quinta-feira, 21 de junho de 2012

As sacolinhas plásticas estão liberadas nos supermercados do Estado de São Paulo

Daniel Teixeira/AE

Supermercado pode voltar a distribuir sacolinhas, decide Ministério Público

Para órgão, regra coloca o \"consumidor em desvantagem exagerada diante do fornecedor\"

20 de junho de 2012 | 22h 30


Luis Carrasco e Paulo Saldaña
Cabe aos supermercados e redes decidir se farão distribuição - Reprodução
Reprodução
Cabe aos supermercados e redes decidir se farão distribuição
As sacolinhas plásticas estão liberadas nos supermercados do Estado de São Paulo. O Conselho Superior do Ministério Público suspendeu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), feito pelo próprio MP, que bania as sacolinhas. Para o Conselho, a regra coloca o “consumidor em desvantagem exagerada diante do fornecedor”. Na prática, cabe agora os supermercados e redes decidir se farão a distribuição.


O TAC estava em vigência havia quase três meses, para descontentando de muitos consumidores. A medida de acabar com as sacolas partiu da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o acordo foi firmado com o MP, tendo o apoio do Procon e da Secretaria do Estado de Meio Ambiente. Mas o Conselho Superior, que deveria homologar o documento, decidiu não validá-lo em decisão unânime.
O Conselho entendeu que o acordo provoca um “desequilíbrio” entre mercados e consumidor. Com o fim das sacolinhas, os supermercados vendiam sacolas não descartáveis.
“A situação do consumidor, após o termo do compromisso, sofreu um prejuízo”, cita a decisão, assinada pelo procurador Marco Antônio de Campos Tebet. “O fornecedor deixou de ter de arcar com o custo do fornecimento das sacolas plásticas descartáveis ao consumidor, passando a cobrar pela compra de sacolas reutilizáveis, sem deduzir do custo de seus produtos o valor antes embutidos referente ao fornecimento de sacolas plásticas gratuitas.” 
O Conselho Superior do Ministério Público reconhece a importância ambiental de retirar do mercado de consumo as sacolas plásticas, mas pede que a Apas e os supermercados encontrem uma forma que não cause prejuízo ao consumidor. O inquérito sobre o assunto continua aberto na promotoria e pode acabar em um novo acordo. 



Por enquanto, as grandes redes de supermercados não voltarão a distribuir as sacolas. A Apas informou em nota que avalia uma nova proposta a ser apresentada ao MP. A associação informou que aguardava intimação para se posicionar ao MP, mas, em nota, criticou a decisão do Conselho. “A Apas lamenta que interesses menores estejam na contramão do respeito ao cidadão e às gerações futuras ao defender a continuidade de políticas de desperdício, poluidoras e insustentáveis.”



Para a análise do acordo, os 11 conselheiros do MP ainda levaram em conta uma petição contra à homologação protocolada pelo Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), entidade que representa a cadeia produtiva do setor. A Plastivida pedia ao MP ainda que pressionasse a Apas a continuar oferecendo as sacolas até que a homologação fosse oficializada, o que não foi atendido.



Punição. Para o advogado Jorge Kaimoti Pinto, da Plastivida, o setor de mercados criou uma impressão de punição caso oferecesse as sacolas, o que não existe. “Mesmo com esse acordo, (os mercados) não mexeram nos preços dos produtos. Continuam cobrando pelas sacolas.” Segundo ele, os consumidores podem procurar seus direitos caso não encontrem as sacolas. “Se o mercado não quiser dar sacola, não dá. O consumidor decide se vai ao Procon ou a outro lugar”, completa. A Plastivida ainda contesta o impacto ambiental e afirma que, em algumas cidades, o consumo de sacos pretos de lixo aumentou 38%.
O Procon não havia se manifestado ontem. A Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, comemorou a decisão do MP.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Versão preliminar do documento final da Rio+20 mantém recomendações gerais


http://www.jb.com.br/ambiental/noticias/2012/06/19/versao-preliminar-do-documento-final-da-rio20-mantem-recomendacoes-gerais/

A versão preliminar do documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, aponta que os temas polêmicos e sem consenso ficarão para uma próxima cúpula. O documento, concluído na madrugada de hoje (19), tenta apaziguar o impasse com uma redação generalista sobre investimentos e metas. O texto ainda pode ser modificado na reunião plenária, que ocorre neste momento, com intuito de discutir o detalhamento técnico.
No texto amplo, os aspectos sociais são destacados, ressaltando o esforço conjunto para a erradicação da pobreza, a melhoria na qualidade de vida e o ser humano no centro das preocupações. O documento tem 49 páginas, uma a menos que o texto anterior concluído no sábado (16). Inicialmente, o material chegou a ter 200 páginas, depois foi reduzido a 80, em seguida para 50 e agora para 49.
O documento está dividido em seis capítulos e 283 itens (o anterior tinha quatro a mais). Os capítulos mais relevantes são os que tratam de financiamentos e meios de implementação (relacionados às metas e compromissos que devem ser cumpridos).
A última versão do texto foi negociada até as 2h20 desta manhã. De um total de 193 delegações, apenas os representantes dos países desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos e pela União Europeia, resistiam a fechar o rascunho em nível técnico. Os europeus insistiam em levar a discussão para  os ministros de Estado.
Financiamentos e Tecnologia
Exatamente como queriam os países ricos, foram excluídos os detalhes sobre repasses financeiros, a imposição de cifras, a criação do fundo para o desenvolvimento sustentável, especificações sobre economia verde e transferência de tecnologia limpa. O Brasil e vários países em desenvolvimento defendiam a criação do fundo anual de US$ 30 bilhões, a partir de 2013, e que alcançaria US$ 100 bilhões, em 2018. Mas os países desenvolvidos rejeitaram a proposta.
A proposta do fundo foi substituída por vários parágrafos, nos quais são estabelecidos compromissos conjuntos, como a criação de um fórum para apreciar o tema a partir de nomeações da Assembleia-Geral e da parceria com as agências da Organização das Nações Unidas (ONU).
No texto há, ainda, seis itens com recomendações para os países fortalecerem as parcerias para a transferência de tecnologia limpa. Mas sem impor normas, pois a questão divide os países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Em situações de impasse, o documento sugere que os ricos colaborem para o desenvolvimento sustentável, ação que vale também para as questões relativas à capacitação e ao comércio.
Preocupação Social
Em praticamente todo o texto, há uma preocupação clara e explícita com as questões sociais o que, para os negociadores brasileiros, indica um avanço. Ao longo do documento, há a recomendação pelo esforço de erradicar a pobreza e garantir o desenvolvimento sustentável com inclusão social. No primeiro capítulo a ordem é explícita.
“Reafirmamos também a necessidade de se alcançar o desenvolvimento sustentável: a promoção sustentada, inclusiva e justa do crescimento econômico, criando maiores oportunidades para todos, reduzindo as desigualdades, elevar os padrões básicos de vida, promoção do desenvolvimento social equitativo e inclusão, e promover a gestão integrada e sustentável dos recursos naturais recursos e dos ecossistemas que suportam nomeadamente econômico, desenvolvimento social e humano, facilitando a conservação do ecossistema, regeneração e recuperação e resistência em face de novos desafios e emergentes”, diz o texto.
Exatamente como no rascunho anterior, concluído no fim de semana, o texto dá atenção privilegiada à África. A recomendação é que todos se unam na tentativa de ajudar os países africanos, embora ressalte que isso já ocorre. “Notamos que a ajuda à África tem aumentado nos últimos anos. No entanto, ela ainda está aquém em compromissos que foram feitos anteriormente. Ressaltamos a prioridade fundamental para a comunidade internacional de apoiar os esforços sustentáveis ??de desenvolvimento de África”, diz o documento.
Economia Verde
Um dos itens mais polêmicos debatidos ao longo dos últimos dias foi o conceito de economia verde. Há divergências de interpretação e compreensão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. No caso dos países ricos, a preocupação está relacionada com as questões relativas à produção, ao consumo e à comercialização de mercadorias. Para evitar controvérsias, foram colocadas recomendações gerais.
“Afirmamos que existem diferentes abordagens, visões, modelos e ferramentas disponíveis para cada país, de acordo com suas circunstâncias e prioridades nacionais, para alcançar o desenvolvimento sustentável nas suas três dimensões que é o nosso objetivo primordial”, diz o texto.
Em seguida, há 16 recomendações (antes eram 15) sobre como inserir o conceito de economia verde nos esforços pelo desenvolvimento sustentável e pela inclusão social, respeitando a soberania nacional.
Há menções para os esforços conjuntos para transformar o mundo em uma sociedade equitativa e com oportunidades para todos, assim como aumentar o “bem-estar dos povos indígenas em suas comunidades” , assim como para mulheres, crianças, jovens e pessoas com deficiência.
No capítulo sobre temas específicos, são mencionados erradicação da pobreza; segurança alimentar e nutricional e agricultura sustentável; energia; turismo sustentável; transporte sustentável; cidades sustentáveis e assentamentos humanos; saúde e população; promoção de emprego pleno e produtivo e do trabalho digno para todos com garantias de proteções sociais e oceanos, além de estados insulares.
Na parte final do documento, há recomendações sobre os esforços para reduzir os riscos de desastres que se refere à medidas que devem ser adotadas para alertar sobre perdas de vidas e os danos econômicos e sociais causados por essas situações. No ano passado, o Japão viveu um dos piores terremotos da sua história, enquanto Haiti e Chile ainda tentam se recuperar dos tremores de terra recentes.
No capítulo sobre mudança climática, a preocupação é evidente, mas não há recomendações pontuais sobre o mínimo e o máximo, por exemplo, permitidos de emissão de gases de efeito estufa.
“Estamos profundamente preocupados que todos os países, particularmente os países em desenvolvimento, que são vulneráveis ??aos impactos adversos das alterações climáticas e estão experimentando os impactos aumento incluindo a seca persistente e eventos climáticos extremos, elevação do nível do mar, erosão costeira e acidificação dos oceanos, ameaçando ainda mais a segurança alimentar e os esforços para erradicar a pobreza e alcançar o desenvolvimento sustentável”, diz o documento.

Para integrantes da Cúpula dos Povos, texto da Rio+20 foi fraco


http://www.jb.com.br/ambiental/noticias/2012/06/19/para-integrantes-da-cupula-dos-povos-texto-da-rio20-foi-fraco/

Jornal do BrasilLuciano Pádua
O rascunho do documento que será apreciado pelos chefes de Estado e de governo que virão à Conferência Das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, foi execrado por representantes de movimentos sociais na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, nesta terça-feira (19). O desagrado com o que as representações diplomáticas apresentaram foi geral. 
Com presença maciça da sociedade civil e de integrantes de Organizações Não Governamentais (ONGS), que expunham, no palco, as denúncias a serem repassadas aos líderes internacionais que virão ao Brasil, a indignação com a falta de mudanças proposta na Rio+20 dominou o ambiente. Ainda, a Cúpula dos Povos convocou a primeira de três assembleias a ser realizadas para elaborar o documento final do evento na sexta-feira (22).  
Para a integrante do Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos e do Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos pela Rede Brasil, Iara Pietricovsky, o documento elaborado na RIo+20 foi fraco e aquém daquilo a que se propõe o encontro internacional. Apesar de reconhecer o esforço do governo brasileiro, Pietricovsky acredita que as autoridades nacionais foram pouco ambiciosas.
“Não houve nenhum avanço em transferência de tecnologia, financiamento de medidas sustentáveis e poucas propostas de metas de desenvolvimento sustentável. Esse documento vai servir como uma agenda para o futuro”, disse.
Para a ativista, a retirada do termo ‘direito reprodutivo das mulheres’ do documento constitui um retrocesso absoluto. Ela se disse decepcionada com o Brasil ter cedido a pressões de “países que não respeitam o direito das mulheres”. Ela criticou, ainda, o fato de o texto ter sido baseado no fortalecimento das parcerias público-privada e a prioridade dada ao setor privado.
“O governo trabalhou com um texto possível de ser aprovado. Aquilo que não tinha consenso, foi vetado”,  afirmou. “O documento insiste na prioridade do setor privado e no fortalecimento das parcerias público-privada. Trata-se da mercantilizacão dos direitos”.
Pietricovsky se disse confiante para o documento final que será apresentado pela Cúpula dos Povos na sexta-feira. De acordo com ela, a expectativa é para um texto mais ousado do que o aprovado pela Rio+20.
“Estou confiante que sairá um documento [da Cúpula dos Povos] com uma agenda de campanha global em resposta a esse documento [da Rio+20] que, para nós, está muito fraco”, disparou. “Quem sabe, com a chegada da presidente Dilma, amanhã, haverá alguma proposta efetiva para financiamento, porque, agora, [o documento] continua não resolvendo a situação”.

Chefes de Estado e de Governo começam a analisar propostas da Rio+20


http://www.jb.com.br/ambiental/noticias/2012/06/20/chefes-de-estado-e-de-governo-comecam-a-analisar-propostas-da-rio20/

Agência Brasil

Cerca de 100 chefes de Estado e Governo estarão reunidos de hoje (20) a sexta-feira (22) em mesas-redondas paranegociar politicamente o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O texto será divulgado oficialmente no encerramento da cúpula. As modificações podem ocorrer até o último momento, mas a expectativa, dos negociadores é que apenas alguns itens sejam incluídos por sugestão da sociedade civil.
Organizações não governamentais, movimentos sociais e integrantes da sociedade civil participam de debates em dez painéis denominados Diálogos Sustentáveis. Cada um dos painéis definirá três recomendações. Ao final, 30 sugestões serão encaminhadas aos líderes políticos para que examinem a possibilidade de incluí-las no texto da conferência. Se as recomendações forem aprovadas, elas serão inseridas na declaração final dos chefes de Estado e Governo, a ser anunciada sexta-feira.
A sociedade civil cobra um texto mais detalhado e objetivo sobre financiamentos para as ações referentes ao programa de desenvolvimento sustentável. O desejo dos movimentos sociais, assim como o do Brasil e o dos países em desenvolvimento, era criar um fundo, começando com US$ 30 bilhões, para os projetos destinados ao assunto, mas no rascunho não há menção ao tema.
Os movimentos sociais também defendem a elevação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) a organismo independente e autônomo, como a Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, não houve acordo sobre essa proposta durante as últimasnegociações. No documento estão apenas as recomendações de fortalecimento do programa e a possibilidade futura de sua ampliação.  
Há ainda críticas à ausência de regulação das águas oceânicas. Apesar de os negociadores brasileiros considerarem que houve avanços na fixação de vetos à pesca de determinadas espécies em alto-mar, a sociedade civil quer mais detalhes. No entanto, os Estados Unidos, o Japão e outros países resistem à ampliação das propostas.  
Ontem (19), o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que o último texto negociado pode ser alterado. Segundo ele, as críticas da sociedade civil serão consideradas para análise dos líderes políticos. “Muita água ainda vai rolar. Muita coisa vai acontecer. Os chefes de Estado [e Governo] não vêm aqui só para assinar. Pode haver mudanças”, acrescentou.
A Rio+20 será aberta hoje, a partir das 16h, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e a presidenta Dilma Rousseff. Além de Dilma e Ban Ki-moon, outros líderes terão direito a discursar por cinco minutos, entre eles os presidentes da França, François Hollande, e do Paraguai, Fernando Lugo.

Evento paralelo à Rio +20 gera mobilização em redes sociais


19/06/2012 - 13h53

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1106944-evento-paralelo-a-rio-20-gera-mobilizacao-em-redes-sociais.shtml

VENCESLAU BORLINA FILHO
DO RIO

Um assunto chama a atenção na lista dos mais comentados do Twitter nesta terça-feira (19) no Brasil. O Rio + Social é um evento paralelo à Rio +20 (Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável) que tenta mobilizar pessoas em torno das redes sociais na internet para transmitir conceitos de desenvolvimento sustentável.

Reunidos em um hotel na praia da Barra, na zona oeste do Rio, dezenas de internautas usam o Twitter, Facebook, Pinterest, Google+ e outras redes sociais para chamar a atenção da sociedade digital enquanto assistem a debates com líderes nesta área, como o presidente da Fundação das Nações Unidas, Ted Turner, personalidades e pessoas ligadas à tecnologia.
Entre os temas abordados nos debates e palestras "tuitados" pelos participantes, estão a preservação ambiental, a maior participação das mulheres nas decisões mundiais e ações individuais com benefícios coletivos, como a reciclagem.
Todos os temas estão sendo tratados pelos representantes de governos na conferência da ONU que acontece no Riocentro.
Turner afirmou que abordar essas questões na internet é fundamental porque as informações e as notícias podem mudar o mundo. "Nunca se teve tanta informação disponível quanto hoje por causa da internet. Nós podemos usar essas ferramentas para preservar o ambiente. Destruindo o ambiente, estamos destruindo a nós mesmos", disse.
Brasileiros participam dos debates, como o apresentador de TV, Luciano Huck, e a cantora Daniela Mercury. O ex-jogador de futebol Ronaldo enviou uma mensagem de vídeo. São esperados para os debates desta tarde a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e a representante da EDP no Brasil, Ana Maria Fernandes.

Documento final da Rio+20 deixa decisões para o futuro


19/06/2012 - 17h54

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1107153-documento-final-da-rio20-deixa-decisoes-para-o-futuro.shtml

CLAUDIO ANGELO
CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

O documento final da Rio+20, "O Futuro que Queremos", foi aprovado sem alterações na manhã desta terça-feira (19) por representantes de quase 190 países. Sem avançar muito na agenda socioambiental e jogando todas as decisões para o futuro, o texto foi comemorado por evitar retrocessos.

A principal resolução do documento é lançar um processo para a definição de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um conjunto de metas que visa substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio a partir de 2015, incorporando critérios socioambientais. A proposta das metas será feita em 2013, após sua definição por um comitê técnico designado pela ONU.
Outra decisão para o futuro é criação de um grupo de 30 especialistas para propor, em 2014, uma solução inovadora para o financiamento ao desenvolvimento sustentável.
"O documento é uma base sólida para trabalharmos não no imediato, mas com uma visão de médio e longo prazo", afirmou a jornalistas o chanceler Antônio Patriota, após a plenária que aprovou o texto proposto pelo Brasil após três dias de consultas entre países. Segundo Patriota, é a primeira vez na história da ONU que um documento tem os três pilares do desenvolvimento sustentável -- social, ambiental e econômico -- bem equilibrados.
"O documento é rico em potencialidades", filosofou a embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da missão brasileira na ONU.
Ambientalistas, porém, criticaram a falta de ambição do texto e o fato de que, em sua maior parte, o esforço diplomático conseguiu apenas repetir os compromissos de 1992.
"Você entrou numa reunião no Rio em 2012 e saiu achando que estava no começo de uma reunião no Rio em 1992", resumiu Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace. "A conferência não está entregando nada além de uma promessa de que até 2015 tudo talvez possa estar resolvido."
Um dos principais resultados esperados pelo Brasil no texto acabou não saindo: a decisão de lançar o embrião de um acordo para a proteção de áreas marinhas além de jurisdições nacionais -- que cobrem 50% da superfície da Terra.
Por pressão de uma aliança improvável formada pelos tradicionais inimigos EUA e Venezuela, com apoio de Cingapura e Japão, o texto sobre os mares foi "aguado" entre a primeira e a segunda versão. Em vez de decidir lançar as bases para o acordo, a Rio+20 decidiu que a decisão será tomada até 2015, no máximo, pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
"É como dizer para a sua namorada que em três anos você vai decidir se vai se casar ou não", criticou Sue Lieberman, da ONG High Seas Alliance.

Mais uma casa sustentável...


Arquitetos norte-americanos planejam casa sustentável em praia no Oregon

Postado em 19/06/2012 às 10h30

A residência construída na praia de Cannon, em Oregon, produz mais energia do que necessita para o seu próprio consumo. | Foto: Divulgação
Os arquitetos do escritório norte-americano Nathan Good Architects planejaram uma casa praiana que mescla beleza e sustentabilidade. A residência construída na praia de Cannon, em Oregon, produz mais energia do que necessita para o seu próprio consumo.
Quando o projeto estava sendo feito a primeira preocupação dos arquitetos era de que ele resultasse em uma casa durável e ecologicamente correta. A beleza ficou em segundo plano. No entanto, o resultado foi muito melhor do que se poderia imaginar.
Durante a construção foram utilizadas técnicas e materiais sustentáveis. O planejamento também considerou todas as questões naturais da região. Um dos exemplos é o uso de enormes janelas voltadas ao sul, que permitem a entrada de grande quantidade de luminosidade natural, reduzindo o uso de sistemas artificiais.
A Cannon Beach Residence ainda é equipada com sistema de captação fotovoltaico, com capacidade para 5.9 quilowatts. A energia é usada para suprir as necessidades da casa. Mas, o sistema também está ligado à rede, assim, quando a produção excede o consumo, a energia pode ser utilizada em outra residência.
O sol também é usado para aquecer a água da casa, através de coletores térmicos. Parte do telhado da edificação é verde, para proporcionar maior conforto térmico e oferecer melhor resistência ao fogo.
A estrutura contou com o uso de materiais reciclados e reaproveitados sempre que foi possível. Árvores caídas também foram reutilizadas para a fabricação de alguns conjuntos de mobília. Com informações do Dornob.
Redação CicloVivo
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Casa sustentável ou Ecoponto?


Márcia Moura prestigia lançamento da “Casa Sustentável”









O projeto tem o objetivo de recolher, por meio de coleta pública seletiva, materiais recicláveis (papel, plástico e alumínio) e óleo de cozinha usado

A prefeita Márcia Moura (PMDB) participou na noite desta sexta-feira (15), no recinto do Parque de Exposições Joaquim Marques de Souza, do lançamento do projeto “Casa Sustentável”, que tem o objetivo de recolher, por meio de coleta pública seletiva, materiais recicláveis (papel, plástico e alumínio) e óleo de cozinha usado.

A iniciativa surgiu graças a uma parceria entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e a empresa Eldorado Brasil, que conta também com a parceria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Durante o evento, a engenheira ambiental da Eldorado, Mayza Carla da Silva, explicou como irá funcionar o projeto. “Teremos seis pontos de coleta na Cidade e os resíduos serão trocados por pontuações e posteriormente, entrega de cestas básicas e óleo de cozinha limpo, como forma de incentivo para que as pessoas percebam a melhoria na qualidade de vida”, disse Mayza.
Ainda de acordo com a engenheira ambiental, o óleo recolhido será reaproveitado para fazer biodiesel, neste caso o Rotary Club é parceiro do projeto. Já os outros materiais serão reciclados.
Em sua fala, a prefeita Márcia Moura destacou a importância do projeto. “O Meio Ambiente precisa dessa proteção, isso é progresso, é crescer e se desenvolver com sustentabilidade. Destaco também a participação de crianças, jovens e adultos de nossos programas sociais que são os agentes multiplicadores deste projeto”, reforçou a prefeita.

Participaram do lançamento do projeto o secretário de Meio Ambiente, José Estevão Moraes Palma; o presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Pascoal Secco; o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), o major Rufato, do 5º Grupamento dos Bombeiros e representantes da C&R Reciclagem e Rotary Club Cidade das Águas.

Agentes multiplicadores


Crianças, jovens e adultos de programas sociais da Secretaria de Assistência Social, Cidadania e Trabalho participam do projeto. Com as crianças é desenvolvido um trabalho de confecção dos recipientes onde será depositado o óleo usado; já os adultos são orientados sobre educação ambiental e o reaproveitamento de materiais recicláveis.

Pontos de coleta


Ao todo seis locais receberão o óleo e o lixo reciclável: Posto HM, na Rua João Dantas Filgueiras; Posto Nikkey, na Avenida Antônio Trajano; Posto Mercosul, na Avenida Clodoaldo Garcia; Corpo de Bombeiros, na Avenida Filinto Muller; Polícia Militar Ambiental (PMA), na Vila Piloto; e C&R reciclagem, na Rua Márcia Mendes, Jardim Alvorada.


ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS/MS

CET aplica 91 multas em um mês por desrespeito a ciclistas


http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/5050

Postado em 18/06/2012 às 13h39

São aplicadas em média três multas ao dia a quem desrepeita ciclistas em São Paulo. | Foto: Eryk Klucinski/SXC
A ação da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) em prol da segurança dos ciclistas resultou em 91 autuações a motoristas que desrespeitaram o Código de Trânsito Brasileiro no último mês.
Desde maio o órgão de trânsito tem aumentado a fiscalização quanto ao comportamento dos motoristas de veículos automotores em relação aos ciclistas. A campanha visa a conscientização, da mesma forma que foi feito com a questão da multa a quem não tem cuidado com os pedestres.
Mesmo com índice médio de três multas aplicadas ao dia, os ciclistas ainda cobram intensificação na fiscalização. Em declaração ao Jornal da Tarde, Willian Cruz, mantenedor do site Vá de Bike, cobrou a divulgação de dados mais detalhados por parte da CET.
Segundo o ciclista e cicloativista, o órgão não informou as regiões em que as multas foram aplicadas e isso gera dúvida quanto à eficiência na fiscalização. Outro questionamento levantado por ele diz respeito à baixa incidência das multas relacionadas aos ciclistas, quando comparadas a outros tipos de punições, a quem desrespeita o rodízio, por exemplo.
Conforme dados da CET, diariamente são aplicadas em média 5,3 mil multas por causa do rodízio. O desrespeito aos pedestres também resultou em altos índices de punições, foram 225 mil autuações em dez meses, isso garante uma média diária de aproximadamente 700 multas. Com informações do Jornal da Tarde.
Redação CicloVivo

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Negociadores chegam a documento final, mas indicam brechas para mudanças


Rio+20: Negociadores chegam a documento final, mas indicam brechas para mudanças


Postado em 19/06/2012 às 09h01

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, anunciou a conclusão do texto da Rio 20. | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Depois de mais de 14 horas de negociações, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, anunciou às 2h30 desta terça-feira (19) a conclusão do texto da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Ele sinalizou que foi refeito o último rascunho, finalizado no sábado (16), incluindo ajustes de “último minuto”. Também indicou que haverá nova plenária nesta terça-feira, às 10h30, que ainda pode modificar o documento.
A delegação do Brasil convocou uma plenária, às 2h20 da madrugada, que durou menos de dez minutos. Segundo Patriota, o texto finalizado será divulgado para as delegações dos 193 países a partir das 7h. Depois, ocorrerá uma plenária. Nela, qualquer delegação pode rejeitar propostas e se manifestar, discordando em relação a itens contidos no texto.
Após a plenária da madrugada, o chanceler fez uma breve declaração à imprensa. “Temos um texto e fizemos o possível para incorporar o máximo, inclusive negociações e consultas de último minuto. Quero agradecer a todos pelo espírito de cooperação e liderança”, disse ele.
“Mantivemos o compromisso de concluir o exercício da noite de ontem [18] até hoje. O texto será tornado acessível até as 7h porque precisa de uma revisão técnica. Haverá uma plenária amanhã [19] às 10h30”.
Os negociadores disseram que no documento há de forma clara a recomendação para o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e indicações para que, no futuro, seja criado um órgão independente. Há ainda detalhes sobre a proteção das águas oceânicas e uma espécie de bloco destinado aos financiamentos, mas sem cifras exatas.
No entanto, ficará para outro momento de negociações a proposta do Brasil e dos países em desenvolvimento para a criação de um fundo específico para o desenvolvimento sustentável. A ideia era criar o fundo com recursos iniciais de US$ 30 bilhões, mas que até 2018 alcançaria US$ 100 bilhões.
Os representantes dos países ricos vetaram a proposta, alegando dificuldades econômicas internas. A União Europeia anunciou ontem à noite, por meio de declaração, que o ideal era levar as negociações para o nível de ministros, retirando o debate do âmbito de diplomatas e técnicos.
Os negociadores se dividiram ontem, ao longo do dia, em quatro grandes grupos dedicados às questões sem acordo. Houve debates sobre as fontes de financiamentos para a implementação das metas fixadas, as definições referentes à regulamentação das águas oceânicas, o fortalecimento do Pnuma e o detalhamento relativo à economia verde.
Em relação ao Pnuma, foram feitas duas alterações, incluindo o fortalecimento do programa e a possibilidade de ele ser ampliado e se tornar, no futuro, um organismo autônomo. A delegação brasileira defendia a criação imediata de um órgão independente incorporando o Pnuma, nos moldes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Por Renata Giraldi e Carolina Gonçalves - Agência Brasil

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ONU lança iniciativa global para cidades inteligentes


Envolverde Rio + 20
19/6/2012 - 10h09








por Fabíola Ortiz, da IPS
Rio de Janeiro, Brasil, 18/06/2012 (TerraViva) – A cada ano a população mundial se torna mais e mais urbana, as projeções indicam que até 2050, 80% das pessoas viverão em cidades e o desafio é melhorar a eficiência no uso de seus recursos como água e energia, além de reduzir os níveis de poluição responsável pela piora da qualidade de vida.
Como forma de favorecer o crescimento mais sustentável das cidades e melhor aproveitar os recursos, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou, nesta segunda-feira, dia 18 de junho, na Rio+20, a Iniciativa Global para Cidades Eficientes no Uso de Recursos (em inglês Global Initiative for Resource Efficient Cities).
O objetivo é atrair a adesão voluntária de cidades mundiais com mais de 500 mil habitantes para estabelecer metas a serem perseguidas até 2020 como a melhora na eficiência hídrica e energética em edifícios, indústrias e nas cidades em 50% de seu consumo atual, assim como expandir as redes de reciclagem e o tratamento de resíduos sólidos.
“É possível reduzir o consumo sem a necessidade de investir volumosos recursos, é apenas uma questão de mudar hábitos de vida. Muitas cidades no mundo desperdiçam um terço de sua água devido à má gestão”, afirmou Arab Hoballah, coordenador da iniciativa do PNUMA.
Chamada27 ONU lança iniciativa global para cidades inteligentes
Painel Cidades Sustentáveis. Foto: Fabíola Ortiz
Apesar de as cidades ocuparem uma área de apenas 3% da superfície da Terra, elas respondem por metade da geração de todo o lixo, geram entre 60% e 80% de todas as emissões de gases de efeito estufa e ainda são responsáveis por consumir 85% dos recursos naturais.
Em 20 anos, os investimentos urbanos em infraestrutura necessários para tornar as cidades mais eficientes e sustentáveis são de de U$S 41 trilhões com enfoque especial no planejamento urbano mais inteligente como a melhoria dos transportes públicos, áreas para pedestres, ciclovias e adoção de tecnologias verdes.
Contudo, segundo as Nações Unidas, é possível fazer uma economia no uso de água em 30% e reduzir até mesmo pela metade o consumo de energia nas grandes cidades apenas adotando hábitos e comportamentos de consumo no dia a dia.
Cidades como São Paulo, no Brasil; Copenhague, na Dinamarca; Malmö, na Suécia; e Gwangju, na Coréia do Sul; já aderiram à iniciativa. O Rio de Janeiro, anfitrião da Conferência Rio+20, também pretende ingressar na iniciativa.
Os governos dos Estados Unidos e do Japão também anunciaram seu apoio na Rio+20. “Esta iniciativa é oportuna, pois no Japão, depois do terremoto, muitas cidades estão se reconstruindo e queremos que sejam amigáveis ao meio ambiente e de baixo carbono. Já traçamos uma estratégia de crescimento verde. Estamos trabalhando na ideia de eficiência energética e menos emissões”, enfatizou o assistente especial do Ministério de Relações Exteriores do Japão, o embaixador Masahiko Horie.
Hoballah do PNUMA garantiu ainda que haverá um mecanismo para monitorar o desempenho das cidades que aderirem à iniciativa global e incentivar medidas inovadoras de sustentabilidade.
Metas sustentáveis para as cidades
Segundo disse à IPS o engenheiro ambiental da Escola Politécnica da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), Haroldo Mattos de Lemos, só no Brasil, 85% da população vive hoje nas cidades, 161,5 milhões, diferentemente de 50 anos atrás, quando apenas 30% da população brasileira era urbana.
O pesquisador defende que sejam criadas metas específicas de eficiência no uso dos recursos de acordo com cada cidade. “Nós, até hoje, demos pouca importância ao meio ambiente urbano e à qualidade de vida urbana como praças, arborização, qualidade do ar boa, se o lixo é coletado e tratado de forma correta, assim como o tratamento de esgoto”, afirmou Mattos de Lemos.
Apesar das expectativas em torno da definição de metas do desenvolvimento sustentável (as chamadas SDGs em inglês,Sustainable Development Goals), o engenheiro ambiental já não alimenta esperanças que da Rio+20 saiam metas estabelecidas.
“É importante criar metas para os centros urbanos, mas não acreditamos mais que seja possível, desta reunião da Rio+20, que os governos aprovem medidas concretas. No processo para desenvolver as SDGs até 2015 para  substituir as metas do milênio, as cidades tem que estar incluídas”, defendeu. (IPS/TerraViva)
* Publicado originalmente no site TerraViva.
(IPS) 

terça-feira, 19 de junho de 2012

O espírito do voluntariado vive na Rio+20


Envolverde Rio + 20
19/6/2012 - 11h00





por Thalif Deen, da IPS
Chamada69 O espírito do voluntariado vive na Rio+20
Nações Unidas, 19/6/2012– Quando começar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, entre os estimados 60 mil participantes não estarão apenas líderes mundiais, delegados governamentais e pessoal da Organização das Nações Unidas (ONU), mas também uma ampla gama de ativistas de todos os cantos do planeta.

A ONU constatou que haverá uma forte presença de agricultores, empresários, sindicalistas, consumidores, estudantes, indígenas, religiosos, acadêmicos, representantes de organizações não governamentais e jornalistas. E também haverá mais de mil voluntários proporcionando seus serviços praticamente grátis por intermédio da agência UN Volunteers (UNV).
Administrada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a UNV reúne e mobiliza voluntários em esforços de desenvolvimento. Anualmente, cerca de 7.500 homens e mulheres qualificados, de aproximadamente 160 nacionalidades, servem como voluntários da ONU em 130 países. Em entrevista à IPS, a coordenadora executiva da UNV, Flavia Pansieri, expressou a satisfação da agência em poder colaborar com a Rio+20. Por meio deste projeto de inclusão, cerca de 1.500 voluntários das comunidades menos favorecidas e de universidades ajudarão na organização da conferência, informou.
IPS: Quais progressos conseguiu sua campanha de voluntariado com relação ao desenvolvimento sustentável?
Flavia Pansieri: Desde seu lançamento, em abril, a campanha “A ação voluntária conta” teve enorme êxito, com mais de mil histórias de voluntariado enviadas e mais de 63 milhões de ações voluntárias registradas até agora em seu site. A campanha estimula as pessoas e as organizações a compartilharem suas contribuições voluntárias com o desenvolvimento sustentável enviando suas histórias para o site. Estas são divididas em várias categorias, desde luta contra a pobreza e a fome e o fortalecimento das comunidades, até esforços para melhorar a resistência e a preparação diante de desastres naturais e a proteção do meio ambiente. As histórias são apresentadas no site, e cada ação de voluntariado vai sendo somada em um contador na página. Em Moçambique, por exemplo, mais de 700 voluntários se mobilizaram, por meio de uma iniciativa de uma organização internacional com sede na Grã-Bretanha, para apoiar as pessoas com HIV/aids. Entre outras coisas, os voluntários trabalham em hortas que fornecem alimentos e plantas medicinais às pessoas com HIV (vírus da deficiência imunológica humana, causadora da aids). Na Estônia, com a campanha “Façamos”, 50 mil voluntários limparam todo o país de lixo ilegal em apenas cinco horas, coletando dez mil toneladas de resíduos. Na China, Índia, Indonésia, Filipinas e Tailândia cerca de cinco mil jovens voluntários da organização Habitat para a Humanidade colocaram tijolos, prepararam cimento e usaram seus martelos para ajudar mais de 500 famílias em apenas um dia.
IPS: O quanto é exitoso o conceito de voluntariado no sistema das Nações Unidas?
FP: Em 2011, mais de 7.300 integrantes da UNV trabalharam pela paz e pelo desenvolvimento dentro do Pnud e de outras agências da ONU em todo o mundo, ajudando as pessoas a levarem vidas mais produtivas e satisfatórias por meio de educação de qualidade e melhor atenção médica, ou garantindo acesso equitativo a recursos e práticas sustentáveis. Até agora, mais de 14 mil voluntários participaram em mais de 40 operações de manutenção e construção de paz diferentes. Atualmente, mais de 2.400 voluntários apoiam as 17 operações de paz da ONU. Trabalham em mais de 120 tipos de funções, desde conselheiros em matéria de direitos humanos até administradores de abastecimento, observadores eleitorais e assessores de imprensa.
IPS: Qual a dificuldade em encontrar voluntários no contexto da crise financeira global?
FP: O voluntariado é uma fonte fundamental de fortaleza comunitária e de capacidade de resistência em todas as sociedades do mundo. O voluntariado se expressa por meio de uma ampla gama de atividades, incluindo formas tradicionais de ajuda mútua, prestação formal de serviços e realização de campanhas e ativismo, bem como outras formas de participação civil.
IPS: Os voluntários recebem compensação de alguma forma? Como a UNV é financiada?
FP: O benefício fundamental de integrar a UNV é a satisfação pessoal que proporciona o trabalho voluntário para os que dela participam, pois conseguem um impacto positivo na paz e no desenvolvimento. Os participantes são apoiados de diversas maneiras, como subsídios ou seguro médico e de vida pela UNV, uma organização que recebe contribuições voluntárias de doadores e países sócios. Envolverde/IPS
(IPS) 

O Brasil e a liderança necessária na Rio+20


Envolverde Rio + 20
19/6/2012 - 10h30

http://envolverde.com.br/noticias/o-brasil-e-lideranca-necessaria-na-rio20/?utm_source=CRM&utm_medium=cpc&utm_campaign=19


por Marcelo Furtado *
Rio de Janeiro, Brasil, 18/06/2012 (TerraViva) A ascensão do Brasil e de outras economias emergentes é uma das grandes mudanças desde a Eco 92. Com o poder vem a responsabilidade.
Ao invés de paralisia política e ainda mais conversa, há vários desafios econômicos, sociais e ambientais que exigem a tomada de importantes decisões este mês no Rio de Janeiro. Por muito tempo, os líderes governamentais e empresariais têm lidado com os problemas econômicos de uma forma antiquada, como por exemplo, financiar setores “business as usual” (negócios feitos de forma usual/costumeira) – políticas que apenas provocaram uma maior agitação social e ambiental.
Chamada510 O Brasil e a liderança necessária na Rio+20
Mas houve uma mudança global no poder desde o encontro dos governos para a Eco 92 há 20 anos. Países como Brasil, China, Índia e África do Sul (os países BRICS) ganharam poder econômico e político nos últimos 20 anos – um desenvolvimento que oferece esperança de mudança política global.

Embora a pobreza ainda exista, os BRICS estão, em muitos aspectos, melhores do que seus colegas “altamente industrializados”: há uma grande taxa de desemprego é em Madrid e grande oferta de emprego em São Paulo. Uma recessão se instala na Grã-Bretanha, enquanto a China continua a crescer. Os  BRICS estão agora solicitando mais influência política onde o poder mundial é discutido – e eles têm o direito de fazê-lo.
Entre essas novas potências econômicas, o Brasil ocupa um lugar especial. Talvez nenhum outro país no mundo tenha os meios – a estabilidade financeira, uma democracia madura e os ativos ambientais corretos – para prover um caminho de sustentabilidade e prosperidade.
Nesta nova ordem mundial, porém, países como o Brasil não podem apenas exigir ações do resto do mundo. Ele também deve responder à pergunta sobre o que o mundo pode esperar do Brasil. Com o poder vem a responsabilidade. Fundamentalmente, o Brasil exemplifica o dilema com o qual estamos todos nos confrontando: o desenvolvimento econômico versus a sustentabilidade.
Em 2012, o Brasil tornou-se a sexta maior economia do mundo e, por grande parte da década passada, foi corretamente elogiado como um líder global no desenvolvimento sustentável para simultaneamente reduzir o desmatamento e ainda reduzir a lacuna entre os ricos e os pobres.
Estas conquistas, no entanto, estão sob ameaça. Em maio, a presidente Dilma Rousseff falhou ao não vetar totalmente a lei do novo Código Florestal, que oferece anistia aos criminosos florestais e reabre a Amazônia para a destruição.
Quase 80% dos brasileiros se opuseram às prejudiciais mudanças do Código Florestal e cidadãos do Brasil e ao redor do mundo pediram a Dilma Rousseff para vetar a totalidade da lei e se comprometer a atingir o desmatamento zero na Amazônia até 2015. Ela não fez nenhuma dessas coisas.
Esta não foi é a liderança que o Brasil deveria estar mostrando. Durante a Rio+20, o Greenpeace chamará as pessoas do Brasil para fazer o seu pedido pelo Desmatamento Zero em voz tão alta que a presidente Dilma Rousseff terá que concordar.
Outra área em que o Brasil ainda pode mostrar liderança está nas decisões que toma em relação às reservas de petróleo do país na próxima década. Se o Brasil for em frente com seu desenvolvimento planejado para o petróleo do pré-sal, estará entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo em 2020, com emissões relacionadas ao petróleo ao mesmo nível daquelas que hoje são provenientes do desmatamento.
Atualmente, a matriz energética do Brasil – embora longe de ser perfeita dada a sua dependência de grandes hidrelétricas e energia nuclear – é uma das menos intensivas em carbono no mundo.
Portanto, se o país for investir o dinheiro que atualmente vai para desmatamento e exploração de petróleo em desmatamento zero e em uma revolução de energia renovável, poderia fornecer energia limpa para todos, ter uma floresta Amazônica próspera e empregos verdes decentes. Isso seria a verdadeira liderança – a liderança que o mundo precisa ver.
Como brasileiro, espero que o meu país cumpra sua responsabilidade global na Rio +20. Como anfitrião da cúpula, o Brasil não deve se esconder por trás da dificuldade de alcançar um consenso global, mas sim tomar a iniciativa de mostrar ao mundo que uma economia justa, limpa e verde é possível.
O mundo que queremos é possível, e o Brasil pode mostrar a liderança que precisamos para fazer isso acontecer.
Marcelo Furtado é Diretor Executivo do Greenpeace Brasil.
** Publicado originalmente no site TerraViva.