunitárias em que tudo é de todos, no Japão os usuários de tornam “proprietários” de um pedaço específico de terra.

Foto: Divulgação
Cada um dos participantes detém três metros de área verde onde podem ser plantados vegetais ou outras culturas, de acordo com sua própria vontade. Por terem que pagar uma tarifa simbólica anual, os “fazendeiros urbanos” contam com o apoio de especialistas e de todas as ferramentas necessárias para o manuseio da terra.

Foto: Divulgação
Para participar não é necessário ter conhecimento em jardinagem ou agricultura. Além de contar com vegetais frescos, esta também é uma possibilidade de interação entre a comunidade.

Foto: Divulgação
O Soradofarm já possui cinco hortas e jardins em Tóquio, mas a intenção é expandir para que ela esteja presente em todas as estações da cidade.
Redação CicloVivo

sábado, 14 de março de 2015

Pedalada Pelada reúne ciclistas em SP no sábado (14)

13 de Março de 2015 • Atualizado às 14h00


Os ciclistas nus e seminus que ocupam as ruas de São Paulo neste sábado (14) não sairão de suas casas para cometerem um ato obsceno e nem apelar para a sexualidade, mas para evidenciar a fragilidade de quem anda de bicicleta nos grandes centros urbanos. A Pedalada Pelada é a edição brasileira do World Naked Bike Ride (WNBR), movimento que ocorre em várias partes do mundo e tem um número de adeptos cada vez maior nas cidades brasileiras.
Com o lema “Obsceno é o trânsito”, os participantes da manifestação procuram reverter a invisibilidade dos ciclistas nas vias públicas, utilizando seus corpos como cartazes para espalhar as mensagens de conscientização. Quem sair de casa para pedalar com o grupo não precisa tirar a roupa, mas a nudez é incentivada pelos organizadores em todo o trajeto, que tem início na Praça do Ciclista.

Foto: edugreen/Flickr
A fotógrafa e cicloativista Anna Lúcia disse que, na primeira vez em que participou da Pedalada Pelada, ficou espantada com a ideia, mas, depois, buscou informações sobre o movimento e se juntou aos demais ciclistas. “Fiquei muito curiosa com a manifestação e decidi me engajar. Além de chamarmos atenção de muita gente, foi bem divertido”, conta Anna, que adota a bicicleta como meio de transporte devido aos benefícios proporcionados à saúde e à sensação de estar em contato com a cidade.
Embora a polícia tenha agido de forma violenta em diversas manifestações em todo o país, na última edição da Pedalada Pelada, os agentes simplesmente garantiram o bloqueio das vias para a circulação segura dos ciclistas. Bem diferente do que aconteceu na edição de 2008, quando alguns participantes foram presos. “Há seis anos, era bem mais difícil andar de bike em São Paulo. Hoje em dia, muita coisa mudou, mas é preciso manter esta bandeira erguida”, afirma Anna.

Foto: L’écureuil/Flickr
A invisibilidade do ciclista urbano que os participantes abordam durante a Pedalada Pelada não é apenas uma sensação. Um dia após a bicicletada de 2013, o ciclista David Santos de Souza foi atropelado na Avenida Paulista e teve seu braço jogado num córrego, crime que evidenciou a fragilidade de quem usa a bike como transporte.

Foto: L’écureuil/Flickr
A oitava edição da Pedalada Pelada tem início às 20h na Praça do Ciclista, e, durante a concentração, os participantes fazem as pinturas corporais.
Por Gabriel Felix – Redação CicloVivo

terça-feira, 10 de março de 2015

Está na hora de recuperar o rio Tietê para captação de água para abastecimento de São Paulo!


Coreia do Sul mostra como é possível salvar rios sufocados pela poluição




Enviado em 3 de mai de 2009
Em Seul, pistas expressas para carros foram demolidas para permitir o ressurgimento do córrego Cheong Gye. Hoje, o rio tem peixes, aves e plantas e tornou-se o mais novo cartão-postal da cidade.

domingo, 8 de março de 2015

Estudo realizado em diversas florestas tropicais pelo mundo identificou que o excesso de CO2 na atmosfera não aumenta o crescimento das árvores, como era suposto

http://www.ecycle.com.br/component/content/article/38-no-mundo/3015-estudo-aponta-que-excesso-de-co2-nao-promove-maior-crescimento-das-arvores-como-se-pensava.html

Estudo realizado em diversas florestas tropicais pelo mundo identificou que o excesso de CO2 na atmosfera não aumenta o crescimento das árvores, como era suposto

A quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera cresceu muito nos últimos séculos. Nos últimos 150 anos houve um aumento de 35% de sua concentração na nossa atmosfera. Com isso, era esperado que as árvores que utilizam o CO2 como fonte de energia, removendo-o da atmosfera, tivessem um aumento em seu crescimento por terem maior quantidade disponível desse nutriente. Porém, o aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera não faz as árvores das florestas tropicais crescerem mais rápido, pelo menos é o que dizem pesquisadores em um recente estudo publicado na Nature Geoscience, em que foram analisadas quase 1,1 mil árvores em países como Bolívia, Tailândia e Camarões.
Os resultados contradizem estudos anteriores que investigaram árvores presentes em regiões de florestas tropicais. De acordo com o levantamento, o que pode acontecer é um aumento da densidade das florestas, ou seja, não ocorre um crescimento mais rápido nas árvores, e sim um aumento de seu número.
Para o pesquisador Peter van der Sleen da Wageningen University, o resultado foi bastante surpreendente. Após estudar 1109 árvores de 12 espécies e não encontrar evidências de um aumento de seu crescimento, gerou-se a questão: será que as florestas tropicais realmente retiram o dióxido de carbono da atmosfera?
No estudo foi identificado, com a ajuda de uma rede de torres com 50 metros de altura que mediam as concentrações de CO2 na atmosfera acima das árvores, que o dióxido de carbono era retirado do ar pelas florestas, gerando a dúvida de onde ele ia parar. Alguns estudos conhecidos como inventários de florestas podem ter as respostas para essa questão. Também foi identificado que, nas últimas décadas, a densidade de árvores aumentou, ou seja, surgiram mais árvores no mesmo local, aumentando o consumo de CO2 na floresta.
Ainda resta a dúvida de por que as árvores mais velhas não têm um aumento em suas taxas de crescimento. Novos experimentos estão previstos para serem realizados no Brasil e investigarão o que realmente ocorre no consumo de CO2 nas florestas.
Veja também:

sábado, 7 de março de 2015

Veja como lavar seu carro usando o mínimo de água possível

http://www.ecycle.com.br/component/content/article/35-atitude/3055-aprenda-a-lavar-seu-carro-com-apenas-um-copo-de-agua.html

A crise hídrica que afeta São Paulo e muitos estados brasileiros está preocupando a todos e, para tentar minimizar o problema, algumas soluções criativas para evitar o desperdício de água são criadas. Uma delas é do projeto Lavamos Nós, que lançou uma cartilha de como limpar o carro com apenas um copo de água e utilizando somente produtos biodegradáveis, que impactam menos o ambiente.
Enquanto o método de lavagem tradicional gasta quase 100 litros de água para cada veículo, na ecolavagem, o volume de água cai para apenas 400 ml. Outro ponto importante é a utilização de materiais biodegradáveis. O uso de "xampus para carro" comuns causa a poluição da água, pois o produto possui detergentes em sua composição - estes contêm fosfato, o que multiplica a quantidade de algas quando produto químico vai parar em rios e corpos d'água e impossibilita a passagem da luz pela água (no processo conhecido como eutrofização), o que altera a biodiversidade local. Portanto, procure sempre utilizar um produto limpante biodegradável ou com a menor quantidade de química nociva possível. Confira a cartilha abaixo:
E aí? Legal, não é mesmo? Basta diluir 100 ml de "xampu biodegradável para carros" em 400 ml de água, colocar a mistura no borrifador, aplicar no carro com um pano e usar outro pano para secar e dar brilho.
Você não agride o meio ambiente e seu carro fica limpinho de uma maneira fácil e ecologicamente amigável.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Reciclagem de resíduos de construção civil

Reciclagem aliada


Reaproveitamento dos resíduos gerados em canteiro diminui o volume de entulho e ainda ajuda a reduzir custos. Projeto estrutural também contribui para reduzir descarte de madeira

Reportagem: Juliana Martins
Edição 57 - Março/2013
Entre abril e dezembro de 2012, 70% dos resíduos gerados em um dos canteiros da WTorre foram reciclados, percentual que chegou a 75% em dezembro de 2012 e que, estima Demetrius de Feo, gerente de projetos, atingirá 95% até março. Ele conta que a empresa promove a reciclagem de madeira, sucata de ferro, entulho limpo e plástico.
Uma das ações foi não descartar o resíduo, mas utilizá-lo como bica corrida ou para estabilização do solo. De Feo conta que cerca de 60% do entulho limpo é aproveitado. "Britamos no canteiro e usamos em aterros de sapata ou rampa ou mandamos para reciclagem", conta. A esse material, são incorporados também os corpos de prova de concreto já rompidos.
Foto: Marcelo Scandaroli
Os resíduos de agregados - incluindo os corpos de prova já rompidos - são processados no próprio canteiro e reaproveitados em aterros de sapatas ou em acessos temporários
Destino da sucata
A sucata gerada é pesada e vendida. O valor obtido retorna em dinheiro para a obra. No caso da madeira e do plástico, uma empresa é contratada para dar o destino adequado. Já o papelão, o PVC e o papel são doados para uma instituição de caridade, que os vende para reciclagem.

Foto: Marcelo Scandaroli
Ponto principal da redução de custos com resíduos está na separação para destinação adequada de cada material, seja por meio de doação, venda ou descarte
Foto: Marcelo Scandaroli
Decisão do projetista de usar cubetas para concretagem das lajes diminuiu o descarte de madeira que seria utilizada para as fôrmas
De Feo afirma que, para que todos esses processos sejam viabilizados, é preciso contar com equipe bem preparada. "A todo pessoal que entra na obra, quando passa pela integração, explicamos o que é sustentabilidade e o que pode e o que não pode ser feito, como a importância de segregar resíduos", diz.
Ações adicionais 
O uso de cubetas na concretagem das lajes, embora tenha origem no projeto estrutural, é fundamental para a redução da quantidade de resíduos gerados na obra. Isso implica redução de custos. "Quando usamos fôrmas tradicionais, de madeira, reutilizamos determinada quantidade de vezes. Depois disso, é inutilizada, gerando um volume muito grande de resíduo. Com a cubeta, não. Apesar de ainda utilizarmos o assoalho de madeira, o volume de material descartado diminui consideravelmente", compara De Feo.

As cubetas são de plástico e só são descartadas quando quebram, tendo vida útil indefinida. A madeira só é usada, explica ele, em algumas vigas e na junção da parede-diafragma com as lajes. "Gastamos menos com mão de obra, pois o processo é mais rápido e dispensa o trabalho do carpinteiro, já que ela é encaixada. Ganho na mão de obra, no resíduo e na velocidade", pontua.
Apoio técnico: Demetrius de Feo, gerente de projetos da WTorre Engenharia, e Eduardo Straub, do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).