Parques sustentáveis com enfoque na sustentabilidade; socioambiental; saúde; longividade; qualidade de vida; Feng Shui; terapia holística e afins.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
Flagrado em manifestação, aliado de Marina se afasta da Rede...Isso é sustentável?
Publicado em 02 de Agosto de 2013, às 18h33min
http://www.diariodeguarapuava.com.br/noticias/politica/18,32863,02,08,flagrado-em-manifestacao-aliado-de-marina-se-afasta-da-rede.shtml
BRASÍLIA, DF, 2 de agosto (Folhapress) - Aliado de Marina Silva e flagrado segurando uma barra de ferro durante manifestação que acabou em quebradeira em Brasília, o sociólogo Pedro Piccolo pediu afastamento da Executiva Nacional Provisória da Rede Sustentabilidade.
Em nota divulgada na tarde de hoje, o partido informou que Piccolo se afastou do comando da Rede "até que os fatos sejam apurados".
Apesar de admitir que estava na porta do Itamaraty com uma barra de ferro nas mãos e o rosto coberto por uma camiseta do partido no protesto do dia 20 de junho, Piccolo nega ter depredado o prédio e também protestado em nome da Rede. Ele diz estar arrependido por ter, nas próprias palavras, se excedido.
Piccolo já prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal. Na próxima semana, ele também deve ser ouvido pela Polícia Federal, que é a instituição responsável pelo inquérito que apura dano ao patrimônio da União.
"Em decorrência da investigação iniciada pela Polícia Federal sobre sua suposta participação nos atos de depredação do Itamaraty, Pedro Piccolo Contesini, membro da Executiva Nacional Provisória da Rede Sustentabilidade, pediu nesta tarde o afastamento do cargo até que os fatos sejam apurados. A Executiva Nacional Provisória acata e respeita a decisão de Piccolo", diz a nota da Rede.
O partido já havia soltado nota reiterando repúdio a qualquer tipo de violência nas manifestações que tomaram conta do país. Havia também anunciado que o caso de Piccolo seria discutido numa reunião do partido na próxima semana.
O integrante da Rede, contudo, se antecipou e pediu o afastamento da Executiva Nacional.
À reportagem ele disse que outros integrantes da Rede participaram da manifestação, mas somente ele usava a camiseta com a logomarca porque, antes do protesto, estava trabalhando no recolhimento de assinaturas para a formação do partido.
"Cometi muitos erros, mas só pude ter plena consciência deles retrospectivamente. O primeiro foi usar na manifestação a camiseta da Rede Sustentabilidade, que eu vestia porque vinha de uma atividade de coleta de assinaturas para a formação do partido", escreveu Piccolo no próprio Facebook.
Além de Piccolo, outras duas pessoas foram identificadas e devem ser intimadas a prestar depoimento para a Polícia Federal já na próxima semana.
Dois manifestantes que confessaram à Polícia Civil ter participado da quebradeira não foram localizados pela Polícia Federal, mas já estão indiciados indiretamente.
Flagrados em fotografias e vídeos, Samuel Ferreira Souza de Jesus, 19, e Cláudio Roberto Borges de Souza, 32, devem responder a processo por dano ao patrimônio público federal. Outros dois manifestantes prestaram depoimento, mas os agentes federais afirmaram não haver provas contra eles.
A Marinha, por sua vez, puniu com prisão o fuzileiro naval que estava entre os manifestantes na hora do quebra-quebra.
BRASÍLIA, DF, 2 de agosto (Folhapress) - Aliado de Marina Silva e flagrado segurando uma barra de ferro durante manifestação que acabou em quebradeira em Brasília, o sociólogo Pedro Piccolo pediu afastamento da Executiva Nacional Provisória da Rede Sustentabilidade.
Em nota divulgada na tarde de hoje, o partido informou que Piccolo se afastou do comando da Rede "até que os fatos sejam apurados".
Apesar de admitir que estava na porta do Itamaraty com uma barra de ferro nas mãos e o rosto coberto por uma camiseta do partido no protesto do dia 20 de junho, Piccolo nega ter depredado o prédio e também protestado em nome da Rede. Ele diz estar arrependido por ter, nas próprias palavras, se excedido.
Piccolo já prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal. Na próxima semana, ele também deve ser ouvido pela Polícia Federal, que é a instituição responsável pelo inquérito que apura dano ao patrimônio da União.
"Em decorrência da investigação iniciada pela Polícia Federal sobre sua suposta participação nos atos de depredação do Itamaraty, Pedro Piccolo Contesini, membro da Executiva Nacional Provisória da Rede Sustentabilidade, pediu nesta tarde o afastamento do cargo até que os fatos sejam apurados. A Executiva Nacional Provisória acata e respeita a decisão de Piccolo", diz a nota da Rede.
O partido já havia soltado nota reiterando repúdio a qualquer tipo de violência nas manifestações que tomaram conta do país. Havia também anunciado que o caso de Piccolo seria discutido numa reunião do partido na próxima semana.
O integrante da Rede, contudo, se antecipou e pediu o afastamento da Executiva Nacional.
À reportagem ele disse que outros integrantes da Rede participaram da manifestação, mas somente ele usava a camiseta com a logomarca porque, antes do protesto, estava trabalhando no recolhimento de assinaturas para a formação do partido.
"Cometi muitos erros, mas só pude ter plena consciência deles retrospectivamente. O primeiro foi usar na manifestação a camiseta da Rede Sustentabilidade, que eu vestia porque vinha de uma atividade de coleta de assinaturas para a formação do partido", escreveu Piccolo no próprio Facebook.
Além de Piccolo, outras duas pessoas foram identificadas e devem ser intimadas a prestar depoimento para a Polícia Federal já na próxima semana.
Dois manifestantes que confessaram à Polícia Civil ter participado da quebradeira não foram localizados pela Polícia Federal, mas já estão indiciados indiretamente.
Flagrados em fotografias e vídeos, Samuel Ferreira Souza de Jesus, 19, e Cláudio Roberto Borges de Souza, 32, devem responder a processo por dano ao patrimônio público federal. Outros dois manifestantes prestaram depoimento, mas os agentes federais afirmaram não haver provas contra eles.
A Marinha, por sua vez, puniu com prisão o fuzileiro naval que estava entre os manifestantes na hora do quebra-quebra.
Invokana: nova opção de tratamento para diabéticos tipo 2 aprovada pelo FDA
terça-feira, 30 de julho de 2013
Invokana: nova opção de tratamento para diabéticos tipo 2 aprovada pelo FDA
O Food and Drug Administration (FDA) aprovou um novo medicamento para tratamento do diabetes mellitus tipo 2, a canagliflozina. Com nome comercial de Invokana, ele age sobre a reabsorção renal de glicose e faz parte de uma nova classe de medicamentos conhecida como inibidores da proteína cotransportadora de sódio e glicose 2 (SGLT2).
Fisiologicamente, a glicose filtrada pelos rins é reabsorvida no túbulo contorcido proximal através da ação da SGLT2. A canagliflozina bloqueia a reabsorção da glicosepelo rim, aumentando a excreção de glicose e reduzindo os níveis de açúcar no sangue. O medicamento é ingerido uma vez ao dia.
A aprovação foi baseada em nove estudos multicêntricos, randomizados, que envolveram cerca de 10.300 pacientes e avaliaram a segurança e a eficácia da canagliflozina. Os estudos mostraram redução dos níveis de hemoglobina glicosilada e da glicemia de jejum.
O medicamento está contraindicado em pacientes com diabetes tipo 1, pacientes comcetonúria ou naqueles com grave comprometimento renal. Os principais efeitos colaterais observados incluem candidíase vulvovaginal, infecção urinária e hipotensão postural, principalmente nos primeiros três meses de tratamento.
A Invokana é comercializada pela Janssen Pharms.
Fonte: Food and Drug Administration
NEWS.MED.BR, 2013. Invokana: nova opção de tratamento para diabéticos tipo 2 aprovada pelo FDA. Disponível em: . Acesso em: 3 ago. 2013.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Deixem a medicina para os médicos!
Governo desiste de dois anos a mais no curso de Medicina
Ministro da Educação agora defende proposta de comissão de especialistas para que os dois anos adicionais se transformem em residência médica no SUS
31 de julho de 2013 | 15h 27
Ricardo Della Coletta - Agência Estado
BRASÍLIA - O governo desistiu de ampliar os cursos de Medicina de seis para oito anos, conforme previsto na Medida Provisória dos Mais Médicos, que tinha sido alvo de críticas, e vai apoiar agora a proposta trazida à mesa por uma comissão de especialistas para que os dois anos adicionais se transformem em residência médica. "(A diretriz é que) após a formação do médico na graduação, em seis anos, a residência médica assegure essa vivência na urgência e emergência e na atenção primária", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, após participar de uma reunião com o titular da Saúde, Alexandre Padilha, e representantes de faculdades de Medicina federais do País, em Brasília.
Veja também:
Mercadante defende que a Medida Provisória 621, que trata do Mais Médicos e tramita no Congresso, já previa a possibilidade de que os dois anos adicionais se convertessem em residência médica. O Conselho Nacional de Educação (CNE) também deverá propor novas diretrizes para os cursos de Medicina a partir das modificações estabelecidas pela MP.
O ministro disse ainda que, pela posição do governo, toda a residência médica deverá ocorrer no Sistema Único de Saúde. Além disso, o primeiro ano da residência terá foco na atenção básica e na urgência e na emergência, já com orientação na especialidade que o formado queira adotar. "Toda a residência será no SUS. No primeiro ano da pediatria, (ele) vai fazer (a residência em) atenção básica, já orientada para a especialização como pediatra".
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Maior edifício do mundo será maior que Mônaco
Maior edifício do mundo será maior que Mônaco
Redação do Site Inovação Tecnológica - 16/07/2013
A construção tem 100 metros de altura, 500 metros de comprimento e 400 metros de largura. [Imagem: Divulgação]
O gosto pelos recordes em obras civis parece acompanhar os chineses há milênios, desde a inauguração da Grande Muralha.
Agora foi a vez do maior edifício do mundo em área, inaugurado na cidade de Chengdu, capital da província de Sichuan, no sudoeste do país.
O "Novo Centro Global do Século" (New Century Global Centre) conta com 1,760 milhão de metros quadrados de espaço para compras, entretenimento e escritórios.
Isso é espaço suficiente para acomodar quatro Vaticanos, ou 20 Óperas de Sydney (Austrália), ou 3 vezes o Pentágono (EUA), ou ainda quase a área total de Mônaco.
A construção tem 100 metros de altura, 500 metros de comprimento e 400 metros de largura.
O núcleo central do edifício é um parque aquático com uma praia artificial de 5.000 metros quadrados, que terá a maior tela do mundo, com 150 metros de comprimento e 40 metros de altura, que irá formar o horizonte e oferecer amanheceres e entardeceres ao gosto dos fregueses, independentemente do horário.
Se você não gosta de praia, poderá fazer rafting em um rio artificial com 500 metros de comprimento.
Ou fazer compras pelos 400.000 metros quadrados de lojas.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Estágio nas comunidades carentes
Direito pode incluir estágio em favela
OAB propôs ao Ministério da Educação alteração nos cursos; para a Ordem, hoje essas experiências não passam de ‘faz de conta’
30 de julho de 2013 | 23h 14
Lisandra Paraguassu
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) propôs ao Ministério da Educação uma alteração no currículo dos cursos de Direito, que poderão incluir um estágio em comunidades carentes do País. O estágio, de seis meses, seria dentro do período do curso.
Veja também:
A proposta foi apresentada nesta segunda-feira, 29, pelo presidente da OAB, Marcus Vinícius Coelho, durante evento em Teresina. "A grade curricular do curso é do século 19, e a metodologia e o sistema de avaliação são precários. Queremos um curso de Direito que prepare cidadãos conscientes de seu papel no mundo e não meramente burocratas ou tecnocratas", disse ele.
A OAB propõe ainda um aumento de disciplinas para o curso. Nesse período, os estudantes teriam de fazer um estágio "de verdade", segundo Coelho. Hoje, o estágio já é previsto na grade curricular e deve ser realizado em fóruns, juizados e tribunais, mas são experiências de "faz de conta", de acordo com o presidente da Ordem.
Ao Estado, Coelho disse que o estágio não deverá ser obrigatoriamente em comunidades carentes, mas terá de dar aos estudantes experiência prática no exercício do Direito. "O estágio será em favelas, em empresas, em escritórios, em tribunais, enfim, onde o estudante tiver sua vocação e sua afinidade. Vivemos em um país democrático e plural, onde a liberdade das pessoas desenvolverem suas potencialidades deve ser respeitada."
A criação de novos cursos de Direito está suspensa desde o início deste ano, quando a OAB e o Ministério da Educação firmaram um acordo para criar um marco regulatório para a área. Por 12 meses, a criação de novas faculdades ficará parada, até que a OAB apresente e o MEC aprove um novo currículo para a área. Segundo Coelho, a maioria dos alunos sai das instituições de ensino superior sem conhecimentos básicos, como processo eletrônico e prática do Direito. Procurado, o MEC não se pronunciou sobre a proposta da OAB de incluir estágio em comunidades carentes.
Médicos
A ideia de propor que estudantes façam algum trabalho social veio à tona com a decisão do governo federal de incluir na formação de médicos dois anos de trabalho remunerado no Sistema Único de Saúde (SUS). Os dois casos, no entanto, são diferentes. O estágio em comunidades carentes seria uma alternativa ao que já existe hoje, e não um período extra.
terça-feira, 30 de julho de 2013
IDHM do Brasil avança 47,5% em 20 anos... mas educação ainda é o maior desafio
IDHM do Brasil avança 47,5% em 20 anos, mas educação ainda é o maior desafio
Classificação do País passou de 'Muito Baixo' (0,493 em 1991) para 'Alto' (0,727) no índice divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento nesta segunda
29 de julho de 2013 | 14h 24
- Ricardo Della Coletta - Agência Estado
BRASÍLIA - O Índice do Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil, divulgado nesta segunda-feira, 29, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e com a Fundação João Pinheiro, revela um expressivo avanço do Brasil nos últimos 20 anos, mas também um quadro em que a educação se mantém como o principal desafio do País. Entre 1991 e 2010, o índice cresceu 47,5% no País, de 0,493 para 0,727. Inspirado no IDH global, publicado anualmente pelo PNUD, esse índice é composto por três variáveis e o desempenho de uma determinada localidade é melhor quanto mais próximo o indicador for do número um.
Veja também:
A classificação do IDHM do Brasil mudou de 'Muito Baixo' (0,493 em 1991) para 'Alto' (0,727). É considerado 'Muito Baixo' o IDHM inferior a 0,499, enquanto a pesquisa chama de 'Alto' o indicador que varia de 0,700 a 0,799. Publicado uma vez a cada dez anos, o indicador traz para o âmbito municipal o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global, divulgado anualmente pelo PNUD e que mede o desenvolvimento humano dos países. O IDHM, que faz parte do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, é medido por uma escala que vai de zero a um - quanto mais próximo de um, melhor o desenvolvimento do local.
O subíndice educação, uma das variáveis que compõem o IDHM, é o que mais puxa para baixo o desempenho do País. Em 2010, a educação teve uma pontuação de 0,637, enquanto os subíndices renda (0,739) e longevidade (0,816) alcançaram níveis maiores.
Embora seja o componente com pior marcação, foi na educação que mais houve avanço nas duas últimas décadas, ressaltaram os pesquisadores. Em 1991, a educação tinha um IDHM 0,279, o que representa um salto de 128% se comparado à pontuação de 2010. "Saímos de um patamar muito baixo e isso mostra o esforço que o País fez na área", avaliou Marco Aurélio Costa, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um dos parceiros na realização do estudo. "A gente ainda não está bem, o IDHM educação é o que menos contribuiu e onde temos os maiores desafios para superar", concluiu.
Longevidade. O componente da longevidade, por sua vez, que é calculado pela expectativa de vida da população ao nascer, é a área na qual o Brasil apresenta melhor pontuação. É o único componente que está na faixa classificada pela pesquisa como um IDHM 'Muito Alto', quando o índice ultrapassa 0,800. Desde 1991 como o subíndice mais bem avaliado, foi também na longevidade em que a variação ao longo dos últimos 20 anos foi menor. O IDHM Longevidade era de 0,662 em 1991, de 0,727 em 2000 e de 0,816, na atual edição.
Já a renda mensal per capita saltou 14,2% no período, o que corresponde a um ganho de R$ 346,31 em 20 anos. As três instituições que elaboram o Atlas - PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro - ressaltam que 73% dos municípios avançaram acima do crescimento da média nacional. No entanto, há 11% de municípios com IDHM Renda superior ao do Brasil, "evidenciando a concentração de renda do País".
Bloomberg talvez seja a principal força no transporte mundial...
30/07/2013 - 03h15
Prefeito de NY faz campanha global na área de transporte
MATT FLEGENHEIMER
DO "NEW YORK TIMES"
DO "NEW YORK TIMES"
Graças ao prefeito de Nova York, Michael R. Bloomberg, as ruas logo poderão contar com muitas ciclovias. As ruas da Turquia, pelo menos.
Também como parte da aposta de Bloomberg de que um bom transporte público desencoraja o uso de carros particulares, o número de corredores exclusivos para ônibus irá aumentar. Isso no Brasil e no México.
Bloomberg também conseguiu que câmeras de controle de velocidade fossem instaladas em um importante anel viário: o do Cairo, no Egito.
Apesar da frustação em casa, por conta dos legisladores, de um setor de táxis entrincheirado e de uma cidade em que uma simples ciclovia pode inspirar anos de litígio, Bloomberg encontrou sucesso no exterior ao promover e financiar uma agenda de transporte global em seus últimos anos como prefeito.
| Daniel Marenco 19. jun.2012 - /Folhapress |
| O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, durante o encontro dos prefeitos do C40 no Rio de Janeiro |
Desde 2007, a fundação Bloomberg Filantropias aplicou mais de US$ 130 milhões em políticas de trânsito e segurança viária em todo o mundo.
Ele presenteou crianças com capacetes amarelos em Hanói, no Vietnã, e ajudou a montar uma frota de autorriquixás em Rajkot, na Índia. Pressionou com sucesso a redução do limite legal de álcool no sangue em Guadalajara, no México -onde "tequila e estradas não se misturam", como ele disse em 2011-, e armou policiais no Camboja com bafômetros.
Especialistas em políticas de trânsito e saúde pública dizem que Bloomberg talvez seja a principal força no transporte mundial. "Nunca vimos nada parecido", disse o doutor Etienne Krug, da Organização Mundial de Saúde. "Esse é de longe o maior projeto de trânsito internacional já feito."
Bloomberg espera provocar grandes mudanças em um curto espaço de tempo, segundo assessores, exibindo sua impaciência característica e uma sede de influência em grande escala.
Sem intervenção, os acidentes de trânsito seriam a quinta maior causa de mortes até 2030, segundo a OMS. A fundação Bloomberg concentrou seus esforços em grandes cidades de dez países -incluindo China, Índia e Rússia-, que representam aproximadamente a metade das mortes relacionadas a acidentes de trânsito no mundo.
"Não somos tão ricos quanto vocês em Nova York", disse Eduardo Paes, o prefeito do Rio de Janeiro, onde Bloomberg auxilia a instalação de quatro novos corredores de transporte rápido para ônibus, preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. O exemplo de Bloomberg é tão animador que o Rio de Janeiro decidiu usar outras ideias de Nova York sem a ajuda dele, disse Paes.
FRUSTRAÇÃO
Em Nova York, porém, Bloomberg muitas vezes se frustrou em relação a transportes.
Sua proposta de cobrar mais dos motoristas para dirigir nas partes mais movimentadas da cidade não deu certo. O plano de uma frota quase uniforme de táxis amarelos foi invalidado no tribunal, apesar de a cidade ter aprovado um novo conjunto de regras em junho na esperança de reanimá-lo.
Às vezes, sua frustração transparece. Em maio, segundo um processo movido contra ele por um queixoso no caso dos táxis, Bloomberg ameaçou: "Quando eu deixar o cargo, vou destruir sua indústria".
(Inicialmente Bloomberg disse que não se lembrava da conversa, mas pareceu estar se referindo ao episódio dias antes de o processo ser iniciado.)
Em março, quando ficou claro que o momento para as câmeras de controle de velocidade havia estagnado na câmara estadual, Bloomberg atacou os legisladores, culpando-os pessoalmente pelas futuras mortes de crianças devido à velocidade no trânsito. Três senadores que ele mencionou votaram mais tarde a favor da lei.
Em outras cidades americanas, a marca do transporte de Bloomberg é menos pronunciada, por enquanto.
Ele projetou sua filantropia como uma extensão de suas iniciativas locais. Invocou recentemente o trabalho de sua fundação em uma entrevista coletiva, elogiando a aprovação da lei das câmeras de velocidade, em junho, para a cidade de Nova York. Em um discurso em 2011, Bloomberg citou as "ilhas" expandidas de NY, suas novas placas de trânsito e a indústria de ciclotáxis melhor regulamentada, ao explicar suas metas de trânsito mais amplas.
"Nosso histórico de melhorar a segurança em Nova York me encorajou a tentar copiar esse mesmo sucesso em todo o mundo", disse na época. "A segurança nas estradas não tem sido tipicamente uma prioridade, mas o número de vidas que poderiam ser salvas é incrível."
Há muito tempo, ele se orgulha particularmente da queda do número de mortes no trânsito na cidade durante seu mandato, embora as 274 mortes relacionadas ao trânsito em 2012 tenham sido o maior número desde 2008.
TROPEÇOS
A filantropia do prefeito sofreu ocasionais bloqueios no exterior, mas alguns tropeços foram compreensíveis. Depois de instalar as câmeras de velocidade, entre outros esforços, a fundação suspendeu as operações no Egito por causa da rebelião política. "A polícia estava ocupada demais com outras coisas", disse o doutor Krug.
Na Índia, onde a equipe de Bloomberg avaliou cerca de 4.200 quilômetros de estradas de alto risco para potenciais aperfeiçoamentos de segurança, as leis sobre uso de capacetes pareciam difíceis de aplicar sem provocar tensões religiosas, disse o doutor Krug. Em comunidades com grandes populações sikh, alguns moradores interpretaram as leis como uma discriminação contra os que usam turbantes.
Mas, em muitas regiões, Bloomberg deu passos rápidos. Em Suzhou, na China -onde mais da metade das hospitalizações ligadas ao trânsito foram causadas por choques com bicicletas elétricas, segundo a fundação-, autoridades do programa ajudaram a traçar novos regulamentos para esses veículos. No Vietnã, o uso de capacetes por motociclistas mais que duplicou, para 90%, desde que Bloomberg e os parceiros da fundação ajudaram a aprovar uma lei nacional. A fundação estima que seus esforços vão poupar pelo menos 13 mil vidas em um período de cinco anos.
Para Bloomberg, o trabalho forneceu uma útil credencial para citar durante disputas locais, como a sobre o uso de capacetes no novo programa de compartilhamento de bicicletas em Nova York.
O governo já apoiou uma lei de capacete obrigatório para ciclistas, mas, desde então, resistiu aos pedidos para exigir o equipamento. (As autoridades disseram que os capacetes obrigatórios diminuem a opção pela bicicleta.)
Questionado no ano passado sobre essa posição, o prefeito apresentou seu trunfo: "Bem, veja", disse ele, "lembre-se de que minha fundação defende a segurança no trânsito".
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Fins pacíficos...
23/07/2013 - 03h00
Avião não tripulado ajuda bombeiros a combater incêndios
DO "NEW YORK TIMES"
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/07/1314805-aviao-nao-tripulado-ajuda-bombeiros-a-combater-incendios.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/07/1314805-aviao-nao-tripulado-ajuda-bombeiros-a-combater-incendios.shtml
Claro que a melhor forma de combater incêndios catastróficos é impedir que eles cresçam até uma escala catastrófica.
Os cientistas preveem que o aquecimento global tornará mais comuns os incêndios florestais. Até 2050, preveem os especialistas, a extensão anual de florestas queimadas crescerá 50% nos EUA. Por isso, as autoridades e os especialistas se valem cada vez mais da tecnologia para se contrapor aos traiçoeiros incêndios florestais.
Em simulações por computador, o Serviço Florestal dos EUA provoca dezenas de milhares de incêndios virtuais -levando em conta diferentes padrões climáticos, a topografia, a vegetação e padrões climáticos históricos.
Os satélites climáticos capturam tempestades à medida que elas se formam, dando pistas sobre as rajadas de vento que costumam acompanhá-las. Aeronaves não tripuladas guiadas por controle remoto, ao sobrevoar um incêndio, podem tirar fotos infravermelhas para mostrar alterações nas suas bordas.
| Tom Tingle/Associated Press | ||
| Último grande incêndio no Arizona causou 19 mortes, e, na Califórnia, cinco pessoas morreram em 2006; tecnologia em teste protege a vida dos bombeiros |
Essas imagens podem ser transmitidas para tablets Android e iPads usados pelos bombeiros. "Toda essa informação poderia ficar disponível em tempo real para que as pessoas possam consultá-la enquanto estiverem combatendo o fogo", disse Tim Sexton, que dirige o programa Pesquisa, Desenvolvimento e Aplicação da Gestão de Incêndios Agrestes, ligado ao Serviço Florestal.
Neste verão boreal, num programa piloto, o Serviço Florestal está testando tablets Android. No ano passado, a agência testou iPads e smartphones. "Eles [iPads] superaram as expectativas", disse Laura Hill, planejadora estratégica de tecnologias da informação do Serviço Florestal.
O Serviço Florestal usa uma mescla de softwares comerciais e aplicativos criados especialmente para as necessidades dos bombeiros. Hill disse que a agência também espera usar a computação em nuvem. Florestas em chamas geralmente não têm torres de telefonia celular. "O verdadeiro obstáculo agora é levar o acesso à internet aos locais de incêndio", disse Sexton.
Às vezes, o Serviço Florestal é capaz de instalar uma torre de telefonia celular ou uma conexão por micro-ondas com a empresa telefônica local, para permitir que os bombeiros se comuniquem entre si usando pequenas antenas.
Hill disse que outra possibilidade é uma rede de computadores que permita a partilha de informações entre os bombeiros. Se, por exemplo, o líder do grupo tivesse conexão via satélite com a internet, ele poderia baixar e compartilhar informações. Mesmo se a conexão à internet falhasse, os bombeiros poderiam continuar partilhando informações entre si.
Essa tecnologia já é usada nos EUA pelas Forças Armadas, pelo Departamento de Segurança Doméstica e pela Agência Federal de Gestão de Emergências.
Outro desafio é reunir um conhecimento mais completo sobre um incêndio. Para os maiores, aeronaves equipadas com sensores de infravermelho voam à noite, produzindo um mapa. Mas atualizações durante o dia se baseiam em relatos visuais incompletos e inexatos.
Um avião não tripulado pode passar horas vagando sobre o incêndio. A Administração Aeronáutica e Espacial Nacional colaborou com o serviço de combate a incêndios em 2007, oferecendo uma versão modificada do "drone" Predator, equipada com sensores de infravermelho. Os sensores acompanhavam movimentos dos incêndios que, de outra forma, seriam escondidos pela fumaça.
Para Sexton, no futuro, as pessoas em postos de comando poderão ver a posição precisa de cada bombeiro por meio de um receptor de GPS, assim como a propagação atual do incêndio.
Eles também teriam acesso a informações como as zonas calculadas de segurança às quais cada bombeiro poderia recuar, segundo Sexton.
Eles também teriam acesso a informações como as zonas calculadas de segurança às quais cada bombeiro poderia recuar, segundo Sexton.
"Poderíamos examinar remotamente as localizações dos bombeiros em relação a onde o fogo está e a assinatura de calor que ele está produzindo. Assim, talvez antever o movimento dos incêndios antes que eles atinjam as equipes."
sábado, 27 de julho de 2013
Derretimento do Ártico custa US$ 60 trilhões ao planeta
25/07/2013 - 03h13
Derretimento do Ártico custa US$ 60 trilhões ao planeta
RAFAEL GARCIA
DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/07/1316295-derretimento-do-artico-custa-us-60-trilhoes-ao-planeta.shtml
DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/07/1316295-derretimento-do-artico-custa-us-60-trilhoes-ao-planeta.shtml
A emissão de gás metano pelo derretimento do solo congelado no Ártico vai acelerar a mudança climática e trará um prejuízo global de U$ 60 trilhões até 2100.
Mais de 80% dos danos, dizem os autores da estimativa, serão em países pobres, longe dos ursos polares.
Esses números são os valores médios de uma simulação feita por cientistas da Holanda e do Reino Unido, apresentada na revista "Nature".
| Josh Haner/The New York Times | ||
| Bolhas de gás metano escapam do lago nevado no Ártico |
Para entrelaçar economia e ambiente, os cientistas usaram um método similar ao do relatório Stern, o modelo mais completo já feito sobre o impacto financeiro do aquecimento global, bancado pelo governo britânico em 2006.
O pesquisadores incluíram na nova simulação as consequências da liberação de metano do permafrost (solo permanentemente congelado) da Sibéria. Esse gás deve acelerar o aquecimento global e contribuirá para piorá-lo.
Segundo os cientistas, a emissão de 50 bilhões de toneladas de metano aprisionados na região causaria um aumento de 15% no impacto financeiro descrito no relatório Stern, que estimava em US$ 400 trilhões a perda econômica gerada pelo aquecimento até 2100.
BOMBA-RELÓGIO
"Isso é uma bomba-relógio econômica que não vem sendo sendo reconhecida atualmente no plano mundial", diz Gail Whiteman, da Universidade Erasmus, de Roterdã, líder do trabalho.
A pesquisadora afirma que adiantou a liberação dos dados de seu estudo porque o aquecimento do Ártico vinha sendo discutido em clima de otimismo por países boreais.
| William Mur/Ed. de arte/Folhapress | ||
Como 30% das reservas não mapeadas de gás e 13% das de petróleo estão lá, a seguradora Lloyd's of London estima que o investimento na região possa atingir US$ 100 bilhões nos próximos dez anos.
E a exploração do Ártico será facilitada pelo derretimento do gelo em si, que abre rotas de navegação e barateia o transporte.
O retorno do capital, porém, precisaria ser três ordens de magnitude maior para compensar os danos globais. E os países que teriam algum lucro não são os mais ameaçados pela mudança climática, que afetará terras agricultáveis tropicais. "Por isso queremos levar essa discussão ao Fórum Econômico Mundial", diz Whiteman.
Segundo os cientistas, há pouca esperança de evitar a liberação do metano siberiano, mesmo que as emissões de CO2 sejam reduzidas.
Os cenários com os quais os pesquisadores trabalham variam entre uma liberação em dez anos até uma em trinta anos, mas o impacto econômico acumulado seria quase o mesmo.
A única opção regional de medida paliativa é controlar a circulação de navios e a exploração de petróleo para evitar a emissão de carbono negro (forma de fuligem), que faz o gelo absorver radiação.
Os cientistas reconhecem, porém, que o estudo ainda é muito impreciso. Mas isso também não é boa notícia.
"No escopo da simulação, há 5% de chance de que o prejuízo seja de 'apenas' US$ 10 trilhões, mas há 5% de risco de que o impacto seja de US$ 220 trilhões", diz Chris Hope, da Universidade de Cambridge, coautor do trabalho.
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Inter Press Service - Reportagens
08/7/2013 - 09h44
08/7/2013 - 09h44
A esquerda quer orientar enxame das redes sociais brasileiras
por Fabiana Frayssinet, da IPS

O protesto dos jovens, que se declaram afastados dos partidos, acontece em meio a uma luta ideológica. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
O protesto dos jovens, que se declaram afastados dos partidos, acontece em meio a uma luta ideológica. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
Rio de Janeiro, Brasil, 8/7/2013 – As manifestações de rua no Brasil, inicialmente apartidárias, começaram a ganhar as cores de bandeiras de agrupações políticas e sociais de esquerda, que agora tentam orientar a força de um movimento que nasceu como um “enxame” nas redes sociais. Augusto Franco, Fundador da Escola de Redes, definiu o motor que impulsionou o movimento, inicialmente em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, como um enxame, que explicou como uma “manifestação de interação que só pode ocorrer em sociedades altamente conectadas”, com as de Madri e outras cidades espanholas ou na egípcia Praça Tahrir.
Nascidas sob um objetivo pontual, reduzir a tarifa do transporte público, se constituíram nos maiores protestos depois dos registrados em 1992, que culminaram com a renúncia do presidente Fernando Collor. Desta vez começaram com cinco mil jovens e chegaram a mobilizar mais de 1,5 milhão em dez dias. Porém, com características inovadoras, segundo Franco. “Não foram convocadas centralizadamente, não havia liderança, e sim múltiplos líderes emergentes e eventuais. Não se trata de massas convocadas por organizações centralizadas, mas por multidões de pessoas agrupadas de modo distributivo”, pontuou Franco à IPS.
Um enxame sem abelha rainha que agora está em meio a uma “disputa ideológica”, segundo João Pedro Stédile, histórico dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que aderiu aos protestos. “Como essa juventude não tem uma organização de massas, as classes sociais começaram um debate ideológico. Disputam as ideias dos jovens para influenciá-los”, afirmou o dirigente em entrevista à IPS. “Por um lado está a burguesia que utilizou o Sistema Globo (multimídia) e outros meios de comunicação para colocar na boca e nos cartazes dos jovens a demanda da direita. E, por outro, a esquerda e a classe trabalhadora, que tentam ir às ruas para colocar suas próprias propostas”, explicou.
Stédile considera que os protestos começaram por uma crise urbana desta etapa do “capitalismo financeiro”. Enumera fatores com a especulação imobiliária, que nos últimos três anos elevou em 150% o preço dos aluguéis e das propriedades, e o estímulo à venda de automóveis, que gerou um trânsito “caótico”, sem investimentos paralelos efetivos em transporte público. “Os jovens não são apolíticos. Estão fazendo a melhor política, que é nas ruas. Mas não estão vinculados a partidos. Sua rejeição não é a ideologia dos partidos, mas seus métodos”, destacou.
O sociólogo Emir Sader apresentou explicações mais subjetivas, como a utopia, a rebeldia e a “saudável falta de respeito em relação às autoridades”, próprias da juventude, e que o adolescente manifestante Rafael Farias definiu para a IPS como “o calor, a intuição, o chamado”, ressaltando que “somos jovens e queremos chamar a atenção”. E foram ouvidos pelos poderes Executivo, Legislativo e Judicial, que já lhes deram respostas conjunturais, como baixar o preço do transporte, criar mecanismos contra a corrupção, destinar mais recursos à saúde e educação e debater uma adiada reforma política.
No entanto, as vozes dos jovens chegaram também aos ouvidos das organizações sociais e do amplo leque de partidos de esquerda, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT), base do governo de Dilma Rousseff. O próprio líder partidário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), os exortou a se somarem aos protestos. Segundo Lula, é preciso evitar que a direita se “aproprie” do movimento e “empurrar” o governo para a esquerda, a fim de “aprofundar as mudanças”.
“Não se trata de colocar palavras de ordem nas bocas dos jovens. Eles têm as suas e o simples fato de saírem às ruas e mostrarem sua indignação já é uma contribuição política para toda a sociedade”, opinou Stédile. “O problema é como mobilizar a classe trabalhadora, porque, quando esta se mover, poderá haver mudanças estruturais e afetar os interesses do capital e dos grandes meios de comunicação”, ressaltou. A estratégia já se refletiu nas últimas manifestações com lemas e atores mais diversificados. Desde sindicatos, movimentos pelos direitos da mulher e homossexuais, até camponeses e indígenas.
“Estamos tentando mobilizar a classe trabalhadora e incluir temas que interessam a essa classe e a todo o povo”, explicou o dirigente do MST. São propostos temas adicionais ao fortalecimento do investimento público em saúde e educação, como a redução da jornada de trabalho para 40 horas, uma reforma tributária que onere os mais ricos e alivie os impostos dos mais pobres, bem como campanhas eleitorais apenas com financiamento público.
Querem reivindicações menos urbanas, como a aceleração da demarcação de terras indígenas e uma reforma agrária. Na agenda dos movimentos sociais há outras pautas, como a suspensão das concessões de mineração e de leilões na área do petróleo. “Em minha opinião, as revoltas têm bases econômicas e sociais”, afirmou Stédile. “Mais do que dar aos jovens uma direção política, é preciso pôr a classe trabalhadora em movimento, ou seja, levar também os pobres e os trabalhadores para as ruas. Este é o desafio”, ressaltou.
Um espaço representativo nas ruas, que perderam na última década de governo de um partido liderado por um dirigente sindical de longa trajetória e prestígio, como Lula, com o qual se identificavam e de quem foram se distanciado. “A esquerda, em geral, também se burocratizou em seus métodos, embora grupos desta tendência da juventude tenham apresentado, em muitas cidades, bastante incidência e conduzido de forma organizada os protestos, pontuou Stédile.
No entanto, Sader, militante do PT, entende que “a esquerda tem que disputar a direção e o sentido deste movimento com orientações claramente populares e democráticas”. É uma estratégia já conhecida na história latino-americana, cuja efetividade é duvidosa para alguns analistas e tem a aposta de outros.
“Este movimento tem uma agenda crescentemente plural. É um grito de basta. Embora grupos políticos específicos tentem capitalizar o movimento, ainda falta ver o resultado”, disse à IPS o historiador Marcelo Carreiro. Por sua vez, o economista Adhemar Mineiro afirmou “que o governo estará em bom caminho se sair dos trilhos aos quais retornou com o velho discurso de ajuste e competitividade e se dirigir às massas que estão nas ruas para debater um novo modelo de desenvolvimento”.
O poder de convocação dos sindicatos e organizações sociais será sentido no dia 11em sua “jornada nacional de luta e paralisação”. “Constatamos que os meios de comunicação e setores conservadores e de direita tentam influenciar as mobilizações com objetivos alheios aos interesses da maioria do povo brasileiro”, afirmou a Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma das 77 organizações que convocam a manifestação. Por isso, é “de fundamental importância a participação organizada da classe trabalhadora neste novo cenário, para encontrar uma saída positiva para essa situação”, enfatizou. Envolverde/IPS
(IPS)
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