segunda-feira, 15 de abril de 2013

O triste fim da primeira árvore


14/04/2013 - 02h00

O triste fim da primeira árvore

CHICO FELITTI
DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/1261548-o-triste-fim-da-primeira-arvore.shtml
"Dos filhos deste solo. És mãe gentil, pátria amada, Brasil", diz o hino de um país que eu vi nascer. Sou filha deste solo. Nasci sem ser planejada num terreno baldio que beirava a serra do Mar. Mas, hoje num terreno baldio e perigando tombar, ainda não tenho certeza de que minha pátria seja uma mãe gentil.
A começar que vi muita tristeza na minha vida -que tem mais de 200 anos mas ninguém sabe com precisão quando começou. Nasci no ponto exato onde terminava a cidade de S.Paulo e começava a estrada que levava para o interior ou para Santos.

Árvores de São Paulo

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Felipe Russo/Folhapress
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Figueira-brava (Ficus organensis) - estrada das Lágrimas, altura do número 515, Sacomã, zona sul de São Paulo
Era sob a minha sombra que soldados se despediam das esposas, mães dos filhos que iam se formar bachareis. Eram abraços, beijos e chororôs mil. Por isso me apelidaram Figueira das Lágrimas.
O viajante Emilio Zaluhar, no seu livro "Peregrinação pela Província de São Paulo", de 1862, já me pinta com palavras: "Pouco mais adiante do Ipiranga encontra-se uma belíssima figueira brava, cujos galhos bracejando em sanefas de verdura, formam um bonito dossel em toda a largura da estrada. É este o sítio das despedidas saudosas".
Mas era também o ponto dos retornos triunfais. Eu vi D. Pedro I voltando de Santos em 7 de setembro de 1822.
Só que os quase 200 anos entre a independência do país mudaram São Paulo muito. Estou bem longe de onde é o fim da cidade hoje. Fico num terreno baldio, na frente de uma oficina de motos e a poucos passos (de criança) de uma escola pública.
Ainda que cercada de casas, não recebo mais visitas. Ou quase: a motorista Yara Rodrigues Caldas, 57, passa quase todos os dias para me ver. Ela mora na mesma estrada das Lágrimas e vem me regar. "Até converso um pouco", confessa.
Outros vêm me ver. Pelas razões erradas: a placa de bronze que me identificava como parte da história nacional (e que eu considerava uma medalha de honra ao mérito) me foi roubada.
ÁRVORES DE SÃO PAULO
Veja o perfil de algumas das mais antigas
Ganhei, em compensação, uma vizinha no terreno baldio. É um pé de Ficus Benjamina,espécie de parente distante meu, que veio lá da Malásia.Só que, por estarmos perto demais, competimos por luz, água e nutrientes. Ela é jovem, deve ter uns 40 anos. E eu, no alto de dois séculos, tenho de competir para viver.
A prefeitura diz que vou bem. A quem pergunta, afirma que eu recebo "adubações orgânicas e mineral e irrigação complementar de acordo com o regime de chuvas". Para eles, tenho "bom aspecto e vigor vegetativo". Convido quem estiver lendo para ver esse viço todo, quase sem folhas e me apoiando sobre um muro que rui.
Não chorem. Ou, melhor, chorem sim, como vêm fazendo por alguns séculos, mas desta vez pela árvore em si, e não por algo embaixo dela.
Figueira-brava (Ficus organensis) - estrada das Lágrimas, altura do número 515, Sacomã, zona sul de São Paulo

Em busca do milagre energético


15/04/2013 - 03h00

Em busca do milagre energético


The New York Times
A Lockheed Martin tem um plano para transformar o sistema energético mundial: um tipo viável de fusão nuclear. Bill Gates e outro veterano da Microsoft, Nathan Myhrvold, já despejaram milhões de dólares em um reator de fissão que poderia funcionar à base de resíduos nucleares. A China aproveitou uma pesquisa descartada nos EUA para tentar desenvolver um reator mais seguro, baseado num elemento abundante chamado tório.

Muita gente inteligente está chegando à conclusão de que o problema energético será o maior desafio do século 21. Temos de fornecer energia e transporte a uma população que chegará a 10 bilhões de indivíduos, mas também precisamos limitar as emissões de dióxido de carbono (CO2) que ameaçam nosso futuro.
Muitos ambientalistas creem que as energias eólica e solar poderão ser ampliadas para atender à crescente demanda. Mas diversos analistas afirmam que as energias renováveis não poderão nos levar nem até a metade desse caminho.
Jovens brilhantes estão trabalhando para melhorar o armazenamento de eletricidade. Também já começaram a ser desenvolvidas tecnologias futuristas que possam retirar o CO2 da atmosfera de forma barata.
Mas, diante da premente necessidade de milhares de usinas geradoras de energia que funcionem noite e dia sem emitir CO2, muitos tecnólogos continuam revisitando as possibilidades de aperfeiçoamento da energia nuclear.
"Precisamos de milagres energéticos", declarou Gates três anos atrás, ao lançar sua iniciativa. Gates e Myhrvold planejam construir o chamado "reator de onda viajante". Em princípio, ele poderia operar de forma segura por meio século (ou mais) sem ser reabastecido e seria alimentado com resíduos perigosos das atuais usinas.
Esse método, como os dos reatores existentes, baseia-se na fissão, ou seja, na quebra de átomos pesados, usando a energia resultante para acionar turbinas elétricas.
A abordagem da Lockheed Martin envolve a fusão de variantes do hidrogênio em elementos mais pesados, uma reação semelhante àquela que mantém o Sol "aceso".
Em discurso neste ano, um dos líderes desse programa, Charles Chase, sugeriu que a meta é desenvolver reatores de fusão pequenos e modulares que possam ser montados em fábricas.
Entre as novas abordagens nucleares, os reatores de fissão à base de tório oferecem vantagens em termos de segurança. Os conceitos básicos foram provados em pesquisas da década de 1960 nos EUA, mas a ideia acabou abandonada.
Um engenheiro do Alabama, Kirk Sorensen, ajudou a resgatar esse trabalho e fundou uma empresa, a Flibe Energy, para levar isso adiante. Mas a China está à frente dos EUA nesse campo, com centenas de engenheiros desenvolvendo reatores de tório.
"Eles estão dando voltas na pista, e nós nem decidimos se vamos amarrar nosso tênis", afirmou Sorensen.
No entanto, mesmo que essas tecnologias funcionem, é possível que elas só sejam amplamente instaladas nas décadas de 2030 e 2040. Os climatologistas nos dizem que seria tolice esperar tanto tempo para começar a confrontar o problema das emissões.
As duas abordagens para a questão -gastar dinheiro na tecnologia atual ou investir em avanços futuros- são às vezes apresentadas como conflitantes. Mas os especialistas mais inteligentes dizem que temos de perseguir ambas, agressivamente.
Uma política climática ambiciosa por parte dos EUA, ancorada por um preço elevado sobre as emissões de CO2, atenderia simultaneamente aos dois objetivos, acelerando a tendência de substituição das usinas termoelétricas a carvão por usinas a gás natural e direcionando investimentos para as atuais tecnologias de baixa emissão de carbono, como a eólica e a solar.
Também haveria maior recompensa econômica para o desenvolvimento de novas tecnologias -reatores nucleares de nova geração, células solares melhoradas ou alguma coisa inteiramente imprevista.
Na prática, a política dos EUA é esperar por milagres energéticos, sem muito esforço para que eles aconteçam. Mas, certamente, nos sentiríamos bem melhor em relação ao futuro se o pleno poder criativo do capitalismo americano fosse liberado para o problema climático.

domingo, 14 de abril de 2013

Respeito à ética afasta mulheres da chefia, diz estudo


Respeito à ética afasta mulheres da chefia, diz estudo

14/04/2013 - 01h30 
FELIPE GUTIERREZ
DE SÃO PAULO

Mulheres têm mais dificuldades de subir na carreira por considerar que é complicado manter a ética nos negócios. A polêmica tese é das psicólogas Jessica Kennedy, da Escola Wharton, e Laura Kray da Universidade da Califórnia (Berkeley).
Elas afirmam que essa é uma das razões para, entre as 500 maiores companhias dos Estados Unidos, só 14% dos executivos serem mulheres -apesar de elas serem 36% dos alunos dos MBAs das dez melhores escolas do país.
Divulgação
Laura Kray, professora de psicologia da Universidade da Califórnia (Berkeley)
Laura Kray, professora de psicologia da Universidade da Califórnia (Berkeley)
No estudo, as psicólogas analisaram as diferentes maneiras com que homens e mulheres encaram compromissos éticos. Veja trechos da entrevista com Kray.
*
Folha - O que é um compromisso ético?
Laura Kray - É uma decisão que implica uma troca entre um valor moral por uma recompensa, como dinheiro ou reconhecimento.
E com qual frequência isso acontece nas corporações?
Nós não medimos isso, mas acredito que são acontecimentos cotidianos nas corporações.
No estudo, vocês comparam o mundo dos negócios a outras áreas, como medicina. Quais são as diferenças?
Em negócios, não há um valor moral acima de tudo, como salvar vidas ou o senso de justiça, então é uma área em que se enfrenta mais esses compromissos éticos.
Você pode explicar como foram os três testes?
No primeiro, descrevemos situações de quebra de conduta moral, e as mulheres reagiram de maneira mais indignada. No segundo, observamos que elas se interessam menos do que homens por posições que envolvem dilemas éticos. E, finalmente, perguntamos se as pessoas associam negócios a um comportamento moralmente errado, e as mulheres fizeram isso mais frequentemente.
Por que há diferenças de respostas entre gêneros?
Pode ser que exista uma explicação biológica, que elas nasçam assim. Ou também algo cultural: as mulheres são criadas para pensar mais na comunidade do que os homens.
O que é "desengajamento moral"? Isso é algo que as mulheres precisam praticar mais?
É um mecanismo pelo qual as consequências ruins de uma decisão são minimizadas para justificá-la. Eu nunca diria que as mulheres ou mesmo os homens devam praticar mais o "desengajamento moral", mas acho que as corporações precisam valorizar a ética de alguma forma. Desse modo, as mulheres serão mais representadas em posições de chefia.

sábado, 13 de abril de 2013

Rede infantil de sustentabilidade



Apresentadora Xuxa lança rede infantil de sustentabilidade



08.04.2013 - Por Universo Jatoba - Deixe um comentário
Ujatoba_xuxa1
Hoje eu quero destacar uma iniciativa que merece parabéns! A apresentadora Xuxa acaba de lançar uma campanha para educar as crianças sobre como cuidar do meio ambiente e se envolver em questões sociais. É a Rede + Criança, que pretende reunir meninos e meninas de todo país com a ajuda da internet.
A Rainha dos Baixinhos conta com o apoio da nossa ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, além da atriz Christiane Torloni. A ideia da Rede + Criança começou na Rio + 20 no ano passado, onde ficou claro que as crianças de hoje é que vão enfrentar um futuro cada vez mais difícil em termos de mudanças do clima e problemas sociais.
Divulgue esta ideia, Rede + Criança! Se você quer saber mais, entre no site www.fundacaoxuxameneghel.org.br
Se preferir, ouça aqui.





E dos humanos?


Iniciativa verde | 11/04/2013 17:02

Franceses transformarão fezes de pandas em energia

Segundo os planos do estabelecimento, os pandas produzirão 25 kg de combustível por dia

Vanessa Daraya, de 

Creative Commons/EXAME.com
Panda gigante encontra dificuldades para procriar
Agora, o animal em extinção poderá ajudar a diminuir as contas de energia do zoológico
São Paulo - O zoológico Francês Beauval planeja transformar as fezes poderosas dos pandas em energia. Agora, o animal em extinção poderá ajudar a diminuir as contas de energia do zoológico.
Em 2012, o zoológico trouxe dois pandas da China por aproximadamente 1 milhão de dólares por ano em um contrato de 10 anos de duração. Segundo os planos do estabelecimento, os pandas produzirão 25 kg de combustível por dia.
Os pandas comem 35 quilos de bambu em um dia e defecam aproximadamente 30 quilos por dia. Isso os torna os principais candidatos para esta iniciativa verde.
Tudo isso a partir de uma nova planta que será capaz de processar dejetos e transformá-los em energia.
As plantas de processamento são usadas para purificar a matéria-prima do gás natural. A instalação custará 3 milhões de dólares e deverá ficar pronta em 2014.
A eletricidade será gerada pela queima de biogás coletado a partir de excrementos dos pandas, de outros animais e de resíduos orgânicos. A estimativa do zoológico é que a planta de processamento irá cortar custos de energia em 40%.
Nos últimos anos, os sistemas de biogás, que usam todos os tipos de resíduos orgânicos, ganharam força como uma alternativa de energia renovável nos Estados Unidos e na Europa, além de países em desenvolvimento.

Canil municipal - CCZ queria retirar cão com leishmaniose de protetor para assassinar


SEXTA-FEIRA, 12 DE ABRIL DE 2013

Canil municipal - CCZ queria retirar cão com leishmaniose de protetor para assassinar


Scooby - Nosso amigo que o CCZ quer asassinar

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS) indeferiu o recurso impetrado pela prefeitura de Campo Grande e manteve a decisão de deixar a guarda do vira-lata Scooby, diagnosticado com leishmaniose, com a Sociedade de Proteção e Bem Estar Animal – Abrigo dos Bichos. O recurso foi julgado na quinta-feira (11). 

No dia 15 de janeiro deste ano, a Justiça determinou a entrega do vira-lata, que estava no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), para o Abrigo dos Bichos. No dia 1º de fevereiro, a prefeitura entrou com um recurso e pediu que o animal fosse devolvido para o órgão para que fosse sacrificado.

De acordo com a presidente do abrigo dos Bichos, Maíra Kaviski, a decisão do TJMS mostra que as autoridades estão mais conscientes em relação ao tratamento da leishmaniose no país.

Ainda segundo a presidente, o vira-lata ainda toma medicamentos para o tratamento contra a leishmaniose e passa por exames periódicos. Ele começou o tratamento a aproximadamente oito meses e não apresenta mais os sintomas da doença. “Os resultados dos últimos exames mostraram que ele está cada dia melhor”, afirmou Maíra.
Atualmente, ele mora na casa da médica veterinária Sibele Cação, que é voluntária da ONG e cedeu a sua residência como “lar temporário” para o animal.
 
O caso
Scooby ficou conhecido após ter sido amarrado em uma moto e arrastado pelo dono até o CCZ. O caso ocorreu em julho de 2012. Logo após chegar ao local, um exame atestou que ele tinha leishmaniose. Na época chegou a ser cogitada a eutanásia do animal, conforme estabelecem as normas do Ministério da Saúde.
Internautas fizeram campanha para que Scooby não fosse sacrificado. O mascote foi levado para uma clínica veterinária, com autorização da prefeitura de Campo Grande, para que recebesse tratamento contra a doença.
Orientação
O Ministério da Saúde recomenda a eutanásia dos animais com leishmaniose. Segundo a assessoria de imprensa, o órgão não reconhece nenhum tipo de tratamento para cães ou para outros animais domésticos com leishmaniose e que não existe registro no país de drogas de uso veterinário utilizados para o combate à doença.
Tratamento
Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, publicada em janeiro deste ano, autorizou o tratamento da leishmaniose em cães em todo o país. O pedido para a liberação do procedimento foi feito em uma ação movida pela ONG Abrigo dos Bichos.
Na prática, a sentença suspende os efeitos da portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que proíbe a utilização de medicamentos de uso humano no tratamento de cães infectados pela doença.
Fonte Globo G1

SÁBADO, 6 DE AGOSTO DE 2011

Leishmaniose - Cuidado com o resultado dos exames - Calazar

tratamento da leishmaniose - antes e depois
Todos os métodos de exame para saber se o animal está com calazar, sem exceção, são falhos. Tudo pode interferir no resultado. Se o animal estiver com anemia o exame poderá dar positivo mesmo o animal não estando com calazar. Se o animal estiver com um simples verme também poderá interferir no exame dando positivo mesmo o animal não estando com calazar, e assim qualquer doença, qualquer mazela pode interferir no resultado. E muitas vezes o animal não tem doença nenhuma e o resultado do exame dá errado. 

Sempre converso com veterinários sobre o assunto e eles afirmam que muitos cães são sacrificados como se estivessem com calazar sem estar, porque o exame é extremamente falho. Repito, todos os métodos são falhos. O que menos falha é um método realizado em Belo Horizonte, assim mesmo, também falha nos resultados. Foi dito por veterinários que o método utilizado aqui no Brasil para fazer teste em cães, é condenado pelo OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Europa. Deveria ser proibido, mas não é (isto é Brasil). Portanto, quem quiser fazer teste de calazar, leve ao veterinário de confiança para que o material seja levado para Belo Horizonte, se der positivo deve ser feita a contra prova. Se continuar dando positivo, trate o cão. Todos os seres vivos que contraem a doença são reservatórios, inclusive o ser humano, e isso foi dito por um veterinário numa palestra realizada em Belo Horizonte, aberta ao público. 

O Animal tratado com o princípio ativo alopurinol se recupera, mas dizem que continua sendo reservatório. A questão é: quem trata o cão, este deverá ficar tomando o medicamento por toda vida, e enquanto estiver sendo medicado ele não está sendo reservatório porque tem a ação do medicamento, por isso é indicado que o cão deve ser medicado por toda vida. Já em humanos é diferente: a pessoa é medicada, fica "boa" e depois encerra a medicação, então essa pessoa é reservatório porque não permanece sob a ação de medicamento nenhum. Por isso, não adianta matar os cães, o ideal é tratar, porque se o cão é sacrificado, o mosquito infectado continua vivo e já estando infectado não precisará picar um cão doente, basta picar a pessoa ou animal sadio para transmitir a doença. 

Matar o cão pra quê? Se já têm os mosquitos infectados e tem outros reservatórios, como pessoas que já tiveram a doença e os roedores dentre outros? O ideal é manter cidade limpa, residências limpas, e combater o mosquito. Já está mais que provado que matar cães não adianta, desde sempre usam este método e a doença continua se alastrando cada vez mais. Na Europa ninguém mata cães com calazar, eles são tratados. O Brasil é o único país que usa este método arcaico de combate ao calazar. O método utilizado pelo Brasil para combater o calazar é considerado ineficaz pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Considero frieza, traição e covardia de quem entrega o cão para ser sacrificado pelo CCZ. Isso causa mais sofrimento no animal, que será levado por pessoas estranhas, ao local estranho, para ser morto longe dos seus donos. Se alguém decidir sacrificar o cão, deverá ao menos fazer o sacrifico de ter a última despesa com o bichinho, chamar o veterinário em casa, para que ele seja anestesiado antes da injeção letal e que possa ao menos morrer em casa, para que isso evite mais angústia e sofrimento ao animal quando levado pelo CCZ (na carrocinha).

Sou contra o sacrifício. Dizem que em cães não há cura? Por que? Porque ficam sendo reservatórios após tratamento? É só medicá-los por toda vida. E as pessoas? Ficam curadas? Já sabemos que não, apenas desaparecem os sintomas após tratamento. Mas, estas também ficam sendo reservatórios, pois não ficam tomando medicação por toda vida. Conheço um homem que teve calazar, faz uns dez anos, foi tratado, ficou “bom”, após o tratamento encerrou a medicação. Hoje, ele é reservatório sim, ele e qualquer outra pessoa que teve a doença, pois não estão mais sob o efeito de nenhum medicamento. Já os cães tratados, são medicados por toda vida, então permanecem sob o efeito do medicamento e por isso não ficam sendo reservatório. Portanto, não adianta matar os cães.

É importante esclarecer, que nem toda unha grande é leishmaniose, pois animais idosos e cães que ficam muito tempo deitados podem ter unhas grandes.

Nem todo problema de pele é leishmaniose, por isso é importante sempre levar ao veterinário e fazer exames clínicos e laboratoriais, por que a leishmaniose se confunde com outras doenças. Existem muitos problemas de pele, como alergias e câncer dentre outros, e isso não tem nada a ver com calazar.

Os exames feitos pelo governo para inquérito canino podem dar cruzamento de informações com outras doenças e um cão com erlichia, babesia, verminoses ou até mesmo baixa imunidade, pode dar positivo, são os chamados falso-positivos e por isso que muitas entidades e veterinários tem questionado os exames. O problema não é o laboratório, mas o material que são feitos os testes sorológicos.

Também é importante observar, que o tratamento não está proibido, o que está proibido segundo a Portaria Interministerial, transcrevo aqui: "que proíbe o tratamento de leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento." 

O Dr. André Luis Soares da Fonseca, no mandado de segurança que impetrou para poder tratar cães com leishmaniose, em seu despacho o juiz disse que o tratamento não está proibido. O que está proibido é o tratamento com medicação humana.

Mas o melhor caminho ainda é prevenção!

Para prevenir, quando vejo que é época de mosquito, aplico spray de citronela no meu cachorro, coloco nas paredes também para que os mosquitos não se aproximem. Já coloquei a coleira Scalibor , mas tive que tirar porque ele não se deu bem com a coleira, então aplico a citronela.

Sobre o argumento de veterinários contra o tratamento em cães com calazar, não dá para aceitar. Os cães não são os únicos reservatórios. Se combatessem o mosquito, não haveria esta polêmica com relação ao tratamento e as pessoas poderiam tratar os animais. Esta é a questão, é a luta pelo combate certo, a erradicação do mosquito. Infelizmente, as autoridades nunca procuraram combater o mosquito flebótomo. O Governo e a Imprensa usam como símbolo da doença a foto de um cão, ao invés da foto do mosquito transmissor. 

Muita gente pensa que o transmissor é o cão. Sem o mosquito não teria como ser transmitida a doença do calazar. Quando aconteceu um caso de morte por calazar na periferia desta cidade, em 2008, o que as pessoas deste bairro fizeram? Mataram seus cães sem nem fazer exame, por medo de contrair a doença. Pensam que não tendo cães em casa não correm risco. Pelo contrário, o risco é maior, não tendo o cachorro para picar o mosquito irá picar as pessoas. Essas pessoas nem sequer recebem orientação correta por parte do governo, e por pensar que o cão é transmissor da doença, mataram indiscriminadamente seus animais.
Clara de Abreu Magalhães  - Fortaleza/Ceará





CALAZAR - LEISHMANIOSE - Tópicos Importantes

1) O único meio de transmissão da leishmaniose (calazar) é através da picada do mosquito. Sem o mosquito, mesmo todos os cães estando com calazar, não há como a doença ser transmitida

2) A própria OMS recomenda que cães com calazar sejam tratados, e com os mesmos medicamentos utilizados em humanos.

Mas além dos medicamentos utilizados em humanos, existem vários medicamentos veterinários para o tratamento em cães com calazar.

3) O CCZ só poderá levar o animal doente e sacrificá-lo só única e exclusivamente com a autorização do dono do animal e de mais ninguém.

As pessoas não sabem que o CCZ só pode levar o cão e sacrificar com a autorização do dono, e muitas vezes entregam o bichinho,mesmo chorando, pensando que é obrigado, além de não exigir um novo exame como contra prova.

4) Quando o animal é submetido a teste para saber se estar com calazar e der positivo, é extremamente importante e indispensável fazer um segundo exame como contraprova. Além disso, se for confirmado no segundo teste que o cão está com calazar e pessoa optar pela eutanásia do animal, esta deve ser orientada de que a eutanásia deve ser feita em casa por veterinário, pois os animais são seres vivos e têm sentimentos. Entregar o animal para o CCZ e o bichinho ser levado por pessoas estranhas, para um local estranho, longe de casa e do seu dono para ser morto, acarretará em muita angústia, medo e sofrimento para o animal e isto deve e tem que ser evitado.

5) O único meio eficaz de deter o alastramento da leishmaniose no País é combater o mosquito, sem ele não há como transmitir a doença. O cão é tão vítima quanto as pessoas, e não é o único reservatório, existem outros animais que também são reservatórios, inclusive o ser humano.

6) Conversando com um veterinário, ele apesar de ser contra o tratamento e a favor do sacrifício, afirmou que na maioria das vezes os resultados dão errados, e que muitas vezes o animal não está com calazar e mesmo assim dá positivo. Sendo assim, muitos animais são sacrificados sem estar com calazar.
Outra pergunta que fiz a ele: Se uma pessoa estiver com calazar e for picada pelo mosquito novamente, esse mesmo mosquito picar uma pessoa sadia, a pessoa pega calazar também? Ele disse que sim.

7) Um trecho da palestra do veterinário em Belo Horizonte:

O mosquito "saudável" pica um animal doente e aí ele fica contaminado e depois pica um homem e assim transmite a doença... e óbvio que pode ser o contrário... O mosquito "saudável" pica um homem doente e depois pica um animal e assim transmite a doença...TODOS NÓS, ANIMAIS RACIONAIS E IRRACIONAIS SOMOS RESERVATÓRIOS E O MOSQUITO O VETOR
O que diz a Organização Mundial da Saúde (OMS)

8) Eutanásia para o cachorro é um tema muito polêmico, há muitos pontos de vista opostos. A massiva destruição de cachorros infectados por leishmaniose é uma medida de controle drástica, usada somente no Braisl.

9) A OMS (Organização Mundial de Saúde) tende a desencorajar a matança indiscriminada de animais reservatórios de zoonoses. Isto é especialmente verdade nos casos das doenças zoonoses com muita influência para a saúde pública, envolvendo o cachorro como principal reservatório, como é no caso da leishmaniose canina, da raiva, e da equinococose cística. A OMS tem colaborado com WSPA (Sociedade Mundial para a Proteção de Animais) e desenvolvido junto linhas de orientação para o procedimento com a população canina em relação ao controle das zoonoses (OMS documento WHO/ZOON/90.16). Porém, a decisão final fica para as autoridades nacionais ou locais, enfrentando e priorizando o problema humano da leishmaniose visceral. Grandes esforços tem sido feitos para desenvolver vacinas eficientes contra a leishmaniose canina, e um candidato já foi registrado no Brasil que pode afastar a medida dramática de matar os cães infectados.

10 - A própria OMS recomenda que cães com calazar sejam tratados, e com os mesmos medicamentos utilizados em humanos.

Mas além dos medicamentos utilizados em humanos, existem vários medicamentos veterinários para o tratamento em cães com calazar.

(Obs.: o tratamento no Brasil não está proibido, o que está proibido segundo a Portaria Interministerial, é o tratamento de leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Porém, portaria não tem força de lei, e não existe nenhuma Lei Federal proibindo o tratamento). 
Clara de Abreu Magalhães - Fortaleza/Ceará

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URGENTE - MOBILIZAÇÃO CONTRA EXTERMÍNIO DE CÃES COM LEISHMANIOSE

A Leishmaniose é uma doença séria e negligenciada pelas autoridades de saúde do Brasil, cujas políticas públicas de extermínio de cães adotadas para o seu controle são antigas e ultrapassadas, além de antiéticas e ineficazes. Os cães vem pagando há anos com a vida, sem que isso tenha resultado positivo no controle dessa zoonose, até porque, gatos, cavalos, galinhas, porcos, ratos e outros animais, também são reservatórios da doença.

O deputado federal Geraldo Resende propôs um Projeto de Lei (PL 1738/2011), que normatiza campanhas de esclarecimento, prevenção e vacinação gratuita contra leishmaniose, bem como o direito de tratar os animais. Este PL está na Comissão de Seguridade Social e Família, cujo relator é o Deputado Federal Luiz Henrique Mandetta.

Precisamos de uma mobilização geral para “Informar” ao relator, e demais membros da Comissão, que a matança obrigatória de cães infectados no Brasil é ineficiente, sendo praticada apenas em nosso país, onerosa aos cofres públicos, e que mascara a propagação dessa zoonose.

Vamos encaminhar ao Deputado Luiz Henrique Mandetta, e aos demais membros da Comissão (endereços abaixo), nossa solicitação pela aprovação do PL 1738/2011 do Deputado Geraldo Resende, que trará um efetivo avanço no controle dessa doença e na qualidade de vida dos brasileiros. E também, que sejam realizadas Audiências Públicas, onde todas as partes interessadas sejam ouvidas, inclusive aquelas contrárias à política oficial de extermínio de animais. 

Quem tiver possibilidade, pode ligar para o gabinete do Relator:   -     Deputado Mandetta  -  fone: 61- 3215-5577 

Autor do PL 1738/2011   -   Deputado Geraldo Resende   -  fone: 61- 3215-8402 

E-mails:

Deputado Mandetta - dep.mandetta@camara.gov.br 

Deputado Geraldo Resende: dep.geraldoresende@camara.gov.br
 


Campanha nacional permanente - “Fecha canil do CCZ - Tortura nunca mais” Eu aderi. (cole o slogan/link no email, blog, seja criativo)