Ecoeficiência de sacolas depende do comportamento do consumidor
Com informações da UFBA - 05/11/2011
SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Ecoeficiência de sacolas depende do
comportamento do consumidor. 05/11/2011. Online. Disponível em
www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=ecoeficiencia-sacolas.
Capturado em 08/11/2011
Em tempos de ecoeficiência, há quem acredite que as sacolas retornáveis são a
melhor opção na hora de fazer compras.
Mas, de acordo com um estudo inédito, realizado pela Fundação Espaço ECO e
Instituto Akatu, não é tão simples assim dizer que as sacolas retornáveis são
melhores para o meio ambiente.
O estudo concluiu que a a ecoeficiência de cada tipo de sacola depende do
hábito do consumidor.
Ciclo de vida das sacolas plásticas
Os pesquisadores analisaram o chamado "ciclo de vida" de oito opções de
sacolas disponíveis no mercado brasileiro.
Isso incluiu sacolas descartáveis (de polietileno tradicional, de polietileno
de cana-de-açúcar e as aditivadas com promotor de oxibiodegradação) e algumas
retornáveis (papel, ráfia, tecido e TNT - tecido não-tecido).
Todas foram avaliadas para um período de um ano.
Foram considerados vários cenários, envolvendo maior ou menor volume de
compras, maior ou menor frequência de idas ao supermercado e de descarte do
lixo, matéria-prima utilizada na produção das sacolas, capacidade de carga,
custo de cada uma, número de vezes em que é utilizada, reutilização ou não da
sacola como saco de lixo e envio ou não para reciclagem.
"Percebemos que cada material tem um desempenho mais adequado dependendo da
função e da maneira como é empregado", explica o gerente de ecoeficiência da
Fundação Espaço ECO, Emiliano Graziano.
Vantagens e desvantagens de cada tipo de sacola
Segundo o pesquisador, a relação entre o número de idas do consumidor ao
supermercado, o número de vezes que ele dispõe seu lixo em sacolas plásticas e o
tamanho de sua compra definem quais sacolas são mais eficientes do ponto de
vista da preservação ambiental.
Segundo os pesquisadores, as sacolas descartáveis são vantajosas em um
cenário considerado de poucas compras (até duas idas ao supermercado por
semana).
Já em situações de mais compras (mais de três visitas semanais ao
supermercado), as sacolas descartáveis só seriam vantajosas se usadas no
descarte de lixo ao menos três vezes por semana.
As sacolas de papel não se mostraram vantajosas em relação às demais em
nenhum tipo de cenário. O motivo é a baixa capacidade de carga, reúso e
reciclagem.
"O papel, por ter ficado como alternativa mais impactante no caso base do
estudo, não significa que será sempre pior nas situações em que pode ser
substituído pelo plástico. Ou seja, o desempenho da sacola de papel, como também
ocorre nas outras alternativas, está diretamente ligada ao seu eco design
(forma, estrutura, quantidade de matéria-prima empregada) e à sua condição de
uso e durabilidade," esclarece Graziano.
A sacola oxidegradável também não apresentou desempenho ambiental melhor do
que a sacola descartável tradicional.
Polêmicas
O resultado é contrário ao que tem sido apregoado pela mídia, mas é coerente
com outras pesquisas:
Este estudo, foi financiado pela Braskem, maior produtora de resinas
termoplásticas das Américas, portanto, com interesses na questão.
Outra crítica é que o trabalho não incluiu entre os fatores de impacto
ambiental o tempo de decomposição de cada um dos materiais, principal
preocupação daqueles que se opõem às sacolas plásticas.
Ou seja, perdeu-se uma boa oportunidade para um parecer científico sobre o
assunto.
Hoje a população recebe como informação apenas boatos e mitos: é possível
encontrar na imprensa estimativas de degradação das sacolas plásticas que variam
de 50 a 1.000 anos, sem a citação de nenhum estudo científico para embasar as
afirmações.
Lei da sacola plástica erra o alvo, diz especialista
Planeta Coppe - 08/11/2010
SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Lei da sacola plástica erra o alvo,
diz especialista. 08/11/2010. Online. Disponível em
www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=lei-sacola-plastica-erra-alvo.
Capturado em 08/11/2011.
Resina plástica pode ser reciclada a partir de técnica pioneira por
pesquisadores da UFRJ/Coppe.[Imagem: Coppe]
Alguns meses após a entrada em vigor das primeiras leis regionais
restringindo o uso de sacolas plásticas, o professor José Carlos Pinto, da
UFRJ/Coppe, aponta os
benefícios e as contradições da medida.
Para o
especialista, a lei que incentiva mudanças nos hábitos dos
consumidores nos estabelecimentos comerciais é uma gota no oceano.
Alvo errado
Segundo o professor, dados oficiais da Comlurb apontam que menos de 20% de
todo o lixo produzido na cidade do Rio de Janeiro são constituídos por resíduos
plásticos, sendo que as sacolas plásticas representam uma fração ainda menor
desse valor.
Já o total de material reciclável, incluindo também papéis, vidros e metais,
é superior a 36% e o percentual de material orgânico representa quase 60% da
composição do lixo.
"A lei tem como principal benefício diminuir a redução do consumo de
material plástico, mas sozinha é insuficiente para resolver o problema do
descarte sumário de materiais no lixo, como demonstram os dados. O Estado do Rio
precisa de uma política de descarte do
produto mais ampla, para evitar o desperdício de matéria-prima
e o acúmulo de materiais no lixão e estimular a reciclagem.
"Para obter resultados mais efetivos, precisamos de uma política pública de
reciclagem mais abrangente. A lei não deveria focar exclusivamente a sacola
plástica, mas se estender a todo material descartável que possa ser reutilizado,
seja plástico, papel, papelão ou alumínio. O importante não é o material, mas o
uso que se faz dele", ressalta o professor.
José Carlos sugere como medida o incentivo ao uso, reúso e reciclagem. "O bom
hábito é ter uma bolsa que pode ser usada muitas vezes e que não é simplesmente
jogada fora após a ida ao supermercado, seja ela constituída de material
plástico ou não. Algo parecido com a velha bolsa ou o carrinho de feira, que
qualquer pessoa com mais de 40 anos de idade é capaz de lembrar."
Reciclagem e reúso
O especialista considera um equívoco atribuir ao plástico o papel de vilão do
meio ambiente.
Segundo o professor, trata-se de um material que apresenta as propriedades
ideais para reciclagem e reúso. "É verdade que alguns desses materiais demoram
mais de uma centena de anos para se decompor, mas, ao contrário do que muitos
acreditam, isso pode ser bom. Exatamente porque não se degrada é que o material
plástico pode ser usado e transformado muitas vezes", explica.
Uma vez terminado o ciclo de vida do produto plástico, ele pode ser
processado e usado como matéria-prima, dando início ao ciclo de vida de um novo
produto. O pote de xampu de hoje pode ser a sacola plástica de amanhã e o saco
de lixo de depois de amanhã, o que não seria possível se o material fosse
degradável.
Esse é um dos motivos que leva o professor a condenar a opção de usar sacolas
plásticas biodegradáveis, pois qualquer material orgânico produz toxinas e
subprodutos indesejados quando se degrada.
"A decomposição de matéria orgânica é um dos principais problemas de
nossos rios e lagos, provocando a proliferação de algas e a mortandade de
peixes, além de contribuir com o problema do aquecimento global quando resulta
na produção de metano e dióxido de carbono. Os compostos orgânicos dissolvidos
nas águas e solos provocam o desenvolvimento de bactérias, fungos e vermes e o
esgotamento do oxigênio disponível nesses meios. Ao contrário do plástico, que,
por não se degradar em
alta velocidade quando despejado no ambiente, praticamente não
produz toxinas no ambiente," explica.
Resíduos orgânicos
José Carlos dá como exemplo a indústria do papel, que consome mais energia e
é mais poluente do que a indústria de resinas, gerando resíduos orgânicos, como
o licor negro, que ainda hoje constituem um grande desafio ambiental.
"Num certo sentido, a reciclagem do papel é muito menos eficiente que a do
material plástico, pois uma parcela significativa do produto final se perde pela
fácil degradação física e química, em particular quando em contato com a água",
afirma.
"O que devemos fazer com o material plástico que foi descartado pelo
consumidor é reciclá-lo. O correto é impedir que esses materiais se acumulem nos
lixões e estimular a reutilização dessa abrangente fonte de matérias-primas,
como já ocorre com os materiais de alumínio, como latas de refrigerante e
cerveja. O caminho é reduzir o desperdício, usar o lixo como matéria-prima e
reciclar," conclui o pesquisador.
José Carlos Pinto é responsável por um projeto que resultou na criação de uma
técnica inédita para a reciclagem de plásticos.
Ciência ambiental: não troque as sacolas plásticas ainda
Redação do Site Inovação Tecnológica - 28/12/2010
SITE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Ciência ambiental: não troque as
sacolas plásticas ainda. 28/12/2010. Online. Disponível em
www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=ciencia-ambiental-sacolas-plasticas.
Capturado em 08/11/2011.
As sacolas de bioplástico somente podem ser consideradas
ambientalmente amigáveis se o processo de produção for feito utilizando energias
renováveis. [Imagem: AStar]
Bio é sempre bom?
Os sacos plásticos estão literalmente por toda parte. Embora aqueles
usados para embalar
produtos nos supermercados sejam o alvo preferencial dos
ambientalistas, eles estão em praticamente todos os produtos vendidos no
comércio.
Infelizmente, eles estão também pelas ruas, bueiros e nos lixões, uma vez que
a estrutura de reciclagem é muito deficiente.
A substituição desses sacos plásticos por bioplásticos tem sido alvo de
grandes discussões, havendo pesquisadores que afirma que as
"leis
das sacolas plásticas" erram o alvo.
Contudo, os reais
benefícios ambientais, assim como eventuais desvantagens, da
substituição dos plásticos por bioplásticos ainda não estão totalmente
claros.
Por isso, Hsien Hui Khoo e seus colegas do Instituto de
Engenharia e Ciências Químicas de Cingapura decidiram fazer uma
avaliação do ciclo de vida das sacolas feitas com bioplásticos para verificar se
elas são mesmo boas para o meio ambiente.
Avaliação do ciclo de vida
A avaliação do ciclo de vida (ACV) é uma técnica usada para analisar
os impactos ambientais associados a todas as fases de um processo produtivo, com
a elaboração de um inventário da energia e dos recursos consumidos e das
emissões e dos resíduos gerados na produção de um determinado
produto.
Os pesquisadores usaram a ACV para comparar o uso de sacolas feitas de
polihidroxialcanoato (PHA) - um bioplástico à base de amido de milho - em
relação às tradicionais sacolas de polietileno. O polietileno é atualmente o
material mais usado para a fabricação de sacos de plástico.
A produção de sacos de polietileno requer a extração e refino de combustíveis
fósseis, a conversão dos combustíveis fósseis em polietileno e a extrusão do
polietileno em sacos plásticos.
Os pesquisadores calcularam que 1,22 kg de petróleo bruto, 0,4 kg de gás
natural e 48 megajoules de energia são necessários para produzir 1 kg de sacolas
de polietileno.
O PHA, por outro lado, é um bioplástico feito a partir do amido de milho. A
produção das biossacolas de PHA envolve o cultivo de milho, colheita, moagem
úmida e fermentação.
Os pesquisadores calcularam que 4,86 kg de milho e 81 megajoules de energia
são necessários para produzir 1 kg de sacolas de PHA.
Desafios para os bioplásticos
De forma sobremaneira inesperada, Khoo e sua equipe descobriram que a energia
consumida na produção das sacolas de PHA é 69% maior do que a energia gasta na
fabricação das sacolas de polietileno.
Embora o cultivo de milho possa ajudar a compensar emissões de carbono
através da fotossíntese, os pesquisadores descobriram que a fabricação das
sacolas de bioplástico exige maior consumo de energia durante a produção em
comparação com produção de sacolas de polietileno.
Eles concluem que os sacos de PHA somente podem ser considerados
ambientalmente amigáveis se o processo de produção for feito utilizando energias
renováveis.
Finalmente, os cientistas advertem que, antes que os biomateriais sejam
considerados como alternativas sustentáveis aos plásticos convencionais, alguns
desafios precisam ser superados: "A questão principal reside na redução da
demanda de energia para a conversão da biomassa em [materiais com] propriedades
semelhantes às dos plásticos,"
afirmaram.
Bibliografia:
Environmental impacts of
conventional plastic and bio-based carrier bags.
Khoo, H.H., Tan, B.H.T.,
Chng, K.W.L.
International Journal of Life Cycle Assessment
Vol.: 15,
284-293 (2010)
DOI: 10.1007/s11367-010-0162-9